IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UM BENFEITOR

     

    O camarada Raul Castro comunicou ao mundo que se está nas tintas para a morte dos grevistas da fome.

    Tem toda a razão.

    Ele, Castro, autêntico benfeitor da humanidade, que já autorizou os cubanos a comprar torradeiras e micro-ondas, que até permite que se compre arroz (dois quilos por mês por família de cinco pessoas) em moeda local, que permite a importação de carburadores para carros americanos de 1950, que apoia, nos hotéis para turistas, a prostituição das cubanas, moças prenhes de patriotismo, autênticas produtoras de dólares e de euros para o povo socialista, ele, sucessor ungido pelo seu augusto irmão, fonte incarnada de toda a legitimidade democrática e socialista.

    Ele?

    Como poderia ele ceder aos gritos histéricos dos imperialistas que o acusam, desses europeus de mierda e desses americanos vigaristas que, em nome dos direitos humanos, andam para aí a pedir piedade para os inimigos do socialismo? Vitoria o muerte! No passaran! Se esse gajo morrer será porque quer! Que tem o socialismo a ver com isso?

     

    É assim mesmo, querido líder! É assim mesmo! É preciso mostrar ao mundo a verdadeira face do socialismo!

     

    6.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O NOVO JOÃO SEMANA

     

    Como é sabido, o João Semana era um médico dedicado aos seus doentes. Tratava-os com carinho e, sendo pobres, não cobrava.

     

    Nos nossos dias já não há joões semana. Uma espécie extinta, ou quase. Os médicos cobram que se fartam, não vão a casa de ninguém, não são capazes de diagnosticar sem, previamente, se pague trezentos exames e oitocentas análises.

     

    Não fiquem tristes. É que, se os médicos estão neste estado, o mesmo não se passa com os engenheiros relativos.

     

    Oiçam estas escutas ilegais:

     

    Trimmm…

     

    – Tá?

    – Tou. Fala o Grumecindo.

    – Tas bom, pá?

    – Vou andando…

    – Então diz lá.

    – Olha, pá, tenho aqui uns bonecos para entregar na câmara, mas a gaita é

       que foram feitos pelo tipo da farmácia, sabes, o Tiroliro, que é jeitoso…

    – Sim, sei, é um gajo porreiro.

    – Pois é, mas não pode assinar os bonecos. A câmara não aceita… se tu não

       te importasses…

    – Claro que não me importo, pá. Manda-me essa coisa, que eu assino.

    – Obrigadinho, pá. E… enfim… não é?

    – Oh pá, não penses nisso, a gente depois conversa. Nada de facturas.

       Somos amigos, não é?

    – Claro, claro.

    – Olha, a propósito, tens visto o Caraça, da Edibronca?

    – Anda por aí, pá. Queres que lhe diga alguma coisa?

    – Se o vires, diz-lhe que não se esqueça daqueles projectinhos da minha

       responsabilidade…

    – Não me digas que o gajo não te pagou!

    – Não, pá, não é isso, eu assino mas não recebo nada! É uma coisa residual,

       estás a perceber? Residual!

    – Não sei o que quer dizer residual, mas percebo. Queres que eu lhe diga o

       quê?

    – Diz-lhe só que não se esqueça.

    – Que não se esqueça de quê?

    – De nada, pá. Diz-lhe que não se esqueça, e já chega. Nada de falar em

       dinheiro, não é disso que se trata, ‘tás a percebejar?

    – OK, chefe, não te preocupes. Olha, já agora, o macacão do Zacarias, o faz-

       tudo, o da urbanização Casa ao Vento, ‘tás a topar? Aquele casado com a

       filha do Fagundes, a Tânia Vanessa – boa como o milho, hi hi.

    – O que é que esse palhaço quer?

    – Bom, não sei ao certo, mas o gajo diz que já tratou de tudo contigo mas

       que tu não ligas bóia às obras…

    – Mas como é que tu queres que eu ligue às obras se estou aqui em Lisboa,

       em exclusivo? Aliás, ele sabe que foi só umas assinaturas… o que é que ele

       quer mais?

    – Isso não sei, filho. O que sei é que o gajo é do Cadalhufense e tu do

       Caganovense, estás a perceber, ganhaste o campeonato, os gajos não te

        perdoam!

    – Deixa lá que eu trato disso. Não te metas no assunto. Mando daqui um

        gajo tratar de lhe pregar um cagaço.

    – OK. Tu é que sabes.

    – Esses calhordas não percebem os favores que eu lhes faço. Não me dão

        valor. Eu sou o João Semana da engenharia!

    – Ai és? Olha que ainda não tinha dado por isso.

    – Sou sou, os meus doentes são os gajos dos projectos. É só borlas!

    – Pois pois.

    – Olha filho, até loguinho, está-me cá a parecer que também andas metido

       com o Cadalhufense! Por este andar ainda te dou algum aperto.

    – Eu? Ó Sousa, desculpa, eu nem sou de cá…

    – Adeus e juizinho, é o que eu desejo.

     

    Clic.

     

    Como vêm, ainda há quem se preocupe com os problemas dos outros. Ainda há quem faça o bem, sabendo a quem.

     

    6.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • INTELECTUAIS SUBAQUÁTICOS

     

    A história dos fumos de corrupção a propósito da compra dos submarinos tem tido, como resultado imediato, o surgimento de novos e insuspeitos estrategos, que muito enriquecem o pensamento pátrio nestas matérias.

    Prenhes de mais rebuscada ignorância, figuras como o storyteller Tavares (Sousa) e como a grande referência do socialismo vale-tudo Almeida Santos expelem acrobáticas opiniões tendentes a cavalgar a onda poluída que por aí espuma destinada a pôr em causa o que governos de várias cores decidiram e tornaram a decidir ao longo dos anos, o que vários parlamentos de várias cores foram, repetidamente, aprovando: a aquisição de dois submarinos para a Armada.

    Parece, imagine-se, que até o General Valença Pinto (um erro de casting de ciclópicas consequências) foi, coitadinho, assaltado por dúvidas metafísicas acerca do assunto!

     

    Poderá compreender-se que se pense que a despesa que os submarinos envolvem não é, na situação actual, coisa bem-vinda. O que não tem a ver com a compra em si, efectuada no tempo em que o socialismo ainda não tinha chegado onde chegou na sua ruinosa obra, nem com a necessidade de dar crédito às pretensões marítimo-territoriais da Nação.

    Se houvesse, hoje, que decidir, talvez fosse de pensar duas vezes. Mas, quando os submarinos estão prontos, quando o Estado tomou os compromissos que tomou, “borregar” não seria muito pior para todos nós? Que credibilidade internacional traria ao país uma atitude dessas? E como se esgrimiriam argumentos, na ONU, sobre a soberania portuguesa na plataforma continental?

    No entanto, o governo que temos pede “pareceres” sobre a “legitimidade” de anular a aquisição!

