IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • TRAIÇÃO

    Há momentos em que damos conosco ofendidos na nossa dignidade, na nossa cultura, no nosso modo de vida, nas nossas convicções enquanto seres humanos, cidadãos portadores e restemunhos de um destino e de uma civilização que julgamos comum aos demais e ao regime político em que vivemos. Pensamos, e julgamos ter direito a, para além de todas as divergências, gozar de uma dignidade pessoal e colectiva cujo respeito a todos cabe.

    Havia uma lista de nossos compatriotas, proposta não sei porquê ou por quem, que conferia aos participantes no golpe militar de 1974 o direito a distinção honorífica, via condecorações do Estado. Tal lista foi apresentada a quem de direito – o Presidente da República – aos presidentes Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva. Nenhum deles, por motivos que não têm discussão, a adoptou, impondo-se-lhes que critérios patrióticos e democráticos os fizessem distiguir, de entre os propostos, os que mereciam distinção.

    Até que… até que, cuspindo na dignidade própria, na do cargo para que foi eleito, e na de todos nós, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu condecorar postumamente indivíduos do calibre de um Vasco Gonçalves e de um Rosa Coutinho.

    Tratar-se-ia de distinguir cidadãos a quem devemos a liberdade, não de distinguir todos sem atender aos méritos de cada um. Entre os mais ferozes inimigos da democracia em Portugal, a cavalo do poder que lhes caiu nas mãos, aqueles portugueses, e muitos outros, abusaram dele até ao mais ilegítimo dos pontos, tudo fazendo para pôr sobre nós a pata de uma ditadura inimiga, negando todos os valores da democracia liberal e transformando uma intenção que se proclamara libertadora num instrumento de ditadura, de submissão e de ruína económica, social e moral.

    Ao decidir condecorar estes inimigos da liberdade e da democracia, o presidente da República trai tudo o que diz defender, premeia a trafulhice, ofende-nos a todos, ofende os seus antecessores e põe em alto plano, com a desculpa de “unir”, os que trairam os objectivos mais nobres do 25 de Abril.

     

    7.4.22

  • A CRUZADA

    É sabido que o jornal privado chamado “Público” é, desde longa data, um jornal “independente de esquerda” onde alguns articulistas não de esquerda têm assento, julgo que na qualidade de raminhos de salsa para temperar a coisa sem a fazer perder o sabor.

    Nos últimos tempos, porém, tal postura assume proporções um tanto exageradas. Os novos comentadores de serviço, a começar por uma senhora que se chama Afonso, a qual, entre raciocínios mais ou menos absurdos, chega ao extremo de dizer que a “realidade é de esquerda”, remetendo o que não for de esquerda a uma mera inexistência, são da tendência testemunhos evidentes. É pena.

    Hoje, por exemplo, assistimos a um molho de artigos, apostados, de uma forma ou de outra, em “justificar” o Putin com observações filosófico/histórico/políticas intelectualíssimas, todas tendentes a pôr diversos pontos nos is, pontos de que nunca os autores se tinham lembrado não fora a guerra da Ucrânia. Veja-se a arenga do Dr. Pureza em atrapalhada defesa “filosófica” dos pontos de vista do seu BE, veja-se o escrito do ilustre académico Azeredo Lopes, desastrado ex-ministro da defesa, ou a entrevista do insuspeito Luís Amado, também ele da área dos (ex) governantes socialistas.

    A Rússia é uma democracia(!) “iliberal”, o que, basicamente, justifica que se sinta ofendida com uma alegada perda de importância e reaja à bruta. Há que atender a “razões” históricas ou ideossincracias respeitáveis. E até, como de costume, se aproveita para atirar as devidas pedras aos erros, falsos ou verdadeiros, do “Ocidente”.

    É, no “Público” como um pouco por todo o lado, uma espécie de cruzada de “esclarecimento” intelectual e/ou académico destinado a enfraquecer a gritante razão dos ucranianos, assim ajudando o inimigo.

    A cruzada é legítima, como todas as cruzadas possíveis onde há liberdade de expressão. Mas, subjacente, há a criação da dúvida e o uso de tal liberdade para proteger os que a põem em causa ou a aniquilam.   

     

    31.3.22

  • PARABENS À PRIMA

    O novo presidente da AR parece ter abandonado o casaco de trauliteiro que tão bem lhe ficava. Veio condenar as frases de ódio, como aquela, do “quem se mete com o PS leva” ou outros mimos em que se especializou. Assim, sem reparar que se criticava a si mesmo, e sem se retratar (um verdadeiro socialista não se retrata, nunca assume responsabilidades, e tem sempre bodes expiatórios à mão), discursou sobre a probidade, a boa educação, a decência e a boa linguagem política, sobretudo a parlamentar. Fantástica evolução.

