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DIÁLOGO NO ÂMAGO DO PODER
Trrriiim-trrriiim…– Está…– É do Gabinete do Senhor Director?– Faz favor de dizer…– Daqui Jiripipiango da Costa, assessor de Sua Excelência…– Como está, Senhor Doutor? Vou passar imediatamente ao senhor Director!– Obrigado, minha senhora.…– Olá! Tá bom?– Bem obrigado, Senhor Doutor. Em que posso ser útil?– Meu caro, útil é você todos os dias…– Mmm… muito obrigado, Senhor Doutor.– Ora bem, temos aqui um problema. Disseram-nos que a tipa vai à concorrência…– Sim, sim, é verdade!– Ora bem. Temos que lhe pagar na mesma moeda.– Perfeitamente. Claro, é justo… se Sua Excelência quiser… amanhã… altera-se a programação e…– Tá doido? Qual amanhã, qual carapuça! Depois da entrevista dela! Temos que preparar a coisa para a arrasar, tá a perceber?– Com certeza, senhor Doutor, tem toda a razão, é evidente! Às suas ordens, Senhor Doutor!– Bom, antes de mais há que anunciar a coisa desde já, a fim de não parecer que houve encomenda.– Com certeza, Senhor Doutor, é já hoje! Aliás, não é encomenda nenhuma, já estávamos a pensar nisso… é de toda a justiça, não é? Enfim, o princípio do contraditório…– Pois, pois. Bom, tratemos agora do guião.– Do guião?– Claro, homem, do guião! Acha que Sua Excelência se sujeita a ser entrevistado sem um guião? Ai ai! Olhe o seu lugarzinho! Se corremos com a administração não foi para ter uns tipos a tergiversar sobre coisas sérias!– Com certeza, Senhor Doutor, tem toda a razão! As minhas desculpas.– Ora bem. Se puserem lá aquela doida que tem a mania de interromper as pessoas com perguntas estúpidas, apertem com ela. Sua Excelência não tolera impertinências.– E com toda a razão, Senhor Doutor. Já agora, se me dá licença, pomos lá mais um, para a calar se for preciso…– Está bem. Boa ideia. Agora, quanto às perguntas.– Podemos tratar disso, se o Senhor Doutor achar bem.– Você parece mas é que tem alguma deficiência mental. As perguntas vão daqui, em mão, pelo contínuo. Andamos nós a tratar de introduzir algum respeito na informação pública, e você a querer fazer perguntas à balda! Era o que faltava!– Desculpe, Senhor Doutor! Juro-lhe que não tinha intenção… enfim… não é…– Pois, pois. Então estamos combinados.– Com certeza, Senhor Doutor, cá esperaremos Sua Excelência.– Bom, se tudo correr bem… pensaremos em si na altura dos prémios de produtividade.– Muito obrigado, Senhor Doutor.– De nada. Continuaremos a trabalhar em conjunto a favor da independência da informação pública.– Com certeza, Senhor Doutor.– Passe bem.– Os meus cumpr…Clic.ABCSem comentários em DIÁLOGO NO ÂMAGO DO PODER -
INDEPENDÊNCIA JORNALÍSTICA
O SOLcrates de Sábado é uma delícia.Em três diferentes artigos, o director, o director adjunto e o sub-director zurzem a Dona Manuela como uns leões, e loam a magnífica prestação do senhor Pinto de Sousa.Melhor demonstração de orientação política do periódico não se pode arranjar. Dona Manuela foi o tema. Não de um editorial, mas de três, ou equivalente. Um autêntico concerto. Sócrates em lá maior, Manuela em si bemol. Maior subserviência ao poder, nem no “Portugal Socialista”.Dirão os meus críticos que o SOLcrates, para compensar, dá uma página ao Dr. Santana Lopes. Pois dá. Ao fim de uma data de anos a demolir o Senhor, a pisar desapiedadamente os escombros do Senhor, dão-lhe uma página. Sabem porquê? É fácil. Como o Dr. Santana Lopes não ficou contente com a eleição da Dona Manuela, é possível que venha a usar a sua página para a criticar.Talvez se lixem. O senhor é um Senhor.Sim, meus amigos, a luta do SOLcrates não é contra um nem contra o outro. É contra o PSD. Ou seja, é a favor do senhor Pinto de Sousa. Ou seja, do poder.Isenção à portuguesa.António Borges de Carvalho -
JUSTIÇA À LA CARTE?
