IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


HORRORES

Julgava que nada podia haver de pior para o serão (dos portugueses que não vêem telenovelas) que a multidão de futebulóides cretinos que o preenchem sete dias por semana em todos os canais do cabo. Um mísero atentado à inteligência, à paciência, ao bem estar de cada um. Uma interminável caterva de inanidades, de parvoíces, de “análises” aos pontapés dos craques, de bocas de teinadores, de patrões da bola, um nunca acabar de pintosdacosta, de filipesvieira, de brunoscarvalhos e de uma inumerável quantidade de chatos, de intriguistas, de pantomineiros, a infernizar a vida do triste cidadão. Uma chatice sem limites.

(Declaração de interesses: o IRRITADO até gosta de, de quando em vez, ir ver um jogo de futebol, ou de passar hora e meia a vê-los bem sentado e acompanhado, cá em casa.)

Diziam os antigos “quando mal, nunca pior”. Não tinham razão, pelo menos neste caso. Há pior. Muito pior. A saber: os debates presidencias.

Democracia à portuguesa, a quanto obrigas! Quem havia de dizer que íamos passar noites e noites a ouvir 10 (dez!) fulanos a querer valorizar-se com tretas e cantigas, a “preencher” com palermices a função a que se candidatam com competências estrambólicas, mirabolantes, a meter os dedos pelos olhos dentro de cada um como se candidatassem ao exercício de poderes que nunca terão, a uma utilidade inútil, a uma influência que não é outra senão a das invenções que cada um fabrica a ver se dá a volta ao que toda a gente sabe. O que toda a gente sabe é que vamos eleger um PR sem poder político, sem poder executivo, sem poder nenhum que não seja o de chatear. E eles a fazer esquecer, mais uma vez, que um Presidente como o desta ignara Constituição jamais devia ser eleito por sufrágio universal, que o sufrágio universal, neste caso, é fazer troça dos eleitores. Os Presidentes dos países civilizados, ou são chefes políticos, ou não são eleitos desta forma!

Teremos que ouvir, noites e noites a fio, gente do calibre dessa ignorante proto-salazarista do BE, desse horripilante burgesso do PC, do hiperesquerdista Nóvoa ora convertido em “independente”, mais as análises do comentador-mor cá do sítio, mais a tremebunda praeter bondade da Maria, mais as ilusões do empresário, mais as inanidades moralistas do tipo da corrupção, mais os roncos do batráquio, mais, mais mais?

A solução é deixar o aparelho desligado até isto acabar e, no dia D, estar de fim de semana bem longe das urnas. Como querem que, perante o que vê e ouve, o eleitor se não abstenha?

Uma coisa tem de bom esta campanha: só dura duas semanas. Ficarão os luminares da bola outra vez, para consolo dos néscios.

 

4.1.16 



14 respostas a “HORRORES”

  1. Tem razão quanto à campanha, mas esta tem outro mérito, o maior: dá visibilidade às denúncias do Morais.Ontem, por exemplo, constatou que todos os bens dos Espírito Santo já deviam estar confiscados – até já deviam constar do OE 2016. E repisou a podridão do Paralamento, as negociatas criminosas, as PPP, etc.Mais ninguém fala disto abertamente. Ninguém fala, e sobretudo ninguém faz. Nem vai fazer. O Irritado diz que o tipo é só garganta. Que seja. Então que propõe? Além de nada fazer, nada dizer? Isso é a dupla impunidade: os corruptos têm o proveito sem terem a fama.Falar do problema não o resolve, mas é o primeiro passo para reconhecer que existe. É positivo ouvir verdades, para variar, na TV em horário nobre.

    1. Na minha óptica, em matéria de combate à corrupção, o palavreado do Morais tem resultados perversos. Quando as generalizações são como as dele, quem se safa são os maus.

      1. Pois tenho o prazer de informá-lo que o Pacheco Pereira tem exactamente a mesma opinião. Disse-o anteontem na Quadratura dos Chulos: o Paulo Morais prejudica o combate à corrupção porque põe todos os políticos no mesmo saco, etc.Respondo-lhe o mesmo que responderia ao Pacheco: 1) o Morais põe-os no mesmo saco porque pertencem ao mesmo saco; 2) ao calar as denúncias, só teremos dupla impunidade; 3) esta é só para o Pacheco: a mamar tachos comentadeiros e pulhíticos, é que não a combate de certeza.

    2. Boa Bastos! ouvir casos concretos de corrupçao ewm horario nobre sem censura sabe bem.

  2. Um Ano Novo recheado de tudo o que é bom, muita saúde para si e sua família e inteiramente de acordo consigo, sr. Filipe Bastos.Porém, o sr. Irritado diz que são inanidades as afirmações do candidato «tipo da corrupção».Vejamos: Qualquer manual de finanças públicas de qualquer académico de qualquer nacionalidade afirma que os recursos contidos no orçamento de um povo, de uma nação ou de qualquer entidade soberana, ou seja aquilo que se designa por «orçamento de estado» sejam aplicados em bens públicos. Porquê? Para legitimar eticamente a violência na sua aquisição. Ou pagas ou apanhas!Nas sociedades modernas a essa função do estado acresce também uma função distributiva, isto é, apoiar cidadãos mais carenciados.Como seria vista «a bondade da Maria» se em vez de uma carreirista de alta categoria fosse uma dona de casa com vários filhos que metesse a mão pote dos parcos recursos familiares e desse dinheiro ao vigarista do filho adulto que não trazia dinheiro para o pote e gastava à grande, enquanto os mais pequenos passavam fome e frio.O mal de muita gente é não ligar ao significado das palavras e, de pois não pensa de jeito nem chama as coisas pelos seus nomes.

    1. Obrigado, Sr. Picaroto. Que 2016 traga saúde e sorte para si e para os seus.Quanto ao resto, de acordo: sem legitimidade não há democracia, nem governo, nem Estado. Há apenas uma máfia que se agarra ao poder através de aldrabices, trafulhices, e o voto acéfalo de uma minoria da população.

  3. Bom ano para “os Irritados” em especial o próprio.Nunca me passou pela cabeça que alguma vez durante a minha vida e no meu país fosse possível assistir ao desfile de horrores que estamos a assistir.O que vi ontem nas TV’s a propósito do “debate” na Antena 1, vai ficar nos anais das maiores vergonhas nacionais. Já não bastavam os debates a 2 a fazer com que qualquer “casa dos segredos” parecerem obras primas da BBC.Seja qual seja o novo inquilino de Belém, não vai ser com o meu voto e desconfio que o vai ser com a percentagem mais baixa que alguma vez um PR foi eleito.Tem sido uma fantástica campanha a favor da monarquia. Qualquer Rei das Farturas é mahor que “isto”.

    1. Bom ano para "os Irritados" em especial o próprio.Nunca me passou pela cabeça que alguma vez durante a minha vida e no meu país fosse possível assistir ao desfile de horrores que estamos a assistir.O que vi ontem nas TV's a propósito do "debate" na Antena 1, vai ficar nos anais das maiores vergonhas nacionais. Já não bastavam os debates a 2 a fazer com que qualquer "casa dos segredos" parecerem obras primas da BBC.Seja qual seja o novo inquilino de Belém, não vai ser com o meu voto e desconfio que o vai ser com a percentagem mais baixa que alguma vez um PR foi eleito.Tem sido uma fantástica campanha a favor da monarquia. Qualquer Rei das Farturas é melhor que "isto".

