Anda para aí um sururu dos diabos por causa da “lista vip”. Exista ou não. Já se percebeu que foi uma ideia que não chegou a ser aprovada ou, sequer, a chegar às instâncias competentes. Tudo isto é empolado, escarafunchado, se não foste tu foi o teu pai, e por aí fora.
Pertencer à lista devia ser um direito de todos nós, porque somos cidadãos, indivíduos, porque temos ou devíamos ter o intocável direito de ter a nossa vida privada sem que houvesse tipos a esgravatar.
Compreende-se que os funcionários da secção xis tenham acesso aos números dos cidadãos da sua área de competência, exclusivamente esses e exclusivamente para verificar se pagaram ou não pagaram o que deviam pagar. Mais nada.
Não é o que se passa. Qualquer gandulo das finanças, a soldo de jornalistas mais ou menos pidescos ou movido por intenções policiais, pode entrar nos dados daqueles que quer perseguir, enxovalhar, demolir. Nos desses e nos de todos nós. É o princípio da chantagem, da inveja, da inversão de valores, uma ofensa brutal aos direitos das pessoas, à sua vida privada, aos seus problemas pessoais.
Basta o que basta. Basta que nos persigam por razões de excesso de zelo, por instintos burocráticos exacerbados, por mero gozo administrativo. Há meios, e que meios, para nos infernizar a existência. Há requintadas formas de substituir o que devia ser da esfera da Justiça, pondo-o na da burocracia.
A haver lista vip, que estejamos todos nela, e deixa de ser necessária. Consultar os meus dados sem mandato ou competência para tal devia ser um crime público sem perdão. Se o objectivo for mais que “curiosidade”, então devia ser crime grave e qualificado.
Transformado que está o clima de campanha eleitoral, que devia ser de discussão de ideias, em puro ambiente de perseguição política de uns e de outros, tanto a existência ou não da lista vip como a sua utilização ad nauseam para fins persecutórios só contribui para o descrédito do que devia ser digno.
19.3.15

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