IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ELES AÍ ESTÃO!

    Ainda o governo não tinha caído, já o camarada Arménio cumpria a sua palavra levando um batalhão de estivadores e umas velhotas choramingonas a berrar por mais dinheiro à porta de São Bento. Coitados dos estivadores: toda a gente sabe que são mal pagos, não é? E o Arménio, que já disse que, mesmo com o governo dele no poder, ou à porta, tem instruções do comité central para continuar a chatear meio mundo. Cumpriu a palavra, dele ou do comité central.

    Com o PC a apoiar o governo minoritário do PSC, as coisas continuarão, na rua, como sempre foram: banzé, banzé, desprezo por quem ganha pouco, por quem não tem privilégios sindicais, movidas por quem saiu do proletariado para a pequena burguesia lumpen. Como já não há proletários, nem coisa que o valha, os arménios continuarão com outras carnes humanas. O PC é o que é, fará exigências por dentro da miséria governamental que apoia, ao mesmo tempo que as tropas, na rua, farão o costumeiro papel. O bigodes, dito “professor”, coisa que jamais foi, saltará, rua fora, aos berros. Se o PSC admitir mais dez mil “professores”, ele exigirá vinte, com cartazes, bandeiras, slogans e discursos aprendidos nos manuais da “luta”. O PC lavará daí as mãos, porque a “indignação do povo” (o povo do Arménio) não pode ser coarctada.

    O Arménio tem uma enorme “vantagem moral” sobre o Costa e o seu recauchutado partido: cumprirá a palavra dada, coisa que o Costa não fará, porque isso de “palavra honrada” é coisa que desconhece, ou conhecerá em versão marciana.

    Resta esperar que se engalfinhem outra vez. E que, passados uns meses, perdida toda a credibilidade do país, gastas as economias da dona Maria Luís, antes que volte a troica haja quem vá a votos acabar com isto.

    As miúdas do bloco, essas continuarão por aí, cheias de talento e má consciência, a repetir a sua algarviada sem sentido nem lógica outra que não seja a do seu próprio quão folclórico gozo. Não interessam a ninguém, nem ao Arménio.

     

    10.11.15

  • MOMENTO HISTÓRICO

    Ontem à noite, várias e “autorizadas” altas figuras, leia-se figurões, ainda que já titubiantes – isto da idade nem aos malandros perdoa – declararam à Nação que este “é um momento histórico”. E acertaram. Almeida Santos, João Cravinho, Manuel Alegre, entre outros, por uma vez, acertaram!

    É claro, não esclareceram a Nação sobre o que é um momento histórico. Convirá dar corpo à expressão, usando alguns exemplos. Já que estamos no São Martinho, digamos que momento histórico foi o do Armistício, ou o da chegada dos americanos à Lua, o da queda do muro, o 1º de Dezembro. A vitória eleitoral do nazismo, o Anschluss, a revolução de Outubro (em Novembro), a queda de Constantinopla ou Alcácer Quibir, também foram momentos históricos. Quem duvida?

    Os “momentos históricos” tanto podem ser indiscutivelmente bons como horrivelmente maus. Razão pela qual as afirmações da velha macacagem do PS valem o que valem, ou seja, não valem um caracol.

    Incensar o momento histórico em que o PC anuncia que vai dar cabo de um partido outrora tido por democrático (o PS) sem tomar compromisso outro que não seja apear um governo eleito e substituí-lo por um não eleito (é este, e mais nenhum, o “compromisso” do nacional-bolchevismo, aprovado sem votos, à cause des mouches, no comité central), será um momento histórico, sem dúvida o mais triste, o mais pernicioso, o mais grave momento histórico da história da III República. Elogiar o momento em que um bando de irresponsáveis e palavrosas raparigas, oriundas dos bas-fonds dos mais diversos comunismos, se propõem arruinar o país, talvez seja um momento histórico, mas de momentos históricos destes, raio, ninguém precisa.

    *

    O particular entendimento da democracia e dos seus caminhos ora posto em curso já está a produzir resultados:

    diz-me o funcionário de um banco que as médias poupanças começaram a migrar para longes terras;

    os grandes investidores da nossa praça – uns tesos em termos europeus – já disseram que, para investimento, nem mais um tostão nem mais uma responsabilidade, enquanto outros sugerem que o melhor será emigrar fiscalmente;

    a única agência de rating que nos mantinha fora do lixo já avisou que vai “rever” a classificação;

    o buraco da TAP, em vez de passar a mãos alheias, vai ficar por nossa conta;

    os transportes públicos já têm garantida a continidade do sorvedouro de impostos que todos conhecemos;

    o défice orçamental, com a garantia da “palavra” do Jerónimo, vai derrapar – e a culpa será, não de quem deu cabo das contas (o Costa), mas da coligação, que as fez mal feitas;

    como dizia o Tripas, “a austeridade vai acabar”, sendo substituída por “outra política”(?), como se a austeridade fosse uma política, não uma necessidade; viu-se no que deu na Grécia, acabaremos por ver do mesmo cá no sítio.

    É o que está na calha, sem apelo possível.

    Alguns prognósticos:

    os jornais e os jornalistas vão ser objecto (já há sinais disso) de perseguição;

    vai haver Manuelas Mouras Guedes aos pontapés, ao belo estilo socrélfio;

    a RTP vai voltar a ser trombone do governo;

    acabados os exames e a avaliação de professores, o ensino vai recuar décadas;

    acabadas as turmas de mais de vinte alunos, vamos meter mais uns milhares de funcionários, ditos professores, a quem será preciso pagar;

    a “ciência” e a “cultura” (nunca houve tanta oferta cultural em Potugal como nos últimos anos) vão voltar a ser pasto, não de critérios de qualidade, mas das exigências dos penduras e das influências políticas;

    quem tiver dois tostões passará a ter só um; os que nem um têm, passados uns curtos tempos de euforia, passarão a devê-lo.

