IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • VÃO VER!

    Como é bom nada fazer e ter tudo!

    Nada ter, ou pouco, numa continha da CGD, mais uns empréstimos a pagar, mas sem problema, que há amigos! Que bom!

    Ter um Mercedes dos bons, um motorista privativo, uma femme de ménage, uma secretária para os convites para almoçar no Aviz e para outras coisas indispensáveis a um homem da minha posição, um casarão em Paris, o Sena bruxulear aos meus pés, jantar na Lipp, na Coupole, no Café de Paris ou, melhor ainda, no Plaza Athenée, no Fouquet, na Tour d’Argent, passar os serões no Man Ray, no Boudha, no Costes, ir a Lisboa, ao Rio de Janeiro, a Miami, a Londres para reuniões com amigos, onde me apetecer, sempre em primeira, um magnífico andar no Marquês, vestir no Armani ou no Bichan (se não é Bichan é outra bichice do género) em Nova York e Los Angeles, ir, no Inverno de cá, até às Caraíbas, as salsas ondas a acariciar-me a fina pele…

    … tudo sem fazer a ponta de um chanfalho, sem pagar um tostão, um amigo a tratar de tudo, a mandar as notas que forem precisas para onde for preciso, a pagar os andares, o Mercedes, o motorista, a secretária, os almoços, os jantares, as viagens e mais o que me apetecer, que bom!

    Bem vistas as coisas, que mal há nisso? O amigo tem uma data de milhões em nome dele, não lhe faz diferença nenhuma, é tudo amizade e da boa. O Salgado não tem um amigo que lhe deu 14 milhões, por puros sentimentos de solidarieade e compreensão? Alguém tem alguma coisa com isso? Era o que faltava!

    Porque é que há-de haver gente tão maldosa, tão invejosa, baixa ao ponto de pôr em causa a minha suave vidinha e a minha impecável pessoa? Não se compreende, é o fim da democracia, da reserva da vida privada, do respeito cívico, pura maldade, malquerença, cinismo, canalhice, como muito bem disse o meu camarada Mário Só Ares.

    Vão ver que os macacões que me perseguem acabarão por não provar coisíssima nenhuma, a massa é toda do meu amigo, ele é que a ganhou, ninguém tem nada a ver com o destino que dá ao que é dele, não é evidente? Um benemérito da Nação, um homem que pegou nas reservas financeiras que tinha a render a bom recato e as repatriou, declarando ao fisco e pagando o que o fisco lhe exigiu! Quem poderá tocar-lhe na fímbria das vestes, ou na das minhas, sem se transformar, ou ser, um canalha? Ninguém.

    Vão ver que, um dia, mais cedo ou mais tarde, me será reconhecida a minha real estatura de grande homem, daqueles que a Nação precisa, e serão arrastados na lama os que me perseguem. Aliás como sempre, não é? Os conspiradores bem tentaram, mas eu saí-me de todas, e por cima. Porque não me sairei desta?

     

    Esperem e verão.

     

    Évora, 22 de Dezembro de 2014

     

    PSousa (Engº)

  • ATAQUES DE TAPRIOTEIRISMO SOCIAL-FASCISTA

    Dizia-se que um feroz e violento nacionalismo era património exclusivo da extrema direita.

    Mentira. Vimos assistindo, com uma sanha digna de Mussolini (Salazar fica a milhas desta gente), a manifestações do mais repenicado e primitivo nacionalismo a propósito da privatização da TAP. O único argumento contra a coisa é rigorosa e estapafurdiamentemente nacionalista, com tudo o que tem de absurdo e de populista. A TAP é nossa! Nós gostamos da TAP! Não queremos estrangeiros a mandar na TAP! Ai as nossas rotas! e tanta, tanta patacoada! Tudo a partir da esquerda teoricamente anti-nacionalista e de uma série interminável de pensadores de ocasião. Parece que lhes deu uma crise de fascismo, tão primário quanto estúpido. Produzem-se disparates sem fim, nenhuma das oposições à salvação da companhia é capaz de alinhar duas razões concretas para manter o status quo.

    As coisas são tão evidentes que é difícil perceber a “argumentação”, cuja lógica jaz exclusivamente em preconceitos ideológicos, saudosismo imperial e “formatação” estatista.

    Está provado e mais que provado que as privatizações das companhias de bandeira foram a salvação de muitas delas e que a sua manutenção na esfera pública acabou por provocar ribombantes falências. Está provado que as companhias privatizadas não deixaram de ser “de bandeira”, pelo menos na prática, que é o que interessa. Está provado que meter dinheiro dos contribuintes para salvar a TAP não tem pés nem cabeça, não só porque representaria obrigatoriamente uma “reestruturação” materializada no “encolher da companhia”, com as consequências económicas e laborais que toda a gente conhece, como porque é evidente que o Estado, ou seja, o contribuinte, não está em condições financeiras favoráveis à capitalização pública.

    Os partidos e gentes do PC, do BE e apaniguados, adeptos de sistemas, regimes e procedimentos que diferença alguma fazem dos fascismos mais fundamentalistas e sanguinários, naturalmente, opõem-se à privatização, não se podendo esperar deles outra coisa. Do doido Mário Soares também não. As tergiversações do PS e do seu novo líder – que não hesita em produzir mentiras como a da privatização a 100% – são um espanto, mostram bem o tipo de organização de que provêm: nos vergonhosos tempos do PEC4, e mesmo antes dele, o PS defendeu a privatização. Negociou e foi o primeiro subscritor e responsável do memorando da troica que a previa. Agora, oposição gratia oposição, eis que vira o bico ao prego. Há outra gente ainda mais escabrosa: o prosélito defensor de Ricardo Salgado, de nome Sousa Tavares; o inacreditável “cristão novo” do esquerdismo, certo Peneda, um penedo acabado, um Vasconcelos, de quem nunca se viu dito ou escrito que não fosse esquerdoidamente idiota, e tantos outros que nem menção merecem.

    Se esta nova versão do social-fascismo triunfasse, daqui a pouco a TAP, transformada em elefante branco aterraria de uma vez por todas.

     

    19.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA OPINIÃO ABALISADA

    Com a devida vénia, o IRRITADO transcreve carta de um magistrado do MP acerca da prisão do camarada 44

     

    Exmo Senhor Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público

    No exercício pleno dos meus direitos de cidadania e após um olhar atento e reflexivo sobre os mais recentes acontecimentos que envolvem o funcionamento  do nosso sistema judicial e político, tomei a liberdade de recorrer a V. Exa, na qualidade de representante da classe dos Magistrados do Ministério Público, no sentido de me esclarecer acerca de algumas questões que se prendem com a detenção para interrogatório do antigo Primeiro Ministro José Sócrates e sua posterior prisão preventiva.

