IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • É HUMANO!

    Então não é que a dona Mortágua (a do AIMI) recebe umas coroas para debitar as suas bocas na televisão? E esta, hem!

    Verdade é que o indígena, quando ouve os comentários dos políticos nas televisões, acha que eles estão ali para aproveitar a oportunidade de defender as suas ideias, e até agradecem às têvês o tempo de antena que lhes é dado. O indígena é parvo: pensa que, se alguém tivesse que pagar, seria quem aproveita tal e tão caro tempo para defender as suas ideias.

    Mentira! Os tipos vão ali para ganhar algum. A Mortágua veio desnudar o que, pelos vistos, é prática geral. E logo, à sememelhança do Robles, a pôr de rastos os “princípios” do BE. Que azar! Anda a mulher por aí, diga-se, a desdobrar-se em farrapos de desculpas, a dizer que vai devolver a massa que ganhava há meses sem dar por isso. Terá contas bancárias tão chorudas que nem dá pelo dinheiro que recebe? Coitadinha.

    Isto, quando toca aos tostões, é humano!   

     

    11.3.22

  • DON PERIGNON

    Julgo que já aqui disse que a vantagem da guerra da Ucrânia foi a de nos livrar das donas freitas, temidas e quejandos/as, assim assassinando as oportunidades que o covide lhes dava. Cinicamente que seja, diga-se que há males que vêm por bem.

    Mas não se alegrem, a Temido ainda mexe, agora com mais força desde que foi canonizada no Largo do Rato. Deram-lhe um microfone, e aí astá ela! A pandemia está fraca, há menos gente nos hospitais, etc., mas, alto lá com o charuto! Vêm aí os refugiados, carregadinhos de vírus, a dar cabo do trabalhinho! Ah ah!, vou ter outra vez tempo de antena. Abram o Dom Perignon.

     

    11.3.22

  • LIMPAR ARMAS

    O IRRITADO, ao contrário de algumas opiniões, não tem estado de férias, nem se calou com medo do Putin. Olha o que toda a gente vê e tem, como compete a qualquer pessoa propriamente dita, opinião sobre o que se passa, opinião que, ao contrário do costume, não difere da da comunidade em geral.

    Para além do choque e da indignação que a guerra causa, ao IRRITADO vale a pena chocar-se, indignar—se e irritar-se com o que por aí inúmeros intelectuais propalam. Os do PC e os do Bloco, sem surpreza, defendem, ou disfarçam que defendem, os crimes do regime russo. Mas há muitos mais. Os que acham qua a “história” justifica o massacre da Ucrânia, divulgam com alegria nas teses que propagam a ideia de que a Ucrânia nunca existiu e, daí, concluem que a Rússia está a defender o “seu território”.

    Imagine-se que, em Portugal, o regime adoptasse a posição de dizer que Angola, por exemplo, nunca existiu, foi uma criação dos portugueses, os quais têm o direito de reclamar o foi seu durante séculos. É verdade que Angola é uma criação dos portugueses, não existia antes deles e só existe por causa deles. No seguimento de tão justa ideia, justificar-se-ia que fôssemos todos “reconquistar” Angola.

    A ideia é completamente estúpida. Mas, mutatis mutandis, é o que anima o Putin. Pior, é o que sustenta a multidão de “justificadores” que andam por aí nos jornais a defender que, enfim, os meios utilizados são condenáveis, mas, lá bem no fundo, o homem até tem “razões atendíveis”. Isto passa-se com intelectuais de esquerda, com fartura, e de direita, alguns de quem não se suspeitaria.  

    Em tempo de guerra, intelectualices durante décadas guardadas a bom recato, surgem por todos os lados, vêm à tona já que, agora, vendem artigos nos jornais e antes não davam euros. Facto é que, de repente, andam por aí , num fartote, as teorias sobre os “erros do Ocidente”, a descrediblizar o quase universal consenso sobre a guerra.

    No fundo, andam a limpar as armas do Kremlin em vez de as danificar.

     

    11.3.22

  • O BAILE DOS TRAIDORES

    Nesta coisa da guerra na Ucrânia, algo há de positivo (passe o cinismo): o fim dos mortos, doentes, infectados, recuperados, hospitalizados, o silêncio dos epidemologistas, cientistas, médicos, matemáticos, freitas, temidas, máscaras, ofensas à moral e ao direito, trafulhices constitucionais, tudo o que desde há dois anos colabora no culto do medo, da obediência, da anormalidade em que temos vivido. Putin silenciou-os.

    Graças ao Putin, livrámo-nos dessa ameaçadora e poderosa alcateia. Mas veio coisa pior, desta vez o medo a sério, o medo do fim da liberdade, da segurança, da racionalidade. Há, é verdade, e ainda bem, uma vasta união contra a reincarnação oriental do Hitler.

