IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CARTA ABERTA ÀS MULHERES PORTUGUESAS

 

Se Vossa Excelência, minha Senhora, quer ter um filho e não consegue, deverá dirigir-se à Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e solicitar ajuda. Pela módica quantia de 350 euros, o Estado Social, ou o Serviço Nacional de Saúde, tomará as providências médicas necessárias a proporcionar a hipótese da desejada gravidez. Tome em devida conta que não é garantido que consiga engravidar. Só é garantido que terá que pagar os 350 euros.

 

Se, pelo contrário, Vossa Excelência está grávida, mas não quer ter a criança, deverá igualmente dirigir-se ao supracitado estabelecimento público e solicitar que lhe façam um abortinho. Neste caso, não só o “tratamento” lhe será gratuitamente facultado pelo Serviço Nacional de Saúde mediante a utilização do dinheiro dos impostos dos seus generosos concidadãos, como lhe será ainda oferecida a soma de 200 euros, a título de subsídio de maternidade. Neste caso, não só está garantido o resultado do “tratamento”, como é certo que ganhará honradamente os seus 200 euros, provenientes da mesma origem.

Se é este o seu caso, tome nota, sem se deixar impressionar, que (ainda!) há quem proteste contra este estado de coisas! Não ligue. Trata-se de gente ordinária, movida por interesses ocultos, inimiga dos direitos humanos consagrados na Constituição da República e nas cartilhas de vários tipos de socialismo, ou até, quem sabe?, de nefandos neo-liberais.

 

Se está no primeiro caso, queira fazer o favor de compreender que se trata de uma questão de justiça e da defesa dos inalienáveis direitos da mulher, finalmente liberta das grilhetas com que o machismo, o fascismo, o imperialismo, o capitalismo de casino, a Santa Madre Igreja e outros atrasados mentais têm garrotado a sua sacrossanta liberdade. Se perceber a alta escala de valores em que as práticas do Estado Social se integram, então pagará gostosamente os 350 euros para aumentar as suas possibilidades de ter um filho, ao mesmo tempo que compreenderá, sem margem para dúvidas, a admirável justiça do socialismo vigente.

Pode haver ainda quem alegue que, com os cerca de 6 milhões de euros que o Estado Social gasta por ano em abortos, se poderia facultar gratuitamente a umas 28.000 mulheres como você os tratamentos de fertilidade que tanto deseja. Não ligue. Trata-se de um raciocínio economicista, que não tem em atenção os legítimos interesses das mulheres portuguesas.

Deixe-se de fantasias e pense, com acendrada humanidade, que vale mais a pena uns truca-trucas descuidados, a 200 euros de lucro, do que dar largas, com o seu marido, a desejos tão mórbidos, desajustados e fora do tempo como essa história medieval de querer ter um filho. Não seja injusta: vote PS!

 

21.4.11

 

António Borges de Carvalho



23 respostas a “CARTA ABERTA ÀS MULHERES PORTUGUESAS”

  1. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Este miserável post não constitui nada de novo,insere-se na estrutura mental do autor.Já aqui escrevi,e volto a fazê-lo.Sou contra o aborto que não seja por motivos imperativos.Tambem sou contra a criminalização do aborto.Da mesma maneira que sou contra o facilitismo em que,pelos vistos se caiu na abortagem.Mas principalmente sou contra os falsos moralistas.Vêm aqui apontar o dedinho reprovatório,mas nada diziam quandos as mulheres,eram forçadas a bortarem nos vãos de escada e depois serem perseguidas pela policia.Os abortos clandestinos,devido ás condições em que alguns eram feitos,acarretavam graves problemas de saude para as mulheres,com grandes custos para a saude publica.Misturar deliberadamente coisas tão diferentes como a procriação assistida e a interrupção voluntária da gravidez,é uma manhosa manobra de diversão,a que aliás o irritado já nos habituou.E mais não digo,o Coelho está a cantar com voz de tenor,no telejornal!!!