    1º-  É admissível, do ponto de vista legal, que um cidadão colocado em prisão preventiva na sequência do interrogatório a que foi submetido em sede de Juízo de Instrução Criminal, após detenção, possa, a partir do interior da prisão, exercer o seu direito de defesa através de cartas, notas ou declarações enviadas regularmente à comunicação social. De acordo com a lei processual penal é esse o local, o tempo e o modo  próprios para o exercício da sua defesa?

    2º- Pode esse mesmo preso preventivo, nessas notas enviadas à comunicação social, repito, a partir do interior do estabelecimento prisional, fazer considerações, apreciações valorativas e juízos críticos da intervenção dos Magistrados que tutelam a investigação e  instrução do processo. Recordo: ” A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espectáculo em torno dela uma infâmia. “
    ” A prepotência atraiçoa o prepotente.”
    ” O caso tem contornos políticos.”
    É que se tudo isto é possível sem que estejam postos em crise quaisquer princípios de direito penal ou processual penal, então parece-me legítimo admitir que o próximo passo seja a convocação de uma conferência de imprensa para o interior do estabelecimento prisional para um debate alargado com os Srs jornalistas para que, duma forma pública e sem limitações ou reservas, o cidadão José Sócrates possa partilhar com os portugueses a sua defesa no processo em que é indiciado.

    3º- Presumo que os estabelecimentos prisionais possuem regras próprias com vista ao seu regular funcionamento e que essas regras se aplicam de forma igual a toda a população prisional, tanto no que diz respeito aos dias de visita como aos procedimentos que envolvem a vida do dia a dia no interior da prisão. Pergunto: Está ao alcance de qualquer presidiário receber visitas fora dos dias e dos horários regulamentados?
    Qualquer preso pode fazer uso da cabine telefónica existente no interior da prisão para comunicar com o exterior?

    4º- As declarações do cidadão Mário Soares, ouvidas por milhões de portugueses, à saída da prisão onde foi visitar José Sócrates num dia em que não eram permitidas visitas,  nas quais, duma forma despudorada e violenta, coloca em causa não só a  idoneidade e a  independência dos Magistrados que presidem à instrução do processo, como  a credibilidade e o normal funcionamento da Justiça , são insindicáveis, ou devemos concluir que o antigo mais alto Magistrado da Nação goza dum estatuto de privilégio perante a lei que lhe permite eximir-se ao cumprimento das normais regras dum Estado de Direito.
    Sei que V. Exa, na qualidade de Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, reagiu, e bem, ao desconchavo dessas declarações, mas e consequências, não há? Pior que isso, não tenho conhecimento de mais qualquer outra reacção da parte da sociedade civil em geral e em particular das Instituições atingidas por essas declarações. Mais, o que vi foram pessoas com responsabilidades aos mais diversos níveis na comunidade de comentadores políticos avaliarem este episódio como sendo tudo normal e destituído de qualquer relevância, atendendo à pessoa em causa.

    5º- Finalmente, e a propósito do tão estafado debate sobre as violações ao segredo de justiça, ocorre-me perguntar se as afirmações postas a circular nas redes sociais pela mulher do advogado de José Sócrates de que, no interrogatório judicial a que o cliente do seu marido foi submetido, nunca lhe foram colocadas perguntas que envolvessem factos relacionados com corrupção, poderão, ou não, ter consequências para o Dr João Araújo.

    Certo de que a importância e a actualidade  das questões supra referenciadas possam merecer de V.Exa a melhor atenção, subscrevo-me atenciosamente,

    Francisco Lacerda Franco

     

    18.12.14

  • GREVES E VENDAS

     

    O pretendente Costa descobriu, não se sabe onde, que o governo ia vender 100% da TAP. Toda a gente sabe que a venda é de sessenta e tal por cento e que há, por promessa do Cravinho, 5% para os grevistas, perdão, para os “trabalhadores”. Mas, para entusiasmar as massas e os tipos da TV, nada melhor que uma mentira bem gritada.

    Antes que quem lê pense outra coisa, o IRRITADO desde já declara que, na sua opinião, o governo devia vender tudo a quem cumprisse certas condições. Para os gananciosos grevistas, zero.

    Posto isto, toda a gente sabe que, feitas as contas, a TAP tem toneladas de pessoal a mais e de dinheiro a menos. Qualquer gestão digna de tal nome começaria por tratar destes problemas, o que muito deve incomodar os grevistas. Para estes e para os adeptos do estatismo socialista, a solução seria que o Estado arranjasse mais uns milhares de milhões de dívidas, mantivesse o “posto de trabalho” de incontáveis inúteis, aumentasse os ordenados à maralha e, quando o buraco se abrisse outra vez, tratasse de arranjar mais dinheiro, fosse onde fosse e à custa de quem fosse. O socialismo tende para o abismo, mas que interessa, se é da natureza das coisas?

    O Costa não tem coragem, ou tendência, para vir à praça pública dizer qualquer espécie de verdade. Está farto de perceber que a greve anunciada pelos “trabalhadores” da TAP é um miserável atentado contra Portugal e os portugueses. No caso, como dizer a verdade é chato, vai de arranjar maneira de camuflar o silêncio. Nada melhor que, sem falar na greve, falar da TAP. Como? Mentindo. Mudando o tema. Distraindo o pagode. Barulhando com questões laterais, fora do que, de imediato, interessa.

    É uma forma de fazer política. Não é uma forma séria, mas, bem vistas as coisas, é capaz de compensar.

     

    14.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MARIQUICES

     

    Alguém se lembra de ter visto o camarada Costa, ao longo dos longos e tristes anos em que vem sendo chefe camarário, comemorar o 1º de Dezembro? Um doce a quem se lembrar.

    No tempos da II República, os meninos da bufa desfilavam pela avenida abaixo entre bandeiras e charamelas, pletóricos de patriotismo e, como é natural, chatedíssimos por estragar o feriado. Cantava-se o hino da Restauração, ouvia-se tambores e trombetas, o povo assistia ao desfile, as mamãs e os papás babados ao ver passar os rebentos fardados e cheios de importância. A coisa foi-se perdendo com o tempo e com o inevitável declínio da MP.

    Veio a III República e, sem grandes considerações filosóficas, a comemoração passou a ser, segundo o politicamente correcto, coisa de velhotes, patrioteiros ou até “fascistas”. O 5 de Outubro é que é bom: velhos maçons e demais filhos mentais do Afonso Costa recriaram, na Praça do Município, a fatídica data, com discursos, trombones e meia dúzia de passantes, curiosos e portadores de sentimentos obsoletos. Do 1º de Dezembro ficava o feriado, o que já não era nada mau.