    Da longa arenga, blablabla, muito correcta, assinale-se a eleição do Chega à categoria de única oposição a temer. Como é hábito de toda a esquerda, deu o seu contributo à propaganda de tal organização em múltiplas dentadas no nacionalismo, no medo pacóvio do poplismo, em tremores vários com que, ao logo do tempo, a esquerda-nacional conseguiu promover o Chega a terceira força parlamentar. A ideia, se formos generosos, é a de distrair as gentes da mera existência dos outros partidos, tática muito apoiada pelo senhor Rio com a sua oposição de palha.

    Não sei se chame inteligente a esta fixação do PS. Facto é que o crescimento do Chega, a irremediável burrice do Rio, a inexistência do CDS, a obsolescência do PC e a prosápia idiota do BE, muito contribuiram para a maioria absoluta. Mas, se o Chega não subisse como subiu à custa dos terrores da esquerda, não me parece que tal maioria tivesse sorrido ao PS.

    Dos resultados mais evidentes da “situação”, assinale-se estes:temos um partido de direita radical com significativa presença política e o PAR mais partidário e menos  inter pares da III República

    Para béns à prima.        

     

    31.3.22

  • CONVENIÊNCIAS

    Para não falarmos de guerra (sobra quem fale nisso), façamos  uma viagem até coisas que, não sendo propriamente faits divers, têm a sua piada.

    Por causa do senhor Abramovitch, rios de tinta correm por aí, a fazer concorrência ao Putin. Dona Constança anda irritadíssima por haver uns arquiduques lá do partido que não querem que ela altere a lei dos sefarditas, lei que ela aprovou, mas acha má. De acordo. Isso de dar passaportes à balda devia acabar.

    Bom, adiante. O que excitou o IRRITADO foi uma pequena frase, julgo que da dona Constança. Reza assim, mais ou menos: o processo tem que ser “bastante mais rigoroso”… para reduzir os casos de (pedidos de) nacionalidade “por conveniência”.

    Então há casos que não são por conveniência? Porque é que um tipo pede a nacionalidade sem ser por conveniência? A ver: um cidadão, digamos, do Bangladesh, descobriu que tinha um vigéssimo quinto avô que foi corrido pelo Dom Manuel I há 500 anos, ou seja, umas vinte cinco gerações atrás. Mas, coitadinho, tinha tantas saudades do avô (ou da avó, que os judeus gostam mais de avós do que de avôs) e que era tal saudade e o amor que o o coração do nosso bangladeshiano vivia angustiado. Como diz a dona Constança, o homem, prenhe de sentimentos pátrios em relação ao rectângulo, que nem sabe onde fica, é um tipo desinteressado, não age por “conveniência”. Ele não quer um passaportezinho para ir fazer compras a Paris ou abrir uma continha em Londres, ou comprar uns prédios na Reboleira. Não, é tudo fruto de sentimentos não “convenientes”, ou seja, desinteressados. Estão a ver? Como é que a dona Constança sabe que um tipo destes não tem “conveniência”, e só pede a nacionalidade para pendurar na parede? Não sabe, nem pode saber, porque não há disso. Pode haver conveniências mais convenientes e menos convenientes. O que não pode haver é ausência delas.

    Como é natural, estas manias de mexer no passado (bom ou mau, não há outro) e andar a pedir desculpa do que, há 500 anos, fez a política do tempo, é um disparate de todo o tamanho, não remedeia o irremediável e só aproveita às conveniências de cada um.

    Note-se que o IRRITADO se está mais ou menos nas tintas para que haja mais uns passaportes ou menos uns passaportes, mais uns sefarditas ou menos uns sefarditas. O que lhe parece é que o critério de concessão, seja ele qual for, será sempre uma manta de retalhos, dará sempre várias raias, e não tem nada a ver com nacionalidades, só com as conveniências (legítimas ou ilegítimas, boas ou más) de cada um.  

     

    28.3.22

  • GOVERNO E GALEGADAS

    1 – Parece que o Costa anda a seguir os frutuosos exemplos do Rio. Novo governo, cheio de patadas na poça. Antes de mais, contemplar os seus, preparar um futuro em que se reveja: aí estão figuras tão “úteis” como o senhor PNSantos, a papagaia Ana Catarina, a miúda filha do outro e, monumental asneira, o Medina, cujas competências em matéria de finanças públicas ninguém conhece ou de que jamais alguém ouviu falar; resumindo, um leque de sucessores, qual deles mais inquietante. Ministros mais ou menos inúteis, ou contraproducentes, ou ignorados, ficam. Os que, apesar do chefe, deram alguma coisa que se visse, é vê-los: o que batia em quem se metesse com o PS mas lá ia funcionando, leva um pontapé pela escada a cima; o único com pés e cabeça, imagem pública algo positiva e capacidade de comunicação, Siza Vieira, rua! Aquele que deu raia na defesa, vai dar raia para os negócios estrangeiros. Uma senhora de méritos judiciais conhecidos mas político-administrativos inexistentes vai ocupar-se da política de Justiça. Um fiel socialista, cujos méritos culturais, para além do que consta nos tablóides, não se vislumbra, vai “aculturar-nos”.

