IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO…

    O IRRITADO solidariza-se com o problema do balsemónico grupo de empresas que foi atacado por piratas (bandidos, gatunos, canalhas) informáticos, prejudicando gravemente os atacados, a sociedade em geral a nossa segurança em particular.

    O ataque foi, e bem, universalmente condenado. No caso, o IRRITADO está de acordo e deseja ardentemente que o problema seja resolvido, ainda que duvide que seja possível fazê-lo nas suas consequências para além do problema das empresas envolvidas. É que, ou muito me engano ou os dados de cada um continuarão à disposição dos bandidos.

    O assunto levanta graves dúvidas em relação aos meios utilizados pelos hackers. É que os mesmos meios são utilizados, por exemplo, pelos chamados jornalistas de investigação, os quais os utilizam com impune frequência, e são incensados por isso. Levanta dúvidas, também, em casos como o do senhor Pinto, tão hacker e tão bandido como os que atacaram a Impresa, e igulamente celebrado pelos bempensantes de serviço e até pelas polícias.

    Sejamos francos. O que está em causa não são os fins, que justificam uns e condenam os outros. Em causa estão os meios utilizados. Portanto, ao contrário da “antiga” moral, os fins passaram a justificar meios. Os “pesquisadores” da net são bons ou maus consoante os fins, os meios não interessam. Diz o povo que “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Ao contrário da moda, julgo que o povo, desta vez, não tem razão.

     

    10.1.22

  • HERÓIS

    Há longo tempo, andam as mais altas instâncias cá da terra, media incluídos, a gabar, endeusar e tecer ditirâmbicas considerações sobre os altíssimos serviços prestado a todos nós pelos profissionais da saúde.

    Não me permito duvidar da sinceridade de tais opiniões. Só que, em relação às classes elogiadas, a coisa não deveria ser tão generalizada. É que, em relação a 2019, as faltas ao trabalho, segundo o Portal da Transparência do SNS, aumentaram 21,6%, cifrando-se, em 2021, no astronómico número de 5.100.000  (cinco milhões e cem mil) dias de trabalho não prestado, ainda que pago. Estranhamente, parece que o aumento da intensidade do trabalho no SNS, por causa da epidemia, em vez de diminuir as faltas, as aumentou. É claro que as razões para tal absentismo são, sobretudo e segundo os próprios, a doença, o apoio aos filhos os acidentes e as doenças profissionais. Tudo certinho. Mas…

    Não tenho, nem sei se há quem tenha, elementos para comentar ou tecer profundas considerações sobre o assunto, mas parece-me que carece de demonstração a chuva de elogios que tombou sobre a heroicidade generalizada dos funcionários públicos envolvidos na luta pela nossa saúde.

    Sei que, no Portugal socialista, o colectivo se sobrepõe sempre ao individual, justificando as generalizações. Mas, no caso, talvez fosse mais sensato premiar e distinguir quem trabalha, e trabalha bem, em vez de endeusar o colectivo criando uma nova classe de heróis.

     

    10.1.22

  • NO AUGE DA TRAPALHADA

    Dadas algumas observações pouco abonatórias do meu último post, tomo a liberdade de chamar a atenção dos críticos para algumas insofismáveis  realidades.

    Se a memória me não trai, digam-me lá se não foram votar nas autárquicas e nas presidenciais sem haver normas especiais, para além do trivial, que impedissem de votar quem o quisesse fazer. Quem iria fiscalizar se o eleitor estava infectado ou não? Ninguém. Alguém exigia testes, certificados ou outras martingalas como condição para exercer o direito de voto? Não. Sabia-se se algum eleitor “confinado” dava um saltinho à rua para votar? Não. A malta guardava distâncias,  usava máscara, tinha cuidado? Sim. Houve necessidade de criar um sistema especial? Não. Houve algum surto suplementar motivado pelas eleições como dizem que houve por causa do Natal do ano passado? Não. As variantes em acção eram mais perigosas que o omicron? Eram. Havia menos gente vacinada do que há agora? Havia. Houve alguma lei especial, ou específica, por acusa das eleições? Não.

    Há alguma razão para, nas legislativas, ser diferente?  Há. A razão é só uma: manter, incentivar, generalizar ainda mais o medo, dominar, descriminar, ameaçar, privar, num alarde de poder nunca visto. 