     

    Assiste o governo, angelical, à polémica das contrapartidas, como se não tivesse toda e exclusiva responsabilidade em tal matéria. Há anos e anos que uma distinta comissão, chefiada por um embaixador (Pedro Catarino, na reforma, simpatizante do PS) tido por alta figura da nossa diplomacia, anda a tratar do assunto sob o patrocínio e a tutela dos ministros da defesa e da economia.

    Compete aos alemães velar pelas contrapartidas, ou ao governo e à sua ilustre comissão? Algo me diz que a tal comissão, para além de cobrar umas senhas, não fez a ponta de um chanfalho nos últimos seis anos! Se fez, fez mal. Isto é, pelo menos, flagrante. O que é flagrante não precisa de inquéritos, precisa de acção, de decisão. Precisa que a comissão seja, imediatamente, posta no caixote do lixo e que o governo faça alguma coisa com cabeça tronco e membros em vez de andar a sacudir a água do capote.

    Nada disto foi feito. O governo anda calado como um rato, a pedir pareceres sobre a nobre decisão de faltar a um compromisso assumido e reiterado há anos e anos, compromisso que já produziu os seus efeitos finais, mesmo que, demonstrando ao mundo a mais radical desonestidade, se queira, hoje, virar o bico ao prego.   

     

    O que ao governo e ao PS interessa é que alguém da oposição seja envolvido na eventual corrupção. O resto é conversa. O governo sabe que não tratou das contrapartidas, o governo sabe que não há volta a dar à compra firmada, o governo manda altas figuras do PS pôr em causa legítimas e fundamentadas decisões, o governo anda a ver se se safa de mais uma em vez assegurar os créditos de seriedade que o país merece. Ainda por cima, fá-lo agitando culpas de terceiros em matérias, talvez graves, mas que nada têm a ver com a substância do que, em termos nacionais, está em causa.

     

    5.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • SUBMARINOS: HÁ QUEM SAIBA DO ASSUNTO

    Com a devida vénia, a seguir transcrevo um artigo do Almirante Alexandre Reis Rodrigues, publicado no DN e em www.jornaldefesa.com.pt

     

     

    SUBMARINOS AFINAL PARA QUÊ

     

     

    Os submarinos voltam a estar na ordem do dia; agora pelas piores razões, envoltos no reacendimento de suspeitas de corrupção. No final do ano, a controvérsia era sobre as dúvidas levantadas sobre o seu papel e emprego operacional e, em especial, pelo insólito de virem de onde menos se esperaria (um ex-presidente da AR, o Dr. Almeida Santos e o CEMGFA, general Valença Pinto).

    Sobre o primeiro ponto apenas tenho a expressar votos de que tudo se clarifique a curto prazo para bem da dignidade e da imagem do País. Sobre o segundo, gostaria de ajudar a dissipar o “banco de nevoeiro” para que o assunto foi levado recentemente, mal grado as sucessivas revalidações políticas por que o processo passou ao longo de seis legislaturas que sempre aprovaram as leis de programação militar em que a aquisição foi prevista, de sete governos que nunca puseram em causa a necessidade desta capacidade e de onze ministros da Defesa que sempre o fizeram avançar.

    É verdade que o contexto resultante do fim da Guerra Fria alterou radicalmente a forma de encarar os desafios à segurança e defesa. Como deverá esta nova situação reflectir-se na Marinha, particularmente na existência de submarinos? Estes, para terem lugar na estrutura de uma força naval, têm que estar ligados a uma estratégia, a uma finalidade específica.

    Alguns só a imaginam ao nível táctico, no combate a ameaças navais, como parte de um dispositivo territorial anti-invasão. É uma visão redutora e enganadora. Redutora porque concebe as forças armadas apenas para defender o território quando na realidade existem para defender interesses nacionais, sendo que o primeiro está incluído nos segundos. Enganadora porque assume a justificação da sua posse como decorrente da lógica de que o seguro morreu de velho, como alguns insinuam.

    É por isso necessário relembrar que a necessidade de submarinos está principalmente ligada ao controlo da área marítima de interesse estratégico, o que sempre fez parte da grande estratégia nacional. Só os termos em que tem que ser considerada é que mudaram; durante a Guerra Fria, punha-se como contributo para a eventualidade de deflagração de um conflito; era do controlo do Atlântico que dependia o reabastecimento e reforço da Europa.

    Hoje, o controlo do mar é um objectivo permanente de tempo de paz, porque a natureza difusa e imprevisível das ameaças exige um esquema de vigilância que detecte oportunamente desvios de comportamento que possam indiciar a tentativa de acções ilegais ou práticas criminosas. Põe-se sob uma perspectiva abrangente, centrada sobretudo nos espaços e não nas forças de eventuais oponentes, como acontecia no passado.

    Não se trata de uma estratégia militar-naval; é mais abrangente do que isso porque se relaciona com factores diversos, principalmente económicos, sendo os militares apenas os que viabilizam as condições de segurança para a sua concretização.

    Os submarinos são parte indispensável dessa estratégia porque só existe controlo dessa área: 1º, se se exercer nas suas três dimensões, a de superfície e acima-superfície e a de sub-superfície sendo que esta última só os submarinos conseguem garantir de forma eficaz; 2º, se houver capacidade de efectuar operações encobertas (sem revelar a presença), o que só os submarinos garantem.

    Sem submarinos Portugal perderia por duas vias: permitiria um vazio de controlo numa área que lhe respeita directamente, e que outros necessariamente se veriam obrigados a ocupar, e perderia a possibilidade, de que usufrui, de participar nos órgãos de controlo e gestão da actividade submarina ficando “nas mãos” de terceiros para saber o que se passa na nossa área de interesse. Situação dificilmente aceitável.

     

    5.4.10

     

    ABC

  • OPINIÕES

     

    Diz o magnífico ministro das obras públicas que temos que “o carácter é importante, mas não pode ser foco da oposição a Sócrates”.

    Pois. Tem toda a razão. Se o carácter fosse importante, há muito que a criatura tinha voltado para as berças, onde seria feliz a assinar uns projectos de engenharia relativa para umas pocilgas.

     

    “Parecia que (na comissão de inquérito) queriam tirar conclusões para derrubar o governo”, disse o inacreditável demagogo que dá pelo nome de Ricardo Rodrigues.

    Pois. Parecia. Se, passados quatro anos de patranhas político-cívicas, de ruinosa aldrabice e de eleitoral burla programática, ainda não tiraram conclusões que cheguem, não é na comissão de inquérito que as vão tirar. Aliás, há tipos tão parvos que ainda não perceberam que comissão de inquérito vai servir para que se não tire conclusões de nenhuma espécie, mantendo assim o homem no poleiro. Vão ver.

     

    “Ficaria satisfeito se, com o novo líder, o PSD se preocupasse menos com estas questões (a comissão de inquérito)”, afirmou, solene, aquele fulano que levou um enxerto de porrada em Felgueiras.

    Pois. Se o PSD se distrair, o PS toma conta da coisa e ainda de lá sai algum elogio ao Pinto de Sousa.

