IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CALAMIDADES

    Ele há coisas muito difíceis de perceber.

    Houve chuva e cheias em Albufeira. Ficou tudo escavacado. Foi lá o ministro que trata destas coisas. Fez umas considerações “divinas” que muito irritaram os ultra-laicos da moda. É o menos. Realisticamente, o tal ministro deu uns conselhos de elementar bom senso e anglo-saxónica inspiração: rapazes, vejam mas é se fazem seguros que cubram os riscos dos acts of God.

    Dois dias depois, e muito bem, o mesmo ministro informou a plebe: em 48 horas, arranjei o dinheiro necessário para a reconstrução. Parabéns.

    Hoje, os jornais anunciam que o tal dinheiro vai ser entregue prioritariamente a quem não tem seguro. Então, senhor ministro, em que ficamos? O senhor quer que a malta faça seguros, depois premeia, com o nosso dinheiro, quem os não faz? Já viu o raciocínio que está a provocar aos chicos espertos, de Albufeira em particular e do país em geral? Para que é que eu vou gastar dinheiro em seguros, se, havendo azar, recebo o taco na mesma, e até antes dos que vão ter uns meses de luta com as companhias de seguros, entidades que, como toda a gente sabe, detestam pagar seja o que for e sempre o mais tarde que puderem?

    Se o dinheiro do Estado for para a recuperação de infraestruturas, de ruas, de canalizações, etc., compreende-se. Mas que seja, antes de mais, para quem não tem seguro? Senhor ministro, haja propósitos. Premiar os irresponsáveis e desprezar os outros?

     

    6.11.15

  • DOS DONS PREMONITÓRIOS DA ESQUERDALHADA

    Meses antes de qualquer hipótese de putativo orçamento para 2016, já o oportunista-mor dizia: votem em mim porque, se votarem nos outros, desde já garanto que lhes chumbo o orçamento. O chefe do PSC (PS do Costa) não precisava de saber o que rezaria o tal orçamento. Anunciava o chumbo, e pronto. Tinha a premonição que a coisa não mereceria o seu alto apoio ou patrocínio.

    Agora, o indivíduo, sem ter lido uma linha do programa de governo, já sabe que não presta, isto é, já sabe que o vai rejeitar. Bruxo! Uma espécie de astrólogo do Campo das Cebolas, discípulo do Professor Karamba? Não! O problema não é, nem nunca foi, saber se o programa é bom ou mau, se o orçamento é bom ou mau. O que interessa ou não ao país, para o oportunista mor, ou carroceiro menor, é dispiciendo. Mero detalhe. Se é “deles”, é para chumbar, e pronto. Porquê? Porque, segundo o douto raciocínio da criatura, os chumbos equivalem a transformá-la em primeiro-ministro, seu objectivo único e primacial.

    Vamos assim a caminho de ter um governo canalha, por iniciativa de um canalha, com um sacristão e uma sacristã. Estes, ao menos, são fiéis a si próprios, isto é, ao marxismo/leninismo/trotzkismo/maoismo/castrimo/kimismo/chavismo/madurismo/ex-tripismo/ditatorialismo que sempre os animou. Mas o PS, senhores, transformado em raminho de salsa desta gente, ou seja, em PSC? Que raio! Antes o Professor Karamba.

     

    6.11.15

  • FILOSOFIAS DO DIA

     

    Dada a chatice das notícias, decidi encontrar frases profundas nos jornais de hoje.

    Aí Vão elas:

     

    – (Pedro Sousa Carvalho, jornalista) Escreve semanalmente à sexta-feira.

    “Público”

     

    Viver é o que fazemos entre os desejos e as promessas por cumprir, mas também o que fica em nós de silêncio e de culpa.

    Luís Osório

     

    Não voto, sobretudo desde que comecei a apresentar o telejornal. Entendo que, quando votamos, inconscientemente há sempre uma vontade de que um lado ganhe.

    José Rodrigues dos Santos

     

    Mesmo no presente, estou sempre a pensar no futuro.

    Ana Salazar

     

    Enquanto houver gente sem-abrigo somos todos órfãos do nosso destino.

    Revista da CML

     

    Com filósofos destes algum dia descobrimos a pólvora.

     

    6.11.15

  • PONHAM-ME NA FOTOGRAFIA!

     

    Em tempos, acho que pela mão do camarada Guterres, saiu do anonimato uma senhora que, julgo, foi ministra, ou secretária de Estado de uma coisa qualquer: dona Ana Benavente.

    Não terá ficado célebre por coisa nenhuma que não fosse o ter-se abespinhado com um jornal, do qual, veementemente, se queixou. É que tal diário – já não me lembro qual – publicou uma fotografia “censurada”. A mesma que outro jornal, no mesmo dia, também publicou. Tratava-se de um grupo na margem do qual espreitava a Dona Ana. Num jornal, lá estava ela. No outro, por evidentes questões de espaço, a senhora não constava, isto é, a margem tinha caído. Censura!, gritou ela aos quatro ventos, como se alguém neste mundo se preocupasse em vê-la na fotografia, ou fosse onde fosse.

    Depois, a senhora voltou à obscuridade, não sei se permanente se com intervalos. Agora, com o cheirinho a poder que por aí anda, reaparece no jornal – com fotografia e tudo! – a dizer de sua justiça. Clama “ousar lutar, ousar vencer” (onde já ouvi isto?), desfia as cassetes do costume, repisadíssimas, o ódio sem reciclagem, cozido e recozido, sem decoro nem vergonha. Sempre esteve, ficámos agora a saber “muito mais perto do do PCP e do BE, que do PSD e do PP”, coitadinha – no tempo do Guterres não se lembrou de dizer tal coisa – e vê agora uma luz no túnel, aberta pelo PSC (PS do Costa).