    Até que, numa de pouco esperta “moralização” do trabalho e dos costumes, o actual governo decidiu acabar com o feriado. Meteu a pata na poça. Não percebeu que, se mantivesse o feriado, seria acusado de pacóvio, incompetente, neoliberal e outros mimos da praxe. Acabando com ele, foi acusado de pacóvio, incompetente, neoliberal e outros mimos da praxe. Assim é em tudo, porque não havia de o ser neste caso?

    Facto é que a abolição da coisa passou a ser um bom mote para excitar o “patriotismo” de uma data de gente, Costa incluído, e um pretexto de primeira para fazer uma sessão de propaganda da oposicão socialista, com a inevitável adesão de inúmeros fulanos que de socialistas nada têm, a proporcionar ao Costa uma farra “abrangente”.

    Tudo isto existe, tudo isto é fado. Aceite-se, sem olhar para o evidente cinismo nem para o oportunismo da iniciativa. Antes as comemorações ressuscitadas que coisa nenhuma.

    A partir daqui, vem o pior. E o pior é que o CDS, como sempre faminto de “temas”, resolveu agarrar-se ao assunto para dar sinal de vida. Mais uma mariquice, a juntar a tantas outras. Concordou com a abolição do feriado, assinou por baixo. Agora, achando que arranjava um assunto “popular”, resolveu “desassinar”, possivelmente usando o princípio filosófico da demissão irrevogável: o dito por não dito. Não sei se Passos Coelho fez bem ou mal em mandá-los bugiar. Sei que o mereciam.

    Dito isto, o IRRITADO confessa que nunca gostou da decisão de acabar com os feriados, ainda que, a título de exemplaridade, a compreendesse. Mas uma coisa é criticar decisões dos outros, outra é faltar à palavra.

     

    14.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ALGO DE NOVO

    Não sei se com alegria se com tristeza, o 44 viu-se corrido das primeiras páginas. A saga entediante dos bichos-careta da informação sobre a sua distinta personalidade levou com a rolha do Ricardo Salgado. Agora, o que está a dar é o antigo DDT e o seu bem-amado primo. Quem terá razão? Não falta quem opine, desopine, teça considerações da mais diversa ordem, se entretenha a ajuizar, quem mentiu, quem não mentiu, quem tem ou não tem razão. Provavelmente mentiram os dois, disseram os dois a verdade, têm razão os dois, nem um nem outro a tem. O IRRITADO não faz ideia, não percebe nada, não se mete nestes sarilhos.

    Um paralelo e uma diferença.

    Paralelo: talvez não por acaso, o caso do Salgado é da família do do 44. Fazem os dois o mesmo tipo de discurso. Ambos são, na opinião própria, umas angélicas criaturas perseguidas por alcateias de lobos esfaimados. As culpas, a havê-las, são do governo, dos polícias, dos políticos intriguistas, da mulher da limpeza, das cabalas, dos astros.

    Parece que ambos cairam na cama que fizeram. Não por acaso eram parceiros em tanta coisa, e tanta coisa lhes caiu em cima. Unidos na glória, unidos na desgraça.

    Diferença: a dos tempos. Antes, o governo do 44 e sua gente dedicava-se a ir a correr, com o nosso dinheirinho, apagar os fogos que outros atearam. Tal caríssima fantochada parece ter os dias contados. Quem paga? Resposta: quem arriscou em “produtos tóxicos”, como acções/obrigações do BES. É dos livros que quem não arrisca não petisca. Mas também o é que quem arrisca, arrisca. Desta, quem não arriscou, safou-se. Quem arriscou lixou-se. C’est la vie. Mesmo que os demais venham a pagar, será alguma coisinha, não milhares de milhões. É a diferença.

    Outra diferença: a que há entre um governo que se metia em tudo e outro que procura só se meter onde é chamado – mesmo assim, na opinião do IRRITADO, que é um ultraneohiperliberal, ainda se mete em muitas em que se não devia meter.

    Outra ainda: as autoridades judiciais davam cobertura a tudo e mais alguma coisa, queimavam provas, arquivavam o que conviesse a um governo metediço. Isso também acabou.

    Ficará para um futuro longínquo saber se Salgado e/ou Ricciardi são uns anjos ou uns demónios, ou nem uma coisa nem outra. Para já, engalfinhem-se como entenderem, que é do que a malta gosta. Pelo menos até que outra bronca qualquer dê de comer a quem vive destas coisas. Antes isto que a casa dos segredos, xiça!

    Que tenham as boas-festas que merecem.

     

    11.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • SABOTAGEM!

    Não consta que os funcinários da TAP sejam mal pagos. Não consta que não tenham privilégios, benesses e regalias que não são dados ao comum dos mortais. O Estado é o Estado, que diabo, uma fábrica de salários, benesses e reaglias.

    Consta que o Estado quer sair da coisa. A porca começa a torcer o rabo. Vêm aí uns patrões a saber fazer contas, se calhar as massas vão ficar mais perto do olho da rua, ou ter que trabalhar mais por menos. Inaceitável!

    Por isso, as massas ditas trabalhadoras não podem deixar de resistir. Têm razão. Se a coisa continua como está, e não houver cofres públicos para tapar os buracos, onde vão parar as massas? Na conformidade com este justo raciocínio, as massas descobriram a solução: tudo fazer para desvalorizar de tal forma a empresa que não haja quem a queira, ou não haja quem a queira pelo mínimo que é lógico que o Estado exija. Assim se garantirá a permanência dos postos de trabalho e as respectivas condições. Bem visto!

    Para começar, ou continuar, as massas, com alto sentido patriótico e de “missão”, vão realizar uma rábula grevista nos dias que melhor podem fazer jus aos seus “direitos”, ou seja, aqueles em que mais prejuízos económicos e sociais se pode causar. A verdade é que as outras greves já feitas este ano só custaram umas dezenas de milhões, o que é julgado pouco para a nobreza dos objectivos.

    O IRRITADO lembra-se dos gloriosos tempos em que, por dá cá aquela palha, multidões de portugueses foram perseguidos ou encarcerados por “sabotagem económica”. E muito bem, pelo menos na opinião do Vasco Gonçalves e do MFA.

    Os tempos são outros. O poder já não inventa tais crimes para se livrar de gente menos cómoda. Donde se conclui que está tudo de pernas para o ar: quando não havia sabotagem económica ia-se preso por sabotagem económica. Agora, que há sabotagem económica, ninguém vai preso por sabotagem económica. Agora é que está certo, mas lá que faz uma certa confusão, ai faz, faz.

