IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • VERDADES E BOCAS

     

    Pois é. O rapaz Dijsselqualquercoisa resolveu desbroncar-se. Chateado com a tunda que levou, meteu a pata na poça, partiu a loiça e mandou bugiar a malta do Sul.

    Se pensarmos bem, no que nos diz respeito o que ele quis dizer com a bojarda dos copos e das gajas foi: andaram a fazer auto-estradas do lá vai um, andaram a gastar milhões com aeroportos impossíveis e TGV’s malucos, andaram numa boa vai ela a dar milhões e milhões de créditos marados, andaram a sustentar carradas de pintosdesousa, andaram nas mais ruinosas negociatas, deram cabo dos tipos que quiseram endireitar o barco e, agora, sem mais reformas estruturais nem nada que se veja, com demagogia, números duvidosos e o buraco na calha, continuam a pensar que, quando lá caírem outra vez, cá estará a malta da massa para lhes acudir: não queriam mais nada?

    Chamou-lhe copos e gajas, uma metáfora malcriada, safada, ordinária. Pois, é verdade sim senhor. Perdido por cem, perdido por mil: não se retratou nem pediu desculpa. Não tem nada a perder, vai à vidinha e boas festas.

    Por cá, ficamos entretidos a dizer, com razão, mal das bocas do homem. Até achamos que, por trás delas, lá no fundo, ele não tem razão. Bonito.

     

    22.3.17        

  • O QUE É LÓGICO

     

    Pessoalmente, estou-me nas tintas para que a CGD feche balcões, abra balcões, junte balcões, ou faça o que lhe der na gana com os balcões. Há mais de vinte anos que nada tenho a ver com tal instituição. Quando as tive (não pessoalmente!), só me deram chatices. Relações com bancos públicos só como consequência da desgraça das nacionalizações e, mesmo assim, assaltado por patriótica tendência, passei a recorrer aos bancos estrangeiros que a ditadura comunista não tinha tocado.

    Posto isto, é evidente que o fecho de balcões não tem influência prática na vida da generalidade dos indígenas. O dia a dia da vida bancária de cada um processa-se nas ATM’s ou na Net. Só é preciso ir ao balcão em ocasiões que nada têm a ver com o tal dia a dia, ou por causa de algum atrazado mental que ainda paga por cheque.

    Contra o fecho de balcões ergueu-se um clamor dos diabos. Os partidos comunistas, que sabem muito bem o que fazem, desataram em tiradas demagógicas destinadas aos seus habituais alvos: os “trabalhadores”, as “pessoas”, o “interior”, a “proximidade”, etc., costumeiros chavões, tão inúteis como dirigidos à gente mais ignorante ou menos avisada. Passos Coelho atacou pelo lado certo: a incoerência, a incongruência da “gestão” Costa, da geringonça e dos seus compinchas: então tantas parangonas com a tal proximidade, e agora afastam os balcões das pessoas? O que é isto?

    Lembremo-nos do fecho dos tribunais locais decretado pela ministra do PSD, da barulheira, das acusações, do esgrimir de hediondos crimes assacados à senhora e ao governo. Afinal, vem a chamada ministra da geringonça, reabre uns tribunais. Para além de dar umas prebendas aos empreiteiros, ainda ninguém viu a utilidade de tais reaberturas. Tribunais sem juízes, sem processos, sem funcionários, etc. Asneira!

    Agora, é ao contrário. Como o governo legítimo não tinha mandado fechar balcões, reverter é fechá-los. No caso dos tribunais, era abri-los. Uma lógica irrefutável: nas reversões é que está o ganho!

    Já agora, voltemos ao cerne da questão política. A geringonça não se tem cansado de proclamar que o governo legítimo – depois de ter injectado mil e não sei quantos milhões no capital da CGD para colmatar necessidades provenientes dos dourados tempos do Pinto de Sousa (PS!) – andou a “empurrar o problema com a barriga”. E, no entanto, passado, com este chamado governo, muito mais tempo do que o PSD levou a acorrer aos problemas da CGD quando eles vieram à tona, ainda não entrou um cêntimo na Caixa, só entraram trapalhices, aldrabices, soncices, trambiqueirices e outras ices que toda a gente conhece. Dinheiro do Estado, nem pinga.

    O que se sabe é que, primeiro, a organização anda de mão estendida à caridade internacional, e que, segundo, o dinheiro que, eventualmente, o Estado lá meter será devidamente desorçamentado, vindo a ser pago, segundo o chamado governo, por ninguém! Por outras palavras, será pago por quem vier fechar a porta, leia-se, pelo indigenato. Como é lógico e inevitável.

    Pior não é possível.  

     

    21.3.17

  • FORA COM OS MAUZÕES

     

    – Juros da dívida a dez anos:

    No fim do Governo Passos Coelho: 2.305%

    Diferença para a Alemanha: 1.845%

    Hoje, com Costa: 4.295%

    Diferença para a Alemanha: 3.849%

    – Crescimento do PIB:

    Em 2015, com Passos Coelho: 1.6%

    Em 2016, com Costa: 1.4%

    – Crescimento do consumo interno:

    Em 2015, com Passos Coelho: 2.6%

    Em 2016, com Costa: 2.3%

    – Consumo público:

    Em 2015, com Passos Coelho: + 0.8%

    Em 2016, com Costa: +0.8%

    – Investimento público:

    Em 2015, com Passos Coelho: +4.5

    Em 2016, com Costa: -0.3%

    – Procura interna:

    Em 2015, com Passos Coelho: +2.5%

    Em 2016, com Costa: +1.5%

    – Exportações:

    Em 2015, com Passos Coelho: +6.1%

    Em 2016, com Costa: +4.4%

    – Dívida pública em 2016: +7.000.000.000

    – Défice orçamental: 4.200.000.000

    – Desorçamentação em 2016: cerca de 2.800.000.000*

     

    Conclusão: Centeno, conhecido como ministro das finanças, tem toda a razão quando diz que os mercados são uns mauzões, as agências de rating também, o Jeroen nem se fala, o Schäuble é um Belzebu, a dona Teodora é uma traidora, os tipos do BdP umas bestas, todos se enganam, só dizem disparates e deviam ir todos para casa em vez de andar a largar postas de pescada sobre os extraordinários feitos da geringonça.

     

    20.3.17

     

    *Dados INE, citados por João Duque

  • MORALIDADES

     

    Há, na Madeira, uma organização a que se dá o nome de “zona franca”. Tal zona não tem funções financeiras, só administrativas: não aceita depósitos, não tem, nem é, um banco. Chamem-lhe offshore, se quiserem, mas não se enquadra no tão odiado conceito de tais estruturas.

    Dá emprego a umas centenas de madeirenses e representa nada menos que 20% das receitas fiscais da Região que, como é sabido se debate com as dificuldades do costume.

    Patrioticamente, anda para aí a Bloca – falocraticamente conhecida por Bloco – aos gritos, que é preciso acabar com a Zona, que é tudo banditagem, fraude fiscal, etc. e tal.

    É evidente que as esquerdoidas não têm qualquer solução, nem para dar emprego aos que vivem daquilo, nem para arranjar os milhões que integram os 20% da receita.

    Não importa. Que se lixem os empregos e os 20%. Esta “justa luta” excita a inveja, alimenta o ódio, põe as pessoas umas contra as outras, faz um frisson dos diabos. Vale a pena!

     

    19.3.17

  • POPULISMO

     

    Muito se fala por aí de populismo. Tece-se, sobre o assunto, as mais rebuscadas teorias, opiniões e patacoadas.

    Vou entrar nisso. O que é o populismo? Fácil: é identificar ou inventar problemas, arranjar uns culpados, e dizer que se tem ideias e soluções miraculosas para resolver uns e acabar com os outros, soluções simples que entrem na cabeça dos menos avisados de forma imediata e convincente.

    A generalidade dos teóricos identifica o populismo com certas correntes políticas de direita radical. Nesta ordem de ideias, não há populismo em Portugal. Nada mais errado. Há por cá populismo com fartura. Só que, ao contrário do que se passa em França ou na Holanda, por exemplo, o nosso não é de direita, ainda menos radical, coisa que por cá não existe. No entanto, clama-se contra qualquer meia dúzia de tipos que representam coisa nenhuma, como se de horrendo e perigosíssimo populismo se tratasse. O “raciocínio” é simples: atirando o exclusivo do populismo para as costas de ínfimas franjas de direita, disfarça-se o verdadeiro populismo que por aí viçosamente campeia, e é de esquerda. O “Podemos” espanhol, por exemplo, não é populista, nem pensar!

     

    – O populismo do PC, com base em ódios, frustrações e teorias, consiste em convencer “os trabalhadores e o povo” de que se tem soluções capazes de pôr a maralha a viver maravilhosamente. São conhecidos os resultados da aplicação de tais ideias, na Rússia, em Cuba, na Venezuela, etc.: miséria generalizada, ausência de liberdades públicas, direitos humanos no caixote do lixo, etc..

    – O BE é mais ou menos a mesma coisa, com ingredientes afins: nacionalismo feroz, soberanismo, luta contra a democracia liberal, soluções ruinosas, demagogia a rodos. O mesmo caminho para a miséria, ora mascarado de “direitos”, sobretudo da cintura para baixo.

    – Em matéria de populismo, o PS é mais eficaz que os outros. A propaganda infrene, o uso trafulha de tudo quanto é número, a perseguição e o insulto dedicados a quem não concorda, a manipulação desenfreada da informação, os saneamentos, as reversões, tudo serve para mascarar, ou aprofundar, o “caminho”.

    – A cereja em cima do bolo do nacional-populismo reside em Belém. Uma cereja popular, popularucha, a proteger com mais populismo o populismo dos outros. É a função primeira do chefe da III República.

     

    Populismo em Portugal? Que ideia!