    1. «Vêm aqui apontar o dedinho reprovatório,mas nada diziam quandos as mulheres,eram forçadas a bortarem nos vãos de escada e depois serem perseguidas pela policia.»Desta vez concordo. Tomara que tivessem tido esta brilhante ideia dos abortos a pedido logo a seguir a D.Afonso Henriques ter batido na mãe e já não teríamos este tipo de gentalha rosa, tipo canídeos e tipo Telmo do «big breda». Que maravilhosa clientela esta. Que gabarito. Que prosápia e que catitas são apesar do QI de apenas 2 digitos: – Ó pra estas pérolas:”A pessoa mais próxima é a que descarrego mais tudo” “Uma pessoa vira-se para um lado e se for preciso desvira-se””O que apetece no grupo é… sexo em grupo… muitas órgias… muitas órgias””Quem é que quer esta lata de atum mais eu?””O antebraço? Como o próprio nome indica é o que está antes braço, ou seja, o ombro”http://www.ionline.pt/conteudo/118599-telmo-do-big-brother-quer-agora-brilhar-no-canal-parlamento—————————————————————–Que mais nos irá acontecer??

      1. Avatar de daniel tecelao
        daniel tecelao

        Não rosnes!

    2. Que pena a mae do tecelao nao ter abortado quando estava gravida dele….

      1. Avatar de Pai do tecelão
        Pai do tecelão

        Tá a ver a asneira que disse…Na verdade a mãe do meu filho abortou! Ainda fez mais, fechou as pernas quando o meu filho saí-a! Daí o meu filho ser um “aborto”.

  2. O “Irritado” conseguiu um feito notável. Falou sobre o aborto e este respondeu.Mas o que me traz aqui é felicitar o bronco do avençado pelo resultado do embuste socratino.A sondagem que dá empate e de que se gabou atrás…está “martelada”.Ahahaha!Já se soube que foi adulterada.Que quadrilha de criminosos sem vergonha. E este imbecil é mesmo um trouxa!Já usa material de segunda para promover as suas mentiras.Ahahaha!

  3. Ò cambada!Olhem que isto não são favas contadas,o homem invulgar de Massamá anda a enterrar-se,querem ver que ele vai cair primeiro que o Pinto de Sousa!!!

    1. O T-Beiças já foi de patins… só falta o mafioso!Só me pergunto que universidade, sem o risco de total descredibilização, vai agora aceitar um indivíduo destes, hiper incompetente, como professor de Finanças…?Que parvo que eu sou! Esqueci que caso o PS ganhe é capas de ser convidado para o BdP, ou para a CGD… ou quiçá EDP?!

      1. Avatar de daniel tecelao
        daniel tecelao

        Não rosnes!

  4. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    OLHA O QUE AÍ VEM!!!Estou convencida [de] que me preparei durante toda a minha vida para isto. Teresa Leal Coelho, referindo-se ao facto de ter sido escolhida por Passos Coelho para n.º 2 da lista do Porto do PSD, que terá agora oportunidade de conhecer a Cidade Invicta, depois de ter passado pela Administração da SAD do Benfica no consulado de Vale e Azevedo [hoje no Público, p. 8]

    1. Antes Coelhos que Favas!

      1. Avatar de daniel tecelao
        daniel tecelao

        não rosnes!

