IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PÚBLICAS VIRTUDES

 

Desde que, nos idos de 82, o Dr. Magalhães Mota, já falecido, inaugurou a perseguição aos políticos com a célebre lei das declarações de património, e não só, nunca mais os políticos deixaram de perder qualidade, nunca mais deixou de imperar o compadrio e, até, a corrupção.

As pessoas de bem, as que têm a alguma coisa, ou muito, a perder – não estou a falar de dinheiro, ou só de dinheiro – foram-se afastando à medida que o escrutínio público fazia caminho e era fornecida à população, em doses maciças, a impressão de que os políticos, pelo simples facto de o ser, não mereciam consideração nem confiança, antes leis e vigilâncias especiais.

Os bem-intencionados cuidados do Dr. Magalhães Mota tiveram, com o rolar dos tempos, as mais perversas consequências, entre as quais avulta, como gritante exemplo, o facto de um indivíduo da categoria pessoal, mental e cultural do senhor Pinto de Sousa chegar a primeiro-ministro e lá se manter ao longo de dois mandatos, apesar dos rabos-de-palha e dos esqueletos no armário em que tão pródigo é, bem como dos catastróficos resultados da sua acção.

 

O excesso de “moralidade” acaba sempre por afastar os bons e promover os incapazes. Quando se cria leis especiais, seja a respeito do que for, seja contra ou a favor de quem for, não é só a ordem jurídica que fica mais pobre, na medida em que a lei deixa de ser geral e abstracta. É também a sociedade que, através dos novos labirintos que a lei cria, fornece aos que prevaricam os atalhos e as escapatórias que a selva legal nunca deixa de proporcionar.

 

Outra matéria em que a “preocupação” legislativa tem criado as mais inacreditáveis trapalhadas é a que diz respeito ao financiamento dos partidos políticos.

Em nome da “transparência”, criou-se a mais opaca das situações. Em vez de ser livre, desde que devidamente declarado, financiar partidos políticos, é proibido. O resultado é que, quem quer, continua a financiar, só que às escondidas. A coisa é tão estúpida que nem sequer previne os chamados favores. É evidente que, se uma empresa, um particular, quem seja, financia um partido à procura de favores, nada melhor que fazê-lo na clandestinidade. Se o fizesse às claras, os tais favores ficariam com o rabo de fora!

Do outro lado, isto é, do lado dos que contribuem mais modestamente para os partidos da sua preferência, chega-se ao ponto de querer identificá-los! Como se fosse possível, ou justo, identificar os tipos que compram umas bejecas ou uns emblemas na festa do avante, ou dão uns tostões ao CDS num comício qualquer!       

 

Alegadamente para evitar financiamentos indutores de corrupção ou favores, o Estado, em Portugal como na generalidade dos países europeus, financia a actividade partidária. O processo é discutível, mas como sem partidos não há democracia, compreende-se. O que se não compreende é que, em nome de altos princípios, se proíba o óbvio e se proteja a candonga.

 

Há para aí uma petição, originária de uma organização qualquer que anda a ver se elege um deputado, no sentido de o Estado não financiar a campanha eleitoral que se segue. Poderia admitir-se, dada a crise do socialismo doméstico, que se pedisse contenção, redução de verbas, limites ao uso de meios publicitários pagos, etc. Mas não. O que esta malta vem exigir, já que não tem expressão social para receber alguma coisa que se veja ou eleger seja quem for, é cortar tudo a todos. Por outras palavras, trata-se de demagogia e de oportunismo eleitorais, não de coisa louvável, respeitável ou responsável.    

 

Cuidado com os moralistas!

 

24.4.11

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “PÚBLICAS VIRTUDES”

