IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EMBUSTE

Há Presidentes com cara. O francês, o dos EUA, até a dona Dilma, eleitos por sufrágio universal. Não se declaram independentes, não abandonam a respectiva espinha para armar em suprapartidários. Não são presidentes de ninguém. São-no das suas repúblicas, países, federações. Tem poder político. Chefiam executivos.

Outros há (a maior parte) no nosso mundo, Itália, Alemanha… eleitos pelos parlamentos nacionais. Não têm poder político. E são, como os anteriores, presidentes das suas repúblicas, países, federações. Também não são presidentes de mais nada, quer dizer, de ninguém.

Por cá, todos os senhores que têm andado por Belém se declaram “presidente de todos os portugueses”. Todos se declaram amantes da constitucional coisa, mas começam por não a aplicar a si próprios. A coisa não lhes chama presidente dos portugueses, nem de Portugal, nem de outra coisa que não seja a República, que não se confunde com as pessoas ou com a Nação (que constitucionalmente não existe).

Os actuais candidatos afinam pelo mesmo diapasão. Se descontarmos os candidatos comunistas (o coreano e a greco-tsíprica), todos os que têm hipóteses fazem os possíveis por esconder a cara.

Nesta matéria, o campeão é o Nóvoa. Um “independente” de estalo: entronizado na política nacional por uma parte do PS, pelo BE, pelo Vasco Lourenço e pela cáfila adjacente, adoptou toda a cartilha anti-eiropeia, anti-austeridade, anti-direita, anti-centro, aparece rodeado de gente tão “independente” como a castelhana do Saramago, o camarada Soares, o estrambólico Eanes (tão “independente” que até fez um partido à custa de Belém), o golpista Sampaio, o ubíquo de esquerda Eduardo Lourenço, a miadora dos Madre Deus, os living dead do MFA e todo o exército da esquerda caviar, vem, ó espanto, declarar-se independente, fazedor de pontes (talvez pontes entre o PC e o BE), querer ser presidente “de todos”! É coisa que utrapassa, em lata, a mais desonesta d as imaginações.

Parece, helas!, que Marcelo vai por caminho parecido. Que necessidade terá ele de andar a fazer rapa-pés à esquerda, quando é, de longe, o mais transversal de todos os candidatos e não precisa de se esconder atrás de coisa nenhuma?

No fundo, como tantas vezes tenho dito e escrito, tudo não passa de mais uma originalidade portuguesa. Tão original como o “orgulhosamente sós” do Dr. Salazar. Para o bem e para o mal, este, ao menos, tinha uma estratégia, aliás confessa e comum aos últimos cinco séculos. A actual, e presidencial, originalidade, porém, nada tem de estratégico nem de secular. É só aldrabice, pantomina política, engano dos enganos. Pobres de nós.

 

7.1.16



3 respostas a “EMBUSTE”

  1. Claro, Irritado, claro. O PR devia ser nomeado pelo Paralamento – cujos membros são criteriosamente escolhidos e nomeados pela população, não é? – e, aí sim, tudo seria bonito e legítimo. Em vez disso, é escolhido pela plebe, e faltam-lhe uns poderes e assim.Gravíssimo, Irritado, gravíssimo.Olhe, um tema mais leve, para descontrair. Deu agora nas notícias. Um senhor de cinquenta e tal anos, desenhador projectista, perdeu o emprego há anos. A empresa fechou. Foi para o desemprego, não conseguiu novo trabalho, deixou de poder pagar as contas, ficou com uma dívida ao Fisco.O Fisco penhorou-lhe a casa. Esta foi vendida em hasta pública, e o senhor mais a filha serão despejados amanhã. A dívida dele ao Fisco: cinco mil euros. Dei comigo a pensar como seriam usada a fortuna que ele deve. Em que a gastaria o Estado? Ocorrem-me várias possibilidades. Creio que adivinha algumas delas.E custo a entender, palavra de honra que me custa muitíssimo a entender, como é que aquele homem será amanhã expulso da casa dele, mais a filha dele, e deixa a coisa assim, conformado, resignado, e como é que alguém, talvez do Fisco, talvez do Paralamento, talvez do Banif, talvez do BES, talvez do BPN, talvez do Governo, não sei, de um lado qualquer, não acorda depois de amanhã num hospital ou no fundo de um rio.

    1. Quanto à primeira parte, está a misturar alhos com bugalhos. Mas quem sou eu para criticar que aproveite tudo para repisar as suas teses? Eu também repiso as minhas…Quanto à segunda, não sei que lhe diga. Todos somos vítimas de um fisco formalista, de um sistema totalmente injusto e profundamente errado. A acreditar na versão dos jornais, ou do lesado, sobre o caso de que fala, é inaceitável, bárbaro, o que quiser. Esses casos são a ponta do icebergue que a todos (quando digo todos, incluo incluo a Europa inteira, ricos e pobres) engolirá. É uma questão de tempo, uns vão antes, outros depois. O mundo que herdámos não é sustentável, não há “bruxelas”, nem BCE’s, nem esquerda nem direita que nos salvem. Uma economia que deixou de ser tecnologicamente de ponta e comercialmente competitiva, não pode salvar-se nem sustentar os “direitos” que custam dinheiro. É simples e triste, mas tão para o buraco vão, cá em baixo, os que ficam sem casa como o senhor do seu exemplo, como vão, lá em cima, os bancos. Como vamos todos. Uma questão de tempo. O remédio, se o há, é doloroso demais para que haja quem o aceite.

      1. Quais bugalhos? Segundo o Irritado, no mundo civilizado o PR é: 1) eleito por sufrágio universal e tem mais poderes; ou 2) nomeado pelo Parlamento e tem menos poderes. A originalidade portuguesa é ser eleito por sufrágio universal e ter menos poderes. Certo?Ora, a continuar a ser eleito pela plebe, na sua opinião o PR devia ter poderes adicionais. Certo?E a ser nomeado, o facto é que os membros do Paralamento tuga não são escolhidos pela população. São nomeados arbitrariamente pelos partidos. Logo, o PR teria dupla falta de legitimidade. Ou não?Quanto à independência do PR, continua a confundir “cara” com parcialidade: para si só “tem cara”, ou espinha, quem adopta uma ideologia e a agita ao mundo como uma bandeira. Nem concebe a ideia de isenção.Essa ideologia, esse lado da barricada, torna-se mais que parte da identidade – absorve a identidade. O Zé é de direita. O Manel é do PCP. A Maria é do CDS. Pronto. Sejam presidentes ou limpa-chaminés, é essa a sua cara. Pela lógica do Irritado, as pessoas isentas são bizarras: gente descarada e invertebrada.Quanto à sina europeia, se usarmos as suas palas, que são as mesmas do sistema vigente, dos Burrosos e Junckers e Camerons e Dijsselbloems, sem dúvida: estamos mesmo condenados. Creio que tem meia razão quanto ao remédio: não há mamão que o aceite.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *