A segunda mão das meias-finais da taça, na opinião do IRRITADO, correu mal. Isto, porque o Fatal perdeu, porque o árbitro era péssimo, porque estava a chover, porque o Cagarça mereceu o resultado, etc.
Para amenizar a coisa, ao intervalo do espectáculo surgiram o palhaço rico e o palhaço pobre, a aproveitar a abertura em que havia mais gente nas bancadas.
O palhaço pobre, há muito ausente do chapiteau, cara de caso, trombudo que nem um camelo, entrou mudo e saiu calado, como compete a quem está na mó de baixo.
O rico, esse disse quase nada, e sem piada nenhuma.
Concluirá quem o ouviu com ouvidos de ouvir que o 4º programa de estabilização do circo (PEC4) foi parar ao caixote. O almejado corte nas pensões mínimas do pessoal em arena foi esquecido, ficando só para os artistas milionários que recebem 1.500 euros por mês. O tão falado corte dos presentes de Natal foi também esquecido. Não se sabe quanto vão aumentar os bilhetes para o espectáculo, sendo de esperar que passem de 23 para não se sabe quanto. As cervejas e os cigarros do pessoal é de presumir que levem um pancadão, assim como os contributos para a sustentação de enfermaria, e por aí fora. O pessoal não artista, arrumadores, escriturários, técnicos de pista, etc. continuarão a ganhar o mesmo.
Amanhã ou depois talvez o pessoal fique a saber mais alguma coisa.
Os palhaços sabem que o que interessa é a primeira impressão, a impressão que chega mais longe, isto é, a que vai da primeira fila até à geral à hora em que há mais público.
Por isso, não venham dizer o contrário. Não vale a pena. Toda a gente sabe que foi o palhaço rico quem lixou a trupe mas, conquistada a primeira impressão, pode o artista encarar o futuro com mais à vontade.
De tal maneira que já tem em estudo em vários bancos a reestruturação da dívida do circo, de tal forma concebida que se venha a poder provar que a culpa foi dos tipos da bancada lateral.
Amanhã há matiné.
03.5.11
António Borges de Carvalho

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