A central de informação do PS tem sido, por uns (veja-se o magnífico artigo de Eduardo Cintra Torres no “Público” de 6ª feira), lapidarmente denunciada como diária manipulação de tudo o que poderia ser verdadeira informação, por outros é admirada pelo seu profissionalismo bandido e pela sua demoníaca eficácia.
Se é verdade que quem tiver alguma atenção ao que se passa percebe o que há de falso e de fabricado por tal central, também o é que a esmagadora maioria dos eleitores, a que acresce a mesnada socialista, se contenta com a espuma da aldrabice do poder, que é o que aparece e é servido por um exército de profissionais, crédulos, comprados, ingénuos ou simplesmente maus.
Veja-se o que se tem feito de uma proposta que alguns seres pensantes fizeram ao PSD sobre o “corte nas reformas dos desempregados”. Primeiro, , vista a proposta exclusivamente à superfície, é considerada como um acto de banditismo. Segundo, é atribuída ao PSD como se fizesse parte de um programa que ainda não pode ser tornado público, e muito bem, uma vez que só espíritos malévolos, aldrabões ou ignorantes, como o do senhor Pinto de Sousa, podem apresentar programas antes de saber os termos do acordo como o FMI & Cª.
Vale a pena analisar com um bocadinho de atenção a “criminosa” proposta, mais que não seja para contribuir para a denúncia dos métodos e “princípios” da central de informações do senhor Pinto de Sousa.
Primeiro, propôs-se a afectação dos descontos para a segurança social aos diversos fins a que se destinam, isto é, as pessoas passariam a saber quanto descontam para a reforma, quanto para a saúde, quanto para o desemprego, etc., deixando de haver um “bolo” geral que vai sendo utilizado para isto e para aquilo, consoante a vontade “soberana” de quem o gere.
Depois, propôs-se que, a partir de um mínimo de sobrevivência garantido, a reforma de cada um passasse a reflectir o que cada um para ela de facto descontou, e não o que o Estado ou os governos decidissem, pondo os descontos de uns ao serviço das reformas de outros, como vem acontecendo com resultados catastróficos, pelo menos em matéria de justiça.
Assim, a partir de tal mínimo, cada um passaria a ser responsável pelo seu futuro, de cuja gestão poderia participar. A responsabilidade é uma coisa de que os cidadãos têm sido minuciosamente afastados, e que mal nenhum faria recuperar.
Finalmente, propôs-se uma política de subsídio de desemprego menos ruinosa para o Estado, mais sustentável, e socialmente eficaz. Consiste ela na voluntária soma a tal subsídio de uma parte do rendimento da importância capitalizada para a reforma, como uma espécie de empréstimo que cada um faria a si próprio, precisando e querendo, e que poderia ser reposta quando a vida de cada um melhorasse. Ao mesmo tempo, desincentivaria a prática do desemprego “profissional”, coisa que toda a gente sabe que, largamente, existe, e que parece não interessar a ninguém.
Diga-se que estas ideias não são novas, havendo vários países que as adoptam, no todo ou em parte. Países tão democráticos ou mais que Portugal, tão social-democratas ou mais que Portugal, entre outros a França, os países nórdicos, até a Espanha!
Onde está o crime?
Eu digo.
O crime está na central de informação do PS, que pega no que é dito e o vira do avesso, ou o torce de tal maneira que aparece com cariz inverso do que, de facto, tinha.
O crime está nos órgãos de “informação”, que pegam na nata das coisas, tal como propagandeadas por tal central de informação, e as atiram à cara do povo como se fossem a última das verdades.
É evidente que as ideias acima são discutíveis, criticáveis, têm qualidades e defeitos, como tudo nesta vida. Não deixam por isso de ser sérias e de merecer uma discussão séria.
Uma discussão séria é a última das prioridades do senhor Pinto de Sousa e daquilo em que transformou o PS, coisa só comparável, nos nossos dias, ao partido comunista da Coreia do Norte: a “verdade” é o que sai da cabeça privilegiada do demagogo-mor, o que rezam as NEP’s da mentira, decoradas e papagueadas ad infinitum pelos seus sequazes, e aceites acriticamente por uma imprensa acéfala e sensacionalista.
E ainda há quem vote nisto. Ainda há quem diga que, mesmo perdendo, isto tem que ir para o governo.
Quem gostar de palhaços, que vá ao circo. Ao menos, não é levado a acreditar no que os palhaços dizem.
1.5.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário