IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DA REALEZA REPUBLICANA

    Já lá vão muitos anos, o ido grande republicano e alto maçon Raul Rego, quando quis tecer o que achava ser o maior elogio possível ao seu camarada Mário Soares, saíu-se com esta: Mário Soares parece um Rei!

    Hoje mesmo, o camarada (dele) Manuel Alegre, numa das suas tiradas poético-bombásticas, lançou a mais alta loa que conhece ao falecido Almeida Santos: era um príncipe!

    O IRRITADO, velho talassa, ao elogiar um Rei ou um príncipe, jamais dele diria que parece um presidente ou um Almeida Santos. Uma injustiça, meus senhores, um preconceito contra a excelência inata, congénita, irrecusável, dos presidentes das repúblicas e dos Almeida Santos deste mundo.

    Sem dizer – ó heresia! – que Raul Rego foi monárquico, ou que Manuel Alegre o é, não deixa, no entanto, de registar com satisfação o reconhecimento da superioridade da monarquia, tão claramente expressa em claríssimos sinais vindos do mais profundo da alma de dois dos seus confessos inimigos.

     

    20.1.16

  • O CANDIDATO INDEPENDENTE

    O senhor Nóvoa, irritante mas prolixo, é um “independente” de estalo.

    As sondagens dão 4% ao tipo do PC. Onde foram parar os outros 6 a 8% de eleitores fiéis do nacional-bolchevismo? Um dedo que adivinha diz que vão direitinhos para o tal “independente”.

    A dona Marisa também leva uma tunda. Porquê? Porque a esquerda folclórica vai votar Nóvoa, sabe-se lá se por ordem se por inconfesso desejo da dita.

    Quem “enche” as sessões do Nóvoa? O PSC (PS do Costa)? Com certeza. Mas são relativamente poucos. As verdadeiras “massas”, para além dos papalvos, são as enviadas pelo PC, BE, Arménio, etc. Marisa Matias, o despadrado e quejandos não passam de temperos para animar o indigenato. Nóvoa é o homem. O tal que diz que quer “unir” desde que todos sejam esquerdistas como ele. Os outros ficam de fora. Não é o bolchevismo, ou ainda não é o bolchevismo. Ou é o bolchevismo possível nos tempos que correm.

    Ao Costa, para trair o que lhe falta trair, só tinha que deixar cair a dona Maria de Belém. É o que está a fazer, com a competência dos trafulhas.

    Independente de quê, o Nóvoa? Só se for da liberdade que proclama, que é a liberdade dos goulagues e da demagogia cara.

     

    20.1.16

  • NOVAS DO DIA

    O dia começou com notícias que só são novidade para quem é parvo ou anda muito distraído.

    – A “parque Escolar”, obra do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, tem dívidas de 1.000 milhões de euros. As respectivas obras custaram mais 400% do que o previsto;

    – A Comissão Europeia exige um défice nominal de 2,8% e que o défice estrutural baixe 0,5%. O governo não faz ideia de como martelar o orçamento para lá chegar;

    – A mesma Comissão vai espetar com a “solução” do Banif no défice de 2015, passando-o para 4,2%;

    – Garantida está mais uma vitória do Centeno: Portugal não vai sair do procedimento por défice excessivo;

    – Está garantido que Portugal não vai pagar ao FMI como previsto. A dívida, que estava para ser saldada em 3 anos, foi estendida até 2030;

    – Diz o Comerzbank que “Portugal é a nova criança problemática do euro”, depois de ter sido considerado “bom aluno” e arricando ver-se na mesma situação da Grécia.

     

    Isto é só de hoje. Fiquem atentos, que amanhã há mais.

     

    19.1.16

  • LINGUAREJAR

    A espanhola que viveu anos e anos com um português sem aprender uma palavra da nossa língua, que aparece, com honras de princesa, a falar castelhano em tudo o que é sessão “cultural”, que nos despreza e ofende com a sua presença como imperatriz da Casa dos Bicos, optou, não sei se com direito a tal (se calhar já é “portuguesa”, mesmo fazendo gala em não falar a nossa língua…) apareceu hoje a comunicar aos indígenas o seu apoio à candidatura do senhor Nóvoa (quem havia de ser?). Atafulhada de argumentos “culturais” que nem desprezo merecem, a dita indivídua escreve na qualidade de presidenta da Fundação José Saramago.