Dizem os jornais de hoje que uma tipa que deixou o filho sozinho em casa foi presa por abandono de criança, o que é um crime público.A ver vamos o que faz a Justiça aos suspeitíssimos senhores MCann. Consta que vai ser tudo arquivadinho. Se assim for, ficaremos a saber que a diferença, no que ao abandono de crianças (pelo menos) diz respeito, está em ser mãe portuguesa pobre ou ser casal inglês cheio de dinheiro, de assessores, de propaganda…António Borges de CarvalhoPS. Já agora, uma palavrinha sobre o coro de críticas à Judite que por aí vai, com o pretexto de se não ter encontrado solução para o caso Maddie.No Reino Unido, mais de metade dos crimes deste tipo ficam sem solução. Mas nunca ninguém se lembrou, por cá, de dizer mal da Scotland Yard.Uma questão de fadismo? -
MARCELADAS
Por julgar que já tinham acabado as arengas do Prof. Marcelo RS, liguei a RTP1. O homem, que chatice, ainda lá estava. Fiquei preso àquilo, a admirar a beleza dos conceitos do académico. Em resposta à falta de contraditório referida pelo patético ministro da agricultura que temos, Marcelo opina que, “se ele quer debater”, então que “saia do governo”, e vamos a isso. Porque ele, Marcelo, como está fora da política (!?) pode ter opiniões. O ministro, se as quiser ter, que venha cá para fora. Faz lembrar os miúdos da escola a desafiar para a porrada os colegas de quem têm medo: “lá fora, levas”.Mais: o conceito (já histórico e de históricas consequências) de contraditório do Marcelo não é o de fazer um programa frente a frente com quem não o grame, é dizer a quem não concorda “venham cá para fora”. O mesmo que é dizer “agarrem-me senão bato-lhes”.Não é surpresa, mas não deixa de ser esclarecedor.António Borges de Carvalho -
OS AMIGOS DOS AMIGOS
O Irritado condenou, aberta e fortemente, as grandes amizades dos senhores Soares, Pinto de Sousa e outros muchachos pelo senhor Chávez, vaticinando um futuro sombrio às relações económicas entre este pobre país socialista e o socialismo petrolífero da Venezuela.Infelizmente, o Irritado tinha razão. Com pretexto na directiva do Parlamento Europeu sobre a emigração – ao contrário do que se diz, tal directiva humaniza as leis dos países onde era demasiado dura sem alterar a daqueles em que era mais soft, como é o nosso caso – o senhor Chávez pediu ao parlamento da Venezuela que legislasse no sentido de dar um pontapé no rabo às empresas europeias que por lá operam.Vai estalar a castanha na boca dos Soares e dos Pintos de Sousa. O problema não é que eles queimem as delicadas boquinhas, é o que nós iremos sofrer com as iniciativas do amigo deles…António Borges de Carvalho -
SARAMAGUICES
Pode gostar-se ou não das aventuras literárias do senhor Saramago. Numa coisa, porém, todos os que usam alguns neurónios estarão de acordo: o homem é, de longe, o mais desagradável de todos os portugueses. Antipático, pesporrente, convencidão, pedante, invejoso, chicaneiro, dono da razão e da justiça, etc.Vem isto a propósito de uma entrevista que a sua amantíssima esposa, não se sabe por que carga de água, deu a um jornal qualquer. É que a senhora consegue ser ainda mais desagradável que o marido! Leiam, e vejam como é possível uma pessoa alcandorar-se a um nível tão alto, tão alto, que a humanidade em geral passa a ser integrada por um bando de insectos, estúpidos, fascistas, incultos, desgraçados, machistas e idiotas. Safa-se ela e mais umas mulheres. Para além do dulcíssimo esposo, é claro.António Borges de Carvalho -
ESPANHOLADAS
Lá para terras de Espanha, anda uma propagandista a defender o “espanhol” contra a invasão das línguas catalã, basca e galega, que andarão a ameaçar a língua de Cervantes.O Irritado está-se nas tintas para os problemas da senhora.Se fala na coisa é para a informar que “espanhol” é coisa que não existe. Há, sim, várias línguas espanholas, entre as quais o castelhano, a que a senhora, impropriamente chama “espanhol”, e que é língua veicular.Já agora, talvez fosse bom chamar ao galego galaico-português…António Borges de Carvalho -
VENDA DE FETOS
Discretamente (não vi, nos jornais referências de maior à coisa), o venerando conselho de ministros aprovou um diploma incluindo as mulheres que abortam no subsídio social de maternidade.Segundo a filosofia governamental, ter um filho ou matá-lo antes de nascer tem, para o Estado, o mesmo valor.Mais uma benesse do socialismo.Um sistema prático para ganhar uns cobres.Uma menina necessitada não tem mais que truca-truca, que é uma coisa agradável, dirigir-se depois a uma instituição pública, tomar umas pastilhas oferecidas pelo povo, e receber o dela. É fácil, não dará milhões, mas compensa.Num país onde a natalidade desce todos os dias, o facto de não só se permitir o aborto livre, gratuito e incondicional, mas também de oferecer incentivos financeiros à sua prática é, pelo menos, um crime de lesa Pátria. Não se vislumbra onde pode um governo, seja de que cor for, ir buscar justificação moral e política para uma coisa destas. Ainda menos se pode imaginar que não haja, a tal respeito, uma tempestade mediática, um protesto visível das associações anti-aborto, da Igreja Católica, ou mesmo das pessoas que, sendo a favor do dito, se julgam com um mínimo de bom senso e de escrúpulo moral.Aqui fica o protesto do Irritado, para registo cibernético da porcaria em que estamos envolvidos. Da porcaria que, afinal, somos.António Borges de Carvalho -
SUGESTÃO CINÓFILA