    À espera de um parecer da PGR (qual será a competência da PGR nesta matéria – será um novo Tribunal Constitucional criado à pressão PS?), as pessoas, espantadas, atónitas, confundidas, com uma “crença” já patológica nas “autoridades”, esperam a “salvação”.

    Lindo.

     

    9.1.22

  • A GRANDE TRAPALHADA

    Toda a gente sabe, por experiência própria ou alheia, que a doença covide, nesta fase, é uma gripe chata, mais leve ou mais dura, com os sintomas, os incómodos e as consequências da gripe “clássica”, própria da época. Toda a gente sabe que os chamados “positivos”, na sua esmagadora maioria não têm sintomas de espécie nenhuma, ou seja, não adoecem.

    No entanto, a triunfante guerra do medo, em vez de parar, continua, e até mais catastrófica que antes. A economia estrebucha, os pequenos negócios, de que tantos dependem, andam às aranhas. Há bichas para os testes por todos os lados, as pessoas são discriminadas, vivem num terror que não tem qualquer razão de ser e, loucura das loucuras, são ameaçadas de nem poder votar. O governo, em mais um alarde de incompetência, esqueceu-se de programar, mas não de ameaçar. A vinte dias das eleições ainda não sabe o que há-de fazer a quem esteja abrangido pelas ameaças que propala. Não há quem não o diga.

    Parece mais que evidente que o que o governo tinha a fazer era nada fazer. Guardadas as cautelas de que o governo tanto gosta (máscaras, distanciamentos, gel…) as pessoas deviam ir votar como sempre foram, sem quaisquer limitações. Mas o terrorismo sanitário tem muita força. Tanta, que é capaz de levar a um nunca visto número da abstenções, com a correspondente desvalorização política e social do resultado, seja ele qual for.

    A pessegada continua, a nossa saúde mental a piorar e as trapalhadas das ininteligíveis “medidas” continuam viçosas.

    Os pruridos jurídicos do governo sairam da gaveta. Nunca o Presidente ou o governo se preocuparam coisa que se visse com a Constituição, as leis, os direitos consagrados como inatacáveis nos países ditos civilizados, normas espezinhadas com as mais rebuscadas justificações com a desculpa do covide.

    Só agora, para continuar a não resolver o problema que criou com a história da “segurança sanitária” no acto eleitoral, vem ter “escrúpulos jurídicos” quanto a tal segurança. Ou seja, criou um problema e, incapaz de o resolver, arranja maneiras para adiar a solução do insolúvel.

    Vai ser bonito.

     

    7.1.22

  • BOYS SÃO BOYS

    Nole me tangere (s. Mateus). Não me toques, em tradução um tanto abusiva.

    O PS, que sabe umas frases bíblicas(?), tratou de abusar, muito mais que o IRRITADO. Assim, por ordem do Costa, vai de renovar – por cinco anos! – altos cargos da administração pública que expirariam em Fevereiro. O Costa não é de modas: os boys são sagrados, neles não se toca. Mesmo que perca as eleições, mesmo que se demita, trata de segurar os seus. E logo a começar pela presidência do conselho de ministros. Se outro subir a PM, terá que se haver com uns fulanos que passam a espiões avençados do Costa. Ou substituí-los, com choruda indemnização.

    É assim a honestidade socialista, largamente demonstrada desde há seis anos e que, mesmo que perca o poder, continuará.

    Quando nos livraremos deste cancro? Será que é incurável?

     

    5.1.22

  • VIRAR A PÁGINA

    .Qual página? A tão célebre expressão do abominável Costa foi, do alto do cadeirão de Belém, repetida por quem lá se senta.

    Dizia o seu autor, há longos e tristes seis anos, que virava a página para acabar com a progressiva resolução dos problemas do socialismo levada a cabo por Passos Coelho, e criar aquilo que veio a poder chamar-se, com inteira justiça, a “nova pobreza”, ou seja a transformação progressiva, e “progressista”, de Portugal numa espécie de Bulgária Ocidental.  

    Enfim, a frase serviu de inspiração ao mais alto senhor da República. Que página quer ele virar? A coisa deu que falar. Tudo minha gente está de acordo, chamando à página o que lhe convém, talvez porque o discurso foi um mar de inanidades, ao que perece não fazendo mal a ninguém. Verdade? Não me parece.

