IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SOCIALISMO SAUDÁVEL

 

Quando olhamos a obra da geringonça no sistema de saúde ficamos mudos de espanto com o quanto de mal se tem podido fazer ao longo dos últimos dois anos. Ontem, era relatado que o tempo de espera para uma primeira consulta está em mais de 1.800 dias, sendo que, em casos graves e urgentes, o feliz contemplado possa ter a fundada esperança de ser atendido cerca de 30 dias depois de exposto o caso. Diz a maluquinha que manda nos enfermeiros que se chega ao ponto de esconder as macas debaixo da escada para não prejudicar o bom aspecto. E não há quem não diga mais cobras e lagartos sobre o que se passa.

A saúde pública transformou-se num saco de gatos. Todos, médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares, “agentes operacionais”, tudo minha gente se arranha como pode, tudo quer mais dinheiro e menos trabalho, tudo diz que a culpa é do governo. Este, passados dois anos e esgotada a falácia da “culpa” de Passos Coelho, entretem-se a dizer que vai mudar o Infarmed para o Porto e que, um dia, há-de haver um grande hospital em Lisboa. As dívidas acumulam-se sem parar, às centenas de milhão, aos pontapés. O sistema, como é notório e indisfarçável, está em colapso acelerado.

O cidadão, esse, vai aguentando como pode. Como os doentes, felizmente, são muito menos do que os que têm saúde, não contam para as sondagens eleitorais, o que é uma “boa” razão para não lhes dar abusivas prioridades.

Quem pode vai recorrendo aos seguros e à saúde privada, única que vai funcionando e melhorando todos os dias. Dado tal pecado, é decretada pelos parceiros da geringonça como inimiga do povo e do sacrossanto Estado.

A ADSE, único sistema público com alguma eficácia (porque recorria ao sistema privado) entrou em crise: 12 milhões de prejuízo em 2017, contra 200 milhões de superavit em 2014. Malhas que a geringonça tece. No tempo de Passos Coelho era o governo acusado por ter aumentado as contribuições para a ADSE, a qual não se destinava a ter lucros. E agora? A geringonça baixou as contribuições? Parece que não. Mas arranjou uma panaceia muito prática para os resultados da sua gestão: pagar menos, isto é, atacar a saúde privada para que fique no mesmo estado da pública. Deve ser uma questão de moral republicana e socialista.

Uma última observaçãozinha. Alguém fez, ou faz, as contas aos dois sistemas, a fim de responder a esta simples questão: qual é, para o Estado, o mais caro? Qual o mais sustentável? Qual o mais eficaz, em termos de custos/benefícios? Ninguém sabe, nem interessa saber. É o socialismo, estúpido!

 

22.1.18



11 respostas a “SOCIALISMO SAUDÁVEL”

  1. Pois é, espantosa coincidência, não é? Quanto menos público, mais cresce o privado! Que diabo, quase parece que interessa a alguém que assim seja… mas a quem? Certamente que não ao PS, que é “de esquerda”, nem ao PSD, que é “social democrata”, não é? Nem aos mamões que lhes financiam os partidos e os tachos pós-pulhítica, nem a médicos e enfermeiros mercenários que querem mamar a dobrar, ou a triplicar, no privado… de certeza que não. A todos que louvam e desejam a saúde (ainda mais) privada, só desejo uma coisa: que venham a precisar da pública. E que os filhos venham também a precisar. E não para coisas menores: para coisas sérias. De certeza que as suas convicções ideológicas se manterão inabaláveis. Está-se mesmo, mesmo a ver.

    1. A verdade não se mascara com ideologias ou convicções “inspiradas”. É o que é. Os seus votos são de um primarismo impróprio de um tipo que julgo inteligente.

      1. Claro que não lhe desejo mal, mas primário é não ver o fim da estrada por onde quer ir. Quando ataca o socialismo, ataca perigos concretos: miséria, opressão, escassez, uma vida pior para todos menos para uma clique. É disso que fala quando traz, a despropósito, Cuba, a Coreia ou a Venezuela. Não vê então que isto traz os mesmos perigos, e os mesmos privilégios, mas para mamões privados? Não vê o perigo de tornar a Saúde num negócio? É preciso explicar? Não vê o caminho que isto leva, como o mundo e o capitalismo mudaram desde o já longínquo pós-guerra, como se acentuou com Thatcher e Reagan, depois com a “globalização”, esse eufemismo para desemprego e exploração, ou o que virá com a inteligência artificial? Não vê que quem controla o dinheiro, a economia, os governos, crucialmente a tecnologia, são mamões sem rosto? Sabe que muitos têm já ilhas, de onde esperam esbulhar em segurança um mundo escravizado? Parece-lhe ficção científica? O que diria da internet há 50 anos?

