IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • BORLAS

    Se você, homem ou mulher, partir uma perna e recorrer ao SNS, terá que pagar uma taxa para ter direito ao respectivo aparelho de gesso. Isto, evidentemente, se pertencer aos ricos, quer dizer, se lá em casa houver rendimentos fabulosos (uns doze mil euros por ano).

    Segundo as regras sócio-morais do tempo novo, gloriosamente postas em vigor por suas excelências Catarina Martins & Associados, bem acompanhados por Costa & Camaradas, seus chevaliers servants, se você for do sexo feminino e andar no truca- truca à balda, mesmo que tenha doze milhões de rendimento, tem garantido, à borla, o consequente aborto. E mais: para que a sua liberdade seja totalmente salvaguardada (uma questão de “direitos humanos”), não será submetida a qualquer espécie de aconselhamento médico ou psicológico. Porquê? É simples: a coisa (o aborto) está implícita no inalienável direito ao truca-truca à balda, bem como ao não menos respeitável direito de ver a sua balda devidamente paga, e a cem por cento, pelos seus concidadãos.

    Com toda a lógica, se você estiver doente, paga, pois então! Ninguém o/a mandou estar doente. Mas se estiver “cheia”, a sociedade deve-lhe todas as honras, toda a glória e todas as borlas. Você é um exemplo para os demais.

    O IRRITADO não podia estar mais de acordo. Assim é que é! Direitos humanos acima de tudo! As mulheres são donas do seu corpo! Viva o truca-truca à balda!

    Não sei se ainda há o subsídio de maternidade para estes casos, prestação social salvo erro alargada ao aborto pelo ilustre Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates. Se ainda há, que seja duplicado, triplicado, quadruplicado! Se já não há, que se ressuscite, e já, que isto de direitos humanos é coisa séria!

    Que diabo, estamos no tempo novo ou não estamos no tempo novo?

     

    30.1.16 

  • MARTELADAS

    Lembram-se da peregrina e repetidíssima história da mãezinha que, ao ver o filho a marchar com o passo trocado em relação ao dos outros magalas, concluía que os outros é que iam com o passo trocado?

    Mutatis mutandis, é o que se passa com o chamado governo que por aqui temos. Não há uma única instância, um só think tank, uma única organização, desde a da dona Teodora à dos funcionários da AR, às agências de rating, aos bancos, aos jornais estrangeiros, ao diabo a quatro, que não diga que as contas do Centeno – ou dezeno, ou mileno, ou o que quiserem – estão erradas, que partem de pressupostos errados, que vivem de ovos nos rabinhos das galinhas, que aplicam receitas que jamais deram bom resultado fosse onde fosse. No entanto, os trigospereiras, os costas e quejandos, insistem que eles é que estão certos e tudo o que todos os outros dizem está errado.

    Este falhoufakis à portuguesa só tem um guru, sabem? Um tal Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates. Querem ver? Este andou anos a desorçamentar tudo e mais alguma coisa, a arranjar empresas públicas de direito privado para tirar os buracos delas das contas do Estado, etc.. O Centeno, com a bênção do Costa, resolveu que os aumentos dos salários sem mais nem menos e que os rios de dinheiro que está a deitar à rua não contam! É que, diz ele, se os cortes foram ditos extraordinários, as reposições também o são. Por isso não contam para o défice, diz ele. Vêm como, no fundo, é a mesma filosofia, a mesma ilusão, a mesma fé na estupidez dos outros?

    Quando o merceeiro começa a ficar à rasca com as contas tal como são, chama o Zeca contabilista e encomenda-lhe umas marteladas, marteladinhas ou marteladonas, com o nobre objectivo de disfarçar uns tostões.

    Mais uma vez mutatis mutandis, aí temos o Zeca Centeno no seu mais alto esplendor.

    Onde é que isto vai parar? Nos tempos da segunda bancarrota socialista, a Europa tinha mais fôlego para colmatar as asneiras do socialismo nacional. Agora, meus amigos, a Europa tem margens de manobra política muito mais estreitas, o que quer dizer que estará muito menos disponível para aturar meninos aldrabõesinhos, centenos de meia tigela e contabilistas de esquina.

    E nós,meus senhores, e nós?