Em mais um significativo avanço civilizacional, o governo tomou a louvável medida de mandar colocar, no pescoço dos cães (os gatos, coitadinhos, estão à espera de regulamentação), um micro chip que lhes conferirá a devida identificação. A coisa ficará submetida ao SICAFE, organismo público da área da DGV, que é dona da respectiva base de dados e que, nesta matéria, é concorrente da SIRA, que pertence ao SNMV. Estão a ver, não é?A brilhante medida deve inserir-se, como é de timbre, no âmbito do SIMPLEX.O Irritado, sempre preocupado em melhorar a performance governamental, permite-se sugerir que se ponha, nos cães, nos gatos e, sobretudo, nos respectivos donos, um outro dispositivo electrónico, desta vez anti-xixi e anti-cócó. O aparelhómetro seria munido de um detector de odores indesejáveis e emissões gasosas de natureza afim, e determinaria a quantidade de dejectos deixados sobre os relvados dos jardins onde as criancinhas brincam e nos passeios onde as velhinhas escorregam, permitindo determinar o contributo de cada animal de estimação e do respectivo proprietário para os incómodos e para os perigos sanitários provenientes das necessidades fisiológicas civicamente derramadas no chamado espaço público.O Estado poderia encontrar nesta medida mais uma fonte de receita, coisa de que, coitado, anda tão carente.Via ondas de telemóvel, os cacochips transmitiriam os dados a uma central electrónica, a qual estabeleceria, à semelhança do que acontece com o CO2, uma Taxa Mijocacotráquica, que permitiria, segundo critérios a estabelecer por via regulamentar, a quantidade admitida, para cada agente, de produtos sólidos, líquidos e gasosos. As autoridades competentes publicariam as tabelas das emissões cagómetras, urinómetras e peidáceas correspondentes ao valor de cada taxa, os animais seriam classificados, através de outras tabelas (a aprovar por portaria), em Cagões Leves, Médios e Pesados, variando as tabelas segundo uma fórmula já calculada pela Universidade Independente – Faculdade de Engenharia Sanitária, nos seguintes termos:T= qc + qu + pg x ic x cqimtirsputaEm que:T – taxaqc – quantidade de caca em quilos ajustados à milésimaqu – quantidade de urina em mililitros/horapg – pressão dos gases em baresic – índice de contaminaçãomtirsputa – média da taxa de IRS do proprietário nos três últimosanoscqi – coeficiente quântico de incerteza.Os cacochips seriam entregues pelo LNEC (secção de esgotos e ratazanas) aos proprietários, bem como aos cães e aos gatos, mediante requerimento em três vias, acompanhado de certidão narrativa completa de nascimento dos ditos, do último recibo de electricidade emitido em via especial pela EDP, de uma certidão de não dívida à Segurança Social, às finanças e ao Benfica, além de um termo de responsabilidade garantindo, por honra dos subscritores, que as emissões de dejectos previstas na tabela não seriam ultrapassadas.O não cumprimento deste compromisso seria considerado crime público, sendo o Código Penal alterado em conformidade pela Assembleia da República.Estes procedimentos, dadas a sua cristalina transparência e acessibilidade, seriam integrados no sistema SIMPLEX.Uma AACMTCGP, Alta Autoridade para a Caca, o Mijo e os Traques de Cães, Gatos e Proprietários, seria fundada e dotada de um Presidente, cinco Administradores, vinte e dois técnicos, cinquenta a quatro funcionários administrativos, dezoito secretárias, dez motoristas, seis contínuos e três porteiros. A referida Autoridade funcionaria segundo o tradicional sistema de cunhas, tão ao jeito dos portugueses.Eis uma modesta contribuição do Irritado, modelada no espírito progressista do governo e destinada a debelar o desemprego e a proporcionar aos que poluem as cidades e as vidas das pessoas com dejectos humanos e animalescos o enquadramento global e integrado da sua benemérita actividade.IRRITADOPS. Com os chips do governo ou com os cacochips do Irritado, a situação continuará a ser exactamente a mesma, pelo menos no que se refere aos legítimos interesses do cidadão. As mastrafonas e os porcalhões continuarão a espalhar pela cidade a trampa dos respectivos cãezinhos, as crianças continuarão a chafurdar no produto, as velhinhas a escorregar, as pessoas em geral a levar para casa, agarradas à sola do sapato, as excedências merdíficas dos animais de estimação, os relvados continuarão azotados e mal cheirosos, os polícias, se existissem nas ruas, assobiariam para o ar, os almeidas continuarão a não sujar a vassoura e o governo continuará a convencer as pessoas da excelência do simplex. O povo, esse, como é esperto e está bem informado, é capaz de ir votar outra vez no partido socialista. O mesmo farão, por diversas razões, os escolhidos do Pinto de Sousa, que não serão muitos, mas são eficazes.António Borges de Carvalho -
NOTAS SE QUARTA-FEIRA
CAGAÇOSOs habituais contestatários voltaram à rua para protestar contra o fecho da CRIL. Espera-se que o senhor Costa e o seu primo Pinto de Sousa, se não acagacem, se não borrem, como de costume, com as ameaças da multidão – olhem os professores, os pescadores, os camionistas – e não mandem parar as obras.Aqui há uns anos, o impensável senhor Miguel Coelho, grande líder e educador das massas socialistas da capital, deputado do PS, membro militante do GOL, apresentava na Assembleia Municipal de Lisboa um voto de protesto contra a demora do “feixo” (sic) da CRIL. Agora, que a coisa está a andar, espera-se que se “feixe” o mais rapidamente possível.O cagaço é mau conselheiro.PROPAGANDASO ex-bolchevista Vital Moreira, propagandista número um do governo socrélfio e atacante permanente da concorrência, publicou, no jornal privado chamado “Público”, uma extensa e prolixa diatribe (para receber o dele, o homem tem que encher ¾ de página a toda a largura…) contra a Dr.