     

    11.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NÚMEROS E ALDRABÕES

     

    O governo tem uma estratégia de empobrecimento dos portugueses, quem paga a crise são os mais pobres, o governo aumenta a dívida, vai para além da troica, pisa os mais fracos, protege os ricos, não tem sensibilidade social, há vida para lá do orçamento, o governo castiga o consumo, paralisa a economia…

     

    Eis algumas das muitas afirmações que, de muito repetidas, arriscam a ser tidas por verdades.

    No entanto… veja-se os números da OCDE. Por muito que a cegueira da ignorância e da partidarite não queira acreditar, aqui estão, referentes a 2007/2012:

     

    – Indice de empobrecimento/ano dos países que precisaram de ajuda externa:

    – Irlanda: 4,2

    – Grécia: 8,3

    – Espanha: 3,6

    – Islândia: 6,6 (mesmo com desvalorização da moeda)

    – Portugal: 2,3

     

    Obs. Portugal, de todos os países da Europa com graves crises financeiras, foi o que menos empobreceu até 2012, pensando-se que, em 2013, tenha piorado, em virtude das decisões do Tribunal Constitucional.

     

    – Perda (em %) de rendimentos entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres:

     

    – Irlanda:+ pobres -10,2;+ricos -4,1                             

    – Grécia:+ pobres -12,7;+ricos, -9

    – Espanha:+ pobres, -12.9;+ricos, -1,4

    – Portugal:+ pobres -1,9;+ricos, -3,7                       

     

    Obs.No caso de Portugal, a crise e a subsequente política de austeridade retirou mais a quem mais tinha, ao contrário de todos os outros também sujeitos a fortes políticas de austeridade.

    Enfim, é o que diz a OCDE. Alguma coisa valerá, pelo menos para quem tiver dois dedos de testa.

     

    À v. consideração

     

    10.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DA EXTINÇÃO DO SOCRETISMO

     

    O famoso jurista Correia de Campos, antigo ministro da saúde dos ominosos governos do camarada 44 e actual comentadeiro com assento no jornal socialista chamado “Público”, talvez recordando os seus tempos de chefe da nacional medicina, veio passar douta certidão de óbito aos “socratistas”, que considera “extintos”.

    Veja-se o alto critério de Sua Excelência. No momento em que toda a cáfila do socretinismo regressa ao poder na agremiação e volta a ter fundadas esperanças de poder, este intelectual declara-a acabada. No momento em que o novo generalíssimo da coisa, à boa maneira do socretinismo, informa os indígenas das suas intenções de meter uns milhõezinhos debaixo do tapete, de pagar a dívida de forma “imaginativa”, dominando a “Europa”, a Merkel, o Draghi e os credores em geral e de voltar à loucura das obras públicas, o inteligente Correia de Campos acha, ou conclui, que tal gente está “extinta”, que tais ideias também, que tal mentalidade acabou. É de estalo.

    Compreende-se a sanha do senhor em acalmar as massas desconfiadas. Os socratistas voltaram ao de cima? Que ideia! Se estão extintos, como podem voltar ao de cima ou seja onde for? Nem pensar. Dizer tal coisa é obra da imaginação da direita, quem sabe se uma das costumeiras cabalas.

    Bem vistas as coisas, o homem está borradinho de medo. Percebendo o quanto pode prejudicar o PS a convicção generalizada de que, em ideias e pessoas, o Costa, não conseguindo parir nada de novo ou de diferente nem tendo outra gente a quem se agarrar, está a ressuscitar a desgraça socretina no seu máximo esplendor, o Campos adopta a tese da “extinção”.

    Bem visto quanto estúpido.

     

    10.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A QUEDA DE UM ANJO

    É bom ser ambicioso. Mas a ambição, às vezes, é má conselheira.

    Veja-se o caso de Rui Rio. O homem teve uma actuação notável, conquistou o Porto contra o Pinto da Costa (feito notabilíssimo!), governou bem a cidade, prestigiou-se. Tinha uma carreira partidária imaculada, um estatuto profissional decente, uma postura cívica – seja lá isso o que for – sem mancha, um conhecimento público generalizado, boa imprensa. Em resumo, estava em posição de ter ambições. Se quisesse, mais cedo ou mais tarde podia ser líder do PSD, primeiro-ministro, presidente da república.

    O pior é o resto. O resto, na opinião do IRRITADO, é que a ambição o fez começar a asnear. É notório que coisas intermédias já não lhe chegam: a presidência é que é bom.

    Assim, desdizendo-se, aparece sem pudor a apoiar o Costa, a lançar bocas presidencialistas, a armar-se em reformador do regime. Como se pudesse vir a ser candidato com o apoio do PS, ou sem o apoio do PSD! Não vê que tanta “abrangência”, tanta “independência” o podem, por um lado, prejudicar e, por outro, o metem no saco do mais evidente oportunismo?

    Pode ser que ainda vá a tempo de arrepiar caminho. Se não, é a queda de um anjo.

     

    10.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • AVENTURAS DE UM PARLAPATÃO COM SORTE

    A sorte de Soares coincidiu com a nossa num tempo curto, mas importante. Entregue o ultramar à URSS, de acordo com o chamado “pacto de Paris”, já não havia desculpa para Cunhal continuar incendiar as “massas”. O prometido, da parte de Soares, estava cumprido. Internamente, Cunhal tinha que cumprir também, com a especial ajudinha do parceiro, que o viria a considerar “indispensável à democracia”. Além disso, a fúria popular contra sovietização do país era de tal ordem, que se transformou no cavalo certo. Urgia montá-lo para não perder a corrida e não ser metido no saco em que a malta já tinha posto o camarada Álvaro.

    Depois, a conquista do poder não foi difícil. Sem maiorias que se vissem, Soares fez as alianças que mais lhe convinham, ora com o CDS, ora com o PSD, ora, quando as coisas corriam mal, com o FMI. Jurou vingança contra Eanes, um chato intrometido.