     

    28.1.16

  • TANGO DOS ORDINÁRIOS

    Um tal Reis Novais, talvez o mais odioso costo-esquerdista da nossa praça, decidiu continuar a zurzir o Presidente Cavaco Silva, sua bigorna de eleição, desta feita a total despropósito – falava-se de Marcelo, não de Cavavo – e não por razões substanciais mas meramente formais. Diz o furibundo martelo que os vetos do Presidente sobre a história do aborto à la manière e da adopção por deficientes sexuais são inconstitucionais porque… foram apresentados fora de prazo!

    Antes de mais, o homem torce a verdade e mente com quantos dentes tem na boca, como vem hoje escarrapachado nos jornais, tim tim por timtim. E se fosse verdade? Sabe este intitulado “constitucionalista” – nóvel profissão que dá para tudo e para nada – que, no caso, seria coisa sem consequêcias. Então porquê levantar a questão, assim, sem mais nem menos? Por respeito pela constitucional vaca sagrada? Por escrúpulo profissional? Por interesse público, do público e do país? Nada disso. Nada de nobre, de decente, de profissional. Mero e rasquíssimo ódio, é o que é.

    Se Cavaco tivesse seguido o conselho do IRRITADO já não era Presidente desde o dia em que indigitou o Costa, isto é, se, em simultâneo com tal indigitação, tivesse renunciado ao cargo. Teria saído por cima e já não tinha que ouvir as carroceiradas do Novais, os insultos ordinários da Catarina nem as tiradas trogloditas do Jerónimo. Não foi assim, para seu mal.

    Agora, o nosso mal é ter de continuar a ouvir essa gente, ora sentada, como quem não quer a coisa, nas cadeiras do poder.

     

    27.1.16

  • PRESIDENCIAL RESCALDO

    O PINCHAVELHO

    Marcelo lá foi eleito. Do mal o menos. Por cá, o PR é sempre um mal, um cargo universalmente eleito que anda à procura de poder e que, como tem pouco, abusa desse pouco. Exemplos não faltam. O “irrepreensível” Eanes andou para aí a formar governos e, quando perdeu tal poder, aproveitou Belém para criar um partido. O politicão Soares dedicou-se a atacar, desmerecer, perseguir o executivo. O ultra jacobino Sampaio usou o lugar para pôr, via golpe de Estado, os seus (o Sócrates!) no poder, isto quando lhe deu na realíssima gana, sem razão de peso outra que não fosse a oportunidade. Em suma, os Presidentes “de todos os portugueses” estiveram sempre ao serviço de si mesmos ou da sua facção. À excepção de Cavaco que, por institucionalismo a mais, aturou, durante anos e anos, mais do que a força humana deveria permitir, as trafulhices, as màcriações e as deslealdades do Pinto de Sousa – mas não levou a institucional honra até ao fim, isto é, não renunciou ao cargo quando se viu coagido a premiar a desonestidade do Costa.

    A Presidência da República, no nosso triste sistema, não passa de um incómodo pinchavelho. Gostava que houvesse um candidato que, jurando cumprir a Constituição que existe, tivesse a coragem, o amor à Pátria, a ombridade, a delicadeza de se propor explicar às pessoas que é preciso mudá-la, ou patrir para outra.

    Tal não existe. Para o fundamental não se pode contar com Marcelo.

    Eu sei que, entre gente mais ou menos primitiva como é a nossa, a imagem de um “chefe dos chefes” pode ser querida. Então, que se desse poderes políticos, e responsabilidades outras ao Presidente. Como não é carne nem peixe, fica reduzido, ou promovido, à condição de pinchavelho.

     

    O GROSSO

    Nos concertos pop/rock é hábito deixar para o fim a banda mais famosa, ou mais importante. Na política, até em países menos civilizados, também é assim. Por óbvias questões hierárquicas, por meras questões de respeito, por evidências várias que não vale a pena explicar.

    Apesar de tudo, assim se comportaram, ontem à noite, os candidatos mais importantes como os mais cómicos, os chefes partidários da esquerda e da direita. Todos? Não. O execrável chefe do chamado governo esperou que o novo Presidente se pronunciasse para vir dizer a última palavra.

    Mais uma grosseria do pior de todos os grossos. Haverá por aí algum jornalista, algum comentador, algum político que dê por isso? Ou já têm todos a ditadura na alma?