  1. Esta encheu-me as medidas.Cuidado com os moralistas.

  2. «O que se não compreende é que, em nome de altos princípios, se proíba o óbvio e se proteja a candonga.»Subscrevo. E urge denunciar o mesmo em relação à desregulamentação bancária em que vivemos.«(…) A divisão transatlântica é evidente no que diz respeito à política monetária. Em Novembro do ano passado, a decisão da Reserva Federal norte-americana de lançar um novo ciclo de medidas de “flexibilização quantitativa” (compra de obrigações estatais através de criação de moeda) conduziu a uma crítica feroz na Europa. Apesar de o Banco Central Europeu (BCE) também ter começado a comprar obrigações estatais desde a Primavera passada, a quantidade é relativamente pequena (70 mil milhões de euros, comparados com os 600 mil milhões de dólares do programa da Fed). [NT1] Além disso, no caso do BCE, a aquisição acontece apenas para apoiar estados-membros em dificuldades, com um particular cuidado para evitar qualquer impacto na oferta de dinheiro. (…) um dólar mais fraco, que se tornará evidente caso acalme a crise na Zona Euro.»http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=480627——————————————————————«FRAUD: The FED is Selling Put Options On Treasury Bonds To Drive Down Yields»http://ur1.ca/3zw2c—————————————————————-«Começou o ataque a Portugal e à Grécia»http://caldeiraodebolsa.jornaldenegocios.pt/viewtopic.php?t=76617&start=0

  3. Meu caro,o ataque a Portugal começou há muitos anos e teve agora o zenite, com a matilha socialista a arrasar o que restava.

  4. Aprecio a ironia subtil do Irritado: «políticos perseguidos», «escrutínio público», «leis e vigilâncias especiais»… que fartote. A melhor de todas: «o excesso de moralidade acaba sempre por afastar os bons e promover os incapazes». Caro Irritado, fartei-me de rir, visto que: 1. Os partidos portugueses, do CENTRÃO PODRE PS/PSD, ao táxi da “Catherine Deneuve”, ao Loucinhas “esquerda caviar”, ou ao “impoluto” PCP, não passam de VIVEIROS DE CHULOS E CORRUPTOS. Falar a esta gente em serviço público, é como falar em unicórnios ou em fadas. Dos jotas aos graúdos, só lhes interessa o poder pelo poder, o tacho pelo tacho. 2. Os políticos tugas não são nem nunca foram perseguidos, são antes ícones da IMPUNIDADE desta PARTIDOCRACIA. 3. O Mário Chulares, a Múmia Cavaca, o Almeida Mamão, o Sempaio, entre tantos outros PULHAS que saíram do armário do nosso 25/4, são provas vivas da impunidade, mediocridade, e estanquidade deste sistema político, que troca favores entre opus deis e gays, aventais e sucateiros, máfias financeiras e as famiglias de sempre. 4. Qualquer político em Portugal devia estar sob escuta permanente, e ser rigorosamente investigado até aos familiares em 3º grau, pelo menos. Digamos que os políticos portugueses, tudo fizeram para merecer tal tratamento. “Cuidado com os moralistas!”, diz o Irritado… sem desrespeito ao autor, fez-me lembrar certa carneirada de Oeiras, da Madeira, de Gondomar, de Felgueiras, de Braga, e de outras paragens, que reelege os mesmos patifes ano após ano, porque – dizem – “têm obra feita”. E depois, misteriosamente, a corrupção continua a ser encarada com normalidade, do topo à base da pirâmide. E não saímos da cepa torta. Consta que na Grécia, na Albânia, em Angola, e outros países muito avançados, também têm muito cuidado com os “moralistas”. Gente sábia!

    1. Subscrevo!

      1. As generalizações são sempre perigosas. Uma coisa é ver o que se passa, outra é disparar a torto e a direito, criar um saco onde meter tudo e todos e achar que a escova generalizada é a solução do problema.Há um Código Penal cuja panóplia de crimes chega e sobra. Problema é que o Processo do mesmo nome é tão intricado que permite todas as fugas, prescrições, adiamentos e alçapões. O problema é que o “ambiente” geral é o de os magistrados andarem mais preocupados com o umbigo e a propaganda próprios que com a Justiça.Criar lei especiais, como disse no post, não resolve o problema. Pelo contrário, contribui para o agravar, exponenciando as fugas “especiais” para casos “especiais”. Um trafulha é um trafulha, seja político ou não. Deve ser julgado e punido segundo uma lei igual para todos e mediante um processo que não seja uma fábrica de complicações. O facto de se ser político, concordo, é uma agravante para crimes de corrupção, tráfico de influência, etc. Mas os crimes são os mesmos, quer cometidos por políticos quer por qualquer outro cidadão.O pior que se pode fazer é arranjar um saco onde se mete toda a gente, ou porque não se gosta do regime ou por outras razões de inspiração ideológica, sem uma base jurídica geral e abstracta. É por causa das leis especiais que o senhor Pinto de Sousa ainda é o que é. As leis especiais, gritando por justiça, são sempre o seu contrário.

