IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • NO INTERVALO HÁ PALHAÇOS

     

    A segunda mão das meias-finais da taça, na opinião do IRRITADO, correu mal. Isto, porque o Fatal perdeu, porque o árbitro era péssimo, porque estava a chover, porque o Cagarça mereceu o resultado, etc.

     

    Para amenizar a coisa, ao intervalo do espectáculo surgiram o palhaço rico e o palhaço pobre, a aproveitar a abertura em que havia mais gente nas bancadas.

    O palhaço pobre, há muito ausente do chapiteau, cara de caso, trombudo que nem um camelo, entrou mudo e saiu calado, como compete a quem está na mó de baixo.

    O rico, esse disse quase nada, e sem piada nenhuma.

    Concluirá quem o ouviu com ouvidos de ouvir que o 4º programa de estabilização do circo (PEC4) foi parar ao caixote. O almejado corte nas pensões mínimas do pessoal em arena foi esquecido, ficando só para os artistas milionários que recebem 1.500 euros por mês. O tão falado corte dos presentes de Natal foi também esquecido. Não se sabe quanto vão aumentar os bilhetes para o espectáculo, sendo de esperar que passem de 23 para não se sabe quanto. As cervejas e os cigarros do pessoal é de presumir que levem um pancadão, assim como os contributos para a sustentação de enfermaria, e por aí fora. O pessoal não artista, arrumadores, escriturários, técnicos de pista, etc. continuarão a ganhar o mesmo.

    Amanhã ou depois talvez o pessoal fique a saber mais alguma coisa.

    Os palhaços sabem que o que interessa é a primeira impressão, a impressão que chega mais longe, isto é, a que vai da primeira fila até à geral à hora em que há mais público.

    Por isso, não venham dizer o contrário. Não vale a pena. Toda a gente sabe que foi o palhaço rico quem lixou a trupe mas, conquistada a primeira impressão, pode o artista encarar o futuro com mais à vontade.

    De tal maneira que já tem em estudo em vários bancos a reestruturação da dívida do circo, de tal forma concebida que se venha a poder provar que a culpa foi dos tipos da bancada lateral.

     

    Amanhã há matiné.

     

    03.5.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA SAÚDE SOCIALISTA

     

    A maralha comuno-socialista anda aos gritos que isso de os que mais têm mais pagarem pela saúde é uma teoria populista e inconstitucional, para além de outros epítetos igualmente carinhosos.

     

    A primeira conclusão a tirar é que a fúria comuno-socialista contra os “ricos” tem os seus limites. Por outras palavras, para tal gente, a manutenção do pesado gigantismo do Estado é mais importante que a “lógica” das suas posições. Mesmo que tal gigantismo seja inviável e impagável (no sentido de não se poder pagar), mesmo que tenha que encolher, como já está, e não pouco, a encolher por falta de dinheiro e de competência governamental, o importante é que não haja qualquer toque na fímbria das “missões” do Estado que o socialismo criou, mesmo que para tal haja que proteger “os ricos” e sacrificar os que mais precisam.

     

    Ao comuno-socialismo é indiferente que haja ou não haja dinheiro para sustentar o SNS tal como existe. O dinheiro, para tal e tão irrefutavelmente estúpida fatia da nossa gente, é um pormenor sem importância e tudo o que o tiver em consideração está ferido de “economicismo”, bem como de falta de “humanidade” e de respeito pelos “direitos” das pessoas.

    Aqui temos o que é, verdadeiramente, populismo, e populismo na sua face mais aldrabona, até porque os adeptos do comuno-socialismo sabem tão bem como eu que, se ninguém pagar a saúde, o que sai prejudicado é a saúde de todos. Como não pode deixar de ser.

     

    A questão é avançada pelos comunistas, do PC ou do BE, nos termos habituais. O Estado é uma entidade para a qual a trabalha, não o contrário. Não se lhe pode tocar, nem que tal sacrifique a sociedade inteira.

    Para o PS, nestas coisas tão “democrático” como os pêcês, o princípio geral é o mesmo. Só que, neste caso, a coisa é mais “sofisticada”: proclama-se o princípio mesmo quando se está a pô-lo em causa. Importante é o que diz a demagogia e o populismo, não o que se vai fazendo.

    Filhos de cepa comum, pêcês e pêésses têm soluções parecidas, tão impossíveis umas como outras.

    Que importa? Há sempre quem coma o que lhe for posto no escaparate!

     

    Quanto à “inconstitucionalidade” a questão é simples. A norma da saúde “tendencialmente gratuita” pode ser interpretada de quarenta e cinco maneiras diferentes. O seu verdadeiro significado e a sua eficácia reduzem-se a zero com a maior das facilidades.   

     

     

    3.5.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA PRIMO-MINISTERIAL COERÊNCIA

     

    O Correio da Manhã de ontem referiu que os filhos do senhor Pinto de Sousa frequentam a Escola Alemã e o Colégio Moderno. Muito bem.

    Não sei quanto custa o Colégio Moderno. Sei que a Escola Alemã custa mais de 6.000 euros por ano e por aluno. O que quer dizer que, só em colégios privados, sua excelência deve gastar um mínimo de dez mil euros por ano. A não ser que a dona Maria Barroso e os alemães dêem borlas ao PM, o que não é nada provável.

    Imagine-se os sacrifícios que os pais fazem pelos filhos!

    Coitado do senhor Pinto de Sousa, que, para além de outras despesas – roupinha de marca, livros, divertimentos, transportes, cuidada alimentação, viagens, semanada, desporto, etc. – paga 30% do que ganha só no ensino!

    Não é de ter pena, ou de admirar a nobre atitude do senhor?

    Mais. Ele não põe os sadios rebentos em colégios com contrato, ou subsídio. Vela pela boa educação dos rapazes, custe isso o que lhe custar. Lindo!

     

    Esta notícia tem um conteúdo político importantíssimo. É que ficamos a saber que, como disse à sua empregada Judite de Sousa, na RTP, ele “não é desses”, isto é, não mete a família na política.

    Já se sabia que a família, a avaliar pelo tio, o primo, etc., não é coisa que se apresente. Agora ficou a saber-se que, ao mesmo tempo que anda para aí aos berros a gritar contra o ensino privado e a chamar os mais terríveis nomes a todos os que querem viabilizar, ou reestruturar, ou dar alguma lógica ao ensino em Portugal, mete as criancinhas a bom recato em boas escolas privadas!

    Poça! Já viram o que seria se as metesse na campanha, obrigando-as a conviver, calcule-se, com essa gentalha que anda no ensino público? Nem pensar!

     

    Convenhamos que uma coisa é a política, outra a vida de cada um. O problema é que, nos tempos que correm, quem não tem família para apresentar ou não a quer mostrar devia ficar em casa em vez de andar com desculpas idiotas.

    Então alguém leva a mal que o Joãozinho tenha andado toda a vida atrás do papá Mário? Alguém leva a mal que a dona Maria não largue as canelas do seu Anibalzinho? Alguém leva a mal que a família, mulher, filho, netos, apareça ao lado do pai Aníbal?

     

    Mas o senhor Pinto de Sousa “não é desses”. É doutros, e que outros.

    Não fora o Correio da Manhã e até a gente se convencia que o homem é coerente e verdadeiro na sua propaganda do ensino público, mesmo que fosse a primeira vez na vida em lhe tivesse dado um ataque coerência e de sinceridade.

       

    3.5.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA SERIEDADE SOCIALISTA

     

    A central de informação do PS tem sido, por uns (veja-se o magnífico artigo de Eduardo Cintra Torres no “Público” de 6ª feira), lapidarmente denunciada como diária manipulação de tudo o que poderia ser verdadeira informação, por outros é admirada pelo seu profissionalismo bandido e pela sua demoníaca eficácia.

     

    Se é verdade que quem tiver alguma atenção ao que se passa percebe o que há de falso e de fabricado por tal central, também o é que a esmagadora maioria dos eleitores, a que acresce a mesnada socialista, se contenta com a espuma da aldrabice do poder, que é o que aparece e é servido por um exército de profissionais, crédulos, comprados, ingénuos ou simplesmente maus.

     

    Veja-se o que se tem feito de uma proposta que alguns seres pensantes fizeram ao PSD sobre o “corte nas reformas dos desempregados”. Primeiro, , vista a proposta exclusivamente à superfície, é considerada como um acto de banditismo. Segundo, é atribuída ao PSD como se fizesse parte de um programa que ainda não pode ser tornado público, e muito bem, uma vez que só espíritos malévolos, aldrabões ou ignorantes, como o do senhor Pinto de Sousa, podem apresentar programas antes de saber os termos do acordo como o FMI & Cª.    

    Vale a pena analisar com um bocadinho de atenção a “criminosa” proposta, mais que não seja para contribuir para a denúncia dos métodos e “princípios” da central de informações do senhor Pinto de Sousa.

    Primeiro, propôs-se a afectação dos descontos para a segurança social aos diversos fins a que se destinam, isto é, as pessoas passariam a saber quanto descontam para a reforma, quanto para a saúde, quanto para o desemprego, etc., deixando de haver um “bolo” geral que vai sendo utilizado para isto e para aquilo, consoante a vontade “soberana” de quem o gere.

    Depois, propôs-se que, a partir de um mínimo de sobrevivência garantido, a reforma de cada um passasse a reflectir o que cada um para ela de facto descontou, e não o que o Estado ou os governos decidissem, pondo os descontos de uns ao serviço das reformas de outros, como vem acontecendo com resultados catastróficos, pelo menos em matéria de justiça.

    Assim, a partir de tal mínimo, cada um passaria a ser responsável pelo seu futuro, de cuja gestão poderia participar. A responsabilidade é uma coisa de que os cidadãos têm sido minuciosamente afastados, e que mal nenhum faria recuperar.

    Finalmente, propôs-se uma política de subsídio de desemprego menos ruinosa para o Estado, mais sustentável, e socialmente eficaz. Consiste ela na voluntária soma a tal subsídio de uma parte do rendimento da importância capitalizada para a reforma, como uma espécie de empréstimo que cada um faria a si próprio, precisando e querendo, e que poderia ser reposta quando a vida de cada um melhorasse. Ao mesmo tempo, desincentivaria a prática do desemprego “profissional”, coisa que toda a gente sabe que, largamente, existe, e que parece não interessar a ninguém.

     

    Diga-se que estas ideias não são novas, havendo vários países que as adoptam, no todo ou em parte. Países tão democráticos ou mais que Portugal, tão social-democratas ou mais que Portugal, entre outros a França, os países nórdicos, até a Espanha!

     

    Onde está o crime?

    Eu digo.

    O crime está na central de informação do PS, que pega no que é dito e o vira do avesso, ou o torce de tal maneira que aparece com cariz inverso do que, de facto, tinha.    

    O crime está nos órgãos de “informação”, que pegam na nata das coisas, tal como propagandeadas por tal central de informação, e as atiram à cara do povo como se fossem a última das verdades.

     

    É evidente que as ideias acima são discutíveis, criticáveis, têm qualidades e defeitos, como tudo nesta vida. Não deixam por isso de ser sérias e de merecer uma discussão séria.

    Uma discussão séria é a última das prioridades do senhor Pinto de Sousa e daquilo em que transformou o PS, coisa só comparável, nos nossos dias, ao partido comunista da Coreia do Norte: a “verdade” é o que sai da cabeça privilegiada do demagogo-mor, o que rezam as NEP’s da mentira, decoradas e papagueadas ad infinitum pelos seus sequazes, e aceites acriticamente por uma imprensa acéfala e sensacionalista.

     

    E ainda há quem vote nisto. Ainda há quem diga que, mesmo perdendo, isto tem que ir para o governo.

    Quem gostar de palhaços, que vá ao circo. Ao menos, não é levado a acreditar no que os palhaços dizem.

     

    1.5.11

     

    António Borges de Carvalho

  • OBRAS DO AMIGO DO ZÉ

     

    Pouco tempo depois de o Costa tomar posse, surgiu, no Campo Grande, um gigantesco cartaz anunciando ao povo ignaro que a piscina local, desactivada, ia ser devolvida ao uso público, reconstruída, funcional, toda bonita.

    Quantos anos passaram? Já nem sei. O que sei é que o cartaz já foi destruído pelo tempo, e nem cartaz nem piscina. Zero.

     

    Há dias, a Câmara do Costa, ou o Costa em pessoa, anunciaram à chamada comunicação social que a CML ia fazer grandes obras de recuperação do Caleidoscópio, moribunda estrutura ao abandono, por inviável, desde os saudosos tempos do Eng.º Abecassis.

    Ontem, 29 de Abril de 2011, leio municipais parangonas no jornal: “Lisboa renova 45 parques infantis e promete novas áreas de desportos radicais e aventura”.

     

    Daqui a 10 anos, se o Costa continuar a sua tão importante obra, as criancinhas cujos papás tanta esperança tinham de levar aos parques infantis do Costa já têm barba na cara e longos pêlos noutros locais. O Caleidoscópio terá ruído, invadindo o lago do Campo Grande – também ele completamente podre – com matacões de cimento e lixos vários.

      

    Isto, dirá quem ler, é má vontade contra o Costa. Mas, a avaliar pela piscina do Campo Grande, nem com a melhor boa vontade se pode pensar de outra maneira.

     

    30.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • NEM RATO, NEM ESTADO SOCIAL

     

    Segundo a fábula, a montanha pariu um rato, significando a miséria do que fazem os que muito prometem ou muito esbracejam.

    Desta vez, a montanha nem um rato pariu.

    Pariu nada.

     

    O senhor Pinto de Sousa anda há semanas a proclamar que o seu programa, e do FMI, é o PEC 4, o tal que, coitadinho, foi impedido de “implementar” e que prometia nada menos que cortar nas reformas mais baixas para arranjar parte do dinheiro que, há seis anos, a benefício da dívida, vem malbaratando. Isto para além de outros disparates de semelhante jaez, bem elencados, aliás, pelo ministro das finanças na sua célebre intervenção “explicativa” ou punitiva, de princípios de Março.

    Pois nem isso. O senhor Pinto de Sousa apresentou um “programa” que de programa nada tem. Generalidades, patacoadas sem sentido, “verdades” do amigo banana. Nada mais. O PEC 4 foi esquecido. O que era fundamental para “salvar” o país, o que até já tinha o apoio(?) da “Europa”, desapareceu como por encanto, substituído por um vazio total. No fundo, o que o senhor Pinto de Sousa decidiu, tendo percebido que já ninguém acredita em qualquer promessa que faça, foi dar um ar de continuidade, isto é, fazer ilegítima publicidade subliminar das impossíveis promessas.

    A montanha nem um rato pariu. Zero.

     

    O sacrossanto “Estado Social” que o senhor Pinto de Sousa, sempre que precisa de mais dinheiro, não hesita em paulatinamente destruir, é o cavalo de batalha contra os que o querem viabilizar com ideias mais inteligentes e mais eficazes que a mera cartilha socialista.

    O tal Estado Social, gerido pelo senhor Pinto de Sousa e pelo seu ministro das finanças, tem os dias contados, como toda a gente já sabe ou já devia ter percebido. Mas, a bem da ideologia estatista e autoritária que anima o socialismo em geral e o senhor Pinto de Sousa em particular, vale mais morrer mais tarde do que ceder nela, em vez de tentar dar-lhe saúde.

    Tudo o que seja mexer na forma de gerir o Estado Social e que não corresponda ao poder totalitário do Estado sobre ele, é considerado como violento ataque “liberal” ao dito.

    A seara de enganos, ajudada pela mais completa ausência de qualquer sombra de ideia reformista ou de programa político, continua a florescer, qual floresta tropical de árvores carnívoras, de cobras venenosas e de miragens propositadamente enganosas.

     

    A ver se a malta percebe.

     

    28.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • QUE TERNURA!

     

    O coração dos portugueses não pode deixar de sentir a mais profunda e comovida ternura pelo primo Basílio, perdão, pelo novel candidato socialista Basílio Horta.

    Mereceria até uma reflexão de epistemologia política, não fora ele ter vindo declarar que, sendo democrata-cristão, o seu partido não pode deixar de ser… o PS! Eis, finalmente, a reconciliação, verdadeiramente “cristã”, da fé com os seus inimigos, da Igreja com a Maçonaria, da direita mais direita com a esquerda mais rasca, da virtude da verdade com o vício da mentira, do antigo representante da direita nas eleições contra Soares com os irmãos de Soares, de um Homem com letra grande com outros a quem letra grande reconhece.

     

    Lindo! Notável! Coerente!

     

    Lado a lado com o herói do Big Brother, aí temos o primo (dos socialistas), por certo irmão dos filhos da viúva, a reforçar, na política portuguesa, a dignidade e a honradez de que o PS é tão nobre exemplo.

     

    Que ternura!

     

    29.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CONVERSA PERIGOSA

     

    Para variar dos assuntos do momento, uma pequena incursão numa coisa mais universal: a polémica dos transgénicos.

    Desde a mais remota antiguidade vem o homem manipulando a Natureza a seu favor e, as mais das vezes, a favor da própria Natureza.

    Não comemos uma fava nem um bife que não tenham sido objecto de modificação induzida pela humanidade numa Natureza que, deixada a si própria, teria, há milhares de anos, deixado de ser capaz de alimentar a nossa espécie.

    O que é um enxerto numa árvore ou o apuramento de uma raça senão uma manipulação genética?

     

    Quando, porém, tal manipulação deixa de ser obtida por processos clássicos e é objecto de apuramento científico e técnico, manda o politicamente correcto que se lance um anátema sobre “modernices” conseguidas por horrendas multinacionais que investigaram o assunto e ganham dinheiro com isso.

    Vê-se bem a carga ideológica da coisa, desta vez “estribada” em excessos de imaginação que fabricam terríveis pragas e letais doenças a partir da cultura e da ingestão de vegetais geneticamente modificados.

    Há uns bons 15 anos que os EUA entraram na produção “industrial” de milho, de soja e de algodão. Ainda não foi identificada nem uma praga que tais culturas tenham provocado, nenhuma epidemia, nenhuma nova doença com comprovada origem nas produções transgénicas.

    O que foi provado foi a obtenção de espécies vegetais mais resistentes e muito mais produtivas.

     

    Que interessa isto aos “ecologistas” ou aos ideólogos do socialismo? Nada. O que os move não é qualquer lógica elementar nem qualquer interesse no progresso da humanidade.

    Move-os a política primária do terror e o ódio visceral a tudo o que tenha origem “capitalista”.

     

    Diz-se por aí que, dentro de relativamente pouco tempo, a humanidade atingirá os sete mil milhões de bocas.

    Ou a humanidade continua o que sempre tem feito, isto é, a manipular genéticamente as espécies de que a sua natureza omnívora precisa, ou morrerá de fome.

    É esta a escolha. O resto é conversa, e conversa perigosa.

     

    29.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • UNIÃO NACIONAL

     

    Há montes de coros e de coristas a proclamar a necessidade absoluta e “patriótica” de meter no mesmo saco os três partidos democráticos.

    Outros andam a dizer que tal proposta se confunde com uma espécie de ressurreição da União Nacional.

    Chamem o que chamarem à coisa, há várias questões que se colocam.

    A primeira é a de saber se o PS ainda é um partido democrático, ou seja, se é democrático um partido chefiado por um aldrabão autoritário, à vontade do qual se verga, aceitando e, pior, louvaminhando as suas diárias e despudoradas trafulhices.

    Se o PS ainda é considerado democrático, então há que perguntar se vale a pena fazer seja que acordo for com gente que NUNCA disse a verdade, NUNCA cumpriu um compromisso, NUNCA foi fiel a nada, nem à sua própria palavra.

    O problema não é o de saber se um acordo do PSD e/ou do CDS com o PS é, ou deixa de poder ser comparável à “união nacional”. O IRRITADO acha que não é, mas a questão, em si, não faz nenhum sentido.

    Saber que resultados se podem esperar de um arranjo qualquer em que entre o PS do senhor Pinto de Sousa, esse sim, é o problema.

    Os arautos da “concertação” sabem isto tão bem como o IRRITADO. Então porque não dizem eles a verdade, ou não optam por se calar? Numa democracia que se quer livre não é bonito esconder o que se pensa.

    Toda a gente já o percebeu. Pensam que o país precisa, mais ainda do que de dinheiro, de sacudir de uma vez por todas a canga que o senhor Pinto de Sousa lhe impôs, à custa de enganos, de incompetência e da mais radical desonestidade.

    É isso que pensa, claramente, o ex-presidente Soares, o ex-presidente Eanes ( o ex-presidente Sampaio é outra história…), o Doutor Barreto, e tantos outros que para aí berram a favor de uma união que só pode dar mau resultado se um dos seus elementos for chefiado pelo fulano do costume.

    O que é parecido com pleitear por uma União Nacional é o forcing que se anda para aí a propagandear para que se crie uma convergência de gente animada por recta intenção com um fulano que só sabe exercer o poder à custa de mentira e demagogia.

     

    28.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CONTAS SOCRÉLFIAS

     

    Em prestimosa cooperação com as comemorações do 25 de Abril, o governo presenteou a Nação com mais um dos seus habituais prémios: Mais 0,5% no défice!

     

    E ainda há quem diga que mal faz Passos Coelho em querer saber a verdade das contas públicas! E com toda a razão, já que a verdade das contas públicas é uma coisa que não existe.

     

    As contas do orçamento estavam erradas.

    As contas do PEC 1 estavam erradas.

    As contas do PEC 2 estavam erradas.

    As contas do PEC 3 estavam erradas.

    As contas do PEC 4 estavam erradas.

    As contas apresentadas ao FMI estavam erradas.

    As contas do défice de 2010 estavam erradas, um.

    As contas do défice de 2010 estavam erradas, dois.

     

    Ontem, um filhote do senhor Pinto de Sousa, conhecido pelas suas actividades nepotistas, veio declarar que o novo aumento do défice se ficava a dever a um aumento… da receita! Genial!

     

    E ainda há quem diga que mal faz Passos Coelho em querer saber a verdade das contas públicas!

     

    Se o FMI desata a escarafunchar

    Onde é que a gente vai parar?!

     

    25.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • Ó CAPUCHO, ESSA NÃO!

     

    No melhor pano cai a nódoa. É o caso.

    Então, ó Capucho, estavas tão doentinho quem nem podias ser mais presidente da câmara, e afinal andavas a ver se abichavas uma candidatura à presidência do parlamento? Valha-nos Santo Ildefonso!

    Eu percebo, ó se percebo, que tenhas ficado furioso com a história do Nobre. Eu também ficaria. Mas era um problema entre ti e o Passos. Ninguém sabia do assunto. Se estavas chateado deixavas de falar ao homem, ou coisa do género. Mas, que diabo, vires para os jornais dar à casca, homem, nem parece teu!

    Ainda por cima fazendo o mesmo que o Nobre queria fazer, metendo os pés pelas mãos, naquele estilo meio palerma que o caracteriza. Vice-presidente, tu, com o teu currículo? Vice-presidente do Nobre, se o Nobre fosse eleito? Como eu te compreendo. Mas vir dizê-lo, vires pôr-te ao mesmo nível?

    Está tudo meio doido nesta desgraçada terra.

    O Nobre queria ser o que não vai ser, o que não pode ser.

    E tu, ó Capucho, metes-te no mesmo saco?  De doentinho e incapaz passas a altíssimo político, com justas ambições, cheio de saúde? E dás à casca? Não vês que, de repente, pelas tuas próprias mãos, passas de grande senhor que és a um tipo igual aos outros?

    Do coração te desejo que não estejas doente. Do coração te desejo que, se estiveres doente, te ponhas bom. E que Deus nosso Senhor te dê o juízo que já tiveste e que parece que a doença te levou.

     

    25.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PÚBLICAS VIRTUDES

     

    Desde que, nos idos de 82, o Dr. Magalhães Mota, já falecido, inaugurou a perseguição aos políticos com a célebre lei das declarações de património, e não só, nunca mais os políticos deixaram de perder qualidade, nunca mais deixou de imperar o compadrio e, até, a corrupção.

    As pessoas de bem, as que têm a alguma coisa, ou muito, a perder – não estou a falar de dinheiro, ou só de dinheiro – foram-se afastando à medida que o escrutínio público fazia caminho e era fornecida à população, em doses maciças, a impressão de que os políticos, pelo simples facto de o ser, não mereciam consideração nem confiança, antes leis e vigilâncias especiais.

    Os bem-intencionados cuidados do Dr. Magalhães Mota tiveram, com o rolar dos tempos, as mais perversas consequências, entre as quais avulta, como gritante exemplo, o facto de um indivíduo da categoria pessoal, mental e cultural do senhor Pinto de Sousa chegar a primeiro-ministro e lá se manter ao longo de dois mandatos, apesar dos rabos-de-palha e dos esqueletos no armário em que tão pródigo é, bem como dos catastróficos resultados da sua acção.

     

    O excesso de “moralidade” acaba sempre por afastar os bons e promover os incapazes. Quando se cria leis especiais, seja a respeito do que for, seja contra ou a favor de quem for, não é só a ordem jurídica que fica mais pobre, na medida em que a lei deixa de ser geral e abstracta. É também a sociedade que, através dos novos labirintos que a lei cria, fornece aos que prevaricam os atalhos e as escapatórias que a selva legal nunca deixa de proporcionar.

     

    Outra matéria em que a “preocupação” legislativa tem criado as mais inacreditáveis trapalhadas é a que diz respeito ao financiamento dos partidos políticos.

    Em nome da “transparência”, criou-se a mais opaca das situações. Em vez de ser livre, desde que devidamente declarado, financiar partidos políticos, é proibido. O resultado é que, quem quer, continua a financiar, só que às escondidas. A coisa é tão estúpida que nem sequer previne os chamados favores. É evidente que, se uma empresa, um particular, quem seja, financia um partido à procura de favores, nada melhor que fazê-lo na clandestinidade. Se o fizesse às claras, os tais favores ficariam com o rabo de fora!

    Do outro lado, isto é, do lado dos que contribuem mais modestamente para os partidos da sua preferência, chega-se ao ponto de querer identificá-los! Como se fosse possível, ou justo, identificar os tipos que compram umas bejecas ou uns emblemas na festa do avante, ou dão uns tostões ao CDS num comício qualquer!       

     

    Alegadamente para evitar financiamentos indutores de corrupção ou favores, o Estado, em Portugal como na generalidade dos países europeus, financia a actividade partidária. O processo é discutível, mas como sem partidos não há democracia, compreende-se. O que se não compreende é que, em nome de altos princípios, se proíba o óbvio e se proteja a candonga.

     

    Há para aí uma petição, originária de uma organização qualquer que anda a ver se elege um deputado, no sentido de o Estado não financiar a campanha eleitoral que se segue. Poderia admitir-se, dada a crise do socialismo doméstico, que se pedisse contenção, redução de verbas, limites ao uso de meios publicitários pagos, etc. Mas não. O que esta malta vem exigir, já que não tem expressão social para receber alguma coisa que se veja ou eleger seja quem for, é cortar tudo a todos. Por outras palavras, trata-se de demagogia e de oportunismo eleitorais, não de coisa louvável, respeitável ou responsável.    

     

    Cuidado com os moralistas!

     

    24.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • POBRES DE NÓS!

     

    Quando José Saramago proferiu a máxima “Fazer de cada cidadão um político”, ou se enganou ou estava a pensar nos regimes em que sua ideologia foi ou é aplicada e em que o conceito de cidadão e de político se aplica aos membros do PC que souberem seguir, sem tergiversar, as ordens do comité central.

     

    Esta nobre máxima é o leit motiv da rapaziada da manifestação à rasca, que agora se institucionalizou. Pelo menos, é com tal emblemática expressão que abre o seu manifesto.

    Nada a dizer. Querem fazer um “movimento”, pois que o façam em total liberdade.

    Em boa coerência, nem precisariam de se legalizar. Podiam aplicar o conceito das coisas de facto que, como os “casamentos”, passam, por encanto e à vontade do freguês, a ser de jure, com a notável consequência de passar a ser indiferente cumprir ou não cumprir a lei e assumir ou não as responsabilidades de cada um perante terceiros.

    Parecia que era esse o espírito da manifestação. Coisa inorgânica, que declarava querer ficar-se por aí.

     

    Deu-se o oposto: acaba de ser registado o M12M, Movimento Cívico Geração à Rasca, com liderança, direcção, assembleia-geral e conselho fiscal. Como manda a lei. Muito bem.  

     

    Indo um bocadinho mais longe, vemos que o objectivo máximo da coisa é combater a “precariedade”. A nossa juventude, acima de tudo, acha que o empreguinho para o resto da vida é um nobre ideal, um valor, um direito.

    Pobres de nós, que andámos, ou andamos, a mourejar para ter uma vidinha decente. Os nossos “filhos”, pelo menos os do M12M, que são muitos, não querem progredir na vida de outra forma que não seja com diuturnidades e “progressões automáticas”, na certeza que nada nem ninguém os poderá pôr na rua ou exigir seja que esforço for, já que a “sociedade” tem a “obrigação” de lhes pagar, de os alimentar, educar, de lhes tratar da saúde, hoje, amanhã, sempre, aconteça o que acontecer. Se não fosse estúpido, era só desgraçado.

