IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • SOLIDARIEDADE SOCIALISTA

     

    O Presidente Soares arranjou mais um tachito no “serviço público” de televisão, organização do Estado a que o governo deitou a generosa mãozinha.

    A abrir uma série de programas em que funciona como jornalista, tipo Judite de Sousa, o Presidente Soares apresentou á Nação o seu amigo íntimo (dele e do senhor Pinto de Sousa) Hugo Chávez, lídimo dirigente político da América do Sul.

    Ficámos a saber, entre outras coisas, que Jesus Cristo era socialista e que o Che era uma reincarnação do Senhor em versão ateia. Apesar da insistência do senhor Soares acerca da sua crença no agnosticismo, o camarada Chávez em grande manifestação de fé, insistiu que nada seria possível sem o auxílio divino. Tivemos a dita de ouvir dizer, com a sorridente cumplicidade do Presidente Soares, que o senhor Fidel é um democrata e um justiceiro a quem o seu povo e o mundo muito devem.

    Ficámos, além disso, cientes da grande obra o Chávez no plano internacional, obra que consiste em trocar vacas, bois, tractores e mais o que der jeito por barris de petróleo. Ou seja, o camarada não faz descontos no petróleo que os demais não façam nos bois. Fica ela por ela.

     

    Nesta altura, a dos bois, fartei-me do Chávez e do Soares e mudei de canal. Não sei que mais esclarecimentos prestaram ao povo essas duas gigantescas figuras do socialismo mundial.

     

    Facto é que, em sintonia com o senhor Pinto de Sousa (uma no cravo outra na ferradura) o Presidente Soares trata de defender o camarada Chávez perante as massas, a fim de anular algumas estúpidas dúvidas, presentes em espíritos menos bem intencionados, quanto à confiança que o homem merece para cumprimento dos ternurentos acordos que celebrou com o nosso bem-amado primeiro-ministro.

     

    António Borges de Carvalho
  • ÊXITOS DO SOCIALISMO

     

     

    Com pompa e circunstância, o governo do senhor Pinto de Sousa anunciou ao mundo o extraordinário êxito da sua política educativa.

     

    Números redondos, então não é que, de 90% de chumbos a português e a matemática, se passou a 90% de estrondosas notas positivas? Não é miraculoso?

    Estava o Irritado a pensar muito seriamente em propor ao Vaticano a canonização imediata e incondicional do senhor Pinto de Sousa e da dona Rodrigues, á conta de umas centenas de milhar de públicos e notórios milagres, quando, de repente, ouve e vê, na televisão, umas entrevistas com os felizes examinados. Por unanimidade, a rapaziada opinava que as provas tinham sido de caras, uma xaxada, nem valia a pena ter estudado, qualquer analfabruto as faria sem dificuldade.

     

    Grande foi a desilusão do Irritado. Afinal não tinha havido milagre nenhum. Tratava-se, simplesmente, de uma genial forma de resolver um problema bicudo.

    Os alunos não são capazes de responder se lhes perguntarem o resultado de 4X4? Então pergunte-se-lhes quanto dá 2X1! Noventa por cento acerta na resposta.

    Se não sabem se foice é com cê cedilhado, com cê simples ou com dois esses, então pergunte-se-lhes como se escreve pá. Noventa por cento sabe que é com acento agudo.

     

    Assim se aumenta, exponencialmente, o número de respostas certas. O progresso escolar passa a ser indiscutível. A Pátria passa a ter literacia para dar e vender.

     

    Não são santos, mas são espertos!

     

    António Borges de Carvalho
  • FUTEBÓIS

     

     

    Se há intelectuais que não se perceba, são eles os da bola. Cá e lá fora.

    A moda, agora, talvez por influência do senhor Pinto da Costa, é a de que os árbitros são intocáveis. Façam as asneiras que fizerem, são intocáveis. Ao contrário do que diz a furibunda turba multa, são intocáveis.

    O Irritado pensa de forma diversa, se é, ainda, dado a alguém pensar de forma diversa. Acha que os árbitros devem ser criticados, castigados, investigados, responsabilizados pelas suas asneiras e desmandos.

     

    O Portugal-Suíça foi dirigido por um árbitro austríaco. Deverá, antes de mais, perguntar-se como é possível a UEFA seleccionar um árbitro austríaco para um jogo dos parceiros da Áustria no Europeu. E mais: como é possível que o senhor Funil (não sei se é funil, mas acaba em il) tenha aceite tal promiscuidade.

    Veja-se, agora, o resultado: um golo mal anulado (indiscutível), dois penáltis (um, pelo menos, indiscutível) por marcar, um penalti duvidoso indevidamente assinalado.