    E mais, muito mais. Tanta coisa anda pelos jornais, ainda que com pèzinhos da lã, por causa das moscas.

    2 – A monumental galegada de dar os nomes dos ministros à SIC antes de os comunicar ao senhor de Belém é mais uma clara demonstração do desrespeito institucional do primeiro-ministro, assumido desta vez às mais desavergonhadas claras: aí temos o verdadeiro DDT da política nacional, convencido de que pode fazer tudo (e, se calhar, pode!) sem dar satisfações seja a quem for. A começar pelo Presidente, para que fique bem claro com que linhas se cose, e nos cose. Este indesmentível facto tem sido tratado pelos media como um fait divers sem importância de maior, o que muito nos diz sobre a subserviência e os interesses da nossa “informação”.

       

    Esperança, zero. Confiança, nenhuma. A longa noite socialista aí está, escura de futuro mas brilhante de arrogância.

     

    24.3.22

  • PRESIDENCIAL DIPLOMACIA

    Gostava de perceber a lógica diplomática do senhor de Belém. Numa das suas múltiplas declarações de amor a Moçambique, que, por mero acaso, ouvi, disse que, apesar de algumas divergências políticas, etc., blabla. Referia-se, evidentemente, à posição do país que visitava quanto à guerra da Ucrânia, da qual diverge. Julgo que na mesma declaração, afirmava o apoio incondicional de Portugal à entrada de Moçambique para o Conselho de Segurança da ONU.

    Mandaria a mais elementar coerência que Portugal não apoiasse para tal conselho um país que é simpático para o senhor Putin, e que assobia para o lado perante os seus crimes.

    Das duas uma: ou o senhor de Belém “ignorava” tal circunstância (a meu ver mais substancial que circunstancial) e dava tal apoio, ou não ignorava, e não o dava, nem a tal coisa se referia. Meter no conselho de segurança um país que não se demarca da insegurança global promovida pelo Putin, não parece ser de bom senso, por muito diplomático que se considere ser.

     

    19.3.22

  • É HUMANO!

    Então não é que a dona Mortágua (a do AIMI) recebe umas coroas para debitar as suas bocas na televisão? E esta, hem!

    Verdade é que o indígena, quando ouve os comentários dos políticos nas televisões, acha que eles estão ali para aproveitar a oportunidade de defender as suas ideias, e até agradecem às têvês o tempo de antena que lhes é dado. O indígena é parvo: pensa que, se alguém tivesse que pagar, seria quem aproveita tal e tão caro tempo para defender as suas ideias.

    Mentira! Os tipos vão ali para ganhar algum. A Mortágua veio desnudar o que, pelos vistos, é prática geral. E logo, à sememelhança do Robles, a pôr de rastos os “princípios” do BE. Que azar! Anda a mulher por aí, diga-se, a desdobrar-se em farrapos de desculpas, a dizer que vai devolver a massa que ganhava há meses sem dar por isso. Terá contas bancárias tão chorudas que nem dá pelo dinheiro que recebe? Coitadinha.

    Isto, quando toca aos tostões, é humano!   

     

    11.3.22

  • DON PERIGNON

    Julgo que já aqui disse que a vantagem da guerra da Ucrânia foi a de nos livrar das donas freitas, temidas e quejandos/as, assim assassinando as oportunidades que o covide lhes dava. Cinicamente que seja, diga-se que há males que vêm por bem.

    Mas não se alegrem, a Temido ainda mexe, agora com mais força desde que foi canonizada no Largo do Rato. Deram-lhe um microfone, e aí astá ela! A pandemia está fraca, há menos gente nos hospitais, etc., mas, alto lá com o charuto! Vêm aí os refugiados, carregadinhos de vírus, a dar cabo do trabalhinho! Ah ah!, vou ter outra vez tempo de antena. Abram o Dom Perignon.

     

    11.3.22

  • LIMPAR ARMAS

    O IRRITADO, ao contrário de algumas opiniões, não tem estado de férias, nem se calou com medo do Putin. Olha o que toda a gente vê e tem, como compete a qualquer pessoa propriamente dita, opinião sobre o que se passa, opinião que, ao contrário do costume, não difere da da comunidade em geral.

    Para além do choque e da indignação que a guerra causa, ao IRRITADO vale a pena chocar-se, indignar—se e irritar-se com o que por aí inúmeros intelectuais propalam. Os do PC e os do Bloco, sem surpreza, defendem, ou disfarçam que defendem, os crimes do regime russo. Mas há muitos mais. Os que acham qua a “história” justifica o massacre da Ucrânia, divulgam com alegria nas teses que propagam a ideia de que a Ucrânia nunca existiu e, daí, concluem que a Rússia está a defender o “seu território”.