     

    19.3.17      

  • TÚLIPA NEGRA

     

    Os barões da tribo do poder estão felicíssimos com o resultado das eleições holandesas. Não, não é o que estão para aí a pensar, não se trata da relativa derrota do Wilders. Foi bom, mas houve melhor: a derrocada eleitoral do camarada socialista dos caracolinhos, o odiado Jeroen Disselbloem (não sei se é assim que se escreve). Sim, dizem eles, o chefe holandês dos camaradas da Internacional Socialista levou uma tunda. Bem feita, bem feita, bem feita, nhá nhá nhá nhá nhá.

    O que fez com que se apagasse a indefectível camaradagem da mãozinha marota, da rosa, da “aliança progressista”, substituindo-a por tão súbito ódio? O PS explica: nada menos que a austeridade que o homem, lado a lado com o tenebroso Schäuble, aplicou a Portugal, a política do TINA. O desviado camarada não percebeu que a poderosíssima influência da geringonça havia de pôr os holandeses contra ele. Não pecebeu, lixou-se. Eis a importância europeia, para não dizer universal, da nossa tão bela “solução” de governo! O homem “estava feito com a direita”, o PS puxou os cordelinhos, e pronto.

    Além disso, o homem é um nabo. Não percebeu que, para ser governo, não é preciso ganhar eleições nenhumas, o que é preciso é ser um Jeroen da Costa, um tipo inteligente, honesto, íntegro, como demonstra a tradição, tão exemplarmente representada no PS português por homens da craveira de um Pinto de Sousa. Se Costa fosse holandês outro galo cantaria. Além de mau, o Jeroen é parvo. Tem o que merece.    

    Ainda bem que ainda temos por cá pensadores desta qualidade.

     

    18.3.17

  • AI BALDAIA BALDAIA…

     

    Alguns tipos como eu ficaram todos contentes quando o Baldaia foi entronizado como director do jornal, dito “de referência”, chamado Diário de Notícias. A impressão que dava era de que se tratava de um tipo de bom senso e sem fidelidades outras que não as de uma certa independência.

    Baldada impressão causada pelo Baldaia. Pouco tempo depois, era baldado, ou baldeado, o mais inteligente comentador com assento no jornal, Alberto Gonçalves de seu nome, cujo crime mais grava era o de não ser de esquerda. Uma perda para quem gosta de escritos com pés e cabeça, humor e acutilância crítica, concordando ou não com as opiniões do senhor.

    Meus caros, consolem-se com o presente com que o Baldaia ora nos brinda. Em substituição do Gonçalves tivemos hoje a honra de receber um novo comentador, um tipo de de estalo, de confiança, o obscuro Jorge Cordeiro, cuja independência crítica está acima de qualquer suspeita: o homem é membro das mais antigas cavernas do comité central do PC.

    Os ventos mudam, as páginas viram. Com eles e elas, viram-se dignidades, competências, imagens, criam-se novas submissões, novos interesses, novas influências. É a vida, dir-se-á. A vida, às vezes, é uma porcaria.

     

    17.3.17

  • CONCERTO

     

    O IRRITADO vai falar de altas questões, próprias de um sociólogo. Como declaração de interesses, diga-se que o dito, a falar de tais assuntos, é como um escaravelho a cantar o fado. Nesta ordem de ideias, o que segue vale o que vale, eventualmente nada.

    Deve-se esta introdução a um “concerto” proporcinado à malta na arena do Campo Pequeno por uma organização “musical” que se chama Korn.

    Camiões alemães rodeavam a praça, inúmeros “técnicos” de ruído enxameavam as redondezas com um ar de desprezo pelos passantes. Compreende-se, eram especialistas muito acima dos mortais que por ali andavam, ou levavam criancinhas ao parque infantil.

    Parece que o tal concerto estava marcado para as oito. A partir das cinco, começou a juntar-se uma multidão de adeptos, pelos vistos ansiosos por aplaudir os “artistas”. É aqui que começa a história. Quem era tal gente? Não sei. Pareceu-me que, de alguma ignota toca, tinha saído uma humanidade desconhecida, quiçá marcianos ou modernos cavernícolas. Gente nova, digamos entre os dezasseis e os quarenta anos. Todos de preto. Eles exibiam rabos da cavalo, brincos, correntes á cinta, tichartes com caveiras ou frases ininteligíveis, cabelos rasos à esquerda e compridos à direita ou vice-versa, ar aluado, calcinha justa, estranhas barbas e bigodes. Elas andavam de colants aos quadradinhos, de preferência com buracos, calções curtíssimos, cabelos amarelos ou roxos às riscas, botifarras militares, batons pretos, olhos enegrecidos por estranhas pinturas, argolinhas no nariz, nas orelhas, nas beiças, anéis de lata pelos dedos acima. Uma ou outra talvez tivesse sido bonita, mas em geral eram gordas, baixas, e olhavam de esguelha.

    A comunidade estava organizada em pequenos grupos, muita gente em pé – interminável bicha -, outros em grupinhos sentados no chão, rodeando garrafas de tinto e de cerveja, erva por todos os lados, trocas de passas, os mais modestos, julgo, fumavam tabaco em cigarros artesanais, as tascas da praça espirravam imperiais em larga quantidade. Estavam relativamante serenos, julgo que na ansiosa antecipação da barulheira “artística” que estava programada.