    Se considerarmos que todas estas asneiras funcionaram a favor da Suiça, teremos uma imagem clara do que são os árbitros, do que é a política da UEFA e de como é justo este pudor, este receio, esta timidez que põe os árbitros acima de críticas e homologa resultados obtidos a partir de múltiplas asneiras.

     

    Perguntar-se-á, ainda, por que carga de água hão-de o senhor Pinto da Costa e o senhor Loureiro ter problemas, se a coisa de que os acusam está institucionalizada ao mais alto nível. Ou será só incompetência?

     

    António Borges de Carvalho
  • CÓMODAS VIGILÂNCIAS

     

    Aqui há tempos, o Irritado insurgiu-se contra o facto de a vigilância do Jardim da Estrela ser feita por polícias devidamente instalados em automóveis Smart.

    Julgava o Irritado que a distinta PSP não leria o post em causa. Mas enganou-se. A PSP tomou as devidas providências.

    A ver:

    Ontem, o Irritado foi outra vez com as netas ao Jardim da Estrela. A cena do costume. Reformados a jogar à sueca, velhinhas a fazer croché, mamãs com carrinhos de bébé, criancinhas aos pulos, outras de skate board, patins, trotinetas.

    As netas andaram uma boa hora nas delícias do parque infantil. O avô, sentado num banco de jardim, à sombrinha, foi vendo, embevecido, a cena, enquanto fumava os seus cigarritos (que horror, que falta de civismo! E se alguém vai fazer queixa ao senhor Pinto de Sousa?).

     

    E foi durante essa fresca e feliz hora que o Irritado viu o resultado do seu post. Já não havia polícias a passear de Smart!!! Nem pensar! Andavam de carro de cinco lugares! Dois carros! Um com três polícias, outro com dois. Cinco prestimosos agentes da autoridade vigiavam, com ar de arcebispos, a multidão anónima e desprezível. Bem sentados, rádio ligado, ar condicionado, davam voltas e mais voltas pelas umbrosas áleas do Jardim da Estrela.

    O Irritado ainda pensou que, se cinco polícias andassem a passear a pé pelo jardim, dariam muito melhor cobertura à coisa e encontrariam muito mais pedófilos e outros prevaricadores. Isto, porque o Irritado é, indiscutivelmente, estúpido como as casas. O Irritado não percebe, manifestamente, que os polícias não se podem cansar, que trabalhar faz calos, que os carros da polícia, nos jardins, não atropelam ninguém que não se ponha à sua frente, que quem quiser que se desvie e que, num estado policial como o nosso, há que respeitar as fardas, façam elas o que fizerem.

     

    Espero que os distintos comandantes da PSP não leiam este texto, senão ainda põem os polícias a passear de autocarro no Jardim da Estrela!

     

    Com o devido respeito, e a vénia que esta gente merece.

     

    António Borges de Carvalho
  • ALMAS OFENDIDAS

     

    O celebérrimo casal MCann informou o orbe de que está chocadíssimo com a perspectiva de vir a ser acusado pelas autoridades portuguesas de negligência culposa.

    Negligência culposa? Que gente ordinária! Então não é de um extremoso amor paternal deixar três criancinhas sozinhas em casa, à noite? Então não é de louvar que os respectivos pais tenham feito o sacrifício de ir para os copos num restaurante vizinho, sacrificando, por exemplo, a boîte, por ser mais longe?

    Negligência? Que ideia mais estúpida!

    O que esta gente queria é que os lindos paizinhos se vissem obrigados a pagar a uma algarvia para lhes tomar conta das crianças enquanto nadavam em tinto! Exploradores! Dois pobres médicos mal pagos a sustentar uma selvagem qualquer com tal e tão estúpido pretexto! Não queriam mais nada?

     

    Espera-se, a bem do orgulho britânico, que a ignara mourama não tenha a coragem, o topete, a falta de respeito de os meter trabalhos para além dos que já vêm tendo, ao longo de um angustioso ano, com a correcta gestão do seu caso, com os seus financiadores, os seus fund raisers, os seus consultores de imagem, os seus adjuntos, assessores, secretárias, serventuários, agentes de publicidade, etc.

     

    Que diabo, já chega!

    Nada de injustiças!

     

    António Borges de Carvalho
  • CAÇAR ELEFANTES COM ESPINGARDA DE PRESSÃO DE AR

     

    Os deputados municipais do PSD resolveram propor uma moção de censura ao Fernandes pela indecente e má figura que o tipo fez, dizem eles, alugando o jardim da Praça das Flores a uns vendedores de automóveis. O homem diz que não, que não foi ele, foi um funcionário qualquer.

    Quer dizer, para além de inimigo da cidade e caloteiro, o Fernandes é cobarde, atira para as costas de terceiros aquilo que é de sua inteira responsabilidade. Nada que seja de espantar. Que o fulano não presta, já toda a gente sabia.

    Pena é que os deputados do PSD, em vez de andar à procura de minhoquices, não o tenham, logo após, ou até antes, da tomada de posse, processado pelos vários crimes contra a cidade que já cometeu e que são públicos e notórios.

    Um tipo que é um monstro, acaba por ser perseguido por razõezinhas de caca.

     

    António Borges de Carvalho
  • ESTADO DE DIREITO?

     

    Na Câmara dos Comuns, o governo de Sua Majestade Britânica viu-se aflito para fazer passar uma lei que aumenta para 45 dias o prazo em que os suspeitos de terrorismo podem ficar em prisão preventiva. A coisa deu brado. Se quem de direito não é capaz de deduzir acusação em trinta e dois dias, então que se liberte os suspeitos, opinava a oposição conservadora, acompanhada por largo número de trabalhistas. Quarenta e cinco dias! Um escândalo!

     

    Compare-se esta polémica com o que se passa em Portugal. Há quem esteja anos na pildra à espera que o acusem. E não há escândalo nenhum! É claro que os nossos polícias, os nossos juízes de instrução (tão espertos quando se trata de sindicalices), são de uma incompetência, de uma falta de profissionalismo, de um desprezo pelos direitos dos cidadãos que vão além do imaginável. É claro que o sistema em vigor não funciona, não protege, nem os interesses das pessoas nem os da Lei e do Direito.

     

    Estado de direito? Uma gaita!

     

    Dos transportadores espanhóis envolvidos nos criminosos piquetes, há um que já apanhou oito meses de choldra, e há mais uns cento e cinquenta acusados. Por cá, foram, no dizer cretino do primeiro-ministro, levantados uns autos. Daqui a dois anos haverá umas acusações. Daqui a dez, uns tipos apanharão uns dias de pena suspensa. Talvez.

     

    Estado de direito? Uma ova!

     

    António Borges de Carvalho
  • IRLANDA PARA A RUA!

     

    Não há referendos que não sejam uma aldrabice. A não ser, talvez, se a pergunta for extremamente simples e não se revestir de consequências políticas de monta. Pode perguntar-se a um habitante da freguesia de Badalhufe de Baixo se quer, ou não, um urinol público em determinado sítio. Será legítimo construi-lo, ou não, segundo a vontade da maioria? Talvez seja.

    Noutros casos, os referendos são sempre, substancialmente, um atentado à democracia representativa, a única que existe e que é, na conhecida expressão de Churchill, o pior dos regimes, se excluirmos todos os outros.

     

    Hoje e aqui, esta história de “devolver o poder ao povo”, de “auscultar a Nação”, etc., não passa de arma de arremesso dos Louças e dos Jerónimos, fanáticos inimigos da democracia representativa, ou seja, fanáticos inimigos da democracia tout court.

    Um referendo sobre uma matéria tal que o Tratado de Lisboa atinge as raias da loucura anti-democrática. Não está em causa saber se o tratado é bom ou mau. A generalidade dos portugueses, como a generalidade dos europeus, não faz a menor ideia a tal respeito, mais que não seja porque não conseguem imaginar, com um mínimo de segurança, quais as efectivas consequências da sua entrada em vigor. Exigir que os cidadãos digam sim ou não ao tratado é o mesmo que perguntar a uma criança o que é o coeficiente quântico de incerteza e esperar uma resposta com pés e cabeça.

     

    O referendo irlandês é uma demonstração clara desta realidade. Sob a batuta de um ex-terrorista profissional e de um demagogo rico de última hora, votaram contra o Tratado sem fazer a mais leve sombra de ideia acerca do que se tratava. Votaram Não, porque eram contra o aborto, como se o tratado tivesse alguma coisa a ver com tal assunto. Votaram Não, porque são contra o casamento dos maricas, como se o tratado lhe dissesse respeito. Votaram Não, porque são contra a eutanásia, como se houvesse, no tratado, alguma referência à coisa. Votaram Não, porque foram “informados” que o Sim significava aumento de impostos, como se o seu País não ficasse, em matéria fiscal, rigorosamente na mesma. Votaram Não, porque achavam que estava em risco a sua tradicional quão cobarde “neutralidade”, como se essa triste circunstância fosse “mordida” pelo tratado.