    Como o IRRITADO é um tipo sem escrúpulos, foi buscar outra frase, essa com inegável importância e clareza q.b.. É que o Presidente desta coisa declarou, sem deixar margem para dúvidas, que precisamos de “um governo com legitimidade reforçada”. Vejamos: não há nenhum governo que precise de reforçar a legitimidade, a não ser o do Costa. Os outros, não sendo governo, não precisam de “reforço”. Poderão, se tivermos sorte, acabar com o Costa, mas não precisam de reforçar uma coisa que não têm. Donde, numa interpretação pelo menos legítima, o que Marcelo R. de Sousa quer é que o PS saia “reforçado” das eleições.

    Mais um servicinho ao país, leia-se ao PS, prestado a partir de Belém. Bonito.

     

    3.1.22

  • RETRATAÇÃO

    Há dias, escrevi umas irritações sobre os critérios que presidiram à nomeação do nosso representante na Bienal de Veneza. Pouco percebendo de artes, fiz-me eco de um artigo de um especialista na matéria que classificava Grada Kilomba como artista de segunda. Aqui me retrato. A senhora, afinal, tem imenso mérito, ainda que centrada em temas raciais. Por razões (trafulhices?) entretanto denunciadas, parece que venceu o “critério” de “género”. Ganhou o “não-binário”(???).

    Não sei quem merece a distinção. Sei que tanto o critério “racial” como o “de género” nos dão uma imagem aterradora do mal que tem sido feito à nossa sociedade pelo politicamente correcto odiosamente propalado pelo Bloco de Esquerda e afins, transformando a nossa sociedade num saco de gatos, cada qual mais repugnante.  O racismo negro e o proselitismo “de género” hoje presentes na nossa “cultura”, bem representados em casos tão paradigmáticos como o da Bienal de Veneza, dão-nos uma imagem da profunda indignidade em que, todos os dias e por todos os meios, somos mergulhados.

    Haverá, ainda, quem resista a isto?

     

    29.12.21                 

  • VIÁVEIS E INVIÁVEIS

    Numa das suas habituais prelecções, lições, demonstrações, declarações, afirmações, etc., o inimitável camarada Centeno veio iluminar a nossa fraca cultura com uma frase que, sem dúvida, será célebre, se tornará mote para inúmeros tratados e o fará candidato de topo ao próximo Nobel da economia política, pública, privada, macro, micro, etc.. Disse ele que insiste “no desaparecimento das empresas que não provem viabilidade”. A importância universal da frase mereceu, para começar, honras de manchete no “Expresso”, jornal muito atreito a frases.

    E nós? Esmagados pela sapiência desta lusa alma, curvados perante a profundidade do seu intelecto, deslumbrados pela sua nobre acutilância, ficamos à espera das mundiais repercussões de tal e tão luminosa declaração.

    Entretanto, podemos aguardar as consequências que, no pequeno mundo das Quinas, não deixarão de influenciar o nosso futuro. Assim, aguardemos com ansiedade que o espantoso Centeno comunique o seu saber a outros camaradas seus, sobretudo ao grande Costa, ao enorme PN Santos, à dona Temido, e a tantos outros que, sequiosos de saber, talvez possam aceitar o conselho aplicá-lo a coisas tão importantes como a TAP, a CP, os hospitais públicos e tantas outras organizações estatais ou estatizadas, que, sob a alçada e a direcção desses senhores, se debatem com conhecidas inviabilidades.

    Em alternativa, tementes de que tais criaturas possam não agir em conformidade com os bons conselhos do sábio, talvez possamos, com larga vantagem, optar pela declaração da inviabilidade delas, fazendo-as “desaparecer” no fim de Janeiro.

     

     26.12.21

  • REPRESENTAÇÃO NACIONAL

    Uma coisa chamada Direcção Geral das Artes anda a debater-se com o ingente problema de nomear um português para representar o país na bienal de Veneza. É que, sabe-se lá porquê, há só dois candidatos. Dado que temos tantos (diria milhares) de altíssimas figuras da nossa arte, porquê só dois? Não se sabe.