    Dei várias voltas por ali, a apreciar a tribo. Ninguém me chateou, diga-se, por observar as criaturas como se fossem bichos no jardim zoológico. Perguntei-me quem seriam, de onde viriam, onde andavam escondidos nos dias normais. Perguntei-me se alguém nesta cidade daria emprego a gente com tal aspecto. Perguntei-me do que viveriam, se havia desgraçadas famílias lá em casa a vê-los tão degradados e a sustentar a sua mais que evidente inutilidade pessoal e social. Perguntei-me o que se passará naquelas cabeças, e que miserável futuro lhes está reservado. Seria só uma fase das suas tristes vidas, coisa que a realidade se encarregaria de ultrapassar, ou seriam para sempre um virtualmente insuportável peso pessoal e social, numa degradação insuperável?

    Não sei. O que sei é que, até depois da meia noite, o bairro tremeu com o soturno ribombar dos Korn, certamente uma chusma de drogados cabeludos a regar a multidão com perdigotos “musicais”, à espera da overdose final.

    A coisa já passou. Pergunto agora onde se acoitaram os adeptos, onde se esconderam, onde estarão, o que fazem para comprar mais erva, o que será deles nos intervalos dos concertos.

    Como se vê, nada sei de sociologia, “ciência” que, diga-se, não faz parte das minhas simpatias, nem creio que sirva de muito para melhorar a sociedade. Mas quem sou eu nestas matérias, senão um escaravelho a cantar o fado?

     

    17.3.17       

  • QUANTO MAIS FALAS MAIS TE ENTERRAS

    Um tal Caramelo, ao que consta big chief de uma faculdade da Nova, não contente por ter censurado uma conferência de um intelectual de renome e escritor de valia (coisa rara cá no sítio), em vez de se retratar, veio ontem à liça decretar que tinha feito muito bem, e que até repetiria o feito se circunstâncias semelhantes se apresentassem.

    Duas dúzias de díscolos ao serviço do Bloco de Esquerda resolveram ameaçar com distúrbios se a conferência fosse avante. O Caramelo borrou-se de medo e, em vez de mandar passear os idiotas, mostrou a sua censória personalidade, certamente por achar que vale mais a censura que a liberdade de pensamento e de expressão.

    Acresce que, a mando das esquerdoidas do BE, os rapazolas decretaram que a conferência ia ser uma sessão de propaganda do fascismo e do colonialismo, e outras patacoadas do estilo. E se fosse? O que tinham tais imbecis a ver com isso?

    Mas não era. O texto da conferência já foi publicado no jornal, sendo evidente que se trata de uma cristalina análise académica, cuja diferença em relação a muitas outras é mais a da inteligência e da profundidade com que é formulada do que da sua substância.

    O Caramelo, pelos vistos, é mais adepto da estupidez das teses totalitárias do BE que da liberdade. E, quando devia, ou pedir desculpa ou estar calado, veio insistir nas suas “razões” e ameaçar repetir o acto.

    Talvez ainda mais grave seja a reacção de certos figurões, como a do Tavares Mau (aquele do Livre), pelos vistos muito aflito com o assunto, bem como a omissão de outros, a saber os mencheviques do BE, os bolcheviques do PC e as mais mediáticas “figuras públicas” com que o PS vai brindado o indígena. Para tal gente, é perfeitamente legítmo ser radical se se for radical de esquerda. Se de direita, nem pensar – o que nem sequer era o caso da sobredita conferência. É a “democracia selectiva”, quer dizer, a infrene pulsão totalitária.

    A “grande marcha” está em curso acelerado, sob a alta direcção do chamado primeiro-ministro e do seu colega de Belém.

     

    14.3.17

  • DO POPULISMO SELECTIVO

     

    A lata do nosso chamado primeiro-ministro deixou-me, hoje, mais uma vez, de boca aberta.

    Saído de uma reunião qualquer, apareceu na televisão e, com democrática jactância, declarou-se preocupado com o populismo que alastra na Europa, os vilders, as lepenes e companhia, os perigos que representam, etc., blá blá blá. Daí, faz apelo aos “valores europeus que urge defender” e que por tal gente são combatidos. Muito bem.

    Só que há uma “pequena” coisa que o orador se esquece de referir: é que é ele um dos mais lídimos adeptos de tal gente, uma vez que aliado, suportado e endeusado outros da mesma laia. Admitamos que não inclui, nos perigos de que fala, agremiações como o “Podemos” espanhol, os amantes do Tsipras e outros anti-europeístas como o PC nacional, o tenebroso BE e outras franjas ideológicas de que é parceiro. Substancialmente, que diferença fazem as tiradas nacionalistas, anti-europeias e protototalitárias da dona Marine das da dona Catarina, das outras esquerdoidas, das paragonas isolacionistas do Jerónimo ou da larga cópia de bestas políticas que o seguem? Nenhuma. Nem sequer são a outra face da mesma moeda. São a mesma moeda. Diferenças, só na terminologia. Ao que uns chamam “peuple”, outros chamam “trabalhadores”, ou “pessoas”. Mas o apelo, o sistema de pensamento, o pendor – ou intenção –  é o mesmo, os alvos sociais são os mesmos, a mentalidade, a demagogia ou, numa palavra, o populismo, é exactamente igual.