  4. Sugestão do dia:http://grazia-tanta.blogspot.pt/2016/01/os-apoios-fiscais-as-empresas-favorecem.htmlAlguns “highlights”:Salazar deixou escola com a sua manha de sobreavaliar as receitas extraordinárias e subavaliar as ordinárias (basicamente os impostos), para no final dizer que a sua gestão criteriosa tinha permitido prescindir do recurso a receitas extraordinárias. Ficava a pairar a sua aura de mago das finanças num país de semi-analfabetos, desconhecedores do truque.Os seus sucessores usam a mesma esperteza saloia, beneficiando da despolitização e da ligeireza com que os portugueses encaram a gestão da classe dos mandarins. As receitas fiscais são subavaliadas por dois motivos: à partida, para dar à plebe um sinal de moderação da punção fiscal; e no final para se vangloriarem de cobranças muito superiores ao previsto, em nome da “eficiência” dos serviços tributários. A dívida e a austeridade, que, no discurso oficial, dela deriva, inserem-se numa política global de desvalorização interna, de quebra nos salários reais, no valor da propriedade e nos direitos; nas hierarquias traçadas pelo capitalismo, conduzido pelos seus elementos dominantes – sistema financeiro, transnacionais e capital mafioso – e que vão reduzindo o poder dos Estados, instrumentalizando as respectivas classes políticas.Num país pobre e periférico como Portugal, essa pressão global manifesta-se nas isenções, na fraude e na fuga ao pagamento de impostos [e nas privatizações à força], onde os chamados empresários [leia-se: MAMÕES], em conivência com a classe política, têm um registo histórico de rapina. O conjunto de benefícios, dívidas, prescrições e subvenções representa 25.6% do PIB. Os apoios ao sistema financeiro correspondem a 6.8% do PIB.Fica assim destruída a ideia de um “Estado social”, estando em seu lugar uma hidra predatória da multidão que se distrai com o chilreio das aves canoras de S. Bento ou dos grilos falantes que catequizam a plebe na TV. Verifica-se (…) o carácter do Estado capitalista, defensor e organizador dos interesses capitalistas, o que, aliás, justifica historicamente a sua existência. Estranho é haver gente que se diz de “esquerda” que acredita na transformação do Estado como ente de bem, numa lógica moralista, a partir da sua ocupação por gente “séria”. Aqueles que referem “o Estado somos todos nós” ou são capitalistas e afirmam a mais meridiana realidade, ou não percebem o que é o Estado ou o capitalismo!Não admira, pois, que alguma dessa gente de “esquerda” se disponha a votar em Marcelo para presidente, prolongando a presença do homem durante dezenas de anos no écran, a deslumbrar a plebe com as suas capacidades de leitor de contracapas de livros. O recente caso da Grécia é sintomático dessa fraseologia enganadora que se contenta com a mudança da cor das paredes do aparelho de Estado, protagonizada por uma nova equipa de pintores… desde que de “esquerda”.

  5. E como falamos de horrores…BANCOS AUMENTAM PREÇOS DOS CARTÕES MULTIBANCOAs anuidades pagas pelos cartões de débito usados pelos clientes bancários vão aumentar em 2016. A Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco já subiram os preços em 20% [VINTE POR CENTO].A Banca atira desta forma para os clientes os custos [= a redução de lucros] dos cartões de pagamento automático, após a Comissão Europeia ter baixado as taxas cobradas aos comerciantes.—————————–Os bancos cobram outras comissões, como a “gestão de conta”. Estas não resultam da prestação de um serviço: são cobradas automaticamente em função do saldo médio dos clientes. Quem mais paga é quem menos dinheiro tem na conta.A Deco apresentou uma petição, assinada por 90.000 pessoas, para proibir estas comissões. Foi ignorada.O PCP apresentou um projecto de lei, em Outubro 2014, com o mesmo fim. Foi chumbado pela maioria PSD/CDS.—————————–BANCOS ALEGAM QUE TÊM DE AUMENTAR COMISSÕES PARA GERAR LUCROSAlém dos aumentos nos cartões, entre 2008 e 2013 as comissões bancárias de “manutenção de conta” aumentaram cerca de 9 Euros, o que representa um aumento de 23%.A Associação Portuguesa de Bancos justifica que «as entidades bancárias precisam de gerar proveitos numa altura de crise financeira».Diz ainda Catarina Cardoso, porta-voz da Banca: «Num contexto de pressão sobre a margem financeira, por via das condições económicas adversas, é normal que se possa assistir a um aumento de comissões».—————————–HÁ 5 ANOS QUE OS BANCOS NÃO TINHAM TANTOS LUCROSOs maiores bancos nacionais tiveram um lucro conjunto de 467,6 milhões de Euros nos primeiros seis meses de 2015. Desde 2010 que não conseguiam resultados tão bons.Para este incremento nos lucros, contribuíram os «maiores ganhos em operações financeiras», «uma melhoria da margem financeira» e «um maior contributo da actividade internacional», avança o Económico.—————————–Se alguém vir alguma solução além de paulada, ou de uma boa espingarda, daquelas com mira telescópica, por favor indique.