    Entretanto, a bolsa, no primeiro dia em que se teve a certeza que ia haver acordo – quatro acordos! – caíu 5%.

    E assim por diante, até que, mais uma vez, assistamos a mais um dos “momentos hitóricos” em que a esquerda é especialista: a chegada, com fanfarra e charamelas, da doce e atenciosa troica ou de quem, generosamente, a substituir.

     

    9.11.15

  • DISCURSO NA POSSE DO GOVERNO COSTISTA

     

    Se eu estivesse no lugar do Prof. Cavaco Silva, eis o discurso que faria ao dar posse ao Costa &Cª:

     

    Senhores… etc

    Nos termos da Constituição, dou hoje posse ao governo presidido pelo Secretário Geral do Partido Socialista, Senhor António Costa. Esta posse tem características meramente formais, não políticas ou morais, já que a dou na convicção profunda de que, se por um lado estou a cumprir regras constitucionais, por outro estou desrespeitá-las ao faltar a outros deveres da mesma natureza. De facto, tenho por dever constitucional garantir o regular funcionamento das instituições democráticas. Estou, claramente, a faltar a tais deveres, ao dar posse a um governo que considero pôr em causa tal funcionamento. Ao aceitar como válidos, neste plano, os documentos que me foram presentes de apoio a este governo minoritário, chefiado por um auto-proclamado “candidato a primeiro-ministro” que perdeu as eleições estou, outrossim, a dar por impossível, ou por impedida, a minha obrigação constitucional de ter em atenção os resultados eleitorais na indigitação e posse do governo da República. Acresce, no plano pessoal, que estou a dar posse a um governo que não assegura nenhuma das condições políticas que, em devido tempo, tive ocasião de claramente referir.

    Nesta conformidade, a posse que certas formalidades e normas constitucionais me obrigam a dar neste momento, impede-me de cumprir as funções e obrigações de que fui investido e a que me comprometi perante quem me elegeu e perante o País. As estranhíssimas circunstâncias que me levaram a este triste momento não são compatíveis com o exercício do meu cargo.

    Assim, nos termos constitucionais, vou enviar à Assembleia da República a minha mensagem de renúncia ao cargo de Presidente da República, devendo, nos mesmos termos, o Presidente interino marcar eleições presidenciais, a realizar no prazo de dois meses.

    Agradeço a todos os que comigo colabararam ao longo do meu mandato, certo que estou da compreensão dos cidadãos para com o respeito que por eles e pela democracia demonstro ao tomar esta atitude, única compatível com as circunstâncias, com a Constituição e com a minha consciência.

    Tenho dito.

     

    8.11.15

  • DO NACIONAL GANGSTERISMO

    Tenho dito e redito que é indiferente que o Pinto de Sousa seja acusado ou não, que seja condenado ou absolvido. Chega o que já disse de si próprio, ou escreveu pelo seu próprio punho, para o classificarmos como o que é, um preguiçoso, um pendura, um canalha da pior espécie, uma nódoa, como homem e como cidadão. Como político, nada vale apena acrescentar, está à vista o que fez a este país e a este povo enquanto para tal teve poder.

    Este esterco humano resolveu juntar umas dúzias da pataratas e fazer um discurso. A chamada comunicação social, que ele acusa dos mais hediondos crimes, foi lá e, de joelhos perante um dos seus piores inimigos, brindou a grei com 40 minutos (SIC), ou 30 de (RTP) de tempo de antena, acrescidos de comentários à fartazana.

    A criatura mostrou mais uma vez as suas qualidades: verve e paleio em quantidades industriais, lata estanhada, e (alguma coisa nos havia de dar gozo, no meio do nojo), um acendrado amor pelo Costa, cuja esquerdofila reunião passou para terceiro plano, hi hi. Usque ad, meus senhores, teremos de ouvir gente desta?

     

    7.11.15

  • EM PRIMEIRA MÃO

    O PC assinou, informa o IRRITADO em primeira mão.

    Ainda não é oficial, mas, se o estafermo-mor dos inexistentes “Verdes” disse que já tinha assinado, é porque recebeu ordens do PC para assinar. Portanto, o PC também assina. Está consumada a patifaria. Pobres de nós.

     

    7.11.15

  • CALAMIDADES

    Ele há coisas muito difíceis de perceber.

    Houve chuva e cheias em Albufeira. Ficou tudo escavacado. Foi lá o ministro que trata destas coisas. Fez umas considerações “divinas” que muito irritaram os ultra-laicos da moda. É o menos. Realisticamente, o tal ministro deu uns conselhos de elementar bom senso e anglo-saxónica inspiração: rapazes, vejam mas é se fazem seguros que cubram os riscos dos acts of God.

    Dois dias depois, e muito bem, o mesmo ministro informou a plebe: em 48 horas, arranjei o dinheiro necessário para a reconstrução. Parabéns.

