IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ENERGÉTICOS EMPREGOS

    Seundo a APEMIP, seja lá isso o que for, entre Junho de 2007 e Dezembro de 2014 foram emitidos 817.000 “certificados energéticos”, conhecendo tal emissão uma notável progressão. Só em 2014 foram 180.000!
    Para que serve tal coisa? Passo a explicar:

    Se você quiser fazer seja o que for (comprar, vender, alugar, ceder, subalugar, emprestar um andarzinho) tem que, sob pena de ilegalidade com consequências dramáticas para o seu bolso, mandar emitir um desses certificados. Contrata uma “entidade certificada” e, dias depois, aparece-lhe um “engenheiro”, ou equivalente, com uma maquineta electrónica nas unhas. Percorre-lhe a casita, vê se as janelas funcionam e quantos vidros têm, vai-lhe à caldeira, aos radiadores, tira medidas, etc. E desata a “classificar”. A sua propriedade passa a ser encarnada, verde, amarela ou o que der na realíssima gana do senhor que, devidamante certificado, emite certificados.
    Os mais evoluídos, têm uma impressora portátil e, na hora, dão-lhe um papel cheio de risquinhos tipo serpentinas de carnaval, e dá cá duzentos, ou trezentos, enfim, uns trocos. Você fica felicíssimo, aliviado e com uns trocos a menos. Outros levam mais tempo, mandam-lhe um certificado provisório que você não pode deixar de “aprovar” (dá cá 50%), a seguir um definitivo (dá cá os outros cinquenta).
    Depois, nada. O papel não serve para nada, a não ser para efeitos exclusivamente burocráticos e/ou, se calhar, para algum dos mil triliões de estatísticas de que a “Europa” vive. Se servir para alguma coisa de concreto será para, mais tarde ou mais cedo, lhe arrajarem uma chatice qualquer.
    Feitas umas contas, se tivermos por média 250 euros por certificado, a nobre actividade já custou ao povo uns míseros 204.000.000 de euros.
    Que diabo, é preciso dar de comer aos “engenheiros”, não é?

    25.4.15

  • DAVID E GOLIAS

    Ainda a procissão vai no adro, já as comadres começam a tergiversar. O Centeno – que também podia ser dezeno ou mileno dado o seu público desconhecimento dos números que o plantel, sob a sua alta direcção, alardeou – é adepto do aumento da idade da reforma. Vai daí, o Costa troca os pés pelas mãos e diz que de maneira nenhuma, a idade da reforma será a mesma, é intocável, pois então! A coisa é disfarçada com mata borão, isto é, tira-se o molhado mas fica a nódoa. Outras virão, é mais que certo.

     

    Adenda, em 24.4.15. Outras virão, dizia ontem. Nem 24 horas foi preciso. Hoje, três grandes vultos do PS destaram a zurzir no “documento”, ou programa, ou lá o que é. nada menos que o Sousa Pinto, ilustre distribuidor de preservativos, o Pedro Santos, da esquerda folclórica e o Silva Pereira, do beicinho socretino, rebelaram-se contra a história da TSU. Outras virão, é mais que certo. Os gatos agitam-se.)

    Os rapazes, tudo geniais, credíveis e competentíssimos técnicos – quem sou eu para duvidar – avançaram com futurologias várias, todas fruto de uma inabalável fé no ovo na cloaca da galinha. Alinharam causas e consequências do seu esclarecido pensamento, concluindo, por exemplo que, aumentando o consumo, isto é, lançando umas massas no bolso das pessoas, a economia cresce, o dinheiro jorra e, num abrir e fechar de olhos, voltávamos todos a 2007 em termos de rendimento disponível. Esqueceram-se, com certeza, das consequências dos aumentos da função pública perpetrados eleitoralissimamente pelo 44: o consumo aumentou e… foi o que se viu.
    Interessante é verificar que o ponto de partida é, com todo o rigor, aquilo que o PS não se cansa de negar: que o país se vem financiando sem problemas, coisa impossível no tempo do 44, que o desemprego, pouco, mas desceu, que as exportações subiram para níveis nunca antes vistos, que as previsões das instâncias internacionais são mais optimistas que as do governo, etc. Até há dias, era tudo mentira. Agora, é base para um optimismo galopante. Basta que o PS, rigorosamente a mesma gente de há uns anos, tome conta da coisa, e faça o contrário, quer dizer, em vez de nos enterrar, nos “salve”.  A mezinha, a fada boa, é o PS!
    Cedendo às exigências do Portas, a equipa quer baixar o IVA da restauração, com isto aumentando o investimento em tascas, bares, restaurantes e casa de pasto, coisas que há pouco por aí. O tal investimento faz tanta falta como uma viola num enterro. Não contam com este simples facto: o aumento do IVA (que, em si, não é desejável), no caso da chamada restauração, não teve nenhuma espécie de influência nos preços ao consumidor. Bem pelo contrário, terá tido a virtualidade de pôr o sector a melhorar a oferta, a aguentar-se sem problemas de maior e a expurgar o que não presta. Escusado será dizer que, com o IVA mais baixo, os preços continuarão na mesma e a oferta piorará. Mas os craques não dão por isso.
    É claro que as boas almas, encabeçadas pela dona Manuela, estão felicíssimas com o “documento”. Uma excelente “base de discussão”, uma “elevação do debate político”, um pensamento respeitável. Pois.
    Ontem, tive a felicidade de ver o Drácula Galamba a ser estraçalhado por uma rapariguinha, Mónica de seu nome, que o levou às tábuas. A tremenda e ameaçadora estrela da constelação do rato baixou a bolinha, viu-se grego, a sua habitual e tronitruante verve foi metida no caixote com uma irrefutável lógica. Uma boa reedição da história do Golias.
    Para já, é tudo. A telenovela vai ter muito mais episódios.