     

    Em casos anteriores, como os da França e da Holanda, o Não foi motivado por descontentamentos diversos, que nada tinham a ver com a matéria a votar. Votaram Não, para chatear os respectivos governos.

     

    A resposta maioritária dos irlandeses tem uma característica peculiar que nada abona em favor dos próprios. É que, sendo a Irlanda o país que, de longe, mais lucrou com a União, que passou de miserável, coisa que era há séculos, a rico, coisa que nunca foi, por causa dela, à custa dela, como se pode entender que não queira que ela tenha melhores condições de funcionamento? Estupidez? Egoísmo? Nacionalismo? Então, quando têm a barriga cheia dá-lhes para o nacionalismo? Céus!

     

    Na Irlanda ganhou uma estranha união entre a extrema direita do demagogo milionário americano de última hora e a esquerda republicana do Sin Féin, filha dilecta do terrorismo, com 4 deputados em 166. Juntos, fizeram uma campanha baseada em inverdades e invenções. Assim como se o senhor Louça e o senhor Jerónimo se juntassem àquele tipo, cujo nome não sei, do partido nacionalista. Ou seja, les bons esprits se rencontrent. Lá como cá, quando se trata de desacreditar a democracia (e não só), são iguaizinhos.

     

    E agora? Agora, sugere o Irritado, ponham os tipos na rua. Não é aceitável que a decisão legítima de 26 governos legítimos, representando 489 milhões de cidadãos, seja posta em causa por um milhão de irlandeses, ou idiotas ou desinformados. Se se deixasse vingar a vontade destes, então, adeus democracia na União. O remédio é, para aquela gente, acabar com o mercado único, taxar-lhes os produtos de exportação, fazer o que se sugeriu fazer aos catalães se insistissem em independentices.

    Meta-se essa gente nos varais! Daqui a uns anos, quando sentirem na carne as consequências dos seus actos, então que venham pedir batatinhas. Sugira-se que, nessa altura, não antes, lhes poderá ser dada uma nova oportunidade.

     

    Se não se tratar do assunto com firmeza a União está arrumada.

     

    António Borges de Carvalho
  • CITAÇÕES

     

     

    Da biografia autorizada de José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa:

     

    Era melhor ser engenheiro do que não ser

     

     Eu sou virgem

     

    Corro em cada cidade…  porque é a melhor maneira de a conhecer

     

    Eu já tentei ler o Hegel, mas… Não se percebe nada!

     

    Estive cinco anos sem fumar

     

    Fizemos uma figura de parolos!

     

    … sentia-me na pele daquelas mulheres urbanas que às dez da manhã acham que já fizeram meio dia

     

    Nestes três anos não se viu nada do que se passou no conselho de ministros nos jornais

     

    Tirem V.Exas. as ilações que entenderem.

     

    ABC

     

     

    Atenção: é opinião sincera do Irritado que, apesar da monumental barulheira que, sem dúvida, se irá fazer acerca de mais esta iniciativa do senhor Pinto de Sousa, não vai valer a pena comprar a obra…

     

     
  • ABSURDO E TRAIÇÃO

     

    Honradamente, e de acordo com as suas convicções, o Irritado subscreveu a petição contra o Acordo Ortográfico.

    Os manda-chuvas da petição deslocaram-se ao Palácio Real de Belém, a fim de apresentar a coisa a SEPIIIRPPDAACS. Até aqui, tudo bem. O problema é que o ilustre Dr. Graça Moura, chefe da delegação, explicou à imprensa que o Acordo não pode ser aceite porque contém inúmeros erros técnicos.

     

    O Irritado ficou irritadíssimo. Já não pode voltar atrás mas, se pudesse, voltava, e desassinava a coisa.

     

    É indiferente que o Acordo tenha erros ou deixe de os ter. O Acordo é um erro em si. Todo ele. O espírito que o informa. A filosofia que lhe serve de base. O objectivo que se propõe. É, fundamentalmente, acima e abaixo de tudo, uma indignidade, um erro político monstruoso, um atentado violento, terrorista, contra a língua portuguesa, e contra a Pátria da língua portuguesa.

    A língua portuguesa é e será sempre a que se fala e escreve em Portugal. Há nações, como o Brasil e a Galiza, onde são escritas e faladas versões adulteradas, ou regionalizadas, da língua portuguesa. Noutras, não se podendo usar a palavra “versão”, fala-se e escreve-se português com algumas variantes e expressões locais. E é tudo.

    Os outros têm o direito de derivar, como nós temos o de conservar o que é nosso. Se tais direitos forem respeitados, haverá sempre uma referência da língua, uma base, um útero, que é a raiz de tudo. Se, daqui a uns séculos, houver línguas lusas como hoje há línguas latinas, que honra para nós, que bem para o mundo!