    O que se sabe é que os dois escolhidos têm, como qualidades que estão na base da escolha, as seguintes: um (uma, julgo) por ser de origem africana, Quilomba de seu nome. Outro (outra?) por ser do “género não-binário”. A primeira, pelo que li, escrito e assinado por notável especialista, não vale um caracol, pelo menos em face de uma coisa tão importante como a Bienal de Veneza. Quanto ao segundo, um certo Marques, não tenho referências, por infeliz incompetência na matéria. Mas sei que é candidato por se tratar de um fulano(a) “não-binário”. Não faço a menor ideia do que seja um “não-binário”, mas tenho as maiores dúvidas que tal possa servir de critério artístico para a representação da Nação. Tratando-se de “género”, a coisa agrava-se. Então, e os não-trinários, e os não-quaternários, etc., hem? E os binários, trinários, quaternários? E outros? Só no Brasil, já identificaram setenta!

    Talvez o melhor fosse consultar a fulana das framboesas. Mandava-se um cão, e pronto.

     

    26.12.21

  • QUEM SE METE COM ELES…

    … e foi mesmo assim. Toda a gente sabe porquê. O almirante (o outro) foi defenestrado uns meses antes do fim do mandato. Ele não queria, mas a fúria dos tiranos foi mais forte. A malfadada reforma das forças armadas (parece que só tipo das vacinas gostava daquilo) não é para quem não está de acordo: é comer e calar, ou vais para a rua! E foi.

    Isto com tanta raiva que, antes de tempo, já o Cravinho tinha querido pôr-lhe os patins. O senhor de Belém não gostou de ser ultrapassado e meteu travões ao esquema. Mas, respeitados os pareceres e outras martingalas, pimba!, não hesitou em, mais uma vez, prestar os serviços necessários ao Costa, e demitiu o homem. A vingança foi servida com pastéis de Belém azedos, nas vésperas de Natal, para ser mais amarga para a vítima.

    E pronto. O ambicioso homem das vacinas lá foi pela escada acima, com mais uma estrela e um galão dos grossos. Parabéns.

    *

    Para todos, os meus desejos de uma consoada sem testes.

     

    24.5.21

  • APONTAMENTOS NATALÍCIOS

    O PÉ NA ARGOLA DO LEME

    Já aqui nos debruçámos sobre o merecido e formidável efeito político que os vacinais feitos do almirante tiveram sobre a opinião pública. Comparem o almirante com o coronel que hoje trata da máquina das vacinas que o dito almirante abandonou, um senhor que entra mudo e sai calado, como compete.  O nosso tão célebre e tão amado marinheiro de águas profundas, por seu lado, não pára com entrevistas, colóquios, declarações, notícias, etc. Já o temos, até, como candidato ao cadeirão de Belém. Não faz a coisa por menos: “não tem “tais intenções”, mas que “ninguém diga desta água não beberei”. Notável, sobretudo vindo de um homem que se declarava militar, só militar e nada mais que militar. Entrou-lhe o bichinho da política e ele gostou. Ai se gostou!   

     

    TARDE PIASTE

    Uma senhora, ao que parece secretária de Estado do governo, mandou-me uma simpatiquíssima cartinha louvando os meus feitos na guerra de Angola. Obrigadinho. A acompanhar a dita carta, vinha uma caixinha de veludo azul. Na tampa, a prata, uns dizeres. Assim: “Titular do reconhecimento da Nação”. Lá dentro, devidamente almofadado, um “pin” com um trângulo e os dizeres “Antigo Combatente”. Mais uma vez, obrigadinho. 54 anos de pois (no meu caso), alguém se lembrou dos combatentes do Ultramar. Aqui há tempos, tinham-me mandado um “Cartão de Combatente”, coisa que, apesar de falar em grandes benesses, não serve absolutamente para nada.

    Tem graça, ou não tem graça nenhuma. Antes de mais, farei como o Rio: cheira a eleições, não cheira? Cheira pois. A “situação” passa a vida a chamar-nos colonialistas, esclavagistas, torturadores, fascistas, exploradores do povo, racistas e outros mimos da cartilha da esquerdalha. Eis senão quando, dá-lhes na cabeça passar-nos a mão pelo pêlo. Ora bolas.   

    No tempo do Portas, quando ainda não nos chamavam tantos nomes, deram-nos uma “reforma”: 150 euros por ano, mediante requerimento. Pagos em Novembro não sei porquê, nem sei se ainda pagam.

    Tudo isto é muito agradável mas, vindo da esquerda, cheira a cinismo, hipocrisia e coisas do género. Raio que os parta.