ª Manuela, a quem acusa, pelo menos, de oportunismo, demagogia, populismo e ausência de credibilidade.No esclarecido pensamento do académico propagandista, talvez ainda informado pelos princípios que enchem a alma do camarada Jerónimo de razão e o país de miséria, as obras públicas são o mais excelente, o mais reprodutivo, o mais fundamental dos elementos para a condução das sociedades ao progresso e à Justiça. Por isso que a Drª Manuela ande a pescar em águas turvas, em vez de embandeirar em arco com os buracos financeiros e os elefantes brancos que o senhor Pinto de Sousa tem para aí anunciado.Para completar o ramalhete, o propagandista alardeia o rol das maravilhas que o governo tem espalhado sobre a Pátria. Faz lembrar a célebre história do inventor de anedotas políticas a quem o Doutor Oliveira Salazar fez sentir que não era justo que fizesse humor sobre as inigualáveis maravilhas do regime. “Fiz isto, fiz aquilo, fiz aqueloutro”, arengou o autocrata. Ao que o fabricante de anedotas respondeu: “essa, senhor presidente, não é minha”…JUSTIÇARezam os cronistas que o processo da Maddie vai ser arquivado.Se assim for, passa a ser perfeitamente legítimo, pelo menos, abandonar criancinhas em casa enquanto os papás e as mamãs vão para os copos…Grande justiça a nossa!"EMPREENDEDORISMO"O grande magnata João Pereira Coutinho informou o orbe de que o problema do governo é não ter meia dúzia de Pintos de Sousa (Sócrates), em vez de um só.Em matéria de graxa, nunca vi melhor. São assim os nossos empresários. À boa maneira africana. A lei é uma chatice, o despacho é que é bom.António Borges de Carvalho -
O MENINO DE OURO
Finalmente, o livro cujas principais passagens o Irritado teve a subida honra de publicar (Cf. “Citações”, de 12 de Junho), foi lançado no mercado, com a devida pompa.As bem-pensantes vozes do grande socialista Vitorino e do empresário do PSD Dias Loureiro, trataram de devidamente incensar o biografado. Este, em notável demonstração da modéstia que o caracteriza, não estava presente. Enquanto os dois panegiristas se desunhavam a elogiá-lo em Lisboa, o senhor Pinto de Sousa estava, lá para o Norte, a lançar uma barragem, uns dez anos depois de o seu santo protector, o senhor Guterres, ter deitado para o lixo os 38 milhões de contos que ficaram enterrados em Foz-Coa, para que se desenterrasse uns bonecos quaisquer a que ninguém liga bóia e que vão custando mais uns milhões todos os anos.Utilizando um dom que ainda nos era desconhecido, o da ubiquidade, o senhor Pinto de Sousa matou dois coelhos, ocupando o dobro das páginas dos jornais com dois acontecimentos. A isto chama-se, não oprtunismo, mas boa gestão da "agenda mediática…O “menino de ouro” – por certo o ouro dos muitos milhões que já nos sacou e com que se propõe endividar os nossos filhos e os nossos netos e bisnetos – aparece de calções, de calças, com o papá, com a mamã, com os amigos, e assim por diante, numa demonstração do que é, à boa moda sovieto-africana, o chamado culto da personalidade.Não li, nem lerei, o tal livro. Mas, não sei porquê, aposto que não há nele referências aos belíssimos projectos de arquitectura que o menino de ouro concebeu e subscreveu, ou não concebeu mas subscreveu, tão pouco aos máximos mundiais que alcançou em matéria de desenrascanço universitário.O mais triste, no meio disto tudo, é a presença na sessão do senhor Loureiro e as loas por ele tecidas a quem se julgaria ser seu adversário político. O bloco central no seu melhor, pela mão de um cavaquista e actual proclamado leitista.Estas coisas não se fazem de borla. Têm além disso, neste caso, um significado político evidente: o apoio do Presidente da República e da chefe do PSD à “cooperação institucional” com os desmandos do PS e à preparação de um horrível futuro para todos nós. Bem pode a Dr.ª Manuela dizer que “bloco central só se estivesse louca”. O que se vê diz-nos, sem margem para dúvidas, que, ou já está louca, ou se prepara para enlouquecer.Anos atrás, quem chamou ao Dr. Santana Lopes “menino guerreiro” foi, com ele, queimado na praça pública. Ao senhor Pinto de Sousa tudo se pode chamar, desde que seja para incensar tão ilustre personalidade. Aí estão a imprensa e as televisões para achar tudo normalíssimo, e para tratar de convencer as pessoas de que o que era ridículo para um, se torna justíssimo e adequado ao outro.Ser socialista paga bem. Em ouro, que as commodities é que estão a dar.António Borges de Carvalho -
VALE MAIS CAIR EM GRAÇA…
Foi uma gracinha, esta guerra de dichotes entre o ministro da agricultura e o Marcelo R. de Sousa.Deu-nos imenso gozo ouvir o segundo a chamar ultra incompetente ao primeiro, classificá-lo como nulidade absoluta, e por aí fora. Encheu-nos o papinho ouvir o primeiro falar do “programa de entretenimento” do segundo, afirmar que não lhe ligava bóia, etc.O problema é que o impossível ministro, ao que parece mais especializado em bocas que em agricultura e pescas, se queixou da “ausência de contraditório” nos programas que o irritante académico vende à RTP.Poucos anos atrás, um ministro do governo do Dr. Santana Lopes queixou-se exactamente, rigorosamente, do mesmo. Lembram-se do que aconteceu? A imprensa, a rádio, as televisões, passaram semanas a esmiuçar o assunto. O senhor Pais do Amaral foi interrogado, a oposição exigiu um inquérito, o Presidente da República (valha-me Santa Engrácia!) chamou o Sousa ao palácio, a fim de, publicamente, lhe manifestar o seu superior apoio e a sua magnânima compreensão. O Sousa, acusando o Amaral de mentiroso, demitiu-se da TVI (dizem as línguas viperinas que já tinha um acordozinho com a RTP). Caiu o Carmo e a Trindade. Um governo que se atrevia a dizer que, nos marcelais programas, não havia contraditório, tinha que ser demitido, e quanto mais depressa melhor.Agora? Agora, nada. O assunto ocupou uns segundos nos telejornais, umas linhas nos jornais, e pronto. Morreu. Não passou de fait divers.Digam-me lá se não vale mais cair em graça do que ser engraçado.António Borges de Carvalho -
