IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • É TRISTE

     

    TAMOS UM PRIMEIRO-MINISTRO INTELIGENTE, PRÁTICO, SÉRIO E RESPEITADOR DA PALAVRA.

    Quem disse isto? O Ferro? O César? O Louçã? A Catarina?

    Não!

    Quem isto disse foi um tipo tido por do centro direita, conservador e liberal, gestor de coisas grandes, advogado de bons clientes, comentador soft da televisão, rapaz prendado, nortenho, especialista em cravos e ferraduras. Eslareço: trata-se de António Lobo Xavier, intelectual de serviço nos bastidores do CDS, muito conhecido via “quadratura do círculo”.

    Vidinha a quanto obrigas! Poder quanto vales! O visado Costa passa, com a facilidade das conveniências, de esperto a “inteligente”, de ausente de escrúpulos a “prático”, de manobreiro a “sério”, de trambiqueiro a “respeitador da palavra”.

    Não direi, sobre o tal Xavier, que no melhor pano cai a nódoa, porque não conheço o pano dele. Não direi que do céu caíu um anjo, porque daí só cai quem lá está.

    Direi, simplesmente: é triste.

     

    5.2.18

  • RANKINGS

     

    Andaram os jornais do fim de semana entretidíssimos com o chamado ranking das escolas. Páginas e páginas, gráficos, classificações, critérios, tudo seguido de pareceres, elogios, críticas, um mar de comentários. Tudo bem.

    Ou tudo mal, se virmos a opinião de gente tão grada como o chamado ministro da educação que, logo seguido por uma das manas esquerdoidas, veio a correr dizer de sua justiça. O rapaz revolta-se contra as “lógicas hierarquizantes” do ranking e as suas consequências descriminatórias. Já se sabia que este neocomunista primário era contra tudo o que cheirasse a diferença. Avaliações? Nem pensar: funcionam contra a “igualdade”. Nem avaliar professores, nem alunos nem escolas, nada! Nada de “lógicas competitivas”.

    Sublinha a criatura que o tal ranking  não é obra do ministério. Havia de sê-lo? Claro que não, o ministério não avalia coisa nenhuma, não tem que saber o que corre bem e o que corre mal, não tem que tomar decisões que possam significar que há alunos bons, maus e assim assim. O mesmo no que se refere aos professores e a tudo o mais que cheirar a “diferença”. Se está mal, não se melhora, o ministério não julga não pensa nem avalia: nivela, e se, para nivelar, for preciso nivelar por baixo, nivele-se na mesma: o importante é que todos fiquem “iguais”, nem que fiquem todos igualmente ignorantes ou mal ensinados.

    É clássico. São assim as “massas”, ignaras e destinadas a ser conduzidas pelas “vanguardas esclarecidas”, isto é, pelo partido ou por quem o representar.  

    Os resultados desta filosofia já estão à vista. Não vale a pena sublinhá-los mais uma vez. O que vale a pena sublinhar é que o chamado primeiro ministro ouve as teorias e vê os resultados – destinados a agravar-se brutalmente com o passar do tempo – das políticas do seu governo, e assobia para o ar ao mesmo tempo que se diz democrata, europeu e apostado na “qualidade”.

     

    5.2.18

  • ALTAS PATENTES

     

    Os senhores generais do exército que disseram que o roubo de Tancos foi só de sucata, material a abater, sem importância nenhuma, que se puseram de rastos perante o governo e lhe cohonestaram a propaganda, fazem agora parte dos subscritores de um documento que, preto no branco, diz que estão em risco as missões das forças armadas, vítimas das políticas do governo. Dando crédito à opinião que o IRRITADO já tinha sobre eles, vieram logo a correr declarar que em parte alguma tinham escrito, ou assinado, o que tinham escrito ou assinado, isto é, que estavam em risco as missões das forças armadas.

    É claro que estes distintos militares estão sob as ordens de um palhaço que não só não percebe nada daquilo que diz tutelar, como é perito em asneiras e ridículas patacoadas. Terão essa desculpa. Mas, militarmente falando, há muitas formas de discordar do poder sem se insubordinar. A subserviência é que de militar nada tem.

    E agora, senhor de Belém, que fazer? Já não é “comandante supremo”?

     

    5.2.18

  • DIPLOMACIAS

     

    É conhecido e reconhecido que há, nos serviços diplomáticos, uma tendência, ainda que pouco generalizada, para albergar deficientes sexuais. Normalmente, trata-se de gente discreta e bem educada. Tudo bem, segundo a tradição e, ainda mais, segundo o que é moderno, bem visto e até admirado.

    Posto isto, pergunto: quanto custará , em Bangcoque, alugar um salão de luxo para receber 150 convidados? Seja quanto for, é muita massa. E pergunto mais: servem as instalações das embaixadas de Portugal para dar festas privadas com as quais o Estado nada tem a ver? Não me parece.

    Posto isto, verifica-se que o Exmº Embaixador de Portugal na Tailândia resolveu casar-se com outro deficiente sexual e que sesolveu dar uma luzida festança… na embaixada do país que representa. Verifica-se também que a “cerimónia” e o copo de água foram fotografados, o que é natural, e que a reportagem cobriu duas páginas de um jornal português.

    Aposto que, se se tratasse do casamento de um homem e de uma mulher, não faltariam protestos pela utilização abusiva das instalações. Tratando-se de quem se tratava, ninguém piou, o que prova a sobranceira importância dos portadores deste tipo de deficiência.

    Pior, poderá até pôr-se a questão de saber se o Ministério do trauliteiro S. Silva autorizou a coisa, o que, a ser verdade, mais acentuaria, com chancela oficial, os privilégios da dita classe.

    Pois é.

     

    5.2.18

  • UM GENTLEMAN E UM TRAMBIQUEIRO

     

    Ontem, um membro do governo de Sua Majestade Britânica chegou atrasado a Westminster. De tal maneira que não teve oportunidade de responder a perguntas de uma deputada da oposição que para tal se tinha inscrito.

    Falta grave. Um bife que se preze não chega atrasado. Assim, o senhor pediu a palavra para apresentar as suas desculpas à The Right Honorable Baroness Não-sei-quê. Fê-lo, contrito e envergonhado, num discurso em que se auto-arrasava pela tremenda falta. No fim, para surpreza da House, declarou que, para se redimir, não tinha outra solução que não fosse apresentar a sua demissão à Mrs. May. Esta parece não ter aceite o sacrifício, mas não sei o que veio a seguir.

    O homem talvez tenha exagerado, sendo patente que a ofendida fazia menção de perdoar a horrível falta.

    Mas fica como termo de comparação. Por cá, temos um primeiro-ministro que só responde ao que lhe apetece, as mais das vezes trocando alhos por bugalhos. Chega atrasado quando e como lhe dá na gana, acha muito bem que os seus ministros mendiguem bilhetes aos clubes de futebol, tenham crises de falta de “percepção” ou digam mentiras “constitucionais”, segura no poder fulanos e fulanas que metem água por todos os lados, não sabe de nada do que se passou quando foi número 2 do Pinto de Sousa, mete os pés pelas mãos quando há alguma crise, passa a vida a gabar-se do que não lhe diz respeito e a sacudir a água do capote do que lhe não dá jeito, mente quando lhe convém, é um surfer da política…

    …e nunca mais há uma onda que o leve!

    Por um nanomicron do que o nosso chamado primeiro-ministro faz todos os dias, o ministro britânico envergonhou-se e demitiu-se. Dir-se-á que foi mais um caso de boa educação que uma atitude política. Daí que o o nosso bem-amado Costa tenha, afinal, razão: é que a boa educação, manifestamente, é coisa que não faz parte dos seus skills.

     

    2.2.18

  • MAIS UM APANHADO, TAL E QUAL, AO QUE PARECE

     

    Para quem anda por aí há uns anos com alguma atenção, é patente que o ilustre Rangel é, sempre foi, um tipo sinistro. Para além de umas bambochatas futebolísticas que fizeram história, sempre foi, honra lhe seja, um fiel propagandista do Pinto de Sousa e, provadamente, seu activo protector judicial.

    Um indivíduo pouco recomendável, como por aí há tantos. Só que, alegadamente como se diz agora, parece que, à semelhança do seu protegido, não lhe desagradava fazer umas visitas ao baú. Daí que o rabo lhe tenha ficado de fora, pelo menos segundo o Ministério Público e o Correio da Manhã.

    Ao isto escrever, o IRRITADO não está, que ideia, a fazer julgamentos na praça pública, nem a debitar populismos. Nada disso. Não resiste é a dizer que não vai à bola com o cidadão em causa. Uma personalidade, de que, confessa, se tem esquecido de contemplar nestas páginas da forma simpática que merece.