     

    PASSIONÁRIA, QUASIMODO e TIRIRICA LUSITANOS

     

    – Estrabicamente, a menina Mortágua, falha de palavreado, recorreu ao preâmbulo da Constituição. Falhos que são todos os caminhos para ainda mais socialismo, do duro, do real, do já experimentado em tantas e tão desgraçadas partes, a criatura recorreu ao “caminho para uma sociedade socialista” que tal preâmbulo, mercê da incompetência política de gerações, ainda postula. Vade retro!

    – O tenebroso Pureza resolveu a equação eleitoral. A primeira coisa que disse, mesmo antes dos resultados, foi que a culpa, supõe-se que de tudo e mais alguma coisa, é de… Cavaco!

    – O nosso simpático palerma disse umas graças, fez troça disto, divertiu-se, e sacou uma data de votos. Bem haja.

     

    LÉXICO

    Dizem as regras da gramática que, ao referir o colectivo, se usa só um género. Pai e Mãe designam-se por “pais”, no masculino. Avô e Avó por “avós”, no feminino. Uma récua é sempre de porcos, mesmo que lá haja muitas porcas. No caso do gado ovelhum, o rebanho é de ovelhas, apesar dos carneiros, o mesmo se passando com as cabras. E não passa pela cabeça de ninguém chamar a um bando de pássaros bando de pássaras.

    São regras, talvez mais consuetudinárias que gramaticais. Mas são regras. Ou eram. Ontem à noite não sei quantas dezenas de vezes ouvi dizer, à boa maneira balsemónica, “portugueses e portuguesas”, “todas e todos”, como se ao dizer portugueses se não estivesse a falar deles e delas, ou, ao dizer todos, se não referisse também a todas. No fundo, é a importação da “cultura” da dona Dilma, da Dona Pilar e de outras estrangeiras que andam para aí a intitular-se “presidentas”. Por outras palavras, é a grosseria a institucionalizar-se, ou a ignorância político-gramatical a impor-se.

     

    UMA BOA NOTÍCIA

    Disse o senhor da Nóvoa, perante delirantes aplausos, que “esta experiência chegou ao fim”. A acreditar, literalmente, em tal declaração, é a melhor das notícias do dia. A não ser que alguma “vaga de fundo” venha a exigir ao dito esquerdoido que regresse, para nos dividir ainda mais, cortando todas as “pontes” entre a loucura e o bom senso.

     

    25.1.16

  • NOS BRAÇOS DA BRUXARIA

    Acabo de ouvir aquele rapaz meio estarola que, dizem, é ministro das finanças do chamado governo. Declarou ele que, no glorioso ano de 2016 e por sua mágica obra, “a despesa  vai aumentar e o défice baixar”. Assim como quem diz que vai demonstrar que dois e dois são cinco.

    E mais: diz ele que a economia vai crescer não sei quantos por cento, mais do que afirmam o FMI, a CE, o BdP, o BCE e a dona Teodora Cardoso. Tudo malta, é de calcular, de menos valia se comparada com este jóvem bruxo, no pensamento do próprio.

    O IRRITADO, sempre atento a milagres e a truques, saúda efusivamente a bruxaria em vigor. 

     

    22.1.16

     

  • DA REALEZA REPUBLICANA

    Já lá vão muitos anos, o ido grande republicano e alto maçon Raul Rego, quando quis tecer o que achava ser o maior elogio possível ao seu camarada Mário Soares, saíu-se com esta: Mário Soares parece um Rei!

    Hoje mesmo, o camarada (dele) Manuel Alegre, numa das suas tiradas poético-bombásticas, lançou a mais alta loa que conhece ao falecido Almeida Santos: era um príncipe!

    O IRRITADO, velho talassa, ao elogiar um Rei ou um príncipe, jamais dele diria que parece um presidente ou um Almeida Santos. Uma injustiça, meus senhores, um preconceito contra a excelência inata, congénita, irrecusável, dos presidentes das repúblicas e dos Almeida Santos deste mundo.

    Sem dizer – ó heresia! – que Raul Rego foi monárquico, ou que Manuel Alegre o é, não deixa, no entanto, de registar com satisfação o reconhecimento da superioridade da monarquia, tão claramente expressa em claríssimos sinais vindos do mais profundo da alma de dois dos seus confessos inimigos.

     

    20.1.16

  • O CANDIDATO INDEPENDENTE

    O senhor Nóvoa, irritante mas prolixo, é um “independente” de estalo.

    As sondagens dão 4% ao tipo do PC. Onde foram parar os outros 6 a 8% de eleitores fiéis do nacional-bolchevismo? Um dedo que adivinha diz que vão direitinhos para o tal “independente”.

    A dona Marisa também leva uma tunda. Porquê? Porque a esquerda folclórica vai votar Nóvoa, sabe-se lá se por ordem se por inconfesso desejo da dita.

    Quem “enche” as sessões do Nóvoa? O PSC (PS do Costa)? Com certeza. Mas são relativamente poucos. As verdadeiras “massas”, para além dos papalvos, são as enviadas pelo PC, BE, Arménio, etc. Marisa Matias, o despadrado e quejandos não passam de temperos para animar o indigenato. Nóvoa é o homem. O tal que diz que quer “unir” desde que todos sejam esquerdistas como ele. Os outros ficam de fora. Não é o bolchevismo, ou ainda não é o bolchevismo. Ou é o bolchevismo possível nos tempos que correm.

    Ao Costa, para trair o que lhe falta trair, só tinha que deixar cair a dona Maria de Belém. É o que está a fazer, com a competência dos trafulhas.

    Independente de quê, o Nóvoa? Só se for da liberdade que proclama, que é a liberdade dos goulagues e da demagogia cara.

     

    20.1.16

  • NOVAS DO DIA

    O dia começou com notícias que só são novidade para quem é parvo ou anda muito distraído.

    – A “parque Escolar”, obra do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, tem dívidas de 1.000 milhões de euros. As respectivas obras custaram mais 400% do que o previsto;

    – A Comissão Europeia exige um défice nominal de 2,8% e que o défice estrutural baixe 0,5%. O governo não faz ideia de como martelar o orçamento para lá chegar;

    – A mesma Comissão vai espetar com a “solução” do Banif no défice de 2015, passando-o para 4,2%;

    – Garantida está mais uma vitória do Centeno: Portugal não vai sair do procedimento por défice excessivo;

    – Está garantido que Portugal não vai pagar ao FMI como previsto. A dívida, que estava para ser saldada em 3 anos, foi estendida até 2030;

    – Diz o Comerzbank que “Portugal é a nova criança problemática do euro”, depois de ter sido considerado “bom aluno” e arricando ver-se na mesma situação da Grécia.

     

    Isto é só de hoje. Fiquem atentos, que amanhã há mais.

     

    19.1.16

  • LINGUAREJAR

    A espanhola que viveu anos e anos com um português sem aprender uma palavra da nossa língua, que aparece, com honras de princesa, a falar castelhano em tudo o que é sessão “cultural”, que nos despreza e ofende com a sua presença como imperatriz da Casa dos Bicos, optou, não sei se com direito a tal (se calhar já é “portuguesa”, mesmo fazendo gala em não falar a nossa língua…) apareceu hoje a comunicar aos indígenas o seu apoio à candidatura do senhor Nóvoa (quem havia de ser?). Atafulhada de argumentos “culturais” que nem desprezo merecem, a dita indivídua escreve na qualidade de presidenta da Fundação José Saramago.

    Só por isso, estas linhas. Seguindo os passos dessoutro pilar da “cultura” lusófona – a brasileira dona Gilda – também esta vem assassinar o português intitulando-se presidenta. Eu sei que escreve num jornal adepto do acordo ortográfico (o DN). Mas nem essa desculpa merece, que a tal ponto o jornal não chega.

    Para que conste.

     

    19.1.16            

  • APANHADOS NAS CURVAS

    Seguindo os seus próprios conceitos e princípios, lida a Constituição como a lê, que outra solução tinha o Tribunal Constitucional senão a de abolir a abolição dos subsídios vitalícios dos titulares de cargos políticos?