    Sá Carneiro foi o primeiro a fazer-lhe frente, a ele e aos diversos bandos de artistas que sempre povoaram o PSD. Houve o “interregno” da AD, que durou pouco, aliás como Sá Carneiro. O imperador voltou. Entretanto, houve que limpar a casa. Aos poucos, foi funcionando o cilindro: foi-se o Manuel Serra, foi-se o Salgado Zenha, foi-se o Rui Mateus, e mais uma data de gente foi abolida. Ai de quem lhe tocasse a fímbria das augustas vestes do nosso homem. Eanes que o diga. É certo que houve alguns, mais espertos ou mais resilientes, que se foram deixando ficar, Sampaio e Guterres, por exemplo. Ao tempo, Soares não conseguiu fazer-lhes a cama, mas ficou à espera de poder servir-se deles. Cavaco fê-la, mas durou pouco, já que Soares voltaria pela porta do cavalo do poder, sita em Belém, e dedicou a vida e o cargo a dar-lhe cabo do juízo, num entendimento assaz original, mas muito apreciado, da função do ocupante do palácio real.

    E lá foi apoiar Sampaio, o chefe do ex-secretariado, odiosa organização. É assim que tem que ser. É preciso cavalgar os bons cavalos, os que podem ganhar, mesmo que se engula uns sapos pelo caminho. O tempo viria a demonstrar a razão que lhe assistia quando Sampaio veio a usar um poder que, segundo a antiga opinião do imperador, lhe não assistia. E muito bem, terá pensado, as coisas são o que são, dependendo do momento. Para correr com o “inimigo”, interpreta-se a Constituição de pernas para o ar. E muito bem. O que está certo é o que convém, o resto é conversa antidemocrática.

    Mais tarde, por azar ou distracção sua, Cavaco por duas vezes o contrariou, indo parar a Belém. E ele, que nem sequer tinha apoiado o rapazola de Vilar de Maçada (o que é isso?), viu-se na contingência de o aturar. O tal rapazola veio a revelar-se uma chatice, cheiinho de rabos de palha e de esqueletos no armário. Paciência, se é dos nossos ou, pelo menos, não é dos deles, há que virar o bico ao prego e apoiá-lo.

    Na idade provecta, já não há muito a fazer. Esgotadas as “razões”, fica a verve e as servis simpatias da “informação”. A luta continua, como diria o velho camarada Cunhal. Quem não é comigo é contra mim, ora essa! Já nada havendo no deserto do socialismo, agarremo-nos à retórica do Alegre, ex-amigo, ex-inimigo, amigo. Isto de democracia é coisa de amigos. Quem não for amigo é para cilindrar, os neoliberais (que tal coisa não são, como ele sabe) passam a fascistas, salazaristas (coisas que também nunca foram, como ele sabe), cambada, políticos, juízes, o que der jeito é para demolir, sendo certo que, para o camartelo da “informação”, o que vale é o que vende jornais e dá publicidade.

    Apesar de tudo, ainda havia, no fundo de todos nós, alguma compreensão, até apreço, por certos feitos de um passado já distante. Agora, o que pode restar disso? Talvez alguma caridade para com um velho que, sem perder a tineta (única desculpa que podia ter) traz ao de cima a verdadeira face de um homem mau.

     

    7.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MINISTERIAIS PRIVILÉGIOS

    Segundo uma revista que há para aí, o ministro P. Lima e a ministra M.L. Albuquerque, ambos residentes no concelho de Cascais, terão querido fazer umas obritas lá em casa. Tanto um como o outro caíram na asneira de pedir licença à Câmara local. Se tivessem vindo perguntar ao IRRITADO, este, cidadão que se preza de ser irresponsável, tê-los-ia aconselhado a fazer as obras sem pedir licença nenhuma. Se a câmara viesse chatear, paciência, as obras estavam feitas e, mais papel menos papel, mais ano menos ano, ficava tudo nos conformes.

    Dado que são membros do governo, terão sido ilegitimamente ajudados pela autarquia, no parecer da revista em causa e da oposição camarária. Assim, o P. Lima viu a sua pretensão autorizada em 541 dias (um ano e meio), enquanto a M.L. Albuquerque esperou 1.462 dias (quatro anos e dois dias). Acresce que o primeiro precisou de esclarecer cinco questões, sabe Deus com quantos papéis à mistura, tendo, à segunda, sido levantadas “pelos técnicos vinte e cinco questões”, com certeza com a obrigatoriedade de, pelo menos, uns cem papéis.

    O IRRITADO, felizmente, não tem relações com a câmara de Cascais. Conhece a de Lisboa, à pala da qual tem sofrido e pago com língua de palmo as suas preocupações legalistas, o que justifica o conselho acima dado aos ilustres membros do governo.

    Imagine-se que os cidadãos objecto da denúncia da revista pertenciam às gentes que, tendo nome, costumam ser tratadas, com desbragada falta de respeito, por “cidadãos anónimos”. O que lhes teria acontecido? Quantos anos teriam esperado pela licença da câmara? Oito? Dez? Nada que não seja a receita normalmente aplicada ao comum dos mortais pelas democráticas autoridades, seus “técnicos”, engenheiros, arquitectos, juristas, economistas, contabilistas, mangas de alpaca, contínuos, vereadores (vereadores é pouco provável, já que tais e tão altos senhores não têm por hábito descer à fala com a canalha),isto sem contar com o enxame de parasitas que circulam nestas áreas, os da Certiel, os da EPAL – no caso vertente o SMAS ou lá o que é -, os da certificação energética, os tipos que tratam do ruído, o Instituto da Soldadura e mais as “autoridades”, as “entidades”, as “comissões”, os tipos do património, os da classificação arquitectónica, os bombeiros, isto, é claro, se o infeliz não cair nas garras da Junta de Freguesia, da Assembleia Municipal, etc. e tal.

    O IRRITADO junta-se, portanto, à revista que pôs a boca no trombone. Não há direito! Então um ministro espera só um ano e meio? Uma ministra espera só quatro anos e dois dias? O que é isto?

    Privilégio! Ilegalidade! Falta de respeito pelo poder local democraticamente eleito! Quem sabe se corrupção?

    Além de tudo o mais, o fantástico presidente da Câmara de Cascais já veio descansar as almas: vai fazer inquéritos, suspender, despedir, perseguir os culpados de tão curtos prazos de decisão e, se calhar, de coisas piores. Onde iriam parar as câmaras se os seus funcionários fossem sempre tão rápidos como o foram nos casos dos ministros? Despediam metade do pessoal? Ficavam com menos taxas? Que horrorosa perspectiva!

    Acabar com os privilégios, e já! O povo é quem mais ordena.

     

    6.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • HÁ VENDAS E VENDAS

    O camarada 44 veio declarar que as vendas da mãezinha ao Silva foram feitas por preços normais de mercado. O pior é que se refere a uns andarzecos lá para o Cacém ou coisa parecida. Os outros, a crème de la crème, esses, moita carrasco. E ninguém dá por isso!

     

    3.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A REACÇÃO AO ATAQUE

    O xarroco do PC que manda nos “professores” veio declarar que usará todos os meios ao seu alcance, que são muitos, para impedir a municipalização das escolas.