    24.4.15    

  • DO PARTIDO CONSTITUCIONAL

    Todos se lembram do ar fero e grave de um conjunto de cidadãos que, no uso das suas competências constitucionais , se dedica a fazer política, pura e dura política. Todos se lembram do senhor da barbas que manda na organização, bem como do outro, também de barbas, que lê papéis. Pensavam os menos avisado que, se estavam ali, eram cidadãos impolutos, gente acima da média, com direito à total independência, intocáveis, irrepreensíveis, uns heróis.
    Afinal, nada disso. O grupo é de portuguesinhos “clássicos”, à procura de tostões, os tostões que houver à mão. O rol de “irregularidades” é de tal ordem que nada se aproveita. Não contente com a floresta de monumentais  privilégios que o “enquadra”, o grupo dedica-se a espremer o limão até já nem haver casca. Ele são carros com o depósito cheio, via verde, seguro, oficina, etc., ajudas de custo e senhas de presença quando trabalham(!), almoços a duplicar, distribuição de umas massas aos que os “guardam”,  documentos  à la manière na contabilidade, “erros e irregularidades”, 1,4 milhões de euros fora dos “princípios e regras orçamentais”, motoristas a 24 horas por dia (só dois, que é para poupar dinheiro ao Estado, dizem eles), mais uns quantos não se sabe para quê, suplementos sem base jurídica, um nunca acabar de “deficiências”. Porquê? Porque, diz o chefe, sofrem de “escassez de recursos”. Imagine-se o que aconteceria se tivessem mais recursos.
    E é esta gente que determina, sem contestação possível, o que está certo e o que está errado. É esta gente que se mete em assuntos da governação, que faz política sem pudor ou contenção, que se permite dar bordoadas nas contas dos outros, que usa e abusa do poder que tem para fazer oposição política.
    Por muito, muitíssimo menos, tem havido quem exija demissões e quedas, do PR, do governo, dos ministros, e de mais o que houver à mão para demitir ou aniquilar.
    E o “partido constitucional”? De que está à espera para se demitir? Parece que era o que um mínimo de decência imporia.

    23.4.15

  • DEMAIS

    Num pequeno escritório, profissinoais de várias matérias tinham uma só empregada, que atendia o telefone, arrumava uns papéis, recebia e mandava faxes e pouco mais.
    Ora a rapariga engravidou. Um mês antes da chegada da criança e quatro depois, esteve ausente, o que causou naturais problemas. Até aqui, tudo bem. Paciência. Poucos dias depois do regresso, meteu um mês de férias. Estava combinado. Paciência. Depois das férias lá voltou, com o bronze da ordem. Pouca paciência. Mas admita-se. Uma semana depois, apareceu com um papel que lhe dava direito de “amamentação”. Tudo mal. Paciência nenhuma. Como morava num distante algures, a fulana chegava às nove, às dez saía para ir amamentar. Uma hora até casa, mais uma a amamentar, outra para o regresso, a manhã estava feita. À tarde, a mesma coisa. Durante um ano. Não havia nada a fazer. O médico da SS devia ser amiguinho.
    Pergunta: há direito que haja estes “direitos”? O patrão não podia ter o direito de exigir prova da natureza leiteira da cidadã? Acho que sim, por muito que isto incomode os nacional-bem pensantes.

    Parece que houve uns médicos que, em circunstâncias paralelas, queriam que as enfermeiras leiteiras fizessem a tal prova. Atentado aos inalienáveis direitos direitos de tais senhoras! Ditadura! Fascismo! O demagogo da Ordem dos médicos instaura processos disciplinares aos culpados. A imprensa estremece de indignação. A Pátria geme, ofendida.
    O que quer dizer que há enfermeiras que, com a mesma estrutura mental da menina do escritório, podem andar mais de um ano na boa vai ela à conta de “direitos” intocáveis, sendo proibido que se lhes peça contas ou provem que, de facto, têm tais direitos.
    O que é demais passa da conta.

    23.4.15

  • VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

    Não me passava pela cabeça perder mais tempo a comentar os frenesis da dona Canavilhas. Mas…hoje não resisto. É que a palavrosa e excitada criatura se dedicou a zurzir essoutra maravilha fatal da nossa idade, o não menos excitado membro da camarilha que dá pelo nome de M.M. Carrilho. Fiquei tão encanavilhado como encarrilhado. Ou seja, de papo cheio de tanto rir.
    A criatura, indignadíssima com a ideia, formulada pelo histérico, de expulsar o Pinto de Sousa do PS, desata a acusá-lo de uma quantidade enorme dos “mais vis e repugnates crimes públicos”, consubstanciados nos maus tratamentos que, diz a boneca dos sapatos 45, ele lhe proporcionava lá em casa. O facto de o Carrilho também se queixar das biqueiradas e das bebedeiras da mulher – uma matulona daquelas deve ser coisa de respeito… – não impressiona a Canavilhas. Pelos vistos, isso da violência doméstica só é crime se praticada pelos homens.

