Na Grécia, eis criado o mais repugnante sistema de cobrança de impostos: a bufaria obrigatória. As donas de casa, os estudantes, os cidadãos em geral, até os não cidadãos (os turistas!) são autorizados, perdão, incentivados a tornar-se denunciantes, bufos, fiscais de impostos. Não, não se trata de declarar o número fiscal, apesar de tudo facultativo na nossa parvónia, mas de pôr o pessoal, com aparelhos de escuta e câmaras de video, a registar infracções fiscais de terceiros. Aí temos, oficialmente instituído, o embrião da NKVD. Todos contra todos, quem mais denunciar melhor “cidadão” se torna. O amigo Putin agradece a ideia. Daqui à política vai um passinho.
Em Portugal, a instâncias do jornal socialista “Público”, logo seguido de um coro bem ensaiado, a mentalidade da trampa tem natureza análoga. Ainda não chega a todos mas para lá caminha. Se pagaste depois so prazo, mesmo com juros, és mau, se tiveste, como outros milhões de portugueses, uns processos de cobrança, que também saldaste, com custas e juros, és péssimo. E, se fores primeiro ministro, então passas a perigoso e anti social cadastrado. A mesma gente que andou mais de seis anos, a encobrir as mais rebuscadas e variadas aldrabices de um PM que nem precisava de cavadelas para mostrar as minhocas, apressa-se agora a encher páginas e páginas para transformar minhoquices em hediondos crimes. A mesma organização que dominou a justiça com mão de ferro para encobrir o actual presidiário 44 e outros da mesma laia, que chegou ao ponto de legislar branqueamentos fiscais, (certamente a pensar no futuro…), e a punir, via legislação ad hoc, juízes “antipáticos”, a mesma protectora e visível mão que limpava as maiores tropelias, considera-se agora à altura e no direito moral e político de fazer o contrário por razões que nada têm a ver com os desmandos do seu verdadeiro chefe, ora encarcerado por uma justiça que, finalmente, se pode considerar independente da política.
Orgulhosa, a tipa que se apoderou politicamente do “Público” assume a “pressão social e política” que ela própria criou, sem medida nem escrúpulo. E ameaça: “a pressão não vai terminar por aqui”. O Costa é acusado pela fulana de “passividade sobre um caso tão grave quanto este”. Manifestamente, o Costa já falou até demais sobre o assunto. Mas como, na cabeça da tripeira, o “problema” das não dívidas fiscais de Passos Coelho é o que há de mais importante na nossa vida, tudo o que o Costa disser sobre o assunto é pouco. O variado bouquet dos sirysas nacionais, aliado às forças “democráticas” do PS, comandadas pelo obsoleto vazio mental e moral do pateta alegre, estão de prevenção, camartelo em punho, a explorar mais esta oportunidade de nos transformar em polícias.
Assim vai a procaria.
Nota: aqui há anos, já estava em vigor a lei ora esgrimida contra o PM, um ex-deputado quis pôr em dia as suas contribuições para a SS, em falta durante uns anos em que tinha estado no Parlamento. Pediu ao ilustre socialista Almeida Santos, presidente daquela organização, que pagasse a parte respeitante à “entidade patronal”, pagando o interessado a sua. A resposta do camarada foi que não senhor, não pagava porque a dívida já tinha prescrito. A moral é boa quando condena terceiros, não é? Porcalhões.
8.3.15
António Borges de Carvalho

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