    Postas as coisas em pratos limpos, vem a senhora acenar ao PSC: cá estou camaradas, não se esqueçam de mim, ponham-me na fotografia!

    Para memória futura.

     

    5.11.15

  • NOTAS DO DIA

    Meu caro Sérgio, ou quem te substituíu

    Força! Depressa! Assina a privatização da TAP em definitivo, sem apelo, já passaste as instâncias que tinhas a passar, compromete-nos com a coisa antes que o “trio de ataque” te passe a perna e fiquemos com a menina nos braços sem ter comida para lhe dar. Olha que isso do nacionalismo aéreo é coisa da extrema esquerda, da extrema direita e do Costa. Ajuda a malta, pelo menos neste caso mais, a livrar-se dos trogloditas! Rápido, antes que os usurpadores possam rasteirar-nos!

    *

    Afinal, com tanta gente aos gritos, parece que os salários mais baixos estão… mais altos! É o que diz quem fez contas. O salário médio está pelo menos 4 euros mais alto do que em 2011. Como é possível se, no Estado, está mais baixo? Há uma conclusão: a subida geral está bastante acima dos tais 4 euros. E uma explicação: os negregados patrões estão a poder e querer pagar melhor. É pouco? Claro que é pouco. Mas é melhor, ou menos mau, mesmo com crise, com “empobrecimento”, com austeridade. Mesmo que os extremistas da demagogia e da falácia digam o contrário. Parece que, afinal, a sociedade civil está (ou esteve, antes do advento do trio) a reagir.

    *

    Entre 2011 e 2015, o número de acções executivas cíveis entradas nos tribunais desceu de 98.548 para 50.543. 50%! Fantástico, pá. Será que a malta anda a portar-se melhor, ou que as coisas melhoraram mesmo?

    *

    O camarada Costa, em mais uma demonstração de óptimo carácter, acendrada honestidade, pluralismo intra-partidário, etc., quando soube que o Assis ia fazer uma almoçarada com os que contestam as suas – dele, Costa – maluquices (que palavra tão doce…), a fim de evitar que uma data de gente lá fosse tratou de convocar para o mesmo dia uma reunião magna da agremiação. Mais uma demonstração da alta qualidade política e humana do maior oportunista da Hstória de Portugal.

    *

    Não sou, nem de perto nem de longe, adepto das reuniões secretas de grupos de “influentes”, sejam mações, “bildergerguiões” ou outros figurões. Por isso, muito estranho que haja um tipo que, declarando não se dedicar a “teorias da conspiração”, publica um livro a informar sobre o que se passa em tais reuniões. Então, ou, ao contrário do que diz, as reuniões não são secretas, ou, disfarçado de mosca, andou por lá a comer umas migalhas. Não se sabe, nem se explica. A não ser que atentemos no esclarecimento fornecido pelo autor da obra, ao dizer que o Bilderberg é “um grupo opaco a quem falta transparência”. Fica tudo claro, não acham?

     

    5.11.15

  • UM TRISTE DIA

     

    Não fora um cozido à portuguesa que comi ao almoço, e esta 4ª feira teria sido mais um dia para esquecer. Logo de manhã fui agredido por um tal Pedro Nuno Santos numa entrevista ao “Público”. O rapaz que repete a cartilha esquerdalha que anda em voga, armada em democrática, os acordos secretos dos três partidos (aquela senhora “verde”, aqui, não conta como partido, como é evidente), o PC dizer uma coisa, o BE outra e o PS coisa nenhuma é assim mesmo, nada de mais normal, se houver azar em termos orçamentais não há problema nenhum, o chamado estado social é para a(pro)fundar, mais as balelas do costume, os cidadãos passam a “trabalhadores”, na bela linguagem do PC e da Marine Le Pen, já adoptada pelo PSC (Partido Socialista do Costa) etc.. Tudo do mais inteligente. À noite, de rajada, apanho com a Catarina a fazer o seu teatro habitual durante uma enfadonha meia hora, logo seguida por um rapazito da esquerdíssima intelectualidade nacional, cujo nome, com as devidas desculpas, me escapa.

    Tirando hoje, é assim todos os dias e, pelo andar da carruagem, vai ser cada vez pior, vamos gramar esta gente a triplicar. E ai de quem disser o contrário do que eles dizem. Precatem-se. O Pinto de Sousa será libertado cum lauda, o Correio da Manhã fechado, o juiz Rangel promovido.

    A propósito, já começa a haver sinais das maravilhas que brilham no nosso futuro próximo. A única agência de rating nossa “amiga” já declarou que não tarda nada nos vai pôr no lixo como as outras. Feito isto, o BCE corta-nos a coleta, os juros pulam e, quando se gastar o que a dona Maria Luís andou a poupar, venha mais um resgatezinho, que é – diz a História – do que o PS mais gosta.

    Enfim, valha-nos o cozido à portuguesa, a fazer esquecer que os chouriços, como o país, já estão condenados à morte… A esses nem a troica salva.