  2. Sendo uma pessoa decente, louva o privado porque é essa a sua convicção, a sua agenda, o seu “axe to grind”. Acha realmente que sai mais barato, que é melhor assim. Mas como é também uma pessoa inteligente, às vezes interrogo-me. Será assim tão alheio ao facto de como ser um “have” ou um “have not” afecta as opiniões, as convicções, a ideologia de alguém? Será que, no fundo, antevê e aceita esse futuro de (boa) saúde só para alguns? Será que o vê como uma espécie de selecção natural? E como sente que a sua família está safa, parece-lhe bem? E tal como nos privilégios da monarquia, e outras injustiças que considera aceitáveis ou inevitáveis, dá de ombros?

    1. Quanto à minha circunstância (a culpada das minhas ideias…) não adiantarei, não por sua causa, mas porque não a quero pôr à disposição de quem aqui vem, como deve compreender. Isto não é o facebook, coisa abominável e patética.Adiante. Quando disse que a sua diatribe anti-capitalista conduzia à ditadura, esqueci-me da sua panaceia para os males do mundo: a democracia referendária. Os referendos, salvo raras excepções, não passam de uma forma de desresponsbilizar os responsáveis. Não acredito em panaceias. Acredito na realidade, que é muito mais rica, mais plural, menos controlável. A saúde para todos conseguir-se-á numa pluralidade de soluções, todas, feliz ou infelizmente, com expressão económica. Por outras palavras, o que está na base de um sistema viável e tendencialmente justo é a Liberdade. Reduzir tudo a um sistema único e unicamente estatal é arruinar qualquer hipótese de sucesso e colocar as pessoas e a sua saúde nas mãos de burocratas. Quanto à globalização, a verdade é que, se está a ser fatal para o nosso mundo, tirou da fome milhares de milhões de pessoas noutros lugares. Tudo tem dois lados. Não há panaceias.

      1. Já lhe respondi ao “tirar da fome milhões de pessoas”, mas v. costuma ignorar o que sai da narrativa, como diria o 44. O capitalismo, além de tais maravilhas, é a celebração do egoísmo e da ganância. Se beneficiar alguém é por acaso; o seu único propósito é o lucro. Ser-se decente é até uma desvantagem. Outra falácia é a concorrência. O capitalismo detesta concorrência: tenta esmagá-la, comprá-la, destruí-la. Claro que quer o público o pior possível. E claro que nos quer esmifrar o máximo possível. Ai aguenta aguenta, lembra-se? A sua “realidade” é pois selectiva: vê os problemas do Estado, mas não vê o problema óbvio de privatizar serviços essenciais. Não vê a mama, o cartel, o saque, o elitismo, a discriminação. Ou vê, mas acha bem. Por isso lhe digo: tente precisar de saúde e não ter dinheiro para se tratar, ou para tratar os seus filhos. Isso sim, é a realidade diária de milhões, até nos seus caros EUA. Pergunte a um americano de classe média-baixa o que acha. Ou pergunte a um inglês o que acha de ver o NHS em risco, e a Saúde cada vez mais privada, porque, lá como cá, os políticos se curvam a lobbies mamões. O Estado serve para salvar bancos trafulhas e encher o cu aos “mercados” em troca de dinheiro criado do ar, mas não serve para tratar os cidadãos. Só enchendo mais mamões. Vender assim a vida e a morte, o sofrimento e a cura, é obsceno. É sórdido. Nem entendo como se pode não ver isto. E insistir na falsa dicotomia capitalismo/socialismo é estéril; ambos falharam. Falta uma verdadeira 3ª via.

        1. Caro Filipe, caso não me reconheça, apresento-me: sou aquele “carneiro” mais antigo (melhor dito XXI) que o Filipe neste “sitio”.Isto posto e feitas as apresentações, questiono (sem rancores): é o mesmo Filipe que outrora “insultava” tudo e todos (sobretudo a MIM)?Pergunto apenas porque (agora) está um “SENHOR”!

  3. Temo que por vezes possa exagerar nas críticas aos posts do Irritado, sobretudo em temas como este. Não quero monopolizar os comentários ou repelir outras opiniões. Quando encontramos pessoas muito críticas e teimosas tendemos a afastar-nos. Espero não cair nesse extremo: não me julgo dono da verdade, nem quero vencer pelo cansaço. Se for o caso, peço desculpa ao Irritado por qualquer excessiva veemência ou descortesia.

    1. Deixe-se de desculpas. Está sempre desculpado, e é sempre bemvindo. Tenho pena que esteja um bocado enquistado nas suas opiniões, mas não estou eu também?

  4. E o pater do SNS agora já não se pronuncia?e o Manel gay meteu a viola no saco?O Máfortuna, Observador, agora também se cala?Noticiou.se que 2 escolas foram invadidas pelas ratazanas.Presume-se que sejam as mesmas que começam a fugir do Largo do Rato

    1. Este Zé, que não é nada “parvo”, agora é “de Maria”!!!Reparam, não é “da Maria”, apenas pretende dizer que já não “Mira”! Será por causa do “olho cego”?

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