    O Acordo Ortográfico, enquanto submissão às corruptelas do português que se usam no Brasil, é uma hedionda ofensa aos portugueses e um gozo estúpido para os brasileiros. Um absurdo sem nome.

     

    Porque será que nos deu para isto? Já viram os ingleses preocupados com as (pelo menos) dezasseis versões da sua língua? Já viram os castelhanos preocupados com as (pelo menos) vinte variantes da deles? Já viram os franceses, tão ciosos da francophonie, andar atrás dos canadianos e dos outros (pelo menos) quinze que usam a sua língua com liberdades próprias?

    Já viram algum destes países, que têm, como nós, línguas universais, submeter-se às versões de terceiros? Já viram algum deles “traduzir” obras literárias dos outros para a língua original ou para as versões dela, como nós, estúpida e indignamente, fazemos?

     

    É sabido que o gosto de ser português se resume, hoje em dia, a uns jogos de futebol. Mas, que diabo, porquê destruir, sem utilidade alguma, o último sinal de identidade que, para além do Ronaldo, nos resta?

     

    António Borges de Carvalho
  • PALEONTOLOGIA NUCLEAR

     

    Disseram-me que, naquele programa em que o Doutor António Barreto se sujeita, sabe-se lá porquê, a contracenar com o advogado/hoteleiro/tasqueiro/socialista Júdice,os intervenientes terão concordado com a tese de que a energia nuclear é indispensável para Portugal.

    Há para aí cinquenta anos que há quem diga o mesmo. Nos tempos do autoritarismo chegou a estar nos planos do governo. Até já havia localização (em Ferrel) para a primeira central. Depois… depois vieram os Ecologistas & Cª Lda., a demagogia barata, a aldrabice ambiental, e nada se fez.

    A água foi passando por baixo das pontes. Os países civilizados equiparam-se devidamente, e têm hoje, em perfeita segurança e sem estragos para o meio, energia mais barata.

    Por cá, nada. Até que o senhor Pinto de Sousa, quando lhe propuseram a construção de uma central, declarou olimpicamente que tal coisa estava “fora da agenda do governo”.

    Ou seja, declarou que, por sua decisão e ordem, continuaríamos a ser os atrasados mentais, e energéticos, da Europa.

    A demagogia ambiental continuou a percorrer o seu glorioso caminho para a estagnação e a miséria. Gasta-se milhões em auto-estradas que não são precisas, gasta-se milhões em aeroportos que toda a gente sabe ser os elefantes brancos do nosso futuro. Vão gastar-se milhões para poupar vinte minutos no comboio do Porto. E, talvez pior, enche-se o país de “energias alternativas”, com parques eólicos que produzirão energia ainda mais cara que a que já temos. Nuclear é que não.

     

    Interessante é verificar que, na Europa digna desse nome, são os próprios ecologistas a chegar à conclusão de que o nuclear é a mais limpa e mais barata das fontes de energia conhecidas, com experiência e tecnologia viáveis e seguras.

    Por cá, “está fora da agenda”.

    Por isso que tenha causado um enorme frisson na imprensa, a súbita descoberta dos intelectuais da SIC. Os fulanos tiveram a “coragem” de defender o que o cavernícola Pinto de Sousa e os ecologistas trogloditas abominam.

     

    António Borges de Carvalho
  • A LUTA CONTINUA

     

    A luta continua. Não, não é a luta pré-histórica do senhor Carvalho da Silva pelos amanhãs que cantam. Não é a luta dos pontapés na bola pela conquista da taça. É a luta da “informação” contra o Dr. Santana Lopes. Vá lá entender-se porquê. A balsemónica “Visão”, em vez de se preocupar com os malefícios do senhor Pinto de Sousa, vem zurzir o governo anterior por ter feito o negócio do Casino de Lisboa.

    Apesar de tudo.

    Apesar de o dito governo ter sido “dissolvido” há mais de três anos pela golpada do Dr. Sampaio.

    Apesar de toda a gente já ter percebido que o Estado fez, com o casino, um proveitoso negócio.

    Apesar de o poder judicial já ter percebido que a decisão traduz “uma solução legislativa equitativa não desconforme com o princípio do Estado de Direito”.

     

    Porquê, então, esta sanha persecutória?

    Embora já seja evidente que as pobres desculpas do senhor Pinto de Sousa se consubstanciam em meros ataques ao passado (nem que, para tal, seja preciso inventar dados, como no caso do défice inexistente e aldrabado), seria de pensar que a “informação” podia usar um mínimo de inteligência para tratar as notícias, em vez de continuar a ser veículo privilegiado da propaganda do governo.

