Foi uma gracinha, esta guerra de dichotes entre o ministro da agricultura e o Marcelo R. de Sousa.
Deu-nos imenso gozo ouvir o segundo a chamar ultra incompetente ao primeiro, classificá-lo como nulidade absoluta, e por aí fora. Encheu-nos o papinho ouvir o primeiro falar do “programa de entretenimento” do segundo, afirmar que não lhe ligava bóia, etc.
O problema é que o impossível ministro, ao que parece mais especializado em bocas que em agricultura e pescas, se queixou da “ausência de contraditório” nos programas que o irritante académico vende à RTP.
Poucos anos atrás, um ministro do governo do Dr. Santana Lopes queixou-se exactamente, rigorosamente, do mesmo. Lembram-se do que aconteceu? A imprensa, a rádio, as televisões, passaram semanas a esmiuçar o assunto. O senhor Pais do Amaral foi interrogado, a oposição exigiu um inquérito, o Presidente da República (valha-me Santa Engrácia!) chamou o Sousa ao palácio, a fim de, publicamente, lhe manifestar o seu superior apoio e a sua magnânima compreensão. O Sousa, acusando o Amaral de mentiroso, demitiu-se da TVI (dizem as línguas viperinas que já tinha um acordozinho com a RTP). Caiu o Carmo e a Trindade. Um governo que se atrevia a dizer que, nos marcelais programas, não havia contraditório, tinha que ser demitido, e quanto mais depressa melhor.
Agora? Agora, nada. O assunto ocupou uns segundos nos telejornais, umas linhas nos jornais, e pronto. Morreu. Não passou de fait divers.
Digam-me lá se não vale mais cair em graça do que ser engraçado.
António Borges de Carvalho

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