LEVAR NO PANDEIRO
Sob o nobre bom gosto da finíssima, delicada, imaginativa e esclarecedora sigla, ou slogan, “Quem Não Leva No Pandeiro Não É Homem Verdadeiro”, desfilou em Lisboa, de pleno direito, um cortejo de tarados, cropofílicos e malcheirosos indivíduos, cidadãos que têm orgulho em se tornar conhecidos por “atracar de popa”, “abafar a costeleta”, “pertencer à filarmónica”, “meter carga pelo porão”, ou por outras asserções menos explícitas que a que resolveram usar.Patéticos, uns magrizelas vestidos de cor de rosa, cheios de aigrettes, sapatinho de Cinderela, mini-saia, cuequinha de renda, rabiosque repenicado, davam pulinhos de contente pelas ruas. Umas fulanas e uns seres menos explícitos acompanhavam o préstito, cheios de pederástico-folclórica emulação. Intelectuais da organização encarregavam-se de prestar à comunicação social as devidas declarações, cheias de seriedade e de acendrado amor pelos “direitos humanos”. Os jornais trataram de noticiar a coisa com o devido relevo. As televisões e as estações de rádio não sei, porque, felizmente, passei uns dias sem me deixar atacar por tais organizações. Calculo que, a bem das criancinhas que vêm o telejornal com os papás e as mamãs, a rapaziada tele-comunicadora não deve ter deixado e dar o devido relevo a tão importante acontecimento.É sabido que, tendo o género masculino os dois cromossomas, ás vezes a natureza engana-se e dá primazia a um deles, o errado. É sabido que, não tão raro como seria de desejar, acontece que, por pura perversão, frustração, incapacidade de relacionamento com o outro sexo ou atracção pelo pivete – a sexualidade tem destas coisas – há fulanos que preferem “contactar” com o próprio sexo em vez de o fazer com o outro. As fulanas, que não têm a desculpa dos cromossomas, servem-se de outras para os mesmos fins. Coisas que “estão a dar”.De um ponto de vista civilizacional, o que marca a diferença não é a que separa o senhor Hitler e o senhor Ahmadinejad – que mandam matar esta gente – dos padres protestantes que os casam ou do senhor Sapateiro que manda fazer o mesmo e até quer que tenham filhos (filhos?).A grande diferença é a que separa a discrição e o respeito, pelo próprio e pelo alheio, pelas crianças, pela sociedade em geral, da propaganda desbragada e da defesa dos defeitos e malformações de cada um como se de excelsas qualidades se tratasse. É a constituição do conjunto dos aleijados e dos viciados em classe social, é a defesa dos vícios e das malformações, erigidas estas em fonte de direitos outros que não sejam os que ao tratamento fisiológico e/ou psiquiátrico se referem.À discrição e ao respeito chama a nova “civilização” hipocrisia. Ao pudor que levaria a guardar para si o que não deve ser público – mesmo o que é comum não deve, ou não devia, ser público – substitui-se o louvor, a visibilidade social e a criação de um corpo de barbaridades jurídicas destinadas a “igualar” o que não quer, ou não pode, ser igual.A palavra de ordem do desfile lisboeta expressa bem o que está em causa: a propaganda de um negócio sujo. Pois que levem no pandeiro e chamem homens a si próprios. Ninguém terá nada com isso, a não ser que incomodem terceiros.O que é, manifestamente, o caso.António Borges de Carvalho -
MACHOS E FÊMEAS
Já que estamos em maré de sexo, ou dos seus desvios, perguntemos:Podem os homens ser feministas?Esta magna questão ocupou um sem número de impolutos intelectuais durante umas horas, dizem os plumitivos de serviço.Um castelhano afirmou que “há muitos machos mas poucos homens”. Não se percebe bem o que isto quer dizer. O notável pensador encarrega-se, porém, de esclarecer o assunto. Afirma que há “distintas masculinidades”, delas destacando a “subordinada e marginalizada dos homossexuais”.Não é estranho que, numa conferência levada a efeito para defender o feminismo, o competente orador tenha resolvido defender os homossexuais, atribuindo-lhes inegável “masculinidade”? Julgo que as lésbicas devem ficar ofendidíssimas com esta descriminação. Então, e elas? O que serão?O extraordinário “nuestro hermano” esclarece que, contrariando os conselhos do papá, cada vez tem menos “respostas de homem”. Presumo que estará a dizer a verdade. Por isso, o homem (homem?) opina que “devíamos todas e todos ser feministas”. Não diz se se inclui a si próprio nas todas ou nos todos, mas a resposta a esta importante pergunta não deve ser lá muito difícil.Por sua vez, na mesma brilhante reunião, a dona Sónia Alvarez, muito conhecida lá em casa, opina que, na América latina, é preciso desenvolver uma “radicalização dos feminismos”, de forma a integrá-los na “resistência ao neo-liberalismo”. Até porque a senhora acha que “a agenda global do género interessa à tendência global para o neo-liberalismo".Estão a perceber? Eu também não.António Borges de Carvalho -
SIMPATIA SOCRETINA