    Quanto ao resto, a Justiça que se embrulhe ou desembrulhe do assunto.

     

    2.2.18     

  • PERSEGUIÇÕES

     

    Por uma vez que seja o IRRITADO está de acordo com o chamado primeiro-ministro. Porquê? Porque, como ele, acha “ridícula” a história da perseguição ao Centeno por causa do pedido de convites para um jogo de futebol. É um pecadilho que prova a inferioridade social que caracteriza o homem, mas não será mais do que isso. Um tipo “normal” não pede para ser convidado seja para o que for: ou o convidam, ou não o convidam. Ponto final. Pedir batatinhas é que não. Mas deixem lá. O homem auto-classificou-se como pequenino demais. “Solicitar” o que “solicitou” não é nada que mereça o estardalhaço que por aí anda, ainda menos a perda de tempo de quem ganha ordenado para andar à perna do homem.

    Coisa diferente é a história de uma qualquer isenção de IMI, eventualmente fruto de “diligências” suspeitas. Mesmo neste caso, convenhamos que dois bilhetes para a bola é preço demasiado baixo para um favor, se houve favor. Ou houve outra manigância ou os bilhetinhos para tribuna estão a ser sobrevalorizados.

    Note-se, apesar de tudo, que o chamado primeiro-ministro, na feroz defesa que fez do seu colaborador, omitiu a questão do IMI. Fugiu com o rabo à seringa. Ou seja, por inaptidão mental, fez com que toda a gente ficasse a pensar que, afinal, há gato.

    De assinalar também que, com a cabeça em brasa, disse que “em circunstância alguma Centeno sairá do governo”. Donde se conclui que, mesmo pedindo convites, mesmo passando a arguido, mesmo tendo feito “favores”, mesmo sendo condenado, mesmo que arrastado num mar de ridículo futebolístico, mesmo que acusado de vilolência doméstica, de homofobia, de racismo ou de outros crimes da moda, mesmo que suspeito de pertencer ao Daesh, mesmo que morto, Centeno jamais, em “circunstância alguma”, sairá do governo.

     

    O IRRITADO está a favor do Centeno. Acha que não deve ser corrido. Quem devia sê-lo é o Costa e toda a demais descendência do 44. Aí sim, Centeno incluído.

     

    30.1.18   

  • MOCAS

    Segundo a nacional bempensância, em Potugal o racismo é endémico, estrutural, está na massa do sangue dos portugueses. Em abono desta opinião está o indesmentível facto de os portugueses em geral, sobretudo os de direita, andarem para aí à pedrada aos pretos, aos amarelos, aos vermelhos, aos azuis às riscas, aos ciganos, etc., isto é, a tudo quanto mexa sem certificado da garantia. Aposto que, na opinião de batalhões de académicos, devo ter atrás da porta uma moca monumental preparada para receber qualquer indivíduo sem certificado, o mesmo se passando, no que se refere à posse de mocas, com qualquer português de origem garantida.

    Há catadupas de artigos a afirmar coisas destas, todas, evidentemente, com profundas bases científicas, estatísticas, de estudos sociais merecedores de indiscutível credibilidade. Acresce ao poderoso acervo de dados científios, outra razão de fundo que é o motivo deste post. Li hoje um artigo da dona Joacine e do senhor Piménio, os quais, do alto das suas cátedras (ISCTE), decretam que o tenebroso racismo que envenena a nossa sociedade é um produto da direita, competindo à esquerda tomar, no séc.XXI, a dianterira no combate a tal gente.

    O IRRITADO, que nada tem aver com a esquerda, apresenta os seus pedidos de perdão à dona Joacine e ao senhor Piménio e garante que não usará nos seus costados a moca que tem atrás da porta.

     

    29.1.18 

  • PASME-SE

    Presença habitual no jornal de “referência” da esquerda portuguesa, dito “Público” sendo privado, um senhor Tavares brinda-nos hoje com uma arenga qualquer sobre uns livros que encontrou em Itália, numa livraria qualquer. O assunto do escrito talvez mereça comentários, mas não é o que me traz.

    O homem classifica-se como “historiador”, nunca tendo passado pela cabeça do IRRITADO pôr em causa tal dita e tão honrosa alegação.

