IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • QUAL PROBLEMA?

    Dizem os jornais que a saga dos registos está cada vez pior. Ninguém se entende, os funcionários reclamam que não têm dados que permitam emitir documentos, os utentes amontoam-se, não há nada para ninguém, uma inacreditável bagunça.

    Interrogada sobre o assunto, a Senhora Ministra da Justiça, dona deste pelouro, declarou que não há problema nenhum.

    Em matéria de solução de problemas, temos aqui uma importante novidade. O governo não disse que a culpa era do Passos Coelho, nem do covide, nem da falta de civismo dos utentes. Nada disso. Parabéns. Desta vez a senhora ministra encontrou a melhor de todas as soluções. O problema não existe. Se não existe, não se fala mais nisso, e todos ficam contentes. Brilhante, não acham?

     

    29.11.21

  • GENEROSIDADE GOVERNAMENTAL

    Eis uma pergunta que muita gente fará: porque é que o Estado, “preocupado” com a mossa que os preços dos combustíveis fazem à economia e ao bolso de cada um, arranjou uma série de catracas para “devolver” aos contribuintes o que lhe sacou na bomba de gasolina em vez de, simplesmente, cortar nos impostos que levam para os bolsos públicos metade do que foi pago e que crescem na proporção do aumento de preços?

    A “explicação” é esta: os espertalhões do governo põem as coisas de pernas para o ar. Por um lado, não tocam nos monumentais impostos mas, para parecer bonzinhos, põem o pessoal em luta com sites feitos à la “manière”, devolvem uns tostões a quem tem para tal pachorra ou necessidade, e ficam com os repectivos louros. São os bons, os compreensivos, os que merecem gratidão.

    Se gosta de ser enganado, agradeça.

     

    25.11.21

  • BRINCADEIRAS EUROPEIAS

    Na Madeira, há uma “zona franca”. Convém que haja? Não sei, mas à Madeira não há dúvida que convém. Se convém à Madeira, se calhar convém ao país. É legal, dá bons resultados, não faz mal a ninguém. Há quem, com boas razões, se oponha à existência destes mini-paraísos fiscais. Mas não parece que seja a Portugal que compita acabar com eles enquanto não forem banidos por todos.

    Vem isto a propósito da censura da UE se ter abatido sobre o caso. Não o caso da existência da zona franca, mas o de as finanças portuguesas, ao que parece, terem usado critérios fiscais “generosos” no cálculo do IRC. As empresas apresentaram as suas declarações, as finanças aprovaram-nas, e foi tudo.

    Não discuto a legitimidade ou a veracidade das declarações. Mas sei (dizem os jornais) que foram aceites por quem de direito. Vem a gora a UE exigir que o Estado Português caia em cima das empresas, culpando-as e obrigando-as a pagar milhões. Parece que o culpado é o Estado, que, bem sabemos e sentimos no bolso, em matéria de impostos não é meigo. Se se enganou, ou se não seguiu à risca os altos mandos de Bruxelas, de quem é a culpa, do Estado ou das empresas? O Estado não se enganou, aplicou extensivamente os critérios legais, porque convém ao Estado não dar cabo da ZFM.

    E agora são as empresas que têm que devolver (ao Estado!) os dinheiros que o Estado não quis, nem quer,  receber?

    Se a UE quer acabar com as ZF, pois que o faça, mas a todas ao mesmo tempo. Andar a destruir aquelas de que beneficiam os mais fracos é que não parece legítimo. O que parece é que alguém, na UE, anda a brincar connosco.

     

    23.11.21   

  • OS NEGACIONISTAS

    Os chamados negacionistas serão mesmo gente? A pergunta é legítima, mas tem razão de ser. Se existem, não são gente, são outra coisa, inimigos, idiotas, fascistas, ignorantes e demais mimos da cartilha em vigor.

    Podem ser vistos na net. Há muita ignorância na net, é verdade. Mas serão todos os negacionistas umas bestas? Conheço vários que o não são. Pelo contrário, são cidadãos que têm as suas razões e as defendem com argumentos inteligentes.

    A pergunta é: porque é que só têm presença na net? Na net vale tudo, o responsável e o irresponsável, quem é sério, inteligente, responsável, legitimamente preocupado e informado,  vale tanto na net como o catastrofista, conspiracionista, idiota ou desordeiro, sem distinção ou contraditório?

    Alguém já viu um negacionista na TV? Alguém já leu, na imprensa, assinado, um artigo negacionista? Os negacionistas com pés e cabeça não têm direito à opinião a não ser enquanto objecto de insultos, estes com palco e fartura de loas. Não existem enquanto pessoas pensantes e cidadãos de pleno direito? Será que só se podem manifestar na rua ou em desordens e vandalismos, cortadas que lhes foram vias legítimas de pôr a suas ideias à discussão pública?

    Será que há censura, social, oficial eprofissional? Há. Os negacionistas não têm o direito de existir, de se pronunciar, de dar a cara?

    É um caso cada vez mais generalizado, e não tem só a ver com as políticas ditas sanitárias. O mundo em geral – e o nosso mundinho em particuar – tendem perigosamente a estabelecer verdades únicas, totais, irrespondíveis, obrigatórias, e a reger-se por elas. O direito ao contraditório, à discordância legítima e pacífica, está moribundo. O políticamente correcto tomou o lugar da liberdade de pensamento e de expressão. No caso do covide como em muitos outros. A verdade e o direito passaram a ter sentido único, a condenar a divergência e, com ela, os divergentes.

    Science is settled, é a frase da moda. Se está settled, não se pode discutir. É negação da ciência, da dúvida metódica, do direito ao debate. Quem não for adepto das verdades do politicamente correcto, ou não existe, ou não devia existir. Está a mais.

     

    2.11.21

  • CARRIS SOCIALISTAS

    O estapafúrdio ministro dos combóios (e da TAP e de mais uma data de desgraças) viu hoje publicada uma parte do resultado da sua obra:

    Dos jornais:

    “Apresentado em 2016, o programa de investimentos na ferrovia tem vindo a derrapar em todos os seus projectos e não será integralmente cumprido em 2023, prazo limite para a obtenção dos fundos comunitários a que se candidatou”.

    Temos sido bombardeados com declarações e mais declarações do senhor Pedro Nuno Santos (do PS, do Be, ou dos dois?) sobre as maravilhas dos seus projectos ferroviários. No entanto, valha a verdade: modernização da linha da Cascais, viste-la; MetroBus de Coimbra, não se sabe; linha do Douro, nem pensar; Torres-Caldas, zero; Tunes-Lagos; talvez em 2023; linha da Beira Alta, prometida para 2019, talvez veja obras em 2023; Évora-Elvas, uma miragem; dos 117 combóios a comprar, está tudo parado.

    Há mais, muito mais, mas para quê? O ministro PS/BE diz que até vai trecrutar 380 novos trabalhadores/eleitores mas, coitadinho, por culpa do chumbo do OE, tem pouca margem, ou seja, passada à história das aldrabices da esquerda a “culpa” do Passos Coelho, agora a “culpa” é do OE e de quem o chumbou. Do PS  é que não, que o PS nunca foi culpado de coisa nenhuma, ainda menos responsável seja pelo que for.

    Lembrem-se disto na hora de votar.

     

    18.11.21

  • PALAVRA DE RIO

    Rio veio dizer que à plebe não vai discutir nada com o seu adversário Rangel, uma vez que está ocupado com mais altos assuntos, a pensar nas eleições nacionais, não nas internas. Notável. Notabilíssimo político, a pensar em nós sem perder tempo com críticas ao adversário interno. Rio, agora – só agora – quer opor-se a Costa, não ao Rangel.

    Houve quem acreditasse em tão nobres intenções. Tratava-se de um virar de página, como soe dizer-se. Após seis longos anos a dar ao Costa todas as abébias de que Costa precisava, o inigualável Rio descobriu que era chefe do maior partido da oposição! Acordou tarde, ou tarde piou? Não se sabe.

