IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PÓS-PÁSCOA

     

    MÁS NOTÍCIAS

     

    As eleições para PR (Pobre Ridículo) estão a animar. Mas a animação vai tendo notícias aterradoras.

    Por exemplo:

    A dona Roseta, coitadinha, declara-se interssada na subida ao palco, mas não tem dinheiro. Fiquei de rastos com esta. Ficamos privados de tão ridente possibilidade, a de poder votar nela e ter a perspectiva de a ver, de boina e rosa ao peito, a passar revista às tropas. Que pena!

    O senhor Nóvoa, esquerdista “independente”, frequentador de congressos do PS, de reuniões soaristo-radicais e de banhas da cobra castrenses, pregador de frases feitas, esteio da nacional-parlapatice, foi violenta e virulentamenmte atacado por uma alta figura do PS, um tal Pinto, distribuidor de camisas de Vénus na Costa da Caparica e pai da Pátria por nomeação socrélfia. Uma vez que se trata de destacado membro do sanctus sanctorum do largo do Rato, é de assumir que, ao dizer o que disse, estivesse a mandar um recadinho do big chief Costa. Mais uma má notícia. Ficamos privados, também, de ver o magno académico a presidir às paradas da Guarda Republicana.

    Pobres de nós!

     

    *

     

    DO FULGOR DA INTELIGÊNCIA

     

    O camarada Ferro, passados dias de profunda reflexão, chegou à conclusão que “ninguém almoça nem janta sondagens”. O brilhantismo desta afirmação, a ombrear com aquela do camarada Sampaio quando disse que “há vida para além do défice”, enche-nos de lapaliciana admiração. Sem, por uma questão de respeito, esquecer o amigo banana e o João da Ega, convenhamos que ainda bem que a política portuguesa pode contar com homens capazes de tanto fulgor intelectual.

     

    *

     

     

    PONTOS E PRÉ PONTOS

     

    Um rapaz do CDS veio, por detrás de escuras barbas, anunciar mais um importante desenvolvimento com que projecta brindar os portugueses, bem como pô-los a par com as políticas de “mobilidade” de outros países europeus. Consiste a ideia em oferecer aos motoristas doze pontos na respectiva carta de condução, os quais serão perdidos à medida das prevaricações de cada um em relação ao código da estrada. Muito bem!

    O mais interessante é que os pontos são tirados antes de ser dados. Explico: diz o rapaz que, antes de nos pontuar, vai ao nosso passado e, à partida, come os pontos a que tivermos “direito”, isto é, para a maioria de todos nós, não haverá doze pontos, mas só os que o rapaz das barbas resolver ter a subida bondadade de nos facultar. Julgava o IRRITADO que havia um princípio expresso na Constituição que postula a não retoactividade da lei penal. Se calhar achava mal: o rapaz acha que a retirada dos pontos, e da própria carta, é uma coisa administrativa, sem incidência penal.

    Sobre “princípios”, compulsada a jurisprudência do Tribunal Constitucional, já nada se entende de útil. E algo me diz que, em matéria de cartas de condução, o TC, ou não se pronuncia, ou vai achar que isso da não retroactividade foi chão que deu uvas.

     

    6.4.15

  • LÁ VEM MAIS UM

    Mais um para atrapalhar o Costa, ou para lhe prestar um servicinho? O futuro dirá.

    Dos privilegiados palcos da aula magna do Soares e da trupe do Vasco Lourenço, organizações onde se graduou em socialismo frentista, surge, cheio de canudos, cátedras e honrarias, o subitamente indispensável senhor Nóvoa.

    Muito bem. O homem que “está disposto a tudo” (a maralha aplaudiu, frenética, esta douta declaração de “princípios”), o homem que “dá a vida pela liberdade” (a maralha entrou em transe com esta, sem perceber que o homem é livre de dizer o que lhe vier à cabeça e, portanto, não corre o risco de morrer por coisíssima nenhuma) vem coroar as suas investidas com uma candidatura a Presidente da República.

    Um dos seus apaniguados apressou-se a descansar as almas declarando que a criatura “está disponível, mas não está disposta a sacrificar o perfil de independente com que sempre se orientou”. Notável. O senhor em causa serve de estrela ao Soares % Cª, faz as delícias de tudo o que é esquerda radical, põe-se ao serviço dos lourenços, pezarás e outros que tais, e acha-se independente? Será independente porque, com a bonita reforma que terá, pode pagar ao merceeiro e às finanças. Politicamente, é tão independente como o bicho-da-seda o é do casulo. Que ele e os seus adeptos, irmãos, confrades, camaradas e demais aderentes o considerem como tal, vá, é o que lhes convém. Mas, por favor, não nos tratem como pacóvios, ou parvos, ou atrasados mentais. Independente uma figa!