    Hoje, os jornais anunciam que o tal dinheiro vai ser entregue prioritariamente a quem não tem seguro. Então, senhor ministro, em que ficamos? O senhor quer que a malta faça seguros, depois premeia, com o nosso dinheiro, quem os não faz? Já viu o raciocínio que está a provocar aos chicos espertos, de Albufeira em particular e do país em geral? Para que é que eu vou gastar dinheiro em seguros, se, havendo azar, recebo o taco na mesma, e até antes dos que vão ter uns meses de luta com as companhias de seguros, entidades que, como toda a gente sabe, detestam pagar seja o que for e sempre o mais tarde que puderem?

    Se o dinheiro do Estado for para a recuperação de infraestruturas, de ruas, de canalizações, etc., compreende-se. Mas que seja, antes de mais, para quem não tem seguro? Senhor ministro, haja propósitos. Premiar os irresponsáveis e desprezar os outros?

     

    6.11.15

  • DOS DONS PREMONITÓRIOS DA ESQUERDALHADA

    Meses antes de qualquer hipótese de putativo orçamento para 2016, já o oportunista-mor dizia: votem em mim porque, se votarem nos outros, desde já garanto que lhes chumbo o orçamento. O chefe do PSC (PS do Costa) não precisava de saber o que rezaria o tal orçamento. Anunciava o chumbo, e pronto. Tinha a premonição que a coisa não mereceria o seu alto apoio ou patrocínio.

    Agora, o indivíduo, sem ter lido uma linha do programa de governo, já sabe que não presta, isto é, já sabe que o vai rejeitar. Bruxo! Uma espécie de astrólogo do Campo das Cebolas, discípulo do Professor Karamba? Não! O problema não é, nem nunca foi, saber se o programa é bom ou mau, se o orçamento é bom ou mau. O que interessa ou não ao país, para o oportunista mor, ou carroceiro menor, é dispiciendo. Mero detalhe. Se é “deles”, é para chumbar, e pronto. Porquê? Porque, segundo o douto raciocínio da criatura, os chumbos equivalem a transformá-la em primeiro-ministro, seu objectivo único e primacial.

    Vamos assim a caminho de ter um governo canalha, por iniciativa de um canalha, com um sacristão e uma sacristã. Estes, ao menos, são fiéis a si próprios, isto é, ao marxismo/leninismo/trotzkismo/maoismo/castrimo/kimismo/chavismo/madurismo/ex-tripismo/ditatorialismo que sempre os animou. Mas o PS, senhores, transformado em raminho de salsa desta gente, ou seja, em PSC? Que raio! Antes o Professor Karamba.

     

    6.11.15

  • FILOSOFIAS DO DIA

     

    Dada a chatice das notícias, decidi encontrar frases profundas nos jornais de hoje.

    Aí Vão elas:

     

    – (Pedro Sousa Carvalho, jornalista) Escreve semanalmente à sexta-feira.

    “Público”

     

    – Viver é o que fazemos entre os desejos e as promessas por cumprir, mas também o que fica em nós de silêncio e de culpa.

    Luís Osório

     

    – Não voto, sobretudo desde que comecei a apresentar o telejornal. Entendo que, quando votamos, inconscientemente há sempre uma vontade de que um lado ganhe.

    José Rodrigues dos Santos

     

    – Mesmo no presente, estou sempre a pensar no futuro.

    Ana Salazar

     

    – Enquanto houver gente sem-abrigo somos todos órfãos do nosso destino.

    Revista da CML

     

    Com filósofos destes algum dia descobrimos a pólvora.

     

    6.11.15

  • PONHAM-ME NA FOTOGRAFIA!

     

    Em tempos, acho que pela mão do camarada Guterres, saiu do anonimato uma senhora que, julgo, foi ministra, ou secretária de Estado de uma coisa qualquer: dona Ana Benavente.

    Não terá ficado célebre por coisa nenhuma que não fosse o ter-se abespinhado com um jornal, do qual, veementemente, se queixou. É que tal diário – já não me lembro qual – publicou uma fotografia “censurada”. A mesma que outro jornal, no mesmo dia, também publicou. Tratava-se de um grupo na margem do qual espreitava a Dona Ana. Num jornal, lá estava ela. No outro, por evidentes questões de espaço, a senhora não constava, isto é, a margem tinha caído. Censura!, gritou ela aos quatro ventos, como se alguém neste mundo se preocupasse em vê-la na fotografia, ou fosse onde fosse.

    Depois, a senhora voltou à obscuridade, não sei se permanente se com intervalos. Agora, com o cheirinho a poder que por aí anda, reaparece no jornal – com fotografia e tudo! – a dizer de sua justiça. Clama “ousar lutar, ousar vencer” (onde já ouvi isto?), desfia as cassetes do costume, repisadíssimas, o ódio sem reciclagem, cozido e recozido, sem decoro nem vergonha. Sempre esteve, ficámos agora a saber “muito mais perto do do PCP e do BE, que do PSD e do PP”, coitadinha – no tempo do Guterres não se lembrou de dizer tal coisa – e vê agora uma luz no túnel, aberta pelo PSC (PS do Costa).

    Postas as coisas em pratos limpos, vem a senhora acenar ao PSC: cá estou camaradas, não se esqueçam de mim, ponham-me na fotografia!

    Para memória futura.

     

    5.11.15

  • NOTAS DO DIA

    Meu caro Sérgio, ou quem te substituíu

    Força! Depressa! Assina a privatização da TAP em definitivo, sem apelo, já passaste as instâncias que tinhas a passar, compromete-nos com a coisa antes que o “trio de ataque” te passe a perna e fiquemos com a menina nos braços sem ter comida para lhe dar. Olha que isso do nacionalismo aéreo é coisa da extrema esquerda, da extrema direita e do Costa. Ajuda a malta, pelo menos neste caso mais, a livrar-se dos trogloditas! Rápido, antes que os usurpadores possam rasteirar-nos!