     

    4.11.15

  • DO PREÇO DA BICA

     

    Parece que as miúdas já estão a encolher as unhas. Segundo o que se tem sabido, afinal as pensões, os salários, a sobretaxa, etc. já perderam a urgência e passaram a intenção para o futuro. Até o salário mínimo é para aumentar, talvez, mas só lá para 2016. Um lugarzinho no governo é óptimo para amenizar as tendências revolucionárias e os tão proclamados desejos das raparigas. Ainda não se sabe como vai actuar o PC, mas parece que não irá muito fora do esquema. As pequenas, essas vão ter muito com que se consolar, embora para isso não fosse preciso nenhum acordo, isto é, as “questôes fracturantes”, tanto ao gosto das delas, vão passar todas: os homos vão adoptar criancinhas à vara larga, as pretendentes ao aborto, perdão, IVG, vão ter as borlas e os subsídios que a actividade bem merece, a médio prazo será definitivamente abolida a família tradicional, os cães vão passar a ter cartão do cidadão, quem disser que um preto é preto ou que um branco é branco irá parar à cadeia, o multiculturalismo será generosamente subsidiado desde que seja “progressista”, etc. Já não é pouco.

     

    Uma coisa há que, de tão estúpida, vai merecer a esmagadora aprovação da mesnada da esquerda e do CDS: a redução do IVA da restauração. Que me desculpem os “restauradores” a classificação de estúpida com que brindo tal e tão “social” medida. Quem anda por aí vê nascer bares, restaurantes, tascas et alia por todos os cantos, aos pontapés, mais que em qualquer outro país europeu. Se fosse um sector em crise por causa do IVA, alguém abriria mais portas? Nem pensar. Bem pelo contrário, a “restauração” deve ser uma das mais “dinâmicas” actividades da nossa praça. Quando se deu o aumento do IVA para 23% houve algum aumento dos preços ao consumidor? Nenhum. O que se passou foi que a restauração absorveu calmamente o tal aumento, sem prejuízo do seu evidente progresso. Com a descida do IVA acontecerá o mesmo: o sector vai continuar a mexer mas os preços ficarão na mesma, ou seja, a totalidade do “desconto” será absorvida pelos “restauradores”, não pela sociedade.

     

    Mais uns milhões para alargar o buraco do Estado, e será tudo. Cá estamos para pagar, não é? Como diria um famoso filósofo cá do sítio, aguentamos tudo. Até aguentamos mais esta “gota de água”. A bica, essa, firme como uma rocha, continuará a 65 ou 70 cêntimos.  

     

    2.11.15

      

  • DA INUTILIDADE DAS ANÁLISES

     

    Anda por aí um exército de “analistas” a dar tratos à moleirinha para saber o que se passa na politiquice cá do síto. Até o IRRITADO, da sua pobre tribuna, vai miando as suas bocas, bocas a dar azo a merecidas suspeições, já que, como é evidente, a sua confessa postura anti-socialista, anti-comunista e pró lisura, retira à coisa a credibilidade e a “transparência” necessárias.

    Pois bem, tudo minha gente opina. Pelo menos por enquanto, isto é, enquanto os “analistas” não caírem na alçada daquela juiza que, por inata e repenicada estupidez ou acendrado amor ao senhor Pinto de Sousa, resolveu dar um porradão na liberdade de pensamento e de imprensa que se julgava recuperadas após saído aquele senhor do poder.

     

    Passemos ao assunto. E o assunto é que não vale a pena andar para aí a opinar sobre a SPEC (situação política em curso). Tudo o que se possa dizer, todas as razões para o que se passa, são pura invenção. A verdade é só uma: vai haver coligação social-marxista-trotskista-leninista, e acabou-se.

    Há, com boas razões, quem duvide de tal possiblidade:

    Então o PS não é um partido democrático, ao contrário dos outros dois? É. Ao contrário dos outros dois, não é fiel à postura externa do Estado? É. Não disse, ao contrário dos outros dois, que queria pagar as dividas? Disse. Não tinha, nas eleições, um programa, nefelibata, é certo, mas moderado, ao contrário dos outros dois? Tinha.

    E os outros dois? Não andam a pedir dinheiro para sair do euro? Andam. Não andam a dizer que não querem pagar a dívida? Andam. Não andam a fazer manifestações anti-NATO? Andam. Não andam a dizer que o défice tanto pode ser de 3% como de 4, como do que lhes der na gana? Andam. O Jerónimo não disse na televisão que o programa do PS é uma m… porcaria? Disse.

    Então não é possível a tal coligação. É. Porquê? Porque o que está em causa não é governar o país, é pôr o Costa no lugar do Passos. Porque satisfazer a ambição e a burla eleitoral do Costa é o único objectivo desta baralhada toda. O PC do Jerónimo e as sinistras raparigas do BE podem fazer ou dizer o que lhes der na cabeça, que jamais porão em causa o acordo, ou seja, porque a sede de galarim do Costa o fará aceitar tudo o que disserem ou fizerem, o fará dar-lhes os flanco e mais o que for preciso, e expressá-lo no “acordo” e/ou na prática futura.

    O que está em causa não é governar o país, não é encontrar um caminho para melhores dias, não é revitalizar a sociedade ou a economia, ou seja o que for, não é, sequer, dar direito de ciadae às ideias, actuais ou passadas, do PS. É cumprir o sonho do Costa, do Caramba, do César, do Capoulas e de tantos outros: ganhar o que, nas eleições, perderam.

     

    O resto é conversa da “analistas”, IRRITADO incluído. Não vale a pena “analisar” mais.

     

    1.11.15

  • EU PECADOR

     

    Eu pecador me confesso, em dolorosa contrição. É que não só sou um inveterado consumidor de peixe, como, ainda por cima, sou nacional dum país que é o que mais peixe come. Daí, a minha “pegada ecológica” ser um tenebroso pecado contra o bacalhau, a sardinha, o salmonete (um pecadão, o salmonete!), contra a Terra, o Mar, as espécies e mais tudo o que as estatísticas e a ONU entenderem por bem. O meu país, por seu lado, está comigo nesta desgraçada circunstância, um rogue state ao pé do qual o Boko Haram e o Estado Islâmico não passam de doces grupinhos de meninos da escola.