     

    2.4.10

     

    ABC

  • INÊS DE MEDEIROS III

     

    A mui ilustre e prendada deputada Inês de Medeiros resolveu enviar ao Presidente do Parlamento uma cartinha destinada a angariar fundos para as suas deslocações semanais a Paris, em classe executiva, a 1.200 euros cada.

    Em inequívoca demonstração de requintada curialidade, de esmerada educação e de respeito pelo destinatário, a nobre senhora decidiu, antes de mais, mandar a missiva aos jornais a fim de tornar a coisa clara e pública. Veja-se o requinte educacional da aristocrática socialista, a fazer lembrar aqueles tipos que, por saber falar francês e viver em Clichy, acham que são mais que os outros. A diferença é que há quem pense que estes têm desculpa. Não ela, coitada.

    Pelo que os jornais publicaram, verifica-se que a inigualável criatura, achando, com toda a justiça, que o povo tem que lhe pagar as viagens a Paris como se Paris ficasse na Freguesia de Santa Isabel, em ponto algum refere que o seu diáfano assento se poderia sentar numa cadeira das usadas nos aviões pelos passageiros comuns, a fim de reduzir quase dez vezes o custo das viagens. É que tal cadeira é, inegavelmente, menos confortável que aquelas a que Sua Excelência está, evidentemente, habituada.

    Compreenda-se. Uma tão alta personalidade não pode, salvo inevitável e intolerável queda dos parentes na lama, sentar-se ao lado daqueles a quem exige o pagamento dos bilhetes.

     

    Há limites para tudo, não é? 

     

    2.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CORRECÇÕES

     

    Aqui há tempos, rebentou uma monumental bronca no Reino Unido. Então não é que os investigadores do clima de uma universidade qualquer tinham aldrabado as temperaturas, a fim de defender a tese do “aquecimento global”?

    Uma comissão parlamentar veio “limpar” a coisa, dizendo que tinha sido sem intenção, que enfim, aldrabar o pagode não era o objectivo, que era tudo boa gente, etc.

    Donde se conclui que os tipos que dizem que a Terra está a aquecer são, segundo o politicamente correcto, intocáveis.

     

    2.4.2.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A SAGA CONTINUA

    A melíflua ministra da saúde, com certeza por engano, resolveu recomeçar a fechar centros de saúde. Ou então já está farta do Pinto de Sousa e quer arranjar maneira de ser demitida, que foi o que aconteceu ao outro.

    Desta vez, pelo menos os tipos de Valença não têm com que se preocupar: se apanharem alguma infecção, dão um saltinho a Tui, e está o problema resolvido. Os galegos tratam da coisa, não sei se com taxas moderadoras se sem elas. Segundo os jornais, parece que já há quem queira passar a espanhol, ou a galego, se se quiser.

    A galegagem põe tudo à disposição. Consultas, meios de diagnóstico, curativos, medicamentos, etc.

    Os galegos, na velha acepção da palavra, somos nós, não é?

     

    2.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • PRECISA DE SANGUE?

    Se precisa, meu caro, o melhor vai ser ir a Tui, como os valencianos. Pelo menos se for aprovado um projecto do Bloco de Esquerda que postula que os homossexuais, quando se trata de dar sangue, não podem ser descriminados.

    É que, dizem os ternurentos bloquistas, é costume fazer umas perguntas indiscretas aos candidatos a dadores para saber se fazem parte de algum grupo de risco. Tais perguntas, segundo a filosofia dos comunistas do Bloco, outra intenção não têm que não seja a de descriminar os homossexuais.

    Devo dizer que não é assim. Eu, que não sou homossexual nem nada que se pareça, nem gosto dessa gente enquanto “classe”, também sou descriminado! Como tive, em tempos, uma hepatite, os malandros que tratam das recolhas de sangue não querem nada comigo. Protesto! Eu que gostava tanto de comunicar aos meus concidadãos umas hepatites de boa qualidade, sou impedido de o fazer, por via da intolerável descriminação de que sou alvo.

    Ou há moralidade ou comem todos! Abaixo a descriminação! Viva a doença! Se não houvesse doenças, já viram a quantidade de gente que ficava sem emprego?

     

    2.4.10 

     

    António Borges de Carvalho

  • ENERGIAS IMPAGÁVEIS

     

    De há muito a esta parte, tem o IRRITADO vindo a denunciar a chamada “política energética” do senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, “engenheiro relativo”, como é conhecido no “Correio da Manhã”.

     

    Em nome de coisas tão sérias como a necessidade de reduzir as importações de petróleo, de patranhas tão ignaras como a do aquecimento global e de “papões” tão falsos como o CO2 (que não faz mal a ninguém), o governo entrou, a quatro patas, na história das eólicas.

    Fortunas incalculáveis têm sido, e continuarão a ser gastas em subsídios a cavalheiros de indústria, como o senhor Pimenta, que constroem equipamentos que ninguém sabe como vão ser pagos nem quando serão, se vierem a ser, rentáveis e verdadeiramente produtivos. As facturas já estão a ser pagas e sê-lo-ão cada vez mais, pelos papalvos do costume: nós.

    Há para aí dois anos, um empreendedor, de seu nome Monteiro de Barros, propôs-se construir uma central nuclear em Portugal. O governo correu liminarmente com o homem, porque o nuclear “não estava na agenda”. Depois, sem jamais ter discutido o assunto com o proponente, o mesmo governo pôs a circular que ele fazia tais e tantas exigências, queria tais e tantos privilégios, que… não queria mais nada? Ora vá-se lixar!

     

    Pois é. O senhor Pimenta e seus colegas talvez não tenham privilégios formais. Têm outros: milhões e milhões de “ajudas ao investimento”. E são uns heróis. São, além disso, o contrário do que é um investidor, isto é, pouco ou nada arriscam. Produzem a electricidade mais cara do mercado. Recebem, não pagam.

    Quem paga e quem arrisca somos nós, a mando do governo.

     

    Vem isto a propósito de um manifesto, assinado por um muito largo grupo de técnicos de economia e de energia, provindos de várias universidades e áreas ideológicas. Dizem, em resumo, o que diz o IRRITADO: que a política energética está completamente errada, que a factura a pagar é insustentável e que o nuclear tem que ser “discutido”.

    O IRRITADO está de acordo com tudo, menos com a proposta de “discutir” o nuclear. É que o nuclear já está estudado, praticado, consolidado em tantas e tão prósperas partes, já produziu tantos e tão bons resultados, já foi e continua a ser de tal forma apurada a sua tecnologia, que o que valeria a pena seria tomar, já e sem mais discussões, a decisão de o adoptar em Portugal.

    Isto, se quiséssemos vir a ter energia mais barata, mais regular e mais abundante. Mas não queremos. O que nós queremos (o que quer o senhor Pinto de Sousa) é poder esgrimir a teoria das “renováveis” na sua mais demagógica expressão, custe o que custar e a quem custar.

    Admiram-se? Não é caso para isso. Arruinar o país não é o que preside, desde a primeira hora, aos privilegiados raciocínios do fulano? Não é o que, com mão de mestre, ele tem realizado? Não é o que está à vista?