    Não sei qual é a especialidade de tão alta figura. Mas, segundo os entendidos, é perito em frases grandiloquentes, em citações de poetas e em gongorismos. Qualidades que, de um modo geral, caracterizam os demagogos.

    Até à data, tínhamos um só aspirante ao inútil cargo: Henrique Neto. Este, que não é universitário, nem se diz independente, que muito fez na vida, que tem algumas ideias razoáveis e sérias na cabeça, muito para além de ideologias e demagogias, foi prontamente posto à margem pelo PS, e da forma mais primitiva e carroceira que imaginar se possa. Nóvoa, sem que ninguém se comprometa, recebe as loas do Soares e de inúmeros camaradas de mesma trupe.

    Não se sabe, ou sabe-se bem de mais, que o Neto (e qualquer outro) estará redondamente enganado se achar que, a partir de Belém, pode levar à prática seja que ideia for. Mas, pelo menos, tem alguma coisa para dizer, sem patacoadas esquerdóides, citações de poetas e frases parlapatórias.

    Tinha dito, aqui há dias que, da área do PS e arredores, havia já nove aspirantes. Que se comam uns aos outros. Agora, há dez, dois deles declarados: um, claramente fora do baralho. Ainda bem. Outro do baralho e da baralhada castrense, caviar e radical. Ainda mal.

     

    3.4.15

  • É DEMAIS!

    Hoje apetecia-me chamar a este blog algo diferente. IRRITADO é pouco. Talvez ESTUPEFACTO, INDIGNADO, RAIVOSO, COM-VONTADE-DE-DESATAR-AOS-TIROS, ou coisa do estilo. Era pouco, mas faltam-me os adjectivos. Imagine-se porquê: um comentador resolveu ir ler um papel onde uns tipos provam à saciedade que o desemprego em Portugal não é de 13, nem 14 por cento, mas sim de… 29!

    Os tipos em causa são o intragável Boaventura Sousa Santos e o bolchevista Carvalho da Silva, altíssimos dirigentes de um organismo (mais um!) pomposamente intitulado “Observatório Sobre Crises e Alternativas da Universidade de Coimbra”. Estes dois assalariados do Orçamento do Estado produziram um relatório no qual provam por a+b (na cabeça deles) a veracidade dos tais 29 por cento. Assim, começam por, em título, sublinhar esta pergunta: Estará Portugal a, maquilhar os seus dados do desemprego?, desde logo se percebendo a resposta.

    Pegam nos números do INE ou coisa parecida. Vai daí, acrescentam-lhes os “desempregados ocupados”, os “inactivos desencorajados”, os “activos migrantes”, e o emprego a tempo parcial, a que chamam “subemprego”. Não se sabe onde foram buscar estas categorias ou se, simplesmente, as inventaram bem como aos respectivos números. O que se sabe é que somaram tudo, e chegaram aos tais 29%. É de louvar a honestidade intelectual desta gente. É que, se não fossem tão “independentes”, juntavam à coisa os reformados e as criancinhas e passariam, à vontade, dos 50%. Se se acrescentassem a si próprios, por exemplo na categoria de “trabalhadores inúteis, fingidos e contraproducentes”, ainda chegariam a maior percentagem.

    Para além do nojo que esta gente causa, acrescentemos que há uma Universidade que lhes dá cobertura, os sustenta (deve ser para isso que anda sempre aos gritos por mais dinheiro) e, pior, suja o seu histórico prestígio com “observatórios” como este.

    Ninguém terá ilusões sobre a qualidade moral e intelectual de fulanos como o Boaventura e o Silva. Mas, que diabo, dar-lhes o direito de, em nome da UC, produzirem esterco deste calibre, vai, ou devia ir, alguma distância.

    Com a devida vénia a João Miguel Tavares, que motivou estas linhas.

     

    2.4.15

  • O ASSOBIADOR AÉREO

    No solene momento em que Costa se retira da CML, há que prestar-lhe a devida homenagem, sobretudo no plano musical. É que, à semelhança de Luísa Todi, no canto, ou de Viana da Motta, no piano, o nosso homem merece todas as distinções no que ao assobio aéreo diz respeito. Este ramo das artes musicais foi reabilitado com mestria pelo “candidato” a Primeiro-Ministro. Ao longo do tempo, tem prestado altos serviços à cultura pátria através de inúmeros trinados assobiativos virados para as alturas.