    Pelo menos, é o que diz a “ciência”. O bacalhau e o salmonete têm a mais sagrada das prioridades sobre os meus tenebrosos hábitos e o meu pobre país. A “ciência” evolui, neste como em muitos outros casos. Verdade é que andámos décadas e ouvir a “ciência” proclamar que devíamos comer peixe. Agora, peixe nem pensar, por causa do planeta, das reservas de camarão e de outras novas verdades “científicas” e estatísticas.

    A tão graves pecados junto outros, talvez ainda piores. É que, imagine-se, nada fiz, por exemplo, contra a gripe das aves, não matei os pombos dos jardins em nome da saúde universal, não declarei guerra aos chineses, que têm triliões de perigosíssimas galinhas, não entrei em pânico por causa das vacas loucas, os açorianos continuam a viver à custa das vacas que dão traques cheios de CO2, e eu – o meu país comigo – ainda não me manifestei sobre a ingente necessidade de afundar o arquipélago, ainda não vim para rua pedir umas bombas de hidrogénio para dar cabo daquilo tudo.

    E os chouriços? A “ciência” não quer que eu coma tal coisa. A ONU, pretendente ao governo universal – e muito bem porque é a dona da “ciência certa e irrefutável” – bem me avisa contra os pecados da carne, mas eu, inimigo confesso do planeta e da humanidade, ainda me regalo com pregos no prato e bifanas à maneira.

    E o quecimento global, que a “ciência estabelecida” já declarou irreversível, catastrófico, mortal, tudo por minha culpa? Eu continuo a andar em carros com mais de quinze anos sem respeito por nada nem por ninguém, continuo indiferente às consequências do meu comportamento. Que universal castigo mereço?

    Enquanto a espécie humana, sob o indiscutível comando da ONU e de outros detentores da “ciência estabelecida”, vive no justificado terror que os chouriços, os salmonetes, as vacas, o CO2, os papagaios infundem, e treme do mais justificado terror, eu, pecador, continuo a pecar todos os dias, sem contrição nem arrependimento. Não pode ser!

    Que castigo mereço? A morte? É pouco, porque, com a morte, seremos todos castigados. Até os puros, os ecologicamente castos, os funcionários da ONU, os vegetarianos, as gentes que não comem chouriços e viajam nuns carros cheios de ecológicas martingalas, os que dizem não ao bacalhau e tantos outros cidadãos “conscientes”, estão condenados a morrer.

    Então, o quê? Que castigo? Talvez o de ter que aturar esta malta, planetária dona do terror, da ameaça, da limitação de liberdades, fabricante e arauta de medos. Sim! Aturar esta malta é o pior dos castigos.

     

    31.10.15

  • UM FUTURO BRILHANTE

     

    Por essa Europa fora (e não só) começam a adensar-se as nuvens que pairam sobre nós. Desde o Royal Bank of Canada, que diz, com a clareza dos cristais, que a descida da confiança só parará se Costa se demitir, até aos mercados onde os juros da nossa dívida a dez anos são já o dobro dos da espanhola, passando pelo facto de a nossa dívida estar em contraciclo com a dos demais países periféricos, tudo nos anuncia a tempestade, seja com um governo de gestão, seja com a vitória das trafulhices eleitorais do PS.

    É claro que a malta que não vê para além do próprio umbigo – há disso aos pontapés – quer é ouvir os conspiradores dizer que vão repor tudo o que é salário e pensão, aumentar uma data de subsídios, etc., numa bebedeira de despesa sem solução imaginável. Enquanto os tipos não caírem, sempre entram mais uns tostões cá em casa, e o resto é conversa.

    A estupidez é sempre tão perigosa como primária. Dívida, o que é isso? O Jerónimo já disse, apoiado pela Catarina e com a silenciosa aprovação do Costa, que o défice é coisa para ir para os 4% sem problema nenhum. A Pátria é soberana e independente, não se subordina a detalhes desse tipo, nem a banqueiros ou mercados.

    Dona Marine é da mesma opinião, o facho da Hungria anda mais ou menos pelo mesmo tipo de pensamento. Les bons esprits – agora com a companhia do Costa e o aval do Centeno e do Galamba – se rencontrent, não é?

     

    30.10.15

  • MEIA HORITA BEM PASSADA

     

    Anda uma pessoa chateada, ansiosa, cheia de incertezas. À noite, vai às TV’s, ao Netflix (veem como IRRITADO é modernaço?), à procura de alguma coisa que o divirta e faça esquecer as incertezas. Encontra futebol mais pancadaria, mais pancadria mais futebol, e, é claro, o atentado à inteligência das novelas, concursos e outras porcarias. Aprofundando a procura, pensa que talvez seja possível encontrar alguma coisa bem disposta, no cabo ou fora dele, que faça, rir, que alivie. Baldada procura, baldada esperança.

    Até que, hoje, à hora do jantar, assiti à coisa mais cómica que imaginar se possa. Cá em casa, o povo riu-se durante uma boa meia hora com a apalhaçada palinódia do Jerónimo. A coisa foi de tal maneira que até a rapariga da SIC se viu à rasca para não se desmanchar. Contámos as 3.498 vezes que o cómico disse “portanto”, em versão bolchevista, isto é, “ptant”.

    Então, que tal vão as negociações?

    As, ptant, negociações, ptant, o nosso povo é soberano, ptant, não é, ptant…

    E porque não negoceiam a três?