    Quando se tratava de tentar salvar o país do imbróglio financeiro em que estava metido, não chumbou o TC uma data de coisas, coisas que tiravam, a prazo, pequenas percentagens das prestações públicas aos reformados e funcionários? Eram “direitos adquiridos”, não é? Intocáveis, não é? Então porque alma de quem haviam de aprovar cortes de cem por cento a pessoas que tinham organizado a sua vida em função de outras prestações, tão legais, tão “direitos adquirdos” como as demais? É evidente que tal corte é (era) inconstitucional à luz de inúmeros critérios. Não havia volta a dar.

    Uma coisa é considerar que a instituição de tais subsídios foi coisa mal concebida: essa, para quem dela não gosta, foi muito bem abolida, para futuro. Outra é aplicar tal abolição com efeito retroactivo. O que estava, estava. Era constitucional, legal, intocável.

    Se o TC aplicasse, no caso, critério diferente do adoptado na sua própria jurisprudência, seria um escândalo. Por outras palavras, os meritíssimos foram apanhados nas curvas de que tanto gostam.

    É claro que a nacional raiva vai dar urros. Mas, que diabo, às vezes não é mau que a raiva leve no coco.

     

    19.1.16

  • ESCLARECIMENTO

    No seguimento das inúmeras dúvidas que, por diversas vias e formas, têm chegado à nossa redacção, esclarecemos que o governo em funções é assim constituído:

     

    Coordenação Política, Presidência e Controle – Catarina Martins

    Primeiro-Ministro – Arménio Carlos

    Vice Primeiro-Ministro – Jerónimo de Sousa

    Educação – Mário Nogueira

    Trabalho – Manuel Carvalho da Silva

    Saúde – Eduardo Barroso

    Negócios Estrangeiros – Arnaldo Matos

    Defesa – Melo Gomes

    Cultura – Fernando Rosas

    Agricultura – José Pacheco Pereira

    Corporações – Domingos Abrantes

    Finanças – Mariana Mortágua

    Costumes – Isabel Moreira

    Propaganda – João Galamba (em representação do chamado governo, que mantém a sua actual composição).

    A pasta da Economia fica, até nova ordem, entregue ao seu titular no chamado governo.

     

    Tendo assim contribuído para uma informação isenta, independente e exacta, a redacção desta casa deseja as maiores felicidades aos ilustres titulares de tão altos cargos da Organização Política e Administrativa da Nação.

     

    17.1.16

  • NOVAS DO IMPÉRIO

    Segundo o Diário da República, II série, de 12.1.16, o mui ilustre ministro da cultura do chamado governo, o celebrado frequentador de aviões de carreira dr. João Soares (nome que muito nos diz), em boa hora e a bem da Nação rodeou-se de personalidades para poder, com inegável competência, levar por diante a ingente obra cultural que a Pátria bem merece, desde já se impondo à esperançosa e grata admiração de todos nós.

    Assim, terá a seu lado:

    – 1 Chefe de gabinete;

    – 3 Adjuntos;

    – 3 Secretárias pessoais;

    – 3 Motoristas;

    – 4 Técnicos administrativos;

    – 2 Técnicos especialistas;

    – 1 Auxiliar.

    17 nobres cidadãos que, sem sombra de dúvida, darão ao chamado governo, na área da cultura, o resplandecente brilho que tão alto ministro bem merece.

    O IRRITADO não tem procuração para falar em nome da Pátria, mas atreve-se a recomendar, por ela, a nomeação de mais uns vinte ou trinta, a fim de exponenciar, se possível ainda mais, os altíssimos serviços que ficará a dever a João Soares, nóvel imperador da cultura nacional.

     

    15.1.16

  • QUANTO CUSTA?

    Perante as ameaças da dona Avoila (raio de nome), o camarada Centeno, ministro das finanças do chamado governo, anda à nora. Confessa não fazer a menor ideia de quanto vai custar a semana de 35 horas da função pública.

    Estendo ao tal Centeno a minha compreensão. É que, diz ele, o programa do chamado governo dizia que “a referência às 35 horas é muito clara”. Tão clara como isto: “não deverá implicar um aumento global dos custos com pessoal”. Perante tal clareza, o Centeno – conhecido pelas diversas quadraturas do círculo em que é especilista – deve sentir-se ultrapassado. Como é que vai resolver tanta clareza? Deixou-nos uma dica, que muito alivia quem se preocupa com estas matérias: o custo da redução do horário de trabalho “terá que ser nulo no conjunto da Administração Pública”. É que, se a Avoila manda, para já, passa a haver almoços grátis. A conta virá mais tarde.

    Parece que (números finais) a passagem às 40 horas poupou ao Estado mais de 150 milhões. Deve ser por aqui que o Centeno vai começar a “raciocinar”. A conta deste almoço das 35 horas, quando chegar, vai ser bem mais cara que isto. Não há problema: se o Centeno, a braços com centenas (de milhões) for falar com o Costa, ele explicar-lhe-á que isto de números é relativo e que, ao nível do Estado, 200 milhões é peanuts: como tal, confundem-se facilmente com o “nulo” que o PS prometeu. E o problema fica resolvido.

    Contas são contas, que diabo!

     

    14.1.16

  • MENTIROSAS PATACOADAS

    Uma senhora, Paula Sá de seu nome, certamente preocupadíssima com a “democracia”, o “igualitarismo” e outras martingalas em voga, conta-nos hoje no DN uma história exemplar. A saber: uma vez, o açoreano então Presidente da AR, foi ao Canadá visitar as comunidades portuguesas lá residentes. Quando chegou ao aeroporto, não havia sala VIP, sequer uma fila especial para passagem rápida de altas figuras de um Estado amigo. Dona Paula Sá acha isto um notável avanço civilizacional, uma demonstração do caminho que este rincão de humanidade representa, enfim, uma série de disparates que caem bem em cabeças pouco dotadas pela Natureza.

    Acontece que o autor destas linhas terá ido umas cinco ou seis vezes ao Canadá. E jura que, pelo menos nos aeroportos internacionais, este país está devidamente equipado com bancas da polícia de passaportes exclusivas para diplomatas e quejandos. Várias vezes tem dado consigo cheio de inveja de tais privilegiados.

    Quer dizer, ou a dona Paula Sá está a mentir, ou escreve sobre o que não sabe, ou não se passou nada de parecido com o que ela conta, ou é parva. Não cabe na cabeça de ninguém que o contínuo do consulado do Burkina Fasso tenha tratamento que ao presidente do Parlamento português é negado, não é?

    Mas é destas bocas que há quem se alimente.

     

    14.1.16

  • MAMADA DEMOCRÁTICA

    Uma espanhola qualquer, claro que do “Podemos”, resolveu utilizar um filho, ou filha, de seis meses, para uma tirada exibicionista nas Cortes espanholas. Senta-se no seu parlamentar “escaño”, saca de uma mama – presume-se que da esquerda – e põe-se a dar de mamar à pobre criatura, assim vilmente usada para que a respectiva mamã aparecesse mais que os outros na televisão. Crime? Acho que sim.

    Se acrescentarmos que tão rasca criatura era candidada à presidência da Câmara dos Deputados teremos uma noção do estado a que o Estado espanhol chegou. Por cá, não andamos longe disso.

     

    14.1.16

  • CAMARADAGEM INTELIGENTE

    O General Eanes, grande apoiante da esquerdoidice radical representada pelo Nóvoa, resolveu, em venenosa afirmação, compará-lo a Cavaco. Parece que o visado Nóvoa não gostou. Nesse sentido, o IRRITADO elogia a opinião do General.

    Isto de ser pau para toda a obra (apoiar Cavaco e Nóvoa ao mesmo tempo) é coisa que já não lembrava a ninguém, pelo menos depois do doutor João Lobo Antunes ter sido mandatário de Jorge Sampaio e, logo a seguir, mandatário de Cavaco.

    No que ao outro termo do elogio, o visado Cavaco, diz respeito, o IRRITADO acha que Eanes lhe deve as mais humildes e sentidas desculpas.

     

    14.1.16

  • CARTA A MARCELO

    Caro Marcelo

    Toda a gente sabe que v.tem uma cabeça privilegiada, que, enquanto escreve uma lição, é capaz de falar ao mesmo tempo por dois telefones e de conversar com quem está à sua frente, a todos respondendo com lógica sem perder o fio ao que escreve, que sabe largas coisas de direito, que fez vida de comentador com invejável independência, que foi um líder político responsável, que tem uma experiência política inigualável, que, não contando com o Ronaldo, é a pessoa mais conhecida do país, que tem simpatias a rodos, que vai à frente nas sondagens, que até é capaz de ganhar à primeira volta, etc.

