Anda para aí uma polémica dos diabos por causa dos CTT.
Sei, por experiência própria, que os serviços postais têm conhecido alterações que não funcionam a favor dos utilizadores. Também, por ouvi dizer, sei que os CTT pagaram dividendos excessivos aos seus accionistas.
Posto isto, vejo que a empresa está a reestruturar-se em função da quebra brutal do correio tradicional. Todas as reestruturações levam ao corte de custos, a fim de os tornar compatíveis com as novas características do negócio. No caso, os CTT viram diminuídos os seus resultados, mas continuam no azul. Nesta empresa como em qualquer outra, reestruturar significa dispensar pessoal excedentário em face das alterações do mercado, e fechar balcões que passaram a redundantes. Tudo isto é normal, tem efeitos como os que sinto enquanto consumidor, mas acabam por produzir bons resultados, sobretudo se se trata de uma empresa com resultados (ainda) positivos, como é o caso em apreço. Mais vale prevenir que remediar.
Então porquê tanta polémica? Porque as forças da geringonça querem aproveitar a oportunidade para fazer regressar os CTT à maravilha que é a “gestão” pública. Se houvesse gestão pública tudo ficaria na mesma, os carteiros a distribuir uma cartita de cada vez, mas todos os dias, balcões e mais balcões, um fartote dos antigos, literalmente falando. Daqui a um ano ou dois, a empresa estava arruinada, isto é, viveria de subsídios públicos e avales do Estado, como as dos transportes e de outras ridentes empresas públicas que por aí vegetam à custa dos impostos.
Gente que acha óptimo que a CGD, depois de uma confusão dos diabos e a braços com um buraco financeiro de todo o tamanho, tenha recebido milhares de milhões do Estado, tenha fechado largo número de balcões e anuncie que vai pôr ao fresco uns milhares de empregados. Tudo isto é normal, funciona a favor da “coisa pública”, é inevitável, saudável e até vai “relançar a economia”, diz tal gente.
Tratando-se de uma empresa privada como os CTT põe-se tudo de pernas para o ar, ainda que, até ver, o Estado só tenha ganho dinheiro com ela, que ela não sossobre no meio de asneiras e mais asneiras e, em relação ao pagode, saia infinitamente mais barata.
Não digo que as empresas privadas sejam boas por definição, e as públicas más. Exemplos não faltam de caríssimos “casos” havidos com empresas privadas, só que são excepções a confirmar a regra do sucesso. Nas empresas públicas, as excepções são as rentáveis, a regra é a do buraco.
Mas as forças da geringonça acreditam no Estado, vaca sagrada “ao serviço da economia e do povo”.
Ainda não chegámos à economia planificada, mas parece que já faltou mais.
19.1.18

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