    O IRRITADO, sempre atento aos problemas dos outros, vem declarar a sua compreensão para com o pobre troublemaker. Já viram que isso de municipalizar vai tirar das mãos do Estado central muito do poder que tem sobre as escolas? E depois? Quando for preciso protestar, chatear, insultar, desestabilizar, condenar, gritar, tripudiar, como vai ser? Imagine-se o que é a descentralização da barafunda: trezentos e tal municípios, cada um com os seus problemas, uma diversidade difícil de reduzir a manifestações unitárias. Bater em trezentos presidentes de câmara, em vez de num só ministro? Um trabalhão! Toda a estrutura da organização terá que ser alterada. Vai ser preciso brigadas e mais brigadas, já que é impossível ubiquar as existentes fazendo-as estar ao mesmo tempo em Portimão e Bragança. E como protestar contra uma coisa em Boticas e contra o seu contrário em Olhão? A diminuição das possibilidades de controlo vai ser terrível, as despesas vão aumentar, o recrutamento ficará muito mais complicado, a conspiração dos reaccionários pode triunfar. Um horror.

    Isto da independência das escolas tem que ser visto de forma integrada, a fim de não dispersar esforços. Trata-se, como é evidente, de mais uma manobra do capitalismo e do imperialismo, a soldo dos EUA e da UE, para prejudicar a massas trabalhadoras pondo em perigo a unicidade dos protestos. Um ataque ideológico, já que é sabido que, o centralismo democrático é a grande defesa do proletatriado contra os desmandos do poder burguês.

    O IRRITADO não pode deixar de manifestar a sua solidariedade revolucionária para com o xarroco dos bigodes. Em que posição ficará o pobre funcionário perante o Comité Central, se deixar passar mais esta? Será despromovido? Terá que ir fazer o que nunca fez, isto é, ir dar aulas de trabalhos manuais na primária de Carcassas de Baixo?

     

    4.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • BEM FEITA!

     

    Quando este governo entrou em funções, teve o IRRITADO a esperança que a RTP, sorvedouro inútil do dinheiro das pessoas, fosse simplesmente fechada. Fartou-se de escrever sobre o assunto, mas linguém ligou bóia.

    Podiam vender o património, pagar as indemnizações e pôr o pessoal com dono. Se quisessem manter certas valências (internacional, África…) que contratassem o serviço com as privadas.

    O Relvas andou para aí a tergiversar, sem coragem para afrontar a esquerda de maneira que se visse. Depois, foi o que se sabe.

    Veio o Poiares Maduro e lá arranjou uma solução, de forma a que o governo sacudisse a água do capote e a malta continuasse a pagar, mas dando a organização menos prejuízo. Além disso, houve a louvável intenção de afastar qualquer suspeita de intrusão governamental na chamada comunicação social, coisa de que, como o passado demonstra, o PS tanto tanto gosta. Tirando isto, ficou tudo mais ou menos na mesma.

    Agora, os ilustres administradores da organização resolveram comprar a liga dos campeões por 18 milhõezitos.

    Como declaração de interesse, diga-se que o IRRITADO até gostava de ter a liga dos campeões à disposição e, com a maior das boas vontades, até seria capaz de aceitar que, no fim da picada, não fosse mau negócio. Mas, meus amigos, era mau negócio, sim. Se os privados não chegaram à verba da RTP, o mais provável é que tenham achado o negócio ruinoso… A RTP tem limites na publicidade que os outros não têm…

    Resumindo, os administradores são corridos por intervenção ciumenta de um conselho, autoridade, entidade ou coisa do género. Como se, por cá, houvesse falta de tais e tão contraproducentes organizações.

    Virão outros, sem que ainda se tenha percebido se o negócio da bola está ou não subscrito, isto é, se os novos não se verão na contingência de ter que respeitar um contrato que os velhos tinham o direito formal de subscrever.

    Em conclusão, se o governo tivesse seguido os sensatos conselhos do IRRITADO – uma reforma a sério – a estas horas já toda a gente se tinha esquecido que a RTP tinha existido, dado que não faria falta a quem quer que fosse. Assim, fica uma trapalhada, mais uma bronca e… continuamos a pagar um elefante branco que, como tantos outros, fazia e faz o poder e a glória do PS e dos demais penduricalhos da esquerda.

    Ninguém negará que este governo tem coragem. Porque se acobardou nesta matéria? Agora, apanha com as consequências e… é bem feita!

     

    3.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A CABALA PROPRIAMENTE DITA

    Mal o 44 perdeu as eleições, a sua bem amada mãezinha desatou a vender património. A quem? A um amigo do peito do filhinho, um tal Santos Silva. Os preços foram dos bons, muito acima do valor comercial dos andares transaccionados. O dinheirinho foi legítima e legalmente oferecido pela senhora ao seu rebento, o qual estava em dívida com a CGD e vivia modestamente em Paris. Entretanto, o amigo Silva comprou, por quase três milhões, um belo apartamento nas margens do Sena. Depois, emprestou o apartamento ao 44, a fim de que este pudesse viver com a dignidade própria de “um grande homem”, nas palavras luminosas de Mário Soares.

    O amigo tinha uns vinte milhões a bom recato num local simpático. Para, patrioticamente, ajudar o país a recuperar dinheiros vários estacionados algures, tinha o 44 legislado no sentido de quase os isentar de impostos se fossem repatriados. Foi assim que o amigo Silva, bem como, ao que consta, o amigo Salgado, patrioticamente, fizeram entrar nos bancos nacionais a maior parte dos seus milhões, agora sem qualquer problema legal ou fiscal. Tudo certinho, tudo nos termos que o amigo 44 tinha proporcionado. Entretanto, as firmas de que o nosso herói era funcionário, financiadas pelo amigo Silva, iam-lhe pagando os salários a que tinha todo o direito. Para colmatar alguma necessidade do estudante em Paris, o motorista ia-lhe levando umas maletas com notas (ao que se diz entregues pelo amigo Silva), o que é absolutamente legítimo e legal. Desde quando é que os amigos não podem ajudar-se mutuamente?

    Vai daí, aparecem uns polícias em Braga a manipular os factos, acabando por levar à prisão do 44, do Silva e do motorista.

