IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PRIVILÉGIOS BÒIESCOS

     

    Por 13 milhões de Euros, comprou o governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) à câmara dos camaradas Costa e Fernandes, um terreno onde diz que vai fazer um mega hospital.

    Até aqui, tudo bem. Só que é a primeira vez que uma câmara municipal vende ao Estado um terreno para a implantação de um equipamento público. Até aqui, se as câmaras queriam tais coisas nos seus territórios (hospitais, escolas, tribunais, etc.) tinham que oferecer, pelo menos, o terreno. Muitas vezes, viam-se constrangidas a pagar a construção, ou as infraestruturas, ou o que fosse. E ainda tinham que ficar gratas.

    Tratando-se do que é o primeiro de todos os boys, o Costa, acompanhado do actual futuro boy, o Fernandes, a coisa fia muito mais fino. O senhor Pinto de Sousa (Sócrates) está-se nas tintas para os terrenos que o Isaltino lhe oferecia para o mesmo efeito. É preciso ajudar os rapazes. Trata-se de malta fina, do melhor, a quem o Estado (os tax payers, nós) tudo deve proporcionar, seja sob a forma de empréstimos à la manière, seja de compras de terrenos, seja lá do que for.

     

    Não há moralidade, e eles comem sempre.

     

    António Borges de Carvalho
  • BANCÁRIAS BOAS-FESTAS

    Para quem não é cliente nem accionista do BCP, a novela que vem envolvendo o banco de há uns meses para cá não passa de guerra de clãs e de tricas de ricaços, coisa que até tem o seu lado divertido.

    Da penumbra do cofre, qual tio Patinhas, um personagem apareceu à luz dos holofotes, a dar à coisa o ar lúdico e divertido que lhe faltava. A camisola preta, o fato Armani, na lapela o coração encarnado circundado de pedrarias, a fala grunha, os atropelos ao português, o carão de melão, tudo contribui para fazer do senhor Berardo um ser que, se não houvesse, devia ser inventado para divertir o povo e dar a coisas graves a leveza  sexy que a cardinalícia pompa dos seus inimigos está longe de conseguir.

    As primeiras acusações do senhor Berardo foram algo suavizadas quando o engenheiro decidiu, de forma canhestra, pagar as dívidas do filho. Compreende-se as razões da atitude: o homem quis salvar a honra e a face da família. O problema é que não reparou que, ao fazê-lo, enterrava a honra e a face da instituição que, tanto como o seu filho, trazia os seus próprios genes.

    O senhor Berardo continuou a cruzada. Não se ficou. Se, como tudo indica, tiver razão, então os motivos de preocupação deixam de ser exclusivo dos clientes e dos accionistas para passar a sê-lo de todos nós. Se as operações denunciadas se fundamentam no que parece fundamentá-las, então deixa de ser o BCP e os seus chefões quem está na berlinda. A coisa alastra com um tsunami e vai varrer todo o sistema, arrasando governos, ministros, o Banco de Portugal, a CMVM e os seus dirigentes, não se sabendo onde, como ou em quem vai parar.

    Num país liberal, ou seja, num país onde o capitalismo é obrigado a funcionar nos limites da Lei, o caso teria sido mais bombástico, as autoridades teriam reagido com velocidade e eficácia. Veja-se o que aconteceu aos senhores Mário Conde e Ruiz Mateus em Espanha, ou o que se passou nos EUA com a Enron. Entre nós, onde o socialismo estatista continua a imperar, as coisas passam-se, e vão passar-se de ora em diante, de maneira diversa. Os dirigentes do Banco de Portugal, que deviam ter sido corridos quando, ao serviço da mistificação política que ainda serve de base à governação socrélfia, fabricaram o défice putativo de 6,83%, andaram de olhos fechados durante belos e doces anos. Acordando de repente, ciosos da sua ameaçada boa fama, arranjaram a safa de “recomendar” o despedimento dos chefões do BCP. A CMVM, essa, parece assobiar para o ar, não vá a bronca cair-lhe em cima. O governo fica-se pelas declarações de “preocupação”. O Procurador, coitado, tem nas mãos uma bomba atómica, a ninguém sendo dado imaginar o que fará com ela.