    Só por isso, estas linhas. Seguindo os passos dessoutro pilar da “cultura” lusófona – a brasileira dona Gilda – também esta vem assassinar o português intitulando-se presidenta. Eu sei que escreve num jornal adepto do acordo ortográfico (o DN). Mas nem essa desculpa merece, que a tal ponto o jornal não chega.

    Para que conste.

     

    19.1.16            

  • APANHADOS NAS CURVAS

    Seguindo os seus próprios conceitos e princípios, lida a Constituição como a lê, que outra solução tinha o Tribunal Constitucional senão a de abolir a abolição dos subsídios vitalícios dos titulares de cargos políticos?

    Quando se tratava de tentar salvar o país do imbróglio financeiro em que estava metido, não chumbou o TC uma data de coisas, coisas que tiravam, a prazo, pequenas percentagens das prestações públicas aos reformados e funcionários? Eram “direitos adquiridos”, não é? Intocáveis, não é? Então porque alma de quem haviam de aprovar cortes de cem por cento a pessoas que tinham organizado a sua vida em função de outras prestações, tão legais, tão “direitos adquirdos” como as demais? É evidente que tal corte é (era) inconstitucional à luz de inúmeros critérios. Não havia volta a dar.

    Uma coisa é considerar que a instituição de tais subsídios foi coisa mal concebida: essa, para quem dela não gosta, foi muito bem abolida, para futuro. Outra é aplicar tal abolição com efeito retroactivo. O que estava, estava. Era constitucional, legal, intocável.

    Se o TC aplicasse, no caso, critério diferente do adoptado na sua própria jurisprudência, seria um escândalo. Por outras palavras, os meritíssimos foram apanhados nas curvas de que tanto gostam.

    É claro que a nacional raiva vai dar urros. Mas, que diabo, às vezes não é mau que a raiva leve no coco.

     

    19.1.16

  • ESCLARECIMENTO

    No seguimento das inúmeras dúvidas que, por diversas vias e formas, têm chegado à nossa redacção, esclarecemos que o governo em funções é assim constituído:

     

    Coordenação Política, Presidência e Controle – Catarina Martins

    Primeiro-Ministro – Arménio Carlos

    Vice Primeiro-Ministro – Jerónimo de Sousa

    Educação – Mário Nogueira

    Trabalho – Manuel Carvalho da Silva

    Saúde – Eduardo Barroso

    Negócios Estrangeiros – Arnaldo Matos

    Defesa – Melo Gomes

    Cultura – Fernando Rosas

    Agricultura – José Pacheco Pereira

    Corporações – Domingos Abrantes

    Finanças – Mariana Mortágua

    Costumes – Isabel Moreira

    Propaganda – João Galamba (em representação do chamado governo, que mantém a sua actual composição).

    A pasta da Economia fica, até nova ordem, entregue ao seu titular no chamado governo.

     

    Tendo assim contribuído para uma informação isenta, independente e exacta, a redacção desta casa deseja as maiores felicidades aos ilustres titulares de tão altos cargos da Organização Política e Administrativa da Nação.

     

    17.1.16

  • NOVAS DO IMPÉRIO

    Segundo o Diário da República, II série, de 12.1.16, o mui ilustre ministro da cultura do chamado governo, o celebrado frequentador de aviões de carreira dr. João Soares (nome que muito nos diz), em boa hora e a bem da Nação rodeou-se de personalidades para poder, com inegável competência, levar por diante a ingente obra cultural que a Pátria bem merece, desde já se impondo à esperançosa e grata admiração de todos nós.

    Assim, terá a seu lado:

    – 1 Chefe de gabinete;

    – 3 Adjuntos;

    – 3 Secretárias pessoais;

    – 3 Motoristas;

    – 4 Técnicos administrativos;

    – 2 Técnicos especialistas;

    – 1 Auxiliar.