    Mas, estando tudo em causa, há quem se entretenha a desacreditar a razão. De uns, é o que seria de esperar: as loucas bojardas do PC, as tergiversações do BE, as hesitações do Chega, eram previsíveis. Mais grave é que tais manifestações de visceral ódio à liberdade – coisa de que, ocasional e oportunisticamente, se servem – são as “posições” dos não poucos idiotas inúteis que por aí vicejam. São às dezenas. O senhor Biden era uma besta quendo dizia que a Rússia ia invadir a Ucrânia. Agora continua a sê-lo embora tenha avisado e acertado. A história das “idiossincracias” russas é esgrimida por plumitivos vários, com destaque para o petulante Sousa Tavares, cujo pai deve dar urros na tumba. Abudam os “historiadores” e os “intelectuais”, de esquerda e de direita, todos em formatura a encontrar “razões” para achar “natural” a acção do Putin, besta fatal da nossa idade. E até, imagine-se, o estúpido mor da nação, senhor Rio, tece considerações económicas sobre as sanções “que nos vão prejudicar”. Olhem a novidade!

    Nem a evidente ameaça nuclear da besta move, ou comove, esta gente, na sua sanha de desacreditar a razão.

    Sempre houve e haverá traidores que se entretêm a limpar as armas em tempo de guerra. Devem achar que o Chamberlain e  o Daladier é que fizeram bem. Devem achar que o Putin e o fantoche bielorusso são uns tigres de papel, que o Maduro é um herói, que Cuba é um paraíso, que as Falkland são Malvinas, que há ditaduras que libertam.

    O sono da razão engendra monstros, ou ignora-os, mesmo quando já os tem à porta.

     

    28.2.22       

  • “REALIDADES”

    Uma loira, devidamente oxigenada, plantou no “Público” umas coisas mais ou menos ininteligíveis. Inteligente porém, é a conclusão do escrito. Assim: “a realidade é política e, assim sendo, é de esquerda”.

    Num rasgo de génio, a plumitiva em causa resume toda a filosofia do nacional-esquerdoidismo.

    Como o Tavares, muito ocupado com o controle dos seus inúmeros assessores, deixou de nos presentear com as suas arengas – esquerdistas mas não burras – , o senhor Carvalho, perito em cravos e ferraduras, decidiu substituí-lo por esta nova rosa dos jardins da esquerda. Já sabíamos que a moral, a correcção, a razão, a democracia, os “bons” costumes, etc., eram propriedade de tal gente, coisas a impor, com a devida obrigatoriedade, aos pacóvios. Mas que a própria realidade faz parte de tal património, é de estalo.

    A realidade ou é de esquerda ou não é realidade. Até o Sol e a Lua cheia são de esquerda, sob pena de ficarmos às escuras.

     

    21.2.22

  • O TEMPORA, O MORES!

    Aqui há uns anos, ainda o BES vicejava, houve um projecto qualquer que implicaria um corte de sobreiros, julgo que para os lados do Ribatejo. A oposição entrou num frenesim contra a coisa. Os ecologistas de serviço desataram aos gritos. O ministro que, dizia-se, apoiava a coisa, foi crucificado no altar da incompetência e da corrupção. Os jornais não se calaram, o PS explorou o assunto de todas as formas possíveis. Tanto quanto me lembro, a coisa abortou.

    De acordo. O montado de sobro e azinho deve ser preservado e até alargado.

    Mas o mundo dá as suas voltas. Desta vez, o inacreditável ministro do ambiente e o ainda mais inacreditável secretário de Estado que o serve, aprovaram um projecto de um ror de hectares a ocupar com ruinosos projectos de intermitente e cara energia solar, implicando a coisa o abate de 1079 sobreiros e 4 azinheiras. O tonitruante ministro realça “a importância e elevada expressão económica do empreendimento”, bem como a sua “imprescindível utilidade pública”. E há, pelo menos, mais um projecto em vias de aprovação!

    Mudam-se os tempos, mudam-se as “verdades”. Ou não. Não há nada de novo, a argumentação do ministro é a mesma de Sócrates, como nos tristemente célebres PIN, que passavam por cima de tudo e mais alguma coisa, e para quase nada de positivo serviram. Agora, ainda que a mentalidade ou os objectivos sejam de semelhante natureza, as conseqências são bem mais graves. Enfiados na trapaça da “descarbonização”, caminhamos a passos firmes para o disparar dos preços da energia (somos ricos, não é?) e para o recrudescimento das importações, mesmo que integralmente “carbonizadas”. Enfiar milhares de milhões em energias intermitentes, ocupar milhares de hectares com painéis solares, dar cabo do montado, “encher” de euros os que se aproveitam – fazem eles muito bem – das desgraçadas políticas energéticas da “modernidade” socialista, borrifar no ambiemte que se diz proteger, eis o que “orienta” o governo. E vêm aí mais quatro anos disto, sem remédio, precipitanto o país num inevitável abismo energético e económico.

    Num momento em que a própria Comissão Europeia (finalmente!) classificou como limpa a energia nuclear, em que, por exemplo, a França (com quase cinquenta centrais em funções e a energia mais barata e eficaz de Europa) se prepara para construir novas centrais, o portugalito, orgulhosamente só, ou quase, restaura o mais primitivo e estúpido socratismo.