     

    2.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • VERDADES INCONVENIENTES

     

    Há dois ou três dias, duas notícias chocaram o IRRITADO. Parece que não chocaram mais ninguém.

     

    Aí vão:

     

    a)   O Conselho de Estado da República Francesa considerou inconstitucional a proibição da burca, com especiosa argumentação baseada em “direitos humanos”;

    b)   Frau Merkel foi à Turquia e, para que não se dissesse que não dava nada aos turcos, consagrou o seu “direito” a viver na Alemanha em “comunidades próprias” e autorizou a criação, de escolas primárias e secundárias destinadas a turcos, não se sabendo sequer se no currículo dos cursos a ministrar estará incluído o ensino da língua alemã.

     

    As partir destas duas brilhantes decisões, fica a saber-se que a civilização ocidental, em nome dos seus próprios valores, aceita e protege aquilo que os nega.

    Sendo eu produto da civilização clássica e cristã, a qual foi apurando e as mais das vezes aperfeiçoando, ao longo dos séculos, um corpo de regras morais e sociais, não posso, porque isso contraria tais regras, tornar opaca a minha identidade, designadamente escondendo dos demais a minha imagem. Tal coisa, na minha civilização, é reserva de malfeitores.

    Mas, se fosse oriundo de uma coisa que se chama Islão – civilização que, ao longo dos mesmos séculos, se atrasou em vez de progredir – podia obrigar a minha mulher a andar de burca, escondendo o principal elemento da sua identificação, a face.

    Embora a questão da reciprocidade não seja o mais importante quando desta matéria se trata, valerá a pena referi-la.

    Se a minha mulher for a um local onde o Islão é regra, terá que cobrir a cabeça, e não só, se não quiser que lhe chamem rameira ou a apedrejem. Se eu for a tais paragens, serei criminoso se comer chouriço de carne, beber um copo de vinho ou disser a uma mulher que é bonita.

     

    Anda a minha civilização muito atarefada em “integrar” aqueles que acolhe, vindos de outras paragens e credos. Depois, como no caso da Frau Merkel, aceita que tais gentes se “guetizem” voluntariamente, ou seja, recusem e amaldiçoem aqueles que os acolheram e lhes deram trabalho e segurança em condições desconhecidas no seu país de origem.

    Qual é, afinal, o problema? Ao contrário do que dizem certas “boas almas”, não se trata de impedir que os imigrantes prezem as suas tradições e idiossincrasias. Trata-se de os fazer entender que, se escolheram viver fora da sua comunidade de origem, têm que se ater às regras sociais e às leis do destino que escolheram. Ou ir embora. Ora isto não é, manifestamente, o que decorre de tais decisões em apreço.

    Nada pode justificar, em termos de direitos humanos, que os imigrantes sejam autorizados a ofender gravemente a sociedade onde quiseram viver, pondo em causa os seus costumes e as suas leis.

    Que guardem os costumes deles lá para casa, como fazem os emigrantes portugueses com os pastéis de bacalhau.

     

    Como na Roma clássica, os bárbaros que destruíram o Império começaram por entrar e viver nele.

    Se a Europa perde a noção da sua própria dignidade, cria, por iniciativa própria e por uso erróneo – ou estúpido e cobarde – dos valores que criou, as condições para a sua própria destruição.

     

    2.4.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DAS RAZÕES DOS INVEJOSOS

     

    O IRRITADO acha que o pior defeito dos portugueses é a inveja. Porque se gaba de não ser invejoso, não tem por hábito alinhar no coro de protestos que andam por aí sobre os ordenados destes, os privilégios daqueles ou os fringe benefits daqueloutros. Costuma achar que a inveja é má conselheira e que os protestos e indignações de muita gente não passa disso mesmo: inveja.

     

    Como para tudo, porém, há limites. Pondo de parte a inveja e olhando à volta, há coisas de pôr os cabelos em pé.

     

     

    É verdade, por exemplo, que o Governador do Banco de Portugal ganha mais que o seu congénere americano e que os seus colegas andam lá perto. Se o princípio aplicado fosse o da proporcionalidade, então o Governador do Banco de Portugal ganharia o salário mínimo e estava com muita sorte. O princípio da proporcionalidade não se aplica assim, sem mais nem menos, entre Portugal e os EUA. Mas há uma outra proporcionalidade, que é a do país em que vivemos, aliada a essoutra, que é a da concorrência.

    É evidente que os altos cargos das empresas do Estado, ou onde o Estado tem uma palavra a dizer, devem ser bem pagos, muito bem pagos, tendo em conta dois factores: a sua relação com os salários e com o poder financeiro do país e o cuidado que sejam suficientemente atraentes para não se dar uma sangria de quadros para outros mercados.

    Usando estes simples critérios, não está certo, é escandaloso e imoral que, em Portugal, se pague a certos quadros da esfera empresarial do Estado de uma forma totalmente desajustada em relação ao trabalho que fazem e à concorrência que têm. Haveria que acrescentar os cargos provenientes da influência política ou dos amigos de cada um que estão no poder, não da sua demonstrada competência ou currículo. Mas isso é outra história, ou uma história complementar.

    A partir de uma lista de felizes contemplados que anda por aí na net, sem que ninguém a desminta, pode dizer-se que haverá, pelo menos, umas cem pessoas a auferir, em média, um salário anual de cerca de 3,5 milhões de euros, ou seja 700.000 contos, uns 50.000 por mês vezes catorze meses. 350 milhões de euros só para pagar a esta rapaziada. Se cada um, em média, fizer retornar ao Estado 30%, ainda ficará com 490.000 contos, ou seja 35.000 contos limpos por mês, fora as normais alcavalas – carros, telefones, representação, cartão de crédito, se calhar stock options, etc., etc.

    Como as respectivas empresas pagam 23,75% à Segurança Social, a despesa sobe para uns 450 milhões de euros. Recuperados os 30% de IRS, lá voltaremos, grosso modo, aos 350 milhões.

     

    Descontados os fulanos de nomeação puramente política, admitamos que as pessoas são competentes no que fazem. Mesmo assim, é difícil pensar, ou admitir, que o trabalho de cada uma destas sumidades valha o que custa. Ainda menos que tenha alguma coisa a ver com o país em que vivemos.

    Dir-se-á que, por preço semelhante, alguns poderiam arranjar trabalho nas empresas privadas ou no estrangeiro. Quantos? Um? Dois? Três é capaz de ser demais. As empresas privadas não são parvas, os estrangeiros ainda menos.

     

    Parece que, quando tanto se fala na indispensável “contenção salarial” e na “luta contra a corrupção”, quando tanto se esgrime com a “ética”, sobretudo a “ética republicana”, seja isso o que for, quando o Estado se prepara para esmagar a classe média (média alta, média média e média baixa), talvez não fosse dispiciendo olhar para este tipo de situações com olhos mais inteligentes.

    Pelo menos para que não se continuasse a dar razão aos invejosos de todas as “religiões” e aos tipos dos partidos comunistas, que continuam a achar, com a maior das latas, que acabando com os ricos se enriquece os pobres.   