    17 nobres cidadãos que, sem sombra de dúvida, darão ao chamado governo, na área da cultura, o resplandecente brilho que tão alto ministro bem merece.

    O IRRITADO não tem procuração para falar em nome da Pátria, mas atreve-se a recomendar, por ela, a nomeação de mais uns vinte ou trinta, a fim de exponenciar, se possível ainda mais, os altíssimos serviços que ficará a dever a João Soares, nóvel imperador da cultura nacional.

     

    15.1.16

  • QUANTO CUSTA?

    Perante as ameaças da dona Avoila (raio de nome), o camarada Centeno, ministro das finanças do chamado governo, anda à nora. Confessa não fazer a menor ideia de quanto vai custar a semana de 35 horas da função pública.

    Estendo ao tal Centeno a minha compreensão. É que, diz ele, o programa do chamado governo dizia que “a referência às 35 horas é muito clara”. Tão clara como isto: “não deverá implicar um aumento global dos custos com pessoal”. Perante tal clareza, o Centeno – conhecido pelas diversas quadraturas do círculo em que é especilista – deve sentir-se ultrapassado. Como é que vai resolver tanta clareza? Deixou-nos uma dica, que muito alivia quem se preocupa com estas matérias: o custo da redução do horário de trabalho “terá que ser nulo no conjunto da Administração Pública”. É que, se a Avoila manda, para já, passa a haver almoços grátis. A conta virá mais tarde.

    Parece que (números finais) a passagem às 40 horas poupou ao Estado mais de 150 milhões. Deve ser por aqui que o Centeno vai começar a “raciocinar”. A conta deste almoço das 35 horas, quando chegar, vai ser bem mais cara que isto. Não há problema: se o Centeno, a braços com centenas (de milhões) for falar com o Costa, ele explicar-lhe-á que isto de números é relativo e que, ao nível do Estado, 200 milhões é peanuts: como tal, confundem-se facilmente com o “nulo” que o PS prometeu. E o problema fica resolvido.

    Contas são contas, que diabo!

     

    14.1.16

  • MENTIROSAS PATACOADAS

    Uma senhora, Paula Sá de seu nome, certamente preocupadíssima com a “democracia”, o “igualitarismo” e outras martingalas em voga, conta-nos hoje no DN uma história exemplar. A saber: uma vez, o açoreano então Presidente da AR, foi ao Canadá visitar as comunidades portuguesas lá residentes. Quando chegou ao aeroporto, não havia sala VIP, sequer uma fila especial para passagem rápida de altas figuras de um Estado amigo. Dona Paula Sá acha isto um notável avanço civilizacional, uma demonstração do caminho que este rincão de humanidade representa, enfim, uma série de disparates que caem bem em cabeças pouco dotadas pela Natureza.

    Acontece que o autor destas linhas terá ido umas cinco ou seis vezes ao Canadá. E jura que, pelo menos nos aeroportos internacionais, este país está devidamente equipado com bancas da polícia de passaportes exclusivas para diplomatas e quejandos. Várias vezes tem dado consigo cheio de inveja de tais privilegiados.

    Quer dizer, ou a dona Paula Sá está a mentir, ou escreve sobre o que não sabe, ou não se passou nada de parecido com o que ela conta, ou é parva. Não cabe na cabeça de ninguém que o contínuo do consulado do Burkina Fasso tenha tratamento que ao presidente do Parlamento português é negado, não é?

    Mas é destas bocas que há quem se alimente.

     

    14.1.16

  • MAMADA DEMOCRÁTICA

    Uma espanhola qualquer, claro que do “Podemos”, resolveu utilizar um filho, ou filha, de seis meses, para uma tirada exibicionista nas Cortes espanholas. Senta-se no seu parlamentar “escaño”, saca de uma mama – presume-se que da esquerda – e põe-se a dar de mamar à pobre criatura, assim vilmente usada para que a respectiva mamã aparecesse mais que os outros na televisão. Crime? Acho que sim.