    Como a proposta do fulano é a da expulsão do Pinto de Sousa “se vier a ser condenado”, a mulher desdobra-se em adjectivos. O Carrilho tem o “nome enxovalhado”, é digno de “descrédito”, praticante da “ignomínia da violência doméstica”, “não deixará de ficar marcado com o estigma da barbárie e da crueldade…” enfim, é “o símbolo do político sem respeitabilidade pública”. Expulsá-lo do PS mais se justifica por “traição”, por ter apelado activamente no voto contra o PS e feito outras tropelias. Como se atreve a propor a expulsão desse grande português modestamente intitulado Sócrates?
    Para ela, o Carrilho deve ser expulso quer seja seja condenado quer não. O Manuel Maria era mais módico, já que parece que propunha a saída do Pinto de Sousa só se condenado. O que quer dizer que, para a insuportável mulher, o nome do dito não está enxovalhado, não é ignominioso, é digno do maior crédito e da mais alta credibilidade, nunca cometeu nenhum crime público, tem carradas de respeitabilidade pública, jamais gozou de enriquecimento sem causa, nadinha. Um santo.

    Enfim, uma e outro vieram contribuir para a minha boa disposição desta noite.

    Já agora, por falar de violência doméstica, porque não expulsar a Canavilhas da televisão, dada a violência, a pesporrência, o histerismo e a estridência frenética das suas bocas, que dão cabo da paciência ao mais paciente. Isto sim, é violência doméstica pública e notória, capaz de pôr uma pessoa em estado de coma nervoso.

     

    22.4.15

  • A GRANDE BARRACADA

    Após aturado e interminável teasing, os cérebros económicos do PS, na augusta presença do grande Costa e com a pompa e circunstância que tal presença merece e impõe, apresentaram ao povo as suas geniais ideias. Aleluia!
    A oração de sapiência foi proferida por um tal Centeno, homem de frajinha grisalha, todo sorridente, todo ufano da sua altíssima missão e do seu ingente quão brilhante trabalho. Lá atrás, comovido, o drácula Galamba babava-se de justo orgulho. O cenário era vermelho, resplandecente, uma tara.
    Vai daí, o homem atirou ao povo a sua bem preparada palavra. O pior (ou o melhor, de um ponto de vista humorístico/psiquiátrico) é que não percebia nada do assunto em apresentação. À boa maneira do grande manitu Soares, não sabia a diferença entre 20 e 83, tanto lhe fazia 5 mil como 5 milhões. O camarada ria e confessava que já não se lembrava, parecia o Relvas a cantar a Grândola.
    É claro que o precioso documento não merecia tão fraca performance. Ou, se calhar, merecia. Talvez por isso a sessão solene tenha sido marcada para um dia em que a publicidade ia toda, em todos os canais, para a desgraça dos 6 a 1 que o Fê Cê Pê levou, quem sabe se por culpa da Merkel. Os consultores de imagem do PS, os gurus da informação do PS, prevendo a barracada, devem ter aconselhado a data e a hora, a fim de evitar demasiados comentários.
    No entanto, a bem da verdade dos factos, reconheçamos que o “documento”, tão laboriosamente imaginado por tão alta gente, contém notícias fantásticas:
    – A austeridade vai acabar!
    – Os salários vão subir!
    – A contribuição extraordinária chegou ao fim dos seus dias!
    – As pensões vão ser repostas!
    – O IVA vai descer!
    – O Estado vai investir!
    – O desemprego vai acabar!

    – Quem ganha pouco vai ter um ordenado suplementar!

    E muito mais, tanto que não cabe neste espaço, ou de que já me esqueci. É difícil memorizar tantas, tantas benesses, a nossa memória fica submergida na alegria imensa, na emoção sem limites que estas coisas nos causam, enchendo-nos o peito de esperança e fé. Não é?
    Não é não senhor. O que estas patacoadas causam é pânico. Andamos a copos de água há tanto tempo para pagar as dívidas do 44, e o que nos oferecem é o mesmo que o dito nos ofereceu: a bancarrota.

    Consta que os tipos da troica já reservaram passagens para Lisboa, com periodicidade mensal, a utilizar caso o PS ganhe as eleições.

    22.4.15

  • CONTASCOSTOMEDINOCRÁTICAS

    Afinal a coisa fia mais fino do que tinha pensado ao escrever o meu post de ontem. As contas são ainda mais interessantes do que eu julgava. Costa, na sua intervenção no estrambólico comício do Porto, declarou gloriosamente que o passivo da CML, sob a sua distinta direcção, baixou 18%. Medina, seu sucessor (recorde-se que ambos são leais continuadores dos princípios filosóficos do 44), é mais modesto. Confessa que que tal baixa foi só de 16%. Para quem vai lendo estas coisas, tanto pode ser 18, como 16, como outro número qualquer. Trata-se, pelos vistos, de pura publicidade, sendo hábito de quem a faz exagerar as qualidades do produto.
    Mas o nosso jovem não se fica por aqui. A dívida, cuja descida Costa tão ufanamente sublinhou (ao que julgo sem percentagens ou números), também baixou loucuras. Segundo Medina, de 641 milhões para 618: 4%! “Um esforço sem precedentes”, disse ele. Acrescentou que, se não tivesse extinguido a EPUL (o que deveria diminuir a despesa mas, segundo disse, a aumentou), e não fora ter tido que pagar 102 milhões à Bragaparques, teria descido ainda mais. Talvez. Deveria também ter acrescentado, mas não acrescentou, que a tal Bragaparques quer mais uns 300 milhões, donde se conclui que, se o tribunal for simpático, a coisa talvez se arremate por 200. Tudo por culpa das trapalhadas do Sampaio, do Fernandes, do Costa e da Roseta. Escusado será dizer que, para isto, não há provisões e, por conseguinte, não há reflexo nas contas. E ainda há quem diga que o 44 não foi um bom professor!
    Mais adiante, o rapaz tem um ataque de seriedade, mazela de que o chefe não consta sofrer. Assim, confessa o brutal aumento de impostos – coisa que aos demais condena – cifrado (o aumento!), pelas contas dele, nuns agradáveis 60 milhões.
    Segundo um vereador da oposição, não fora os milhões recebidos pela venda dos terrenos do aeroporto – depois dizem que o Pssos é mau… – a dívida teria aumentado. Mas disto não fala o Medina, ainda menos o Costa. Outro vereador criticou que as contas tenham sido apresentadas à imprensa antes de aprovadas pela Assembleia Municipal e antes que os próprios veradores delas tivessem conhecimento.
    Os tais vereadores ficaram surpreendidos com esta arrancada publicitária com base num documento que ainda tem que passar por vários crivos… Mas convenhamos que, segundo a moral republicana é assim mesmo. Quem fala primeiro é quem mete as bocas, por mais ordinárias que sejam, na cabeça das pessoas.       

