IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ATAQUES DE TAPRIOTEIRISMO SOCIAL-FASCISTA

Dizia-se que um feroz e violento nacionalismo era património exclusivo da extrema direita.

Mentira. Vimos assistindo, com uma sanha digna de Mussolini (Salazar fica a milhas desta gente), a manifestações do mais repenicado e primitivo nacionalismo a propósito da privatização da TAP. O único argumento contra a coisa é rigorosa e estapafurdiamentemente nacionalista, com tudo o que tem de absurdo e de populista. A TAP é nossa! Nós gostamos da TAP! Não queremos estrangeiros a mandar na TAP! Ai as nossas rotas! e tanta, tanta patacoada! Tudo a partir da esquerda teoricamente anti-nacionalista e de uma série interminável de pensadores de ocasião. Parece que lhes deu uma crise de fascismo, tão primário quanto estúpido. Produzem-se disparates sem fim, nenhuma das oposições à salvação da companhia é capaz de alinhar duas razões concretas para manter o status quo.

As coisas são tão evidentes que é difícil perceber a “argumentação”, cuja lógica jaz exclusivamente em preconceitos ideológicos, saudosismo imperial e “formatação” estatista.

Está provado e mais que provado que as privatizações das companhias de bandeira foram a salvação de muitas delas e que a sua manutenção na esfera pública acabou por provocar ribombantes falências. Está provado que as companhias privatizadas não deixaram de ser “de bandeira”, pelo menos na prática, que é o que interessa. Está provado que meter dinheiro dos contribuintes para salvar a TAP não tem pés nem cabeça, não só porque representaria obrigatoriamente uma “reestruturação” materializada no “encolher da companhia”, com as consequências económicas e laborais que toda a gente conhece, como porque é evidente que o Estado, ou seja, o contribuinte, não está em condições financeiras favoráveis à capitalização pública.

Os partidos e gentes do PC, do BE e apaniguados, adeptos de sistemas, regimes e procedimentos que diferença alguma fazem dos fascismos mais fundamentalistas e sanguinários, naturalmente, opõem-se à privatização, não se podendo esperar deles outra coisa. Do doido Mário Soares também não. As tergiversações do PS e do seu novo líder – que não hesita em produzir mentiras como a da privatização a 100% – são um espanto, mostram bem o tipo de organização de que provêm: nos vergonhosos tempos do PEC4, e mesmo antes dele, o PS defendeu a privatização. Negociou e foi o primeiro subscritor e responsável do memorando da troica que a previa. Agora, oposição gratia oposição, eis que vira o bico ao prego. Há outra gente ainda mais escabrosa: o prosélito defensor de Ricardo Salgado, de nome Sousa Tavares; o inacreditável “cristão novo” do esquerdismo, certo Peneda, um penedo acabado, um Vasconcelos, de quem nunca se viu dito ou escrito que não fosse esquerdoidamente idiota, e tantos outros que nem menção merecem.

Se esta nova versão do social-fascismo triunfasse, daqui a pouco a TAP, transformada em elefante branco aterraria de uma vez por todas.

 

19.12.14

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “ATAQUES DE TAPRIOTEIRISMO SOCIAL-FASCISTA”

  1. Sem tirar razão ao Irritado, interrogo-me: no caso da TAP, que grande diferença fará ser privada? O brasuca que gere a coisa, pago a peso de ouro, não veio do privado? Não tem autonomia? Não cria as rotas que quer, muda o que quer, cobra o que quer? As diferenças resumir-se-ão a despedir os trabalhadores/grevistas mais facilmente, e a cobrar (muito) mais por algumas rotas – as tais “estratégicas”? A TAP, apesar de tudo, é uma companhia razoável e muito segura. Subsiste a piada do “Take Another Plane”, os atrasos são constantes, mas que companhia não os tem? Das que tenho usado, só a Lufthansa me parece consistentemente melhor. A Iberia e a Alitalia são uma desgraça, a BA e a Air France têm dias, das low-cost nem falo. Tudo somado, a TAP está longe de ser das piores. Sendo privada qual será a grande diferença, Irritado?

    1. Diferenças:Sendo privada, – o problema será de quem lá meter o cacau, não nosso- as rotas “estratégicas” manter-se-ão, se não fossem elas haveria interessados?- os despedimentos, a haver, limparão a companhia dos excedentes- continará a ser companhia “de bandeira”, como a Iberia, e outras que foram privatizadas- haverá menos dores de cabeça para o governo, este ou outro, e para nós- os preços contnuarão a descer perante a concorrência dos “low cost”- o serviço, nos aviões, continuará a perder qualidade, como acontece com as demais, mesmo as “de bandeira”- se o Estado quiser continuar com subsídios aos “custos de insularidade e outras ppendurices, continua- os aeroportos nacionais serão enriquecidos com novas rotas, com economias de escala e enriquecimento dos hubs- o pessoal continuará a ser comandado por bandos de grevistas gananciosos, só que estes não terão o orçamento por trás, o que será bom para todos nós- os meios serão modernizados, coisa para a qual o Estado não tem dinheiro- etc

      1. Em teoria será como diz… resta ver na prática. Certo é que ambos os lados contaminam qualquer questão com ideologias: os esquerdistas querem tudo público, até ao estouro final; e os direitistas querem privatizar a eito, até tudo estar na mão de uma dúzia de mamões. É como a definição de «ganância»: se for a malta que lá trabalha, são gananciosos; se forem accionistas, banqueiros, “mercados”, etc., já têm apenas uma preocupação natural com os seus proveitos.

  2. Avatar de Salgadinhi da trampa
    Salgadinhi da trampa

    São os mesmos fdp que insultavam Salazar quando este dizia “Angola é nossa”Esquisito como passados estes anos passaram a ser tão patriotas.

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