    1. Tudo errado. Quando se diz “os bancos”, devia dizer-se “todos os bancos”, e depois fazer as contas aos lucros, e ver onde vamos parar.Os bancos vendem dinheiro. Se, com as taxas de juro e as debilidades económicas actuais, não ganham dinheiro, ou o vão buscar com outros critérios, ou vão para o buraco. Até o amigo banana percebe isto.Não quer dizer que goste disto. Pelo contrário. Mas…

      1. A sua cegueira ideológica às vezes roça a má-fé. Diz-se “os bancos” no plural, porque agem assim, em cartel. Também não diz “os professores” ou “os magistrados”?A notícia dos lucros especifica claramente “os maiores bancos nacionais”, nem são todos. Os bancos não se limitam a vender dinheiro – os bancos CRIAM dinheiro! DO AR. Enquanto nem isto perceber, ou tentar perceber, não vale a pena discutir consigo.

        1. Não sei qual de nós será o mais cego. Quando digo “os bancos”, é para o lembrar o que vai por aí de desgraça. V. aponta baterias aos “maiores”. E, se calhar, acha que os lucros apresentados são uma maravilha! Na minha óptica “ideológica”, são peanuts. O que faz criar dinheiro a partir do nada é a generalizada fraqueza económica em que se vive. Como é preciso sustentar despesas não havendo produção que as sustente, ou se cria dinheiro ou acaba a “distribuição”, a “igualdade”, as prestações, etc., que um passado produtivo justificou e pagou, mas que o presente não aguenta. Quando se é simplista, basta arranjar uns bodes expiatórios e ficar à espera da revolução. Bonito.

          1. Irritado, sei que passou uma vida a acreditar neste sistema, e que lhe custa questioná-lo. Porém, nem é uma questão ideológica – é muito prática. E não é de agora, nem é da crise, nem é só europeia.Talvez pense que “criar dinheiro do ar” é um eufemismo, ou teoria da conspiração. Citando Sir Mervyn King, ex-Governador do Banco de Inglaterra: «Quando os bancos concedem empréstimos aos seus clientes, CRIAM ESSE DINHEIRO ao creditar-lhes as contas».Martin Wolf, membro da Independent Commission on Banking, ao Financial Times: «A essência do sistema monetário contemporâneo é a criação do dinheiro a partir do nada, através dos empréstimos, frequentemente pouco ajuizados, dos bancos privados».Tudo isto, cada cêntimo disto, é nova dívida. E isto antes dos “mercados” e outros mamões, que depois multiplicam isto várias vezes. Estima-se que 97% do dinheiro não seja real.O custo dos direitos sociais, a deslocalização das indústrias, a tecnologia que acaba com os empregos, a explosão demográfica, a imigração, tudo isso são questões ADICIONAIS, entende?O problema de fundo é o sistema em si, e os mamões que o alimentam. Em todo o lado.

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