    A matilha ecologista, com uma excepção, apoia.

    Vivemos nisto, que é pior que o covide.

     

    20.2.22

  • O RIO É DO PS, OU FAZ-SE?

    Se o senhor Rio tivesse alguma noção do que é a dignidade, ter-se-ia demitido na noite das eleições. Mas não o fez.

    Se procurarmos as razões para tão estranha atitude, não será difícil encontrá-las. Durante seis longos e tristes anos, o senhor Rio, dito líder da oposição, não fez oposição nenhuma. Zero. Entreteve-se com outras matérias, que não eram matérias para ninguém. Rodeou-se de zeros, uns tipos ridículos, sem ideias nem projectos: as poucas excepções (três, conto eu) eram gente séria mas sem estaleca política de nenhuma espécie. Há até fulanos abaixo de zero, como um melenas do Norte que negoceia em relvas ou o senhor Silveira, ou Silvado, perdão, Silvano. Encostou o partido à esquerda, ignorando que jamais foi outra coisa senão de direita, entendida direita como à direita do PS. Foi um servo fiel do status quo, um auxiliar da situação.

    Na hora da verdade eleitoral não reconheceu que se tinha enganado. Pior, insiste em ficar e dominar o futuro. Na sua traiçoeira mente, convencido que é alguém porque diz umas em alemão, prepara as coisas para continuar no poder, seja quem for o líder que se segue. Minar-lhe o futuro metendo os seus em tudo o que é lugar antes que o outro seja eleito. Não lhe chega o inevitável, que é tal sucessor ficar a braços com um grupo parlamentar inventado por ele. Há que ocupar com os seus zeros todos os lugares que puder, antes que o outro seja eleito. Minar ainda mais o futuro do partido.

    Que explicação poderá estar no fundo desta coisa, a que caridosamente há quem chame desnorte? Não há desnorte nenhum. O senhor Rio atribuiu a si próprio a missão de destruir o PSD, ou o que dele resta. Enquanto tiver estatuto para tal, prosseguirá a sua missão. Quem lha outorgou? Se calhar, chegou à conclusão que o PS é social-democrata, deixando de haver necessidade do PSD.

    Daí que, em termos lógicos, só não preencherá a ficha no Largo do Rato porque acha que, afinal, como raminho de salsa, talvez uns restos possam servir para melhor apoiar o Costa.

    Isto não é, da parte do IRRITADO, teoria da conspiração. É só olhar os factos e tentar percebê-los

     

    20.2.22

  • NOTÍCIAS “DE REFERÊNCIA”

    – Primeira página do “Expresso” de ontem, coluna da esquerda. Transcrevo:

    Portugal é o terceiro que mais cresce – Portugal é, com a Irlanda, o país com a terceira maior taxa de crescimento este ano na zona euro, de acordo com a Comissão Europeia. O PIB deverá crescer 5,5% em 2022.

    – Página 29 do “Público” do mesmo dia, transcrevo:

    Crescimento do PIB durante a pandemia – Fonte da Comissão Europeia: em 29 países europeus (extensa tabela, aqui irreproduzível): Portugal é o terceiro, em 29, mas a contar do fim. A Irlanda é o primeiro com 27%. Portugal é o vigéssimo sétimo, com 1,4%.

    Donde se conclui que a mesma realidade, ou realidades da mesma natureza, contadas de diversas maneiras e por diversas pessoas ou entidades, mesmo que sem mentir, incute coisas diferentes ou mesmo contraditórias na cabeça de cada um. Não é preciso ir às redes sociais para encontrar meias verdades, puras mentiras, ou considerações maradas sobre a realidade. Os políticos fazem o mesmo nas campanhas eleitorais ou nas “informações” propagandísticas. Mas, dos jornais “de referência”, meu senhores, que dizer? Nada. Nada, porque não há nada a dizer, nem a fazer. É assim, a “informação” depende de manchetes, de vendas, de interesses comerciais e de outras coisas menos claras, que com informação a sério pouco têm a ver. Cada um que esmiuce, se quiser, para não passar a vida a comer gato por lebre.

     

    12.2.22

  • Ó MOEDAS, ESTÁS A VER ISTO?

    Os vereadores não executivos da CML desataram a contratar assessores, dando continuidade a antigos, estranhos e caros costumes.

    Almas menos avisadas poderiam achar que “não executivo” queria dizer sem pelouros, sem responsabilidades de gestão, quando muito opinadores e votantes. Não é assim. Os vereadores sem pelouros nem responsabilidades precisam de “assessores”, quer dizer, vão buscar apoiantes políticos eventualmente desempregados ou a precisar de um reforçozinho ao fim do mês (e não será pouco) para desempenhar funções, quais(?) sejam elas. Muito bem. Todos os eleitos se servem de assessores, com certeza para a primorar as importantes funções que não têm, para além de chatear aqui e ali. Parece que, em Lisboa, sempre foi assim. Talvez fosse, até, de juntar umas secretárias, uns motoristas, uns contínuos (auxiliares operacionais!), um Mercedes e um políca à porta para evitar atentados. Aceite-se. É a “tradição”.