       

    Aqui fica, à atenção de quem de direito, na certeza que quem de direito jamais ligará bóia às preocupações do IRRITADO, nem será capaz de um mínimo de bom senso.

     

    31.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • GRANDE BICADA

     

    Respondendo aos críticos da concessão da Casa dos Bicos, devidamente recuperada para se tornar digna das iniciativas da excelsa personalidade de Sua Excelência o Senhor Saramago, objecto de um prémio Nobel por razões que a razão desconhece, bem como dos histerismos da sua amantíssima esposa, um tal Sucena – nome que cheira a estalinismo que tresanda – veio à estampa protestar indignado contra a malandragem que se entretém a chatear o Costa por malbaratar o património nacional e os dinheiros dos munícipes com iniciativas de tal jaez.  

     

    O homem queixa-se de que a Casa dos Bicos estava em mau estado. É legítimo concluir que não estava em condições para receber as nobres personalidades a quem fora entregue. Note-se, antes de mais, que, conforme informação camarária, as obras se destinam a recuperar (muito bem) o edifício, adaptando-o (muito mal) aos desejos da castelhana esposa do fugitivo fiscal Saramago e ilustre “presidenta” da fundação do mesmo nome.

    Segundo o tal Sucena, a Câmara, mui justamente, alocou para as obras uns míseros 960 mil euros no orçamento de 2008. As obras começaram em 2009. Preservado o telhado e dada ao edifício a segurança necessária a travar a sua degradação, chegou-se à conclusão que era indispensável, para fazer a sua “adaptação”, mais um milhãozinho.

    Justifica o Sucena esta prebenda com o este extraordinário argumento: “nunca dês uma camisola rota a um pobre: passaja-a antes com lã da mesma cor e o melhor que souberes”.

    Coitado do Saramago! Admite-se que se dê uma camisola rota ao pobrezito, cheio de frio? Que humilhante ideia! E se a lã da mesma cor custa 2 milhões, que mal vem daí ao mundo?

     

    As economias do senhor Saramago, é certo que aumentadas pelo regime fiscal das Canárias – o off shore da Madeira é péssimo e imoral, o regime das Canárias é óptimo e justíssimo – ficariam afectadas se se gastasse uns tostões na Casa dos Bicos. Sendo os lisboetas a pagar, a coisa torna-se mais conveniente, mais justa. A camisola é dada em boas condições, sendo indiferente o preço da lã.

     

    Os críticos, esses, não passam de gente para quem “o fascismo é o seu tempo favorito”, diz o Sucena.

    Veja-se a isenção, a claridade, a dignidade, a sabedoria deste pensamento, junte-se ao da camisola, e aí temos a receita da sopa que o poder nos serve e uma imagem vibrante de quem nos anda a cozinhar o futuro: os sucenas, os saramagos, os costas  Cª.

    Tudo à nossa custa.

     

    Mais umas informações que o Sucena nos presta, para nosso descanso:

    O Saramago, fundador da Fundação Saramago, entrou para ela com a colossal quantia de 300.000 euros, quase 7 vezes menos do que vão custar as obras para que se possa, dignamente, instalar na Casa dois Bicos. E quanto vale a Casa dos Bicos? Não interessa. O que interessa é que a tal fundação, segundo o Sucena, já tem sede. Para que precisa de outra?, perguntar-se-á. A resposta deve ser simples: a actual é paga, a Casa dos Bicos é de borla.

     

    A fundação até já apresentou contas. Que coisa extraordinária! Devia estar dispensada dessas chatices. Ainda segundo o Sucena, começou por apresentá-las ao fisco, coisa que já não faz, uma vez que foi declarada de “utilidade pública”. Galinha da perna.

     

    Já me esquecia, que injustiça!, de referir que a fundação vai ser objecto de reforços anuais correspondentes a um terço dos direitos de autor recebidos pelo Saramago nas Canárias.

    Quer dizer: dois terços dos tais direitos são objecto do regime fiscal especial das Canárias, a uma distância cósmica dos 40% que os “ricos” pagam em Portugal, e ainda mais cósmica dos 45% que os mesmos “ricos” vão passar a pagar por obra do socialismo; o outro terço fica isento, por entrar numa fundação de “utilidade pública”. Utilidade que, faça o que faz ou o que se propõe fazer, desde já se exprime pela posse de um edifício histórico, uma preciosidade urbana sem igual. Grande utilidade!

     

    Depois das informações gentilmente prestadas pelo Sucena (administrador delegado da fundação Saramago!), há que tirar o chapéu ao fundador.

    Como um bom milionário americano, o homem funda uma charity. Como um bom oportunista, o homem livra-se de uma série de chatices fiscais, daquelas que põem a cabeça em água e esvaziam os bolsos dos seus compatriotas. Como um bom estalinista, o homem faz figura à custa de terceiros e põe a sua fundação a viver no luxo com o dinheiro dos outros.

     

    Bonito!

     

    29.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • BANDEIRA PORTUGUESA

     

    Na noite de 25 para 26 de Março alguém içou a Bandeira Portuguesa no local onde costuma estar a bandeira da república.

    Olho para os livros e verifico que é certo terem o azul e o branco sido, durante 770 anos, as cores nacionais, umas vezes juntas, outras só o branco.

    Queira-se ou não, são estas as nossas cores.

    Em 1911, as essas cores foram, oficialmente, substituídas pelo vermelho e o verde, cores de uma organização terrorista conhecida por carbonária que foi o braço armado dos crimes e desmandos da I República, antes e depois da sua infeliz implantação.

    É esta a verdade histórica. O escudo pátrio foi mascarado, com patético mau gosto, com a esfera armilar, e esta foi transformada em símbolo do mais fanático imperialismo, formando o chamado “papo-seco” da República. Assim se arranjou maneira de colocar o nosso escudo, da mais ilegítima e ofensiva das formas, sobre as cores da carbonária.

    Um regime novo, dito democrático sem jamais se ter submetido ao voto popular, deitou para o lixo, com a honra da Nação, as cores da sua Bandeira, as suas cores.

     

    Certo é que as gerações nascidas a partir dos anos 20, ou 30, já não sabem que as cores da carbonária não são legítimas, nem formal nem materialmente. Educados pela Segunda República (o Estado Novo) e pela Terceira, aceitam, como é natural, o que lhes foi ensinado e vibram com uma bandeira sem saber que não é a sua.

    O facto de as cores da Pátria terem sido substituídas pelas de um saco de bandidos não deixa por isso de ser facto.

    Quem teve a portuguesíssima ideia de hastear a Bandeira Nacional no lugar da da República, seja quem for, merece que se lhe tire o chapéu. Mais o mereceriam se explicassem às pessoas o significado do seu nobre acto.

     

    No ano em que uma Nação arruinada gasta 10 milhões de euros a comemorar a maior vergonha da sua história (o 5 de Outubro), bem precisávamos que alguém arranjasse uns tostões, não dos impostos mas do bolso de quem quisesse, para ajudar os cidadãos a sair da floresta de enganos em que os mantêm prisioneiros.    