    21.4.15

  • CONTAS COSTOCRÁTICAS

    O camarada Costa é um ás a fazer contas. Diz ele que baixou a dívida da CML. Esquece-se de alguns pequenos detalhes. Por exemplo , os 350 milhões que empochou com os terrenos do aeroporto. Por exemplo, as várias centenas de milhões que vai ter que pagar ao Névoa e que andam pelos tribunais: já teve que pagar uma data deles, mas o que fica no fim da monumental estupidez que ele e os seus (Sampaio e Fernandes à cabeça) criaram na história do Parque Mayer/Entrecampos, com “boa” ou “má” sentença, mede-se sempre por seis dígitos que, como é óbvio, não estão contabilizados. Esquece-se de muito mais coisas de que talvez fosse útil falar, mas, só com nestes exemplos, é possível imaginar onde iriam parar os 40% que diz ter baixado ao défice. Aliás, o respeito pelos números leva-o a pôr nos píncaros um dos mais sinistros fautores oficiais de prejuízos, o ilhéu César, actual prresidente da agremiação e e useiro produtor de ignaras bocas.
    Lá em casa, é o que se sabe. O camarada está enterrado num buraco de milhões (onze) e anda de mão estendida aos bancos, ó tio ó tio, a “reestruturar” a desgraça. Não tem dinheiro para a campanha eleitoral, o que quer dizer que a “reestruturação” será óptima para cavar mais um simpático buraco. Fora do Largo do Rato, é o que se sabe. Nas sucursais,  já não se reune à noite porque não há luz, não se faz xixi porque cortaram a água, há encontros ao ar livre porque o senhorio, possuído de falta de solidariedade socialista, correu com o pessoal. Ah! Já me esquecia, o Costa quer sacar 5 milhões de IVA , mais 3,6 da “subvenção autárquica”. Não sei o que será isto, mas mais nenhum partido acha que seja devido, o que é sintomático. Conclusão: o Costa quer à força mais dinheiro do Estado, depois de se ter arruinadao com “eleições para primeiro-ministro”, congressos e outras maluquices totalmente desnecessárias.  E vem gabar-se de boas contas!
    No auge do propagandismo, o, camarada, aos 40% que “abateu” à dívida da câmara, contrapõe os 18% que o governo terá somado à do Estado. Não conta com os 70.000.000.000 – fora o resto – que,à conta do governo de que era nº2, portanto tão responsável por eles como o 44 , foi preciso ir buscar. A “consciência política”e a “moral republicana” a funcionar, isto é, a sacudir a água do capote. É assim que funciona o aforismo que viria a usar à noitinha: “palavra dada é palavra honrada”. ‘tá-se mesmo a ver, não ‘tá-se?
    A crise interna, porém, não impede o Costa de alugar um combóio para levar umas centenas de camaradas ao Porto. Que diabo, era preciso encher o comício, apesar de  – uma chatice – não haver um pèzinho para lá meter o Nóvoa. Chegados a São Bento, os comboieiros formaram bicha para marchar até ao recinto do espectáculo. Como a coisa estava fraca, ao chegar aos Aliados, o Costa desapareceu. Deve ter concluído que o reduzido número de pedestres não era digno da sua augusta presença. Conclusão: deu à sola.
    Tudo muito bonito.

    20.4.15

  • ENCRAVINHADOS

    O abominável João Cravinho deixou-nos uma herança de respeito. Por obra sua foram criadas as chamadas SCUTs, coisa que, muito mais tarde, se concluiu ser um encravanço dos diabos, de tal maneira que até o socrapifiosismo percebeu. Os cálculos estavam errados, o “milagre” não se deu e, à monumental desgraça que o PS ia, paulatinamente, criando, veio juntar-se o resultado da brilhante ideia do Cravinho, de tal maneira que até acabaram com ela. Para compensar, “alguém” aproveitou para inventar um sistema de portagens, caríssimo e ineficaz, que não cabe na cabeça do mais pintado. Um partido que se diz amigo de quem trabalha arranjou maneira de não criar mais uns empregos. Mas isto é pormenor.
    Cravinho é um tipo generoso. Daí que, fazendo a privatização da TAP parte da política socialista do tempo (hoje, o PS é contra, e sabe-se porquê – trata-se, à outrance, de profissionalismo oposicionista), o Cravinho, para adoçar a insaciável bocarra dos pilotos, prometeu dar-lhes uma comissão no negócio, ou seja, ofereceu-lhes uma incrível “sociedade”. Coisa de privilégio, porque os ditos esfomeados foram considerados mais iguais que os restantes empregados da companhia (mais um interessante pormenor da justiça socialista).
    Depois de muita guerra, de muitos prejuízos causados à casa, os fiéis pilotos, gente, coitadinha, muito mal paga como é do conhecimento popular, estão agora a dar largas à sua permanente e suculenta indignação. Depois de assinado um acordo em que não constavam nem aumentos de ordenado nem “sociedade”, vêm exigir aumentos (7,5%!) e sociedade – coisa que, além do mais, seria ilegal e inconstitucional, como é evidente e está provado e julgado. Para dar força às suas legítimas preocupações, esta distinta e tão maltratada classe não teve outra solução senão a de decretar 10 dias de greve. Devidamente avisados e plenamente conscientes de que tal greve vai custar uns 70 milhões, põe em causa a privatização e contribui para acabar com a TAP – o que quer dizer que, mais cedo ou mais tarde, nos põe a pagar mais um portentoso buraco – mantêm a sua “justa luta”.

