IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


INQUIETAÇÕES

Nos jornais de hoje há duas más notícias.

A primeira tem a ver com o regresso dos portugueses ao chamado consumismo. Tudo se vende mais, dos yogurtes aos automóveis (só ligeiros, foram mais trinta mil em 14 do que em 13), ao crédito ao consumo. Está tudo mais barato, mais fácil de financiar, o mau tempo já passou, não é? Uma ova.

A segunda diz respeito à publicação de estatísticas que apontam para o comércio, a restauração e a hotelaria como os ramos da economia onde o mercado de trabalho é mais florescente, onde há mais oferta e mais procura. Como já tem sido dito nestas páginas, o chamado “IVA da restauração” não teve efeito negativo de nenhuma espécie em tão reclamante sector e no CDS, para não falar na filarmónica da esquerda.

Pela Europa fora, e até no Japão, as coisas não serão muito diferentes, o que é demonstrativo do maior problema que temos pela frente. A nossa civilização não investe, come e bebe, não fabrica, consome. Já não temos indústria que se veja, menos ainda que se imponha. Ou produzimos coisas que ninguém mais faça ou temo-las mais baratas noutro lado. É a grande pergunta que o senhor Draghi e tantos outros deviam fazer. Não há injecções de dinheiro barato que sirvam, se aplicadas noutra coisa que não seja a produção de bens transaccionáveis, e os produtos verdadeiramente trasccionávies são cada vez menos, consequência da globalização, da concorrência e do Estado social. Perdemos o comboio do avanço tecnológico e parecemos não ter vontade nenhuma de apanhar outra vez a locomotiva, ou a carruagem da frente.

Remédio? Uma grande volta civilizacional. Escopo de todos, objectivo de alguns, com eco em nenhures.

 

18.3.15



3 respostas a “INQUIETAÇÕES”

  1. Estou curioso: nesta altura do campeonato, qual seria essa «volta civilizacional»? Não é preciso detalhes, basta a ideia geral…

    1. A volta será o que ninguém parece querer, ou ser capaz. Mudar de vida. Responsabilizar cada um pelo seu futuro. Perceber que todo o Ocidente está a perder terreno e que essa perda de terreno continuará e, pior, será cada vez mais rápida e mais generalizada. Investir na economia e não em produtos financeiros sem correspodência na criação de riqueza. Perceber que o mundo do pós-guerra acabou. Tirar as sociedades das garras dos Estados. Desregular. Responsabilizar. Reforçar a Justiça, não a “regulação”. Etc. Tudo ao contrário do que se passa.

      1. De acordo, mas como espera travar a supremacia da Banca e dos “mercados” que saqueiam a economia real, sem regulação? Pode-lhe chamar leis, regras, assobios, mas não se trata de regulação? E sem ela, como espera fomentar a criação de riqueza através de bens transaccionáveis? Se um mamão ganha 1000 numa noite, sem produzir nada e sem empregar ninguém, por que há-de querer ganhar 100 após meses, num negócio legítimo e trabalhoso? E por que há-de empregar um português por 600€, se um vietnamita ganha 60€? E quem há-de implementar e fiscalizar a coisa, chame-lhe regulação ou assobios, senão os Estados? Que entidade mágica é essa que o Irritado conhece, que impõe mais controlo sem impôr mais Estado?

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