    Eis alguns exemplos:

    – Quando se fala nas centenas de milhões que pôs a Câmara a dever ao Névoa, o assobio é em dó menor;

    – Quando os joelhos das criancinhas se rasgam no famoso piso do Terreiro do Paço, a melodia é de um stacato digno do melhor barroco;

    – Quando alguém lembra o estado do Parque Mayer e de Entrecampos, os ornitológicos dotes do homem, ares fora, trinam com encanto;

    – Quando se trata do 44, aí, é um nunca acabar de trinados quase sinfónicos, o virtuosismo atinge as raias do génio, desta feita pianissimo, à cause des mouches;

    – Falando-se do desastre da Ilha da Madeira, céus!, estremecem as núvens com a canora flauta dos grossos lábios.

    Registe-se, com inteira justiça, o contributo musical deste poderoso ex-autarca, e imagine-se o que sucederá lá pelas europas, quando (t’arrenego!) ele desatar aos assobios.

     

    2.4.15

  • COMPLICAÇÕES

    Não sei se alguém percebe esta história das taxas dos turistas. A coisa parecia simples: quem aterrasse em Lisboa pagava um euro à câmara. Tinha a sua lógica. O Costa precisava de dinheiro e, em vez de continuar à porrada aos munícipes, cravava um eurito a quem cá chegasse de avião ou paquete. Fácil, barato, não faria mal a ninguém. Quando a malta pagasse os bilhetes, juntava o tal euro às outras taxas, essas violentas, que são neles incluídas. Aliás, um pouco por todo o mundo, há taxas municipais que se cobram aos turistas em tudo e mais alguma coisa.

    Simples, não é? Era, ou podia ser. Mas de simples passou a uma confusão dos diabos. Para já, os invejosos do Porto e de Faro, em vez de fazer o mesmo, desataram aos gritos. Depois, alçapremou-se o ingente problema da cobrança. Como cobrar? A discussão prosseguiu, acalorada e confusa. Até que, vá lá saber-se porquê, os gauleses da ANA resolveram pagar a taxa: mais uns milhões menos uns milhões, parece que a generosidade é muita, havendo que pensar o que pode estar por trás dela. Mais uma vez, os tipos do Porto e de Faro entraram em polvorosa. Também queremos, também queremos!

    É como a história peregrina da lista VIP. À boa maneira portuguesa, complicar é preciso. Quanto mais se complicar, mais os complicadores triunfam. Ora bolas!

     

    2.4.15

  • GRANDES PATRIOTAS

    11 professores universitários, 1 operário sindicalista, 2 advogados, 1 encenador, 1 professor sindicalista, 1 comerciante, 1 animador socio-cultural(?) e 1 investigador, todos muito conhecidos lá em casa e na mercearia da esquina, certamente por convite da ultrassocialista direcção do “Público”, deram à estampa um texto altamente esclarecedor, ainda que, felizmente, não profético.

    A tese, em resumo, é da seguinte natureza: é uma pena que as diversíssimas tribus da esquerda radical não sejam capazes de se unir para dar ao PS a necessária base eleitoral para uma vasta união que permita resolver, com pujança, eficácia e apoio da maior parte dos portugueses, todos os problemas e mais alguns dos que muito afligem a Pátria, com origem, a saber, e cito: no desemprego, na austeridade, na dívida, na liberalização do comércio mundial, num Sul economicamente débil, na armadilha da regulação das trocas internacionais, na moeda única, no declínio da produção agrícola e da industrialização, coisas que provocam, e cito, a devastação social, a debilidade de movimentos sociais organizados, tudo isto colocando a questão de saber, e cito, como romper com a austeridade, como sair deste inferno social e construir uma viragem progressista, como acabar com os compromissos da ordem neoliberal, coisa que até ataca partidos socialistas como o PS, o qual ora entreabre a porta à esquerda ora evidencia compromissos espúrios.

    Terríveis problemas! Então, dizem os subscritores, como não é de prever que o PS tenha o destino do PASOK, e como, desgraçadamente, não temos por cá um Syriza que una as forças do progresso, é uma chatice mas é preciso contar com ele, PS, a fim de negociar um compromisso para um programa de esquerda, um verdadeiro programa de esquerda! Um compromisso, é de ver, dizem os nobres intelectuias, que inclua o PC, o BE e as demais formações progressistas que por aí vicejam. Para quê? É simples. Para acabar com a desoladora fragmentação partidária, para pôr fim à austeridade, para arranjar outra política, para formular outro programa de governo que (insistem) esteja comprometido com o tal fim, bem como ao obstáculo insuperàvel que é a dívida, para acabar com as vozes críticas em relação à Grécia, etc.

    Tudo isto por imperativo patriótico, dizem as alminhas que subscrevem o papel.