    Imagine-se que, em Portugal, o regime adoptasse a posição de dizer que Angola, por exemplo, nunca existiu, foi uma criação dos portugueses, os quais têm o direito de reclamar o foi seu durante séculos. É verdade que Angola é uma criação dos portugueses, não existia antes deles e só existe por causa deles. No seguimento de tão justa ideia, justificar-se-ia que fôssemos todos “reconquistar” Angola.

    A ideia é completamente estúpida. Mas, mutatis mutandis, é o que anima o Putin. Pior, é o que sustenta a multidão de “justificadores” que andam por aí nos jornais a defender que, enfim, os meios utilizados são condenáveis, mas, lá bem no fundo, o homem até tem “razões atendíveis”. Isto passa-se com intelectuais de esquerda, com fartura, e de direita, alguns de quem não se suspeitaria.  

    Em tempo de guerra, intelectualices durante décadas guardadas a bom recato, surgem por todos os lados, vêm à tona já que, agora, vendem artigos nos jornais e antes não davam euros. Facto é que, de repente, andam por aí , num fartote, as teorias sobre os “erros do Ocidente”, a descrediblizar o quase universal consenso sobre a guerra.

    No fundo, andam a limpar as armas do Kremlin em vez de as danificar.

     

    11.3.22

  • O BAILE DOS TRAIDORES

    Nesta coisa da guerra na Ucrânia, algo há de positivo (passe o cinismo): o fim dos mortos, doentes, infectados, recuperados, hospitalizados, o silêncio dos epidemologistas, cientistas, médicos, matemáticos, freitas, temidas, máscaras, ofensas à moral e ao direito, trafulhices constitucionais, tudo o que desde há dois anos colabora no culto do medo, da obediência, da anormalidade em que temos vivido. Putin silenciou-os.

    Graças ao Putin, livrámo-nos dessa ameaçadora e poderosa alcateia. Mas veio coisa pior, desta vez o medo a sério, o medo do fim da liberdade, da segurança, da racionalidade. Há, é verdade, e ainda bem, uma vasta união contra a reincarnação oriental do Hitler.

    Mas, estando tudo em causa, há quem se entretenha a desacreditar a razão. De uns, é o que seria de esperar: as loucas bojardas do PC, as tergiversações do BE, as hesitações do Chega, eram previsíveis. Mais grave é que tais manifestações de visceral ódio à liberdade – coisa de que, ocasional e oportunisticamente, se servem – são as “posições” dos não poucos idiotas inúteis que por aí vicejam. São às dezenas. O senhor Biden era uma besta quendo dizia que a Rússia ia invadir a Ucrânia. Agora continua a sê-lo embora tenha avisado e acertado. A história das “idiossincracias” russas é esgrimida por plumitivos vários, com destaque para o petulante Sousa Tavares, cujo pai deve dar urros na tumba. Abudam os “historiadores” e os “intelectuais”, de esquerda e de direita, todos em formatura a encontrar “razões” para achar “natural” a acção do Putin, besta fatal da nossa idade. E até, imagine-se, o estúpido mor da nação, senhor Rio, tece considerações económicas sobre as sanções “que nos vão prejudicar”. Olhem a novidade!

    Nem a evidente ameaça nuclear da besta move, ou comove, esta gente, na sua sanha de desacreditar a razão.

    Sempre houve e haverá traidores que se entretêm a limpar as armas em tempo de guerra. Devem achar que o Chamberlain e  o Daladier é que fizeram bem. Devem achar que o Putin e o fantoche bielorusso são uns tigres de papel, que o Maduro é um herói, que Cuba é um paraíso, que as Falkland são Malvinas, que há ditaduras que libertam.

    O sono da razão engendra monstros, ou ignora-os, mesmo quando já os tem à porta.

     

    28.2.22       

  • “REALIDADES”

    Uma loira, devidamente oxigenada, plantou no “Público” umas coisas mais ou menos ininteligíveis. Inteligente porém, é a conclusão do escrito. Assim: “a realidade é política e, assim sendo, é de esquerda”.

    Num rasgo de génio, a plumitiva em causa resume toda a filosofia do nacional-esquerdoidismo.

    Como o Tavares, muito ocupado com o controle dos seus inúmeros assessores, deixou de nos presentear com as suas arengas – esquerdistas mas não burras – , o senhor Carvalho, perito em cravos e ferraduras, decidiu substituí-lo por esta nova rosa dos jardins da esquerda. Já sabíamos que a moral, a correcção, a razão, a democracia, os “bons” costumes, etc., eram propriedade de tal gente, coisas a impor, com a devida obrigatoriedade, aos pacóvios. Mas que a própria realidade faz parte de tal património, é de estalo.

    A realidade ou é de esquerda ou não é realidade. Até o Sol e a Lua cheia são de esquerda, sob pena de ficarmos às escuras.

     

    21.2.22

  • O TEMPORA, O MORES!