    *

    Afinal, com tanta gente aos gritos, parece que os salários mais baixos estão… mais altos! É o que diz quem fez contas. O salário médio está pelo menos 4 euros mais alto do que em 2011. Como é possível se, no Estado, está mais baixo? Há uma conclusão: a subida geral está bastante acima dos tais 4 euros. E uma explicação: os negregados patrões estão a poder e querer pagar melhor. É pouco? Claro que é pouco. Mas é melhor, ou menos mau, mesmo com crise, com “empobrecimento”, com austeridade. Mesmo que os extremistas da demagogia e da falácia digam o contrário. Parece que, afinal, a sociedade civil está (ou esteve, antes do advento do trio) a reagir.

    *

    Entre 2011 e 2015, o número de acções executivas cíveis entradas nos tribunais desceu de 98.548 para 50.543. 50%! Fantástico, pá. Será que a malta anda a portar-se melhor, ou que as coisas melhoraram mesmo?

    *

    O camarada Costa, em mais uma demonstração de óptimo carácter, acendrada honestidade, pluralismo intra-partidário, etc., quando soube que o Assis ia fazer uma almoçarada com os que contestam as suas – dele, Costa – maluquices (que palavra tão doce…), a fim de evitar que uma data de gente lá fosse tratou de convocar para o mesmo dia uma reunião magna da agremiação. Mais uma demonstração da alta qualidade política e humana do maior oportunista da Hstória de Portugal.

    *

    Não sou, nem de perto nem de longe, adepto das reuniões secretas de grupos de “influentes”, sejam mações, “bildergerguiões” ou outros figurões. Por isso, muito estranho que haja um tipo que, declarando não se dedicar a “teorias da conspiração”, publica um livro a informar sobre o que se passa em tais reuniões. Então, ou, ao contrário do que diz, as reuniões não são secretas, ou, disfarçado de mosca, andou por lá a comer umas migalhas. Não se sabe, nem se explica. A não ser que atentemos no esclarecimento fornecido pelo autor da obra, ao dizer que o Bilderberg é “um grupo opaco a quem falta transparência”. Fica tudo claro, não acham?

     

    5.11.15

  • UM TRISTE DIA

     

    Não fora um cozido à portuguesa que comi ao almoço, e esta 4ª feira teria sido mais um dia para esquecer. Logo de manhã fui agredido por um tal Pedro Nuno Santos numa entrevista ao “Público”. O rapaz que repete a cartilha esquerdalha que anda em voga, armada em democrática, os acordos secretos dos três partidos (aquela senhora “verde”, aqui, não conta como partido, como é evidente), o PC dizer uma coisa, o BE outra e o PS coisa nenhuma é assim mesmo, nada de mais normal, se houver azar em termos orçamentais não há problema nenhum, o chamado estado social é para a(pro)fundar, mais as balelas do costume, os cidadãos passam a “trabalhadores”, na bela linguagem do PC e da Marine Le Pen, já adoptada pelo PSC (Partido Socialista do Costa) etc.. Tudo do mais inteligente. À noite, de rajada, apanho com a Catarina a fazer o seu teatro habitual durante uma enfadonha meia hora, logo seguida por um rapazito da esquerdíssima intelectualidade nacional, cujo nome, com as devidas desculpas, me escapa.

    Tirando hoje, é assim todos os dias e, pelo andar da carruagem, vai ser cada vez pior, vamos gramar esta gente a triplicar. E ai de quem disser o contrário do que eles dizem. Precatem-se. O Pinto de Sousa será libertado cum lauda, o Correio da Manhã fechado, o juiz Rangel promovido.

    A propósito, já começa a haver sinais das maravilhas que brilham no nosso futuro próximo. A única agência de rating nossa “amiga” já declarou que não tarda nada nos vai pôr no lixo como as outras. Feito isto, o BCE corta-nos a coleta, os juros pulam e, quando se gastar o que a dona Maria Luís andou a poupar, venha mais um resgatezinho, que é – diz a História – do que o PS mais gosta.

    Enfim, valha-nos o cozido à portuguesa, a fazer esquecer que os chouriços, como o país, já estão condenados à morte… A esses nem a troica salva.

     

    4.11.15

  • DO PREÇO DA BICA

     

    Parece que as miúdas já estão a encolher as unhas. Segundo o que se tem sabido, afinal as pensões, os salários, a sobretaxa, etc. já perderam a urgência e passaram a intenção para o futuro. Até o salário mínimo é para aumentar, talvez, mas só lá para 2016. Um lugarzinho no governo é óptimo para amenizar as tendências revolucionárias e os tão proclamados desejos das raparigas. Ainda não se sabe como vai actuar o PC, mas parece que não irá muito fora do esquema. As pequenas, essas vão ter muito com que se consolar, embora para isso não fosse preciso nenhum acordo, isto é, as “questôes fracturantes”, tanto ao gosto das delas, vão passar todas: os homos vão adoptar criancinhas à vara larga, as pretendentes ao aborto, perdão, IVG, vão ter as borlas e os subsídios que a actividade bem merece, a médio prazo será definitivamente abolida a família tradicional, os cães vão passar a ter cartão do cidadão, quem disser que um preto é preto ou que um branco é branco irá parar à cadeia, o multiculturalismo será generosamente subsidiado desde que seja “progressista”, etc. Já não é pouco.