    Se acrescentarmos que tão rasca criatura era candidada à presidência da Câmara dos Deputados teremos uma noção do estado a que o Estado espanhol chegou. Por cá, não andamos longe disso.

     

    14.1.16

  • CAMARADAGEM INTELIGENTE

    O General Eanes, grande apoiante da esquerdoidice radical representada pelo Nóvoa, resolveu, em venenosa afirmação, compará-lo a Cavaco. Parece que o visado Nóvoa não gostou. Nesse sentido, o IRRITADO elogia a opinião do General.

    Isto de ser pau para toda a obra (apoiar Cavaco e Nóvoa ao mesmo tempo) é coisa que já não lembrava a ninguém, pelo menos depois do doutor João Lobo Antunes ter sido mandatário de Jorge Sampaio e, logo a seguir, mandatário de Cavaco.

    No que ao outro termo do elogio, o visado Cavaco, diz respeito, o IRRITADO acha que Eanes lhe deve as mais humildes e sentidas desculpas.

     

    14.1.16

  • CARTA A MARCELO

    Caro Marcelo

    Toda a gente sabe que v.tem uma cabeça privilegiada, que, enquanto escreve uma lição, é capaz de falar ao mesmo tempo por dois telefones e de conversar com quem está à sua frente, a todos respondendo com lógica sem perder o fio ao que escreve, que sabe largas coisas de direito, que fez vida de comentador com invejável independência, que foi um líder político responsável, que tem uma experiência política inigualável, que, não contando com o Ronaldo, é a pessoa mais conhecida do país, que tem simpatias a rodos, que vai à frente nas sondagens, que até é capaz de ganhar à primeira volta, etc.

    Capaz? Capaz, é. Mas não anda a fazer por isso. Parece que ainda não percebeu, ou tresleu, certos sinais. Ou que anda a ignorar o que está à vista de todos. À vista de todos está que, ou v. ganha, ou ganha um esquerdíssimo e oco parlapatão, que se aliará (ou está desde sempre aliado) ao PC, ao BE, à esquerda caviar, à brigada do reumático, ao Vasco Lourenço e ao nacional-coveirismo em geral. É simples. Ou você ou o outro.

    Parece que v. tem tudo para ganhar, e à primeira volta. Tem os votos da coligação garantidos, mais os das centenas de milhar ou do milhão de eleitores que foram enganados pelo Costa ao usar os seus votos de pernas para o ar. É a esse eleitorado que tem que se dirigir. Mas não o tem feito. Talvez ansioso por mostrar independência (quem tem ideias não é independente, pelo menos delas), anda para aí a fazer promessas de “estabilidade” e rapa-pés ao Costa & Cª. Não é aí que pode ir buscar votos. É aí que os perde. Pode ter a certeza de que está a desmobilizar muitos dos seus naturais eleitores, empurrando-os para a abstenção ou para votar inutilmente naquele empresário do PS que, ao contrário dos demais, até diz umas coisas com pés e cabeça. Tais votos são votos na segunda volta, e em mais nada nem ninguém.

    Se quiser fazer o pleno dos votos possíveis tem que mudar de discurso. Ainda vai a tempo.

    Como sabe, para mim, esta coisa das presidenciais é inútil e contraproducente. Mas, já que as temos (v. foi um dos seus inventores…), que limitemos o mais possível os males que dela advêm.

    V. é, ou será, a solução possível, ou a menos pior. Não a despreze. Não nos despreze.

     

    António Borges de Carvalho

     

    13.1.16

  • CLARINHO CLARINHO

    O jovem barbudo que, consta, é ministro de educação do chamado governo, veio à TV explicar a razão da abolição dos exames, ora conhecidos por designações mais ou menos esotéricas, que pouco ou nada dizem ao cidadão comum. Já se sabia que não valiam mais que trinta por cento da performance anual do aluno, isto é, que ficavam, a 60%, sob a alçada do altíssimo critério dos respectivos professores, e que uma avaliação independente estava fora de causa.