  5. Bela prosa do Irritado, que – como é comum em quem escreve com inteligência – nos faz questionar as nossas próprias convicções. Ora, uma das minhas convicções esquerdopatas, é que a Saúde e a Educação são dois serviços prioritários do Estado para com os seus cidadãos, talvez acima de todas as outras prioridades. Tenho esta mania parva, de que se pago impostos, é para assegurar estes serviços básicos – escolas, hospitais, etc. Só que as coisas não são a preto e branco: como em tudo na vida, há escolhas. E como em tudo no Estado, nem sempre cabe a quem paga, fazer essas escolhas. Como contribuinte português, é lógico que não quero pagar os abortos de “donzelas” irresponsáveis, enquanto tantos casais lutam (e pagam) para ter, e criar os seus filhos. Tal como não quero pagar cuidados médicos a hooligans, criminosos, drogados, condutores irresponsáveis, preguiçosos que jamais pagaram ou pagarão impostos, e tanta maralha que prejudica constantemente a sua própria vida, e a dos outros. Tal como não quero pagar os estudos de quem vai para a escola porque sim, porque o obrigam, e está em pulgas para sair, para tornar-se marginal, subsídio-dependente, ou – pior ainda – político. No entanto, não podemos escolher quem usa BEM ou MAL certos serviços que pagamos: depende de quem legisla, evitar os abusos que vemos, e depende de quem presta os serviços, fazer a triagem mínima de quem os procura. Dou razão ao Irritado, é absurdo permitir abusos de mulheres que fazem vários abortos num ano, ou pagar-lhes subsídio de maternidade(!) em adição a um serviço já de si polémico, no país que somos. No entanto, continuo a pensar – tal como o Tecelão(!) – que o aborto não pode ser crime, nem pode ser clandestino, por ser um facto demasiado comum na nossa sociedade. Basta um pequeno descuido, e a inevitável consequência surge depois (9 meses depois, geralmente). Com que futuro, e com que proveito, em tantos casos? Mais: este é um assunto essencialmente FEMININO, geralmente decidido por HOMENS. Felizmente, nunca me vi perante a escolha de um aborto, mas que homem nunca lidou com um período atrasado, uma espera nervosa de dias ou semanas, temendo uma gravidez não desejada? Eu não sou perfeito, nem sou santo: o Irritado é? Algum dos homens que me lê, o é? E quantas mulheres, senão uma ínfima minoria, vê um aborto senão como uma experiência traumatizante, que jamais desejaram, e que jamais querem repetir? Uma coisa é incentivar a irresponsabilidade (como agora), outra coisa é atenuar os riscos REAIS de uma realidade que sempre existiu, e continuará a existir, em qualquer sociedade.

    1. «Mais: este é um assunto essencialmente FEMININO, geralmente decidido por HOMENS. »Não concordo! O assunto diz respeito a ambos, pois ambos (à excepção das violações) foram cúmplices. Esta lei do aborto a pedido veio apenas confirmar a total desresponsabilização do homem no acto. Nunca tal deveria ter acontecido, a desresponsabilização de ambas as partes perante as consequências de actos do foro privado, banalizadas e descarregados os custos dessa irresponsabilidade no erário público. Admito totalmente que os meus impostos sirvam para dar apoio à criança, à família e à facilitação da adopção, como bem-público que são e nunca o homicídio de novas vidas.

      1. São precisos dois para fazer um filho, mas a partir daí o assunto diz (muito) mais respeito à mulher, do que ao homem. Podemos ter opiniões a respeito disso, mas não podemos ir contra a nossa própria biologia. A realidade é como é, e não como nós gostaríamos que fosse. Além disso, suponho que boa parte das mulheres que abortam, não têm qualquer solidariedade (na gravidez) de quem as engravidou. Encontros casuais, noitadas que terminam num quarto ou num carro… quantas não sabem sequer quem é o pai? Quanto ao “homicídio”, daria um longo debate… em vez de discutir a partir de quantas semanas o feto é “gente”, eu prefiro pensar na essência do “eu”: a bem dizer, esse “eu” não existe. Mesmo um bebé recém-nascido, é apenas uma pessoa em potência, não é ainda uma pessoa per se. A nossa natureza leva-nos a encarar um bebé como o ser mais importante do mundo, e qualquer mal que lhe possa acontecer, como a pior das atrocidades. No entanto, até que ponto se pode dizer o mesmo de um embrião ou de um feto, que nem é desejado pela própria mãe? É um tema complexo, que depende dos nossos valores morais, e que para mim desagua inevitavelmente na ontologia.