     

    A título de parêntesis, três pequenas histórias:

    1. Aqui há anos exercitava o IRRITADO os seus dotes na língua alemã (muito inferiores, diga-se, aos do inglês técnico do primeiro-ministro), num táxi, em Hamburgo. O motorista era um rapaz novo. Da conversa, concluiu que o rapaz era licenciado em direito, mas não tinha emprego. Já tinha andado na apanha de maçãs e servido à mesa num restaurante barato. Dizia-o sem complexos. Quando aparecesse um trabalho em que pudesse aplicar os seus conhecimentos, óptimo. Até lá, preciso era não estar parado. Quando comparo isto com os nossos licenciados – há-os aos pontapés, dado o estado do ensino – e penso quantos moldavos e romenos andam ao pinhão, ou a cortar cortiça no Alentejo, sem que haja um único português que se ofereçapara tais tarefas, ainda que razoavelmente pagas, vejo a diferença.
    2. Esta, esta bem fresquinha, é a história de um casal de comerciantes remediados de Lisboa, cuja filha, gloriosamente, se licenciou em psicologia, ou coisa que o valha. Confessavam-me, ofendidíssimos, que alguém tinha oferecido à rapariga um emprego como dama de companhia de uma senhora de idade. Não queriam mais nada! A “doutora”, concluí, ainda que bem paga, o que era o caso, prefere não fazer nenhum a tratar de uma velhota até que melhor apareça.
    3. Esta não é bem uma história, ou seja, é a história dos enfermeiros. A distinta classe fez uma barulheira dos diabos porque queria melhores salários. Até aqui, tudo normal. O problema é saber porque o queriam. Porque estavam mal pagos? Porque trabalhavam mais horas? Porque mereciam ser melhor pagos? Nada disto. Os enfermeiros achavam-se no direito a mais dinheiro porque tinham passado a licenciados, isto é, tratava-se de uma questão de secretaria!

    Fecho o parêntesis e passo a debruçar-me sobre as reivindicações dos à rasca – o M12M.

    Querem mobilidade para poder progredir na vida? Nem pensar!

    Querem tomar iniciativas que impliquem trabalho, e apoio para isso? Cais quê!

    Querem que se crie condições para que haja mais oferta de trabalho? O que é isso?

    Oferecem-se para tarefas sociais pagas? Que ideia!

     

    Vejamos então o que eles querem:

    Querem, como já disse, “acabar com a precariedade”. Foi para isso, confessa uma professora doutora “mãe” da iniciativa, que fizeram a manifestação.

    Querem “reconhecimento partidário” (?), coisa de que se “sentem marginalizados”.

    Segundo outro senhor do M12M, o movimento é “laico, pacífico e apartidário”.

    Nas palavras do mesmo senhor e da outra senhora:

    Querem apresentar uma iniciativa legislativa para proibir a precariedade.

    Querem uma auditoria às contas públicas.

    Querem um referendo para não se pagar a dívida soberana.

    Querem “politicas alternativas”.

    Querem lutar contra a “deterioração das condições de trabalho”.

    Qurem pôr cobro ao desmantelamento dos direitos sociais”.

    Ou seja: o M12M repete, tim-tim por tim-tim, os slogans do Carvalho da Silva, do Jerónimo, do Louçã e do Pinto de Sousa – este só quando lhe convém, se outra coisa lhe convier outra coisa dirá.

    Apartidários uma ova!

     

    Com esta agenda, igualzinha à da extrema-esquerda, mais o indómito objectivo de ser pago para existir, mais uma indisfarçável vontadinha de não fazer nenhum, mais estar convencido de ser inteligente, pobres deles e pobres de nós todos.

     

    Para acabar em beleza, eis como se cantava há para aí cem anos, com óptimos resultados. Podia servir de hino ao M12M:

     

    Vivó socialismo!

    Vivó Fontana!

    Vivó descanso sete dias na semana!

     

    Vivó socialismo!

    Vivó Menezes!

    Vivó descanso toda a vida e mais seis meses!

     

    Frum fum fum!

          

    24.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CONFEDERAÇÃO ATLÂNTICA

     

    O Prof. Jorge Miranda, conhecido na gíria da ignorância mediática por “pai da Constituição”, atingiu o limite de idade. Parabéns.

    Tem o jubilado excelsas qualidades, das quais o          IRRITADO nem por sombras duvida. Ser “pai” da Constituição não será, certamente, uma delas. Bem pelo contrário, a ser verdade seria o seu pior defeito.

     

    Adiante.

    Aqui há tempos, disse o IRRITADO que Portugal e Brasil deviam fazer uma união política com inúmeras vantagens mútuas. Chamou-lhe “ideia maluca ou talvez não”. O ilustre professor deve ter lido o IRRITADO (que modéstia!) e decidiu ir muito mais além, ou mais abaixo: propôs a integração de Portugal no Brasil como estado federado daquela República. Nem mais nem menos. E até defendeu um referendo em que o próprio votaria a favor da passagem dos portugueses a… brasileiros. Justificou-o, cientificamente, porque até tem, ou teve, uma avó brasileira!

     

    Contente por se ver seguido por tão alta cabeça, ainda que com os pés, o IRRITADO vê-se obrigado a vir pôr alguns pontos nalguns is. É que jamais lhe passou pela cabeça meter Portugal na federação brasileira, nem diminuir-lhe o soberano estatuto.

    É certo que não configurou a sua proposta. Se calhar fez mal.

     

    Aí vai:

    O IRRITADO admite a criação de uma associação de Estados, sob a forma, por exemplo, de confederação, na qual, já agora, Angola podia também ter vantagens em entrar, e os outros dois vantagens em acolher. Seria uma espécie de triângulo atlântico (CA, Confederação Atlântica, que bonito!), globalmente poderosíssimo. Três países, unidos pela história, pela língua e por inúmeros interesse mútuos, dominando a maior área marítima do mundo, com um peso internacional invejável, “cobrindo” três continentes, gozando de inegáveis economias de escala e de indiscutíveis complementaridades, com um parlamento da confederação e um presidente rotativo por ele eleito.

     

    É complicado de pôr em prática, sem dúvida. Mas acho que vale a pena pensar nisto.

     

    23.5.11       

     

    António Borges de Carvalho

  • EXPRESSAS FANTASIAS

     

    No tempo em que os animais falavam, para exprimir o resultado do acto de romper, usava-se a palavra rotura (do português roto – adjectivo verbal do verbo em causa). Havia as roturas dos canos, as roturas do que estava roto, calças meias, etc.

    Não havia roturas de relações. Ainda que as relações se rompessem, a língua portuguesa era suficientemente rica para ir buscar ao latim a palavra ruptura, com significado semelhante mas grafia diferente e diversa aplicação.

     

    Hoje, tempo em que os animais deixaram de falar e foram substituídos pelos intelectuais da moda, o “Expresso” traz a seguinte manchete: “Sócrates e Teixeira dos Santos em rutura total”.