    No entanto – o diabo está nos detalhes – o nosso homem, no meio das suas opiniões insere uma frase que o põe de rastos. A saber: um livro que encontrou na tal loja tinha na capa o brazão dos Filipes, o qual ostentava “pasme-se, as quinas portuguesas“. Assim. Poderia tal pasmo tolerar-se a qualquer cidadão que se não intitulasse historiador. Mas, num tipo como o tal Tavares, é de cabo esquadra. Pasme-se: como é que um historiador não sabe que, dos quatro costados de Filipe II de Espanha, três eram portugueses? Nem que o seu paizinho, dito Carlos V, andava bem perto disso.

    Onde quer que o senhor Tavares encontre Habsburgos, Carlos ou Filipes, encontra armas portuguesas. Dê umas voltas por aí, vá ao Escorial, vá a Bruges, dê uma voltas.

    Donde se conclui que o senhor Tavares não só não é historiador nenhum, como é raso de ignorância em relação a coisinhas que qualquer aluno do nono ano é capaz de comhecer.

     A título de esclarecimento, acresente-se que, ao referir esta história, nada de “nacionalista” ou “patriótico” move o IRRITADO. O problema é que se irrita com gente da “estatura” deste tipo de tavares.

     

    23.1.18

     

  • EFICÁCIA!

     

    Ouvi ontem uma declaração daquele senhor conhecido por ministro da ambiente que me deixou verdadeiramente às aranhas.

    No que respeita às espumas do Tejo, começou o douto orador por dizer que eram sobretudo causadas pela seca, ou seja, que a diminuição do caudal baixava a capacidade de regeneração das águas. Assim, para quem achava que a coisa se devia a descargas de dejectos industriais, o melhor é não pensar nisso. A maior das culpas cabe ao São Pedro, à Santa Bárbara bemdita e, quem sabe, parcialmente, a alguns despejos industriais.

    Apesar disso, o mui preocupado e dito ministro, mostrando a alta autoridade que lhe assiste, decretou que as unidades industriais a quem, eventualmente, se poderia vir a atribuir uma ínfima parte das inocentes espuminhas, ficariam a trabalhar a cinquenta por cento nos próximos dez dias. Trata-se de uma medida de grande alcance, permitindo concluir que, ou o São Pedro e a Santa Bárbara tomam conta do assunto nos próximos dez dias e as água sobem, ou voltaremos à vaca fria.

    Finalmente, hossana!, sua excelência acrescentou que iria mandar analisar as espumas e que, dentro da algumas semanas, seria possível identificar a natureza e a origem do acontecido. E também, diga-se em abono da verdade e com humilde reconhecimento, que o impecável governante descansou as hostes dizendo que ia providenciar para a recolha dos produtos ora a banhos nas águas do Tejo.

    Há mais de trinta anos, os contumazes poluidores do Tejo foram obrigados a instalar equipamentos destinados a tratar os resíduos e a “limpar” o cheirete que provocam. Que eu saiba, instalou-se umas coisas e o Estado foi vigiando a sua utilização. Mas estas tarefas são chatas, cansam, e parece que a vigilância durou pouco.

    Ainda bem que veio a geringonça pôr as coisas no são. A partir de agora, mercê da invejável acção das autortidades, o São Pedro foi metido na ordem, os “alegados” poluidores serão autorizados a poluir, durante dez dias!, mas só metade do que poluiam antes e, daqui uns tempos, recolhidos alguns materiais e feita a respectiva análise, partir-se-á, eventualmente, para a tomada de medidas adequadas ao caso.

    Somos tão felizes!    

     

    27.1.18

  • BUBBLE BATH

     

    Parece que, lá para os lados de Abrantes, houve umas fábricas que se lavaram nas águas do Tejo. Usaram um gel bubble bath que cobriu a banheira, perdão, o rio, com toneladas de fofa e bonita espuma.

    Resultado:

    – a presidente da câmara lá do sítio veio dizer que não tinha nada com isso;

    – um eco-militante, guarda prisional, desatou aos gritos para quem o queria ouvir, ou seja, para as TV’s;

    – um chefinho qualquer do Estado declarou solenemente que a culpa era dos tribunais, uns chatos que tratam estes assuntos com injustificada ternura;

    – os pescadores disseram que tinham que ir pescar a montante da espuma;

    – os técnicos do ambiente puseram a cereja no bolo: pressurosos, foram analisar as águas da ETAR lá do sítio em vez de levar uns baldes de espuma para o laboratório.

     

    Em consequência destas tão prontas reacções, ninguém fez nada para tirar de lá a espuma.

     

    Porreiro pá.

