Um número crescente de filósofos, psicólogos, politólogos e de outros rebrilhantes intelectuais disponíveis começou a pronunciar-se “agradavelmente” sobre uma coisa que vem ocupando páginas e páginas na chamada “comunicação” social, “mídia” para ignorantes e subservientes, media, ou meios, para quem não faz parte de tal equipa.
Qual coisa? A mentira e seus parentes.
Há quem escreva, com justificatória alegria, que a mentira é “normal” na política e “característica” própria de políticos que se prezam. Pode ter várias graduações: a pura mentira, a meia verdade, a narrativa, a verdade alternativa e outras rebuscados conceitos usados para gozo e satisfação dos opinadores. As mais intelectuais justificações para tais práticas são avançadas em “análises” profundas, cheias de considerandos, citações, estudos, investigações, estatísticas, e do mais que ocorrer à moderna elite mediática.
Em segundo plano surgem alguns conceitos aceitáveis, que não se enquadram nos analisados, como os da confidencialidade, da reserva, da discrição e das matérias que as merecem. O mais difícil será estabelecer os limites de tais formas de proceder, a fim de as não confundir com mentiras e quejandas práticas. Mas isto pouco interessa à tal elite.
Um exemplo do que, não sendo mentira, nem meia verdade, nem verdade alternativa, sequer narrativa, é tão ou mais violento que a mentira pura e simples. Refiro-me às bandeiras em arco desfraldadas pela geringonça a propósito do défice.
Foi ele de 2,1%, ou coisa do género, correspondentes a 3.807 milhões de euros. Demos de barato o facto de tais milhões não terem sido objecto de informação pública por parte do chamado governo. O pior é o que segue: em 2016, a dívida agravou-se no módico montante de 9.590 milhões; destes, foram às contas os tais 3.807, ficando de fora 5.783 milhõezinhos; não se sabe onde foram parar, se às contas da mercearia, se abaixo do tapete, se enviadas ao cosmos nalgum foguetão, se metidas na “operação marquês”. De resto, a história não é nova: era um dos mais inteligentes e habituais procedimentos da “gestão” socialista de antes da troica, coisa que teve os maravilhosos resultados que toda a gente sabe e com que toda a gente sofreu.
Aqui temos uma mentira, inverdade, narrativa, ou outra coisa qualquer. À portuguesa, chamar-lhe-ei aldrabice, trafulhice, engano, sonegação de informação essencial para a formação da opinião póblica: o país a atolar-se em ainda mais dívidas, assim “revertendo” o caminho que vinha tomando em 2015. Ao mesmo tempo que o país se atola, o costismo, herdeiro agravado do socratismo, declara que estamos a caminho da glória. Só se for a glória das bancas dos casinos.
E a procissão vai no adro.
2.4.17

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