     

    PHOTOSHOP

    Ele há coisas fantásticas nisto dos computadores. Vejam o cartaz do PAN, onde, trabalhadíssima, somos bridados com a doce imagem daquela senhora que produz framboesas em túneis que não são estufas (pois). Vejam, comparem com a realidade, e riam ou chorem consoante os vossos sentimentos.

     

    CLAREZA

    Dona Catarina brindou a Nação com mais uma inteligentíssima declaração. Disse que “geringonça sim, mas com clareza”. Pois claro, ela não vai lá com mèzinhas. Só com holofotes. Podemos ficar descansados.

     

    TAP

    Ontem, com todo o carinho, fomos presenteados com as tão sensatas palavras do barbaças que diz que toma conta da TAP. Por acaso, minutos antes desta sessão de propaganda, um tipo que não simpatiza com as bocas do barbaças demonstrou por a+b que estávamos metidos em mais um imbróglio que nos vai custar milhares de milhões sem contrapartidas que se vislumbrem. À atenção dos incautos.

     

    Boas festas.

     

    23.12.21

  • CARTA AO ELEITOR MODERADO

    Quais deverão ser as preocupações do eleitor moderado no que toca ao sentido de voto nas legislativas? Não serão, ao contrário do que se diz, os problemas de fundo, nas finanças, na economia, no trabalho, na saúde e noutras, tantas, importantíssimas matérias. Todos os candidatos, sem excepção, apresentarão propostas tidas pelos próprios como salvíficas, todas a apontar um futuro de ultrapassagem dos problemas, um caminho novo, uma luz ao fundo do pavoroso túnel onde somos conduzidos pelo poder há mais de seis anos.

    Sejam quais forem as prioridades do leitor moderado, hierarquizadas segundo os seus interesses e ideias, prevalecerá a confiança ou desconfiança nos candidatos. Se confiam nalgum, nele votarão. Outrossim, poderão não querer eleger algum mas fazer os possíveis por evitar a eleição de outro, ou para lhe diminuir a margem de manobra.

    Postas as coisas neste pé, vejamos a situação que se apresenta ao pobre eleitor moderado. A situação é quase desesperante. O eleitor moderado não votará no Costa, porque, por um lado, não quer correr o risco de ver voltar a geringonça ao poder e, por outro, não confia num líder sem escrúpulos, que não assume responsabilidades nem tem peias no que à propaganda diz respeito. Mas, helas, garantido está que a qualidade do principal opositor, e proponente aliado, Rio, não dá sentido útil ao voto moderado.

    Por outras palavras, o eleitor moderado pensará que o seu voto deve ser um voto de castigo.

    Já que tudo indica não poderá correr com o Costa nem evitar que o Rio seja o “opositor” que é, sem alma, sem juízo, gabarola e convencidão, sem outro projecto político visível a não ser o de aspirar a ser bengala do adversário. Então, que opções? Um CDS sem vergonha e de rastos, não. Um inaceitável Chega, não.

    Resta a IL como única opção com pés e cabeça: gente nova, com alguma preocupação com os direitos das pessoas e com condições para, pelo menos, abanar as águas do pântano podre em que vivemos.

    Se não quiser, então que se abstenha, seja coerente com a sua indignação e com o seu pessimismo.

     

    17.12.21

  • POLITIZAR O RENDEIRO

    Não me lembro de algum dia ter tecido elogios ao senhor Rio. Se calhar fi-los, nos tempos em que ele dizia não gostar do Pinto da Costa. Mas juro que não me lembro.

    Desta vez, porém, ainda que de forma canhestra, o homem tem alguma razão, quando diz que a prisão do Rendeiro foi efeito da campanha eleitoral. Talvez, à partida, não tenha sido. Duvido, mas não afirmo. Facto é que, se não foi de propósito, parece. Veja-se a bonança que foi para as hostes governamentais. O chefe da polícia, esquecendo-se de que as “autoridades” tinham deixado fugir o homem, passou dois dias nas TVs a gabar-se do seu histórico feito, em justa concorrência com a propaganda do covide e da bola. A “Judite” subiu aos píncaros da glória. A ministra da Justiça acorreu a, ditirâmbicamente, elogiar o seu subordinado, instrumento de eleição da política do governo, espada justiceira, “maravilha fatal da nossa idade”. O primeiro ministro deu largas à sua fatia: a Justiça a funcionar, o estado de direito (leia-se, o PS) no auge do seu bom e justo trabalho. Agradado e comovido, o senhor de Belém veio a correr apanhar o combóio das loas a tal estado (leia-se, ao governo). Os media serviram de coro e fanfarra. Um comício universal.