     

    26.1.18

  • DGS

     

    “As pessoas adoecem, depois agrava-se, depois morrem”, declarou a mui simpática e sorridente nova directora geral de saúde. Lapidar, não é? Faz lembrar a velha máxima “chuva em Novembro, Natal em Dezembro”.

    A doce senhora não ficou por aqui. A fim de sossegar o povo disse que não há problema, a gripe é das suaves. Prova disso, justificou, na última semana só morreram 300 pessoas.

    Porreiro pá.  

     

    26.1.18

  • CEFALÓPODES

     

    O camarada Silva, conhecido por Lula, apanhou 12 anos por ter um apartamento que diz que não é dele, mas parece que é.

    Acho demais. O camarada foi eleito uma vez, passou 4 anos a viver à pala da herança do F.H. Cardoso, que não é camarada. A coisa não correu mal. No segundo mandato andou a assobiar para o ar, ignorando o mar de corrupção que o cercava por todos os lados, ou em que se banhava. No que, a seguir,  foi acompanhado pelo seu alter ego, a camarada Dilma: o mar passou a oceano. À esquerda, à direita, ao centro, por baixo, por cima, foram anos e anos de fartote.

    Até que… até que a justiça acordou e começou a lavar o chão. Outro fartote, agora de pernas para o ar. Vai tudo raso. Lá como cá. Daí que justiça passou, para a direita, para a esquerda, para o centro, para baixo e para cima, a ser o mau da fita.

    No meio desta inenarrável pessegada, o camarada Lula leva só 12 anos. Por causa de um andarzinho? Vou ali e já venho.

    Parece que a malta quer que o camarada volte à tona. Nada de estranhar. Por exemplo, por cá, a malta não votou no Isaltino? E por lá, não votava no “seu” Ademar?

    Começa a haver quem fale no regresso dos côrôneis. Precatem-se que a coisa está preta.

     

    26.1.18

  • RETOMA

     

    Os geringonços lançaram uma monumental campanha de propaganda sobre a previsão do défice de 2017.

    As razões para este “triunfo” são de vária ordem: a excelência do Centeno, a “visão” do Costa, a estabilidade da geringonça, as receitas fiscais provenientes da “retoma da economia”, tudo fruto maduro da página “virada”.

    Não, caros concidadãos, a baixa do défice não se deve à retoma económica da Europa, não se deve à política do BCE, não se deve ao monumental aumento do turismo, nem à dinâmica empresarial, ainda menos ao aumento de impostos, nada disso. O nosso crescimento, miserável em relação ao resto da Europa, deve-se à geringonça, aquela que, burramente, previa relançar a economia através do consumo. O consumo não tem nada a ver com a tal retoma, mas não faz mal.

    Deste lado, diremos que não tem nada a ver com a geringonça. Se aconteceu foi apesar dela.

     

    26.1.18

  • CANTORIAS

     

    Foi com o mais profundo desgosto que, cá na casa, soubemos do cancelamento dos concertos da Exma Senhora Dona Carla Bruni/Sarkozy, previstos para Lisboa, Figueira e Porto. Parece que a grande diva está com não especificados problemas de saúde, pelo que aqui lhe apresentamos os nossos mais sinceros votos de um rápido e indolor restabelecimento. Desde já pomos de lado a cínica hipótese de a doença da senhora se ficar a dever a poucos bilhetes vendidos.

    Somos bombardeados dia sim dia sim com concertos e cantorias de variegadas personalidades, pelos vistos muito conhecidas e procuradas pelo estimável público. Na nossa profunda ignorância de tão extraordinárias figuras da música moderna, somos péssimos juízes na matéria. O que espanta é que haja tantos espectadores para a catadupa de exibições que assaltam o sossego da Nação e cujas exibições, a avaliar pelos cartazes, continuarão a ser para nós – plural majestático – de evitar a todo o custo.

    Dona Carla não seria, pelos cartazes, tão evitada quanto isso. No entanto, como a celebridade da senhora se deve ao facto de ter sido escolhida, amigada, contratada, casada, ou lá o que é, pelo/com o senhor Sarkozy, e não a sofisticadas cantorias, acabávamos por não ser assediados (palavra da moda) pelo desejo de as ouvir, ainda que confessemos que, segundo outros critérios, tal assédio não nos incomodasse.