    Aqui há uns anos, ainda o BES vicejava, houve um projecto qualquer que implicaria um corte de sobreiros, julgo que para os lados do Ribatejo. A oposição entrou num frenesim contra a coisa. Os ecologistas de serviço desataram aos gritos. O ministro que, dizia-se, apoiava a coisa, foi crucificado no altar da incompetência e da corrupção. Os jornais não se calaram, o PS explorou o assunto de todas as formas possíveis. Tanto quanto me lembro, a coisa abortou.

    De acordo. O montado de sobro e azinho deve ser preservado e até alargado.

    Mas o mundo dá as suas voltas. Desta vez, o inacreditável ministro do ambiente e o ainda mais inacreditável secretário de Estado que o serve, aprovaram um projecto de um ror de hectares a ocupar com ruinosos projectos de intermitente e cara energia solar, implicando a coisa o abate de 1079 sobreiros e 4 azinheiras. O tonitruante ministro realça “a importância e elevada expressão económica do empreendimento”, bem como a sua “imprescindível utilidade pública”. E há, pelo menos, mais um projecto em vias de aprovação!

    Mudam-se os tempos, mudam-se as “verdades”. Ou não. Não há nada de novo, a argumentação do ministro é a mesma de Sócrates, como nos tristemente célebres PIN, que passavam por cima de tudo e mais alguma coisa, e para quase nada de positivo serviram. Agora, ainda que a mentalidade ou os objectivos sejam de semelhante natureza, as conseqências são bem mais graves. Enfiados na trapaça da “descarbonização”, caminhamos a passos firmes para o disparar dos preços da energia (somos ricos, não é?) e para o recrudescimento das importações, mesmo que integralmente “carbonizadas”. Enfiar milhares de milhões em energias intermitentes, ocupar milhares de hectares com painéis solares, dar cabo do montado, “encher” de euros os que se aproveitam – fazem eles muito bem – das desgraçadas políticas energéticas da “modernidade” socialista, borrifar no ambiemte que se diz proteger, eis o que “orienta” o governo. E vêm aí mais quatro anos disto, sem remédio, precipitanto o país num inevitável abismo energético e económico.

    Num momento em que a própria Comissão Europeia (finalmente!) classificou como limpa a energia nuclear, em que, por exemplo, a França (com quase cinquenta centrais em funções e a energia mais barata e eficaz de Europa) se prepara para construir novas centrais, o portugalito, orgulhosamente só, ou quase, restaura o mais primitivo e estúpido socratismo.

    A matilha ecologista, com uma excepção, apoia.

    Vivemos nisto, que é pior que o covide.

     

    20.2.22

  • O RIO É DO PS, OU FAZ-SE?

    Se o senhor Rio tivesse alguma noção do que é a dignidade, ter-se-ia demitido na noite das eleições. Mas não o fez.

    Se procurarmos as razões para tão estranha atitude, não será difícil encontrá-las. Durante seis longos e tristes anos, o senhor Rio, dito líder da oposição, não fez oposição nenhuma. Zero. Entreteve-se com outras matérias, que não eram matérias para ninguém. Rodeou-se de zeros, uns tipos ridículos, sem ideias nem projectos: as poucas excepções (três, conto eu) eram gente séria mas sem estaleca política de nenhuma espécie. Há até fulanos abaixo de zero, como um melenas do Norte que negoceia em relvas ou o senhor Silveira, ou Silvado, perdão, Silvano. Encostou o partido à esquerda, ignorando que jamais foi outra coisa senão de direita, entendida direita como à direita do PS. Foi um servo fiel do status quo, um auxiliar da situação.

    Na hora da verdade eleitoral não reconheceu que se tinha enganado. Pior, insiste em ficar e dominar o futuro. Na sua traiçoeira mente, convencido que é alguém porque diz umas em alemão, prepara as coisas para continuar no poder, seja quem for o líder que se segue. Minar-lhe o futuro metendo os seus em tudo o que é lugar antes que o outro seja eleito. Não lhe chega o inevitável, que é tal sucessor ficar a braços com um grupo parlamentar inventado por ele. Há que ocupar com os seus zeros todos os lugares que puder, antes que o outro seja eleito. Minar ainda mais o futuro do partido.

    Que explicação poderá estar no fundo desta coisa, a que caridosamente há quem chame desnorte? Não há desnorte nenhum. O senhor Rio atribuiu a si próprio a missão de destruir o PSD, ou o que dele resta. Enquanto tiver estatuto para tal, prosseguirá a sua missão. Quem lha outorgou? Se calhar, chegou à conclusão que o PS é social-democrata, deixando de haver necessidade do PSD.

    Daí que, em termos lógicos, só não preencherá a ficha no Largo do Rato porque acha que, afinal, como raminho de salsa, talvez uns restos possam servir para melhor apoiar o Costa.