     

    Uma coisa há que, de tão estúpida, vai merecer a esmagadora aprovação da mesnada da esquerda e do CDS: a redução do IVA da restauração. Que me desculpem os “restauradores” a classificação de estúpida com que brindo tal e tão “social” medida. Quem anda por aí vê nascer bares, restaurantes, tascas et alia por todos os cantos, aos pontapés, mais que em qualquer outro país europeu. Se fosse um sector em crise por causa do IVA, alguém abriria mais portas? Nem pensar. Bem pelo contrário, a “restauração” deve ser uma das mais “dinâmicas” actividades da nossa praça. Quando se deu o aumento do IVA para 23% houve algum aumento dos preços ao consumidor? Nenhum. O que se passou foi que a restauração absorveu calmamente o tal aumento, sem prejuízo do seu evidente progresso. Com a descida do IVA acontecerá o mesmo: o sector vai continuar a mexer mas os preços ficarão na mesma, ou seja, a totalidade do “desconto” será absorvida pelos “restauradores”, não pela sociedade.

     

    Mais uns milhões para alargar o buraco do Estado, e será tudo. Cá estamos para pagar, não é? Como diria um famoso filósofo cá do sítio, aguentamos tudo. Até aguentamos mais esta “gota de água”. A bica, essa, firme como uma rocha, continuará a 65 ou 70 cêntimos.  

     

    2.11.15

      

  • DA INUTILIDADE DAS ANÁLISES

     

    Anda por aí um exército de “analistas” a dar tratos à moleirinha para saber o que se passa na politiquice cá do síto. Até o IRRITADO, da sua pobre tribuna, vai miando as suas bocas, bocas a dar azo a merecidas suspeições, já que, como é evidente, a sua confessa postura anti-socialista, anti-comunista e pró lisura, retira à coisa a credibilidade e a “transparência” necessárias.

    Pois bem, tudo minha gente opina. Pelo menos por enquanto, isto é, enquanto os “analistas” não caírem na alçada daquela juiza que, por inata e repenicada estupidez ou acendrado amor ao senhor Pinto de Sousa, resolveu dar um porradão na liberdade de pensamento e de imprensa que se julgava recuperadas após saído aquele senhor do poder.

     

    Passemos ao assunto. E o assunto é que não vale a pena andar para aí a opinar sobre a SPEC (situação política em curso). Tudo o que se possa dizer, todas as razões para o que se passa, são pura invenção. A verdade é só uma: vai haver coligação social-marxista-trotskista-leninista, e acabou-se.

    Há, com boas razões, quem duvide de tal possiblidade:

    Então o PS não é um partido democrático, ao contrário dos outros dois? É. Ao contrário dos outros dois, não é fiel à postura externa do Estado? É. Não disse, ao contrário dos outros dois, que queria pagar as dividas? Disse. Não tinha, nas eleições, um programa, nefelibata, é certo, mas moderado, ao contrário dos outros dois? Tinha.

    E os outros dois? Não andam a pedir dinheiro para sair do euro? Andam. Não andam a dizer que não querem pagar a dívida? Andam. Não andam a fazer manifestações anti-NATO? Andam. Não andam a dizer que o défice tanto pode ser de 3% como de 4, como do que lhes der na gana? Andam. O Jerónimo não disse na televisão que o programa do PS é uma m… porcaria? Disse.

    Então não é possível a tal coligação. É. Porquê? Porque o que está em causa não é governar o país, é pôr o Costa no lugar do Passos. Porque satisfazer a ambição e a burla eleitoral do Costa é o único objectivo desta baralhada toda. O PC do Jerónimo e as sinistras raparigas do BE podem fazer ou dizer o que lhes der na cabeça, que jamais porão em causa o acordo, ou seja, porque a sede de galarim do Costa o fará aceitar tudo o que disserem ou fizerem, o fará dar-lhes os flanco e mais o que for preciso, e expressá-lo no “acordo” e/ou na prática futura.

    O que está em causa não é governar o país, não é encontrar um caminho para melhores dias, não é revitalizar a sociedade ou a economia, ou seja o que for, não é, sequer, dar direito de ciadae às ideias, actuais ou passadas, do PS. É cumprir o sonho do Costa, do Caramba, do César, do Capoulas e de tantos outros: ganhar o que, nas eleições, perderam.

     

    O resto é conversa da “analistas”, IRRITADO incluído. Não vale a pena “analisar” mais.

     

    1.11.15

  • EU PECADOR

     

    Eu pecador me confesso, em dolorosa contrição. É que não só sou um inveterado consumidor de peixe, como, ainda por cima, sou nacional dum país que é o que mais peixe come. Daí, a minha “pegada ecológica” ser um tenebroso pecado contra o bacalhau, a sardinha, o salmonete (um pecadão, o salmonete!), contra a Terra, o Mar, as espécies e mais tudo o que as estatísticas e a ONU entenderem por bem. O meu país, por seu lado, está comigo nesta desgraçada circunstância, um rogue state ao pé do qual o Boko Haram e o Estado Islâmico não passam de doces grupinhos de meninos da escola.

    Pelo menos, é o que diz a “ciência”. O bacalhau e o salmonete têm a mais sagrada das prioridades sobre os meus tenebrosos hábitos e o meu pobre país. A “ciência” evolui, neste como em muitos outros casos. Verdade é que andámos décadas e ouvir a “ciência” proclamar que devíamos comer peixe. Agora, peixe nem pensar, por causa do planeta, das reservas de camarão e de outras novas verdades “científicas” e estatísticas.