                   

    24.1.18   

  • SOCIALISMO SAUDÁVEL

     

    Quando olhamos a obra da geringonça no sistema de saúde ficamos mudos de espanto com o quanto de mal se tem podido fazer ao longo dos últimos dois anos. Ontem, era relatado que o tempo de espera para uma primeira consulta está em mais de 1.800 dias, sendo que, em casos graves e urgentes, o feliz contemplado possa ter a fundada esperança de ser atendido cerca de 30 dias depois de exposto o caso. Diz a maluquinha que manda nos enfermeiros que se chega ao ponto de esconder as macas debaixo da escada para não prejudicar o bom aspecto. E não há quem não diga mais cobras e lagartos sobre o que se passa.

    A saúde pública transformou-se num saco de gatos. Todos, médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares, “agentes operacionais”, tudo minha gente se arranha como pode, tudo quer mais dinheiro e menos trabalho, tudo diz que a culpa é do governo. Este, passados dois anos e esgotada a falácia da “culpa” de Passos Coelho, entretem-se a dizer que vai mudar o Infarmed para o Porto e que, um dia, há-de haver um grande hospital em Lisboa. As dívidas acumulam-se sem parar, às centenas de milhão, aos pontapés. O sistema, como é notório e indisfarçável, está em colapso acelerado.

    O cidadão, esse, vai aguentando como pode. Como os doentes, felizmente, são muito menos do que os que têm saúde, não contam para as sondagens eleitorais, o que é uma “boa” razão para não lhes dar abusivas prioridades.

    Quem pode vai recorrendo aos seguros e à saúde privada, única que vai funcionando e melhorando todos os dias. Dado tal pecado, é decretada pelos parceiros da geringonça como inimiga do povo e do sacrossanto Estado.

    A ADSE, único sistema público com alguma eficácia (porque recorria ao sistema privado) entrou em crise: 12 milhões de prejuízo em 2017, contra 200 milhões de superavit em 2014. Malhas que a geringonça tece. No tempo de Passos Coelho era o governo acusado por ter aumentado as contribuições para a ADSE, a qual não se destinava a ter lucros. E agora? A geringonça baixou as contribuições? Parece que não. Mas arranjou uma panaceia muito prática para os resultados da sua gestão: pagar menos, isto é, atacar a saúde privada para que fique no mesmo estado da pública. Deve ser uma questão de moral republicana e socialista.

    Uma última observaçãozinha. Alguém fez, ou faz, as contas aos dois sistemas, a fim de responder a esta simples questão: qual é, para o Estado, o mais caro? Qual o mais sustentável? Qual o mais eficaz, em termos de custos/benefícios? Ninguém sabe, nem interessa saber. É o socialismo, estúpido!

     

    22.1.18

  • MENTIRA!

     

    A  malta correcta arranjou novos vocábulos para aquilo a que, em tempos que já lá vão, se chamava, treta, mentira, aldrabice… Agora, não é nada disso. Trata-se de pós-verdade, notícias falsas (fake news) e outras designações mais especiosas.

    Alguns exemplos da velha treta:

    – O substituto de Santana na Santa Casa, assim que tomou posse, declarou que ia pagar 200 milhões por 10% do Montepio. Levantada a bronca – 10% do Montepio talvez valham uns arriscadíssimos 60 milhões – o homem tratou de recuar. Ontem, disse que o valor não existia, o que existia era os 10%. Mentiu uma vez, ou uma data delas?

    – O chamado ministro da saúde (o que transformou o SNS no frangalho que se conhece) inventou aquela do Infarmed no Porto. Mentira, ou pura trapalhice?

    – O rapazola barbaças (alter ego do tipo da Fenprof) da chamada Educação, perante os miseráveis resultados das suas “reformas”, veio dizer que o mau era o Crato. Um mentiroso compulsivo ou um sicário do bolchevismo em marcha?

    – A senhora a quem chamam ministra da justiça disse que a Constituição diz o que a Constituição não diz. Treta irresponsável. Disse outrossim que haver menos pendências era mérito seu. Mentira, demagogia ou pura incompetência?

    – O Cabrita veio decretar que vamos passar a andar a 30 à hora na cidade. Tem o benefício da dúvida: se calhar não é mentiroso, é só burro.

     

    21.1.18

  • CTT

     

    Anda para aí uma polémica dos diabos por causa dos CTT.

    Sei, por experiência própria, que os serviços postais têm conhecido alterações que não funcionam a favor dos utilizadores. Também, por ouvi dizer, sei que os CTT pagaram dividendos excessivos aos seus accionistas.