    É possível que, entre os pilotos, haja gente séria. Como classe, porém, não passam de um gang, como é timbre dos “colectivos”. Uma triste evidência, que nos encravinha ainda mais do que já estávamos.

    No meio desta ominosa história, uma coisa há que não se percebe: a atitude titubeante do governo. A requisição civil dos pilotos já devia ter sido decretada e garantida, o mal já devia ter sido cortado pela raiz. Não foi. De que estão à espera?

    17.4.15

  • COERÊNCIA

    Em mais uma das suas habituais diatribes, a dona Manuela insurgiu-se contra a dona Maria Luís. Nada que não seja calisto, habitual, e que não demonstre à saciedade o que a dor de corno pode fazer às pessoas. Desta vez, a senhora excedeu-se. Fez alarde de uma coerência digna do Sancho Pança.
    Diz a frustrada comentadora que a ministra só fala de intenções, não passa disso, intenções que ultrapassam a vigência deste governo e que, portanto, não têm consistência, já que a sua execução lhe não cabe. Por outro lado, o rancor impõe o contrário: dona Manuela acha que o governo devia comunicar “uma ideia para o país”, válida para os próximos trinta anos! Ou seja, um governo que a criatura considera ilegítimo para planear até 2019, deveria fazê-lo até 2035!
    Acrescente-se que os PECs são exigência de Bruxelas e têm que contemplar vários anos. Dona Manuela sabe disso mas, que importa, o essencial é dar à casca ou, se quiserem, à dor de corno. Uma tristeza.

    17.4.15

  • DA PROPAGANDA POLÍTICA NA RTP

    Nesta história dos media pouco há que possa espantar o indígena. Devo confessar que me julgava preparado para tudo. Eis senão quando, o chamado serviço público de televisão, via canal 2, me dá uma espantosa bofetada.

    Num programa “cultural”, dirigido por uma intelectual desconhecida, cheia de sorrisos e ademanes, a nossa inteligência é enriquecida, ou embrutecida, pela presença de duas personalidades, essas nossas conhecidas: nada mais nada menos que dona Maria Antónia Pala e o já famoso, mas ainda não tanto como é “preciso”, senhor Nóvoa. E esta, hem?

    A idosa senhora foi dizendo umas coisas mais ou menos inócuas, umas recordações, um bocadinho a lembrar a dona Maria de Jesus mas sem surpresa nem história de especial. Estava ali, evidentemente, prestar um serviço ao seu filho (António Costa), o que, como mãe, se compreende. Que serviço? O de colaborar na promoção do Nóvoa, evidentemente.

    Não por acaso, o tema da conversa era a “liberdade”. A liberdade, como é evidente, na sua qualidade de assunto “cultural”. Nada de política: uma jornalista com currículo e um académico “independente”.

    Este tratou de explicar aos indígenas o que é a “liberdade”. A sua paixão. Uma coisa de que a “austeridade dá cabo”. A austeridade não é mais que uma “estratégia” para a destruir. Estão a ver? Temos medo, não somos livres. Nóvoa, coitadinho, vive “controlado pelo medo”. A liberdade é uma coisa que se impõe dentro de nós quando chegamos a um momento da nossa vida em que sentimos que temos que a construir com os outros e para os outros uma coisa “colectiva” que exige que nos expunhamos, para bem da liberdade dos demais, um momento em que nos “inscrevemos no colectivo”, em que temos que defender “uma causa maior”. Um serviço. Estão a ver?

    Fiquemos por aqui. Para quê sublinhar mais o carácter interesseiro destes nobres e novo(a)s conceitos?

    Importante é ver como a campanha se desenvolve por todos os lados, até com estes pouco subliminares “comícios “. O Costa, que não apoia o Nóvoa – ai não que não apoia! – e poucas vezes o viu – ai não que não viu – ou lhe falou –ai não que não falou -, encarrega a mãezinha de servir de “pivô” às suas aberrantes teorias e ambições políticas.

    A RTP, “serviço” público, dá guarida “cultural” a esta propaganda. Vejam, ou serão cegos mentais, como a RTP usa a liberdade que este governo teve a originalidade de lhe dar.

     

    15.4.15

  • M&M

    Nesta história da corrupção há mais vozes que nozes,isto é, se às vozes correspondessem nozes que se vissem, era preciso um campo de concentração para meter essa floresta de corruptos que sugam a Nação, roubam o Estado, trafulham impunemente por toda a parte.

    Dois exemplos paradigmáticos de vozes: um senhor Morais e uma senhora Morgado, ambos possuídos das mais profundas convicções sobre a matéria.

