Há países em que o negacionismo é um crime público, pesadamente punido por lei. Dir-se-á que é uma limitação à liberdade de expressão. Não sei que diga. Por um lado, tal limitação é isso mesmo. Por outro…
Se eu achar que o Vasco da Gama nunca foi à Índia sou capaz de estar no direito de o pensar, e até de o dizer, não sou? Se eu disser que o Hitler nunca fez mal aos judeus, que até os tratava com todos os carinhos, sou criminoso? Em ambos os casos, o que eu sou é uma besta. Mas, no segundo, a bestilidade corresponde, objectivamente, a uma propaganda da mais repugnante violência. Neste sentido, não haverá dúvida quanto à natureza criminal das minhas opiniões. Julgue quem quiser.
Os astrólogos não ganham a vida a dizer coisas? Que vai haver uma guerra porque o Obama é do signo dos gémeos e que estes, em conjugação com o Mercúrio no canal três do zodíaco, garantem uma conflagração global? Ou que a dona Mariquinhas vai pôr os paus ao marido por causa do cruzamento da elíptica com o equador do Neptuno? Ninguém os manda prender?
O Costa e o Centeno não andam a dizer que a economia vai recuperar, não via investimento mas via consumo? Andam.
Não há 9 candidatos a PR (quase diria 9,5) a dizer, ou insinuar, que a austeridade é, ou foi, uma manifestação de sadismo “neoliberal” de Passos Coelho? Há.
Não vicejam na televisão adeptos do Kim coreano e do Maduro venezuelano?
No meio disto tudo parece que ainda há quem se espante, ou indigne, com a publicação do Mein Kampf que, no meio de uma propaganda dos diabos, aí vem. É de estranhar, não é?
12.1.16

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