    Costa, na sua face para inglês ver, é um anti-populista, um pensador “liberal”. Na prática é o protector, pior, o seguidor fiel dos populismos portugueses. Haverá, não sei, mais populismos de direita, ou ditos como tal, do que de esquerda. Diferença essa que, no fundo e à superfície, é zero. Por outras palavras, Costa engana lá fora, mas não pratica cá dentro o que proclama.

    Com a vantagem, é certo, de haver, a começar pelo Presidente da República, quem nele acredite.

    Uma vantagem que o torna mais perigoso que os vilders e as marines.

     

    13.3.17

  • TERRÍVEL SOFRIMENTO

     

    Neste Sábado,  a grande malha jornalística é nada menos que as afirmações relativas ao “enorme sofrimento” sentido pelo Presidente Sampaio ao indigitar Pedro Santanma Lopes como Primeiro-Ministro. O IRRITADO sente nas profundezas da alma tal “sofrimento”. Coitadinho do Presidente! Antes de mais, a sua alma socialista sentiu-se ofendida por “ter que” nomear o líder da maioria parlamentar para o cargo. Depois, viu-se obrigado a ouvir, dos seus amigos do MES, tipo Ferro Rodrigues, e de muitos outros, as mais duras críticas. Que pena! Até no Conselho de Estado o atacaram! Mas ele, firme como uma rocha, e ainda que com o coração partido, foi “institucional”: a maioria funcionava, não havia crise, e propunha-lhe um novo governo dentro da mesma legislatura. Heroicamente, Sampaio decidiu. Pobre senhor!

    Punhamos agora as coisas de outra maneira. Sampaio olhou para os seus. A liderança do PS estava de rastos, vítima do processo Casa Pia e de outras desacreditantes cenas. O PC andava às voltas com a “eleição” de um novo chefe. O Presidente não podia arriscar, como é evidente, convocar eleições com as hostes na mó de baixo. Nomeou Santana e, na verrinosa opinião do IRRITADO, deve ter pensado: deixá-los poisar!

    Entretanto, a imprensa de esquerda, isto é, praticamente toda a imprensa (na altura como agora), saltou às canetas de Santana com toda a artilharia e mais alguma, a propósito e a despropósito de tudo e mais alguma coisa. Entretanto, o PS estabilizava nas doces mãos do chamado engenheiro Sócrates. Entretanto, o PC estabilizava nos braços quentinhos do camarada Jerónimo. Entretanto, o senhor Cavaco publicava artigos “económicos” em que dava cabo do Santana.      

    A situação tinha, finalmente, mudado. Deixei-os poisar. Poisaram todos. Está pronta a subida ao poder da minha gente. Daí, Sampaio meteu a Constituição na gaveta (não havia crise política, não estava em causa o funcionamento das instituiçõs), e zás!, ferrou com a sua constitucional(?) marreta, correu com o Santana, e venha a minha malta, a malta boa, a malta da “moeda boa” do Cavaco!

    Acertou. A coisa foi bem montada. Funcionou, como se sabe, gloriosamente, até à bancarrota.

    Calcule-se o que o Presidente Sampaio deve ter sofrido!

     

    11.3.17

  • UMA SESSÃO MEMORÁVEL

    Numa coisa que se chama “Café Europa”, na FNAC, foi, ou será, já não sei, o respeitável público presenteado com uma sessão democrática onde dois oradores de alta valia se confrontaram, ou confrontarão: um tal Carlos Zorrinho, figura conhecida do socratismo e da sua versão costista, e um tipo em ascensão no PC, qualquer coisa Ferreira. Até aqui tudo bem, ou tudo mal q.b..

    Interessante é saber quem promoveu e anunciou nos jornais tão geringoncial manifestação: nada menos que a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu, patrocinadores associados. Presume-se que a brilhante iniciativa terá sido agenciada pela representação dessas agremiações em Lisboa, formada, como é de pensar, por nomeados ou subordinados do costo-marcelismo. O que muito nos diz das preocupações democráticas e pluralistas da coisa, ou seja da facilidade que há em organizar manifestações “intelectuais” de apoio ao chamado governo. Só é estranho que o Senhor Presidente da República, certamente por engano, não apareça na lista dos patrocínios, nem tenha aparecido ou apareça, nos media, a dar beijinhos ao parzinho em palco e respectivos espectadores.   

     

    11.3.17

  • O ASSALTO CONTINUA

     

    Apesar das insistentes invectivas das esquerdoidas, o camarada Costa António não vai, por não poder fazê-lo, escovar o Costa Carlos, além do mais seguindo a abalizada opinião do seu ministro da propaganda Sousa Marcelo.

    Gorada a hipótese de dar o devido tratamento ao bode expiatório da geringôncica agitação, havia que tomar medidas.