    Descansem os crentes. No dia seguinte a tão notáveis declarações, Rio veio dizer o contrário, ou seja, voltou a atacar o Rangel, o qual “não está preparado para ser primeiro-ministro”, entre outros mimos.

    Mais uma vez, Rio veio imitar o seu guru Costa, pelo menos no que se refere ao cumprimento da “palavra honrada”. Esperou só umas horas para desonrar a palavra.

    À atenção dos eleitores do PSD.

     

    11.11.21

  • DA FILOSOFIA DO MEDO

    Não importa se é verdade (o que se diz sobre as alterações climáticas), só interessa o que o povo acreditar ser verdade.

    Paul Watson, co-fundador do Greenpeace

    Temos que cavalgar este assunto do aquecimento global. Mesmo que a teoria do aquecimento global esteja errada, estaremos a fazer o que é certo em termos de política económica e ambiental.

    Timothy Wirth, presidente da UN Foundation

    Alguns colegas que partilham muitas das dúvidas (sobre as alterações climáticas) sustentam que a única forma de mudar a nossa sociedade é assustar as pessoas com a possibilidade de uma catástrofe, e por isso está certo e é mesmo necessário que os cientistas exagerem. Eles dizem-me que acreditar como eu em opiniões abertas e honestas é ingénuo.

    Daniel Botkin, ex-presidente dos Estudos Ambientais da Universidade da Califórnia em Santa Barbara

    *

    Está tudo dito, não é? As afirmações bombásticas sobre o clima não têm nada a ver com a verdade, mas com o objectivo de quem as faz, que é mudar as sociedades humanas no sentido que querem. Qual? Não sei o que seja, só sei que será via medo, ameaças, e ruína mental das crianças de hoje e do seu futuro. Para tal, tudo serve, a verdade é uma batata.

    *

    A inacção causará,… na viragem do século (2000), uma catástrofe ecológica que se exprimirá numa devastação tão completa e irreversível como uma catástrofe nuclear.

    Mustafa Tolba ex-director executivo do programa das Nações Unidas para o ambiente, em 1982

    Qual devastação, qual catástrofe, qual 2000?

    Dentro de poucos anos a queda de neve (no Reino Unido) tornar-se-á ou muito rara ou deixará de existir. As crianças deixarão de saber, sequer, o que é a neve.

    David Viner, cientista investigador senior, em 2000

    Por volta de 2020 as cidades europeias mergulharão em mares que subiram, e a Grã-Bretanha estará a braços com clima siberiano.

    Mark Tousend e Pail Harris, citando um relatório do Pentágono no “Guardian”, em 2004  

    Um diz que vai ser quente, outro frio. Gente séria! Indesmentíveis cientistas!

    *

    Dirão os crentes na virgem Greta & Cª que o IRRITADO é, pelo menos, uma besta. O IRRITADO agradece e responde como o PC: a luta continua.

     

    8.11.21

  • CDS, DO TÁXI À TROTINETE

    O que segue foi mais ou menos assim:

    Há muitos anos (1985?), o CDS, chefiado por Lucas Pires, ficou “só” com 15 deputados. Lucas Pires demitiu-se por achar pouco. Na campanha eleitoral, Lucas Pires defendia ideias liberais. Adriano Moreira, seu número dois na lista (ou número um em Lisboa?), fazia campanha contra “esses senhores que andam para aí a defender o liberalismo”. Tornou-se líder do partido. O grupo parlamentar dividiu-se entre piristas, adrianistas, freitistas e não sei se mais. Lembro-me de um tipo que eu conhecia (já falecido), ferrenho adrianaista que, quando lhe chamei a atenção para o estado a que o partido tinha sido levado, me disse (nunca esqueci) “antes nós e poucos que eles e muitos”. Na eleição seguinte, sob as ordens de Adriano Moreira, o CDS transformou-se no célebre “partido do táxi”, com quatro deputados (ou 5?). Belo resultado do adrianismo anti-liberal.

    A actual situação do partido fez-me lembrar estes episódios, os quais, guardadas as devidas distâncias, têm o seu quê de semelhante. Chefiado por um ridículo rapazola, muito ocupado em guerrilhas e cioso do seu lugar e do seu vazio (Adriano, ao menos, tinha ideias), dividiu o CDS em não sei quantas fracções e prepara-se para reeditar o slogan “antes nós e poucos que eles e muitos”. A história repete-se, com outros actores. A diferença é que, com Adriano, ainda conseguiram um táxi. Com este, ou muito me angano, ou nem uma trotinete.

    É pena.

     

    8.11.21

  • A QUEM SAIBA

    Agradeço a quem saiba que me explique.

    As “autoridades” estão a vacinar os velhotes com a terceira dose do covide. Simultaneamente, espetam-lhes a vacina da gripe. Muito bem! Ou muito mal: se você, caro colega, disser que levou a vacina da gripe ontem, correm consigo. Só  daqui a duas semanas, decreta o polícia. E você não leva nem uma nem outra. Esperou duas horas na bicha dos velhinhos (“casa aberta”, dizem eles) e levou com os pés. Daqui a 15 dias, volta, sem marcação, dizem eles. Lá estarão mais dois mil velhos ao frio, ao sol, ou à chuva. E é se quiser. É facultativo.

    Já não há quem não tenha saudades do almirante. Mas o tipo anda ocupado em entrevistas, conferências e sessões fotográficas, refulgente farda branca. E cá estamos nós, outra vez nos braços da DGS.  

    Aguenta, ó palerma, ninguém te manda estar vivo.     

     

    8.11.21

  • BANHA DA COBRA

    Há uma promessa de Costa de que RIO se esqueceu. Ou não. Dizia aquele que no dia em que precisasse do PSD para aprovar um orçamento se demitia.

    Se as promessas do Costa (a sua célebre “palavra honrada”) valessem um caracol, mais não restaria ao Rio que deixar passar o orçamento, livrando-nos do mal. Não se lembrou disso, ou teve medo. Ou ainda, provavelmente, acredita tanto como eu nas promessas do Costa, aldrabão que faz inveja ao homem da banha da cobra.

    De qualquer maneira, isto é chover no molhado, mas não esquece.

     

    8.11.21

  • GLASGOW, A AMEAÇA

    Está o nosso mundo mergulhado no mais inacreditável alarmismo de que há memória.  Pelas ruas de Glasgow, e não só, pululam multidões aflitas com as mudanças climáticas, o CO2, os males do capitalismo, o medo da hecatombe planetária e outras ameaças. Tais aflições resultam na paragem do cescimento, na progressiva ruína economica, e noutras consequências, como no trabalho e na produtividade, coisas realmente importantes para acabar com a miséria e a fome; estes últimos males foram os que conheceram evidentes decréscimos ao longo das últimas décadas e são hoje vítimas inocentes do alarmismo apocalíptico em vigor.

    Um exemplo: as energias renováveis. Hoje, gastos já triliões de dólares em moinhos de vento e quintas solares, a percentagem de tais caríssimas e fraquíssimas energias é de 0,4% do consumo mundial, sendo que a IEA (International Energy Agency) estima que, lá para 2040, tais energias produzirão, gastos mais uns vastos triliões, cerca de 2,2% do total. Entretanto, como acontece em Portugal, montanhas são ocupadas com moinhos que dão cabo da paisagem e das aves e que custam o que custam, sendo o resultado o aumento brutal dos preços ao consumidor: e, se considerarmos a ocupação de terras produtivas com centenas ou milhares de hectares cobertos de painéis solares, o resultado para o consumidor é o mesmo, ou pior. Acresce que estas energias são de fraca produção, o que está técnica e financeiramente comprovado. Mais acresce que são intermitentes, implicando a existência de centrais térmicas, estas obrigadas a involuntária intermitência oposta, com custos acrescidos em relação ao normal. Isto, ao mesmo tempo que se bane a mais produtiva e limpa forma de produção de energia: a nuclear.

