Aqui há uns anos, este vosso criado andou a trabalhar pelo Cáucaso. Na Arménia, falei com imensa gente, até com o Papa lá do sítio, conhecido por Catholicos. Alguém me disse que me ficaria bem ir ver o monumento e o museu do genocídio. Lá fui, com ramo de flores e tudo, prestar homenagem às vítimas.
Como conheço relativamente bem a Turquia, por lá tendo feito amizades e ouvido opiniões, aquela história do genocídio dos arménios sempre me tinha parecido um tanto ou quanto treta, talvez motivada pela velha ocupação pela Turquia de boa parte do terrítório arménio.
Devo confessar que os testemunhos que vi, escritos e fotografados, a morte programada e executada, me fizeram mudar de opinião. São provas de coisas que, com aquelas características, pensávamos só ter sido possíveis sob o Hitler e o Estaline.
Hoje, penso que a Turquia, como a Alemanha, devia reconhecer a verdade histórica e tratá-la como tal sem mais complexos. Que diabo, vão cem anos!
Também penso que os pedidos de desculpa, tipo Mário Soares por causa do Dom Manuel I, não têm razão de ser.
Mas o que aconteceu, aconteceu. Não vale a pena disfarçar. A Turquia não precisa pedir desculpa, só tem que rever o seu olhar sobre a História. Mais valia que percebesse isto, em vez de andar para aí toda irritada com as declarações – politicamente imprudentes – do Papa Francisco sobre o assunto.
13.4.15

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