        1. Como noutros casos da vida, há o ideal, o real, e o excepcional. Ou seja: – idealmente, as leis actuais seriam aplicadas, e seriam suficientes. – na realidade, não o são. – acresce que vivemos uma situação excepcional, de SAQUE e IMPUNIDADE generalizadas. Ora, situações excepcionais requerem medidas excepcionais. O Irritado não gostaria de ver a sua casa invadida por uma corporação de bombeiros. No entanto, se a casa estivesse a arder, essa invasão seria necessária, e bem-vinda. Pois bem, o nosso país, e em particular a nossa PARTIDOCRACIA, estão a arder. A perseguição feroz e sem tréguas a esta canalha política – por exemplo colocando-a sob ESCUTA PERMANENTE – é também necessária e bem-vinda. Os nossos respeitáveis políticos (e super-“gestores”) não concordam? É fácil: NÃO SE CANDIDATEM. Que vivam à sua vontade, noutra profissão ou país qualquer. Simples, não é?

        2. Quanto às leis especiais: creio que o Irritado não está a ver bem a ideia. Actualmente, os políticos – sobretudo o bando do Pinto de Sousa – produzem leis e casos especiais, para SE PROTEGEREM. Ou sejam, são discriminados positivamente. As novas leis especiais, seriam ao contrário: os políticos devem ser discriminados NEGATIVAMENTE. Fulano é político, ou gestor nomeado politicamente? Então, é suspeito. E deve ser tratado como tal. Até pode ser o Avô Cantigas, ou a Tia Anica de Loulé: torna-se AUTOMATICAMENTE SUSPEITO. Não consigo realmente explicar melhor do que isto, nem enfatizar a urgência (há muito atrasada) de o implementarmos. Para grandes males, grandes remédios.

        3. Subscrevendo Filipe Bastos nas medidas (eu exigiria medidas draconianas) anti CORRUPÇÃO, TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS, ALDRABICE, CHULICE, VIGARICE e demais “generalizações” que os nossos políticos – todos com raríssimas excepções – tanto acarinham, contra este estado de coisas:- Só nas contas públicas que são do mais opaco possível e desejável aos muitos corruptos, estão escondidos, com o rabo de fora, ajustes directos de acordo com a Lusa/Sol, «o Estado português fez, nos últimos anos, 30 contratos por ajuste directo pela administração central, regional ou local a empresas ainda inexistentes ou criadas pouco dias antes.»http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=17767http://alt01.despesapublica.com/#sortorder=desc «O pior que se pode fazer é arranjar um saco onde se mete toda a gente, ou porque não se gosta do regime ou por outras razões de inspiração ideológica, sem uma base jurídica geral e abstracta.»Caro irritado, onde há fumo há fogo. Fiscalize-se e penalize-se quem prevaricou. Todos os cidadãos são iguais perante a lei… só que uns são mais iguais que outros e esses são os INTOCÁVEIS, como «O grande Maestro José Sócrates»:http://www.docstoc.com/docs/78095880/O-grande-maestro-Jos%EF%BF%BD-S%EF%BF%BDcratesSó que já se levantam vozes:«Na intervenção que ontem fez no Tribunal Constitucional, Carlos Costa definiu os três princípios fundamentais — estabilidade, responsabilização e transparência — que garantiram, noutros países, uma consolidação orçamental duradoura, os quais “têm vindo a ser explicitamente consagrados em várias ordem jurídicas (…) no caso português, foram consagrados na revisão da Lei de Enquadramento Orçamental recentemente aprovada pela Assembleia da República e a aguardar promulgação”.E o regulador do sistema bancário nacional acrescenta: “Para quem eventualmente perfilhe alternativas que se afastem de estratégias de consolidação orçamental imediata [lembro] que Portugal violou reiteradamente as normas orçamentais da União Europeia desde a adesão ao Euro: em 12 anos de participação na área do Euro o défice orçamental foi, em média, 4,5% do PIB.”É confortante ler os comentários de apoio no Negócios, a mostrarem que as pessoas não estão anestesiadas o que permite acreditar que o País tem futuro. Por exemplo: (…)Mais aqui: http://cidadelusa.blogspot.com/2011/04/temos-um-governador-no-banco-de.html

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