    Posto isto, vejo que a empresa está a reestruturar-se em função da quebra brutal do correio tradicional.  Todas as reestruturações levam ao corte de custos, a fim de os tornar compatíveis com as novas características do negócio. No caso, os CTT viram diminuídos os seus resultados, mas continuam no azul. Nesta empresa como em qualquer outra, reestruturar significa dispensar pessoal excedentário em face das alterações do mercado, e fechar balcões que passaram a redundantes. Tudo isto é normal, tem efeitos como os que sinto enquanto consumidor, mas acabam por produzir bons resultados, sobretudo se se trata de uma empresa com resultados (ainda) positivos, como é o caso em apreço. Mais vale prevenir que remediar.

    Então porquê tanta polémica? Porque as forças da geringonça querem aproveitar a oportunidade para fazer regressar os CTT à maravilha que é a “gestão” pública. Se houvesse gestão pública tudo ficaria na mesma, os carteiros a distribuir uma cartita de cada vez, mas todos os dias, balcões e mais balcões, um fartote dos antigos, literalmente falando. Daqui a um ano ou dois, a empresa estava arruinada, isto é, viveria de subsídios públicos e avales do Estado, como as dos transportes e de outras ridentes empresas públicas que por aí vegetam à custa dos impostos.

    Gente que acha óptimo que a CGD, depois de uma confusão dos diabos e a braços com um buraco financeiro de todo o tamanho, tenha recebido milhares de milhões do Estado, tenha fechado largo número de balcões e anuncie que vai pôr ao fresco uns milhares de empregados. Tudo isto é normal, funciona a favor da “coisa pública”, é inevitável, saudável e até vai “relançar a economia”, diz tal gente.

    Tratando-se de uma empresa privada como os CTT põe-se tudo de pernas para o ar, ainda que, até ver, o Estado só tenha ganho dinheiro com ela, que ela não sossobre no meio de asneiras e mais asneiras e, em relação ao pagode, saia infinitamente mais barata.

    Não digo que as empresas privadas sejam boas por definição, e as públicas más. Exemplos não faltam de caríssimos “casos” havidos com empresas privadas, só que são excepções a confirmar a regra do sucesso. Nas empresas públicas, as excepções são as rentáveis, a regra é a do buraco.

    Mas as forças da geringonça acreditam no Estado, vaca sagrada “ao serviço da economia e do povo”.

    Ainda não chegámos à economia planificada, mas parece que já faltou mais.

     

    19.1.18

  • ESCRÚPULOS

     

    Não contente com facto de não conhecer a Constituicão, na qual “lê” o que lá não está, a distinta senhora que ocupa o lugar de ministra da justiça veio, em solene sessão, dizer cobras e lagartos da sua antecessora, que acusou da velha história do fecho de tribunais, fecho cujos inconvenientes estavam ultrapassados e cuja conveniência era já pacificamente aceite.

    Não contente, veio gabar-se da diminuição das pendências, como se se tratasse de obra sua, ignorando que foi a legislação do governo legítimo que proporcionou a melhoria.

    Tudo ao melhor estilo da geringonça. As “culpas” daquilo de que a geringonça não gosta são dos outros. O que, apesar dela, corre melhorzinho, leva a crédito próprio.

    A esta gente não chegaram os últimos dois anos a fazer oposição à oposição em vez de governar.

    À falta de melhor, não custa manter o registo. Escrúpulos são coisa que a geringonça desconhece. Com o chefe que tem, não é de estranhar.

     

    19.1.18   

  • COBRANÇAS

     

    O PS quer agilizar o processo de cobrança de dívidas, retirando-o da alçada da Justiça.

    Acho muito bem, com uma condição: que as dívidas do Estado sejam incluídas. O senhor Centeno tem o vício de “cativar” os pagamentos do Estado, por exemplo quando se trata de cumprir sentenças dos tribunais que o condenam a pagar: senhor Centeno paga (muito) mais de um ano depois, sem juros. Ou então que as dívidas dos cidadãos ao Estado tenham o mesmo tratamento, ou seja, possam ser pagas em prazo a perder de vista e também sem juros.

    Assim se faria justiça. Ou há moralidade… só que, para o Centeno e para o PS, não comem todos. Uns apanham com o cobrador do fraque, expresso em penhoras, juros e demandas. Outros, os Centenos e os pêésses, ficam de fora dos ditames da moral republicana.

     

    18.1.18