    A tão graves pecados junto outros, talvez ainda piores. É que, imagine-se, nada fiz, por exemplo, contra a gripe das aves, não matei os pombos dos jardins em nome da saúde universal, não declarei guerra aos chineses, que têm triliões de perigosíssimas galinhas, não entrei em pânico por causa das vacas loucas, os açorianos continuam a viver à custa das vacas que dão traques cheios de CO2, e eu – o meu país comigo – ainda não me manifestei sobre a ingente necessidade de afundar o arquipélago, ainda não vim para rua pedir umas bombas de hidrogénio para dar cabo daquilo tudo.

    E os chouriços? A “ciência” não quer que eu coma tal coisa. A ONU, pretendente ao governo universal – e muito bem porque é a dona da “ciência certa e irrefutável” – bem me avisa contra os pecados da carne, mas eu, inimigo confesso do planeta e da humanidade, ainda me regalo com pregos no prato e bifanas à maneira.

    E o quecimento global, que a “ciência estabelecida” já declarou irreversível, catastrófico, mortal, tudo por minha culpa? Eu continuo a andar em carros com mais de quinze anos sem respeito por nada nem por ninguém, continuo indiferente às consequências do meu comportamento. Que universal castigo mereço?

    Enquanto a espécie humana, sob o indiscutível comando da ONU e de outros detentores da “ciência estabelecida”, vive no justificado terror que os chouriços, os salmonetes, as vacas, o CO2, os papagaios infundem, e treme do mais justificado terror, eu, pecador, continuo a pecar todos os dias, sem contrição nem arrependimento. Não pode ser!

    Que castigo mereço? A morte? É pouco, porque, com a morte, seremos todos castigados. Até os puros, os ecologicamente castos, os funcionários da ONU, os vegetarianos, as gentes que não comem chouriços e viajam nuns carros cheios de ecológicas martingalas, os que dizem não ao bacalhau e tantos outros cidadãos “conscientes”, estão condenados a morrer.

    Então, o quê? Que castigo? Talvez o de ter que aturar esta malta, planetária dona do terror, da ameaça, da limitação de liberdades, fabricante e arauta de medos. Sim! Aturar esta malta é o pior dos castigos.

     

    31.10.15

  • UM FUTURO BRILHANTE

     

    Por essa Europa fora (e não só) começam a adensar-se as nuvens que pairam sobre nós. Desde o Royal Bank of Canada, que diz, com a clareza dos cristais, que a descida da confiança só parará se Costa se demitir, até aos mercados onde os juros da nossa dívida a dez anos são já o dobro dos da espanhola, passando pelo facto de a nossa dívida estar em contraciclo com a dos demais países periféricos, tudo nos anuncia a tempestade, seja com um governo de gestão, seja com a vitória das trafulhices eleitorais do PS.

    É claro que a malta que não vê para além do próprio umbigo – há disso aos pontapés – quer é ouvir os conspiradores dizer que vão repor tudo o que é salário e pensão, aumentar uma data de subsídios, etc., numa bebedeira de despesa sem solução imaginável. Enquanto os tipos não caírem, sempre entram mais uns tostões cá em casa, e o resto é conversa.

    A estupidez é sempre tão perigosa como primária. Dívida, o que é isso? O Jerónimo já disse, apoiado pela Catarina e com a silenciosa aprovação do Costa, que o défice é coisa para ir para os 4% sem problema nenhum. A Pátria é soberana e independente, não se subordina a detalhes desse tipo, nem a banqueiros ou mercados.

    Dona Marine é da mesma opinião, o facho da Hungria anda mais ou menos pelo mesmo tipo de pensamento. Les bons esprits – agora com a companhia do Costa e o aval do Centeno e do Galamba – se rencontrent, não é?

     

    30.10.15

  • MEIA HORITA BEM PASSADA

     

    Anda uma pessoa chateada, ansiosa, cheia de incertezas. À noite, vai às TV’s, ao Netflix (veem como IRRITADO é modernaço?), à procura de alguma coisa que o divirta e faça esquecer as incertezas. Encontra futebol mais pancadaria, mais pancadria mais futebol, e, é claro, o atentado à inteligência das novelas, concursos e outras porcarias. Aprofundando a procura, pensa que talvez seja possível encontrar alguma coisa bem disposta, no cabo ou fora dele, que faça, rir, que alivie. Baldada procura, baldada esperança.

    Até que, hoje, à hora do jantar, assiti à coisa mais cómica que imaginar se possa. Cá em casa, o povo riu-se durante uma boa meia hora com a apalhaçada palinódia do Jerónimo. A coisa foi de tal maneira que até a rapariga da SIC se viu à rasca para não se desmanchar. Contámos as 3.498 vezes que o cómico disse “portanto”, em versão bolchevista, isto é, “ptant”.

    Então, que tal vão as negociações?

    As, ptant, negociações, ptant, o nosso povo é soberano, ptant, não é, ptant…

    E porque não negoceiam a três?

    Pois, ptant, o memorando, ptant, não devia, ptant, ser assinado…

    Mas já chegaram a algum acordo?

    Bem, ptant, as negociações, ptant, as negociações decorrem, ptant, se estão a decorrer, ptant, ainda não decorreram, ptant, não posso adiantar nada…

    Aqui dizem que vão cumprir o tratado orçamental e, lá fora, querem acabar cpm ele.

    Claro, ptant, como já disse e repito, ptant, o nosso povo, ptant, somos contra o tratado orçamental… ptant, pois, ptant, o programa do PS não presta, isto de querer, ptant, reduzir, ptant, o défice a mata cavalos, ptant, não é, ptant, o nosso partido sempre disse, e até houve, ptant, o manifesto dos 74, ptant…

    E o BE?