     

    27.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O LIXO AO ATAQUE

     

    Ontem, comprei a “Visão”, coisa que não costumo fazer. Fui atraído por um livrinho que vinha anexo.

    Folheando a revista, dou com uma página toda negra a invectivar o povo da seguinte forma: “apague (imperativo!) as luzes durante uma hora. Combata o aquecimento global”. Isto, a fim de “contribuir para a preservação do nosso Planeta mas também para fazer parte da maior plataforma voluntária de cidadãos contra o aquecimento global”.

     

    O IRRITADO recomenda vivamente aos seus leitores que, à hora marcada pelos aldrabões (às 20.30 de hoje), acendam todas as luzes lá de casa, não para gastar energia mas para atirar à cara dos canalhas que ainda há quem resista ao novo fascismo.

     

    A iniciativa deve-se ao World Wildlife Fund.

    Conheci relativamente bem esta organização, já lá vão uns trinta anos. O seu grande patrono e dirigente era o Doutor Luc Hoffman, cidadão suíço, patrão de uma “empresa familiar”, como dizia, que se chamava, e chama, “Hoffman la Roche”. A ele se devia uma dedicação sem limites à causa da vida selvagem, à preservação das espécies e à diversidade genética. Em Portugal, por sua iniciativa, como apoio de Francisco Sá Carneiro, de várias figuras de todos os partidos políticos, de gente da sociedade civil como Afonso Patrício Gouveia e de interessados estrangeiros como John Lowden (chairman da BP), foi lançada publicamente a “Estratégia Mundial de Conservação”.

    A coisa, fruto de inúmeras e poderosas invejas dos nacional-ecologistas, foi imediatamente apelidada de “manobra de capitalistas sem escrúpulos” “forma de disfarçar as culpas da Roche na poluição” e outros mimos de semelhante jaez. Os seus promotores acabaram por desistir, e foram perseguidos até resolver desaparecer.

    Não sei qual foi a evolução do WWF desde então, mas imagino que, falecido o Doutor Hoffman, tenha caído nas mãos de demagogos interesseiros, acabando por alinhar na propaganda terrorista do aquecimento global, propaganda que tem o fim de levar as pessoas a achar “natural” e “obrigatório” sujeitar-se a que lhe caiam a quatro patas no bolso, através de “direitos de carbono”, de taxas a cobrar universalmente, de despesas ciclópicas nos orçamentos dos estados – a pagar pelo contribuinte -, ao mesmo tempo que serve para enriquecer sem limites aldrabões do calibre do senhor Gore, “cientistas” a soldo de entidades que, como a ONU, pagam chorudamente “estudos”, na condição de que seja previamente aceite uma determinada conclusão, etc.

    Ao WWF deve ter acontecido o mesmo que à “ecologia” em Portugal: tornou-se pasto ideal para cavalheiros de indústria.

      

    Ao mesmo tempo que o Canadá se debate com o grave problema dos excessos de gelo na calote do Árctico, ao mesmo tempo que a massa gelada do Antárctico Leste cresce exponencialmente, ao mesmo tempo que a Europa se debate com as dramáticas consequências de um Inverno terrível, ao mesmo tempo que os portugueses se vêm privados de Primavera, há uns tipos que mandam apagar as luzes para “preservar o Planeta”.

    É evidente que o apagão em causa não teria, se o houvesse, qualquer sombra de efeito no aquecimento global. Então, porquê a iniciativa? Trata-se de um passo mais na, essa sim, global, lavagem ao cérebro dos humanos, com o fim de vir a estabelecer poderes não sufragados, baseados no terror que fomentam, de forma a poder mais facilmente extorquir incomensuráveis verbas ao incauto contribuinte.      

     

    Para que fique documentada a raiz da iniciativa, aqui vão alguns dos seus “parceiros”:

     

    CocaCola, como se sabe, organização preocupadíssima com o “aquecimento”;

    IKEA, rebento de eleição do fascismo nórdico;

    Ogilvy, publicidade q.b.;

    StraCom MediaVest, ???;

    Etic, ???;

    Dizplay, ???;

    Câmara Municipal de Lisboa, sabem o que é?

    SIC, Visão, (Bilderberg???);

    RFM, será que a Igreja Católica também anda a aggiornar-se?

     

    Acenda as luzes, gaita!

     

    27.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • SAMPAIADAS

    O magnífico, o extraordinário, o inacreditável Presidente que a III República teve e que dava pelo nome de Jorge Sampaio, ainda anda pelos jornais a tentar justificar o miserável golpe de estado constitucional que teve a lata de perpetrar há uns anos, abrindo o caminho à maior desgraça que, desde o 11 de Março de 1975, aconteceu à dita República: o consulado do senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates.

    Diz o espantoso político: “eu não demiti o governo, eu dissolvi a assembleia”. Grande novidade!

    Logo a seguir, esclarece: “As instituições funcionavam, mas o governo era mau”.

    Veja-se a lógica “constitucional” do tenebroso cérebro: como não gosto do governo mas não o posso demitir, dissolvo o Parlamento, e pronto, mato três coelhos de uma cajadada: dou um pontapé no cu da maioria, dou cabo do governo, e abro caminho aos meus amigos da esquerda que, agora, até estão reorganizados. Se a Constituição não prevê uma coisa destas, quero lá saber! Se há uma maioria parlamentar estável, que tenho eu com isso! Não gosto do Santana, e acabou-se. Os constituintes não queriam este tipo de abusos? Pois, sei disso tão bem como eles. E então? Então é preciso dar o poder à esquerda e o resto é conversa. Se calhar queriam que eu os deixasse governar! Não vêm que, se lhes desse tempo, até eram capazes de vir a fazer alguma coisa? Deixá-los prestigiar-se? Não queriam mais nada? Agora, que estão na mó de baixo – nem o Cavaco gosta deles – é que é de ferrar a arrochada. Pumba!

     

    Demos ao homem o benefício da dúvida, coisa que não merece. A (má) consciência, lá no fundo, deve perturbar-lhe os neurónios. É capaz de haver, ainda, algum cantinho para o remorso naquela cabeça vesga. Por isso, de vez em quando, lá vem ele à liça, tentar aliviar-se.

    De cada vez que o fizer, o IRRITADO cai-lhe em cima. Não remedeia nada com isso, mas sabe-lhe bem.    

     

    26.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A DIIGNIDADE DE PSD

    Oito e meia da manhã. Depois de um bom pequeno-almoço, ligo o computador.

    À minha frente, a notícia: o PSD e o PS juntam-se para tentar encontrar maneira de o PSD não votar contra o PEC.

    O PSD não tem que aprovar o PEC. O PEC compete exclusivamente ao governo. Tudo o que possa significar um “alinhamento” do PSD com o PEC será de uma indignidade para além do aceitável ou compreensível. Não se pode apoiar uma coisa com que não se concorda e que se não foi chamado a discutir.

