Passamos a vida a receber maravilhosas ofertas. Inúmeras organizações comerciais nos consideram clientes VIP, gente de primeira, merecedora dos mais rebuscados encómios por parte de directores, presidentese e gestores que, em quilos de papel e de bonecada, nos oferecem pinchavelhos, livros, canivetes, malinhas de senhora, isto se comprarmos 50 panelas, duas frigideiras e um naperon. Ficamos, além disso, habilitados a um magnífico prémio, para o qual fomos, pessoalmente!, seleccionados, no valor de dez libras de ouro ou, à escolha, uma bicicleta eléctrica a pedais da marca Pedaloidel.
“Ofertas” deste género são às dezenas por mês. Normalmente vão para o caixote mas, como vèem via CTT, paciência. Os tipos compraram o nosso nome e morada a uma base de dados qualquer, e vai disto. Estão no seu direito, são comerciantes e, em princípio, actuam dentro da legalidade e da moral em vigor.
Mas há outros. Tenho aqui um enorme envelope oriundo de uma “associação sem fins lucrativos” e, ao que me garantem, isenta de impostos. E então – como se diz agora – é assim: sou convidado a comprar dois números de uma revista por cinco euros cada e a receber, livre de ónus ou encargos, um magnifico Tablet. Seguidamente, assino a tal revista por seis vírgula noventa e cinco euros/mês durante dez meses, passados os quais passarei a pagar sem desconto, isto é, quatorze euros cada. Serei, além disso, contemplado com livros que me ensinam a melhor maneira de usar esfregonas ou onde comprar torradeiras com garantia. Incontáveis outras benesses me serão oferecidas (pro bono?), se comprar a revistinha, claro.
Digam-me lá se não vale a pena!
E, já agora, descubram a diferença entre esta organização (a DECO) e as que vendem panelas.
7.4.17