    É neste quadro que se pode ler as doutas palavras de ontem do chamado ministro das finanças, quando anunciou aos indígenas a ingente necessidade de criar mais uma “entidade” (julga-se que a décima milésima quarta da colecção) destinada a altos voos no que diz respeito ao sistema bancário. Assim, viremos a ter mais umas dezenas de impecáveis inspectores, todos devidamente independentes, insuspeitos, capazes, competentes e, como é evidente e legal, todos escolhidos pelos geringonços – assim ficando garantidas aquelas subidas qualidades, como é evidente.

    Costa Carlos não é corrido, não senhor. A compensar, e a fim de dar à canalha a devida consolação, tira-se-lhe umas competências, e está o bode expiatório devidamente tratado. Costa António compensará assim as tremuras das esquerdoidas. Elas não se importam porque já fizeram o seu número, que é o que importa. Equilibradas ficam as coisas, não é?

    Restará um segundo acto, ou um segundo número, desta vez por inspiração maior da besta do PC que quer defenestrar a dona Teodora. Talvez mais uma entidadezinha, devidamente composta e, claro, independentissima…

    A ver vamos.

     

    10.3.17

  • CAMINHO

     

    Sintetizando o ambiente “democrático” em que vegetamos, uma besta do PC declarou que a Senhora Teodora Cardoso devia ir para o desemprego. Fugiu-lhe a boca para a verdade ao mostrar, sem disfarce, a categoria moral, humana, política e educacional da generalidade dos geringonços.

    Facto é que são todos iguais, só que uns se mascaram mais que os outros. Que dizer das declarações do ministro da propaganda Rebelo de Sousa acerca do mesmo assunto? Que o cinismo mais desbragado, com invocações religiosas e tudo, sobreleva, ou revela, o que vai na alma e no “pensamento” de quem se acha dono e senhor do País. Que brutal indignidade, que arrastar da República na lama, via seu mais alto representante! E a diatribe do Chamado primeiro-ministro? Terá já adoçado a pastilha, mas o que disse, disse.

    Esta gente, mais do que o seu orago Sócrates alguma vez conseguiu, infirma e despreza tudo o que de independente haja que ainda tenha voz: a drª Cardoso, o dr. Costa (Carlos), a UE e mais o que não se prestar a servir de caixa de ressonância à propaganda governamental em vigor. Todos se enganaram, proclamam os geringonços, são incompetentes, só a geringonça tem razão.

    Mas enquanto, para estrangeiros, o “engano” chega, cá dentro, onde têm poder, a linguagem é outra: a das perseguições, dos insultos ordinários do Costa, da troça de Belém, das exigências de substituição ou saneamento de tudo o que não for servil e obediente, de todos os que não acreditam nem avalisam a palhacice oficial.

    Os media, esses, têm o comportamento habitual quando se sentem apertados. Olhem o Alberto Gonçalves a ser corrido do Diário de Notícias, olhem o Louçã e as suas diárias presenças teletrotskistas, olhem-no no Conselho de Estado e no Banco de Portugal, olhem a Catarina a ser entrevistada todos os dias, olhem a oposição na página 20, olhem a sujeira fabricada por causa das offshores (neste caso, como o IRRITADO, a tempo, disse, a montanha pariu um rato).

    A coisa vai fazendo o seu caminho. Por influência do BE, o Doutor Nogueira Pinto é impedido, por díscolos a soldo – com o miserável apoio dos dirigentes universitários – de fazer uma conferência. Houve protestos (até do Vasco Lourenço!) mas, do BE, do PC e dos Galambas cá do sítio, nem uma palavra!  

    Aos poucos, o totalitarismo, a propriedade da “razão”, a “superioridade da esquerda”, vão fazendo o seu caminho. Já não é (só) uma questão de políticas, é algo de mais importante, o desprezo pelo regime, pela liberdade, pela informação, a ocupação do Estado, tudo à boa maneira gonçalvista.

    O caminho está aberto. Perceba quem quiser, antes que lhe caiam mais em cima.

     

    8.3.17   

  • RTPG

    Domingo, 5.3.17.

    RTP1 – Horário nobre, oito da noite,Telejornal

    Alinhamento:

    1. Medalha dos pulos do Nelson Évora. OK;
    2. Jerónimo tece as suas recomendações às deslumbradas massas;
    3. Catarina discursa perante entusiástica turba;
    4. Louçã diz de sua justiça ao merecedor povo;
    5. Menina desapareceu;
    6. Acidente no Carnaval;
    7. Internacional;
    8. Desporto;
    9. Festival da canção… etc..

    Admire-se o fervor geringôncico do “serviço” público: independente, pluralista, incorruptível. Num dia em que não tinham o Costa nem o Professor Sousa (espécie de ministro da propaganda), recorreram aos disponíveis, mas sempre no âmbito da situação. Parecia que tínhamos voltado à II República…

    O camarada Sócrates atirava-se quem nem um doido à chamada comunicação social, que queria dominar de qualquer maneira. Estes, hoje, são mais subtis. Mas a receita dá melhores resultados…

    Acrescente-se meia primeira página do DN  com a foto da Catarina, e mais umas quatro ou cinco páginas de entrevista, talvez a centésima no currículo da rapariga.