        1. «São precisos dois para fazer um filho, mas a partir daí o assunto diz (muito) mais respeito à mulher, do que ao homem.Podemos ter opiniões a respeito disso, mas não podemos ir contra a nossa própria biologia. A realidade é como é, e não como nós gostaríamos que fosse.»Por estas e por outras é que nos auto-classificamos de animais racionais. Ora, a biologia e a realidade convergem, são necessários dois para a reprodução, o que inevitavelmente acontece com sexo (ocasional ou não) e sempre que não forem usados, ou foram ineficazes, métodos anti-conceptivos. Logo, a consequência de um acto a dois, produziu um resultado – um novo ser, filho de uma mulher e de um homem co-responsável pela concepção e paternidade.O aborto, na minha opinião, nada tem a ver com valores religiosos, trata-se de uma questão humana e da natureza humana e um atentado ao direto à vida humana e à vida de um ser humano indefeso. Tudo o mais é pura ilusão de forma a esconder graves problemas sociais, éticos e morais.E também discordo dessa desculpa – essência do “eu”. “Ser ou não Ser” está ao alcance de todos excepto do embrião ou feto que só será socialmente considerado um Indivíduo após o nascimento. Até lá não tem nem direitos, nem protecção, embora na oitava semana após a concepção já apresente os principais órgãos desenvolvidos, inclusive cérebro, coração, olhos etc… portanto, não é ainda um EU, um individuo, mas sente dor, ouve, tem reflexos (sorri, soluça, chora)! http://www.youtube.com/watch?v=PY80mXlif3kA professora Doutora Jerónima Teixeira fala do seu trabalho de investigação sobre a dor no ser humano, na sua fase fetal. Se um feto não é desejado pela própria mãe poderá, eventualmente, ser muito desejado e amado por outra mulher!

          1. Creio que está a personalizar – no sentido de atribuir características únicas e pessoais, ou seja, um “eu” – algo que não é (ainda) uma pessoa. Poderá tornar-se uma pessoa, mas por essa lógica, não podemos dizer o mesmo de qualquer óvulo ou espermatozóide? É uma questão de probabilidades, mas na prática, perdem-se milhões, biliões, de pessoas em potência. Pela mesma lógica, sempre que ejaculamos para um preservativo, ou que uma mulher deixa o seu período num penso, estamos a “matar” alguém – a possibilidade de um ser humano. Dirá que o feto sente dor, fome, frio, calor, e tem reflexos, face ao que o rodeia. Sendo cínico, posso dizer que uma planta “sente” praticamente o mesmo, e reage aos mesmos estímulos. Sendo menos cínico, entendo o que está a dizer, e até certo ponto concordo: também já fui um embrião e um feto, no útero da minha mãe, e se ela me tivesse abortado não estaria agora a responder-lhe. Mas é aqui que batemos na parte ontológica da questão: se não fosse eu (o Filipe Bastos) a responder-lhe, não seria o Manel Jaquim, talvez outro filho da minha mãe, ou talvez o filho de outra mãe qualquer, com basicamente as mesmas opiniões, que vinha parar ao mesmo blog do Irritado? Onde começa e onde acaba o nosso eu: no facto de termos nascido dos nossos pais, e não outros, ou no país onde calhámos nascer, ou na genética que herdámos, ou nas escolhas que fizemos desde que nascemos? Numa mistura de tudo isto? E que valor tem a vida pela vida, mesmo sendo humana, quando se procriássemos à tripa-forra, já seríamos certamente demasiados para o planeta que habitamos? Enfim, questões demasiado filosóficas, para as mulheres e casais que têm de escolher na prática, se podem ou não sustentar/educar filhos que não planearam. Antes morrer antes de o ser, do que nascer para sofrer – em tantos casos do 3º mundo, ou do nosso 2º mundo, ou até do 1º mundo. É a minha opinião.

