Há Presidentes com cara. O francês, o dos EUA, até a dona Dilma, eleitos por sufrágio universal. Não se declaram independentes, não abandonam a respectiva espinha para armar em suprapartidários. Não são presidentes de ninguém. São-no das suas repúblicas, países, federações. Tem poder político. Chefiam executivos.
Outros há (a maior parte) no nosso mundo, Itália, Alemanha… eleitos pelos parlamentos nacionais. Não têm poder político. E são, como os anteriores, presidentes das suas repúblicas, países, federações. Também não são presidentes de mais nada, quer dizer, de ninguém.
Por cá, todos os senhores que têm andado por Belém se declaram “presidente de todos os portugueses”. Todos se declaram amantes da constitucional coisa, mas começam por não a aplicar a si próprios. A coisa não lhes chama presidente dos portugueses, nem de Portugal, nem de outra coisa que não seja a República, que não se confunde com as pessoas ou com a Nação (que constitucionalmente não existe).
Os actuais candidatos afinam pelo mesmo diapasão. Se descontarmos os candidatos comunistas (o coreano e a greco-tsíprica), todos os que têm hipóteses fazem os possíveis por esconder a cara.
Nesta matéria, o campeão é o Nóvoa. Um “independente” de estalo: entronizado na política nacional por uma parte do PS, pelo BE, pelo Vasco Lourenço e pela cáfila adjacente, adoptou toda a cartilha anti-eiropeia, anti-austeridade, anti-direita, anti-centro, aparece rodeado de gente tão “independente” como a castelhana do Saramago, o camarada Soares, o estrambólico Eanes (tão “independente” que até fez um partido à custa de Belém), o golpista Sampaio, o ubíquo de esquerda Eduardo Lourenço, a miadora dos Madre Deus, os living dead do MFA e todo o exército da esquerda caviar, vem, ó espanto, declarar-se independente, fazedor de pontes (talvez pontes entre o PC e o BE), querer ser presidente “de todos”! É coisa que utrapassa, em lata, a mais desonesta d as imaginações.
Parece, helas!, que Marcelo vai por caminho parecido. Que necessidade terá ele de andar a fazer rapa-pés à esquerda, quando é, de longe, o mais transversal de todos os candidatos e não precisa de se esconder atrás de coisa nenhuma?
No fundo, como tantas vezes tenho dito e escrito, tudo não passa de mais uma originalidade portuguesa. Tão original como o “orgulhosamente sós” do Dr. Salazar. Para o bem e para o mal, este, ao menos, tinha uma estratégia, aliás confessa e comum aos últimos cinco séculos. A actual, e presidencial, originalidade, porém, nada tem de estratégico nem de secular. É só aldrabice, pantomina política, engano dos enganos. Pobres de nós.
7.1.16

Deixe um comentário