    Pois, ptant, o memorando, ptant, não devia, ptant, ser assinado…

    Mas já chegaram a algum acordo?

    Bem, ptant, as negociações, ptant, as negociações decorrem, ptant, se estão a decorrer, ptant, ainda não decorreram, ptant, não posso adiantar nada…

    Aqui dizem que vão cumprir o tratado orçamental e, lá fora, querem acabar cpm ele.

    Claro, ptant, como já disse e repito, ptant, o nosso povo, ptant, somos contra o tratado orçamental… ptant, pois, ptant, o programa do PS não presta, isto de querer, ptant, reduzir, ptant, o défice a mata cavalos, ptant, não é, ptant, o nosso partido sempre disse, e até houve, ptant, o manifesto dos 74, ptant…

    E o BE?

    O BE tem conversas aparte ptant com o PS ptant não é conosco ptant, nós sabemos o que queremos, o nosso povo ptant, é preciso pagar os salários ptant, e as pensões como eram ptant, acabar com a política de direita…

    Então, e se o orçamento não puder entrar em vigor a 1 de Janeiro?

    Bom ptant é claro, é uma questão dilemática… não sei bem ptant é preciso repor os salários e as pensões ptant o país é soberano, pois ptant tem que ter soberania, não ceder ptant a exigências estrangeiras.

    Então, o acordo, o papel para apresentar ao PR?

    Papel? ptant não é preciso papel nenhum, o PC ptant cumpre a sua palavra.

    E o défice?

    O défice? O que o país precisa ptant como do pão para a boca, é de investimento, saúde, educação, habitação ptant, independência, soberania ptant, não é de ajudar os bancos, ptant, as pressões, ptant…

     

    Fiquemos por aqui. O melhor é ir ver a entrevista outra vez, agora com um saquinho de lenços de papel para, portanto, aparar as incontroláveis lágrimas que o riso, quando é muito, provoca.

     

    Até que enfim, a televisão ofereceu-nos um espectáculo verdadeiramente cómico. Parabéns.

     

    29.10.15

     

    ET. Para nos fazer rir mais um bocadinho, a dona Maria do Dafundo, perdão, de Belém, veio imitar o impagável Marcelo, dizendo que isso de governos de gestão, problemas, etc., é favor não me darem bananas dessas para descascar lá em casa (leia-se, em Belém)…

  • MENTIROLAS

     

    O jornal “Público”, órgão oficioso da coligação de esquerda, pediu a uma série de “constitucionalistas” – profissão na moda – a sua opinião sobre a hipótese de um governo de iniciativa presidencial. Do sinistro Reis Novais ao inexistente Manuel Monteiro, várias são as posições, mais ou coincidentes quanto a afirmar, gostanto ou não, a conformidade constitucional tal hipótese. Talvez os seus intrincados raciocínios tenham desculpa.

    O que não tem desculpa nenhuma é o omnipresente Miranda, intérprete “autêntico” dos ditames da sua “filha” – diz ele e mais uns tipos – Constituição. Nessa alta qualidade, opina que, até em Itália, o Presidente nomeou o Mario Draghi (ó Jorge, não é Draghi, é Monti!) e, na Grécia, o Tsipras (!!!???).

    Adiante. Extraordinário é que o “pai” não saiba, ou não se lembre (a idade é uma chatice) que a “filha” foi recauchutada em 82, e que um dos principais efeitos e declarados objectivos da recauchutagem foi, precisamente, acabar com a possibilidade de haver governos “de iniciativa presidencial”. Mais estranho ainda é que o “pai” assistiu a, colaborou com, e votou a decisão de que se esquece agora, sabe-se lá (mas desconfia-se) com que real intenção.

    Fica a mentirola, o que não é pouco.

     

    27.10.15

  • GENTE DO MELHOR, OU DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

     

    Estou-me cagando para o segredo de justiça.

    Ferro Rodrigues, 21.5.03

    O receio é que a coisa já esteja na mão do juiz… Já fiz o contacto… disse que ia falar com o procurador do processo… pá, talvez seja altura de procurar o Guerra (procurador do processo)… o (Sampaio) já falou com o procurador geral…

    Pequena amostra das conversas entre Costa e Ferro, no caso dos pedófilos, acerca do Pedroso.

     

    Estes são os canalhas que querem tomar conta disto. O monstruoso Ferro já é a segunda figura do Estado, sem que um único deputado do PS tivesse a dignidade, a honra, a decência de, pelo menos, se abster. O Costa prepara-se para trair tudo o que há para trair, a troco de ter poder para nos meter no inferno. O Sampaio – perito em golpadas – informa, pelo silêncio cúmplice, que está de acordo com a tramóia. Estas são as criaturas que arruinam o que ainda havia de digno e de “funcional” no nosso sistema político. Vergonha das vergonhas, parecem não ter oposição à altura no seu ex-democrático partido. Será que a estulta ambição, tão porcamente defendida, não tem quem se lhe oponha (activamente!) dentro da agremiação?

    Será que é possível partir o país a mais de meio e dar o poder à parte minoritária, sem que soaristas, seguristas e gente do “passado” ponham ponto final ao assalto? Tudo perguntas cuja resposta já sabemos.

    O eleitorado (nós), cuja esmagadora maioria se manifestou nas eleições a favor de um governo da Coligação com a construtiva oposição do PS, está a ser enganado, aldrabado, degolado, sem que, lá por dentro da mesnada, haja quem queira ou arrisque opor-se.

