IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ABSURDO E TRAIÇÃO

 

Honradamente, e de acordo com as suas convicções, o Irritado subscreveu a petição contra o Acordo Ortográfico.

Os manda-chuvas da petição deslocaram-se ao Palácio Real de Belém, a fim de apresentar a coisa a SEPIIIRPPDAACS. Até aqui, tudo bem. O problema é que o ilustre Dr. Graça Moura, chefe da delegação, explicou à imprensa que o Acordo não pode ser aceite porque contém inúmeros erros técnicos.

 

O Irritado ficou irritadíssimo. Já não pode voltar atrás mas, se pudesse, voltava, e desassinava a coisa.

 

É indiferente que o Acordo tenha erros ou deixe de os ter. O Acordo é um erro em si. Todo ele. O espírito que o informa. A filosofia que lhe serve de base. O objectivo que se propõe. É, fundamentalmente, acima e abaixo de tudo, uma indignidade, um erro político monstruoso, um atentado violento, terrorista, contra a língua portuguesa, e contra a Pátria da língua portuguesa.

A língua portuguesa é e será sempre a que se fala e escreve em Portugal. Há nações, como o Brasil e a Galiza, onde são escritas e faladas versões adulteradas, ou regionalizadas, da língua portuguesa. Noutras, não se podendo usar a palavra “versão”, fala-se e escreve-se português com algumas variantes e expressões locais. E é tudo.

Os outros têm o direito de derivar, como nós temos o de conservar o que é nosso. Se tais direitos forem respeitados, haverá sempre uma referência da língua, uma base, um útero, que é a raiz de tudo. Se, daqui a uns séculos, houver línguas lusas como hoje há línguas latinas, que honra para nós, que bem para o mundo!

O Acordo Ortográfico, enquanto submissão às corruptelas do português que se usam no Brasil, é uma hedionda ofensa aos portugueses e um gozo estúpido para os brasileiros. Um absurdo sem nome.

 

Porque será que nos deu para isto? Já viram os ingleses preocupados com as (pelo menos) dezasseis versões da sua língua? Já viram os castelhanos preocupados com as (pelo menos) vinte variantes da deles? Já viram os franceses, tão ciosos da francophonie, andar atrás dos canadianos e dos outros (pelo menos) quinze que usam a sua língua com liberdades próprias?

Já viram algum destes países, que têm, como nós, línguas universais, submeter-se às versões de terceiros? Já viram algum deles “traduzir” obras literárias dos outros para a língua original ou para as versões dela, como nós, estúpida e indignamente, fazemos?

 

É sabido que o gosto de ser português se resume, hoje em dia, a uns jogos de futebol. Mas, que diabo, porquê destruir, sem utilidade alguma, o último sinal de identidade que, para além do Ronaldo, nos resta?

 

António Borges de Carvalho


2 respostas a “ABSURDO E TRAIÇÃO”

  1. Para gozo dos governos, de AMBOS os paises, pois o seu também aceitou. Você, algumas vezes, faz comentários recheados de ignorancia. Acordo ortográfio = gozo dos brasileiros? Como sei por fato que isso não é verdade, me pergunto quais são seus reais motivos para execrar tanto os brasileiros, até com inverdades. Os brasileiros também não gostaram desse acordo idiota. Não conheço uma só pessoa que tenha gostado, a não ser esses pseudo intelectuais linguisticos que aparecem na talevisão.

    1. Não sei onde leu que eu tenho seja o que for contra os brasileiros. Pelo contrário, acho que só nos honra que falem português, bem como que façam evoluir a língua como entenderem. A minha “guerra” é contra esta tentativa de unificação ortográfica que não interessa a ninguém a não ser a meia dúzia de “linguistas”.Acho que devia haver uma referência de “pureza” original da língua, em Portugal, como os ingleses têm em Oxford. Quem tivesse dúvidas que fosse lá, mas em imposições, sem tratados, sem acordos. Nada de política.Não sei se, assim, me entende melhor.

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