     

    Os brandos costumes, em princípio, acabarão por prevalecer. Daqui a vinte anos, depois de uma batalha judicial do género das muitas que por aí vai havendo, uns senhores serão absolvidos, outros verão prescrever as acusações. Os absolvidos processarão o Estado, exigindo indemnizações monstruosas pela honra ofendida. O doutor Constâncio estará a banhos nas Caraíbas, reformado, rico e cheio de saúde. Os governantes, os homens do socialismo, os que, patrioticamente, souberam evitar que o Pinto & Sottomayor passasse para mãos castelhanas, serão louvados e incensados. Metade dos portugueses estará finamente proletarizada. A outra metade, ou quase, irá vivendo. Os que ficarem fora do quase estarão bem, recomendando-se como é de timbre. A Moldávia passará a figurar acima de Portugal em todos os indicadores. O senhor Gore terá deixado aos filhos a fortuna que ganhou a aterrorizar as pessoas. A Terra continuará a aquecer, ou a arrefecer, consoante lhe der na cósmica gana.

     

    O Irritado, finalmente, estará a fazer tijolo como é sua não menos cósmica obrigação.

     

    António Borges de Carvalho
  • BOAS FESTAS

    A todos os que vêm, generosamente, aturando o Irritado ao longo destes já longos 20 meses, aqui vai um abraço de Boas-Festas, com os desejos de um 2008 mais livre, menos socialista, com menos apertos de cinto (coisa improvável) boa saúde, família feliz, amigos dos bons (coisa rara e preciosa), e… irritações q.b.

    Gingle bell!

    António Borges de Carvalho

      
  • ESTÉTICA SOCIALISTA

    Em admirável manifestação de bom gosto e de extremoso amor natalício, a câmara Costa/Fernandes colocou, ao longo da Avenida da Liberdade, uns matacões de ferro, os mais deles completamente ferrugentos, outros pintados a furta cores. No Marquês, ergue-se um volume de sucata com as letras da palavra AMOR! Lindo! Pela avenida abaixo, os ignaros munícipes podem regalar-se com a visão admirável de mais uns mamarrachos de sucata, figurando os números 1,2,3,4,5,6,7,8 e 9, coisas de significado inextricável, mas com certeza inventadas por algum “artista plástico” de grande nomeada no Largo do Rato. De estarrecer! Ao chegar ao Rossio, a coisa entra em paroxismo, num frenesi de inenarrável beleza. Junto ao lago do lado Norte, que não funciona há que anos, os mamarrachos multiplicam-se, uns em cima dos outros, com as letras da palavra LOVE. Que ternura!

    A somar a esta extraordinária manifestação de qualidade artística, a colunata do Dona Maria e a fachada do Palácio Foz, como se de obras de demolição se tratasse, foram tapadas com cartazes brancos, disfarçando aqueles horrores com cartazes com a cara daquela carapinhosa pintada de louro que se esganiça a assassinar o Fado, mais a do Ronaldo, do Mourinho e de mais uns tipos tidos por “grandes portugueses”.

    Não se sabe quanto custou a coisa, mas o Irritado arrisca a opinião de que foi, com certeza, muito mais caro do que pôr os repuxos da fonte a funcionar. Será para isto que a câmara Costa/Fernandes pediu um empréstimo, que todos vamos pagar com juros?

    Relevadas estas dúvidas, resta aplaudir, sem reservas, mais este contributo do socialismo para a cultura do povo.

     

    António Borges de Carvalho

     
  • ÉTICA SOCIALISTA

    Por falar em empréstimos, assinale-se a aprovação dos quatrocentos milhões, bem como do orçamento da câmara Costa/Fernandes pela assembleia municipal, com consentimento do maioritário PSD. O Irritado lembra-se dos tempos em que a câmara Santana/Carmona via o orçamento chumbado pelo PS e pelos partidos comunistas, na época maioritários na assembleia. Santana/Carmona governavam por duodécimos, e viam a sua acção de pernas cortadas pelo boicote sistemático, odiento e partidocrático daquela gente.