    Dada a gigantesca altura da sua categoria de prestimoso intelectual de esquerda, o extraordinário vereador não executivo e líder da importantíssima coisa chamada Livre, o ilustre Rui Tavares, vai mais longe que os demais: nove assessores, nove. É de estalo. O Município paga e não bufa. Nove para quê? É uma espécie de governo sombra, cheio de ministros, sob a gloriosa direcção do PM Tavares. Com que pelouros? Nenhum, que a nenhum têm direito. Ou muitos, sem funções mas com títulos: um para a polícia, outro para a limpeza, mais um para a iluminação, um engenheiro informático para a ciber defesa, um psiquiatra para qualquer eventualidade, outros três para assessores dos assessores, e, bem vistas as coisas, ainda fica a faltar muita gente. E a malta a pagar.

    Ó Moedas, aturas disto? Se sim, não vais longe.

     

    10.2.22         

  • FARÇA ANIMALESCA

    Se há coisa, na política portuguesa, que faça rir, é o trágico-cómico caso da rapariga das “framboesas em túnel”. De nada lhe valeu o photoshop dos cartazes, nem o seu acendrado amor aos gatos e quejandos. Depois da barracada que deu durante o mandato e durante a campanha, a criatura esperneia, diz que não se demite, não quer congressos nem martingalas do estilo, pelos vistos antidemocráticas. É até capaz de dizer que fez tudo muito bem e que os maus são os gatos do saco do partido. Tem razão: a Catarina não se demitiu, o Jerónimo também não, o Rio anda aos bonés, porque havia ela de se ir embora?

    Os gatos, em vez de se arranhar uns aos outros, saem do saco, fogem dela como o diabo da Cruz. Malandros. Aos magotes! Ela, que queria consultar as bases (quais bases?), uma a uma, para se safar! Coitadinha, nem os Faulty Towers eram capazes de ter tanta piada. Os gatos, fora do saco, deram corda aos pés e, unhas de fora, não param de a arranhar. Pobre rapariga que tão estremosa era para com todos. Diga-se que reage como pode: os que não se puzerem a milhas são despedidos, e pronto. Facto é que a gataria decidiu que não quer nada com negociantes de agricultura intensiva, coisa que é própria de latifundiários e de outras espécies que gostam mais de touros de lide do que de gatos. Até o papa do PAN, um tal Silva, está contra ela, anda na televisão e nos jornais a chamar-lhe nomes. Canalha!

    A rotunda senhora é capaz de ficar sozinha. Assim , propõe o IRRITADO, cheio de solidariedade, que seja ela a única “base” a consultar. Vê-se ao espelho, e pronto: reelege-se a si mesma por unanimidade. Ficará assegurada a continuidade da parvoice. Em alternativa, talvez o melhor talvez fosse dar também à sola e, cheia de amor, ir pentear macacos.

     

    10.2.22

  • DIGITALIZAÇÃO

    Vamos, gloriosos, no caminho da digitlaização pública, isto é, da abolição do diálogo ente seres humanos e da sua submissão às máquinas. Dir-se-ia que a digitalização acelera os processos e os simplifica e desburocratiza. Bom argumento. O pior é que, pelo andar da carrugem, nem uma coisa nem outra.

    Experimente ter uma pretensão que a máquina não prevê, ou não esteja programada para tal. Dir-lhe-ão que tem maneira de reclamar, mas na internet, nada de conversas. Aí, você entra no esquema de mais uma app, mais uma palavra passe que nunca teve ou não se lembra. Experimenta outra, das que costuma usar. Não serve. É velha ou fraca. Inventa outra. Mais uns passos. A palavra não serve, falta-lhe uma maiúscula. Põe a maiúscula. Também não serve, precisa de um dígito. Põe o dígito. Vitória! Aí, entra, se entrar, no que interessa. Apresenta uma reclamação por escrito. De imediato, ou quase, tendo sorte, uma máquina qualquer responde-lhe que “a sua reclamação foi recebida com êxito”. Fica todo contente. Três meses depois chegará à conclusão que ninguém ligará pevas à sua pretensão.

    Daí, ou desiste, ou passa à fase seguinte. Vai aos confins da memória até encontrar um conhecido que consta ter uma prima na repartição pública reclamada. A prima é simpática e encaminha-o para o Dr. Pancrácio, que o recebe por ser amigo da prima. O Dr. Pancrácio ouve a reclamação. Sim senhor, tem toda a razão, esta coisa da internet, dos servidores, sabe, não é? Pois. Meu caro senhor isto não é fácil, isto do sistema… Pois. Você percebe. Senhor Doutor Pancrácio, se não me engano já o vi no Algarve. Pois, caro senhor, é provável, na praia amarela, aquilo é caro… mas, não é?, os miúdos e tal. Pois, Dr. Pancrácio, compreendo. Olhe, por acaso, tenho um amigo que é director do Hotel Brioso, cinco estrelas++. Gostaria de ir até lá no Verão? Enfim, é aliciante… Então, doutor Pancrácio, resolva lá o meu problema, depois diga-me e eu trato da reserva, tudo incluído, sem custos. É, digamos, uma oferta de representação publicitária, para clientes especiais.

    E pronto. Uns dias depois o problema está resolvido. Um processo antiquado mas eficaz.

    Como acima dizia, outra maravilha da digitalização, dizem, é acabar com a burocracia. Puro engano. A burocracia continua viçosa. Nada de simplificações, as repartições continuam exactamente como eram, cinco instâncias para cada questão, os regulamentos são os mesmos, agora mais eficazes a dar cabo do juízo à malta com a digitalização. Ainda por cima, com o trabalhinho dos ladrões, dos espiões, dos trumps, dos pintos e quejandos que por aí pululam, os sistemas estão sujeitos a ataques, não será de estranhar que um dia toda a administração pública seja paralizada, ou o abastecimento de energia e coisas do género deixem de funcionar… tudo é possível.

    Mas você, caro concidadão, é capaz de estar muito contente com a digitalização.

     

    9.2.22

  • DA UTILIDADE DO CHEGA

    Para a esquerda, o Chega foi uma bênção. Quanto mais o Chega subisse, menos votos teria o PSD. Daí a ocupar pelo menos metade da campanha a chamar-lhe nomes, merecidos ou não (tanto faz), desde que o PSD apanhasse de tabela, por causa da história dos Açores. Não esquecer o Rio, que, à sua conta, não fez outra coisa senão dar à esquerda, como sempre, uma ajuda preciosa, com hesitações burras sobre a prisão perpétua, por exemplo. Tanto as esquerdas disseram, que o Chega passou a ser “o assunto da campanha”, o mais propagandeado de todos. Daí, 12 deputados para o Chega. E o PSD nas lonas. Genial.

    A coisa continua. Os grandes defensores da Constituição borrifam nela e não vão deixar que haja 4 vice-presidentes na AR como a dita manda. O Chega não votará em nenhum candidato proposto pelo Chega, seja ele quem for, ainda que, para já, estejam centrados no Amorim. Estupidez? Não. A campanha a favor da popularidade do Chega continua. Vitima dos ódios primários  da esquerda, o Chega terá mais visibilidade, mais propaganda, fará mais barulho, perguntará, com razão, “que democracia é esta em que os nossos eleitores valem menos que os dos outros, os nossos deputados são menos que os outros, em que as normas em vigor são espezinhadas a bel-prazer da esquerda?”

    As esquerdoidas não se calam, com a preciosa ajuda das camaradas do PS, horrivelmente representadas pela senhora deputada Moreira – aperaltadíssima! – e por uma senhora deputada europeia, as duas prenhes de emoções, indignações, provocações, acusações. Só lhes falta dar vivas ao Chega, que cresça, que se afirme, que seja o bombo da festa todos os dias à disposição, retumbante, sonoro, acusador. Que melhor remédio que, através dele, chegar à direita moderada, muito mais odiada que ele, o verdadeiro alvo da esquerda?

    É a prática do ódio, coisa que tanto passam a vida a condenar. Ódio puro, sem tréguas nem escrúpulos nem limites, cujo objecto é outro que não o Chega. O ódio é a verdadeira moral da esquerda. É a esquerda no seu melhor, como diria o Sócrates.

     

    9.2.22

  • DOS MALEFÍCIOS DA ESQUERDA

    A cegueira esquerdista não hesita em ignorar as realidades sociais em favor das suas inultrapassáveis convicções. Isto reflete-se em tudo. A educação e a saúde são dois exemplos paradigmáticos.

    Ontem, o Tavares, conhecido nefelibata do Livre, enfrentou um tipo da IL cujo nome ainda não fixei, e deu largas às suas limitações. Assunto: saúde. O homem, na sua cegueira, “ignora” que os hospitais PPP forneceram ao Estado serviços de reconhecida qualidade, apreciados e enaltecidos pelas pessoas e pelas comunidades e, ainda por cima, mais baratos para o Estado do que os prestados pelo sacrossanto SNS. Acabe-se com les! O importante, para o Tavares, não são os serviços, nem as pessoas, nem as comunidades, são o facto de ter que ser o Estado, mesmo que mais caro, mesmo com piores serviços, a tratar de tudo. “Ignora” que os cerca de um milhão de funcionários públicos e seus familiares ora incluídos, gozam do “seguro” conhecido por ADSE, e frequentam, a preços reduzidíssimos, os cuidados dos privados. “Ignora” que, segundo dados publicados, julgo que fiáveis, há cerca de quatro milhões de portugueses que têm seguros de saúde, assim fugindo ao SNS. ”Ignora” que os portugueses que o podem fazer, escolhem. Os demais que se lixem, sujeitam-se ao que lhes derem. O importante, para os limitados cérebros da esquerda, é manter o que está ao mesmo tempo que praticam a manigância intelectual da “protecção dos mais desfavorecidos”. Por outras palavras, ignoram os interesses da sociedade e dos cidadãos.