    Se, por acaso, a prisão do Rendeiro (que podia ter sido feita muito antes) não foi manobra eleitoral, o seu aproveitamento ultrapassou largamente uns cartazes e umas sessões. Melhor e mais barato. Não foi, não é propaganda política em vésperas das eleições? Foi, e é.

    O Rio quis dar um ar da sua graça. Fê-lo com os pés, como de costume. Mas, enfim, no fundo teve razão, quiçá não sobre o primeiro objectivo da operação, mas acertando na muche do que se lhe seguiu.

     

    14.12.21

  • CENSURA

    A polémica lançada pelos deputados sobre os pareceres acerca da vacina das crianças está, ou esteve ontem, ao rubro.

    Muito se disse, coisas sérias e disparates. Ninguém, que eu tenha ouvido, disse a verdade. Esta tem um nome: censura.

    Parece evidente que os pareceres não foram divulgados porque algum ou alguns deles era ou eram contra a tal vacinação com argumentos sólidos. Como as “autoridades” querem impingir a vacina seja como for, não podiam deixar que (mais) alguma dúvida se instalasse na cabeça dos pais das crianças. Por isso, nada foi revelado, nem será.

    A ditadura do covide tem muitas destas coisas. A malta lá vai amochando, mas as “autoridades” não têm perdão.

     

    10.12.21     

     

  • O REGATO DO RIO

    Como toda a gente sabe, o senhor Rio, após largos anos de férias ou de faltas ao seu trabalho como alegado chefe da oposição, resolveu dar um ar da sua graça. Alguém se chegara à frente para o substituir, o que, como diz, o “picou”. Até aí, nada que o camarada Costa fizesse o tinha “picado”, mas um ataque por dentro, que diabo, dava-lhe cabo da sesta!

    Na campanha interna, ao mesmo tempo que dizia que ia “tratar do país” em vez de se opor ao seu rival, mais não fez que zurzi-lo por tudo e por nada. Ao mesmo tempo que dizia cobras e lagartos dos “barões” que se lhe opunham, punha os seus a cacicar à vontade. E assim por diante.

    Uma vez ganha a eleição, tratou de limpar o partido. Não prometia nada, mas “não era ingrato”, o que quer dizer o contrário. Em vez de unir o partido (coisa que, nobremente, o seu challenger, não se cansava de propor), tratou de o “escanhoar”. Os militantes passaram a dividir-se entre “leais” e “desleais”, bons e maus, militantes fiéis e infiéis, ou seja, os que serão pagos e os que nada verão que não seja ostracismo. Dividir para reinar, é a filosofia do totalitarismo e da arrogância.

    A seguir, veio o “recentramento”, que é o que o circo mediático, empolgado, chama à esquerdização do partido. Aqui, já não se trata de problemas de carácter, mas de erro político. Toda a gente sabe que o PSD nunca ganhou eleições sem se opor ferozmente ao PS. Se foi buscar votos ao centro (onde, é verdade, se ganha as eleições), foi porque convenceu esse centro, (cansado dos monumentais desmandos do socialismo nacional) da utilidade de votar PSD, e não porque se oferecesse em sacrifício no altar do adversário, coisa em que todos os dias insiste. Não percebeu que o PSD, diga-se ou não social-democrata, é, pela ordem natural das coisas, o partido que representa o eleitorado que vai da social-democracia e do velho republicanismo moderado à direita democrática em geral, seja ela liberal ou democrata-cristã. Não é esquerdizando que pode falar a este tão largo espectro.

    É claro que, como seria de esperar, os media andam a pô-lo no altar. E ele, convencidão, arrogante, dono da verdade, redescoberto, solipsista, saído da casca, parece convencido de que há mais quem vote nele por se mostrar “cooperante” com o PS do que por opor-se a ele.