    Apesar de alguma fricção com o respectivo líder, os deputados do PSD deram duas grandes lições de civismo. Não aproveitam a ninguém, porque quem é ordinário, ordinário continuará a ser. Quando as posições se inverterem tudo voltará à mesma, que isto de civismo é bom para o preto.

    A moral do socialismo é outra.

     

    António Borges de Carvalho
  • TÚNEL SOCIALISTA

    Andaram para aí uns tipos a dizer que o túnel do Terreiro do Paço não está devidamente testado, oferecendo, por isso, riscos vários para os utilizadores.

    O tempo e as demoras na construção do túnel demonstram, ad nausea, a incompetência visceral e inultrapassável do Partido Socialista, nestas matérias como nas demais. Gastou-se rios de dinheiro, o que quer dizer que se ganhou rios de dinheiro. Foram anos e anos de obras e obrinhas, de contra obras e contra obrinhas. O dr. Santana Lopes teria feito, mesmo com uma matilha de empatas às canelas, três ou quatro túneis do Marquês no mesmo período.

    Agora, que mais esta obra de Santa Engrácia está pronta, vêm uns fulanos reclamar da insegurança, da falta de ensaios, etc. Acredito que não tenham razão. Acredito que o objectivo seja vender mais uns estudos e mais umas inspecções. Admito até que a coisa esteja bem feita.

    A reacção dos “responsáveis”, porém, não descansa seja quem for. Ora vejam. O Exmº Presidente do Metro diz que “foram feitas as vistorias exigidas por lei”. Sua Excelência o Ministro das Obras Públicas, o impagável Lino, diz que a coisa “respeita todas as condições exigidas”. A “informação que eu tenho”, fornecida pela administração do Metro, “é que o troço está perfeitamente com segurança”.

    Ou seja, um diz que foram feitas as vistorias (mais valia que não fossem!), o outro diz que o primeiro lhe disse que as vistorias tinham sido feitas. Ninguém fica a saber que vistorias, como, para quê, etc. O que se fica a saber é que, se houver chatices, ninguém será responsável.

    Olha se as vistorias foram feitas como as dos acessos ao parque de estacionamento do Corte Inglês! Xiça!!!

     

    António Borges de Carvalho
  • RESPEITAI A VELHICE!

    “Respeitai a velhice!”, diziam os soldados das negregadas guerras de África aos recém chegados, apelidados de “maçaricos”. Na tropa, como se sabe “a antiguidade é um posto”. Nas universidades, vetustas tradições consagravam o “poder” dos decanos e dos “dux”. Em sociedades pouco desenvolvidas, ainda hoje o chefe político é chamado “o mais velho”, mesmo não o sendo.

    Atribui-se, ou atribuía-se, à idade, à experiência, a vivências várias que só ela proporciona, uma dose de sabedoria que é, ou era, um capital precioso para as sociedades e que merece, ou merecia, o respeito das gentes. A idade não é, ou não era, tida por travão do progresso, mas serve, ou servia, para dar a tal progresso o bom senso e o  capital de experiência que as novidades, muitas vezes, não trazem consigo.

     

    Os tempos, porém, apontam noutro sentido. A “juventude” passou a valorar-se como um bem em si, despido de adjectivos ou limites, e a considerar os mais velhos como membros de um “parque jurássico” que só existe por favor dos “novos”, já que, na verdade, foi consumido, abolido, derrogado, pelo inexorável passar das eras. É assim que os partidos políticos, por exemplo, dão às suas juventudes um poder que estão longe de merecer, é assim que, nas empresas, os mais novos se sentem no direito de empurrar os mais velhos pela porta fora, muitas vezes com consequências devastadoras, é assim que a sociedade em geral tende a considerar os mais velhos como um fardo que, caridosamente – ou “solidariamante”, como se diz agora – se carrega até que faça o favor de morrer, e quanto mais depressa melhor. É assim que, nas escolas, a “juventude” passou a ser tida e achada para as mais ínfimas decisões e para a mais alta “gestão”.