    Por seu lado, o representante da IL propõe que, sem prejuízo dos serviços públicos, antes mudando-lhes a gestão, possam ser prestados independentemente de quem os presta, público ou privado. Parece,pelo menos, mais inteligente. Mas a inteligência nunca foi apanágio da esquerda.

    Para a esquerda, o importante não é a liberdade de escolha dos cidadãos, não é a qualidade dos serviços, não é o preço que custam, não é a desorganização em que vegetam, é ser o Estado o proprietário de tudo, a começar por tal liberdade. A esquerda não é burra, é totalitária por natureza.

     

    4.2.22

  • PPD/PSD, E AGORA?

    Parece que a desgraça do PSD vai agravar-se. O seu líder, ao fim de seis anos de total incompetência, ainda não se demitiu, e parece não querer voltar ao seu amado Porto – de onde nunca devia ter saído – e ficar por lá sossegadinho a apoiar o Costa, mas já sem poder para destruir ainda mais o partido.

    É evidente que, se tivesse consciência do que fez, renunciaria ao mandato, a fim de, com as suas teorias de centro-esquerda e o seu alemão de circo, não destruir, mais ainda, o partido que, em momento de insanidade colectiva, lhe renovou o mandato.   

    Admitindo a hipótese, à primeira vista sorridente, de se demitir ou ser corrido, que se seguirá? Virá um novo líder, desejavelmente menos “social-democrata”. Não passará de um infeliz a braços com um grupo parlamentar formado pelos escolhidos do Rio, chefiados por ele e, por definição, tão incompetentes como ele. Não lhe gabo a sorte.

    Espantoso é ver um rioista feroz vir propor a subida ao trono de um ex-parlamentar que de rioista nada tem, assim demonstrando a “solidez” ideológica que o anima. Um dos mais  fiéis do Rio vem apoiar o Montenegro! Caiu em si, demonstra quão oca pode ser a cabecinha que Deus lhe deu, ou é só um sinal claro da qualidade dos apoiantes do chefe?

    Enfim, parece que a oposição às arrancadas do Costa vai ficar por conta da IL. Há coisas piores, não é?

     

    3.2.22

  • “ANÁLISE” IRRITADA

    Os “científicos” intelectuais das  inúmeras sondagens que precederam as eleições foram os grandes derrotados de ontem. Nem um se aproximou do resultado final. Durante meses, as sondagens garantiam a subida do PSD. Nos últimos dias, por unanimidade, apostaram no empate técnico. Sempre negaram a hipótese da maioria absoluta do PS.  Pode, legitimamente, concluir-se que tais sondagens são uma aldrabice, que foram manipuladas, que são feitas por incompetentes ou que, se sérias, ou não servem para nada ou são contraproducentes. As proclamadas “margens de erro”, essas, não podem deixar de ser consideradas como pura trafulhice.

    O que foi positivo nestas eleições? Duas coisas: o merecido enterro da extrema esquerda  e o não menos merecido pequeno triunfo da Iniciativa Liberal.

    De resto, só desgraças. A maior de todas é termos pela frente mais quatro anos de Costa. Logo a seguir, o monumental falhanço do PSD, como previsível consequência do posicionamento político do senhor Rio.

    O IRRITADO passou meses a denunciar as tristes teses deste homem. O PSD só ganhou eleições quando se posicionou, claramente, na oposição ao PS, sem complexos de esquerda. Foi o caso de Sá Carneiro e de Cavaco Silva, que nunca confundiram a sua social democracia com a democracia socialista do PS. Nunca o PSD ganhou quando andou às fosquinhas que “desculpavam” os desmandos do adversário. Rio achou quase sempre que o “interesse nacional” (leia-se, do PS) se sobrepunha à denúncia clara do que era fundamental denunciar. Rio matou a oposição, tornou-a inútil. Dir-se-á que o IRRITADO, na recta final, se pôs ao seu lado. É verdade. Apesar de todos os “apesares de”, o PSD era a única tábua de salvação para quem não queria continuar a afogar-se no pântano socialista. E as sondagens ajudavam, vejam lá! Não havia outra hipótese de correr com o Costa. Mas a “estratégia” de Rio atirou votos para os braços do Chega, inutilizou o CDS, pôs o que restava da direita moderada na mão da IL e aniquilou qualquer hipótese de federação dos votos não socialistas. As promessas aldrabonas do Costa fizeram o resto.

    Agora, é preciso, primeiro, esperar que o PSD, com a maior urgência, arranje um líder que se assuma como tal e como verdadeira oposição e, segundo, esperar que os resultados da “governação” das ratazanas socialistas cheguem a mais um inevitável cúmulo de inviabilidade financeira, miséria moral e desgraça cívica.

    Diz o povo que a esperança não morre. Valha-nos isso.

     

    31.1.22

  • DA HONRA DO SISTEMA

    Tem sido épica a luta dos esquerdoidos contra o Chega. Convencidos de que tal orgenização vai ter uns alguidares de votos, entraram em pânico. O último argumento que lhes resta é brandir a ameaça do Chega. Como os votos dos deputados do Chega valem tanto como os dos outros, tremelicam de pavor com tal repetidíssima ideia.

