IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A LISTA VIP

Anda para aí um sururu dos diabos por causa da “lista vip”. Exista ou não. Já se percebeu que foi uma ideia que não chegou a ser aprovada ou, sequer, a chegar às instâncias competentes. Tudo isto é empolado, escarafunchado, se não foste tu foi o teu pai, e por aí fora.

Pertencer à lista devia ser um direito de todos nós, porque somos cidadãos, indivíduos, porque temos ou devíamos ter o intocável direito de ter a nossa vida privada sem que houvesse tipos a esgravatar.

Compreende-se que os funcionários da secção xis tenham acesso aos números dos cidadãos da sua área de competência, exclusivamente esses e exclusivamente para verificar se pagaram ou não pagaram o que deviam pagar. Mais nada.

Não é o que se passa. Qualquer gandulo das finanças, a soldo de jornalistas mais ou menos pidescos ou movido por intenções policiais, pode entrar nos dados daqueles que quer perseguir, enxovalhar, demolir. Nos desses e nos de todos nós. É o princípio da chantagem, da inveja, da inversão de valores, uma ofensa brutal aos direitos das pessoas, à sua vida privada, aos seus problemas pessoais.

Basta o que basta. Basta que nos persigam por razões de excesso de zelo, por instintos burocráticos exacerbados, por mero gozo administrativo. Há meios, e que meios, para nos infernizar a existência. Há requintadas formas de substituir o que devia ser da esfera da Justiça, pondo-o na da burocracia.

A haver lista vip, que estejamos todos nela, e deixa de ser necessária. Consultar os meus dados sem mandato ou competência para tal devia ser um crime público sem perdão. Se o objectivo for mais que “curiosidade”, então devia ser crime grave e qualificado.

Transformado que está o clima de campanha eleitoral, que devia ser de discussão de ideias, em puro ambiente de perseguição política de uns e de outros, tanto a existência ou não da lista vip como a sua utilização ad nauseam para fins persecutórios só contribui para o descrédito do que devia ser digno.

 

19.3.15



13 respostas a “A LISTA VIP”

  1. O 1º problema é que «esgravatar» é precisamente a função do Fisco. O sistema foi aperfeiçoado ao longo dos anos pelos vários governos, em particular o actual, e hoje pouco lhes escapa. O 2º é que o sistema não é auto-suficiente, depende sempre de pessoas. Funcionários. E em nome do SAQUE, o governo até lhes concedeu protecção especial, lembra-se? O 3º é o pior, e o que persiste em ignorar: o Estado não é pessoa de bem, porque quem o gere não o é. A canalha que manda, sobretudo a pulhítica, quer tratamento de excepção. Quer poder saquear e espiolhar os outros, e ao mesmo tempo esconder os seus próprios segredinhos. Não lhes basta a imunidade, subsídios e outras regalias que atribuem a si próprios, querem também passar despercebidos. Nas eleições pavoneiam-se para pedinchar botinhos e mamar tachos, depois querem ser anónimos. Logo, o «descrédito do que devia ser digno» nem é culpa dos badamecos do Fisco-Pide: não há descrédito algum, há apenas a milésima confirmação do que estamos fartos de saber. O QUE DEVIA SER DIGNO É PODRE. E é esse o verdadeiro problema.

  2. Quem não sabe o que são responsabilidades políticas não tem condições para exercer cargos de nomeação política. E louvar-se na ignorância para se declarar irresponsável não lhe aproveita. Apenas reforça a incapacidade de acção política por ela ter, na prática, deixado de existir. Pode “estar” mas já não “é”. Quem não perceber isto meta rapidamente explicador.

  3. A “lista” (bolsa, rol, ou …) VIP é demonstrativa da “grande mentira” que ad nauseam dirige o destino dos Portugueses (cerca de 3 milhões – os “outros” vivem à custa destes). O resto é treta do género do “dedo do meio” imputado ao Ministro Grego (não é que um alemão reconheceu – e demonstrou como – a manipulação da imagem!?).

    1. De acordo com os 3 milhões (ou menos), bem como com a treta. Caso raro, meu caro XXI.

  4. Concordo com a abordagem do Sr. Irritado e vou mais longe. Existem pessoas que estao mais expostas para as quais deve haver mais cuidadados. Pode-se ser mais cuidadoso quer para fiscalizar quer para proteger. Neste caso parece haver aqui uma caça ao gambosino e, mais uma vez temos um jornalismo rasca a semear confusao.

    1. Na Suécia, esse país do “3º mundo”, a situação tributária de qualquet contribuinte é publica. Significa que qualquer pessoa pode solicitar aos serviços tributários os rendimentos e respetivos impostos de qualquer pessoa.

      1. Na sua qualidade de “sueco”, e a ser verdade o que diz (duvido) deve adorar que lhe mexam na vidinha. Bom proveito.

        1. O poder vive da hierarquia e uma mentira navega muito bem pela hierarquia acima quando é conveniente. Homens sem qualidades não assumem responsabilidades.

      1. Graças ao novo layout do blog, o “Muito bem!” do Irritado tanto pode ser para: – o Sr. Picaroto: há que esconder os segredinhos podres dos pulhíticos e mamões. – o Sueco: países decentes, com políticos decentes, não precisam de segredinhos. O “Muito bem!” só pode ser para o Sueco, claro…

        1. O template não é perfeito, mas achei piada mudar. O muito bem é para o Picaroto. Não deu por isso?

          1. O novo template não é mau, já é “responsivo” e assim, mas persiste certa confusão quando há respostas em cadeia. Claro que o muito bem! era para o Sr. Picaroto… sei como adora segredinhos.

  5. Sabe senhor Filipe Bastos, não sou adepto nem de colocar debaixo do tapete nem de jogar no ventilador. O podre retira-se de onde não deve estar e coloca-se onde se deve colocar. As coisas que contêm o podre devem ser expurgadas dele e devidamente aproveitadas.E digo-lhe mais! Um jornalista responsável, mesmo relativamente aos podres da sociedade, deve conduzi-los aos órgãos da sociedade encarregos do seu tratamento, ficando atento e informando de forma que a podridão desapareça. De contrário poderá apenas espalhar a porcaria sem qualquer utilidade.

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