    O IRRITADO deseja o maior sucesso a este escol de patrióticas cabeçorras. E até lhe pede um favor, se não incomodar: é que diga onde têm escondida a árvore das patacas, a tal que acaba com a austeridade, que paga a dívida, que repõe os salários e as pensões (tinha-me esquecido desta), que baixa os impostos (outra), que põe o Estado Social a dar chorudos subsídios à malta toda, etc. Se sabem onde ela está, digam ao Passos e à Maria Luís, e talvez eles saibam que fazer às patacas. É que, nas vossas mãos, caros cidadãos anónimos, as patacas voam não se sabe para onde.

     

    31.3.15

  • FALSIFICAR A HISTÓRIA

    Em altas parangonas, um jornal qualquer faz-se eco de uma publicação, fruto de pensadores do nível de um Loff (?) e de um tal Rosas, que vem “repor a ‘verdade’ histórica”, ofendida pela “direita”, com afirmações tais que “o Estado Novo era autoritário, não fascista”, “a democracia começou no 25 de Novembro, não no de Abril”, “direita” que fala de “ultramar” em vez de “colónias”, entretendo-se assim a falsificar a verdade, cuja posse exclusiva é dos autores do escrito, com exclusão de quaisquer outros. Assim, estes altos donos da verdade acham que o Salazar era igualzinho ao Mussolini, que a História de Portugal é uma merda, fruto de fantasia de torcionários e bandidos “da direita”, que, a seguir ao 25.4, não houve supremacia ditatorial soviética, etc., que a descolonização foi um mar de rosas (certamente das rosas do Fernando), que o Ultramar não foi abandonado ao mais primário socialismo “real”, que não morreram milhões de “descolonizados” nas guerras do socialismo durante mais de trinta anos, que não houve quase um milhão de portugueses brancos despojados de tudo…

    Ainda hão de descobrir que o Camões era uma besta (o Saramago é que é bom!), que o Gama nunca foi à Índia e outras verdades históricas do seu agrado.

    É claro que os “heróis” da I República, os mais ferozes colonialistas e nacionalistas da nossa História, eram uns gajos porreiros.

    Há critérios e critérios, não é? Os dos Loffs e dos Rosas são os bons, os da “direita” são os maus.

    Fica à consideração dos leitores escolher que verdades preferem.

     

    29.3.15

  • CONTINUIDADE

    Vistas as notícias, cada dia mais picantes, sobre as tropelias do 44, coerentemente coadjuvadas pelos seus defensores (“Porcos!” “Bêbedos!”), fica a pergunta que muita gente fará: como foi possível?

    Como foi possível que um partido com a dimensão e a importância do PS tenha passado quase sete anos a idolatrar o fulano? Não sabia de nada? Ninguém lá dentro sabia de nada? Ninguém via o que toda a gente via, os esqueletos a sair do armário às catadupas, os rabos de palha aos fardos, as suspeitas aos pontapés, as meias verdades às toneladas, as fugas em frente sem sentido, o descalabro do país a galope?

    Agora, o macacão é acusado de crimes vários. Mas, com crimes ou sem eles, lá no partido só o Henrique Neto é que o topava, atacava, denunciava?

    Há uma explicação: toda a gente sabia de tudo, mas a ninguém convinha “perceber”, ainda menos agir em conformidade. E toda, ou quase toda, essa gente, com Costa à cabeça, continua, como se nada fosse (se calhar acreditando na estupidez do povo), a fingir que não é nada com eles, que nunca foi nada com eles, e que são diferentes do que eram quando dirigidos pelo 44. Mais. Os que “viam” o que se passava – o oco era oco mas era sério – foram corridos por indecente e má figura.

    Não haja ilusões. O 44, se está à brocha com a Justiça, está feliz e contente pela estrondosa vitória dos seus fiéis. Estes, se tal lhes for dado, não hesitarão em continuar a sua obra.

     

    28.3.15

  • MORAL NUCLEAR

    Parece que faz agora anos que ocorreu o “acidente” de Chernobyl. Parece ainda que a Ucrânia não tem dinheiro para a segunda fase da protecção contra as radiações.

    Num jornal, vem uma rapariga queixar-se amargamente, dizendo que, ao tempo, ninguém (as autoridades soviéticas) tinha atempadamente avisado as pessoas dos perigos que corriam.

    Não seria mau que os jornais, que tanto gostam destes testemunhos, nos trouxessem também a memória das declarações do Álvaro Cunhal (ele próprio uma autoridade soviética), quando, uns dias depois, chegado da Ucrânia, veio dizer ao “nosso povo” que aquilo não tinha sido senão um pequeno acidente sem consequências de maior e que tudo estava sob controlo. O alarido não passava de manobra do imperialismo. E acrescentou que o Cônsul de Portugal não prestava, porque tinha aconselhado os estudantes portugueses a deixar a região.

