Tal como previsto pelo IRRITADO, em solene sessão e sob a augusta presidência dessa figura impar que se chama Vasco Lourenço, numerosa cavalgada se apeou em nobres instalações, a fim de salvar a Pátria dos malefícios da “Europa”, da dona Ângela, do euro e do governo e de Cavaco.
Para memória futura, note-se quem pagou a coisa: nada menos que três prestigiadas organizações que comungam de convicções socialistas ou são dirigidas por gente dessa área, assim como, evidente e maioritariamente, irmãos ou parentados com os filhos da viúva. A saber: a Fundação Gulbenkian, cujo fundador deve estar aos saltos na cova, a Fundação Oriente, socialistíssima, e o banco social/GOL/comunista Montepio Geral.
Na tribuna, imponentes como não podia deixar de ser, o dito Vasco Lourenço, e o camarada Pezará. Na assistência, a turba multa era chefiada pelos palradores radicais Sampaio da Névoa e Rui Tavares. O general Eanes também lá estava, mas esse vai a todas. Não conta, ou conta menos que os outros, apesar de achar que ainda conta muito.
Algumas achegas para se ajuizar da qualidade da reunião:
Após ditirâmbicos elogios a Soares, ao outro Sampaio e, ainda que a contra gosto, a Eanes (a ideia era deixar Cavaco de fora), este Sampaio, ínclito patriota, declarou que “está disposto a morrer pela liberdade”, o que arrancou entusiásticos aplausos à assistência. Não se sabe o que, para gente desta, “liberdade” significa, mas algo me diz que se confunde com socialismo, ou com poder socialista. Ou seja, sob a batuta deste Sampaio o socialismo obrigatório é o máximo, e até está consagrado na Constituição da III República. Depois, fez o velho discurso da indispensável união da esquerda, certamente para criar base eleitoral para a sua candidatura a Belém, coisa para a qual, como já tinha modestamente declarado “está pronto”. Com uma originalidade que faz inveja ao mais sábio, este académico declarou-se contra a austeridade, que tem sido “um desastre”. Ele saberá, mas não diz, onde vai buscar os meios para acabar com ela, com o desemprego, com os impostos, como vai restaurar os salários e as pensões e, já agora, como irá mandar soltar os prisioneiros de Évora (esta não disse o homem, mas parece implícita). Muito triste, diz que, na esquerda, “ainda estamos fragmentados”, isto é, são o saco de gatos de sempre, ninguém sabendo o que há-de fazer à vida que não seja dar na cabeça dos outros. “Se há tantas forças de mudança”, leia-se os gatos do saco, “porque é que não há mudança?”. Pelos vistos, não aprendeu nada com o Hollande, ainda menos com o Tripas. E mais: declara que “com políticos antigos não há políticas novas”. Então, e o Vasco, e o Soares, e o Pezará, e o outro Sampaio, e ele mesmo, que deve ir a caminho dos setenta, são políticos novos? Pelo contrário. A reunião não passou de um encontro de velhadas como ele: os novos estão no governo. Uma chatice!
Outro “jovem” político e rouco académico, Paz Ferreira, dedicou sua prelecção, ou visão de futuro (?) a dar pancadaria no Governo e no Presidente. Este então, levou que se fartou, “o PR está “enfeudado ao partido e à finança”, daqui se concluindo que os do PS não estavam. Soares em Belém nunca ajudou o PS (não fez outra coisa), Sampaio nunca perpetrou golpes de Estado para pôr o Pinto de Sousa e quejandos do PS no poleiro. E, ça va de soi, jamais o Pinto de Sousa esteve “feito” fosse com que poder financeiro fosse. Lapidar, este catedrático! E não se ficou por aqui: o PR Cvaco é “um robot, “não sabe dizer não”(?!), anda a “dividir os portugueses” (?!) e “a criar ódios entre gerações (???!!!). O torquemada da corrupção, um tal Morais, foi mais longe, o PR e o PM devem demitir-se! Nem mais, limpeza geral! Grande artista.
Enfim, distinguiram-se mais oradores, o pretendente Carvalho da Silva, o Rui Tavares, et alia, todos afinados pelo mesmo diapasão. Qual era esse diapasão? Não, meus amigos, nada a ver com a anunciada “cidadania”, menos ainda a ver com o futuro, nada de propostas ou ideias, nem com pés e cabeça nem sem eles. O diapasão era o mote da demolição do PR e do governo, saiam daí que a gente quer os lugares. Mais nada, rigorosamente mais nada, que assim é que se prepara o “futuro”.
Não quero acabar sem uma respeitosa referência ao impagável Lourenço. Está ele à espera, quer dizer, esperançado, “no PC, no BE e noutros que estão a surgir” (às dezenas, acrescento), ou seja, nos gatos do saco. E, asserção basilar que tudo resume: “chegou o momento de se dar um estrondoso murro na mesa!”.
Esta dos murros, o IRRITADO aplaude: uns estrondosos murros na tromba do Lourenço e na desta colecção de parlapatões.
15.3.15

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