     

    António Borges de Carvalho
  • DEVORISTAS

     

     

    No tempo em que vivíamos em ditadura, era-me descontado um por cento do vencimento a título de cota sindical. Nem sequer sabia a que sindicato se destinava o meu dinheirinho. Era obrigatório, e pronto.

    Logo que chegou o 25, apressei-me a dar instruções para que a coisa acabasse. Estava-me nas tintas para os sindicatos, fossem eles salazaristas, democráticos ou comunistas. E lá passei a empochar o meu rico um por cento.

    Depois, veio a “luta” pela “unicidade” sindical, coisa grata ao camarada Cunhal, para quem controlar o nascente movimento era fundamental para a gloriosa marcha a caminho da miséria, da fome e das demais benesses do “socialismo”.

    Fui a todos os comícios e manifestações contra a coisa. Essa batalha foi ganha, e nunca mais me vieram ao bolso com tais fantasias.

     

    Trinta e tal anos passados, um senhor que fuma havanos e dirige os sindicatos do PS, vem propor que ao pobre povo seja cobrado, queira ou não queira, uma importância qualquer, a título de pagamento das negociações dos contratos colectivos que o tipo faz com o governo. Quer dizer: na opinião do homem essa coisa de a cada um ser dado contratar livremente as suas condições de trabalho não deve existir. Assiste ao canalha o “direito” de representar quem lhe não deu procuração nem se filiou na sua organização. Perguntar-se-á em nome de que filosofia, de que cartilha, de que princípio advém a criminosa ideia. Perguntar-se-á qual é a noção de liberdade desta gente.

    A resposta é simples. É óbvio que o homem jamais avançaria com esta história sem o acordo prévio do chefe. Por isso que a arrancada para sacar mais uns milhões tenha toda a lógica. Trata-se de aplicar a noção de liberdade individual que mora na mente privilegiada do senhor Pinto de Sousa.

     

    Quem nem liberdade tem para usar uma colher de pau pode arrogar-se a liberdade de não pagar aos agentes do poder? É evidente que não.

     

    António Borges de Carvalho
  • DA BUFARIA INSTITUCINOLIZADA, OU DOS AMIGOS DO SENHOR PINDO DE SOUSA

     

     

    O fiel amigo do senhor Pinto de Sousa, de seu nome Hugo Chávez, acaba de tomar providências no sentido de evitar aqueles pequenos aborrecimentos a que o seu amigo é tão sensível.

    Os venezuelanos, sob pena de prisão, passam a ser obrigados a bufar sempre que forem intimados a fazê-lo pelos serviços secretos ou, mesmo não o sendo, a bufar sempre que saibam de alguma malandrice praticada pelos canalhas que não são apoiantes do regime. Os serviços secretos, por seu lado, passam a poder fazer as escutas que entenderem sem pedir licença a ninguém.

    Por cá, os apelos à bufaria, muito comuns no consulado de senhor Pinto de Sousa, ainda não se viram vertidos em letra de Lei, pelo menos com a sinceridade e a frontalidade do grande democrata e líder social da Venezuela.

    No entanto, segundo algumas informações secretas de que o Irritado dispõe, vontade não falta por aí. Há que ser fiel às amizades!

     

    António Borges de Carvalho
  • GOLPE CONSTITUCIONAL, JÁ!

     

     

    O glorioso Presidente Sampaio deu largas ao seu rancor em relação ao Primeiro Ministro Santana Lopes e ao seu profundo amor pela área política a que pertence mediante o (ab)uso dos seus poderes constitucionais.

    Ao tempo, para além das diatribes do senhor P. Pereira, do senhor R. Sousa, do senhor C. Silva e das mesnadas da imprensa e da má-língua, o país vivia em Paz.

    Agora, que o senhor Silva põe aos berros, na rua, uns largos milhares de pessoas, que o senhor Jerónimo e o senhor Louça lá despejam turbas multas aos molhos, que os camionistas ameaçam bloquear Lisboa, que a pangaiada é mais que muita, de que é que SEPIIIRPPDAACS está à espera para seguir o nobre exemplo do seu antecessor? Que raio, então dissolve-se o parlamento à pala da maledicência e não se dissolve quando há perturbações graves da ordem pública? O actual Presidente achou muito bem que o outro tenha dissolvido sem nenhum motivo concreto e palpável, e não dá a mesma golpada quando anda tudo aos berros? O golpe de Estado constitucional justifca-se quando se trata de pôr a direita na rua, e não se justifica quando se trata da esquerda? Que república é esta?