    E agora? Como vão os vis acusadores provar que o dinheiro da venda dos andares ao Silva – que a mãe deu ao 44 -, o do apartamento junto ao Sena, o das malas do motorista, o dos rendimentos do insano trabalho do pobre senhor 44, eram dele, não do Silva? Não provam. O dinheiro era do Silva e só andava em trânsito por partes várias por uma questão de boa gestão. Evidente, não é? Como se atrevem a dizer que houve corrupção do 44 se o próprio, como tem afirmado, não tem um chavo, ao passo que e o Silva trabalhava com milhares de milhões do Chávez – tudo proveniente de legítimas empreitadas?

     

    Vêm o que é a única, a verdadeira cabala? É o esquema montado. O juiz de instrução, quando chegar ao fim da linha e se o PS for governo, arrisca-se a ir parar ao xilindró por “erro grosseiro”. Não foi o 44 quem inventou o erro grosseiro para safar o Pedroso e lhe dar umas massas dos impostos?

    Quem vai ao mar avia-se em terra. Disto sabe o 44 com fartura.

     

    2.12.14

     

    António Borges de Carvalho

  • PROMESSAS E PALHAÇADAS

     

    • Uma estratégia assente na qualificação
    • Corrigir as assimetrias da moeda única
    • Corrigir desequilíbrios entre recursos financeiros para pagar a dívida e os recursos necessários para os portugueses (pensionistas e investimentos para promover o futuro)
    • Prioridade à concertação social
    • Reposição do feriado de 1 de dezembro

    Quem acha mal? Ninguém. São frases que resumem, segundo o “Observador”, as propostas de Costa. Frases. Significam, como é evidente, pouco mais que coisa nenhuma. Puro blabla.

    Inócuas palavras, dir-se-á. Nem por isso. O problema é a forma de lá chegar, ou a interpretação que lhes for dada pela matilha de esquerdoides e 44istas a quem Costa dará o poder, se tivermos a desgraça de o lá ver. Se, por exemplo, ouvimos o PC a falar de democracia e das “mais amplas liberdades”, sabemos o que quer dizer: partido único, polícia política, censura, liberdade para os que alinharem e, mesmo para esses, pouca. Lícito será pois perguntar o que vão fazer os escolhidos do Costa. Não chegarão a tais exageros, conceda-se. Mas fica a dúvida quanto à “interpretação autêntica” ou ao concreto do que farão tais “intérpretes” e “concretizadores”.

    A “estratégia da qualificação” é coisa com que todo o bicho careta concordará. Teme-se que a “qualificação” seja a mesma que aquela dos “qualificados” que o Costa levou consigo para o galarim do partido.

    “Corrigir as assimetrias da moeda única”, ou seja, chegar à “Europa”, dar um murro na mesa, dizer umas bojardas e, dito e feito, a Merkel, o Dragui e o Junker, siderados pela luz do pensamento costista, arranjam uma data de carcanhol, tanto quanto o Costa precisar, e de borla.

    “Corrigir desiquilíbrios…” Um dinheirão para os pensionistas prejudicados pelo 44 (o IRRITADO está nessa bicha) e mais umas autoestradas, mais umas PPP’s, porque não um aeroporto em Vilar de Maçada, etc.

    “Prioridade à concertação”. Pois. Deve entender-se, já que tem havido muita concertação, que ele quer alargar a concertação ao Arménio, concedendo-lhe o quê? Tudo. O homem – e o comité central – não se consolam com menos.

    Feriado no 1º de Dezembro? Pronto, chegámos à única proposta decente, e possível, fazível, porreira pá. Uma espécie de piscar de olho à direita?

     

    Haverá quem coma disto?

     

    30.11.14

     

    António Borges de Carvalho

  • O CONGRESSO DO 44

    À boa maneira soviética, a moção do Costa foi aprovada por unanimidade. Cem por cento!

    Nas outras votações, houve só 90% a favor, 130 abstenções, certamente a título de raminho de salsa. Sem votos contra, como é de timbre, sobretudo na Coreia do Norte.

    Primeiros sinais de unicidade, com certeza saudados efusivamente por alguns ilustres convidados, tais o Arménio e o Carvalho da Sliva.

    Mas o dado mais significativo, para já, do congresso do fantasma 44, foi a subida ao palanque máximo desse verdadeiro alter ego ou factotum do Costa, o camarada César. Os dois a mesma tendência para o sacrifício: Costa sacrificou centenas de milhões dos impostos dos alfacinhas às estúpidas alhadas em que a CML se meteu, por exemplo a feira popular e o túnel do Marquês; César sacrificou os estaleiros de Viana, os trabalhadores de Viana, o país, dezenas de milhões, à sua sede de poder e de negócio. Irmana-os o desprezo pelos outros e pelo dinheiro dos outros. O socialismo vive, sempre viveu e sempre viverá, à custa do dinheiro dos outros.

    Depois, emblemático e significante, o Assis foi saneado. Talvez a única voz que, era de supor, não entraria na unanimidade estalinista, foi exemplarmente posta a ferros. A “reacção” tem que ser amordaçada antes que estrague o programa das festas. A unicidade excluiu os desalinhados.

    O camarada Nóvoa, obscuro figurante da política recém saído dos cinzentos meandros da universidade e trazido à luz pela aula magna, a abarrotar de ambição, veio informar os indígenas que está “disposto a tudo”, leia-se, a ser presidente da República sem olhar a meios. Não podia ter melhor expressão para explicar o que o move, e a natureza do almejado cargo. Disposto a tudo! Ele, com a cartilha comprovadamente bem metida no bestunto, acha que ”a Pátria está à beira de um rio triste”. Esta dos rios tristes é de alta qualidade poética: o névoa, perdão, o Nóvoa, põe o assunto em termos aquícolas, certamente a pensar em lagostins de água doce.

    O camarada Alegre, dada a sua fina origem, adora velharias, desta vez não móveis ou quadros mas fantasmas e assombrações. Ele o disse: “o PS não está assombrado”, “nem tem medo de fantasmas”. No caso, sabe-se quem é o fantasma, a assombração: é o 44, pois então! O que o PS precisa é de “governar à esquerda”, se calhar como o fantasma. Raio de esquerda, a que, com toda a propriedade, se poderá chamar capitaleirismo primário. Ou será que o fantasma era demasiado à direita para este ínclito representante do jacobinismo radical? Em alternativa, não sabe que ele próprio é um fantasma e quer ajudar a sacudir a concorrência.

    Houve mais, muito mais. Até o nóvel membro da elite costista, conhecido pela sua especialidade em dislates e arrancadas pró-bolchevistas, o tristemente célebre Pedro N. Santos, acha que “nunca foi tão importante ser socialista”. Pudera! Não fora o socialismo, sobretudo um ressuscitador da malta do 44 como o Costa, e onde iria parar o lugarzinho?