A esfusiante simpatia, boa educação, humildade e tolerância do senhor primeiro-ministro não cessam de nos surpreender, com o agrado e a emulação que tão ilustre personalidade suscita nos nossos peitos agradecidos e veneradores.Na sua última declaração pública, fato liso, gravata lisa power tie, camisa lisa – como deve achar que é fino – o senhor primeiro-ministro, com um esgar de indignação e despeito, invectivou a “maledicência” da oposição a seu respeito, hediondo crime, suprema injustiça. Não contente com isto, o senhor Pinto de Sousa acusou os mesmos, com inteira razão, de “não apresentar propostas concretas”, de não contribuir para a boa governação, como, na sua esclarecida opinião, é seu dever. Sim, já houve pelo menos um país onde vicejavam partidos outros que o do poder, mas que, todos eles, se dedicavam honradamente a dizer bem do governo. Chamava-se RDA, e era um paraíso socialista que uns canalhas aniquilaram por causa da estúpida história de um muro qualquer.Os nossos corações não podiam rejubilar mais com as palavras de sua excelência.Ainda há (por enquanto!) por aí quem se atreva a dizer mal dele. Ele que, e que e que. Ele, que moderniza, que reforma, que acerta, que educa, que promete, que promete, que promete, ele que fará, um dia, obras públicas de fazer inveja ao Staline, ele, que heroicamente, suprema generosidade, só aumentará as SCUTS depois das eleições, ele que, com corajosa galhardia, se recusa a baixar o ISP e o IVA a fim de não lançar a Nação na bancarrota e permitir que o Estado tenha dinheirinho para gastar, ele, que à custa de benesses aos estrangeiros, consegue investimentos que fariam inveja ao Bangladesh, ele, que cria milhões de empregos que só a oposição não vê, porque é cega, porque não tem propostas, pelo menos propostas que lhe agradem, sim, que ele é o supremo juiz da qualidade das propostas dos outros. Só a ele cabe julgar, decidir, ordenar, castigar, mandar, cobrar, ai que bom, cobrar, cobrar, cobrar, cobrar intensamente!Quando se fará, a este homem sem igual, a justiça de só dizer bem dele, a justiça de lhe propor o que ele quer que lhe seja proposto? Quando?Ah! Portugueses mal agradecidos! Gente desalmada e grosseira!António Borges de Carvalho -
A IRLANDA E OS INTELECTUAIS COM OPINIÃO
A Irlanda está para a Europa como Freguesia das Mercês está para Portugal.Se a Freguesia das Mercês vota A, mas a maioria dos eleitores portugueses vota B, que interessa o voto da Freguesia das Mercês? Nada, ou muito pouco. Então, porque carga de água estamos todos à rasca porque uns vinte por cento dos irlandeses disseram não querer o Tratado de Lisboa?Queixam-se as elites pátrias da “Europa”, uma Europa que é liderada por governos legítimos, os quais, legitimamente e por esmagadora maioria, estão com o Tratado. Queixam-se, como se se tratasse de uma ditadura dos governos “contra” os povos europeus. E consideram óptimo que os irlandeses tenham demonstrado que o David pode bater o Golias, como um deles escreveu. Bíblica inspiração!Estão felicíssimos os Pachecos, os Barretos, os Alegres, todos do alto da sua “nobre” e “incontornável” “competência” intelectual. Do seu “escrúpulo” intelectual. E depois, dizem que os outros é que são populistas e demagogos!Que democracia para a Europa se for a Freguesia da Mercês a condicioná-la? Que defesa para a Europa, se a Freguesia das Mercês for cobarde e quiser parasitar a defesa dos demais? Que capacidade de funcionamento para a Europa se quem quer que seja pode impedi-la de fazer seja o que for?É evidente que a tal Europa tem inúmeros defeitos. É evidente que há um ror de burocratas que justificam o ordenado chateando as pessoas com pormenores idiotas. Mas não é o que se passa nas câmaras municipais, nos ministérios, nas repartições públicas deste país, todos os dias, a todas as horas? Não é isso o que é preciso erradicar, tanto por cá como na Europa? Então porque não se dedicam as ilustres inteligências a encontrar caminhos para resolver o que está errado, em vez de querer impedir que quaisquer canais de funcionamento aceitável, antes de mais político, possam ser abertos?O Tratado de Lisboa, como todos os tratados, devia funcionar entre e com aqueles que o querem subscrever.O grande problema, o maior perigo para a Europa, é esta cobardia de dizer que a Irlanda não pode ser excluída. Então porque votou contra? É óbvia, a resposta. Votou contra porque queria ficar de fora. Ou então, votou contra porque queria pôr os demais de joelhos, e aproveitar para os chantagear.Se o grande defensor, o grande arquitecto do Tratado, como diz a propaganda, foi o senhor Pinto de Sousa, e se o senhor Pinto de Sousa se abaixa, então o que vai ser da Europa?O que há a dizer à Irlanda é simples: se não querem, ficam de fora. Damos-lhes tempo para pensar. Quando quiserem reconsiderar, cá estamos. Entretanto, façam o favor de sair da UEM e as nossas fronteiras passam a funcionar para os vossos produtos.Se outros quiserem seguir os irlandese, não hesitem. Respeitaremos as vossas soberaníssimas decisões.Se os demais se abaixam, borrados de medo como o senhor Pinto de Sousa, então vê-se-lhes o rabinho. E vai ser o diabo.António Borges de CarvalhoPS. A este respeito, vale a pena ler um artigo que o Doutor António Barreto escreveu no jornal privado chamado “Público”. Aí se vê como o culto do rebarbativo, a paixão pela fraseologia prolixa, o amor ao “que está a dar”, a espampanância de conceitos, quantas vezes contraditórios, pode levar uma pessoa com vários dedos de testa a escrever as desconchavadas considerações com que Barreto nos brinda. -
ANEDOTA
Recebi este texto por email. Algumas são bem achadas. outras não tanto. Ms vale a pena dar uma olhadela. Aí vão, pelo preço de compra, e sem saber quem é o seu autor:
A ANEDOTA em que se transformou o País do Sócrates:-Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não
pode pôr um piercing.
