IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A PRESIDENCIAL PESSEGADA

 

Quando os filhos são maus, ou defeituosos, não deixam de, pelos pais, ser amados. Mas amá-los não significa elogiar as suas imperfeições, antes procurar corrigi-las, ou minorá-las.

Não, não estou a falar de problemas familiares. O exemplo serve-me para olhar um pouco para as atitudes de alguns auto-proclamados “pais da Constituição” de 76, que se vangloriam do tristemente célebre semi-presidencialismo à portuguesa, que dizem ter inventado. À cabeça, Miranda e Marcelo.

Nas democracias civilizadas da Europa Ocidental, não há um só caso da natureza do nosso. Só a França tem um sistema com o mesmo nome, mas totalmente diferente. O semi-presidencialismo francês é-o propriamente dito, não é semi-parlamentarismo: o presidente é-o da República, não “dos franceses”, como cá foi inventado e nunca negado pelos “pais” do sistema. É um chefe político que, representando a República, tem a sua política, não anda armado em “magistrado de influência”, não se atribui um “poder moderador”, não se diz “independente”, o seu cargo é político e actuante, é o responsável pela governação. Quer dizer, se foi eleito pela maioria do povo é politicamente responsável pelo que fez ou disse ir fazer.

Por cá, ao contrário, os inúteis e/ou contraproducentes presidentes têm que inventar a série de patacoadas acima entre aspas citadas, e outras, que não estão na Constituição nem servem para nada, a não ser para confundir as pessoas e maltratar a sua vontade.

Fora de França, os chefes de Estado ocidentais são de nomeação ou eleição parlamentar, gozando da confiança maioritária do Parlamento para a representação do país, e pouco mais. Apoiam os governos que o povo elegeu, que são os governos das suas Repúblicas, ou dos seus Reinos.

Por cá, não são carne nem peixe. Para mostrar que existem metem-se onde não são chamados, apoiam ou desapoiam governos, cultivam a estulta preocupação de se tornar notados. Consoante as opiniões, são “independentes” quando fazem a vida negra aos governos, são “partidários” quando os apoiam, e vice-versa. Não é por acaso que, nas campanhas presidenciais, metade do tempo se passa a discutir quais são os seus poderes. Como ninguém sabe ao certo o que andam para ali a fazer, acabam por fazer o que deles esperam uns contra os outros. É uma ficção isso de dizer que os presidentes estão “acima dos partidos”. Como o seria dizer que estão “abaixo”. E ainda mais, dizer que, sendo políticos claramente caracterizados, se espera deles “independência”. Quem é eleito directamente por metade dos votos directamente expressos nunca será “independente”.

O que irrita o IRRITADO é que os “pais” desta pessegada se orgulhem dela.

 

26.10.15



5 respostas a “A PRESIDENCIAL PESSEGADA”

  1. Além da questão dos poderes do Presidente, vejo outra ainda maior: é uma espécie de reizinho eleito de tempos a tempos. Livrámo-nos da Monarquia mas não da necessidade de um chefe, de um líder que decide e manda sozinho.Até os americanos, que rejeitaram desde sempre a Monarquia, endeusam o seu Presidente.Não temos ainda a maturidade, enquanto sociedade e enquanto espécie, para prescindir de líderes e símbolos bacocos. Creio firmemente que no futuro seremos considerados pouco acima das tribos pré-históricas.

  2. RTP 1. Prós e Contras. Debatia-se “o novo Parlamento”. Ouvi dez minutos ao calhas: o Doutor Passos e o Doutor Portas disseram blablá, o Doutor Costa bleblé, a Doutora Joaquina blibli, cá está o Doutor Bacalhau blobló…Mas ninguém, entre tanto Doutor, tem a noção do ridículo? Ninguém põe mão nisto?Qualquer estrangeiro pensará: os políticos em Portugal são todos médicos! Até que repara no tom sabujo dos intervenientes, e alguém fala em “Engenheiro Sócrates”, e o estrangeiro conclui que não, não são todos médicos. Somos é um país de pacóvios.

    1. Não vi a coisa. Fui experimentar o netflix (mais um barrete).Mas acho, mais uma vez, que é capaz de ter razão.

  3. “DEIXE-SE DE FITAS!”. O sr. É um paladino da moral hipócrita. Assim, já que foge ao tema, há que relembrar: O Mac deixar-se de fitas? Então como poderia explicar o seu "brilhante" percurso em Valongo (como acólito de Fernando Melo) e, de seguida, em V. N. de Gaia (também sob a égide de Filipe Menezes)?Para memória futura: AMBAS AS AUTARQUIAS ESTÃO EM PRÉ-FALÊNCIA!!!P.S. que nos diz acerca do Tribunal Central Administrativo do Norte, onde diz que o deputado eleito por Braga, nas listas da PAF, Rui Silva, “teve culpa grave” perante a falta de cumprimento de uma obrigação legal que originou a sua condenação de perda de mandato?

  4. Gil Vicente chamar-lhe-iaPRESIDENCIAL CAGADAMas com o novo acordo hortigráfico as coisas tomaram um rumo diferente

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