    O primeiro chega ao ponto de querer ser Presidente, para poder dar largas ao seu ínclito combate. Muto bem. Força, ó maravilha fatal da nossa idade! O homem já acusou este mundo e o outro das mais inacreditáveis porcarias. Até é capaz de ter razão. O pior é que tem uma dificuldade terrível em fazer-se acreditar. As investigações, as denúncias, os artigos, as entrevistas, os livros, a cobertura “mediática” das suas actividades, tudo tem, até agora, resultado num rotundo zero. Porquê? Porque o homem não passa de um torquemadazito do quinto esquerdo, ou porque o “sistema” sabe defender-se das suas maquiavélicas teorias? Não sei. Facto é que este cidadão devia pensar em oferecer os seus préstimos à Judiciária, onde talvez fosse útil com a sua tão eficiente vocação policial, em vez de andar a desbocar-se por todos os lados e a não levantar mais que poeira político-inquisitorial. De nozes, népia.

    A segunda desdobra-se em furibundas declarações de teor afim das do primeiro, com os mesmos resultados práticos. Com uma agravante, que é a de se tratar de uma magistrada do MP, com a faca e o queijo na mão para concretizar as acusações. Nem pensar. Na sua opinião, o MP não tem meios, os procuradores têm medo(!!!), até porque ganham pouco e os malandros muito(!!!). Das tão altas acusações que a senhora vai produzindo, e que não passam, como é evidente, de coisas genéricas e opinativas, nada se conhece que a senhora tenha feito de concreto, ou visível. Mais uma vez, nozes nem vê-las.

    Pergunto: dado o exposto, não era melhor que se calassem? Fica a pergunta.

    Ou então que concretizassem, se queixassem, produzissem alguma coisa com consequências outras que não a de excitar a opinião pública, a quem nada de concreto oferecem para além de uma proposta de ódio a tudo o que mexe nesta santa terrinha.

    O IRRITADO recomenda vivamente a leitura de um livrinho que, provocatoriamente, se chama Eloge de la Corruption, onde a autora se pergunta até que ponto este tipo de moralistas encartados não serão, eles mesmo, mais indutores de corrupção do que a núvem dos genericamente atingidos pelas suas perseguições. Fica a sugestão.

     

    14.4.15

  • GENOCÍDIO?

    Aqui há uns anos, este vosso criado andou a trabalhar pelo Cáucaso. Na Arménia, falei com imensa gente, até com o Papa lá do sítio, conhecido por Catholicos. Alguém me disse que me ficaria bem ir ver o monumento e o museu do genocídio. Lá fui, com ramo de flores e tudo, prestar homenagem às vítimas.

    Como conheço relativamente bem a Turquia, por lá tendo feito amizades e ouvido opiniões, aquela história do genocídio dos arménios sempre me tinha parecido um tanto ou quanto treta, talvez motivada pela velha ocupação pela Turquia de boa parte do terrítório arménio.

    Devo confessar que os testemunhos que vi, escritos e fotografados, a morte programada e executada, me fizeram mudar de opinião. São provas de coisas que, com aquelas características, pensávamos só ter sido possíveis sob o Hitler e o Estaline.

    Hoje, penso que a Turquia, como a Alemanha, devia reconhecer a verdade histórica e tratá-la como tal sem mais complexos. Que diabo, vão cem anos!

    Também penso que os pedidos de desculpa, tipo Mário Soares por causa do Dom Manuel I, não têm razão de ser.

    Mas o que aconteceu, aconteceu. Não vale a pena disfarçar. A Turquia não precisa pedir desculpa, só tem que rever o seu olhar sobre a História. Mais valia que percebesse isto, em vez de andar para aí toda irritada com as declarações – politicamente imprudentes – do Papa Francisco sobre o assunto.

     

    13.4.15

  • MENTIROSOS!

     

    Afinal é tudo mentira. O Nóvoa nunca foi ao congresso do PS, não apareceu pendurado nas mais variadas iniciativas do partido, não foi à posse do Medina (que tinha ele a ver com tal coisa?). Não, nunca. O Costa nunca foi visto aos abraços ao Nóvoa, nunca o convidou para nada, não foi o principal fabricante – com o Soares e o Lourenço – da criatura, não lhe deu imprensa, tempo de antena, entrevistas, citações, não colaborou activamente no lançamento público do ilustre desconhecido, não pôs os servis media a publicar tudo o que o Nóvoa disse, fez, opinou. Não, nunca.

    E sabem porque é tudo mentira? É simples: se fosse verdade, quereria dizer que o Nóvoa era o candidato à presidência escolhido pelo Costa. E isso é uma atoarda, já esclarecida pelos dois. Agora sabemos que nunca, jamais, em tempo algum, os dois falaram sobre o assunto. Só faltou que nos informassem, para completar a denúncia dos mentirosos, que nem sequer se conhecem e que só se viram, aqui e ali, por mero acaso.

    Assim reposta a verdade dos factos, o IRRITADO, contente por esclarecer a opinião pública, retira-se em boa ordem.

     

    13.4.15

  • BENS QUE VÊM POR MAL

    Um jornal diário, num dos habituais suplementos de publicidade, vem tecer as mais rasgadas loas à indústria de energia eólica: é amiga do ambiente, a fonte é gratuita, dá emprego a uma data de gente, etc., uma política nacional (do 44, seguido pela do ministro do ambiente que temos) de energia cheia de virtualidades, o país à frente de tantos nesta matéria, um nunca acabar de benesses que devemos agradecer à “visão estratégica” da UE, gentilmente por cá adoptada.