    Isto não é, da parte do IRRITADO, teoria da conspiração. É só olhar os factos e tentar percebê-los

     

    20.2.22

  • NOTÍCIAS “DE REFERÊNCIA”

    – Primeira página do “Expresso” de ontem, coluna da esquerda. Transcrevo:

    Portugal é o terceiro que mais cresce – Portugal é, com a Irlanda, o país com a terceira maior taxa de crescimento este ano na zona euro, de acordo com a Comissão Europeia. O PIB deverá crescer 5,5% em 2022.

    – Página 29 do “Público” do mesmo dia, transcrevo:

    Crescimento do PIB durante a pandemia – Fonte da Comissão Europeia: em 29 países europeus (extensa tabela, aqui irreproduzível): Portugal é o terceiro, em 29, mas a contar do fim. A Irlanda é o primeiro com 27%. Portugal é o vigéssimo sétimo, com 1,4%.

    Donde se conclui que a mesma realidade, ou realidades da mesma natureza, contadas de diversas maneiras e por diversas pessoas ou entidades, mesmo que sem mentir, incute coisas diferentes ou mesmo contraditórias na cabeça de cada um. Não é preciso ir às redes sociais para encontrar meias verdades, puras mentiras, ou considerações maradas sobre a realidade. Os políticos fazem o mesmo nas campanhas eleitorais ou nas “informações” propagandísticas. Mas, dos jornais “de referência”, meu senhores, que dizer? Nada. Nada, porque não há nada a dizer, nem a fazer. É assim, a “informação” depende de manchetes, de vendas, de interesses comerciais e de outras coisas menos claras, que com informação a sério pouco têm a ver. Cada um que esmiuce, se quiser, para não passar a vida a comer gato por lebre.

     

    12.2.22

  • Ó MOEDAS, ESTÁS A VER ISTO?

    Os vereadores não executivos da CML desataram a contratar assessores, dando continuidade a antigos, estranhos e caros costumes.

    Almas menos avisadas poderiam achar que “não executivo” queria dizer sem pelouros, sem responsabilidades de gestão, quando muito opinadores e votantes. Não é assim. Os vereadores sem pelouros nem responsabilidades precisam de “assessores”, quer dizer, vão buscar apoiantes políticos eventualmente desempregados ou a precisar de um reforçozinho ao fim do mês (e não será pouco) para desempenhar funções, quais(?) sejam elas. Muito bem. Todos os eleitos se servem de assessores, com certeza para a primorar as importantes funções que não têm, para além de chatear aqui e ali. Parece que, em Lisboa, sempre foi assim. Talvez fosse, até, de juntar umas secretárias, uns motoristas, uns contínuos (auxiliares operacionais!), um Mercedes e um políca à porta para evitar atentados. Aceite-se. É a “tradição”.

    Dada a gigantesca altura da sua categoria de prestimoso intelectual de esquerda, o extraordinário vereador não executivo e líder da importantíssima coisa chamada Livre, o ilustre Rui Tavares, vai mais longe que os demais: nove assessores, nove. É de estalo. O Município paga e não bufa. Nove para quê? É uma espécie de governo sombra, cheio de ministros, sob a gloriosa direcção do PM Tavares. Com que pelouros? Nenhum, que a nenhum têm direito. Ou muitos, sem funções mas com títulos: um para a polícia, outro para a limpeza, mais um para a iluminação, um engenheiro informático para a ciber defesa, um psiquiatra para qualquer eventualidade, outros três para assessores dos assessores, e, bem vistas as coisas, ainda fica a faltar muita gente. E a malta a pagar.

    Ó Moedas, aturas disto? Se sim, não vais longe.

     

    10.2.22         

  • FARÇA ANIMALESCA

    Se há coisa, na política portuguesa, que faça rir, é o trágico-cómico caso da rapariga das “framboesas em túnel”. De nada lhe valeu o photoshop dos cartazes, nem o seu acendrado amor aos gatos e quejandos. Depois da barracada que deu durante o mandato e durante a campanha, a criatura esperneia, diz que não se demite, não quer congressos nem martingalas do estilo, pelos vistos antidemocráticas. É até capaz de dizer que fez tudo muito bem e que os maus são os gatos do saco do partido. Tem razão: a Catarina não se demitiu, o Jerónimo também não, o Rio anda aos bonés, porque havia ela de se ir embora?

    Os gatos, em vez de se arranhar uns aos outros, saem do saco, fogem dela como o diabo da Cruz. Malandros. Aos magotes! Ela, que queria consultar as bases (quais bases?), uma a uma, para se safar! Coitadinha, nem os Faulty Towers eram capazes de ter tanta piada. Os gatos, fora do saco, deram corda aos pés e, unhas de fora, não param de a arranhar. Pobre rapariga que tão estremosa era para com todos. Diga-se que reage como pode: os que não se puzerem a milhas são despedidos, e pronto. Facto é que a gataria decidiu que não quer nada com negociantes de agricultura intensiva, coisa que é própria de latifundiários e de outras espécies que gostam mais de touros de lide do que de gatos. Até o papa do PAN, um tal Silva, está contra ela, anda na televisão e nos jornais a chamar-lhe nomes. Canalha!