    Um Domingo nojento. Pelo menos.

     

     5.3.17

  • DE BETÃO!

     

    Segundo a abalizada opinião do seu chairman, professor Sousa, Presidente da III República, a geringonça “está de pedra e cal, é cimento armado”.

    Perante esta afirmação, vieram-me à cabeça os tempos de glória do socialismo, em que a construção civil sitiava o parlamento aplaudindo o PC e vaiando o resto. Eram os tempos em que a turba multa aplaudia o “companheiro Vasco” e em que este, tresloucado, lhe atirava cravos, ao que era correspondido pelos gritos da “muralha de aço”.

    As coisas agora não são exactamente iguais, mas têm um cheiro parecido. Não há “aço”, mas há “cimento armado”. Não há desordeiros da construção civil, mas há a infrene propaganda da geringonça, a fazer oposição à oposição, como naqueles tempos se urrava contra a reacção e a “sabotagem económica”. Não temos barreiras nas estradas nem ocupações, mas temos a imprensa que temos.

    Não fora a falta de dinheiro e a União Europeia… e o caminho da “pedra e cal” seria mais rápido.

     

     4.3.17

  • DOS ESTATIZADORES

    Fiquei estarrecido, ainda que não surpreendido, com a inconsciência, a lata, a cegueira, a burrice de um dos novos “estrelos” do PC (ignoro o respectivo nome) que tive o desprazer de ver na televisão. Fazendo jus a um brilhantismo intelectual que não deixa lugar a dúvidas lá no partido, o indivíduo declarava que o grande mal da democracia e do sistema financeiro é causado pela reprivatização dos bancos depois da sua patriótica nacionalização operada pelo PC e seus apaniguados militares em 1975.

    A argumentação é sempre a mesma, o que é do Estado é nosso, é de todos (esquece-se de dizer que, se é de todos, não é de ninguém) e que, se tivesse gestão pública, tudo correria pelo melhor: actualmente, está tudo na mão de tubarões, tudo politizado, ou dominado pelos partidos ou dominando-os, etc. Esquece-se de que, se estivesse nas mãos do Estado, ninguém, na banca, escapava, por pouco que fosse, à sua politização: seria obrigatória e sistemática.  Não é por acaso que nunca houve sistemas bancários totalmente estatizados que não se tivessem afundado, como são exemplo  todos os casos que a história registou e continua a registar. Acresce que, em caso algum, o sistema estatizado se fundou sem sacrifício das liberdades, da democracia e dos valores fundamentais da política. Mas isso, para o intelectual do nacional-bolchevismo, não tem importância. A democracia defende-se enquanto convém, isto é, enquanto der direito de cidade aos seus inimigos e enquanto não conseguirem aniquilá-la .

    Por cá, se temos tido problemas graves e de várias naturezas com bancos privados, o sacrossanto banco público não está melhor que os piores dos privados: não é “resolvido” porque é do Estado, mas a sua evidente falência está à vista de todos e, mesmo sem ir à  contabilidade orçamental (filosofia socratista de consequências conhecidas), não deixará de custar uns milhares de milhões aos indígenas.

    Mas alegrem-se, ou assustem-se. Na mesma noite, farto do “raciocínio” do palhaço, mudei de canal. Há mais dois, como é sabido, dos de notícias, que são os que vejo, a não ser quando há intelectuais da bola a leccionar. Num, perorava a dona Marisa Matias, toda produzida, como convém à esquerda populista e bem instalada. Noutro, ó maravilha, deleitava-nos com as suas opiniões o chefe do nacinal-trotsquismo, camarada Louçã. Um e outro sem contraditório, respeitosamente interrogados por jornalistas servis e “independentes”.

    É nisto que vivemos. Serviço público e comunicação socialistas.

     

    4.3.17

  • LENINE MUNICIPAL

    Nada tenho contra o alojamento local, aluguer turístico, ou o que lhe queiram chamar. O negócio surgiu com a invasão da estranja, fez caminho e, como não podia deixar de ser, foi envolvido nas habituais teias burocráticas, papelada, Câmaras Municipais, finanças, regulamentos, taxas, impostos, tudo au complet, como é costume.

    A certa altura, começou a haver protestos, sobretudo da malta dos bairros históricos que, ao mesmo tempo que vai ganhando umas massas a vender pregos e imperiais, acha que os turistas são uns chatos, lhe prejudicam o sono, dão cabo do estacionamento, etc.. Percebe-se. Também é o costume. Nada a acrescentar.

    Vai daí, o melífluo e chato senhor Medina, imperador de Lisboa, resolveu dar apoio ao negócio, o que, em si, não merece reparos. O mesmo não se passa com o argumento utilizado pela criatura para defender a sua posição.É que, diz ele, “são os grandes hoteleiros que saem a ganhar com a limitação do alojamento local”. É a doutrina da Mortágua tim-tim por tim-tim. Se há quem tenha dinheiro, gente repugnante, ou o “vamos lá buscar”, ou lhes prejudicamos o negócio para, a la limite, lhe darmos cabo do negócio. É preciso igualar por baixo, distribuir a miséria, como é timbre do socialismo.