-Um cônjuge para se divorciar, basta pedir.
-Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de
uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.
-Na escola um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode
fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que
dá ao seu aluno.
-Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um
idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.
-Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
-O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e
demora 3 anos a corrigir o erro.
-O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto da Ota
recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro.
-Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para
cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
-Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes
ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não
fiscaliza.
-Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só
porque não tinha uma placa a dizer que é proibido fumar.
-Um cão ataca uma criança e o Governo diz que vai fazer uma lei.
-Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa á das
causas sociais.
-O IVA de um preservativo é 5%. O IVA de uma cadeirinha de automóvel,
obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, assim como o das
fraldas descartáveis, é 21%.
-Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política
como ‘A Arte de aprender a viver com a decepção’.
-Um polícia bate num negro é uma atitude racista, um bando de negros
mata 3 polícias, não estão inseridos na sociedade.
– Um presidente de um clube de futebol, fala com o árbitro para
favorecer a sua equipa, esta mesmo desce de divisão, se lhe der
dinheiro é subtraído 6 pontos.
– Um clube inscreve um jogador mal, são lhe retirados 6 pontos, um
clube suborna um arbitro são lhe retirados 6 pontos.
– O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e
empregados, no Fórum Montijo a WC da Pizza Hut fica a 100mts, nem tem
local para lavar mãos.
– O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao
petróleo e depois multa que coloca óleo vegetal nos carros porque não
paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
– O ministério do ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao
combustível, no edifício do ministério do ambiente não há
estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que
utiliza a bicicleta.
– Nas prisões é distribuído gratuitamente seringas por causa do HIV,
mas como entra droga nas prisões?
– No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, o
primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por
faxe e é engenheiro.
– A inflação para ter os valores que tem, é baseado em que produtos?
Eis a lista:
ÁGUA DE MARIALVA, MARGARINA MARIA INÉS, PAO DE TRIGO DAS BERLENGAS,
SAL PURIFINADO DAS ILHAS SELVAGENS, COUVE DE AMARELEJA, FEIJAO BANHA,
CARNE DE SUINO ISRAELITA, LEITE DE LAMA, AZEITE IMPORTADO DO SURINAME,
BANANAS DA ISLANDIA, FRALDAS DESCARTAVEIS PARA ADULTOS COM 2,15 MTS,
PASSE SOCIAL ENTRE AS ILHAS SELVAGENS, CARNE DE DINOSSAURO, PEIXE
RARO, CAMARÃO DE TROMBA ARREGAÇADA, CHOCOS COM TINTA TRANSPARENTE,
ALHOS DO SRILANKA, AZEITONAS DA GUATEMALA, LIMOES DO SARA OCIDENTAL,
ARROZ DA JORDANIA, CARACOIS DA MONGOLIA, TOMATES DE LILLIPUT E SABÃO
MERCURIAL DA ETIÓPIA.
Com estes produtos e a sua variação anual se fixa a taxa de inflação
em Portugal de 2,1%
– Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal, um
jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para
droga é violência doméstica.
– Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar
outra o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver
conforme podem, 6 presos que mataram e violaram idosos numa sela de 4
e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de
direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.
– Militares que combateram em África a mando do governo da época não
lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, o
primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no
KOSOSO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.
– Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em
Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado
um dia já estas a pagar juros.
– Fechas a janela da tua varanda e estas a fazer uma obra ilegal,
constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.
– Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos pões a
trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho
infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em
gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais a criança tem muito
talento, sai ao pai ou à mãe.
– O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas
tomadas está mais prático e eficiente, não há registo de na última
década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP´s.