    O BE tem conversas aparte ptant com o PS ptant não é conosco ptant, nós sabemos o que queremos, o nosso povo ptant, é preciso pagar os salários ptant, e as pensões como eram ptant, acabar com a política de direita…

    Então, e se o orçamento não puder entrar em vigor a 1 de Janeiro?

    Bom ptant é claro, é uma questão dilemática… não sei bem ptant é preciso repor os salários e as pensões ptant o país é soberano, pois ptant tem que ter soberania, não ceder ptant a exigências estrangeiras.

    Então, o acordo, o papel para apresentar ao PR?

    Papel? ptant não é preciso papel nenhum, o PC ptant cumpre a sua palavra.

    E o défice?

    O défice? O que o país precisa ptant como do pão para a boca, é de investimento, saúde, educação, habitação ptant, independência, soberania ptant, não é de ajudar os bancos, ptant, as pressões, ptant…

     

    Fiquemos por aqui. O melhor é ir ver a entrevista outra vez, agora com um saquinho de lenços de papel para, portanto, aparar as incontroláveis lágrimas que o riso, quando é muito, provoca.

     

    Até que enfim, a televisão ofereceu-nos um espectáculo verdadeiramente cómico. Parabéns.

     

    29.10.15

     

    ET. Para nos fazer rir mais um bocadinho, a dona Maria do Dafundo, perdão, de Belém, veio imitar o impagável Marcelo, dizendo que isso de governos de gestão, problemas, etc., é favor não me darem bananas dessas para descascar lá em casa (leia-se, em Belém)…

  • MENTIROLAS

     

    O jornal “Público”, órgão oficioso da coligação de esquerda, pediu a uma série de “constitucionalistas” – profissão na moda – a sua opinião sobre a hipótese de um governo de iniciativa presidencial. Do sinistro Reis Novais ao inexistente Manuel Monteiro, várias são as posições, mais ou coincidentes quanto a afirmar, gostanto ou não, a conformidade constitucional tal hipótese. Talvez os seus intrincados raciocínios tenham desculpa.

    O que não tem desculpa nenhuma é o omnipresente Miranda, intérprete “autêntico” dos ditames da sua “filha” – diz ele e mais uns tipos – Constituição. Nessa alta qualidade, opina que, até em Itália, o Presidente nomeou o Mario Draghi (ó Jorge, não é Draghi, é Monti!) e, na Grécia, o Tsipras (!!!???).

    Adiante. Extraordinário é que o “pai” não saiba, ou não se lembre (a idade é uma chatice) que a “filha” foi recauchutada em 82, e que um dos principais efeitos e declarados objectivos da recauchutagem foi, precisamente, acabar com a possibilidade de haver governos “de iniciativa presidencial”. Mais estranho ainda é que o “pai” assistiu a, colaborou com, e votou a decisão de que se esquece agora, sabe-se lá (mas desconfia-se) com que real intenção.

    Fica a mentirola, o que não é pouco.

     

    27.10.15

  • GENTE DO MELHOR, OU DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

     

    Estou-me cagando para o segredo de justiça.

    Ferro Rodrigues, 21.5.03

    O receio é que a coisa já esteja na mão do juiz… Já fiz o contacto… disse que ia falar com o procurador do processo… pá, talvez seja altura de procurar o Guerra (procurador do processo)… o (Sampaio) já falou com o procurador geral…

    Pequena amostra das conversas entre Costa e Ferro, no caso dos pedófilos, acerca do Pedroso.

     

    Estes são os canalhas que querem tomar conta disto. O monstruoso Ferro já é a segunda figura do Estado, sem que um único deputado do PS tivesse a dignidade, a honra, a decência de, pelo menos, se abster. O Costa prepara-se para trair tudo o que há para trair, a troco de ter poder para nos meter no inferno. O Sampaio – perito em golpadas – informa, pelo silêncio cúmplice, que está de acordo com a tramóia. Estas são as criaturas que arruinam o que ainda havia de digno e de “funcional” no nosso sistema político. Vergonha das vergonhas, parecem não ter oposição à altura no seu ex-democrático partido. Será que a estulta ambição, tão porcamente defendida, não tem quem se lhe oponha (activamente!) dentro da agremiação?

    Será que é possível partir o país a mais de meio e dar o poder à parte minoritária, sem que soaristas, seguristas e gente do “passado” ponham ponto final ao assalto? Tudo perguntas cuja resposta já sabemos.

    O eleitorado (nós), cuja esmagadora maioria se manifestou nas eleições a favor de um governo da Coligação com a construtiva oposição do PS, está a ser enganado, aldrabado, degolado, sem que, lá por dentro da mesnada, haja quem queira ou arrisque opor-se.

    O Presidente chamou à consciência os deputados do PS, talvez a julgar que ainda havia por lá quem consciência tivesse. Mas parece que isso de consciência, de respeito pela vontade dos cidadãos, de honesta democraticidade do regime, é chão que já não dá uvas. O ferrugento respondeu ao PR com o discurso próprio de um díscolo político, sem escrúpulos nem sombra de honestidade ou de respeito pelo cargo para que foi eleito, à revelia de todos os princípios do regime.

    E agora? Agora, que já temos amostras suficientes, vamos aceitar o produto. Vamos. Aguentamos tudo. Aguentamos. Aguentamos que uma gente que, por exemplo, diz pôr de lado a oposição à NATO – oposição inconstitucional – promova, sem sanção política, manifestações contra a dita? O tribunal Constitucional não dá – e não dará – por nada.