    Enfim, parece que acha, se calhar com razão, que haverá quem como a sopa que quer servir ao pais, acolitado na cozinha por figuras tão altas como a do o cacique de Ovar, do senhor Silvano ou de outros que tais. Quem vale alguma coisa no PSD, ou já está na prateleira ou para lá caminha.

    Não sei o que isto vai dar, mas parece que o Costa não acha nada mal.

     

    6.12.21       

  • PESSEGADA

    Não sei se haverá alguém que se entenda com as “medidas” do Costa&Cª para o covide. Aliás, jamais alguém se entendeu com tais coisas ao longo do interminável tempo em que estamos metidos nisto. Os números com que somos bombardeados pelas televisões – grandes promotoras do medo e da lavagem ao cérebro das pessoas -, as variadas teorias e  opiniões que, unanimemente, escondem alguns deles – por exemplo, os da mortalidade –, o cuidado que se tem em relação a comparações com os da gripe em anos anteriores, o escamotear de tudo o que não contribua para o susto generalizado, o silêncio sepulcral a que são votadas quaisquer ideias fora do mainstream, outra coisa não provocam que não seja o fomento da carneiral insanidade. Excluidos sejam os espíritos, poucos, que ainda conservam alguma capacidade de dúvida e algum amor ao escrutínio. Não passam, estes, de inimigos – como diria o almirante – ou de outras coisas piores.

    No meio disto, temos o anedótico, bem representado pelo chefe da antiga – e da futura – geringonça, o inigualável Costa. Foi ele o herói, enquanto presidente da UE, que inventou, ou promoveu, o salvífico certificado. É ele, agora, a decretar entre nós que o seu bem amado certificado  não presta para nada, os testes é que é bom. Quanto mais testes, mais covide. Formidável.

    As vacinas, antes de existir, eram a nossa mais maravilhosa esperança. Finalmente, vieram, foram aplicadas a toda a malta. Estávamos safos. Pouco depois, afinal para pouco serviam. Venha a segunda dose. Ainda os braços dos pacientes doíam da segunda picada, vai de dar-lhes a terceira, que a segunda não chegava. As máscaras, que segundo a dona Freitas, começaram por ser contraproducentes, depois passaram a indispensáveis, com a chuva de bactérias, vírus e outras porcarias expulsas pelos nossos pulmões a ser metidas neles outra vez. Muito saudável. E assim por diante. Assistimos à mutação brasileira, à britânica, à delta e a não sei mais quantas. Temos agora a omicron com acento no O, à revelia da fonética nacional. Esta veio da África do Sul. Há-de vir a das Filipinas, do Vanuatu e das Berlengas, entre outras.

    A confusão é para alimentar e continuar, provavelmente até que estejamos todos meio patarecos da cabeça.

    Talvez o ideal fosse esperar pela Primavera, como dantes. É só ver as curvas.

     

    30.11.21       

  • QUE MAIS NOS IRÁ ACONTECER ?

    O Rangel, no discurso de derrota, fez o que podia, ou sabia, para defender a união dos militantes à volta do vencedor. Ilusória sinceridade.

    O Rio, no discurso de vitoria, teve duas frases que dizem tudo: “não prometi nada a niguém” e, logo a seguir: “mas não sou ingrato”. Mente na primeira e, à segunda, desmente-se a si próprio: os lugarzinhos lá estarão, não por nepotismo, claro, mas por gratidão. Fiquem os áulicos descansados.

    Adiante disse que união sim, mas só para quem quiser, o que quer dizer que a “união” para os amigos. Os outros são descartáveis, ou estão descartados à partida. Não será o presidente de todos os filiados, mas só daqueles que o adularem, acéfalos e ignaros.

    Está tudo dito, e confirmado. Como desde o primeiro dia, Rio só trabalhou para dividir o PSD em bons, os yesmen, e maus, que têm ideias. Quem tem ideias é dividionista, quem lhe obedecer como um cão, é óptimo. O debate acabou-se, o que o que o Rio promete é a sua imperial ditadura.

    Não é estranho que todos os opinadores considerem que o PSD está dividido ao meio, talvez irremediavelmente.

    O Costa e o Chega, grandes vencedores des eleições no PSD, abrem garrafas de champanhe. O Jerónomo, de vodka, a Catarina, de cachaça, até o PAN abre um frasquinho de sumo de groselha, fruto dos hectares da rotunda chefe.  