    A rotunda senhora é capaz de ficar sozinha. Assim , propõe o IRRITADO, cheio de solidariedade, que seja ela a única “base” a consultar. Vê-se ao espelho, e pronto: reelege-se a si mesma por unanimidade. Ficará assegurada a continuidade da parvoice. Em alternativa, talvez o melhor talvez fosse dar também à sola e, cheia de amor, ir pentear macacos.

     

    10.2.22

  • DIGITALIZAÇÃO

    Vamos, gloriosos, no caminho da digitlaização pública, isto é, da abolição do diálogo ente seres humanos e da sua submissão às máquinas. Dir-se-ia que a digitalização acelera os processos e os simplifica e desburocratiza. Bom argumento. O pior é que, pelo andar da carrugem, nem uma coisa nem outra.

    Experimente ter uma pretensão que a máquina não prevê, ou não esteja programada para tal. Dir-lhe-ão que tem maneira de reclamar, mas na internet, nada de conversas. Aí, você entra no esquema de mais uma app, mais uma palavra passe que nunca teve ou não se lembra. Experimenta outra, das que costuma usar. Não serve. É velha ou fraca. Inventa outra. Mais uns passos. A palavra não serve, falta-lhe uma maiúscula. Põe a maiúscula. Também não serve, precisa de um dígito. Põe o dígito. Vitória! Aí, entra, se entrar, no que interessa. Apresenta uma reclamação por escrito. De imediato, ou quase, tendo sorte, uma máquina qualquer responde-lhe que “a sua reclamação foi recebida com êxito”. Fica todo contente. Três meses depois chegará à conclusão que ninguém ligará pevas à sua pretensão.

    Daí, ou desiste, ou passa à fase seguinte. Vai aos confins da memória até encontrar um conhecido que consta ter uma prima na repartição pública reclamada. A prima é simpática e encaminha-o para o Dr. Pancrácio, que o recebe por ser amigo da prima. O Dr. Pancrácio ouve a reclamação. Sim senhor, tem toda a razão, esta coisa da internet, dos servidores, sabe, não é? Pois. Meu caro senhor isto não é fácil, isto do sistema… Pois. Você percebe. Senhor Doutor Pancrácio, se não me engano já o vi no Algarve. Pois, caro senhor, é provável, na praia amarela, aquilo é caro… mas, não é?, os miúdos e tal. Pois, Dr. Pancrácio, compreendo. Olhe, por acaso, tenho um amigo que é director do Hotel Brioso, cinco estrelas++. Gostaria de ir até lá no Verão? Enfim, é aliciante… Então, doutor Pancrácio, resolva lá o meu problema, depois diga-me e eu trato da reserva, tudo incluído, sem custos. É, digamos, uma oferta de representação publicitária, para clientes especiais.

    E pronto. Uns dias depois o problema está resolvido. Um processo antiquado mas eficaz.

    Como acima dizia, outra maravilha da digitalização, dizem, é acabar com a burocracia. Puro engano. A burocracia continua viçosa. Nada de simplificações, as repartições continuam exactamente como eram, cinco instâncias para cada questão, os regulamentos são os mesmos, agora mais eficazes a dar cabo do juízo à malta com a digitalização. Ainda por cima, com o trabalhinho dos ladrões, dos espiões, dos trumps, dos pintos e quejandos que por aí pululam, os sistemas estão sujeitos a ataques, não será de estranhar que um dia toda a administração pública seja paralizada, ou o abastecimento de energia e coisas do género deixem de funcionar… tudo é possível.

    Mas você, caro concidadão, é capaz de estar muito contente com a digitalização.

     

    9.2.22

  • DA UTILIDADE DO CHEGA

    Para a esquerda, o Chega foi uma bênção. Quanto mais o Chega subisse, menos votos teria o PSD. Daí a ocupar pelo menos metade da campanha a chamar-lhe nomes, merecidos ou não (tanto faz), desde que o PSD apanhasse de tabela, por causa da história dos Açores. Não esquecer o Rio, que, à sua conta, não fez outra coisa senão dar à esquerda, como sempre, uma ajuda preciosa, com hesitações burras sobre a prisão perpétua, por exemplo. Tanto as esquerdas disseram, que o Chega passou a ser “o assunto da campanha”, o mais propagandeado de todos. Daí, 12 deputados para o Chega. E o PSD nas lonas. Genial.

    A coisa continua. Os grandes defensores da Constituição borrifam nela e não vão deixar que haja 4 vice-presidentes na AR como a dita manda. O Chega não votará em nenhum candidato proposto pelo Chega, seja ele quem for, ainda que, para já, estejam centrados no Amorim. Estupidez? Não. A campanha a favor da popularidade do Chega continua. Vitima dos ódios primários  da esquerda, o Chega terá mais visibilidade, mais propaganda, fará mais barulho, perguntará, com razão, “que democracia é esta em que os nossos eleitores valem menos que os dos outros, os nossos deputados são menos que os outros, em que as normas em vigor são espezinhadas a bel-prazer da esquerda?”