    Em caso de necessidade, antes proteger a União Soviética que os estudantes portugueses!

    Os jornais têm a memória curta, ou a mais conveniente. Desmascarar, desmascare-se a PIDE, e muito bem. Mas o PC, esse está sob a protecção da moral republicana e socialista!

     

    28.3.15

  • ABUTROLOGIA

    Os abutres, os propriamente ditos, têm por gostoso hábito deliciar-se com cadáveres sem ter contribuído para a morte dos donos da carcaça. Comem-nos já faisandés. É a sua natureza, ou a Natureza fê-los assim.

    Na espécie humana fia mais fino.

    Há os que esperam calmamente, vêm morrer as presas e vão, respeitosos, ao funeral; depois, fornecem o prato e o talher a terceiros para que estes lhes encham o prato com os despojos.

    Outra variedade taxionómica prefere contribuir para a morte do jantar, a fim de vir a devorar a presa ainda quentinha.

    Temos vindo a assistir a manifestações públicas desta última variante, tanto da parte de um abutre de alto coturno, como de um outro, mais contido, mas não menos esfomeado, e filho espiritual de uma “abutra” já sem direito a apetites de maior.

    O primeiro – Morais Sarmento – começa por dar de barato que Passos Coelho tem os dias contados. Depois, “quando Costa for PM” (!), põe-se à disposição do partido para se fazer ao bife. Exemplar.

    O segundo – não me ocorre o nome – é um rapazito simpático que tem por hábito dar uma no cravo, outra na ferradura, hesitando entre o que está e as teorias vampirescas da sua directora espiritual – dona Manuela. Também se declara, humildemente, a postos para vir a ser chefe. Uma ternura de rapaz.

    Ambos esperam, ou desejam, que o partido a que pertencem perca as eleições, o que não está garantido, e que, na sequência da derrota, Passos se vá embora, o que também é futurologia a mais.

    Sem fazer prognósticos, fica a certeza da qualidade moral e política de um e do outro.

     

    28.3.15

  • UMA APARIÇÃO COM PÉS E CABEÇA

    Senhor Henrique Neto, seja benvindo à liça!

    Não sei o que lhe vai acontecer, mas sei que estou farto de gozar com as reacções dos seus camaradas, borradinhos que estão de medo da sua súbita aparição.

    Percebem (burros não são, mesmo quando parecem) que você vai fazer mossa. Daí, à falta de melhores argumentos, recorrem a pilhérias de gosto socialista. Veio o Costa, a sentir as costas frias, dizer que se estava nas tintas para si. Veio o Santos Silva – não o “amigo” do Pinto de Sousa, o outro – chamar-lhe bobo. Anda para aí um zero absoluto, Lelo de seu nome, certamente a olhar para o espelho, chamar-lhe palhaço. Um fartote de riso.

    Você tem prestígio público, fundamentado na sua vida como cidadão – com o triste handicap de ser, ou ter sido, membro da ignara família que ora o insulta. Tornou-se conhecido pelo seu amor ao Pinto de Sousa, coisa partilhada por tudo o que é gente nesta terra. A sua cara não é estranha, tem feito notáveis exibições na televisão e escrito coisas de bom senso e noção de Estado e de Nação – coisa desconhecida para costas, silvas e lelos. Enfim, qualidades não lhe faltam.

    Gostaria mais de o ver como ministro do fomento, ou coisa do género. Mas, já que resolveu atirar-se para mais acima, que ao menos as pessoas percebam o essencial da sua mensagem.

    Força, ó Neto!

     

    26.3.15

  • UMA NOTÍCIA DE ARROMBA

    Os sindicalistas do Ministério Público anunciaram que o ex-PGR Pinto Monteiro (aquele do almocinho com o Pinto de Sousa, onde falaram sobre livros do cobois) é responsável por, durante o seu mandato, ter passado a vida a proteger altas figuras.

    Ofendido, Pinto Monteiro (um dos das escutas destruídas, lembram-se?), resolveu declarar que tudo não passa de “uma falsidade” e que os ofensores são “gente medíocre”.

    A tal gente medíocre, afinal, somos todos nós. No caso, a cabeça da populaça acha que o que parece… é! E parece que os medíocres têm toda a razão. Venha o mais pintado (o Pinto Monteiro, por exemplo) dizer o contrário.

    Viva a mediocridade!

     

    26.3.15

  • LEALDADE PREMIADA

    A dona Cristas, ilustre representante do CDS no governo, à semelhança do irrevogável Portas foi à Madeira apoiar o colega que chefia a agremiação lá no sítio.

    Não será mau lembrar que tal chefe votou contra o orçamento de Estado proposto pela coligação e, por conseguinte, pelo CDS.

    Em paga de (mais) esta demonstração da atlântica lealdade, Portas e Cristas dão o seu aval ao bacoco do ilhéu.

    Bonito.

     

    26.315

  • UPLÁ

     

    Esse luminar do socialismo nacional que se chama Augusto Santos Silva, ao que consta Professor Doutor nalguma especiosa matéria, célebre por frases do tipo “eu cá gosto é de malhar na direita”, brindou-nos ontem com a sua indesmentível alta cultura.

    Perguntado sobre a candidatura à Presidência do seu camarada Henrique Neto, disse:

    Uplá uplá uplá

    esclarecendo depois que se tratava de uma expressão da Ode Triunfal de Pessoa. Delicadíssimo, afirmou que a tal candidatura significava que, à falta de outros, “os bobos ocupam a cena”.

    Depois, voltou a Pessoa: Ai quem me dera ser toda a gente em toda a parte.

    Justificando-se, afirmou: Sou um tipo clássico e, portanto, dei um toque medieval às minhas palavras.

    Ficamos sem saber se Fernando Pessoa, que todos julgávamos um modernista, é, na vasta cultura deste professor doutor, um poeta clássico, e que um poeta clássico não passa de um trovador medieval.

    Duma coisa podemos ter a certeza: o distinto comentador leu, sem perceber, o jornal de ontem, dia do aniversário do “Orpheu”, e fez da leitura fonte de inspiração para o parlapaté do serão.

    Em matéria de cultura geral deve andar pela bitola do chefe. Porreiro pá.

     

    25.3.15

  • ESQUERDA 9 – DIREITA 3

     

    Como não podia deixar de ser, o campeonato das presidenciais – ainda a procissão nem ao adro chegou – já toca patéticas alturas. O que, diga-se de passagem, está de acordo com o almejado cargo.

    Ora vejamos a lista (provisória!) dos pretendentes à ocupação do Palácio Real de Belém:

    Esquerda

    – Henrique Neto, o industrial – PS

    – Carvalho da Silva, o mensageiro de Marx – PC ou quase

    – António Vitorino, o corporate solicitor – PS

    – António Guterres, o emigrante de luxo – PS

    – Jaime Gama, o ratão – PS

    – Carlos César, o básico – PS

    – Sampaio da Nóvoa, o desejoso – vascolourencista e QFP*

    – Maria de Belém, a lacófila – PS

    – Guilherme d’Oliveira Martins, o ao engano – PS

    (e ainda falta o do PC propriamente dito, o do BE, e mais trinta e dois dignos representantes dos diversos grupos de syrisófilos encartados)

    Direita

    – Marcelo R. Sousa, o cravo e ferradura – PSD (tem dias)

    – Rui Rio, o nem coisa nem sai de cima – PSD e AC**

    – Santana Lopes – o sempre pronto – PPD/PSD

     

    Analisando a situação segundo os filósofos mais conhecidos do país (os da bola), teremos: o plantel da esquerda está cheio de força anímica, mas apresenta algumas fragilidades, mormente no que respeita a credibilidade atacante. À direita, a campanha de contratações ainda vai trazer algumas surpresas, mas os centrais já assinaram.

    Analisando com os critérios do IRRITADO, será: para uma fraude eleitoral que consiste em pôr os eleitores a votar num cargo inútil, ridículo e contraproducente, único na Europa, há inúmeros interessados, todos eles apostados em, como as anteriores campanhas eleitorais demonstraram, dar alto “conteúdo” ao vazio. Não deve haver no mundo coisa tão cara como esta, ou em que os custos estejam tão afastados dos putativos benefícios .

    Mas, que querem, é a República no seu melhor, e à portuguesa!

     

    25.3.15

  • OUTRA VEZ A LISTA

    Compulsado o que por aí se tem dito sobre a inexistente lista (que devia existir), pode concluir-se que, de um modo geral, as opiniões expressas dizem o contrário daquilo que a pobreza mental dos deputados, das direcções parlamentares, do Marcelo, do Mendes e da dona Manuela, quiseram meter na cabeça das pessoas.

    Criou-se alta histeria política à volta de um assunto que não vale um caracol, a não ser nas tristes mentes dos citados e, acima de todos, na do Costa, esta tão limitada que não lhe chega para perceber o tiro no pé que a sua criminalizadora teoria representa. Os “responsabilizadores” multiplicam-se, fora com este, fora com aquele, mais o outro e aqueloutro! Um fartote. Um oceano de estupidez.

