Alguém se lembra de ter visto o camarada Costa, ao longo dos longos e tristes anos em que vem sendo chefe camarário, comemorar o 1º de Dezembro? Um doce a quem se lembrar.
No tempos da II República, os meninos da bufa desfilavam pela avenida abaixo entre bandeiras e charamelas, pletóricos de patriotismo e, como é natural, chatedíssimos por estragar o feriado. Cantava-se o hino da Restauração, ouvia-se tambores e trombetas, o povo assistia ao desfile, as mamãs e os papás babados ao ver passar os rebentos fardados e cheios de importância. A coisa foi-se perdendo com o tempo e com o inevitável declínio da MP.
Veio a III República e, sem grandes considerações filosóficas, a comemoração passou a ser, segundo o politicamente correcto, coisa de velhotes, patrioteiros ou até “fascistas”. O 5 de Outubro é que é bom: velhos maçons e demais filhos mentais do Afonso Costa recriaram, na Praça do Município, a fatídica data, com discursos, trombones e meia dúzia de passantes, curiosos e portadores de sentimentos obsoletos. Do 1º de Dezembro ficava o feriado, o que já não era nada mau.
Até que, numa de pouco esperta “moralização” do trabalho e dos costumes, o actual governo decidiu acabar com o feriado. Meteu a pata na poça. Não percebeu que, se mantivesse o feriado, seria acusado de pacóvio, incompetente, neoliberal e outros mimos da praxe. Acabando com ele, foi acusado de pacóvio, incompetente, neoliberal e outros mimos da praxe. Assim é em tudo, porque não havia de o ser neste caso?
Facto é que a abolição da coisa passou a ser um bom mote para excitar o “patriotismo” de uma data de gente, Costa incluído, e um pretexto de primeira para fazer uma sessão de propaganda da oposicão socialista, com a inevitável adesão de inúmeros fulanos que de socialistas nada têm, a proporcionar ao Costa uma farra “abrangente”.
Tudo isto existe, tudo isto é fado. Aceite-se, sem olhar para o evidente cinismo nem para o oportunismo da iniciativa. Antes as comemorações ressuscitadas que coisa nenhuma.
A partir daqui, vem o pior. E o pior é que o CDS, como sempre faminto de “temas”, resolveu agarrar-se ao assunto para dar sinal de vida. Mais uma mariquice, a juntar a tantas outras. Concordou com a abolição do feriado, assinou por baixo. Agora, achando que arranjava um assunto “popular”, resolveu “desassinar”, possivelmente usando o princípio filosófico da demissão irrevogável: o dito por não dito. Não sei se Passos Coelho fez bem ou mal em mandá-los bugiar. Sei que o mereciam.
Dito isto, o IRRITADO confessa que nunca gostou da decisão de acabar com os feriados, ainda que, a título de exemplaridade, a compreendesse. Mas uma coisa é criticar decisões dos outros, outra é faltar à palavra.
14.12.14
António Borges de Carvalho

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