Trrriiim-trrriiim…
– Está…
– É do Gabinete do Senhor Director?
– Faz favor de dizer…
– Daqui Jiripipiango da Costa, assessor de Sua Excelência…
– Como está, Senhor Doutor? Vou passar imediatamente ao senhor Director!
– Obrigado, minha senhora.
…
– Olá! Tá bom?
– Bem obrigado, Senhor Doutor. Em que posso ser útil?
– Meu caro, útil é você todos os dias…
– Mmm… muito obrigado, Senhor Doutor.
– Ora bem, temos aqui um problema. Disseram-nos que a tipa vai à concorrência…
– Sim, sim, é verdade!
– Ora bem. Temos que lhe pagar na mesma moeda.
– Perfeitamente. Claro, é justo… se Sua Excelência quiser… amanhã… altera-se a programação e…
– Tá doido? Qual amanhã, qual carapuça! Depois da entrevista dela! Temos que preparar a coisa para a arrasar, tá a perceber?
– Com certeza, senhor Doutor, tem toda a razão, é evidente! Às suas ordens, Senhor Doutor!
– Bom, antes de mais há que anunciar a coisa desde já, a fim de não parecer que houve encomenda.
– Com certeza, Senhor Doutor, é já hoje! Aliás, não é encomenda nenhuma, já estávamos a pensar nisso… é de toda a justiça, não é? Enfim, o princípio do contraditório…
– Pois, pois. Bom, tratemos agora do guião.
– Do guião?
– Claro, homem, do guião! Acha que Sua Excelência se sujeita a ser entrevistado sem um guião? Ai ai! Olhe o seu lugarzinho! Se corremos com a administração não foi para ter uns tipos a tergiversar sobre coisas sérias!
– Com certeza, Senhor Doutor, tem toda a razão! As minhas desculpas.
– Ora bem. Se puserem lá aquela doida que tem a mania de interromper as pessoas com perguntas estúpidas, apertem com ela. Sua Excelência não tolera impertinências.
– E com toda a razão, Senhor Doutor. Já agora, se me dá licença, pomos lá mais um, para a calar se for preciso…
– Está bem. Boa ideia. Agora, quanto às perguntas.
– Podemos tratar disso, se o Senhor Doutor achar bem.
– Você parece mas é que tem alguma deficiência mental. As perguntas vão daqui, em mão, pelo contínuo. Andamos nós a tratar de introduzir algum respeito na informação pública, e você a querer fazer perguntas à balda! Era o que faltava!
– Desculpe, Senhor Doutor! Juro-lhe que não tinha intenção… enfim… não é…
– Pois, pois. Então estamos combinados.
– Com certeza, Senhor Doutor, cá esperaremos Sua Excelência.
– Bom, se tudo correr bem… pensaremos em si na altura dos prémios de produtividade.
– Muito obrigado, Senhor Doutor.
– De nada. Continuaremos a trabalhar em conjunto a favor da independência da informação pública.
– Com certeza, Senhor Doutor.
– Passe bem.
– Os meus cumpr…
Clic.
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