11 professores universitários, 1 operário sindicalista, 2 advogados, 1 encenador, 1 professor sindicalista, 1 comerciante, 1 animador socio-cultural(?) e 1 investigador, todos muito conhecidos lá em casa e na mercearia da esquina, certamente por convite da ultrassocialista direcção do “Público”, deram à estampa um texto altamente esclarecedor, ainda que, felizmente, não profético.
A tese, em resumo, é da seguinte natureza: é uma pena que as diversíssimas tribus da esquerda radical não sejam capazes de se unir para dar ao PS a necessária base eleitoral para uma vasta união que permita resolver, com pujança, eficácia e apoio da maior parte dos portugueses, todos os problemas e mais alguns dos que muito afligem a Pátria, com origem, a saber, e cito: no desemprego, na austeridade, na dívida, na liberalização do comércio mundial, num Sul economicamente débil, na armadilha da regulação das trocas internacionais, na moeda única, no declínio da produção agrícola e da industrialização, coisas que provocam, e cito, a devastação social, a debilidade de movimentos sociais organizados, tudo isto colocando a questão de saber, e cito, como romper com a austeridade, como sair deste inferno social e construir uma viragem progressista, como acabar com os compromissos da ordem neoliberal, coisa que até ataca partidos socialistas como o PS, o qual ora entreabre a porta à esquerda ora evidencia compromissos espúrios.
Terríveis problemas! Então, dizem os subscritores, como não é de prever que o PS tenha o destino do PASOK, e como, desgraçadamente, não temos por cá um Syriza que una as forças do progresso, é uma chatice mas é preciso contar com ele, PS, a fim de negociar um compromisso para um programa de esquerda, um verdadeiro programa de esquerda! Um compromisso, é de ver, dizem os nobres intelectuias, que inclua o PC, o BE e as demais formações progressistas que por aí vicejam. Para quê? É simples. Para acabar com a desoladora fragmentação partidária, para pôr fim à austeridade, para arranjar outra política, para formular outro programa de governo que (insistem) esteja comprometido com o tal fim, bem como ao obstáculo insuperàvel que é a dívida, para acabar com as vozes críticas em relação à Grécia, etc.
Tudo isto por imperativo patriótico, dizem as alminhas que subscrevem o papel.
O IRRITADO deseja o maior sucesso a este escol de patrióticas cabeçorras. E até lhe pede um favor, se não incomodar: é que diga onde têm escondida a árvore das patacas, a tal que acaba com a austeridade, que paga a dívida, que repõe os salários e as pensões (tinha-me esquecido desta), que baixa os impostos (outra), que põe o Estado Social a dar chorudos subsídios à malta toda, etc. Se sabem onde ela está, digam ao Passos e à Maria Luís, e talvez eles saibam que fazer às patacas. É que, nas vossas mãos, caros cidadãos anónimos, as patacas voam não se sabe para onde.
31.3.15
