O glorioso Presidente Sampaio deu largas ao seu rancor em relação ao Primeiro Ministro Santana Lopes e ao seu profundo amor pela área política a que pertence mediante o (ab)uso dos seus poderes constitucionais.
Ao tempo, para além das diatribes do senhor P. Pereira, do senhor R. Sousa, do senhor C. Silva e das mesnadas da imprensa e da má-língua, o país vivia em Paz.
Agora, que o senhor Silva põe aos berros, na rua, uns largos milhares de pessoas, que o senhor Jerónimo e o senhor Louça lá despejam turbas multas aos molhos, que os camionistas ameaçam bloquear Lisboa, que a pangaiada é mais que muita, de que é que SEPIIIRPPDAACS está à espera para seguir o nobre exemplo do seu antecessor? Que raio, então dissolve-se o parlamento à pala da maledicência e não se dissolve quando há perturbações graves da ordem pública? O actual Presidente achou muito bem que o outro tenha dissolvido sem nenhum motivo concreto e palpável, e não dá a mesma golpada quando anda tudo aos berros? O golpe de Estado constitucional justifca-se quando se trata de pôr a direita na rua, e não se justifica quando se trata da esquerda? Que república é esta?
António Borges de Carvalho

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