    Aguentamos, por exemplo que o chefe do bando diga que, se os compromissos esquerdistas puserem em causa o défice, se altera as metas do défice. Nem o Siryza faria melhor. Aguentamos. E, ainda que um governo de gestão fosse muito melhor que um da frente de esquerda, aguentaremos este. Porquê? Porque a única esperança que nos resta é que tal frente venha a ser aniquilada daqui a uns meses, através do nosso voto.

    Nada pior que deixar os democratas ser consumidos nos limites de um governo de gestão,  tornando-se objecto das calúnias diárias dos canalhas.

    Viremos o bico ao prego. Que sejam os canalhas a consumir-se no mar de asneiras, de traições, de enganos e de miséria onde nos meterão. Que o feitiço se vire contra o feiticeiro.

    Pior que o 5 de Outubro de 1910, só o 4 de Outubro de 2015 “interpretado” por gente desta.

     

    27.10.15

  • A PRESIDENCIAL PESSEGADA

     

    Quando os filhos são maus, ou defeituosos, não deixam de, pelos pais, ser amados. Mas amá-los não significa elogiar as suas imperfeições, antes procurar corrigi-las, ou minorá-las.

    Não, não estou a falar de problemas familiares. O exemplo serve-me para olhar um pouco para as atitudes de alguns auto-proclamados “pais da Constituição” de 76, que se vangloriam do tristemente célebre semi-presidencialismo à portuguesa, que dizem ter inventado. À cabeça, Miranda e Marcelo.

    Nas democracias civilizadas da Europa Ocidental, não há um só caso da natureza do nosso. Só a França tem um sistema com o mesmo nome, mas totalmente diferente. O semi-presidencialismo francês é-o propriamente dito, não é semi-parlamentarismo: o presidente é-o da República, não “dos franceses”, como cá foi inventado e nunca negado pelos “pais” do sistema. É um chefe político que, representando a República, tem a sua política, não anda armado em “magistrado de influência”, não se atribui um “poder moderador”, não se diz “independente”, o seu cargo é político e actuante, é o responsável pela governação. Quer dizer, se foi eleito pela maioria do povo é politicamente responsável pelo que fez ou disse ir fazer.

    Por cá, ao contrário, os inúteis e/ou contraproducentes presidentes têm que inventar a série de patacoadas acima entre aspas citadas, e outras, que não estão na Constituição nem servem para nada, a não ser para confundir as pessoas e maltratar a sua vontade.

    Fora de França, os chefes de Estado ocidentais são de nomeação ou eleição parlamentar, gozando da confiança maioritária do Parlamento para a representação do país, e pouco mais. Apoiam os governos que o povo elegeu, que são os governos das suas Repúblicas, ou dos seus Reinos.

    Por cá, não são carne nem peixe. Para mostrar que existem metem-se onde não são chamados, apoiam ou desapoiam governos, cultivam a estulta preocupação de se tornar notados. Consoante as opiniões, são “independentes” quando fazem a vida negra aos governos, são “partidários” quando os apoiam, e vice-versa. Não é por acaso que, nas campanhas presidenciais, metade do tempo se passa a discutir quais são os seus poderes. Como ninguém sabe ao certo o que andam para ali a fazer, acabam por fazer o que deles esperam uns contra os outros. É uma ficção isso de dizer que os presidentes estão “acima dos partidos”. Como o seria dizer que estão “abaixo”. E ainda mais, dizer que, sendo políticos claramente caracterizados, se espera deles “independência”. Quem é eleito directamente por metade dos votos directamente expressos nunca será “independente”.

    O que irrita o IRRITADO é que os “pais” desta pessegada se orgulhem dela.

     

    26.10.15

  • DEIXE-SE DE FITAS!

     

    Foi chocante ouvir ontem o senhor Marco António dizer que a Coligação continua disposta a fazer acordos com o Costa.

    Chegaram as propostas anteriormente dadas a lume para perceber que, ao adoptar as medidas aconselhadas pelos trutas do PS, tudo podia ir por água abaixo, isto é, que os riscos de um acordo com o PS punham em causa quase tudo o que se tem dolorosamente conseguido ao longo dos últimos quatro anos. À partida, o PS já tinha posto tudo de pernas para o ar. Inaceitável era ser a Coligação, que ganhou, a ceder quase tudo ao PS, que perdeu. Dada a posição desde o dia 4 assumida pelo adversário, inútil seria, como foi, tentar fosse o que fosse de consensual.

    O único e exclusivo objectivo do gangue é a fazer do Costa primeiro-ministro. Como a única forma de lá chegar é juntar-se aos comunistas, o PS fará o que estes quiserem, é tudo. Não vale a pena tentar acertar políticas se o ponto de partida for a negação do objectivo único.

    Agora, é esperar pelos brilhantes resultados que a “governação” dos gangsters não deixará de trazer e, daqui a uns meses, em eleições antecipadas, acabar com a vil brincadeira em que nos querem envolver. Perder-se-ão milhares de milhões, é certo (os buracos, ainda que por defeito, já estão a ser calculados), os salários, pensões, etc., levarão o inevitável porradão, isto para dizer o menos. Mas mais vale isso que submeter-se quem tem razão – que ganhou as eleições – à vontade de quem a não tem.

    Portanto, senhor Marco António, não se baixe mais. Perceba com quem e com o que está a lidar. Deixe-se de fitas!

     

    26.10.15