Neste Sábado, a grande malha jornalística é nada menos que as afirmações relativas ao “enorme sofrimento” sentido pelo Presidente Sampaio ao indigitar Pedro Santanma Lopes como Primeiro-Ministro. O IRRITADO sente nas profundezas da alma tal “sofrimento”. Coitadinho do Presidente! Antes de mais, a sua alma socialista sentiu-se ofendida por “ter que” nomear o líder da maioria parlamentar para o cargo. Depois, viu-se obrigado a ouvir, dos seus amigos do MES, tipo Ferro Rodrigues, e de muitos outros, as mais duras críticas. Que pena! Até no Conselho de Estado o atacaram! Mas ele, firme como uma rocha, e ainda que com o coração partido, foi “institucional”: a maioria funcionava, não havia crise, e propunha-lhe um novo governo dentro da mesma legislatura. Heroicamente, Sampaio decidiu. Pobre senhor!
Punhamos agora as coisas de outra maneira. Sampaio olhou para os seus. A liderança do PS estava de rastos, vítima do processo Casa Pia e de outras desacreditantes cenas. O PC andava às voltas com a “eleição” de um novo chefe. O Presidente não podia arriscar, como é evidente, convocar eleições com as hostes na mó de baixo. Nomeou Santana e, na verrinosa opinião do IRRITADO, deve ter pensado: deixá-los poisar!
Entretanto, a imprensa de esquerda, isto é, praticamente toda a imprensa (na altura como agora), saltou às canetas de Santana com toda a artilharia e mais alguma, a propósito e a despropósito de tudo e mais alguma coisa. Entretanto, o PS estabilizava nas doces mãos do chamado engenheiro Sócrates. Entretanto, o PC estabilizava nos braços quentinhos do camarada Jerónimo. Entretanto, o senhor Cavaco publicava artigos “económicos” em que dava cabo do Santana.
A situação tinha, finalmente, mudado. Deixei-os poisar. Poisaram todos. Está pronta a subida ao poder da minha gente. Daí, Sampaio meteu a Constituição na gaveta (não havia crise política, não estava em causa o funcionamento das instituiçõs), e zás!, ferrou com a sua constitucional(?) marreta, correu com o Santana, e venha a minha malta, a malta boa, a malta da “moeda boa” do Cavaco!
Acertou. A coisa foi bem montada. Funcionou, como se sabe, gloriosamente, até à bancarrota.
Calcule-se o que o Presidente Sampaio deve ter sofrido!
11.3.17

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