    As esquerdoidas não se calam, com a preciosa ajuda das camaradas do PS, horrivelmente representadas pela senhora deputada Moreira – aperaltadíssima! – e por uma senhora deputada europeia, as duas prenhes de emoções, indignações, provocações, acusações. Só lhes falta dar vivas ao Chega, que cresça, que se afirme, que seja o bombo da festa todos os dias à disposição, retumbante, sonoro, acusador. Que melhor remédio que, através dele, chegar à direita moderada, muito mais odiada que ele, o verdadeiro alvo da esquerda?

    É a prática do ódio, coisa que tanto passam a vida a condenar. Ódio puro, sem tréguas nem escrúpulos nem limites, cujo objecto é outro que não o Chega. O ódio é a verdadeira moral da esquerda. É a esquerda no seu melhor, como diria o Sócrates.

     

    9.2.22

  • DOS MALEFÍCIOS DA ESQUERDA

    A cegueira esquerdista não hesita em ignorar as realidades sociais em favor das suas inultrapassáveis convicções. Isto reflete-se em tudo. A educação e a saúde são dois exemplos paradigmáticos.

    Ontem, o Tavares, conhecido nefelibata do Livre, enfrentou um tipo da IL cujo nome ainda não fixei, e deu largas às suas limitações. Assunto: saúde. O homem, na sua cegueira, “ignora” que os hospitais PPP forneceram ao Estado serviços de reconhecida qualidade, apreciados e enaltecidos pelas pessoas e pelas comunidades e, ainda por cima, mais baratos para o Estado do que os prestados pelo sacrossanto SNS. Acabe-se com les! O importante, para o Tavares, não são os serviços, nem as pessoas, nem as comunidades, são o facto de ter que ser o Estado, mesmo que mais caro, mesmo com piores serviços, a tratar de tudo. “Ignora” que os cerca de um milhão de funcionários públicos e seus familiares ora incluídos, gozam do “seguro” conhecido por ADSE, e frequentam, a preços reduzidíssimos, os cuidados dos privados. “Ignora” que, segundo dados publicados, julgo que fiáveis, há cerca de quatro milhões de portugueses que têm seguros de saúde, assim fugindo ao SNS. ”Ignora” que os portugueses que o podem fazer, escolhem. Os demais que se lixem, sujeitam-se ao que lhes derem. O importante, para os limitados cérebros da esquerda, é manter o que está ao mesmo tempo que praticam a manigância intelectual da “protecção dos mais desfavorecidos”. Por outras palavras, ignoram os interesses da sociedade e dos cidadãos.

    Por seu lado, o representante da IL propõe que, sem prejuízo dos serviços públicos, antes mudando-lhes a gestão, possam ser prestados independentemente de quem os presta, público ou privado. Parece,pelo menos, mais inteligente. Mas a inteligência nunca foi apanágio da esquerda.

    Para a esquerda, o importante não é a liberdade de escolha dos cidadãos, não é a qualidade dos serviços, não é o preço que custam, não é a desorganização em que vegetam, é ser o Estado o proprietário de tudo, a começar por tal liberdade. A esquerda não é burra, é totalitária por natureza.

     

    4.2.22

  • PPD/PSD, E AGORA?

    Parece que a desgraça do PSD vai agravar-se. O seu líder, ao fim de seis anos de total incompetência, ainda não se demitiu, e parece não querer voltar ao seu amado Porto – de onde nunca devia ter saído – e ficar por lá sossegadinho a apoiar o Costa, mas já sem poder para destruir ainda mais o partido.

    É evidente que, se tivesse consciência do que fez, renunciaria ao mandato, a fim de, com as suas teorias de centro-esquerda e o seu alemão de circo, não destruir, mais ainda, o partido que, em momento de insanidade colectiva, lhe renovou o mandato.   

    Admitindo a hipótese, à primeira vista sorridente, de se demitir ou ser corrido, que se seguirá? Virá um novo líder, desejavelmente menos “social-democrata”. Não passará de um infeliz a braços com um grupo parlamentar formado pelos escolhidos do Rio, chefiados por ele e, por definição, tão incompetentes como ele. Não lhe gabo a sorte.

    Espantoso é ver um rioista feroz vir propor a subida ao trono de um ex-parlamentar que de rioista nada tem, assim demonstrando a “solidez” ideológica que o anima. Um dos mais  fiéis do Rio vem apoiar o Montenegro! Caiu em si, demonstra quão oca pode ser a cabecinha que Deus lhe deu, ou é só um sinal claro da qualidade dos apoiantes do chefe?

    Enfim, parece que a oposição às arrancadas do Costa vai ficar por conta da IL. Há coisas piores, não é?

     

    3.2.22