    Vivemos num país cheio de “direitos” de privacidade e de personalidade. Há até uma comissão, ou coisa que o valha, certamente bem paga, destinada a “proteger” os dados, fiscais e outros, de cada um. Mas, quando se fala na possibilidade de preservar tais proclamados direitos, aqui d’El Rei que estão a pensar em criar privilégios! O crime, mais do que fazê-lo, é pensar na mera possibilidade de o vir a fazer. Mataste a sogra? Não, mas pensaste que talvez não fosse mau mandá-la desta para melhor. Um novo crime, o de pensar, pelo menos nas curvas da cabeçorra do Costa, mesmo que agir am conformidade não fosse crime nenhum.

    E, afinal, as reacções da maioria dos que têm um bocadinho mais de operacionalidade nos neurónios, são unânimes: todos devíamos estar protegidos, e os que são, comprovadamente, habitual objecto de buscas, não direi mais protegidos que os outros, mas mais escrutinadas as tais buscas. Num bairro dito problemático, há mais vigilância, não é? Não porque os habitantes sejam mais que os de outros bairros, mas porque estarão mais ameaçados que eles. Não é difícil perceber, pois não?

    Esperemos (metáfora!)que o recuo da arma do Costa lhe desfaça o focinho.

     

    23.3.15

  • LES BONS ESPRITS…

     

    Cito:

     

    – Eles querem impor tudo à Grécia

    Catarina Martins

     

    – O governo grego, que acreditou que iria conseguir virar as costas à austeridade…

    -Vasco Lourenço

     

    – Se um banco tem problemas é preciso nacionalizá-lo

    Francisco Louçã

     

    – Esse organismo tripartido (a troica!) está a enviar os países para a idade média económica. É uma hidra de três cabeças cujo único interesse é defender os interesses dos bancos, das grandes instituições financeiras, de modo algum defender os interesses dos povos…

    Jerónimo de Sousa

     

    – …os milhares de milhões que foram transferidos pra a Grécia… esse dinheiro não foi para a Grécia, não chegou ao povo grego, foi para os bancos.

    – Boaventura SSantos

     

    – Um sistema (a UE) é um sistema de ruína da grande maioria em benefício de uma ultraminoria.

    Bernardino Soares

     

    – Não somos por menos Estado, não somos por mais privatizações, não somos pelo ultraliberalismo, não somos por essas leis de mercado que têm que ser controladas…

    António Costa

     

    – O Tratado Transatlântico, no qual os mais fortes ganharão, as – multinacionais ganharão e os fracos morrerão.

    Sampaio da Nóvoa

     

    – Não vejo onde está o progresso, em Portugal e na Grécia, os recuos das prestações sociais, as perdas salariais, as privatizações forçadas…

    Rui Tavares

     

    – Eles são idênticos como políticos. Recebem ordens (da UE) e executam-nas. (Passos) recebe ordens e executa-as. (Costa) fará exactamente o mesmo. Não representam o povo porque não defendem os seus interesses…*

    Viriato S. Marques

     

    – (Tsipras) serviu de veículo à revolta democrática do povo. Espero que ele e o seu governo não cedam à UE e que assumam porque arriscam-se a decepcionar os que votaram neles.

    Luís Fazenda

     

    – (Merkel) é a patroa da Europa, a directora da prisão… os nossos dirigentes submetem-se à política imposta pela Alemanha… não defendem os interesses do povo.

    Màrinho Pinto

    ***

    Estas brilhantes considerações não foram proferidas por aqueles a quem o IRRITADO, com toda a justiça, as atribui, mas pela camarada Marine Le Pen. Como se vê, a exemplo da aliança do Tripas, os extremos são iguaizinhos…

    Les bons ésprits se rencontrent.

     

    * Aqui houve manipulação: Hollande e Sakozy foram substituídos…

     

    23.3.15

  • PEDRO BACELAR DE VASCONCELOS

    Se há rebanho numeroso pelas nossas bandas, é ele o dos “constitucionalistas”. Há-os de todos os tamanhos e feitios, desde os que, vá lá saber-se porquê, em vez de vergonha têm orgulho em se intitular “pais da Constituição”, aos que se comprazem em dar bocas aos jornais por dá cá aquela palha e àqueles que, surgindo do nada, tonitruam as mais rebuscadas teoria e opiniões. Têm pontos em comum: todos defendem a Constituição, o “semi-presidencialismo”, e outras rebuscadas matérias, tais as decisões, geralmanete ruinosas e politiqueiras, do Tribunal Constitucional.