    Não é desejável que o Chega tenha o “triunfo” que as sondagens apregoam. Tal e qual como não é desejável que o BE ou o PC os tenham. Porque será que os votos dos deputados do Chega valem menos do que valeram ao PS os dos partidos comunistas?

    Ainda ontem, o trauliteiro-mor do PS, um tal Santos Silva, dizia que há uma grande diferença entre a extrema direita e a extrema esquerda. Porquê? Porque a extrema direita põe em causa alguns valores expressos na Contituição, diz ele. Talvez. E a extrema esquerda? Não põe em causa os tratados que a III República, constitucionalmente, consagra? Não é, pelo menos no caso do PC, contra o Euro? Não têm estes como referência política e moral a ditadura soviética? Ou o sistema advogado pelo do Tsipras? Ou não negam a economia de mercado que a União Europeia consagra, com os países que subscrevem os respectivos tratados? Como é que um partido como o BE, que jamais denunciou o seu “albanismo” original, ou como o PC que nunca abjurou da seu sovietismo de base, são “pilares de democracia”?

    O trauliteiro do Largo do Rato e os seus parceiros do BE, do PC e do PNSantos, podem espernear à vontade, podem exibir os “raciocínios” que entenderem, mas jamais se livrarão da verdade que está à vista de todos: foi o PS quem, durante seis anos, ficou a dever o seu poder a partidos que negam princípios basilares da Constituição. E é o PS que, apesar de traído por eles, se prepara, sem honra nem vergonha, para ressuscitar as suas espúrias alianças.

    Com gente como Santos Silva (leia-se gente do PS), jamais a III República recuperará a honra e a dignidade da Democracia Portuguesa. E não colhe, como é evidente, espernear contra algo que não existe, sobretudo brandindo patacoadas com a da “aliança” dos Açores.

     

    27.1.22

  • A TRAFULHICE EM ACÇÃO

    Durante várias semanas, veio o inacreditável Costa a subir a sua parada. Primeiro, queria um “resultado ganhador” e, se não o conseguisse, demitia-se. Depois, tomou balanço, a maioria absoluta era o objectivo. Se não a conseguisse… já não se demitia, mas continuava zangado com os parceiros da geringonça, nada de acordos com quem o tinha traído e feito cair. No terceiro acto da palhaçada, tudo mudou. Agora, qualquer coisa serve, desde que não se demita. Ganhe ou perca, falará com todos mas, atenção!, primeiro os “da família” (sic).

    Entretanto, a dona Catarina, chefe incontestada das esquerdoidas, mais a paspalhona das framboesas, viraram de bordo. Estão dispostas a tudo. O partido bolchevista ainda não se pronunciou, mas, pelo menos, diz que tudo fará para evitar a “maioria de direita”. Ou seja, vale tudo outra vez, a geringonça dois está garantida. Tudo indica que negociaram o flic-flac com o aldrabão.

    As coisas estão a ficar claras. O fulano, perca ou ganhe, jamais se demitirá. Diz que com o Chega não falará, só lhe faltando dizer que, se o Chega tiver lá uns deputadozinhos… a ver vamos.

    Enfim, ao sabor das sondagens, o trafulha fará o que for preciso para se segurar no tacho. Será o que estiver a dar, o necessário para, como propagandeia, dar continuidade à sua obra. Evolução na continuidade, como dizia Marcelo Caetano.

    Neste mar de aldrabice, parece que ainda haverá quem vote no trafulha.

    De uma coisa podemos estar certos. A criatura, sem falar nisso, prepara-se para viver mais uns anos à custa da “bazuca”. Quando a bazuca acabar, virá o que é o inevitável timbre e consequência da governação de esquerda, historicamente provada e comprovada: a bancarrota, ou coisa parecida. Depois, lá estará o PSD para apanhar os cacos, como de costume. E nós, para apertar o cinto e aprender a votar, se é que, ao fim de seis anos de propaganda e irresponsabilidade, já aprendemos alguma coisa.

     

    25.1.22    

  • CRITÉRIOS EDITORIAIS

    Talvez eu esteja a ter mais um pesadelo, ou esteja a faltar à verdade, ou outra coisa qualquer. Mas… ontem à noite, regressado de um merecido fim de semana longe da “informação”, sentei-me a ver o balsemónico canal. Como é natural, as notícias da campanha eram muitas. Vi e ouvi a Catarina a lançar a escada ao salvador PS, vi o tipo do PC, o Ventura, o Tavares, o da IL, etc., todos contemplados com os seus tempos de antena. O Costa, esse, além do dos outros, teve direito a um interminável discurso perante as delirantes massas. Fiquei à espera do Rio. Népias, nem um segundo, uma referência, nada. Ou Rio foi saneado à moda do PREC, ou meteu férias, ou eu estava a dormir.