    A honestidade do vencedor ficou demonstrada. Declarou que ia pensar no país em vez de se meter na campanha. Outra coisa não fez senão atacar o concorrente, e à bruta. Qual país, qual carapuça. E, sem surpreza, redeclarou vinte vezes que está às ordens do Costa.

    O espantoso é que houve quem votasse nesta… não digo o quê.

    Que mais nos irá acontecer, nas mãos de gente desta?

     

    29.11.21

  • A ESCOLHA

    As eleições no PSD, que o senhor Rio, farto de espernear contra elas, acabou por não conseguir evitar, resumem-se à escolha entre duas opções fundamentais. De um lado, a oposição ao PS (Rangel), do outro a declarada subserviência ao PS (Rio). Há um ditado que reza “quanto mais me bates mais gosto de ti”, o que parece ser, e é, deste, a filosofia de base.

    Quem se propõe lutar por uma vitória nas urnas, propõe as suas ideias, defende-as, e ataca o adversário. Guarda as decisões, se for caso disso, para depois de conhecidos os resultados eleitorais. Quem desistiu de lutar, pede esmola antecipada, rebaixa-se e aos seus por uma remota hipótese de vir a comer as sobras do adversário, o qual fica desde já com a faca e o queijo na mão para, se lhe apetecer, o mandar às urtigas,.

    Os militantes do PSD deviam ter consciência de que o seu partido só chegou ao poder quando, ferozmente, se opôs ao PS e à sua camarilha – Sá Carneiro, Cavaco, Passos Coelho. Não sei se Rangel conseguirá o mesmo mas, pelo menos, tem tudo para abrir caminho para tal. Rio é a derrota antecipada, de tal maneira a tem como confessado objectivo.   

    Cercado, quase sem excepção, por nulidades intelectuais e políticas sem presente nem futuro, gente que não passa de ocos yesmen, Rio sente-se bem. Um abismo em relação a Rangel. Desgraçadamente, parece que, mesmo assim, terá hipóteses de ganhar. Para nós, a hipótese é a de, às mãos de Rio, continuarmos, firmes, a caminho do  abismo (mais um) em que o PS não deixará de nos precipitar.

     

    26.11.21

  • DA NOVA CENSURA

    A censura deixou de existir nos países democráticos, respeitadores dos direitos humanos, seguidores das inúmeras declarações, constituições, instituições, etc. sobre o assunto. De acordo. Não há censura oficial, nem lápis azuis, nem coronéis. Mas há outra censura, a do politicamente correcto, praticada pelos media com afinco, todos os dias. Quem discute o que “não se discute”, é descriminado. Science is settled (a negação da ciência), como no caso do covide, das alterações climáticas, das “políticas de género”, etc., é como se não existisse, não merece notícias, cale-se essa gentalha. O que não está determinado, imposto, apoiado, aceite por quem manda, pela nova moral, pela correcção, é condenado ao silêncio.

    Diz-se, com razão, que, nas redes sociais, há toneladas de mentiras, de conspirações e de outras porcarias. Mas quem tiver sorte encontrará nelas verdades importantes escondidas pelos media e pelos governos .Um exemplo interessante é o das conferências de imprensa de vários deputados europeus, mentalmente saudáveis, que só nas redes sociais estão disponíveis.

    A seguir um link ilustrativo do que acima digo:

    https://www.youtube.com/watch?v=hq55vOwKpTM

    Para quem tiver pachorra para ver e entender, concordando ou não.

     

    26.11.21

  • TRUQUES

    O nosso estimável governo, perante a indignação social causada pelos preços dos combustíveis, resolveu arranjar uma série de “soluções”, qual delas mais complicada, imaginativa e ao alcance de alguns, para dizer que está atento ao problema e que protege os interesses das pessoas e das empresas.

    Parece óbvio que, sendo os impostos uns cinquenta por cento do preço, e crescendo em proporção, se o governo quisesse atender às aflições das pessoas, baixava os impostos. Mas não, os impostos ficam como estão. Quem quiser um descontinho, que vá à net à procura dele.

     Por outras palavras, para papalvo comer, e ficar agradecido, o governo dá uma de bonzinho, certo de que há quem ache muito bem. Sem tocar nas toneladas da carga fiscal que esmaga a sociedade, atira um rebuçado e bate palmas. Um truque digno de nota. Os parvos até gostam.

     

    26.11.21