    Capaz? Capaz, é. Mas não anda a fazer por isso. Parece que ainda não percebeu, ou tresleu, certos sinais. Ou que anda a ignorar o que está à vista de todos. À vista de todos está que, ou v. ganha, ou ganha um esquerdíssimo e oco parlapatão, que se aliará (ou está desde sempre aliado) ao PC, ao BE, à esquerda caviar, à brigada do reumático, ao Vasco Lourenço e ao nacional-coveirismo em geral. É simples. Ou você ou o outro.

    Parece que v. tem tudo para ganhar, e à primeira volta. Tem os votos da coligação garantidos, mais os das centenas de milhar ou do milhão de eleitores que foram enganados pelo Costa ao usar os seus votos de pernas para o ar. É a esse eleitorado que tem que se dirigir. Mas não o tem feito. Talvez ansioso por mostrar independência (quem tem ideias não é independente, pelo menos delas), anda para aí a fazer promessas de “estabilidade” e rapa-pés ao Costa & Cª. Não é aí que pode ir buscar votos. É aí que os perde. Pode ter a certeza de que está a desmobilizar muitos dos seus naturais eleitores, empurrando-os para a abstenção ou para votar inutilmente naquele empresário do PS que, ao contrário dos demais, até diz umas coisas com pés e cabeça. Tais votos são votos na segunda volta, e em mais nada nem ninguém.

    Se quiser fazer o pleno dos votos possíveis tem que mudar de discurso. Ainda vai a tempo.

    Como sabe, para mim, esta coisa das presidenciais é inútil e contraproducente. Mas, já que as temos (v. foi um dos seus inventores…), que limitemos o mais possível os males que dela advêm.

    V. é, ou será, a solução possível, ou a menos pior. Não a despreze. Não nos despreze.

     

    António Borges de Carvalho

     

    13.1.16

  • CLARINHO CLARINHO

    O jovem barbudo que, consta, é ministro de educação do chamado governo, veio à TV explicar a razão da abolição dos exames, ora conhecidos por designações mais ou menos esotéricas, que pouco ou nada dizem ao cidadão comum. Já se sabia que não valiam mais que trinta por cento da performance anual do aluno, isto é, que ficavam, a 60%, sob a alçada do altíssimo critério dos respectivos professores, e que uma avaliação independente estava fora de causa.

    Mas o jovem barbudo mudou tudo, continuando o hermetismo que, há uma carga de anos, impera nestas matérias e voga ao sabor das montanhas de “estudos” que pululam as privilegiadas mentes dos nossos “educadores”.

    Desta vez, o jovem barbudo foi mais claro que a maioria dos seus predecessores. Disse ele que tinha mudado (a meio do ano!) o que vinha a ser feito há 4 anos. Lida a coisa como deve ser, ficou tudo clarinho clarinho: as coisas mudam porque foram feitas pelo governo anterior. É a “razão de Estado” do chamado governo: o que estava feito é para desfazer, mesmo que, em anteriores legislaturas, o partido do chamado governo estivesse de acordo. Assim com o ensino, como assim em tudo.

    O xarroco dos professores aplaude.

    Da minha parte, obrigado senhor chamado ministro. Fiquei (mais) esclarecido.

     

    12.1.16

  • MEIN KAMPF

    Há países em que o negacionismo é um crime público, pesadamente punido por lei. Dir-se-á que é uma limitação à liberdade de expressão. Não sei que diga. Por um lado, tal limitação é isso mesmo. Por outro…

    Se eu achar que o Vasco da Gama nunca foi à Índia sou capaz de estar no direito de o pensar, e até de o dizer, não sou? Se eu disser que o Hitler nunca fez mal aos judeus, que até os tratava com todos os carinhos, sou criminoso? Em ambos os casos, o que eu sou é uma besta. Mas, no segundo, a bestilidade corresponde, objectivamente, a uma propaganda da mais repugnante violência. Neste sentido, não haverá dúvida quanto à natureza criminal das minhas opiniões. Julgue quem quiser.