    Qualquer cidadão será capaz de alinhar vários argumentos a favor e contra o tal alojamento. Tome partido quem quiser e como quiser. Agora argumentar que se trata de evitar que os hoteleiros, gente rica por definição e, como tal, digna de perseguição e/ou aniquilamento, como dizia o Lenine, parece ser ir longe demais, ou pôr o rabo do gato cá para fora.

    A marxização do país está em curso, mesmo quando, à primeira vista, não se dá por isso.

     

    3.3.17

  • “INFORMAÇÃO” E OPORTUNIDADE

    Uma organização que não sei se é pública, privada, cooperativa, ONG, ou outra coisa qualquer, de seu nome Conselho de Finanças Públicas, tem por hábito analisar contas, avisar, dar conselhos, presumindo-se que o faz com independência uma vez que sempre se absteve de mostrar apoios ou denunciar preferências. Descobre carecas da geringonça como as descobria da troica ou do governo legítimo.

    A face visível do tal conselho é uma senhora que infunde confiança e estima, mesmo quando diz coisas difíceis de engolir. Como as diz em várias direcções e sempre com fundamentos à vista, merece, pelo menos, o benefício da dúvida.

    Julgo que ontem, deu uma entrevista à Rádio Renascença, com direito a imagens na televisão. Disse o que toda a gente sabe acerca do multipropagandeado défice de 2016, isto é, que foi obtido mediante medidas não repetíveis. Vai daí, a fulana da Renascença, sorridente, dá em dizer que talvez tenha sido “um milagre”. Ao que a senhora, também rindo, respondeu que talvez não.

    A partir desta brincadeira (o “milagre” foi metido na boca da senhora pela jornalista), o chairman e o CEO da geringonça desataram aos gritos contra a entrevistada (dona Teodora Cardoso). “Milagres é só em Fátima, e para os crentes”, acusou o chairman Sousa; “não existem”, regougou o CEO Costa, seguindo-se a vigorosa condenação dos avisos dela.

    Eis o que é, por um lado, a “informação” em Portugal – que faz de um inocente e bem disposto comentário um “caso” importantíssimo – e, por outro, o que é o oportunismo demagógico, mentiroso, chocarreiro e malcriado dos nossos chamados altíssimos representantes.

    Nem desconto merecem.

     

    2.3.17   

  • UM AVISO PREOCUPADO

     

    Exmº Senhor Secretário de Estado das Finanças

     

    Vem o IRRITADO avisá-lo dos perigos que, pelas suas costas, se acastelam e que podem não só custar-lhe o lugar como comprometer definitivamente o seu futuro político e pessoal.

    Não, não estou a falar do incidente da sua viagem a Paris a convite de uma empresa qualquer. Foi um pecadilho sem importâncian de maior, que o chamado governo, coisa a que VExª pertence, quase elogiou e que a oposição deixou cair sem mais consequências.

    Falo, sim, das suas declarações de ontem no parlamento. É por causa delas que lhe digo que se ponha a pau.

    VExª pôs uma série de pontos nos is. Por exemplo disse: que não fugiu dinheiro nenhum, foi tudo oficial e legal; que não se sabe ainda se houve fuga aos impostos, mas, até ver, o mais provável é que não tenha havido; que o desconhecimento fiscal de uma larga parte do acontecido se deve, de ciência certa, a uma falha de software que foi detectada há meses; que não houve qualquer diligência política do governo anterior para esconder fosse o que fosse; que não tem outra crítica a apresentar que não seja a que deriva da sua discordância quanto ao facto, confessado pelo seu antecessor, da não publicitação das transferências.

    Compare VExª as suas declarações com as diatribes da dona Catarina, mestra nacional da demagogia, do populismo e do ódio de casta, bem como com as monumentais bojardas do seu chefe, conhecido por primeiro-ministro, dignas de Idi Amim, do mais ordinário dos carroceiros e a anos luz de distância de Donald Trump em matéria de ordinarice. E relembre, se quiser, com alguma piedade, as palermicies do infeliz rapaz do PC, seu geringonço correlegionário.

    VExª, ao contradizer de viva voz praticamente tudo o que os seus mais altos chefes andam a ribombar, está a arriscar muito. É altura de perceber que a verdade e a honestidade não cabem na filosofia da organização que o emprega. Veja o caso do Centeno, que aldrabou quanto pode, sempre com o aval, a admiração e o aplauso de toda a gente do seu clube.

    Assim, não vai lá. Veja se arranja maneira de fazer a devida oposição à oposição, principal objectivo político da sua gente, a fim de não vir a sofrer graves consequências. Não tenha medo. É fácil. Basta ter alguma imaginação e nenhum amor à verdade, à boa educação ou à honra.

     

    Com os cumprimentos do IRRITADO.

     

    2.3.17