ABC -
TRAPALHICES
O notável advogado/hoteleiro/neo-socialista, etc., J.M. Júdice, em mais uma demonstração do seu colossal jogo de ancas, tomou a original solução de se demitir antes de tomar posse do fabuloso cargo de manda-chuva da zona ribeirinha de Lisboa. Uma boa notícia para os alfacinhas.A monumental quão ridícula pastelada em que a CML e o governo se meteram, atropelando-se mutuamente, apresentando projectos e fazendo declarações contraditórios, guerreando-se surdamente, dá, à malta que gosta de Lisboa, um formidável gozo.Tudo tem a sua lógica. A realização do(s) projecto(s) para a zona ribeirinha de Lisboa é, na mente privilegiada dos neo-socialistas e de SEPIIIRPPDAACS, digna forma de comemorar os cem anos do 5 de Outubro. Que melhor comemoração da desgraçada efeméride do que entrar em pessegadas, demissões, contradições, guerrilhas, dissenções e zangas de comadres?Os tempos mudaram, a coisa já não dá para uns assassinatos, umas bombas, umas cargas da polícia, uns sindicalistas para o degredo, umas golpadas de quartel, o que impede que a implantação da República seja comemorada em moldes mais compatíveis com a origem, a prática e as consequências do movimento de 1910.Em termos “europeus”, seria uma chatice. Por isso, ponha-se o Júdice a zangar-se com o Costa, o Costa à cacetada, moral e verbal, ao Pinto de Sousa, SEPIIIRPPDAACS a desdizê-lo, o Salgado a projectar contra o governo, o Fernandes a estrebuchar entre as exigências do Louça e as maledicências do Costa.Baralhe-se e dê-se de novo.A República tem, pelo menos para já, as comemorações que merece.António Borges de CarvalhoPS. Em demonstração da mais invejável inteligência, a CML apresentou, entre outros mimos, o projecto de uma praia artificial… no Poço do Bispo! Ondas artificiais, areia de plástico, piscina flutuante, etc. e tal. Não é lindo? Como, à volta da cidade, não há praias, nem ondas, nem mar – tal e qual como em Madrid ou Paris – há que dar aos lisboetas a possibilidade de se banhar nas salsas águas do seu rio. Uns milhõezitos para as construtoras, outros para a energia necessária à movimentação das ondas, outros ainda para uma sociedade gestora da coisa, mais o fundo de maneio, bons ordenados, etc., que melhor, mais necessária, mais luminosa ideia seria possível parir ao Costa? É que, para o poder neo-socialista, Lisboa escreve-se com um efe e com um zê, tal e qual como banana. -
SERVIÇO PÚBLICO
Sábado. 20 horas e 22 minutos no relógio da sala. O senhor Santos (Rodrigues dos) anunciou: “O PSD reuniu o seu congresso…”.A abrir o telejornal, futebol. Depois, umas coisas quaisquer para passar o tempo. Às 20 horas e 22 minutos, o congresso do PSD. Uns minutitos e… “voltaremos mais tarde ao assunto”. Assim foi, aos 45 minutos.Longe vai a meia dúzia de anos em que o “serviço público” esteve independente do governo. Longe vão os tempos em que, nos congressos partidários, se afinavam as coisas para apanhar, na abertura dos telejornais do Estado, o discurso do líder.A coisa, agora, fia mais fino. Quem quiser manchetes, tem que esperar pelo senhor Pinto de Sousa e pelo seu PS. Voltámos aos gloriosos tempos do PM Soares.E muito bem, que com isto de “serviço público” não se brinca. Ainda menos com o governo. E, com o senhor Santos (Rodrigues dos), nem pensar. Profissionais são profissionais.António Borges de Carvalho -
VAE VICTIS
Julgo que os chefes políticos, quando há eleições, têm sempre, pelo menos, dois discursos preparados. Um, para ser dito em caso de vitória, outro se as coisas correrem mal.Com os intelectuais da bola passa-se coisa semelhante. Ouvimo-los, sempre em linguagem oblonga e neológica, a bolsar elogios idiotas quando as coisas correm bem, e a arrotar as críticas que lhes vêm à cabeça no caso contrário. É assim. Têm sempre razão.Outra característica dos discursos desta gente – se são pensadores têm que saber a razão, a lógica das coisas – é a infalibilidade dos resultados. Os resultados são sempre justos, porque os pensadores descobrem sempre as razões profundas que os determinaram, mesmo que tais razões só estejam ao alcance de mentes profundas, que são as deles.Os alemães praticaram um futebol oportunista, bacoco, violento e pobre de espírito. Os portugueses deram um espectáculo magnífico, de esforço e de classe. O futebol dos boches foi premiado, o nosso castigado.É evidente que, pelo menos um dos golos germânicos podia ter sido evitado, se a nossa defesa tivesse estado à altura dos acontecimentos. É evidente, também, que um dos golos dos ganhadores foi obtido na sequência de uma falta não menos evidente. Também é evidente que os golos dos portugueses foram limpos, obtidos a jogar, bonitos, sem discussão possível.Por isso que fosse de elogiar a equipa portuguesa, de lamentar a sorte dos que menos futebol sabem jogar, e de criticar os árbitros que deram aos tudescos o golo ilegal que os fez ganhar.Nada disso sucedeu. Sobre a ignominiosa atitude dos árbitros, nem uma palavra. Sobre a luta insana e o futebol excepcional que a equipa portuguesa praticou, umas duvidosas migalhas. Não importa o que a equipa jogou, importa que “o Cristiano não estava nos seus dias”. Sobre a “justiça” da vitória nem uma palavra que não fosse de concordância e louvor.Da turbas multas que esperneavam bandeirinhas da República pelas esquinas, “umas dezenas” foram esperar a equipa ao aeroporto.Assim se vê como o patriotismo dos portugueses é forte, firme e profundo. Assim se vê como as “elites” da bola são inteligentes e criteriosas.Vae victis.António Borges de Carvalho