    Falta referir algumas qualidades do processo: a energia mais cara, ou quase, da Europa, uma agressão inominável à paisagem, um défice tarifário que ninguém entende, o trabalho insano e caríssimo de centrais térmicas de substitução, uma insuportável dívida pública a prolongar-se ad aeternum, e uma data de gente rica por mor da “saúde do planeta” e dos subsídos públicos.

    Aqui temos um exemplo de um alegado bem que muito por mal vem.

    Porreiro pá. Nuclear é que não.

     

    11.5.15

  • DA NOVOENTA INDEPENDÊNCIA

    A propaganda, bem oleada, do Nóvoa, chegou ao ponto de haver um tipo, na TV, que o compara ao Papa Francisco! O que vai haver por aí não se sabe, mas lá que promete, promete.

    A mais engraçada talvez seja a loa da independência. Um homem sem partido, que nunca se meteu na política (?), um académico de qualidade, cheio de teses e feitos magníficos de que nunca ninguém ouviu falar mas não interessa (a culpa é do ninguém), um orador de excelência que, com mais um jeitinho, apesar de nunca ter dito nada que se veja para além de esquerdófilo-patriotiqueiras inanidades, passará a reincarnação do Padre António Vieira, o ideal para ser suporte fiel de governos de esquerda e feroz inimigo dos outros, homem de ambição modesta(!), enfim, o máximo.

    A título de parêntessis, sublinhe-se que voltou à baila a discussão sobre os poderes do PR, coisa que ninguém sabe o que é já que todos os PRs andaram dez anos à interpretá-la, não se coibindo, porém, de abusar à fartazana. Casos de Eanes – que se serviu da presidência para produzir governos tontos e, depois, para criar um partido palhaço; de Soares – que fez dela permanente arma de arremesso contra o governo; de Sampaio – que chegou ao ponto de, via evidente golpe de Estado, correr com um governo maioritário que o próprio tinha empossado. Tudo gente do melhor, muito útil à Nação, como a história da III República demonstra à saciedade.

    Se alguém, um dia, resumiu numa frase os tais poderes foi Jaime Gama, que cito de indelével memória: os poderes do PR são os que estão, rigorosamente limitados e delimitados, na Constituição revista em 82, e mais nada. Jamais algum dos visados percebeu, ou quis perceber, o que Gama disse, expressando claramente o espírito do legislador. Fabricaram o “poder moderador”, como se fossem Reis da Carta Constitucional; armaram-se em críticos expressos e em governantes subliminares. Inventaram a extraordinária tese do “presidente de todos os portugueses”, como se tal coisa não fosse absurda e inconstitucional. Nunca se limitaram a ser representantes do Estado, ou da República, de que tanto gostam. É a “moral republicana” numa das suas mais “profundas” manifestações. Foram sempre inúteis, contraproducentes, empecilhos, politiqueiros e invejosos dos poderes governativos que o povo a outrem conferiu.

    A imaginação política vigente regula-se por este “princípio”: se o PR for de esquerda e o governo de direita, tem aquele a obrigação estrita de se  opor a este; se forem ambos de esquerda, o primeiro deve, com toda a legitimidade, apoiar o governo por todos os meios ao seu alcance; se o PR e o governo provierem ambos da direita, então o primeiro, se apoiar o este, estará a trair a Pátria.

    A “independência” do Nóvoa é vista à luz deste nobre princípio, isto é, uma vez eleito será a favor do governo, se este for do PS e quejandos; far-lhe-á a vida negra, se não for.

    A “independência” do fulano tem sido demonstrada à saciedade em várias ocasiões. Por exemplo: veio a público (raio de escolha) pela primeira vez, num 10 de Junho, aproveitando para, além das habituais fantasias literárias, produzir cobras e lagartos contra o governo. Depois, foi estrela convidada do congresso do PS, onde arrancou, via inocuidades várias, lágrimas de comoção à jacobinada. Mais tarde, foi manifestar a sua mais profunda solidariedada ao Soares e à cambada de múmias que, a seu convite, quase encheram a aula magna. E arrancou “independentes” aplausos às entusiásticas massas congregadas na Gulbenkian por esse maioral da patacoada castrense que se chama Vasco Lourenço.

    É esta a “independência” do Nóvoa. E é por causa desta “independência” que o Costa, não o dizendo, para já, com a exigível honestidade, o quer pôr em Belém.

    Será que a malta vai perceber esta história, ou será que vamos mesmo ser entregues à bicharada?

     

    11.4.15

  • DO NACIONAL CARROCEIRISMO

     

    No PS, uma nova tendência, de alto nível e profissional eficácia se vem destacando: a TC, Tendência Carroceira.

    Lançada pelo inestimável – ne sentido de não merecedor de estima – Costa, alvoreceu com a distinta reacção do dito à candidatura de Henrique Neto, e foi, de imediato, integrada pela luminária do socialismo nacional que se chama Lelo e por essoutro opinador encartado, Santos Silva (amigo fiel do Pinto de Sousa, ainda que não conste que, como o outro, lhe empresta uns tostões) que usa a TVI para carroceirar à vontade.

    Entre várias manifestações da TC, destaca-se agora a resposta que a organização deu a uma carta em que a ministra das finanças, em nome do governo, pedia opiniões sobre vários assuntos. A TC, mandatária do PS, respondeu dando largas à sua filosofia de base, o carroceirismo político-ideológico, isto é, mandou uma cópia do conjunto de inanidades que o Costa usou para apresentar a sua “candidatura a primeiro-ministro”. E, num rasgo de génio, acrescentou que o PS “não é uma direcção-geral ao serviço do governo”, nem aceita que este o “encarregue” de fazer propostas.