    Os desiquilíbrios sociais disto resultantes, e as suas consequências, assumem muitas vezes formas chocantes, impedindo que a condução das tarefas e dos negócios se desenvolva com harmonia, eficácia, e respeito pelos valores e objectivos das sociedades humanas que disto são vítimas.

     

    Vem isto a propósito do nóvel “deputado” do Bloco de Esquerda, fulano que ninguém elegeu, mas que o abuso da lei das substituições que a organização pratica acabou por sentar nos bancos do Parlamento.

    Aí está o rapaz, barbicha rala, camisoleca às riscas, capuz, jeans, despenteado artístico, a perorar contra as “fatiotas”, a dizer que o Parlamento não tem nada a ver com o povo, que não serve para nada, que é preciso dar cabo daquela inútil excrescência onde um bando de velhos bem vestidos se repoltreia, etc. Propõe-se o rapazola dar cabo daquilo tudo, e substituir a coisa por um novo bando, esse sem gravata, sem frases respeitosas, sem regras, sem peias, sem moral, só preocupado com as questões que verdadeiramente interessam, sejam elas quais forem.

    Compreende-se que o Bloco de Esquerda lá ponha o fulano, como o PC lá pôs aquele tipo que expressamente declara admirar esse grande democrata que dá pelo nome de Kim Sung Il. É que, como se devia saber, o que tais organizações mais odeiam e sonham abolir, ainda que o não declarem, é a chamada democracia representativa, formal, ou burguesa, como lhe chamam, ou seja, a Democracia tout court.

    Ainda há quem pense assim. E, para dar sinal disso, nada melhor que a “irreverência da juventude”, a “frontalidade da juventude”, a fim de, resguardando os insinceros líderes, vir dizer as “verdades” deles, assim fazendo passar o ódio à liberdade como se de nobre objectivo juvenil se tratasse, contra a “ditadura” dos velhos, dos tipos das “fatiotas” e, obviamante, do sistema.  

     

    António Borges de Carvalho
  • TABACAL SOCRATISMO

    Em mais uma brilhantíssima iniciativa, anuncia o governo que o preço do tabaco vai aumentar uns dez por cento.

    Não, meus amigos, não foram os custos da matéria prima que subiram, não é a mão de obra que está mais cara, as tabaqueiras não vão ganhar mais dinheiro! São impostos, caraças! São os impostos o que faz aumentar o preço! E como os impostos já são mais de metade do preço, se este aumenta dez por cento é porque os impostos aumentaram mais de vinte. Bem visto, não é?

    O governo, como diria o soba do Quicalaquiaco, tem esperto no cabeça!

    Como anda a fazer campanhas contra o tabaco, trata de se prevenir. Se as campanhas tiverem êxito, o consumo diminui, mas, com a subida dos impostos, a receita mantém-se. Se as campanhas falharem, melhor, aumenta a receita!

    A genialidade do socratismo é indesmentível. O cinismo também.

     

    António Borges de Carvalho
  • BIO-DIESEL

    Parece que o bio-diesel em Portugal se está a transformar em coisa séria. A breve prazo, rezam as notícias, produzir-se-á 1.300.000 toneladas do dito.

    O Irritado nada sabe destas matérias. No entanto, no fundo da sua ignorância surge uma dúvida que as triunfantes notícias não esclarecem. É que não se sabe o que é preciso para produzir tanto combustível. Quantas toneladas de matéria orgânica (árvores, girassóis, beterrabas, o que for) são precisas para chegar àquela produção? Quantos milhares de hectares vão para tal ser ocupados?

    Não é, porém, difícil imaginar que tudo se cifrará por quantidades industriais de culturas extensivas e intensivas, esgotantes dos solos e das águas. Não é? Então onde estão os ecologistas e quejandos que toda a vida se revoltaram contra os eucaliptos, o trigo, a beterraba, o tomate, culturas intensivas e extensivas, esgotantes dos solos e da água, como eles, importantes e indignados, não se cansavam de proclamar? Por que cifra multiplicará o bio-diesel tais culturas?

    Deixo a questão aos impolutos ecologistas. Ou será que, por a coisa estar a dar, deixou de haver problema?

     

    António Borges de Carvalho
  • SILOGISMO SOCRÁFIO

     

    Premissas:

    a) Não se pode fumar nos edifícios públicos.

    b) As prisões são edifícios públicos.

    Conclusão:

    Não se pode fumar nas prisões.

     

    Anunciam as autoridades socrapélvicas que é sua intenção proibir, a partir de 1 de Janeiro, que se fume nas prisões. O assunto ainda está em consideração, mas parece que, aplicando a filosofia triunfante aos estabelecimentos prisionais, fumar é tão pecaminoso nas prisões como cá fora.

    Isto é, para vícios menores, como o consumo de heroína, o estado socrífio aplica a norma do incentivo, isto é, distribui seringas gratuitas e proporciona a entrada dos produtos de consumo no sistema prisional. Para hábitos ainda mais inocentes, como a sodomia, voluntária ou compulsória, as autoridades socrafânticas propiciam os necessários acessórios, tipo preservativos e pomadas.

    Assim o impõem os mandamentos e a moral socratélica. Assim vai esta coisa.

     

    António Borges de Carvalho
  • MALEFÍCIOS DO BLOCO CENTRAL

    Magicamente ressuscitado, o bloco central, de péssima memória, volta a fazer as suas tradicionais devastações.

    Desta vez, confessa quem sabe, as polícias estão impedidas, via novo Código do Processo Penal, de meter dentro os suspeitos dos assassínios do Porto. A avaliar por certa imprensa, há quem saiba a identidade dos envolvidos, quem conheça as organizações de que fazem parte, quem seja, até, testemunha ocular de alguns acontecimentos. Mas, segundo as novas normas, faltará produzir prova, isto é, parece que se passa dos exageros das prisões preventivas para o zero absoluto. Ou oito ou oitenta.

    E agora? Como é que o bloco central vai descalçar a bota? Ninguém sabe. O mais provável é que, daqui a cinco anos, as coisas tenham caído no esquecimento. A não ser que algum impoluto cidadão seja apanhado a matar alguém, podendo, então, caso a polícia esteja presente (está-se mesmo a ver os tipos das metralhadoras a actuar em frente da polícia), ser detido em flagrante. Se não for em flagrante, nada feito. Bonito.

     

    António Borges de Carvalho
  • JUSTIÇA APOSENTADA

    Afinal, o apurado sentido de justiça do governo veio desmentir a diatribe do Irritado sobre as taxas para a ADSE cobradas sobre o 13º e o 14º meses, retroactivamente ainda por cima.

    O Irritado pede as maiores desculpas pela injustiça que cometeu, vítima que foi de errónea informação.

    O Exmº Secretário de Estado do Orçamento, muito conhecido lá em casa, veio esclarecer o povo em geral, e o Irritado em particular, sobre a matéria.

    Os alvos da sofreguidão governamental, informa Sua Excelência, não são os funcionários públicos. Não senhor. Só os pensionistas.

    Veja-se, e admire-se, a clarividência social do governo. Trata-se de pura “descriminação positiva”, como agora se diz, a favor dos que trabalham. Como os pensionistas são uma cambada de malandros, há que os causticar. A lei é igual para todos, mas não para aqueles que, sem fazer nenhum, recebem umas massas do Estado. Ainda por cima queriam ser iguais aos outros! Não queriam mais nada?

    Ah! Já me esquecia! Há ainda mais uma grande manifestação de justiça social no meio disto tudo. É que os madeirenses, por intervenção do Tribunal Constitucional, também não pagam. Como o dr. Jardim não foi devidamente consultado, há um vício de forma que implica tal inaplicabilidade.