    Mas o jovem barbudo mudou tudo, continuando o hermetismo que, há uma carga de anos, impera nestas matérias e voga ao sabor das montanhas de “estudos” que pululam as privilegiadas mentes dos nossos “educadores”.

    Desta vez, o jovem barbudo foi mais claro que a maioria dos seus predecessores. Disse ele que tinha mudado (a meio do ano!) o que vinha a ser feito há 4 anos. Lida a coisa como deve ser, ficou tudo clarinho clarinho: as coisas mudam porque foram feitas pelo governo anterior. É a “razão de Estado” do chamado governo: o que estava feito é para desfazer, mesmo que, em anteriores legislaturas, o partido do chamado governo estivesse de acordo. Assim com o ensino, como assim em tudo.

    O xarroco dos professores aplaude.

    Da minha parte, obrigado senhor chamado ministro. Fiquei (mais) esclarecido.

     

    12.1.16

  • MEIN KAMPF

    Há países em que o negacionismo é um crime público, pesadamente punido por lei. Dir-se-á que é uma limitação à liberdade de expressão. Não sei que diga. Por um lado, tal limitação é isso mesmo. Por outro…

    Se eu achar que o Vasco da Gama nunca foi à Índia sou capaz de estar no direito de o pensar, e até de o dizer, não sou? Se eu disser que o Hitler nunca fez mal aos judeus, que até os tratava com todos os carinhos, sou criminoso? Em ambos os casos, o que eu sou é uma besta. Mas, no segundo, a bestilidade corresponde, objectivamente, a uma propaganda da mais repugnante violência. Neste sentido, não haverá dúvida quanto à natureza criminal das minhas opiniões. Julgue quem quiser.

    Os astrólogos não ganham a vida a dizer coisas? Que vai haver uma guerra porque o Obama é do signo dos gémeos e que estes, em conjugação com o Mercúrio no canal três do zodíaco, garantem uma conflagração global? Ou que a dona Mariquinhas vai pôr os paus ao marido por causa do cruzamento da elíptica com o equador do Neptuno? Ninguém os manda prender?

    O Costa e o Centeno não andam a dizer que a economia vai recuperar, não via investimento mas via consumo? Andam.

    Não há 9 candidatos a PR (quase diria 9,5) a dizer, ou insinuar, que a austeridade é, ou foi, uma manifestação de sadismo “neoliberal” de Passos Coelho? Há.

    Não vicejam na televisão adeptos do Kim coreano e do Maduro venezuelano?

    No meio disto tudo parece que ainda há quem se espante, ou indigne, com a publicação do Mein Kampf que, no meio de uma propaganda dos diabos, aí vem. É de estranhar, não é?

     

    12.1.16

  • UM FUTURO PROMISSOR

     

    Deu-me, neste momento, para pensar em trabalhadores, não no sentido que as pessoas normais dão à palavra (pessoas que trabalham), mas em sentido “real”, isto é, socialista radical, herdado dos tempos em que havia “proletariado”, ou equivalente.

    Esta versão do conceito serviu para justificar revoluções diversas. Os “trabalhadores” foram a base sociológica e a tropa de choque do bolchevismo soviético, do comunismo chinês, do castrismo cubano, como o foram do nazismo e do fascismo. Todas as grandes – as mais sangrentas – ditaduras do século XX se serviram da chamada “classe trabalhadora” para sustentar ou justificar o poder brutal e absoluto de outras classes. Arbeit macht frei, ditadura do proletariado, bravi lavoratori

    Outra constante dos regimes extremistas do século XX foi o nacionalismo, concebida a “Nação” como algo que se define pela exclusão de quem à Nação não pertence e que é, sem excepção, um inimigo potencial. O próprio “internacionalismo proletário” nada tinha a ver com cooperação internacional, mas com somatórios de “lutas” do mesmo sentido e orientação contra a “democracia burguesa”, lutas todas elas “nacionais”.

    Tudo isto morreu, as guerras que isto provocou acabaram, julgar-se-ia que para sempre.