    Os políticos (há alguns que não são constitucionalistas ou ainda não se lembraram de como tal se intitular), mesmo os que algum dia propuseram que se tocasse no socialismo constitucional, depressa esqueceram tão nobre missão, mais que não seja porque perceberam que batiam sem remédio no imobilismo do PS .

    Também há os taradinhos que, pouco ou nada tendo na caixa craneana, como o Costa e o Ferro, se lembraram de propor uma revisão extraordinária para… dar poderes ao Presidente para nomear o Governador do banco central! No imenso deserto de ideias em que vivem, encontraram este oásis e avançaram com uma “revisão cirúrgica”. Não podia ser mais ridículo, mesmo patético.

    Mas – é esse o objecto deste post – apareceu um membro da constitucional agremiação e da direcção do PS a tergiversar. O homem (terá lido o IRRITADO?) defende nada mais nada menos que a eleição parlamentar do Presidente, por maioria qualificada. Hossana! Enquanto os seus chefes, mentalmente limitados, querem dar mais poderes ao Presidente, aparece um iconoclasta a querer acabar com a palhaçada e a monumental perturbação política das eleições directas!

    Chama-se Pedro Bacelar de Vasconcelos e, ou me engano muito ou não tem futuro no palácio do largo dos ratos. Mas tiro-lhe o chapéu, mesmo que não passe de uma excepção para confirmar a regra da constitucionalite aguda de que o país enferma.

     

    21.3.15

  • A TRISTE VERDADE

    O chamdo Conselho de Finanças Públicas, organismo que não pode ser acusado de ser simpático para o governo, produziu mais um dos seus habituais relatórios. Espremendo a coisa, duas verdades se pode sublinhar: a) que a política orçamental do governo está certa e b) que vai ser preciso, pelo menos em 2016, mais austeridade.

    Por outras palavras, venha o mais pintado descobrir a fórmula mágica para acabar com tal coisa. Nem Passos Coelho, nem Costa, nem Tripas, ninguém a poderá encontrar. A economia pode continuar, aos poucos, a crescer, o emprego, aos poucos, a aumentar, as poupanças privadas a florescer, as remessas do exterior a voltar, a malta a consumir… mas a austeridade é para continuar. What else?

    Por outras palavras, teremos que mudar de vida ainda mais, os sete milhões que não pagam um tostão de impostos têm que passar a contribuir, a política fiscal/social que é brutalmente aplicada a uma parte minoritária da sociedade tem que cair sobre todos. Isto, é claro, se, por falta de dinheiro ou de iniciativa, continuar a não haver investimento, ideias, produção transaccionável, etc.. É o mais certo. Para quê os milhões do Draghi?

    Não é preciso ser astrólogo para achar que dificilmente haverá volta a dar. As dívidas lá estão, as PPS’s lá estão, os abutres lá estão, enfim, tudo devidamente protegido por legiões de tribunais, de contratos malucos, de “direitos” adquiridos. Numa palavra, lá está bem firme toda a monumental obra do ruinoso socialismo socrapífio. O Estado social continuará a consumir loucuras, a malta a exigir ainda mais, sem cuidar do futuro de si mesma nem dos que aí vêm ou já cá estão.

    Olhemos tal futuro com os olhos bem abertos. Esqueçamos a cegueira populista dos blocos, Pêésses & Cª, se quisermos gerir a nossa vidinha e ir buscar alguma esperança ao fundo do cerebelo.

     

    20.3.15

  • DO VERDADEIRO SOCIALISMO

    Sabem a quem pertencem a Lufthansa, a British Airways, a Ibéria, a Air France e muitas outras companhias ditas de bandeira? A privados! Tudo em boa hora privatizadinho.

    Alguma vez lhes passou pela cabeça que uma não fosse alemã, outra britânica, outra espanhola, outra francesa? Alguma vez pensaram que os países em causa ficaram com a sua honra ofendida, ou diminuídos na sua dignidade, ou que fosse prejudicado o seu prestígio em razão da natureza dos titulares das acções de tais companhias?

    A resposta tem que ser um não rotundo, se houver um mínimo de inteligência da parte de quem responde.

    Por cá, porém, há uns pataratas – chefiados por um tal Vasconcelos, dito “cineasta”, que nunca cineastou nada que se visse, mestre em bocarras de esquerda, e integrados, entre outras maravilhas, pela boneca da Canavilhas, lá das ilhas – que acham que a Pátria fica coxa se a TAP for vendida.

    Aqui temos mais uma demonstração, tipo grego, da florescente irmandade da esquerda, caviar e não caviar, com o mais primário e burro nacionalismo. Não é por acaso que os grandes fascismos foram sempre socialistas.

     

    20.3.15