    Ou seja, nem há moral, nem comem todos.

     

     

    Esclarecimento de última hora de Sua Excelência o Ministro das Finanças.

     

    Segundo a bem fundada opinião deste governante, os subsídios de férias e de Natal dos funcionários tem uma natureza jurídica diferente da dos subsídios de férias e de Natal dos aposentados, razão pela qual, como é de compreender, uns não pagam, outros sim. A CGA, talvez por desconhecer a distinta opinião de Sua Excelência, atesta no recibo que se trata de “subsídio de Natal” e de “14º mês”.

    Mas, como os leitores do Irritado facilmente concluirão, o senhor ministro tem toda a razão. Aliás, as importâncias das pensões e dos vencimentos, são pagas a ambos em euros e os descontos são feitos a uns em euros, não a outros euros. Donde, a profunda diferença conceptual entre uma coisa e outra. E quem não perceber isto, não está devidamente integrado na inteligência socrapífia.

     

    António Borges de Carvalho

     

     
  • PRESERVATIVOS E REGIONALIZAÇÃO

    A Juventude Socialista, aqui há anos, tornou-se conhecida por andar a distribuir preservativos na Costa da Caparica. Como os banhistas são suspeitos da mais desbragada incontinência sexual, havia que os proteger contra os seus impúdicos vícios.

    Depois dessa meritória acção, a Juventude Socialista não fez mais nada que se visse, ou que se saiba, para além de umas guerras intestinas em que duas jovens senhoras se bateram pelo poder como umas tontas.

    Passados uns anos, eis que a nobre organização volta à carga, desta vez não com preservativos, mas com a estafada ideia da “regionalização”, coisa ao nível do Mendes Bota e do Macário Correia. Estraçalhar o país, criar mais uns milhares de tachos políticos, arranjar mais uns empregos para os boys, eis, em resumo, o que preocupa a nova geração socialista, certamente com o enternecido apoio do senhor Pinto de Sousa (Sócrates).

    É pena que não haja preservativos contra a regionalização, senão era altura, não de os distribuir na Costa da Caparica, mas de os lançar de avião sobre o país inteiro.

    António Borges de Carvalho
  • SOLIDARIEDADE SOCIALISTA

    Coitado, o camarada do dr. Mário Soares, do senhor Pinto de Sousa (Sócrates), do inacreditável Braga e do tipo da EDP, ficou justamente aborrecido com a tunda que levou no referendo.

    Apesar disso, com a distinção intelectual, a delicadeza de sentimentos e a vastíssima cultura que o caracterizam, teve a amabilidade de dizer que a vitória dos seus opositores tinha sido “uma merda” e que iria pedir ao “povo” que tomasse medidas urgentes para a anular.

    Tal “merda”, conclui-se, foi feita não se sabe por quem, uma vez que a estupidez da comunidade internacional e da comunicação social julgava tê-lo sido pelo povo. Ora se quem fez merda não foi o povo, uma vez que o senhor Chávez recorre ao “povo” para a limpar, é de calcular que tenham sido os bois, os porcos, os cães e os americanos a votar “não” no referendo. Não o povo.

    Pelo menos, é o que os supracitados camaradas e amigos devem pensar, uma vez que ainda ninguém os ouviu dizer o contrário. Não é?

     

    António Borges de Carvalho
  • ATÉ QUE ENFIM!

     

    Notícias frescas dão por certo que a dona Teixeira da Cruz se vai demitir. Parece que o partido não está disposto a trazê-la ao colo, ou a fazer-lhe as vontadinhas. O Irritado, que já tinha aconselhado a notável senhora a ir ao Largo do Rato assinar uma fichinha a fim de ir dar largas aos seus caprichos noutra freguesia, fica pletórico de felicidade e de entusiasmo.

    Aqui ficam os nossos desejos de que a “reflexão” que a senhora se propõe fazer produza os melhores frutos, isto é, que a leve a dar o fora e a ir chatear outro.  