    Chegada a crise económica e financeira do mundo ocidental, com as suas inevitáveis consequências sociais e políticas, eis que o mesmo tipo de apelos começa a ter eco nas chamadas “massas”. Surgem regimes “fortes” à direita (Hungria e Polónia), partidos ultra-nacionalistas como o Front National em França, partidos como o Podemos, o Syriza e o Bloco de Esquerda, surgem os “tempos novos” como o de Costa e de Nóvoa, desta feita por puro oportunismo e desonestidade política.

    Tudo gente apetrechada com os mais miríficos remédios para a “austeridade”, umas vezes contra a “esquerda” outras contra a “direita”, consoante as oportunidades ou os poderes em vigor. Em Portugal, não esqueçam, acresce a presença, agora dominante, do mais retrógrado partido comunista do mundo, ainda por cima com profunda penetração num sindicalismo ainda mais troglodita que ele.

    Comum a todos, à esquerda e à direita, a “recuperação da soberania nacional”, um isolacionismo feroz, a recusa da democracia como é conhecida, o alegado amor a “direitos” ou ao que como tal defendem, sem, minimamente, cuidar do que os poderia pagar.

    As estruturas supra-nacionais em vigor na Europa sofrem de défice democrático por não ter sido criado um universo político europeu que as sustente e legitime mais profundamente. É evidente que, dada a profundidade da crise europeia, que vai muito para além das questões financeiras, bancárias, ou até institucionais, os poderes europeus não conseguem, nem se sabe se algum dia conseguirão, encontrar remédio para os males que os afectam. Daí a ressurreição dos isolacionismos, dos nacionalismos, dos socialismos nefelibatas, personificados em estranhas figuras, tais Tsipras, Marine, Martins, Costa e quejandos, o que tem catastróficos resultados, já à vista (Grécia, por exemplo), ou os terá a curto/médio prazo (Portugal, por exemplo). Um dia, sabe Deus quando, alguém reporá as coisas no são. resta saber como, quando e após quanto sofrimento.

     

    11.1.16

     

  • OBJECTIVIDADE

    Num ataque de fundamentalismo feminista, uma escrevinhadora de esquerda com lugar cativo no “Sol” revolta-se contra o “facto” de os media andarem “com o Marcelo ao colo”.

    No mesmo jornal em que, ao longo de umas 5 fastidiosas páginas, se faz a apologia da dona Maria de Belém, senhora que “até tem – ou tinha – muitos pretendentes”, que ostenta um sorriso que faz inveja ao da Mona Lisa (!!!), a articulista queixa-se do evidente machismo que inspira a infrene propaganda de Marcelo, o qual, entre outros defeitos, terá o se ser macho!

    A dita escritora não deu pela agressão evidente que a sua colega da TVI fez ao Professor, não reparou que lhe foi dado muito menos tempo que aos outros candidatos entrevistados, escapou-lhe a filmagem da entrada triunfal, em rigoroso exclusivo, do Nóvoa no aniversário da SIC, não deu pelos twits em roda-pé, criteriosamente escolhidos para demolir o candidato, não deu por nada. Decretou que andavam para aí com o Marcelo ao colo, e pronto.

    E eis o que se tem por opinião objectiva.

     

    9.1.16

  • CIRCULAR NA CIRCULAR

     

    Para além de limitar a velocidade a 60 Kms à hora, não se percebe bem o que quer a CML fazer na II Circular. O limite imposto de velocidade, como todas as decisões que têm por objectivo chatear o munícipe, não tem pés nem cabeça. Os limites de velocidade, como acontece nalguns, poucos, países civilizados, deviam depender das condições, de tempo, de tráfego e de outros parâmetros que não descortino. Em circunstâncias normais, os 80 à hora são ridículos. Se o tráfego aumenta, talvez se justifique os 60. Se chover, também. Com ventos fortes, idem. Se, caso pouco provável, nevar ou se formar gelo, se calhar até 50 será demais. Assim, deveria haver painéis electrónicos de limites variáveis, colocados em todos os acessos.