    É assim que a humanidade, ou poderosíssima parte dela, à pala de ameaças “estimadas” a esmo  por computadores (cada “cabeça” sua sentença), se vai aruinando a uma velocidade, essa sim, alarmante.

    Outro exemplo. Se atendermos às estatísticas das últimas décadas, dificilmente (ou só com muito “boa vontade…”) será possível concluir que os desastres naturais ultimamente ocorridos provam que a evolução climática é a causa de um aumento substancial de tais ocorrências. Mas, mesmo que tal fosse verdade, será que o simples declínio do consumo de energias fósseis acabará com a evolução, dita negativa, do clima? Não será, pergunto, que se trata de uma conclusão simplista, dado que não é possível, para além do imediatismo da meteorologia, prever com um mínimo de segurança a evolução do clima no planeta?

    Como as boas notícias não vendem, a informação pública escolhe as más. Não há nada a fazer. As múltiplas previsões de múltiplos cientistas que afirmam que a situação não é, pelo menos, tão má como a pintam, não interessam aos media. Interessam-lhe as parangonas das Gretas&Ca, que seriam só risíveis se não fossem perigosas, a fim de arrastar multidões e vender jornais.  O bom senso morreu, e quem não comer do prato do terror é ngacionista, fascista e outras bojardas da moda.

    Haja quem resista, a bem da humanidade, da paz, da economia e da inteligência, coisas criminosamente espezinhadas em Glasgow.

    2.11.21

  • O CORDEIRO E O LOBO

     

    Temos assistido de boca aberta à ausência de oposição à geringonça protagonizada por essa desgraça que aconteceu ao PSD chamada Rui Rio. Como manso cordeirinho, Rio foi acompanhando as tropelias e as pantominas do Costa com uma postura atenciosa e colaborante, tudo lhe perdoando sem uma palavra e quase tudo apoiando com os seus votos no parlamento. Estupefacto, o país foi amolecendo, ciente de que, não havendo oposição, a geringonça se manteria ad aeternum. Para quê resistir se aquele a quem mais competia fazê-lo estava em permanente falta de comparência?

    Assim passaram seis anos.

    Eis senão quando, o cordeiro se transforma em lobo. Porquê? Descobriu, finalmente, a sua função? Nem pensar. A transformação ficou a dever-se a meras razões pessoais, mascaradas de “defesa da democracia”, “interesse nacional” e outras coisas sérias transformadas em desonestas e mentirosas patacoadas. Ameaçado o seu poder no partido, assustado com a oportunidade estatutária para a expressão eleitoral de uma tomada de consciência dos filiados, bate-se contra um adversário legítimo em eleições legítimas, e antevê o seu consulado condenado a um fim pelo menos inglório. Defendendo o lugarzinho, usou e usa o que for preciso, esperneia, insulta, grita disparates, arrisca tudo, diz e faz o que pode para arruinar as hipóteses do adversário, faz declarações bombásticas, ataca o Presidente da República, o que lhe convier e lhe der na cabeça. Os escrúpulos, a democracia interna, tudo para o caixote do lixo. Ele, Rio, é coisa mais alta. O que tem medo de perder nas urnas, quer ganhar na secretaria. Ao ponto de, se perder para o adversário, querer guardar o poder de lhe cortar as pernas, dando cabo dele, do partido e do (nosso) futuro.

    As fauces do lobo abriram-se, o cordeiro morreu. O adversário do lobo é o PSD, nunca foi, nem será, nem o PS ou a geringonça. Nem a esquerda, que é o que o Rio, como diz, traz no coração.

     

    1.11.21

  • O IRRITADO ENGANOU-SE

    Contrariamente às previsões do IRRITADO, o orçamento não passou. Pecato!

    Uma “tese” que por aí já anda merece alguma credibilidade. Tirando as alterações exigidas pelos comunistas (bolchevistas, trotzkistas e outras especialidades) que podiam mexer nos projectos europeus do senhor Costa, as demais podiam ser por ele satisfeitas sem alterar o “espírito” do miserável documento orçamental. Então, se não as aceitou só pode ser porque lhe apetecia dar o golpe de misericórdia na geringonça. E, sabendo que o senhor de Belém dissolveria o parlamento em caso de chumbo, viu nisso a possibilidade de chegar a uma maioria, ou absoluta ou quase (com os parceiros nas lonas) nas subsequentes eleições. Acresce que o PSD podia vir a ser apanhado a contratempo, vindo, ó maravilha, a ser o Rio a fazer as listas de deputados e a continuar a dar cabo da vida ao partido, fosse ele ou o outro a ganhar as eleições internas. Nada melhor que este cenário para projectar o PS para a tal maioria. Um só pequeno passo mais: conseguir que o senhor de Belém marcasse as legislativas para tão cedo quanto possível, objectivo de que toda a esquerda e a parte mais estúpida de direita comunga alegremente. Postos os parceiros nos varais e em plena crise dos outros, nada melhor que eleições a mata cavalos.

    O drama de quem não é socialista, nem adepto do Chega, é incentivado e personializado pelas desgraças “irmãs” do PSD e do CDS, desgraças que dão pelo nome de Rio e de Chicão. Ambos estão mais interessados em ficar no poleiro dos repectivos partidos do que em defender o que interessa ao eleitorado. O CDS pouco conta, condenado que está à mais fatal irrelevância. Mas o PSD, senhores, que mais poderá o Rio fazer para dar cabo do imenso património político do partido? Alter ego que tem sido do Costa, que confiança dará em quem quer mudar o equilíbrio do poder? Nenhuma.

    E é nisto que estamos. Prouvera que o senhor de Belém tivesse um ataque de coragem com alguma hipótese de não levar à continuidade do status quo.

     

    31.10.21

  • NOTÍCIAS DO ALMIRANTADO

    Parece que o senhor almirante das vacinas está a entrar em areias alheias. A fama é das coisas mais difíceis de gerir. Mas o nosso almirante não deve ter percebido, por falta de prática. Ou então entra no jogo dizendo que não quer entrar. Vai mandando as suas bocas, propagandeia que não se mete em política mas, vistas os factos, é coisa que passa a vida a fazer. Sendo certo que forneceu ao governo do “nosso” Costa o, talvez único, argumento a seu favor em seis longos e miseráveis anos de poder, o nosso almirante segue na via da propaganda ao mesmo tempo que diz que quer voltar à profissão sem se deixar envolver em política. No entanto, desde que deu a missão por terminada, ei-lo em conferências, entrevistas, gabarolices várias.

    Na sua mais recente intervenção deu consigo a classificar os “negacionistas” como “inimigos”, a quem é preciso “retirar a margem de manobra”. Alguém devia lembrar-lhe que há negacionistas de extrema direita, de direita moderada, de centro, de extrema esquerda, de esquerda moderada, e de nada disso. São, na sua totalidade, cidadãos, coisa que parece não ser do conhecimento do senhor almirante. Muitos deles, julgo que a maioria ou, pelo menos, os que conheço, são-no porque se opõem aos evidentes atentados ao direito e aos direitos em vigor – será que ainda estão? – em países ditos civilizados, porque não toleram os pontapés que têm sido dados a direitos constitucionais, a declarações europeias e mundiais, a normas consideradas ininfringíveis no mundo civilizado, porque são contra a descriminação dos não vacinados e contra os passaporte sanitários, porque não toleram máscaras, etc. Uma coisa é defender que pandemia justifica tais atentados e respectivas consequências, outra, completamente diferente, e discutível, é condenar como “malucos” ou “inimigos”, os que têm opinião diferente.

    Pior ainda é dizer que é preciso retirar-lhes a “margem de manobra”. Como? Censurando-os, como faz a comunicação social, prendendo-os ou matando-os, como se faz aos inimigos? O senhor almirante tem todo o direito a criticar os que o atacaram física ou moralmente, actos que a lei já condena, e bem. Mas não o tem de estabelecer um crime de opinião, ao qual é preciso cortar as pernas.

    O IRRITADO não é negacionista, mas tem as maiores dúvidas quanto à legitimidade de muitas das regras a que tem que se submeter. E, sobretudo, respeita, como seus iguais, os que, com todo o direito, acham que a pandemia está a servir para alterar ou infirmar normas e princípios que fazem parte do mais precioso património da humanidade.

    Classificá-los como inimigos a abater é, isso sim, um crime de lesa civilização.

    Para acabar este artigo, uma coisa que tem o seu ar de cómico: o senhor almirante diz que toda a gente será vacinada, “ou pelo vírus ou pela vacina”. Então está preocupado com quê?

     

    31.10.21    

  • ÓPERA BUFA

    Vários foram os actos da farsa do orçamento. O IRRITADO arrisca ver falhados os seus prognósticos, ainda que cheios de lógica. A farsa passou a palhaçada, os palhaços pobres revoltados, o palhaço rico a aproveitar para a grande jogada da vitimização, contentíssimo com a hipótese de vir a “gerir a bazuca” a seu belprazer, sem fiscalização de terceiros. O último acto passou à ópera bufa a que ontem se assistiu.

    A esta hora (12.00 de 27.10), ainda não se sabe se alguém tirará um coelho da cartola ou um boneco vudu do bolso das calças, ou ainda se surgirão dos bastidores uns palhacinhos migrantes, ansiosos de fama.

    Tudo é, ainda, possível. Atónito, o povo assiste, percebendo que a peça, de uma forma ou de outra, se transformará em tragédia, para grande alegria do comandante supremo.

    O fim da geringonça é uma boa notícia, pensa o IRRITADO. O pior é que há quem preveja que o palhaço rico, Costa A, pode vir a ser substituído pelo Costa B, seu alter ego, saído das portuenses plagas para o continuar.  

     

    27.10.21

  • RAZÕES SANITÁRIAS

    Não falta quem proteste contra a ditadura sanitária em que vivemos. O poder condena tais opiniões, com uma coorte de “especialistas” a apoiá-lo. Quem não gosta é mau, põe em risco a vida de terceiros, é negacionista, não pratica o civismo obrigatório, nega a ciência (desde o nazismo e o bolchevismo nunca a ciência foi tão usada como arma política como agora), e outras adjectivações hoje mais próprias do Irão que da Europa Ocidental.

    Esta atmosfera, dita sanitária e “democrática”, recebeu ontem honras ao mais alto nível. Segundo o senhor de Belém, a proibição de cantar o hino dos pàraquedistas numa parada qualquer ficou a dever-se a “razões sanitárias”.

    E pronto, os boinas verdes foram proibidos de cantar por boas e presidenciais razões. É de pensar serão elas:

    – alojados em boinas verdes, cor que, cientificamente, preferem, os vírus do covide passariam para as cantantes bocas dos rapazes e iriam voar até, ó desgraça, atingir a brilhante tribuna dos tipos do governo e dos grandes da tropa;

    – o esforço da cantoria, sem sombra de dúvida, projectaria núvens de vírus, e estes atingiriam uma escola primária (hoje chamada qualquer coisa como 2RC+4,2) a oitocentos metros de distância e aniquilariam centenas de inocentes vidas;

    – os decibéis do coro ofenderiam os delicados tímpanos das autoridades presentes, ministo e generais incluídos;

    – segundo vários virologistas/cientistas/especialistas/matemáticos/etatísticosistas  muito conhecidos lá em casa e na SIC/TVI/RTP, ao cantar, dado o esforço dos coristas, a velocidade de propagação do vírus aumenta oitenta vírgula vinte e três por cento, o mesmo acontecendo com o delirante entusiasmo das massas.

    E assim por diante. Enfim, um rol de boas razãos para que plenamente se justifique o cuidado sanitário de Sua Excelência o Presidente da República, o qual, como é sabido não vai em cantigas, a não ser as da geringonça.  

    Como soe dizer-se, o sono da razão engendra monstros.

     

    25.10.21

  • JOGATANAS

    Numa declaração, diz-se que ou prémonitória ou apoiante do chumbo da porcaria do orçamento socialista, veio essa maravilha de nossa inteligência, Carlos César de seu nome, afirmar, patriótico e bombástico, que “Portugal não é uma jogatana entre partidos”.