    Com os melhores cumprimentos

     

    Irritado
  • A MONTANHA PARIU UM RATO

    Em manifestação da mais profunda inteligência, o bloco central, com o objectivo de propiciar governos estáveis nas autarquias, prepara-se para… pôr a oposição no governo!

    O objectivo apregoado é claro, justo e parece de inegável utilidade. Isto de as câmaras, havendo uma assembleia municipal, serem um saco de gatos, é, obviamente, um absurdo e uma negação do sistema representativo. A lógica do sistema é a de dar o exercício do poder a partidos e coligações maioritários, mantendo os demais na oposição. Quando os que se lhe opõem não são capazes de se unir para oferecer alternativa maioritária, os governos podem ser minoritários. O que confirma a lógica do sistema. A oposição, ou oposições, têm assento parlamentar, nunca executivo, o que seria uma contradição nos termos.

    Tudo bem quanto ao objectivo. O pior é o resto.

    É evidente que, para fiscalizar um sistema de executivos coerentes, as assembleias devem ter mais alguns poderes, de forma a dar às autarquias maior unidade de governação e maior controlo da mesma por parte da representação geral dos cidadãos.

    No entanto, para atingir os nobres objectivos a que se propôs, o bloco central arranjou uma confusão dos diabos. De tal ordem, que continuará a haver, no governo das autarquias, representantes das minorias que se lhe opõem. Brilhante!

    Uma reforma motivada pela insanável incoerência do actual sistema, acaba por o re-consagrar, quedando-se por alterações adjectivas, que não interessam a ninguém.

     

    A montanha pariu um rato.

     

    António Borges de Carvalho
  • ENGENHEIRAIS AMBIÇÕES

     

    Tenho estado em Atenas, a ver os gregos a sair da fossa, enquanto nós… enfim, que se lixe.

    Mal chegado a Lisboa, o meu coração rejubila com a criação de mais uma autoridade, ou comissão, ou entidade, uma destas coisas que estão na moda e que, aos poucos, vão tomando, por nós, as decisões.

    Desta vez o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) ultrapassa todas as marcas. Então não é que se propõe entregar à tal coisa a determinação de quem é engenheiro, ou médico, ou advogado, e de quem o não é?

    Então para que servem as universidades, o ministério da ciência, as ordens profissionais? Então para que serve a apregoada sociedade competitiva, a concorência, o reconhecimento social dos melhores?

    Mesmo que a coisa fosse minimamente útil, a verdade é que jamais o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) estaria, pessoalmente, em posição de legislar em tal matéria.

    Quando a lata, o desplante, a tendência autoritária obcessiva, são mais importantes que a dignidade e o respeito próprio e alheio de cada um, vale tudo.

    Com que então, há para aí uns fulanos que dizem que eu não sou engenheiro? Ai é? Canalhas! Vão ver como elas lhes mordem! Eu nomeio uns tipos para tratar do assunto, e vamos a ver se sou engenheiro ou não!

    Assim vai a democracia.

     

    António Borges de Carvalho
  • ENGENHEIRAIS SUSPEIÇÕES

    O ilustre tachista Cravinho, qualificadíssimo e refasteladíssimo administrador, via nepotismo socialista, de um banco qualquer em Londres, ex-figura de proa do secretariado técnico do professor Marcelo Caetano, socialista esquerdóide e moralista ferrenho, resolveu atirar-se ao Presidente da República por este ter aceite o estudo da CIP acerca do novo aeroporto. Argumenta o engenheiro que Sua Excelência, antes de querer ver o tal estudo, se deveria ter informado sobre quem o teria pago.

    Antes de mais, sabida que é a ferrenha posição do indivíduo a favor da asneira da Ota, ocorre perguntar se se teria revoltado da mesma forma no caso de o tal estudo ser a favor da asneira. A resposta é fácil. Deixo-a aos leitores.

