De há muito a esta parte, tem o IRRITADO vindo a denunciar a chamada “política energética” do senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, “engenheiro relativo”, como é conhecido no “Correio da Manhã”.
Em nome de coisas tão sérias como a necessidade de reduzir as importações de petróleo, de patranhas tão ignaras como a do aquecimento global e de “papões” tão falsos como o CO2 (que não faz mal a ninguém), o governo entrou, a quatro patas, na história das eólicas.
Fortunas incalculáveis têm sido, e continuarão a ser gastas em subsídios a cavalheiros de indústria, como o senhor Pimenta, que constroem equipamentos que ninguém sabe como vão ser pagos nem quando serão, se vierem a ser, rentáveis e verdadeiramente produtivos. As facturas já estão a ser pagas e sê-lo-ão cada vez mais, pelos papalvos do costume: nós.
Há para aí dois anos, um empreendedor, de seu nome Monteiro de Barros, propôs-se construir uma central nuclear em Portugal. O governo correu liminarmente com o homem, porque o nuclear “não estava na agenda”. Depois, sem jamais ter discutido o assunto com o proponente, o mesmo governo pôs a circular que ele fazia tais e tantas exigências, queria tais e tantos privilégios, que… não queria mais nada? Ora vá-se lixar!
Pois é. O senhor Pimenta e seus colegas talvez não tenham privilégios formais. Têm outros: milhões e milhões de “ajudas ao investimento”. E são uns heróis. São, além disso, o contrário do que é um investidor, isto é, pouco ou nada arriscam. Produzem a electricidade mais cara do mercado. Recebem, não pagam.
Quem paga e quem arrisca somos nós, a mando do governo.
Vem isto a propósito de um manifesto, assinado por um muito largo grupo de técnicos de economia e de energia, provindos de várias universidades e áreas ideológicas. Dizem, em resumo, o que diz o IRRITADO: que a política energética está completamente errada, que a factura a pagar é insustentável e que o nuclear tem que ser “discutido”.
O IRRITADO está de acordo com tudo, menos com a proposta de “discutir” o nuclear. É que o nuclear já está estudado, praticado, consolidado em tantas e tão prósperas partes, já produziu tantos e tão bons resultados, já foi e continua a ser de tal forma apurada a sua tecnologia, que o que valeria a pena seria tomar, já e sem mais discussões, a decisão de o adoptar em Portugal.
Isto, se quiséssemos vir a ter energia mais barata, mais regular e mais abundante. Mas não queremos. O que nós queremos (o que quer o senhor Pinto de Sousa) é poder esgrimir a teoria das “renováveis” na sua mais demagógica expressão, custe o que custar e a quem custar.
Admiram-se? Não é caso para isso. Arruinar o país não é o que preside, desde a primeira hora, aos privilegiados raciocínios do fulano? Não é o que, com mão de mestre, ele tem realizado? Não é o que está à vista?
2.4.10
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário