Oito e meia da manhã. Depois de um bom pequeno-almoço, ligo o computador.
À minha frente, a notícia: o PSD e o PS juntam-se para tentar encontrar maneira de o PSD não votar contra o PEC.
O PSD não tem que aprovar o PEC. O PEC compete exclusivamente ao governo. Tudo o que possa significar um “alinhamento” do PSD com o PEC será de uma indignidade para além do aceitável ou compreensível. Não se pode apoiar uma coisa com que não se concorda e que se não foi chamado a discutir.
O PS, a fim de entalar a oposição – que olimpicamente desprezou – apresentou uma moção de “apoio”, com o argumento de que quem lhe não der apoio estará a “prejudicar o país” e a ofender a sacrossanta “estabilidade”.
Ora o que prejudica o país, o que torna o país risível e o desacredita em toda a Europa, é ter um PM que é um armazém de rabos de palha e que tem armários e armários cheios de esqueletos lá em casa.
Enquanto o PSD não perceber isto e não fizer o que tem a fazer – deitar fora o primeiro-ministro – não passaremos da cepa torta, não ganharemos credibilidade, não seremos respeitados seja onde for ou por quem for.
“Apoiar” aumentos de impostos depois de ter andado aos gritos contra o aumento de impostos, dar luz verde a uma “redução de despesas” que não reduz coisa nenhuma (veja-se o orçamento) depois de se ter andado a proclamar que havia que reduzir despesas, não se opor à ausência completa de ideias para relançar a economia depois de se ter andado a exigir que a economia fosse o escopo número um do PEC, deixar passar pontes, aeroportos e CAV’s depois de alardear que são puras asneiras, seria o cúmulo da indignidade para o PSD.
Se há que haver crise política – toda a gente sabe que vai haver crise política – então que seja o mais depressa possível. Quanto mais depressa entrarmos nela mais depressa dela saímos.
O grande papão – as agências de rating – aposto que não desconfiará mais de nós do que já desconfia, isto se dermos à Europa e ao mundo a imagem de um país onde ainda há quem não tolere trafulhas.
25.3.10
António Borges de Carvalho

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