    O Presidente da Republica, na opinião de Cravinho, ao encomendar, por exemplo, um fato, deveria, antes de mais, assegurar-se de como o alfaiate teria entrado na posse da respectiva fazenda, das linhas, dos botões, das entretelas e dos forros. Após aturada investigação, feita uma comissão de inquérito especializada na difícil matéria, se o Presidente descobrisse que um dos carrinhos de linha a utilizar na manufactura tinha sido comprado sem IVA, enviaria o caso ao Procrador Geral e, naturalmente, não encomendaria o fato.

    Em alternativa, o Presidente confiaria no alfaiate, como confiou na CIP, a qual, sendo entidade credível, nada faria pensar ter financiado o estudo por meios menos próprios.

    Para o esquerdismo visceral do engenheiro, todavia, a CIP é uma entidade merecedora da mais alta desconfiança, sobretudo porque emitiu um parecer que não vai ao encontro dos desejos do desconfiado.

    Convirá perguntar por que obscuras razões, ao serviço de que interesses, a mando de quem, vem o acusador banqueiro, ou bancário, defendendo a indefensável e ridícula opção pela Ota. Se a CIP é suspeita, se os financiadores do estudo são suspeitos, se o Presidente é suspeito, por que carga de água não o há-de ser o engenheiro?

     

    António Borges de Carvalho
  • POBRETES, NÃO ALEGRETES

    Rezam as notícias que a procura de combustíveis por parte dos portugueses, em Espanha, se cifra, num só ano, nuns módicos 155 milhões de litros, ou seja, que as nossas bombas vêm a sua facturação diminuída de uns ridículos 163 milhões de euros. Por outro lado, aparece escrito que o estado socrélfio, com a sua inteligentíssima política fiscal, perde uns meros 84,4 milhões de euros em impostos por causa da estúpida tendência dos portugueses de ir abastecer em Espanha.

    Antes de mais, uma regra de três simples leva-nos à ignara conclusão de que, quando compramos um litrito de gasolina na pátria amada, 51,78% do que pagamos vai direitinho para os cofres do senhor Pinto de Sousa (Sócrates). É mais uma modesta contribuição deste povo iletrado e sofredor para a glória sem limites da genialidade do poder que temos.

    Depois, contas feitas por quem sabe dizem-nos que o gasóleo, em Espanha, é 11% mais barato que em Portugal, sendo a diferença, na gasolina 95, de 22%, o que nos pode, e deve, encher a alma de respeito e admiração pelo governo socialista.

    E se fosse ao contrário? E se os combustíveis fossem mais baratos em Portugal? E se se invertesse a tendência e passassem os espanhóis a vir abastecer-se do lado de cá? Será que alguém já fez estas contas? Não. Ninguém fez nem ninguém fará. Porque o socrapifiosismo não vê, nem quer ver, um palmo à frente do nariz. A solução que arranjou foi a de ir buscar a massa onde é mais prático, mais rápido e mais indolor para o poder. As pessoas que se lixem. Se há quem pague, meus amigos, para quê ter chatices a fazer contas, para quê ser imaginativo? Se o “interior” pode ser usado nas parangonas politiqueiras como grande prioridade, para quê pensar em quem lá vive? Isto da política, afinal, fica pela propaganda, e fica muito bem.

    Os pagantes são os mesmos, e são submissos. Maçadas para quê, se o taco está nos bolsos deles e é tão fácil ir lá buscá-lo?

     

    Entretanto, a esquerda, alegremente, vai fazendo greves, sob o olhar embevecido do senhor Pinto de Sousa (Sócrates). A direita, há que eras mergulhada num pântano de estupidez, vai-se suicidando aos poucos, e aos muitos. Onde é que isto vai parar? Como é que isto vai acabar? Não pensem nisso, se é que querem viver mais uns aninhos, pobretes, não alegretes.

     

    António Borges de Carvalho
  • UM CONSELHO DE AMIGO

    Um conselho à dona Teixeira da Cruz. No largo do Rato, há um edifício cor de rosa onde fornecem umas fichinhas com um punho ao canto, uma das quais pode ser preenchida por Vossa Excelência. Sem custos para o utilizador. É prático, barato, e dar-lhe-á montes de coerência.

     

    António Borges de Carvalho