    (Até o corrector ortográfico do computador, coisa antiquada, se arrepiou todo quando escrevi isto).

    Ficámos sem saber se os ilustres protagonistas da tal manchete estão ou são rotos, caso em que o problema seria deles já que eram objecto de um brutal erro de ortografia, ou se, entre eles, se tinha dado alguma ruptura (o corrector, desta, gosta), sendo, na mesma, vítimas de criminoso pontapé na gramática.

     

    Fatal engano! O que os intelectuais do “Expresso” fazem é usar o acordo ortográfico para escrever ruptura, sem ter em conta que estão a desconceptualizar a língua, a empobrecê-la, a desrespeitá-la.

    É o que dá a reverência estúpida ao politicamente correcto, à “modernidade” ou ao supremo valor da petulância.

    Um jornal que, em boa coerência, tem o topete de se arrogar o direito de fazer, sob a inspiração da dona Edite, uns “concursos da língua portuguesa” que não passam de um mar de corrupções e corruptelas, de erros primários de ortografia, de sintaxe e, sobretudo, de total desconhecimento de um mínimo de lógica linguística, tem com certeza o direito de escrever como escreve.

     

    Nós é que não temos obrigação nenhuma de aturar sem um urro este tipo de parvoíces.  

     

    22.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • SEM COMENTÁRIOS

     

    Ontem, ao abrir o computador, dou com uma notícia do SAPO que informava o respeitável público sobre uma sondagem que dava ao PS 36% e, ao PSD 35. Havia, além disso, 35% de indecisos, o que perfaz 106%.

    Comprei o jornal do “amigo Oliveira”. Em duas linhas garrafais a toda a largura da primeira página, anunciava-se: “Subida do PS nas sondagens faz disparar alarmes no PSD”. Remetia para a página 11. Na página 11, um gráfico dava como certo que o PSD estava nos 39% e o PS nos 31, ou seja o PSD a subir e o PS a descer.

    O site do “Expresso”, por seu lado, rezava que o PS estava nos 32% e o PSD nos 36.

    Nas duas últimas sondagens os indecisos tinham passado à clandestinidade.

    Vamos a ver se, hoje, aparece mais alguma informação a este respeito. Depois falamos.   

     

    22.4-11

     

    António Borges de Carvalho

  • CARTA ABERTA ÀS MULHERES PORTUGUESAS

     

    Se Vossa Excelência, minha Senhora, quer ter um filho e não consegue, deverá dirigir-se à Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e solicitar ajuda. Pela módica quantia de 350 euros, o Estado Social, ou o Serviço Nacional de Saúde, tomará as providências médicas necessárias a proporcionar a hipótese da desejada gravidez. Tome em devida conta que não é garantido que consiga engravidar. Só é garantido que terá que pagar os 350 euros.

     

    Se, pelo contrário, Vossa Excelência está grávida, mas não quer ter a criança, deverá igualmente dirigir-se ao supracitado estabelecimento público e solicitar que lhe façam um abortinho. Neste caso, não só o “tratamento” lhe será gratuitamente facultado pelo Serviço Nacional de Saúde mediante a utilização do dinheiro dos impostos dos seus generosos concidadãos, como lhe será ainda oferecida a soma de 200 euros, a título de subsídio de maternidade. Neste caso, não só está garantido o resultado do “tratamento”, como é certo que ganhará honradamente os seus 200 euros, provenientes da mesma origem.

    Se é este o seu caso, tome nota, sem se deixar impressionar, que (ainda!) há quem proteste contra este estado de coisas! Não ligue. Trata-se de gente ordinária, movida por interesses ocultos, inimiga dos direitos humanos consagrados na Constituição da República e nas cartilhas de vários tipos de socialismo, ou até, quem sabe?, de nefandos neo-liberais.

     

    Se está no primeiro caso, queira fazer o favor de compreender que se trata de uma questão de justiça e da defesa dos inalienáveis direitos da mulher, finalmente liberta das grilhetas com que o machismo, o fascismo, o imperialismo, o capitalismo de casino, a Santa Madre Igreja e outros atrasados mentais têm garrotado a sua sacrossanta liberdade. Se perceber a alta escala de valores em que as práticas do Estado Social se integram, então pagará gostosamente os 350 euros para aumentar as suas possibilidades de ter um filho, ao mesmo tempo que compreenderá, sem margem para dúvidas, a admirável justiça do socialismo vigente.

    Pode haver ainda quem alegue que, com os cerca de 6 milhões de euros que o Estado Social gasta por ano em abortos, se poderia facultar gratuitamente a umas 28.000 mulheres como você os tratamentos de fertilidade que tanto deseja. Não ligue. Trata-se de um raciocínio economicista, que não tem em atenção os legítimos interesses das mulheres portuguesas.

    Deixe-se de fantasias e pense, com acendrada humanidade, que vale mais a pena uns truca-trucas descuidados, a 200 euros de lucro, do que dar largas, com o seu marido, a desejos tão mórbidos, desajustados e fora do tempo como essa história medieval de querer ter um filho. Não seja injusta: vote PS!

     

    21.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • MARAVILHAS DO SOCIALISMO

     

    O camarada Castro (Raul) vai limitar o exercício de cargos políticos a dez anos. É claro que isto tem a ver com o próprio. Como só está no poder há 50 anos, fica mais dez. Como já tem mais de 80, em princípio fica com o tacho garantido até morrer.

    Mas o homem tem mais algumas saídas geniais. Calcule-se que proibiu o uso de um papel qualquer que dava direito a descontos na comidinha do povo.

    Consta que, perguntado sobre este assunto, o camarada Louça mostrou a sua indignação contra a medida, que classificou de “neo-liberal”, perigosamente capitalista e destituída de sentido de Estado socialista.

    E não é que o tal Raul, quiçá vítima de alguma perturbação mental, tem “em estudo” uma nova lei que permitirá aos cubanos comprar e vender carros e casas? Isto admite-se?, perguntou o camarada Jerónimo, então agora os cubanos deixam de ter o direito que o socialismo há 50 anos lhes deu, de não ser incomodados por vendedores de automóveis e mediadores imobiliários? Onde vai parar a revolução?