     

    António Borges de Carvalho

     
  • O “PÚBLICO” ERRROU

     

     

    O jornal privado que se chama “Público” informa, em primeira página, que um “dirigente máximo do partido” comunicou ao orbe que o PS não vai punir o senhor Alegre pelas suas malandrices.

    Ou muito me engano, ou anda aqui uma mãozinha marota. É que, dirigente máximo do partido há só um, o senhor Pinto de Sousa e mais nenhum! Portanto, o jornal, ou escrevia o dirigente máximo (equivalente a Pinto de Sousa), ou um dirigente, jamais um dirigente máximo.

    Consta que o senhor Pinto de Sousa pôs já em acção vários sátrapas, os serviços secretos, e uma quantidade enorme de “autoridades”, de “entidades” e de irmandades a investigar se houve alguém a intitular-se dirigente máximo ou se há, no “Público”, algum alegrista a escrever bocas falsas e ofensivas. Esperamos ansiosamente pelos resultados de tais diligências.

     

    António Borges de Carvalho
  • ELEIÇÕES E COMEMORAÇÕES

     

     

    Ponderosas questões se puseram na corrida à liderança do Grande Oriente Lusitano. Não, meus senhores, não se tratava de um novo modelo de avental, nem de mudar o olho de azul para castanho, ou vice-versa, ainda menos da quadratura do triângulo.

    O problema foi de gestão imobiliária. Segundo os jornais, uma lista queria concentrar o património, outra manter a desconcentração, ou coisa do género.

    Assim se vê como o betão também influencia as lojas, ou seja, mesmo quem pratica as mais nobres virtudes e se move pelos mais altruístas objectivos não fica imune aos mesquinhos interesses dos profanos. Ou então trata-se de histórica vocação bebida no pensamento do Grande Arquitecto, que ensinou as artes aos primitivos pedreiros.

     

    Por outro lado, é exigência dos Irmãos não ficar de fora das comemorações do centenário da República. Uma vez que o mui ilustre professor e ex-estalinista (em jovem e na idade madura) Vital Moreira foi corrido da alta missão que lhe incumbia, a de comandar as programações, e que outro senhor foi nomeado (por mais que puxe pela cabeça não me lembro do nome do homem), os Irmãos, imprópria, injusta e chocarreiramente conhecidos por “filhos da viúva”, não dispensam um papel cimeiro nos cerimoniais em preparação. É normal.

     

    Já agora, se ao Irritado é permitida uma humilde sugestão, conviria meter no assunto a Carbonária, caritativa instituição que ainda deve ter representantes por aí. É que, sem a prestimosa colaboração da Carbonária, teria havido menos assassinatos, menos bombas, menos motins, menos perseguições aos sindicatos, menos repressão, isto é, a República teria sido privada de muitas das maravilhosas realizações que ofereceu ao país.

     

    Que diabo, ou comem todos ou não há justiça!

     

    António Borges de Carvalho
  • GASOLINICES

     

    O rato que a montanha da Autoridade da concorrência pariu dá-nos uma imagem do estado em que estamos. Se acrescentarmos a nova filosofia da declaração obrigatória, por parte da Galp, da sua estrutura de custos e de formação de preços, teremos um quadro ainda mais completo da situação.

     

    Se, nos países em que os impostos são comparáveis com os nossos, ou até mais altos, a gasolina é mais barata, então:

     

    a)      As gasolineiras locais estão arruinadas, ou

    b)      O Estado local subsidia os preços por outras vias, ou

    c)      As gasolineiras portuguesas estão feitas umas com as outras para subir os preços, e

    d)      A Autoridade da Concorrência está feita com as gasolineiras para achar muito bem, e

    e)      O Estado está feito com as gasolineiras e com a Autoridade da Concorrência, para poder receber mais impostos sem subir os impostos.

     

    Nesta perspectiva, a imposição da “transparência” nos números da Galp (coisa extraordinária e, em si, indicadora de uma deriva totalitária, deriva aliás presente em muitas outras atitudes do governo) é uma forma de atirar areia para os nossos olhos, mais uma vez nos tratando como burros de carga.

     

    T.d.

     

    António Borges de Carvalho
  • SALVADORES DA PÁTRIA

     

     

     

    O maior defeito do capitalismo é distribuir desigualmente a riqueza.

    A maior virtude do socialismo é distribuir equitativamente a miséria.

    Sir Winston Churchill (tradução livre)

     

     

    Vem isto a propósito da pomposa festa que reuniu uma série de salvadores da Pátria no Teatro da Trindade. À cabeça, imponente, o senhor Alegre. Perdido de riso, o senhor Louça. Na primeira fila a pavorosa dama Benavente.