    O Presidente chamou à consciência os deputados do PS, talvez a julgar que ainda havia por lá quem consciência tivesse. Mas parece que isso de consciência, de respeito pela vontade dos cidadãos, de honesta democraticidade do regime, é chão que já não dá uvas. O ferrugento respondeu ao PR com o discurso próprio de um díscolo político, sem escrúpulos nem sombra de honestidade ou de respeito pelo cargo para que foi eleito, à revelia de todos os princípios do regime.

    E agora? Agora, que já temos amostras suficientes, vamos aceitar o produto. Vamos. Aguentamos tudo. Aguentamos. Aguentamos que uma gente que, por exemplo, diz pôr de lado a oposição à NATO – oposição inconstitucional – promova, sem sanção política, manifestações contra a dita? O tribunal Constitucional não dá – e não dará – por nada.

    Aguentamos, por exemplo que o chefe do bando diga que, se os compromissos esquerdistas puserem em causa o défice, se altera as metas do défice. Nem o Siryza faria melhor. Aguentamos. E, ainda que um governo de gestão fosse muito melhor que um da frente de esquerda, aguentaremos este. Porquê? Porque a única esperança que nos resta é que tal frente venha a ser aniquilada daqui a uns meses, através do nosso voto.

    Nada pior que deixar os democratas ser consumidos nos limites de um governo de gestão,  tornando-se objecto das calúnias diárias dos canalhas.

    Viremos o bico ao prego. Que sejam os canalhas a consumir-se no mar de asneiras, de traições, de enganos e de miséria onde nos meterão. Que o feitiço se vire contra o feiticeiro.

    Pior que o 5 de Outubro de 1910, só o 4 de Outubro de 2015 “interpretado” por gente desta.

     

    27.10.15

  • A PRESIDENCIAL PESSEGADA

     

    Quando os filhos são maus, ou defeituosos, não deixam de, pelos pais, ser amados. Mas amá-los não significa elogiar as suas imperfeições, antes procurar corrigi-las, ou minorá-las.

    Não, não estou a falar de problemas familiares. O exemplo serve-me para olhar um pouco para as atitudes de alguns auto-proclamados “pais da Constituição” de 76, que se vangloriam do tristemente célebre semi-presidencialismo à portuguesa, que dizem ter inventado. À cabeça, Miranda e Marcelo.

    Nas democracias civilizadas da Europa Ocidental, não há um só caso da natureza do nosso. Só a França tem um sistema com o mesmo nome, mas totalmente diferente. O semi-presidencialismo francês é-o propriamente dito, não é semi-parlamentarismo: o presidente é-o da República, não “dos franceses”, como cá foi inventado e nunca negado pelos “pais” do sistema. É um chefe político que, representando a República, tem a sua política, não anda armado em “magistrado de influência”, não se atribui um “poder moderador”, não se diz “independente”, o seu cargo é político e actuante, é o responsável pela governação. Quer dizer, se foi eleito pela maioria do povo é politicamente responsável pelo que fez ou disse ir fazer.

    Por cá, ao contrário, os inúteis e/ou contraproducentes presidentes têm que inventar a série de patacoadas acima entre aspas citadas, e outras, que não estão na Constituição nem servem para nada, a não ser para confundir as pessoas e maltratar a sua vontade.

    Fora de França, os chefes de Estado ocidentais são de nomeação ou eleição parlamentar, gozando da confiança maioritária do Parlamento para a representação do país, e pouco mais. Apoiam os governos que o povo elegeu, que são os governos das suas Repúblicas, ou dos seus Reinos.

    Por cá, não são carne nem peixe. Para mostrar que existem metem-se onde não são chamados, apoiam ou desapoiam governos, cultivam a estulta preocupação de se tornar notados. Consoante as opiniões, são “independentes” quando fazem a vida negra aos governos, são “partidários” quando os apoiam, e vice-versa. Não é por acaso que, nas campanhas presidenciais, metade do tempo se passa a discutir quais são os seus poderes. Como ninguém sabe ao certo o que andam para ali a fazer, acabam por fazer o que deles esperam uns contra os outros. É uma ficção isso de dizer que os presidentes estão “acima dos partidos”. Como o seria dizer que estão “abaixo”. E ainda mais, dizer que, sendo políticos claramente caracterizados, se espera deles “independência”. Quem é eleito directamente por metade dos votos directamente expressos nunca será “independente”.

    O que irrita o IRRITADO é que os “pais” desta pessegada se orgulhem dela.

     

    26.10.15

  • DEIXE-SE DE FITAS!

     

    Foi chocante ouvir ontem o senhor Marco António dizer que a Coligação continua disposta a fazer acordos com o Costa.

    Chegaram as propostas anteriormente dadas a lume para perceber que, ao adoptar as medidas aconselhadas pelos trutas do PS, tudo podia ir por água abaixo, isto é, que os riscos de um acordo com o PS punham em causa quase tudo o que se tem dolorosamente conseguido ao longo dos últimos quatro anos. À partida, o PS já tinha posto tudo de pernas para o ar. Inaceitável era ser a Coligação, que ganhou, a ceder quase tudo ao PS, que perdeu. Dada a posição desde o dia 4 assumida pelo adversário, inútil seria, como foi, tentar fosse o que fosse de consensual.

    O único e exclusivo objectivo do gangue é a fazer do Costa primeiro-ministro. Como a única forma de lá chegar é juntar-se aos comunistas, o PS fará o que estes quiserem, é tudo. Não vale a pena tentar acertar políticas se o ponto de partida for a negação do objectivo único.

    Agora, é esperar pelos brilhantes resultados que a “governação” dos gangsters não deixará de trazer e, daqui a uns meses, em eleições antecipadas, acabar com a vil brincadeira em que nos querem envolver. Perder-se-ão milhares de milhões, é certo (os buracos, ainda que por defeito, já estão a ser calculados), os salários, pensões, etc., levarão o inevitável porradão, isto para dizer o menos. Mas mais vale isso que submeter-se quem tem razão – que ganhou as eleições – à vontade de quem a não tem.