    Querem também arborizar toda a zona, praticando a política contrária à usada noutros locais (Av. Álvaro Pais, por exemplo), onde as árvores andam a ser arrancadas pela raiz, sem dó nem piedade. Nada contra a arborização. Estranhamente, porém, das cinco ou seis espécies a plantar, só uma é de folha persistente, o que quer dizer que, no Outono/Inverno, as faixas serão um mar de folhas, os carros serão submergidos pela queda delas, pondo em risco a tal segurança que dizem querer aumentar. Talvez, quem sabe, até comprem carros vassoura para complicar mais um bocadinho…

    O ACP anda para aí numa campanha dos diabos contra o projecto. Não sei se tem razão. Mas sei que o assunto, em princípio louvável, anda a ser tratado com os pés.

     

    9.1.16

  • EMBUSTE

    Há Presidentes com cara. O francês, o dos EUA, até a dona Dilma, eleitos por sufrágio universal. Não se declaram independentes, não abandonam a respectiva espinha para armar em suprapartidários. Não são presidentes de ninguém. São-no das suas repúblicas, países, federações. Tem poder político. Chefiam executivos.

    Outros há (a maior parte) no nosso mundo, Itália, Alemanha… eleitos pelos parlamentos nacionais. Não têm poder político. E são, como os anteriores, presidentes das suas repúblicas, países, federações. Também não são presidentes de mais nada, quer dizer, de ninguém.

    Por cá, todos os senhores que têm andado por Belém se declaram “presidente de todos os portugueses”. Todos se declaram amantes da constitucional coisa, mas começam por não a aplicar a si próprios. A coisa não lhes chama presidente dos portugueses, nem de Portugal, nem de outra coisa que não seja a República, que não se confunde com as pessoas ou com a Nação (que constitucionalmente não existe).

    Os actuais candidatos afinam pelo mesmo diapasão. Se descontarmos os candidatos comunistas (o coreano e a greco-tsíprica), todos os que têm hipóteses fazem os possíveis por esconder a cara.

    Nesta matéria, o campeão é o Nóvoa. Um “independente” de estalo: entronizado na política nacional por uma parte do PS, pelo BE, pelo Vasco Lourenço e pela cáfila adjacente, adoptou toda a cartilha anti-eiropeia, anti-austeridade, anti-direita, anti-centro, aparece rodeado de gente tão “independente” como a castelhana do Saramago, o camarada Soares, o estrambólico Eanes (tão “independente” que até fez um partido à custa de Belém), o golpista Sampaio, o ubíquo de esquerda Eduardo Lourenço, a miadora dos Madre Deus, os living dead do MFA e todo o exército da esquerda caviar, vem, ó espanto, declarar-se independente, fazedor de pontes (talvez pontes entre o PC e o BE), querer ser presidente “de todos”! É coisa que utrapassa, em lata, a mais desonesta d as imaginações.

    Parece, helas!, que Marcelo vai por caminho parecido. Que necessidade terá ele de andar a fazer rapa-pés à esquerda, quando é, de longe, o mais transversal de todos os candidatos e não precisa de se esconder atrás de coisa nenhuma?

    No fundo, como tantas vezes tenho dito e escrito, tudo não passa de mais uma originalidade portuguesa. Tão original como o “orgulhosamente sós” do Dr. Salazar. Para o bem e para o mal, este, ao menos, tinha uma estratégia, aliás confessa e comum aos últimos cinco séculos. A actual, e presidencial, originalidade, porém, nada tem de estratégico nem de secular. É só aldrabice, pantomina política, engano dos enganos. Pobres de nós.

     

    7.1.16

  • HORRORES

    Julgava que nada podia haver de pior para o serão (dos portugueses que não vêem telenovelas) que a multidão de futebulóides cretinos que o preenchem sete dias por semana em todos os canais do cabo. Um mísero atentado à inteligência, à paciência, ao bem estar de cada um. Uma interminável caterva de inanidades, de parvoíces, de “análises” aos pontapés dos craques, de bocas de teinadores, de patrões da bola, um nunca acabar de pintosdacosta, de filipesvieira, de brunoscarvalhos e de uma inumerável quantidade de chatos, de intriguistas, de pantomineiros, a infernizar a vida do triste cidadão. Uma chatice sem limites.