    Não sei, ou sei demais, ao que isto se refere. No dia em em que a Catarina se abre a novas geringonciais aventuras, em que o Costa, braços abertos, lhe dá as boas-vindas ao clube, o Rio desaparece das notícias. Estará ainda a deitar sangue do nariz? Parece que não. Terá apanhado o covide? Também não. Eu é que devo ser burro, não percebo que se trata de “critérios editoriais”. Os mesmos que fizeram, por exemplo, desaparecer o fim dos atentados à liberdade no Reino Unido e deram largas às medidas dos chineses e da rapariga da Nova Zelândia. Notícias são as que convêm, ou às eleições, ou à manutenção do medo, ou a outras coisas pelas quais muitas vezes nem damos conta.

    Enfim, é o mundo dito democrático em que estamos metidos.

     

    24.1.22   

  • TARRENEGO!

    Já é comum dizer que o candidato Costa é irresponsável e irresponsabilizável, diz o que lhe convém, verdade ou mentira, tanto faz, que não merece qualquer sombra de confiança, etc.. É isto a voz corrente, e não carece de explicação ou comentário. O caso do senhor Nielleman proporcionou-nos uma ocasião em que, quiçá pela primeira vez, O primata não teve a resposta pronta que tem sempre à mão para aldrabar os pacóvios que, na sua cabeça, somos todos nós.

    Após uma inenarrável série de asneiras cometidas para se apoderar da TAP, asneiras que continuam, imparáveis, num balofo espernear de “justificações” e pessegadas sem nome, a criatura resolveu dizer que o tal Nielleman é um desgraçado, falido, crivado de dívidas e que é indesculpável o que fez à companhia. Tudo mentira. O homem segue, triunfante, a gerir e alargar o seu império. Quis transformar a TAP numa companhia grande projecção. Teve prejuízos, é certo, mas o caminho que escolheu tinha futuro. Veio o covide. Os aviões pararam. Por todo o mundo, as companhias aéreas entraram em terrível crise. Melhor ou pior, pela Europa fora, foram-se aguentando. Portugal adoptou uma “solução” única no mundo. Pagou cinquenta milhões ao principal accionista para correr com ele. O senhor Nielleman foi-se embora com os bolsos quentinhos, feliz por se livrar da nacional-estupidez que manda nisto, e foi fazer a sua vidinha para longe da piolheira.

    Justificando os desmandos, Costa declarou que o homem era um traste, um falido, um idiota, o governo do país estava felicíssimo tê-lo posto com dono. Mentiu e, quando lhe perguntaram pela mentira, deu às de Vila Diogo. Caso raro, não tinha nova aldrabice preparada para o efeito.

    E é nesta criatura que há quem queira votar. Se não ganhar, tem sucessor à altura: o PNSantos e o seu bem-amado Bloco de Esquerda. É o que o PS tem para oferecer. T’arrenego!

     

    19.1.22

  • MANJERICOS E PRETENDENTES

    O IRRITADO tem-se abstido de opinar sobre a campanha eleitoral, coisa que começou há mais de um mês mas só agora começa. Oficialmente, é de crer que os debates não passaram de exercícios de aquecimento.

    A primeira observação que me ocorre, digna de indignação, ou irritação: as exibições dos manjericos, tidos por profissionais de comunicação, que serviram para dar cabo dos debates com histriónicas interrupções nos momentos mais interessantes, quando os pobres políticos eram por eles impedidos de acabar qualquer raciocínio digno da nossa atenção. Parece que os manjericos, ansiosos de protagonismo, queriam ser eles a promover-se, em vez de a tal dar azo aos debatentes. Enfim, são coisas dos nossos media, intocáveis, cientes da sua gigantesca importância. Não há nada a fazer.

    Adiante. Houve alguns momentos interessantes na meia dúzia de debates a que o IRRITADO assistiu. Talvez o que mais o divertiu foi a mansidão da Catarina. Como por encanto, ultrapassou o ódio visceral que lhe é próprio, e próprio da organização a que preside. Assumiu um arzinho de menina do coro, inspirada no Papa, coitado, que parece servir para tudo. Até é capaz de haver quem diga que o arzinho dá votos. As provocações do Ventura, repetidas aos gritos vezes sem conta, mesmo tendo, às vezes, um fundo de razão, cansaram a malta e deram-lhe cabo das sondagens. O Chicão, por muito que esperneie, não passa a prestar, o Jerónimo apagou-se, coitado, se calhar por causa da carótida. Boas melhoras. O Costa repetiu à exaustão a propaganda enganosa que é timbre do seu estilo. A exibição do orçamento fez lembrar o PEC4, de risonha e ridícula memória. O Rio, cheio de promessas a prazo, deu um ar da sua graça e disse um mar de verdades indiscutíveis. Só que o outro espalha o dinheiro que ficamos a dever e que calam nas almas famintas e empobrecidas que criou. Será um milagre se a honestidade de um ganhar à parlapatice do outro. Restam os mui celebrados Cotrim, com carradas de mérito, e Tavares, com o seus sonhos de esquerda nefelibata. Se houve mais, não dei por isso.

    A ver vamos se chega para dar cabo do Costa, a ver se conseguimos travar a desgraça trafulha em que, há seis anos, estamos metidos.

     

    17.1.22