    Portanto, senhor Marco António, não se baixe mais. Perceba com quem e com o que está a lidar. Deixe-se de fitas!

     

    26.10.15

  • DO OPORTUNISMO GALOPANTE

     

    Nenhum dos habituais constitucionalistas de serviço (v.g. Miranda, Marcelo e outros inventores e adeptos do semi-presidencialismo à portuguesa) reparou, ou quis reparar, ou lhe conveio reparar, em que a opção europeia e a opção NATO de Portugal estão, como normas de direito positivo, ínsitas na Constituição. A uns, os da esquerda, convém; os outros são dominados pelo medo, não havendo outra explicação.

    O Tribunal Constitucional, feroz e poderoso reduto da esquerda, também não deu, nem dá, por isso. À farta, usou e abusou de “princípios”, uns constitucionais outros não, sem recurso a qualquer norma concreta, sobretudo nos casos em que o puro e simples objectivo de fazer a vida negra ao governo e atrasar a recuperação económica e financeira do país ultrapassou qualquer outra consideração: pura e dura política. O resto, conversa pseudo constitucional.

    A Constituição proíbe a manifestação de ideologias fascistas e afins, mas não proíbe as do outro extremo do cardápio, que são da mesma natureza, como o presente nacionalismo esquerdista e muitos outros pontos de contacto provam à saciedade. O totalitarismo é constitucionalmente mau se for de direita e constitucionalmente bom se for de esquerda, ainda que, no fundo, sejam “farinha do mesmo saco”, como diria, se soubesse o que diz, o grande intelectual Jerónimo e como há dias disse António Barreto, sabendo o que diz.

    Mas estas coisas, a avaliar pelas opiniões de personalidades com grande influência nos media, como os já citados Miranda e Marcelo, a que se junta, felicíssimo, o senhor Reis Novais, recém ressuscitado dos bas-fonds do sampaismo, acham que não: a Constituição é uma maravilha, se despojada expurgada de normas inconvenientes, como as que falam da Europa e da NATO. E passam, em doce manifestação de confiança na democraticidade do PC e do BE, por cima, por exemplo, da manifestação de ontem a favor da “Paz”, coisa que, devem pensar, é pormenor que não põe em causa a sinceridade dos “compromissos” assumidos ou a assumir por tais partidos com o PS.

    Com a máscara da democraticidade e da vitória eleitoral da esquerda (uma criminosa palhaçada), não hesitam, por oportunismo ou conveniência, em apoiar a “solução” a que Cavaco se opõe, este sim, no intransigente respeito pela Constituição, pela democracia e pelo futuro do país.

     

    Pela primeira vez desde os tempos recuadíssimos da CEUD, vou pôr uma enorma cruz a toda a altura do boletim de voto nas presidenciais, esperando que, mais cedo que tarde, as interesseiras e politicamente ilegítimas manobras do Costa estalem na boca desta gente.

     

    25.10.15

  • CARTA ABERTA AO DOUTOR CAVACO SILVA

    SENHOR DOUTOR

     

    V. Exª terá metido, ou meteu, o pé na poça uma série de vezes. É verdade. Mas, como ficou hoje demonstrado, é um homem honrado. Piroso, mas honrado.

    Deste pequeníssimo púlpito o saúdo. Exª disse o que tinha a dizer sobre a responsabilidade que lhe cabe de defender o país da horda que um boçal está a ponto de fabricar, para destruir, não só o prestígio, não só a honra, não só a coerência deste regime e desta democracia, mas também o seu futuro, a sua sobrevivência e a dos seus cidadãos e, além de tudo isso, os valores democráticos que têm norteado a República a que preside.

    Por isso lhe lanço um apelo, a fim de, se disso for caso, poder sair com a cabeça levantada do seu republicano assento.

    Suponhamos que os boçais dão cabo do governo que nomeou. Que lhe resta fazer, para ser coerente até ao fim? Nomear primeiro-ministro o burgesso Costa, aturar que o boçal Ferro tome assento da presidência do parlamento, assistir a um ilhéu de terceira a dominar as bancadas, tudo isto sem reagir, ver os comunistas a rir a bandeiras despregadas com o nosso naufrágio? Não!!!

    Daqui lhe digo, senhor Doutor, senhor Presidente: apele à Constituição, coisa que não presta mas que, na contingência, pode servir. Use o artº 131º. Renuncie. Em vez de, na ausência de outro remédio, dar posse aos bárbaros, vá-se embora. Envie, como é constitucional nos termos daquele artigo, uma carta de renúncia à AR, mande pôr o seu carro privado à porta do palácio e vá para casa com a senhora sua esposa que, não se entende por que carga de água, nunca o larga. O Ferro, seu interino substituto, indigitará o burgesso. Não se preocupe. Daqui a uns meses, a malta dá cabo deles.

    Entretanto, o senhor terá saído com honra, e como homem honrado será lembrado. Com saudade também.

     

    Saudações democráticas

     

    ABC

    22.10.15

  • ACTUALIDADE

     

    Muito se tem dito, incluindo neste blog, sobre as previsíveis consequências da projectada coligação social/comunista. Poderá o dito resumir-se assim: os dinheiritos que a dona Maria Luís tem andado a amealhar servirão para financiar as maluquices “sociais” do Costa, da Catarina e do Jerónimo; depois, como é sabido e é próprio do socialismo em geral, quando o dinheiro acabar, acaba o socialismo e recomeça a austeridade, ainda mais à bruta. Não haverá outro remédio.

