O rato que a montanha da Autoridade da concorrência pariu dá-nos uma imagem do estado em que estamos. Se acrescentarmos a nova filosofia da declaração obrigatória, por parte da Galp, da sua estrutura de custos e de formação de preços, teremos um quadro ainda mais completo da situação.
Se, nos países em que os impostos são comparáveis com os nossos, ou até mais altos, a gasolina é mais barata, então:
a) As gasolineiras locais estão arruinadas, ou
b) O Estado local subsidia os preços por outras vias, ou
c) As gasolineiras portuguesas estão feitas umas com as outras para subir os preços, e
d) A Autoridade da Concorrência está feita com as gasolineiras para achar muito bem, e
e) O Estado está feito com as gasolineiras e com a Autoridade da Concorrência, para poder receber mais impostos sem subir os impostos.
Nesta perspectiva, a imposição da “transparência” nos números da Galp (coisa extraordinária e, em si, indicadora de uma deriva totalitária, deriva aliás presente em muitas outras atitudes do governo) é uma forma de atirar areia para os nossos olhos, mais uma vez nos tratando como burros de carga.
T.d.
António Borges de Carvalho

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