    O PS, a fim de entalar a oposição – que olimpicamente desprezou – apresentou uma moção de “apoio”, com o argumento de que quem lhe não der apoio estará a “prejudicar o país” e a ofender a sacrossanta “estabilidade”.

     

    Ora o que prejudica o país, o que torna o país risível e o desacredita em toda a Europa, é ter um PM que é um armazém de rabos de palha e que tem armários e armários cheios de esqueletos lá em casa.

    Enquanto o PSD não perceber isto e não fizer o que tem a fazer – deitar fora o primeiro-ministro – não passaremos da cepa torta, não ganharemos credibilidade, não seremos respeitados seja onde for ou por quem for.

    “Apoiar” aumentos de impostos depois de ter andado aos gritos contra o aumento de impostos, dar luz verde a uma “redução de despesas” que não reduz coisa nenhuma (veja-se o orçamento) depois de se ter andado a proclamar que havia que reduzir despesas, não se opor à ausência completa de ideias para relançar a economia depois de se ter andado a exigir que a economia fosse o escopo número um do PEC, deixar passar pontes, aeroportos e CAV’s depois de alardear que são puras asneiras, seria o cúmulo da indignidade para o PSD.

     

    Se há que haver crise política – toda a gente sabe que vai haver crise política – então que seja o mais depressa possível. Quanto mais depressa entrarmos nela mais depressa dela saímos.

    O grande papão – as agências de rating – aposto que não desconfiará mais de nós do que já desconfia, isto se dermos à Europa e ao mundo a imagem de um país onde ainda há quem não tolere trafulhas.  

     

    25.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • TUDO BOA GENTE

     

    O camarada Chávez anda à procura da rolha.

    Passo a explicar.

    Habitualmente, todos os males da Venezuela e do mundo são culpa do inimigo externo, sendo o inimigo externo os EUA, o capitalismo, o imperialismo, os chavões do costume. Até o terramoto do Haiti foi fabricado pelos Estados Unidos que, segundo o tirano da Venezuela, têm uma máquina própria para o efeito.

     

    Desta vez, a coisa é mais difícil que de costume, uma vez que o camarada ainda não arranjou argumentos para acusar da seca os habituais suspeitos. A seca está a agravar a crise energética do maior produtor de petróleo das Américas, crise surgida bem antes da dita seca, como fruto maduro das nacionalizações e de outras ditatoriais idiotices.

    Vai daí, com as centrais térmicas a meio gás, com as hídricas sem água, com as linhas de transporte arruinadas ou inexistentes, com o respeitável público a receber energia aos bochechos, de que havia o camarada Chávez de se lembrar? Nem mais nem menos que cortar a energia às empresas! Genial.

    Assim: o governo bolchevista decreta a quantidade de energia que cada empresa pode gastar. A quem ultrapassar tal quantidade, o governo corta o fornecimento (um dia). Se reincidir, três dias. E assim por diante. Já foram fechadas 80 empresas, as quais, mesmo impedidas de laborar.têm que pagar salários, etc., É evidente que a seca (as “alterações climáticas”, segundo o governo) tem relativamente pouco a ver com o assunto. A causa está na total negligência do Estado bolchevista em prever os consumos, construir e/ou manter centrais térmicas para as quais dispõe de combustíveis devidamente nacionalizados para evitar que os imperialistas ganhem dinheiro com o ouro negro da Venezuela, construir/manter uma rede de distribuição de alta tensão, etc., tudo coisas que o tenebroso capitalismo proporcionou com fartura durante décadas.

    As previsões são negras. Pensa-se que, a partir de Maio, se não antes, as restrições se tornem insustentáveis.

     

    Que importa? Haverá sempre um inimigo externo a “justificar” as asneiras do regime. Quando este entrar em colapso, também não importa, as forças armadas “bolivarianas” tratarão do assunto. Prenderão os “capitalistas” e os “reaccionários”, despejarão uns “inimigos do povo” no Pacífico e fundarão uns campos de concentração para os que sobrarem.

    A clássica revolução socialista, que triunfará, como em Cuba et alia.

     

    Daqui a trinta anos, morrerá o ditador. Os seus sucessores acabarão também por cair da tripeça. Então ver-se-á ressurgir o capitalismo na sua mais negra expressão, como na Rússia.

    Lá para meados do século, talvez a Liberdade volta à Venezuela.

    Para já, o regime tem os seus apoios: os senhores Amadinejá, Càdáfi, Putin, Castro e Pinto de Sousa, entre outros da mesma igualha. Se estes caírem, ainda ficarão, para lavar e durar, grandes líderes no género do Mugabe, do tipo da Somália, do Bin Laden e de quejandos.

     

    Tudo boa gente.  

     

    24.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA CHATICE!

     

    Caiu-me a alma – e não só – aos pés, quando ontem vi o senhor Branco rapar de um recorte de jornal e desatar a insultar o colega Rangel no debate entre os candidatos a chefe do PSD.

    Ainda que não o conhecendo de partíssima nenhuma, tinha do homem uma imagem positiva. Lá se foi a imagem, lá se foi a positiva. O fulano, afinal, é um fiel seguidor dos gatos do PSD, do Marcelo, do Pacheco, do Cavaco, do Coelho (Passos), do Menezes e de tantos outros que, nos últimos 6 anos, se têm dedicado a destruir o seu próprio partido.

    Se o PSD não tivesse raízes tão fundas no nosso tecido social, já não passava de um resíduo onde a assanhada gataria se divertiria aos arranhões.

     

    As eleições directas (um disparate sem nome, ao qual já devemos essa horrenda aquisição que se chama Pinto de Sousa, o mesmo que, modestamente, dá pelo nome de Sócrates) pareciam, apesar de tudo, poder ser um arrear das bandeiras da bagunça e da maledicência no PSD. Baldada esperança. Triste ilusão. O mais “sossegado” dos actores, o que infundia, se não entusiasmo pelo menos confiança, revelou-se membro da alcateia da maledicência gratuita.

     

    O debate foi ganho pelo senhor Pinto de Sousa. Foi ele quem esteve no centro de tudo, não o PSD. Ninguém, para além de velhos e relhos clichés, ouviu o que fosse de novo: nem ideias, nem intenções, nem nada que nos mude o futuro. Os candidatos definem-se como adversários do Pinto de Sousa, parecendo que, sem ele, não existiriam.

    Todos aplaudem a melhor máquina de defesa que ao Pinto de Sousa podia ter sido oferecida: a Comissão Parlamentar de Inquérito. Não é preciso ser muito esperto para perceber que a montanha vai parir um rato. Uns dirão umas coisas, outros o seu contrário. Como, nem a uns nem a outros, será dado “provar” o que dizem, tudo ficará em águas de bacalhau. Fazendo depender a política de “veredictos”, não se vai a parte nenhuma.  

