Aqui há tempos, quando o FMI era equiparado ao Belzebu, dizia o senhor Pinto de Sousa que jamais venderia a alma a tal infernal criatura, isto é, que se recusaria a governar “com” ela.
Anteontem, o Belzebu passou a gajo porreiro.
Vão chegar, da porreiragem, 78 mil milhões. Não chega para pagar os 80 e tal que o senhor Pinto de Sousa acrescentou à dívida, mas é uma ajudinha que vai fazer com que cheguemos um pouco mais tarde à bancarrota, isto com a prestimosa ajuda do senhor Pinto de Sousa se o eleitorado continuar a insistir na crise de burrice que, mercê de triunfante intervenção do dr. Sampaio, há seis anos o assaltou.
Dadas as circunstâncias, sempre coerente e verdadeiro, o senhor Pinto de Sousa está na melhor das disposições para governar com o Belzebu, ou ex-Belzebu, tal como tinha prometido ao povo.
Na privilegiada mente de sua excelência, o povo é estúpido. Por ser estúpido, julgou que ele tinha dito que jamais governaria com o Belzebu. É facto que ele disse que jamais governaria com o Belzebu e que era isso o que queria dizer. Tal não significa, evidentemente, que ele não quisesse fazê-lo, antes pelo contrário, já que ele, Pinto de Sousa, o Grande, dizendo o que queria dizer, não estava a dizer o que estava a dizer.
Estão a perceber? Não estão. Sabem porquê? Porque vocês, cambada de bestas, não têm bestunto que chegue para perceber os altíssimos desígnios do senhor Pinto de Sousa.
Vistas o assunto de forma mais consentânea com a realidade, o que se passou foi o que segue:
Durante meses, Belzebu encheu de pesadelos o sono inocente do senhor Pinto de Sousa. Por amor à verdade, comunicou à Nação os seus sobressaltos e receios, convencendo as pessoas que, com o Demo, nunca!
A Nação ficou ciente da profundidade do pensamento do poder, da sua acendrada preocupação com o bem-estar do povo, da forma heróica como resistia às tentações demoníacas que a irresponsabilidade dos seus adversários não se cansava de propalar.
Mercê, porém, de várias missas negras rezadas pela oposição, as hostes infernais passaram as fronteiras e instalaram-se no Terreiro do Paço.
Enfrentando com bravura a nova situação, o luminoso génio do senhor Pinto de Sousa decidiu que, bem vistas as coisas, a Pátria não podia dispensar o contributo da sua inteligência, do seu amor à verdade, da sua paixão pelo nosso bem estar. Por isso, sacrificou as suas posições de princípio à corajosa intenção de enfrentar as forças das trevas, dando a todos a nova esperança que a sua augusta presença infunde nas almas inquietas.
E ainda há quem o critique! Canalhas!
5.5.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário