Ponderosas questões se puseram na corrida à liderança do Grande Oriente Lusitano. Não, meus senhores, não se tratava de um novo modelo de avental, nem de mudar o olho de azul para castanho, ou vice-versa, ainda menos da quadratura do triângulo.
O problema foi de gestão imobiliária. Segundo os jornais, uma lista queria concentrar o património, outra manter a desconcentração, ou coisa do género.
Assim se vê como o betão também influencia as lojas, ou seja, mesmo quem pratica as mais nobres virtudes e se move pelos mais altruístas objectivos não fica imune aos mesquinhos interesses dos profanos. Ou então trata-se de histórica vocação bebida no pensamento do Grande Arquitecto, que ensinou as artes aos primitivos pedreiros.
Por outro lado, é exigência dos Irmãos não ficar de fora das comemorações do centenário da República. Uma vez que o mui ilustre professor e ex-estalinista (em jovem e na idade madura) Vital Moreira foi corrido da alta missão que lhe incumbia, a de comandar as programações, e que outro senhor foi nomeado (por mais que puxe pela cabeça não me lembro do nome do homem), os Irmãos, imprópria, injusta e chocarreiramente conhecidos por “filhos da viúva”, não dispensam um papel cimeiro nos cerimoniais em preparação. É normal.
Já agora, se ao Irritado é permitida uma humilde sugestão, conviria meter no assunto a Carbonária, caritativa instituição que ainda deve ter representantes por aí. É que, sem a prestimosa colaboração da Carbonária, teria havido menos assassinatos, menos bombas, menos motins, menos perseguições aos sindicatos, menos repressão, isto é, a República teria sido privada de muitas das maravilhosas realizações que ofereceu ao país.
Que diabo, ou comem todos ou não há justiça!
António Borges de Carvalho

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