    Unidos estavam na vontade de invectivar o senhor Pinto de Sousa, patrão do governo mais à esquerda que a III República já conheceu (à excepção dos do camarada Vasco).

     

    Nestes miseráveis tempos em que o Estado toma, como nunca, conta das nossas vidas pessoais e sociais, em que os seus socialistíssimos tentáculos se apertam, cada vez com mais força, à nossa volta, decidem estas almas acusar o senhor Pinto de Sousa de… governar à direita!

    O sistema socretino á o mais acabado exemplo do que é o neo-socialismo. À semelhança dos ditadores socialistas de extrema direita (Salazar, por exemplo) e de tantos governos democráticos de esquerda (Sapateiro, por exemplo), o socretinismo escolhe uns parceiros “privados”, dá-lhes de comer à mão, entrega-lhes um enriquecimento que, por ser estúpidos, não entendem ter pés de barro, ao mesmo tempo que espalha, equitativamente, a miséria, a fome e o desânimo sobre os demais. Ou seja, o capitalismo no seu pior, o socialismo ao natural.

     

    Mas a burguesia bem pensante (a que ainda tem a barriga cheia) enche o teatro para dizer às gentes que devia haver ainda mais socialismo, isto é, que a tarracha devia apertar ainda mais, tudo com o pretexto da “solidariedade” e da “justiça social”.

    O problema, minhas senhoras e meus senhores, é que estas patacoadas passam para a opinião pública, quantas vezes com a prestimosa colaboração de intelectuais e políticos que se dizem não socialistas, como se de verdades se tratasse. Enquanto as pessoas não perceberem que a origem dos seus males está nas políticas socialistas, metidas na Constituição e sobre nós derramadas ao longo de muitas décadas (nas três repúblicas), este país continuará a atrasar-se em relação aos demais, incluindo os que saíram da miséria comunista e não querem, nem à bala, ouvir falar de socialismo.

     

    Quando aparecerá um líder que seja capaz de dizer a verdade às pessoas, de forma que elas a entendam e possam passar a votar a favor dos seus interesses e do futuro dos seus filhos, é coisa que ninguém saberá dizer. Será preciso, primeiro, bater no fundo? Então, que venha o BE e o Alegre, para batermos no fundo mais depressa.

     

    Entretanto, o senhor Alegre que ribombe invectivas à vontade, o senhor Louça que ria como um tarado com os votos que vai amealhando, a dona Benavente que deite a cabecinha de fora a ver se lhe calha qualquer coisita. Bom proveito lhes faça.

     

    António Borges de Carvalho
  • ROUBALHEIRAS

     

    Esta história dos combustíveis está para lavar e durar. Tanto o governo como a dona Manuela dizem que mexer nos impostos nem pensar. O estado acima de tudo. A sociedade que se lixe. As gasolineiras fazem especulação, investigue-se a coisa a fundo, o estado socialista é que não pode ficar prejudicado. A culpa é do capitalismo, do neo-liberalismo, do raio que os parta, de todos menos de estado socialista, coitado, que tem que viver, tem despesas para pagar, tem os seus compromissos. As pessoas, se não percebem, o problema é delas.

    E se o governo e a dona Manuela tiverem razão? Uma pergunta que quem tiver algum escrúpulo intelectual ou der algum benefício da dúvida a essa gente, não pode deixar de fazer.

     

    Alguns elementos para que, quem queira, encontre resposta:

     

    a)      Dos 25 países de UE que contam, há 5 que praticam um imposto sobre os combustíveis mais alto que Portugal;

    b)      São eles a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda e o Reino Unido (economias fraquíssimas, se as compararmos com a portuguesa!);

    c)      Nesses 5 países, há um (a Holanda) onde a gasolina é mais cara;

    d)      Dos mesmos 25 países, há dois onde o IVA é mais alto que em Portugal;

    e)      São eles a Dinamarca (25%) e a Polónia (22%);

    f)        Na Dinamarca, o preço da gasolina é 94% do preço em Portugal;

    g)      Na Polónia, o preço da gasolina é 76% do preço em Portugal.

     

    O primeiro critério põe-nos em 5º lugar, o segundo em 2º lugar, o terceiro em 3º. Grande país! Com um pequeno esforço, e ficaríamos à frente de todos!

     

    O Irritado conclui que o Estado, a dona Manuela e as gasolineiras são uma cambada de gatunos. Quem quiser tirar outras conclusões que o faça. Parabéns.

     

    António Borges de Carvalho