    Os astrólogos não ganham a vida a dizer coisas? Que vai haver uma guerra porque o Obama é do signo dos gémeos e que estes, em conjugação com o Mercúrio no canal três do zodíaco, garantem uma conflagração global? Ou que a dona Mariquinhas vai pôr os paus ao marido por causa do cruzamento da elíptica com o equador do Neptuno? Ninguém os manda prender?

    O Costa e o Centeno não andam a dizer que a economia vai recuperar, não via investimento mas via consumo? Andam.

    Não há 9 candidatos a PR (quase diria 9,5) a dizer, ou insinuar, que a austeridade é, ou foi, uma manifestação de sadismo “neoliberal” de Passos Coelho? Há.

    Não vicejam na televisão adeptos do Kim coreano e do Maduro venezuelano?

    No meio disto tudo parece que ainda há quem se espante, ou indigne, com a publicação do Mein Kampf que, no meio de uma propaganda dos diabos, aí vem. É de estranhar, não é?

     

    12.1.16

  • UM FUTURO PROMISSOR

     

    Deu-me, neste momento, para pensar em trabalhadores, não no sentido que as pessoas normais dão à palavra (pessoas que trabalham), mas em sentido “real”, isto é, socialista radical, herdado dos tempos em que havia “proletariado”, ou equivalente.

    Esta versão do conceito serviu para justificar revoluções diversas. Os “trabalhadores” foram a base sociológica e a tropa de choque do bolchevismo soviético, do comunismo chinês, do castrismo cubano, como o foram do nazismo e do fascismo. Todas as grandes – as mais sangrentas – ditaduras do século XX se serviram da chamada “classe trabalhadora” para sustentar ou justificar o poder brutal e absoluto de outras classes. Arbeit macht frei, ditadura do proletariado, bravi lavoratori…

    Outra constante dos regimes extremistas do século XX foi o nacionalismo, concebida a “Nação” como algo que se define pela exclusão de quem à Nação não pertence e que é, sem excepção, um inimigo potencial. O próprio “internacionalismo proletário” nada tinha a ver com cooperação internacional, mas com somatórios de “lutas” do mesmo sentido e orientação contra a “democracia burguesa”, lutas todas elas “nacionais”.

    Tudo isto morreu, as guerras que isto provocou acabaram, julgar-se-ia que para sempre.

    Chegada a crise económica e financeira do mundo ocidental, com as suas inevitáveis consequências sociais e políticas, eis que o mesmo tipo de apelos começa a ter eco nas chamadas “massas”. Surgem regimes “fortes” à direita (Hungria e Polónia), partidos ultra-nacionalistas como o Front National em França, partidos como o Podemos, o Syriza e o Bloco de Esquerda, surgem os “tempos novos” como o de Costa e de Nóvoa, desta feita por puro oportunismo e desonestidade política.

    Tudo gente apetrechada com os mais miríficos remédios para a “austeridade”, umas vezes contra a “esquerda” outras contra a “direita”, consoante as oportunidades ou os poderes em vigor. Em Portugal, não esqueçam, acresce a presença, agora dominante, do mais retrógrado partido comunista do mundo, ainda por cima com profunda penetração num sindicalismo ainda mais troglodita que ele.

    Comum a todos, à esquerda e à direita, a “recuperação da soberania nacional”, um isolacionismo feroz, a recusa da democracia como é conhecida, o alegado amor a “direitos” ou ao que como tal defendem, sem, minimamente, cuidar do que os poderia pagar.

    As estruturas supra-nacionais em vigor na Europa sofrem de défice democrático por não ter sido criado um universo político europeu que as sustente e legitime mais profundamente. É evidente que, dada a profundidade da crise europeia, que vai muito para além das questões financeiras, bancárias, ou até institucionais, os poderes europeus não conseguem, nem se sabe se algum dia conseguirão, encontrar remédio para os males que os afectam. Daí a ressurreição dos isolacionismos, dos nacionalismos, dos socialismos nefelibatas, personificados em estranhas figuras, tais Tsipras, Marine, Martins, Costa e quejandos, o que tem catastróficos resultados, já à vista (Grécia, por exemplo), ou os terá a curto/médio prazo (Portugal, por exemplo). Um dia, sabe Deus quando, alguém reporá as coisas no são. resta saber como, quando e após quanto sofrimento.

     

    11.1.16