    O camarada Raul atreve-se a ir mais longe. Vai despedir 1.300.000 funcionários públicos. Eles que passem para o sector privado. Como não há por lá sector privado nenhum, só há socialismo, as pessoas não podem passar para o que não existe, ou seja, privatizam a privações.

     

    Tudo isto seria só ridículo, se não fosse tristíssimo. O socialismo cubano acabou com os ricos mas, como todos os socialismos, não foi capaz de acabar com os pobres. Quer dizer, distribuiu por todos, generosamente, a mais triste das pobrezas.

    É esta, por cá, a mensagem, o objectivo, o brilhante desiderato, a agenda do PC e do BE. Salvaguardadas as distâncias que vão das pessoas aos servos do senhor Pinto de Sousa, é este, se não o objectivo, pelo menos o resultado da nobre acção do PS.

     

    À consideração dos eleitores.

     

    20.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • SOLIDARIEDADE DOS FILHOS DA VIÚVA

     

    Mais uma altíssima colaboração do PS para a cultura, a política, o jornalismo e a língua portuguesa.

     

    Foi nomeado director do “Acção Socialista” o camarada Miguel Coelho.

    O IRRITADO tem a desgraça de ter conhecido este marau, big chief da concelhia de Lisboa, líder parlamentar da bancada socialista na Assembleia Municipal, indefectível aparatchik do Largo do Rato, membro fidelíssimo do Grande Oriente Lusitano, ignorante q.b., palavroso quanto o chefe, ficou célebre por uma moção apresentada na AM, manuscrita, a referir o seu nobre desejo de que se construísse o feixo da CRIL. Agora que a CRIL foi finalmente feixada, prestemos a devida homenagem ao ilustre alfacinha.

    O mesmo preito de homenagem deve ter penetrado no superior bestunto do senhor Pinto de Sousa, levando-o a alcandorar o fulano à importantíssima posição de director do jornal do partido.

     

    O IRRITADO acha muito bem. O rapaz está bem ao nível do chefe. O PS bem merece que cultores do calibre do tal Miguel ocupem cargos em que, além de torcer a verdade, podem apedrejar língua à vontade.

     

    20.4.11

     

    António Borges de Carvalho

  • HOUSE OF BIJAN

     

     

    Já lá vai um bom par de anos, andava o IRRITADO – à época muito menos irritado que agora – a passear na 5ª Avenida, em Nova Iorque.

    Eis senão quando vê, numa montra, uma camisa deslumbrante. Disse à mulher:

    – Quero aquela camisa!

    Ao que a senhora respondeu:

    – Tu és doido, aquilo deve custar uma fortuna. Deixa-te de maluquices!

    Mas o IRRITADO estava cheio de vício.

    – Ó filha, uma extravagância, que diabo, tenho direito a uma extravagância!

     

    À porta da loja agigantava-se um preto com dois metros de altura por um de largo, bicha até à raiz dos cabelos. O IRRITADO manifestou ao dito o seu desejo de entrar. O preto, com ar de florido desprezo, tirou o chapéu alto com que se engalanava e abriu a porta.

    O IRRITADO endireitou as costas, assumiu um ar de milionário de Fornos de Algodres, e penetrou na loja por um corredor que devia levar ao sanctus sanctorum da instalação.

    Apareceu então outro bichoso, de gravata às florinhas, tuxedo cor de rosa, unha polida e cara de parvo. Curvou-se, tipo palhaço rico, e disse:

    – Sir?

    Seguro de si, o cliente declarou que queria a camisa aos quadradinhos que estava na montra, do lado esquerdo. O bichoso pegou numa fita métrica, ou polegadétrica, e, delicadamente, passou-a pelo pescoço do IRRITADO, tendo o cuidado de o puxar suavemente para si. Cheio de nojo, o IRRITADO deixou-se medir, braços, barriga (ventre!), costas…

    Passado este momento de intimidade, o bichoso pediu licença e desapareceu nas entranhas da loja. Minutos depois, com a dona Margarida a tentar evitar que o marido olhasse para outros produtos, não fosse dar-lhe mais alguma extravagância, o homem(?) do tuxedo cor de rosa voltou, afagando a maravilhosa camisa nas delicadas mãos.

    – É isto mesmo!, disse o IRRITADO, felicíssimo, à senhora.

    Ela não respondeu.

    O bicharoco passou as mãos sobre a seda, num gesto de infinito prazer.

    – That’s it, disse o IRRITADO.

    A delicada criatura dobrou a camisa com infinitos carinhos, passou à sua volta uma fitinha de seda vermelha, fez uns lacinhos e, num gesto de ballet, colocou-a dentro de uma caixa almofadada. Fechou a caixa, atou-a com outra fitinha, fez mais uns lacinhos, meteu a caixa num saco de doce tecido, pôs o saco em cima da mesa e, sem o largar, declarou:

    – It will be ten thousand dollars, please, Sir.

    Após um segundo de hesitação, o IRRITADO respondeu:

    – Thank you. Have a nice day.

    Dignamente, meteu o rabo entre as pernas e, dando o braço à mulher, retirou-se pelo corredor fora e só voltou a respirar quando se apanhou na rua outra vez.

     

    A loja chamava-se House of Bijan. Na opinião do IRRITADO deveria ser Bichan. Mas era Bijan.

     

    Ora o Bijan, morreu!

    No obituário dos jornais consta que o homem se gabava de ter a loja mais cara do mundo. É capaz de ser verdade.

    Da sua lista de clientes constavam, entre outros, Schwarznegger, Tom Cruise, Anthony Hopkins, Vladimir Putin, Ronald Reagan e… José Sócrates, o nosso bem amado Pinto de Sousa!

     

    É assim, meus amigos. Enquanto, paulatina e orgulhosamente, o senhor Pinto de Sousa arruína o país, vai fazendo umas comprinhas no Bichan. Bem o merece. Que diabo, um fatinho “vulgar” custa, no Bichan, uns míseros 35.000 euros. Que é isso para o senhor Pinto de Sousa? Peanuts!

     

    À atenção do eleitorado.

     

    19.4.11

     

    António Borges de Carvalho