    Mas há consequências que já aí estão, mesmo antes da bronca. Por exemplo: os candidatos a investir os dinheiros do Portugal 2020 já foram avisados que, por causa das moscas e para já, está tudo parado; não há nada para ninguém. Por exemplo: já duas agências de rating fizeram saber que as actuais classificações estão em risco, não havendo perspectivas de continuidade da melhoria. Por exemplo: já há bancos a aconselhar a suspensão de investimentos na nossa dívida soberana, e a congelar os já acordados com investidores para aplicações em Portugal.

    Já não é preciso fazer futurologia. Costa é como a pescada, mesmo sem ter chegado ao poder com os seus associados já está a dar cabo da nossa vidinha.

    Mas há notícias boas, de onde menos se esperaria. O Mário Soares protestou contra esta “confusão” sem dizer uma palavra de apoio às trafulhices da esquerda em geral e do Costa em particular. O mais encarniçado de todos os soaristas, um tal Ramalho (Victor), propôs que os filiados do PS fossem consultados sobre o assunto, numa espécie de referendo interno. A ir para a frente uma coisa destas, é evidente que a coligação do Costa iria pelo cano abaixo, o Costa iria pelo cano abaixo e, quem sabe, alguma esperança poderia renascer. A ajudar, parece que há, como é do domínio do público, uma data de deputados do PS que não estão lá muito dispostos a colaborar na tramoia.

    A ver vamos. Nada de optimismos, ou de pessimismos exagerados. Esperança q.b. é o meu conselho.

     

    21.10.15

     

    E.T. Surgiu agora esta notícia: O PC anda a “pedir apoios em Bruxelas para países que queiram sair do euro”. Aqui temos o que valem as promessas do PC de não se meter nestes assuntos. Mas o Costa não sabe, não vê, se o ajudarem a ser PM até lhes dará uma coisa e oito tostões. 

  • PORREIRO PÁ

     

    A não ser que haja uns oito ou nove deputados do PS que conservem algum sentido de dignidade e não se importem com o anátema das ratazanas e o programa de governo da coligação passe, o que teremos pela frente, a “governar”, será o saco de gatos do socialismo radical.

    E então? Então, imaginemos o futuro próximo, partindo do princípio que esse “governo” cumprirá as promessas feitas:

    Menos a pagar à Segurança Social, porreiro pá;

    Mais dinheiro para o povo, porreiro pá;

    Melhores salários, porreiro pá;

    Restituição dos cacaus que foram suspensos, porreiro pá;

    Menos impostos, porreiro pá;

    Restituição da sobretaxa, porreiro pá;

    As reformas reinstaladas, porreiro pá;

    Sbsídio de desmprego universal e perene, porreiro pá;

    Mais investimento público, porreiro pá.

    Empregos aos pontapés, dos bons, dos que são para a vida, cheios de diuturnidades e de prestações extra, porreiro pá.

    O IVA das tascas por aí abaixo, porreiro pá (os preços continuarão na mesma, mas isso é detalhe);

    O abono de família universal, correcto e aumentado, porreiro pá;

    Abono dos idosos à fartazana, porreiro pá;

    Rendimento social de inserção alargado, porreiro pá;

    Médicos a nascer das pedras, porreiro pá;

    Etc., porreiro pá.

     

    O IRRITADO está contentíssimo. Vai ter mais massa para gastar, vai comprar uns esticadores de ouro para os colarinhos e passar um fim de semana no estrageiro, quer dizer, em Badajoz, entre outras maravilhas da vida moderna generosamente proporcinadas pelo “governo”.

    Há, no entanto, um pequeno pormenor que – não fora a fé que estas promessas fazem nascer no seu coração e no seu porta-moedas – daria cabo de tudo. É que tem o dedo mindinho cheio de adivinhações: adivinha, porque ninguém lhe explicou de onde vinha o dinheiro para pagar estas benesses, que não vai haver que chegue. E, se não vai haver que chegue, então temos o caldo entornado. É claro que o tal “governo”, programaticamente, já decretou que a restituição do dinheiro ao povo vai aumentar o consumo, que o aumento do consumo vai criar milhões de empregos,e tudo ficará certinho, o défice, a dívida, o tratado orçamental, tudo! A Europa aplaudirá e, seguindo o brilhante exemplo deste jardim, renascerão partidos comunistas como cogumelos por essa Europa fora, venenosos, é certo, mas cheios de amanhãs que cantam.

    O pior é que o mindinho, um chato, acha que a receita do consumo jamais deu resultado fosse onde fosse.

    Nada porreiro pá.

     

    20.10.15

  • TRÊS FRASES

     

    1. O que nos separa não são lugares no governo… mas … a soberana vontade dos portugueses, afirmou Costa, auto proposto usurpador. Aqui está mais uma demonstração da maravilha que é o carácter do homem, ou como se põe a verdade de pernas para o ar. Não só a única coisa que está em causa é o lugar de PM (para ele!) como jamais os portugueses exprimiram a soberana vontade de pôr o PC e o BE – boleia formal do burgesso – no poleiro.

     

    1. Quem garante a estabilidade dos governos … são as maiorias parlamentares e essas maiorias são de geometria variável, disse a dona Maria (de Belém). Sibilina forma de alinhar com o Costa. Ainda bem que o saco de laca começa a revelar-se…

     

    1. Finalmente, uma frase decente: A nódoa do Sampaio escolheu o Sampaio da nódoa, escreveu um desconhecido numa parede aqui do bairro.

     

    20.10.15