    (Declaração de interesses: o IRRITADO até gosta de, de quando em vez, ir ver um jogo de futebol, ou de passar hora e meia a vê-los bem sentado e acompanhado, cá em casa.)

    Diziam os antigos “quando mal, nunca pior”. Não tinham razão, pelo menos neste caso. Há pior. Muito pior. A saber: os debates presidencias.

    Democracia à portuguesa, a quanto obrigas! Quem havia de dizer que íamos passar noites e noites a ouvir 10 (dez!) fulanos a querer valorizar-se com tretas e cantigas, a “preencher” com palermices a função a que se candidatam com competências estrambólicas, mirabolantes, a meter os dedos pelos olhos dentro de cada um como se candidatassem ao exercício de poderes que nunca terão, a uma utilidade inútil, a uma influência que não é outra senão a das invenções que cada um fabrica a ver se dá a volta ao que toda a gente sabe. O que toda a gente sabe é que vamos eleger um PR sem poder político, sem poder executivo, sem poder nenhum que não seja o de chatear. E eles a fazer esquecer, mais uma vez, que um Presidente como o desta ignara Constituição jamais devia ser eleito por sufrágio universal, que o sufrágio universal, neste caso, é fazer troça dos eleitores. Os Presidentes dos países civilizados, ou são chefes políticos, ou não são eleitos desta forma!

    Teremos que ouvir, noites e noites a fio, gente do calibre dessa ignorante proto-salazarista do BE, desse horripilante burgesso do PC, do hiperesquerdista Nóvoa ora convertido em “independente”, mais as análises do comentador-mor cá do sítio, mais a tremebunda praeter bondade da Maria, mais as ilusões do empresário, mais as inanidades moralistas do tipo da corrupção, mais os roncos do batráquio, mais, mais mais?

    A solução é deixar o aparelho desligado até isto acabar e, no dia D, estar de fim de semana bem longe das urnas. Como querem que, perante o que vê e ouve, o eleitor se não abstenha?

    Uma coisa tem de bom esta campanha: só dura duas semanas. Ficarão os luminares da bola outra vez, para consolo dos néscios.

     

    4.1.16 

  • NIPOTE!

     

    A ignorância e a estultícia empertigam-se para me insultar…

    Dizia Camilo: “se a estupidez fosse fonte de prosperidade que país mais próspero que o nosso”

    … articulista minorca… de tão fraca estaleca política e intelectual… débil criatura…mariola mediático… calhau…

    (bolsar) prosa de uma indigência confrangedora… no mínimo hilariante… um perfeito e acabado ignorante…

    …toleima auto-satisfeita…

    Este “cérebro” que mais parece uma empada de massa inerte…

    … tão obviamente ululante é a arrogância cretina deste articulista minorca…

     

    Lendo estes pedaços de prosa uma pessoa sente-se recuar mais de cem anos, não é? Mas foi escrita há dois ou três dias!

     

    Há quem, às vezes, critique o IRRITADO por abusar de picardias em relação a terceiros. Talvez quem o faça tenha alguma razão. Porém, as diatribes do IRRITADO são autênticos bombons se comparados com os mimos que um tal Alfredo Barroso dedica a um escritor que tem a ousadia de não concordar com o que ele pensa.

    Quem é este Barroso? Haverá da parte dele algum invisível feito que o imponha à nossa consideração? Talvez, mas, como dizia José Marinho, “o visível do invisível é o que aparece”. No caso, o que aparece é, para além de umas disparatadas aparições televisivas em favor do absolutismo socialista, que este homem é conhecido por ser sobrinho, via uterina, do Dr. Mário Soares. Saiu do anonimato quando o tio foi para Belém (nepotismo literal), e por lá se foi deixando ficar. De resto, népias. Ninguém sabe que préstimos tem. Um há, que com certeza lhe não assiste: a decência. A decência de ser capaz de trocar argumentos com um mínimo de elegância.

     

    Que fique dito.

     

    2.1.15