    Passados seis anos de jogatana entre três partidos – o PS mais dois por ele seleccionados -, coisa sem honra nem proveito seja para quem for, a insigne criatura descobriu que afinal era mau que assim fosse. Ou só passou a jogatana quando o brilhante Cásar chegou à conclusão de que, se calhar, o melhor é fazer um intervalo. A jogatana prosseguirá mais tarde, depois de eleições, sendo árbitro o camarada Costa. E deixará de se chamar jogatana, passará a encontro de posições democráticas ou a coisa que o valha.

    Não se sabe se o César veio mandar um recado do chefe, se só manifestar a sua reconhecida capacidade intelectual e a sua indesmentível bagagem cultural. O futuro o dirá.

    É de homens como este que se faz o socialismo!

     

    22.10.21     

  • GAGARTINO MORAISIN

    Na Rússia, Gagarin, herói soviético, passou a herói russo.

    Em Oeiras, o herói russo passou a herói sovieto-oeirense, com direito a estátua colocada sobre uma bandeira do PC, imortalizada em pedra, com foice, martelo e tudo.

    Na Rússia, já não há foices nem martelos. Há-os, e oficiais, em Oeiras.

    Ocorre perguntar por que carga de água resolveu o Isaltino honrar, entre milhares de hipóteses,  o senhor Gagarin e não outro qualquer. Se precisava de decorar algum sítio com mais uma “obra de arte”, onde terá ido buscar inspiração para tal escolha? Não se vislumbra que taralhoquice lhe terá passado pela cabeça. Algum acordo “autárquico” com o Jerónimo? A protecção pecuniária a algum “artista” local, apoiante dos dois? Mera provocação, contra quem, porquê? Alguma crise de cariz psiquiátrico?  

    Seria estúpido dizer que Isaltino é estúpido. Não é. Provavelmente é pior, não se percebendo porquê, como acima se diz. Portugal é um mar de mamarrachismo autárquico, um pouco, ou um muito, por toda a parte. Mas, a este ponto, não conheço outro exemplo.

     

    22.10.21

  • COITADO DO MOEDAS

    Há dias, o IRRITADO publicou um post em que preconizava uma vida muito difícil a Carlos Moedas, acossado pela alcateia do PS&Associados na Assembleia Municipal. Houve vários protestos, que não ia ser assim, que o PS era um partido democrático(!), que isto e que aquilo.

    Pois bem. Ontem, depois de o Moedas proferir um discurso conciliatório, cheio de boas intenções, apareceu, no meio dos convidados, um fulano barbudo (tinha que ser!), indigitado lider do PS na Assembleia. Instado pela TV a comentar o discurso, disse mais ou menos isto: pois pois, bom discurso, mas, lá na Assembleia faremos valer o nosso programa, não o dele, e, hi hi, temos maioria para tal. Aqui está o que faz a raiva, aqui está a prova provada do que o IRRITADO dizia. Coitado do Moedas, do qual, “democraticamente”, não valerá a pena discutir as ideias, só chumbá-las.

     

    19.10.21

  • APONTAMENTOS

     

     

    A gasolina está cara. O preço, seja ele qual for, vai 60% para o Estado e 40% para os outros. O chamado governo concluiu que devem ser os outros a cortar as unhas. Brilhante!

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    O celebérrimo professor de trabalhos manuais, senhor Nogueira, membro do comité central do PC e feroz sindicalista que tem posto o ensino secundário de rastos, passou a representante sindical do ensino universitário. Terá sido promovido a catedrático pelo governo que o aceita como tal?

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    Há mais de um ano, somos todos os dias massacrados com as estatísticas do covide; casos, internamentos, cuidados intensivos, mortos… Talvez não fosse mau comparar tais dados com o que se passava antes do covide. Mas isso, se calhar, não seria politicamente relevante, ou correcto. Podia até contribuir para o fim do medo. Nem pensar.

     

    19.10.21