    Uma palavra sobre o reputado artista Rui Tavares. Este, que de estúpido nada tem e de malandro (para usar linguagem soarista) tem tudo, faz-se, e bem, ao ressurgente poder dos amantes do 44, bem encostados por toda a parte. Para ele, declaradamente, o governo será o PS mais ele, mascarado de “Livre”, admitindo poder vir a autorizar o PS a meter mais uns.

    Outra, desta feita sobre as presidenciais. O Guterres foi abolido. O tipo até vai à missa e, que se saiba, nem maçon é! A dona Ana Gomes (e outros) encarregou-se de o pôr de lado, com o aplauso e o alívio da jacobinagem.

     

    Enfim, o esquerdismo primitivo ao ataque na Feira das Indústrias. O PS vira a favor do vento. O 44 entra por mãos tão invejáveis quanto o Galamba, estrídulo e odiento aparatchique, o Pinto, destribuidor de preservativos, e mais uma série de recuperados das hostes do fantasma. O Costa tirou eminentes 44istas do mais evidente poleiro, mas deu-lhes outras responsabilidades (Edite Estrela, por exemplo), menos visíveis mas igualmente influentes.

    O Soares fez a sua habitual entrada triunfal, freneticamente aplaudido pela maralha. O 44 voltou ao poder pendurado no Costa. Amanhem-se com esta.

    Amanhã há mais, se o IRRITADO estiver de maré.

     

    30.11.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A LATA AO PODER OU O PODER DA LATA

    A generalidade da opinião escrita e falada defende que, para que o Costa se safe da enrascada em que o seu amigo, companheiro, “irmão” e bem amado ex-chefe político o meteu, deverá ver-se livre de todos aqueles que andaram (e andam!), discreta ou indiscretamente, a achar e dizer o mesmo que, das alfurjas do seu esterco mental, foi dito por Mário Soares.

    Como poderá Costa pôr esta malta no arquivo, se ele mesmo é, como mostrou à saciedade antes da bronca, o mais importante membro dela? Como poderá Costa apagar, não a fotografia do Pinto de Sousa, mas a sua própria como adepto e supporter de tudo o que o outro disse e fez? Como poderá Costa renegar um passado de colaboração, apoio e branqueamento de todos as públicas e notórias trafulhices que nunca deixou de louvar? Como poderá negar que foi eleito “candidato a primeiro-ministro” – mentira, não há candidatos a tal coisa – com o apoio desta sua malta? Como poderá negar que é o verdadeiro e único chefe “vivo” da gente de quem, agora, há quem diga que tem que se livrar?

    Talvez a mais importante “qualidade” de Costa seja a lata. O homem tem lata para tudo.

    Tem lata para dizer que “não há nada a fazer” quanto às cheias em Lisboa e, sem contrição pública, afirmar que vai gastar setenta milhões para as evitar.

    Tem lata para defender os mega prejuízos que causou à cidade com seu apoio ao díscolo Fernandes.

    Tem lata para nomear o Ferro chefe parlamentar, fulano mais que queimado e de uma evidentíssima falta de jeito e de imagem para o cargo, sem outra “justificação” que não seja a socretina camaradagem que os aproxima.

    Tem lata para dizer que vai pagar mundos fundos ao povo se for primeiro-ministro, evidentemente sem dizer como e sabendo o que os outros não sabiam antes de chegar ao poder, ou seja, as monumentais quantidades de dívida desorçamentada que os esperavam debaixo do tapete.

    Tem lata para ficar no poleiro quando a polícia vai à câmara, para ficar no poleiro quando o seu santo protector vai de cana e, ao mesmo tempo que elogiar o ministro que se demitiu porque os seus funcionários meteram o pé na argola.

    Como o Pinto de Sousa, Costa é capaz de tudo dizer, negar ou afirmar, segundo as suas conveniências, momentâneas ou permanentes. Tem lata para tudo.

    Se quiser livrar-se da herança do prisioneiro 44 terá que se negar a si próprio. Não há dúvida que tem lata para tal. Quem o apoiará? Há, no PS, o hábito ancestral de disfarçar, de desacreditar os que protestam, de manter uma intricada rede de “amizades” e de conluios, fora de toda a decência e de toda a moral. Vamos ver isso mesmo no congresso que se avizinha.

    E cá fora? Ainda haverá um só eleitor que não tenha, com todo o fundamento, pelo menos dúvidas quanto à verdadeira natureza desta malta e do seu novo chefe? Talvez haja, há de tudo em toda a parte.

    Imaginemos que o Costa consegue pôr no poleiro os não socrapífios. Quem? Os seguristas? Se estes tiverem alguma dignidade não aceitarão tal prato de lentilhas. O problema é que, no PS, a dignidade é um bem escasso. O congresso o mostrá-lo-á a quem disto duvidar.

     

    28.11.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UM PARZINHO DE TRUZ

    Sobre o Pinto se Sousa e o Mário Soares já se disse tudo. Nada de novo, de um e outro lado.

    Ambas as personalidades estão desde há muito classificadas na cabeça da maior parte das pessoas. Há, no entanto (há sempre), aquela faixa de gente que não sabe lá muito bem o que pensar. Está no seu direito.

    Estava. A partir de há uns dias, deixou de haver tal direito, ou deixou de haver desculpa para o seu exercício. Quem ainda não percebeu quem são, na verdade, tais criaturas, ou é completamente burro ou tem alguma coisa a esconder.

    Pinto de Sousa foi-se safando de uma boa dúzia de alhadas, umas patentemente provadas, como os exames ao Domingo e demais série de conexas trapalhices, outras “esquecidas” com os favores de uma justiça “favorável”, como o caso das escutas, outras ainda que, embora patentes, evidentes, incontornáveis (a TVI, a PT, o Figo, o BCP…), não foram julgadas suficientes para procedimentos de maior, eventualmente por “influência” da política socialista. Agora, por muitos sousas tavares e muitas claras ferreira alves que por aí asneirem e asneiem, não é mais possível tapar o Sol com a peneira. Qualquer que seja o resultado final – calcula-se a artilharia que por aí vai surgir – da história do preso 44, ou Inocêncio Pureza como dizem ser conhecido em certos meios, já não haverá nada que o possa ressuscitar.

    Mário Soares já nem da desculpa da idade se pode valer. Ter alguma consideração por tal e tão rasca parlapatão é, de há muito para muitos, desde ontem para todos, uma impossibilidade humana e técnica.

    Será preciso que o país desista de si próprio para que algum destes dois indivíduos possa voltar a ser admirado por alguém que não seja, ou completamente parvo, ou igual a eles.

     

    27.11.14

     

    António Borges de Carvalho