Todos se lembram do ar fero e grave de um conjunto de cidadãos que, no uso das suas competências constitucionais , se dedica a fazer política, pura e dura política. Todos se lembram do senhor da barbas que manda na organização, bem como do outro, também de barbas, que lê papéis. Pensavam os menos avisado que, se estavam ali, eram cidadãos impolutos, gente acima da média, com direito à total independência, intocáveis, irrepreensíveis, uns heróis.
Afinal, nada disso. O grupo é de portuguesinhos “clássicos”, à procura de tostões, os tostões que houver à mão. O rol de “irregularidades” é de tal ordem que nada se aproveita. Não contente com a floresta de monumentais privilégios que o “enquadra”, o grupo dedica-se a espremer o limão até já nem haver casca. Ele são carros com o depósito cheio, via verde, seguro, oficina, etc., ajudas de custo e senhas de presença quando trabalham(!), almoços a duplicar, distribuição de umas massas aos que os “guardam”, documentos à la manière na contabilidade, “erros e irregularidades”, 1,4 milhões de euros fora dos “princípios e regras orçamentais”, motoristas a 24 horas por dia (só dois, que é para poupar dinheiro ao Estado, dizem eles), mais uns quantos não se sabe para quê, suplementos sem base jurídica, um nunca acabar de “deficiências”. Porquê? Porque, diz o chefe, sofrem de “escassez de recursos”. Imagine-se o que aconteceria se tivessem mais recursos.
E é esta gente que determina, sem contestação possível, o que está certo e o que está errado. É esta gente que se mete em assuntos da governação, que faz política sem pudor ou contenção, que se permite dar bordoadas nas contas dos outros, que usa e abusa do poder que tem para fazer oposição política.
Por muito, muitíssimo menos, tem havido quem exija demissões e quedas, do PR, do governo, dos ministros, e de mais o que houver à mão para demitir ou aniquilar.
E o “partido constitucional”? De que está à espera para se demitir? Parece que era o que um mínimo de decência imporia.
23.4.15

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