    Compete-me realçar mais esta demonstração do espírito verdadeiramente democrático e patriótico que sempre foi apanágio dos carroceiros e que, felizmente, se mostra agora aos nossos olhos com redobrado vigor.

     

    9.4.15

  • FINALMENTE, A SOLUÇÃO!

    O preclaro chefe de uma das 489 florescentes agremiações da esquerda radical, senhor Rui Tavares (o que pôs os paus ao Louçã), merece a nossa mais profunda gratidão.

    Atenção, quando digo “nossa”, é em sentido lato: a gratidão de toda a Europa, e mesmo do mundo inteiro.

    É que, após aturada reflexão, o homem chegou à conclusão que segue: O ponto da situação, então, é que o desastre ainda não acabou. Mas, se derem espaço à democracia grega, e aproveitarem o balanço para criar uma democracia europeia que funcione, aí poderemos mesmo ultrapassar esta crise (“Publico”, 8.4.15).

    Ora aí está o que todos, há anos, andávamos à espera: uma solução. O nosso grande Tavares terá abandonado a teoria da árvore das patacas, comum à nossa esquerda, tanto à “moderada” como à radical, à caviar, à bolchevista e até ao importantíssimo MRPP . Muito mais simples do que plantar árvores das patacas por essa Europa fora: bastará “dar espaço à democracia grega” e, seguindo o seu brilhantíssimo exemplo, “criar uma democracia europeia” para poder “ultrapassar a crise”. Simples, barato e inteligente. Até é de estranhar que o Mário Soares ainda se não tenha lembrado desta.

    Portanto, meus amigos, vamos a isto. O Tripas, maravilha fatal da nossa idade, e o Fakis, a quem nem a morte matará, verdadeiros aggiornamenti do génio clássico e actuais donos da democracia grega, tratarão de tudo. Bastará dar-lhes “espaço”. E pronto. A partir daí, a Europa remir-se-á dos seus erros, nectar e ambrosia correrão por montes e vales.

    Avé, ó salvífico Tavares!

     

    9.4.15

  • DOIS EM UM

    Parece que o Tripas, sempre solidário com o amigo Putin, vai voltar a Moscovo a fim de reiterar a sua oposição às sanções e a reforçar a profunda amizade que tem pelo regime russo.

    Entretanto, não de motocicleta mas de invejável limusina Cadillac, o Fakis vai a Washington fazer charme à patroa do FMI, instituição ontem odiada mas, a avaliar pelo sorriso derretido da dita senhora, ora digna dos helénicos amores.

    Os tipos não são parvos. Já perceberam que a “Europa” tem medo de ver a Grécia cair na zona de influência da Rússia e do seu pouco escrupuloso presidente. A realpolitik recomenda que um boa chantagem a assuste ainda mais.

    O pior, parece-me, é que a comédia grega pode vir a ter um final feliz, isto é, por um lado sacam a massa, por outro vão ser uma toupeira do Putin em Bruxelas. Dois em um.

     

    7.4.15

  • REABILITAÇÕES

     

    Quando, com as bielas bem oleadas pelo presidente Sampaio, o actual 44 foi eleito com maioria absoluta, subiu à pasta das finanças um senhor, salvo erro Campos da Cunha de seu nome. Semanas passadas, para espanto do rebanho, demitiu-se. As razões do acontecido nunca foram devidamente esmiuçadas. O novo PM estava no auge da fama, pouco interessando esgravatar no assunto.

    Facto é que o demissionário percebeu no que estava metido e com quem estava metido. Preferiu dar à sola a ver-se na contingência de ter que obedecer ao saloio malandreco que a Nação, com tanto entusiasmo, tinha posto no poleiro.

    Sucedeu-lhe outro senhor, que por lá ficou até à inevitável bancarrota do Estado, isto é, que levou uns seis anos para perceber o que o outro tinha percebido em seis semanas. Coonestou toda a monumental insensatez que foi o consulado do Pinto de Sousa, a criação de colossais compromissos financeiros, os aumentos eleitorais da função pública, etc., para dizer o menos. Dada a competência técnica que lhe é reconhecida, não há dúvida sobre a boa, ou má, consciência que teve da “obra” em que estava metido e nos metia.

    O tempo passou. O homem, fiel ao patrão, enrolou-se em problemas, fez PECs e mais PECs, até já não poder mais. Acabou por assumir o inevitável resultado de seis anos de desvario, megalomania e provinciano novo-riquismo. Apertado pelas circunstâncias, cabeça no cepo, apelou à troica. O parceiro e chefe zangou-se, diz-se que até deixaram de se falar. Mas era tarde. Já zangados, apareceram na televisão: o Pinto de Sousa, no paroxismo da aldrabice, a dizer que a troica era uma maravilha, que ninguém ia ser prejudicado, que tudo estava nos conformes e no interesse do povo, que o PEC4 era bom mas a troica era melhor. O Teixeira dos Santos, com cara de enterro, dizia o contrário sem precisar de falar.

    Quatro anos são passados. Teixeira dos Santos remeteu-se a uma existência discreta, até que… bom, parece que vai voltar à montra, a fazer não sei o quê. Vai daí, talvez por achar que quatro anos chegam para apagar muitas memórias, o que está certo, e ei-lo a perorar na TV, que tinha toda a razão, que aquilo foi uma chatice, etc..

    Não sou contra a reabilitação de cada um. Mas às vezes não consigo resistir à tentação de pensar que, se a lata fosse ouro não tínhamos problema nenhum.

     

    7.4.15