          2. Personalizar, eu? Bom, se é que a minha opinião importa… i) Deus para alguns, (criacionista, ou não)ii) a “Mãe Natureza” para outros [representação da Natureza (do latim natura significa nascimento) que trata da fertilidade] iii) ou ainda Gaia para uns quantos outros.(hipótese biogeoquímica)personalizaram (atribuíram/criaram/adaptaram), sim, este processo reprodutivo: fecundação –> são precisos 2 organismos da mesma espécie (e não apenas 1) – macho e fêmea – para se reproduzirem, ou seja: através de relacionamento sexual (ocasional, ou não) produzirem descendentes. iv) um “embrião” (tanto nos animais racionais, como em quase todos os irracionais) é o produto das primeiras modificações do óvulo fecundado (processo em que um espermatozóide penetra, no ovócito) e que irá dar origem (se não for eliminado pelo processo de “aborto” artificial, ou natural, devido a eventual deficiência física) a um novo indivíduo. Logo, a sua tese (e de muitos outros) não tem fundamento, ou está mal fundamentada. v) outro aspecto que está a desconsiderar: o período embrionário termina na 8ª semana depois da fecundação, quando o concepto passa a ser denominado de “feto” e, embora ainda não seja uma pessoa, um indivíduo, porque se convencionou que só o será após o nascimento, de acordo com estudos avançados (cujo link forneci no meu anterior comentário) põem em causa a premissa de que o feto não sente. Falso, pois este já apresenta os principais órgãos desenvolvidos, inclusive cérebro, coração, olhos e até órgãos genitais em evolução (http://ur1.ca/3z9r5.vi)) Onde começa e onde acaba o nosso eu? Já é matéria do foro filosófico e muito haveria a debater. vii) «(…) já seríamos certamente demasiados para o planeta que habitamos? – decididamente é matéria que transcende a questão em apreço, embora devamos reconhecer que a “Natureza” tem sempre forma de contornar os excessos populacionais. Dou o exemplo do que aconteceu no final do período Cambriano/Câmbrico (primeira extinção em massa de sua história). viii) «(…) se podem ou não sustentar/educar filhos que não planearam.» Reitero que tudo não passa de pura ilusão de forma a esconder graves problemas sociais, éticos e morais que os responsáveis Estatais deveriam ter em atenção mas, não têm, porque muitos outros interesses aberrantes se levantam e se a “família” é posta em causa pelo “politicamente correcto” vigente, mais tarde ou mais cedo toda a sociedade irá ser penalizada por isso, social e economicamente.ix) É absolutamente inaceitável que se gastem centenas de milhões com o “aborto a pedido” e se retirem os parcos subsídios à infância e á família (em sede de irs).x) «(…) Antes morrer antes de o ser, do que nascer para sofrer» O problema é exactamente esse é que já é um SER às 8 semanas!Pergunto: porquê recorrer ao aborto (a cargo de todos nós) quando existem tantos contraceptivos, inclusivamente para aquelas situações “ocasionais” que necessitam de um plano de emergência -> a “pílula do dia seguinte”!!!Por outro lado, convenhamos que morrer envenenado, triturado, e aspirado, não deve ser nada agradável…Enfim, irresponsabilidade de uns e de outros!

          3. Caro hummming, fundamenta com lógica e com paixão, a sua posição. Apenas lhe posso responder, que num mundo ideal o aborto não teria lugar. Porém, num mundo em que tantos indivíduos (entre crianças e adultos) sofrem horrores diariamente, confesso não ver o sofrimento de um feto como a pior das tragédias humanas. Os contraceptivos, as pílulas do dia seguinte, tudo isso devia ser suficiente para pessoas responsáveis, mas quantas pessoas são responsáveis? Se o Estado não fornecer condições mínimas para as mulheres abortarem, os abortos não desaparecem: continuarão a ser feitos, em condições (muito) piores. O subsídio de “maternidade” é absurdo, e até admito que o Estado obrigue as mulheres a pagarem um certo valor pelo serviço (tal como pagariam a uma “abortadeira”), mas o que propõe acima disso? Ilegalizar o aborto, fingindo que assim desaparece?