    Os doutos candidatos ainda não percebem que, com provas ou sem elas, o senhor Pinto de Sousa, simplesmente, não é digno do lugar que ocupa, nem que fazer depender evidentes razões de dignidade e de carácter de processos judiciais ou parlamentares não passa de uma forma de encanar a perna à rã. O que tem a ver com o respeito que devemos ao país e a nós próprios não se pode confundir com as conclusões do inquérito ou com as sentenças da Justiça.

    Quem recusa à política a prerrogativa do julgamento político, recusa a própria política.

    Nenhum dos quatro percebe isto. É pena, muita pena.

     

    A este propósito, valerá recordar dois factos importantes a que ninguém liga bóia e têm a ver com as propostas de Pedro Santana Lopes ao Congresso.

    Parece que eram oito. Passaram todas, menos uma.

     

    Os ilustres candidatos deixaram passar, lá dentro, sem discussão, aquela que vieram cá para fora condenar. Com carradas de bom senso e de razão, tal proposta outra coisa não pretendia senão chamar a atenção dos gatos assanhados para a conveniência de não andar às unhadas durante os períodos eleitorais. Propunha um sistema mais permissivo que o do regulamento até então em vigor. Poderia, se houvesse juízo, ter efeitos muito positivos.

    Mas não há juízo nenhum, como os principais candidatos provaram à saciedade logo a seguir ao Congresso, embarcando em uníssono no coro absurdo e analfabeto da “lei da rolha”, coisa que até o desmiolado Assis já deixou cair.

     

    E a proposta derrotada? Sabem qual era? Não sabem, com certeza. Era a que previa uma segunda volta nas eleições directas, para evitar que o eleito o fosse, como há uns tempos, com um terço dos votos, ficando dois terços a ver navios. Era ou não era uma questão de bom senso? Parece indiscutível. Mas foi chumbada.

    Nenhum dos magníficos candidatos se lembrou de a defender!

    Desta vez, como são quatro, arrisca-se o PSD a vir a ser governado por alguém que reuniu…26% dos sufrágios. Bonito! Melhor garantia da continuação da guerrilha não pode haver. 

     

    Assim vamos nós, tristes, saudosos de líderes que se imponham pela inteligência, pela razão, pela verdade e pelo diálogo inteligente e sério com todos nós.

     

    23.3.10

     

    António Borges de Carvalho

  • VIVA A CORRUPÇÃO!

     

    Quais virgens puras e destemidas, os agentes da nacional-politiqueirice desdobram-se em diligências, comissões, altas autoridades e outras fanfarronadas soi disant destinadas a “combater a corrupção”. Até o camarada Cravinho, que se deixou corromper por uma choruda mordomia em Londres, surge das brumas do Tamisa a chocalhar de novo a sua, outrora execrada hoje louvada, cartilha de “luta”.

     

    A última acção desta cruzada consiste em criminalizar os presentes que, pelo Natal, as pessoas dão umas às outras. Como se os autores da marosca nunca tivessem recebido presentes fosse de quem fosse. Como se a corrupção pura e dura se deixasse impressionar com canetas Montblanc ou galheteiros de casquinha. O Doutor Vasco Pulido Valente já veio dizer que ainda acabam por criminalizar os postais de boas-festas. Tanto os activos como os passivos, acrescento eu: tão criminosos serão os que os mandam como os que os recebem os ditos postais.

     

    Tudo isto cheira, sabem a quê? A cortina de fumo. Parece que o Código Penal não contempla já os crimes de corrupção e actividades conexas. Parece que, repenicando e alargando a classificação dos chamados ilícitos penais, se alarga a perseguição a quem os comete. Parece que a Justiça não serve para nada. Serve para pouco, é certo, mas não será por arranjarem mais crimes se acrescenta alguma coisa aos que já existem.

    Tão mau como uma cortina de fumo trata-se de “medicina curativa”, ninguém falando, nem cravinhos nem quejandos de “medicina preventiva”.

    É que ninguém se preocupa com a natureza humana. Neste mundo as tentações são muitas e resistir-lhes é o diabo. Está para nascer o político, o politólogo, o sociólogo, o psicólogo ou qualquer outro rebento das centenas de diferentes “ólogos” que o “ensino” tem produzido, que venha legislar, propor, muito menos fazer seja o que for que acabe com as mais profundas raízes da corrupção. Toda a gente anda ocupadíssima a apregoar o seu horror à coisa, mas ninguém se preocupa (se calhar et pour cause…) com o que a provoca.

    Ninguém ataca a burocracia, ninguém simplifica seja o que for (uns fogachos aqui e ali, a fim de que tudo fique na mesma), os procedimentos estão cada vez mais complicados, cada vez há mais instâncias, mais institutos, mais “autoridades”, mais “entidades”, mais “civis” transformados, via “outsourcing” ou equivalente, em funcionários públicos, mais peias, mais traquinices públicas, mais taxas, mais cobranças, mais fiscais…

    Tudo o que motiva, proporciona, incentiva e provoca a corrupção aí está, cada vez mais triunfante, cada vez mais omnipresente, mais à disposição do cidadão que não tem outra solução que não seja engraxar a mão seja de quem for se quiser ver uma pretensão legítima satisfeita em tempo útil. Isto, se falarmos do cidadão comum. Quanto mais se se tratar de quem pode “resolver” problemas que valem milhões, quem se souber “mexer” na floresta das normas e das entidades que tratam de complicar os concursos de os evitar, que podem pôr o processo A à frente do B, que podem “dar uma palavrinha” a quem está “por cima”, uma turma onde os heróis, como na restante humanidade, são raros, e onde, por isso, não pode deixar de haver a dose de cupidez própria do comum dos mortais.

    Nada disto interessa aos “combatentes”. Eles “lutam” contra a corrupção mas não tocam nos sistemas que a fabricam.

    Nem pensar! Já viram quanta gente iria para o desemprego se se acabasse com os pinchavelhos legais e regulamentares que fazem com que uma sociedade inteira seja refém de um sistema que “tem que” ultrapassar se quiser fazer seja o que for, desde mudar a sanita de sítio lá em casa até lançar uma indústria de milhões?

    Como é que se quer incentivar o investimento, se não é possível investir no fundamental sem atravessar uma floresta de acessório, travessia quantas vezes impossível sem uma “ajudinha”?

    Investimento estrangeiro? Como, se ninguém trás para cá o seu dinheiro enquanto o sistema for o que é? Só com privilégios, incentivos fiscais, só se forem mais que os outros (os nacionais). Não é o que faz o Dr. Basílio? Sem Dr. Basílio, isto é, sem prebendas de que os portugueses não gozam, nem um chavo cá entraria. Mesmo assim, quando os estrangeiros percebem que, resolvidos os problemas a montante, restam os que estão a jusante (a Justiça), tratam de dar à sola o mais depressa possível.

     

    Quanto mais crimes criarem mais voltas a hidra pública arranjará para poder continuar a sua obra, mais requintes terá a corrupção.

    É uma questão de sobrevivência, não é?

     

    Pior que os corruptos são os “puros” que dizem querer acabar com a corrupção sem mexer uma palha naquilo que a provoca.

     

    21.3.10

     

    António Borges de Carvalho