          4. Caro F. Bastos, compreendo os seus argumentos e creia que admito que jamais viveremos num mundo ideal, mas podíamos viver muito perto de um mundo ideal, se quiséssemos. Queremos?Quando falamos num mundo ideal, ele deveria ser proporcionado, pelos maiores pilares da sociedade. E onde estão eles?Num mundo ideal, não existiram pessoas com muito, outras com muito pouco, não existiria sofrimento maior do que aquele que humanamente podemos suportar. Mas, ele existe e quantos o admitem?Num mundo ideal não precisaríamos recorrer a acções extremas e de sangue (que enchem diariamente os noticiários sensacionalistas). Todavia, cada vez há mais até ao ponto de saturação e aceitação como norma.Num mundo ideal nunca teríamos um Estado que não governasse senão para e pelo povo e que desenvolvesse um mecanismo de bem-estar social. Infelizmente, vivemos num mundo onde a inversão de valores primários e secundários, a falta de definição, ou até a perda dos mesmos, acabou por criar fanáticos irresponsáveis (e não pilares da sociedade) que não visualizam atempada e adequadamente a consequência dos actos que cometem. E quando esses mesmos fanáticos têm nas mãos as rédeas da condução de um país, quem devemos acusar de irresponsáveis? Os que têm pouco, ou nada? Os que sofrem? Não. Eu acuso de irresponsabilidade tanto a própria Igreja, como as ideologias/associações partidárias, pela falta de justiça social. Eu acuso quem não vê para além da sua ganância e ambição. Podemos e devemos mudar, se cada um de nós se colocar no lugar do outro: – Os ditos pilares da sociedade seriam pessoas de bem que providenciariam o bem-estar e a justiça social;- A Igreja deveria antes de mais fomentar o equilíbrio entre os indivíduos e o realinhamento dos valores humanos;- O homem e a mulher estariam ambos plenamente conscientes das consequências dos seus actos; – As aventuras de ocasião seriam reduzidas e/ou tomadas todas as precauções;- O “aborto a pedido” – proibido como método contraceptivo – seria condicionado a casos excepcionais (violações, doença) e apenas até às 8 semanas; – O homem e a mulher teriam, em igualdade de circunstâncias, o direito de opinião sobre o “aborto a pedido”;- Protecção à vida: a criança não desejada teria a oportunidade de ser adoptada, amada e criada por verdadeiros pais e mães que o não conseguem ser de modo natural;- Protecção à família: com mecanismos de salvaguarda adequados, tais como: subsídios sociais de maternidade, ou paternidade, ou de adopção. Nos casos em que a mãe opte por querer sê-lo a tempo inteiro, o direito a remuneração equivalente a um salário mínimo em part-time. Tão simples quanto isto: Se cada um de nós se colocar no lugar do outro.

    2. Caro Filipe BastosAcho que, na generalidade, tem razão.Venho só sublinhar que o objectivo do post era o de criticar a absurda, gritante, estúpida e injusta diferença de critérios, não o de me pronunciar quanto à questão do aborto assistido pelo Estado, que é outra questão.

  6. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Estou contente,vejo aqui personagens do bota abaixo a elevarem a discussão.Deve ser da páscoa,ainda bem que serve para alguma coisa.

  7. De acordo com a notícia no link abaixo os bebés que nasceram por inseminação artificial em Portugal nos últimos anos são… Espanhóis ???? Caramba, já se sabia que por cá há falta de tomates… E esta, hein? “A Maternidade Alfredo da Costa terá de incluir o preço do sémen de dador importado no custo global dos tratamentos para a infertilidade, em vez de o cobrar ao utente, revelou à agência Lusa a ministra da Saúde.A maior maternidade do País, localizada em Lisboa, avançou esta quarta-feira que iria iniciar brevemente tratamentos de infertilidade com esperma de dador, mas quem os receberia teria de pagar o sémen, que é importado de Espanha e custa 350 euros. Gratuita seria apenas a aplicação da técnica.”http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/semen-importado-de-espanha-custa-350-euros

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