IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DA DERROCADA

    Por todo o lado se desmorona o Estado a que o PS levou o país. É certo que ainda falta o último acto da tragédia, a bancarrota, mas lá chegaremos, de uma forma ou de outra. É o futuro previsível.

    Para já, é a derrocada da saúde, dos transportes, da educação, dos aeroportos, dos salários, da “descentralização”, num nunca acabar de incompetência, de esquecimentos, de palavreado, de soluções que virão um dia se.

    São leis e mais leis que não se podem cumprir porque ninguém as regulamentou, dando aos burocratas o gozo supremo de dizer não a quem julga que as leis existem. É a bazuca que anda de mão em mão, cada caso dependente de quarenta pareceres e de trinta instâncias, entidades, reguladores, repartições, estudos e mais o que ocorrer a “quem de direito”. São as grávidas sem médico a correr de hospital em hospital, o sistema público de saúde odeia o que funciona, sacrifica as pessoas a ditames ideológicos que nada têm a ver com elas, as cirurgias no tinteiro, as consultas espera aí. Os aeroportos num caos, por causa da morte de um homem (questão para os tribunais, se é que os há), o governo, em vez de pôr o SEF a funcionar, quer acabar com ele, a confusão é total, a luta dos SEFs com os PSPs e os GNRs, uma desgraça ridícula, uma monumental bordoada no turismo.

    A lista é interminável, não vale a pena ir mais longe porque onde se vá é a mesma  coisa.

    Dizia-se do Brasil que era “o país do futuro “. Como o futuro ainda não chegou, nunca mais o Brasil lá chega. Conosco é mais ou menos o mesmo, vivemos num mar de intenções, num pântano de promessas falsas, numa fossa de declarações vazias.

    O Presidente entretem-nos com o orgulho da Pátria, do esplendor de Portugal e dos elogios ao governo. Deste não vale a pena falar. É do PS, e está tudo dito. O Parlamento anda entretido com a eutanásia em vez de denunciar o que se passa.

    E o povo? O povo anda embriagado com eco-balelas e asneiras várias. Não quer o petróleo nem a quarenta quilómetros da costa, não quer o lítio, que faz pó, não quer o gás, que faz buracos, o nuclear nem pensar, foi o que o Sócrates mandou. O povo assiste a ver o seu dinheiro drenado em “energias renováveis”, em nome do tal “futuro”, e acha muito bem. Há alguns que perceberam que o remédio é emigrar para uma país que funcione. Há os que vivem de biscates, do desemprego, dos subsídios do Estado, tudo somado chega, trabalhar faz calos. Não há quem queira trabalhar, e percebe-se.

    Entretanto, as “elites” debatem-se em debates, conferências, estatísticas, dados, tudo o que não implique responsabilidades. As excepões, se as há, confirmam a regra.

    Enfim, chegou  o Verão. Umas sardinhas, umas marchas, uns bronzes, melancias fresquinhas, boa fruta, uns festivais. Depois, há-de vir o futebol. Sejamos felizes, ou estúpidos, que é mais ou menos o mesmo.

     

    14.6.22

  • BANCOS

    Nas muitas desgraças bancárias que nos têm acontecido, avultam os milhares de milhões dados à Caixa Geral de Depósitos, e os mais ou menos outros tantos entregues ao Novo Banco.

    Mas há algumas diferenças.

    No primeiro caso, o monumental buraco não teve responsáveis. Foi uma coisa “natural”. O banco é do Estado, o Estado terá feito “suprimentos”. Quem cavou o buraco? Ninguém sabe. Ou sabe-se, mas não interessa. O Estado é o Estado, os seus funcionários, tal com o governo, não são responsáveis por coisa nenhuma.

    No caso do novo banco, os responsáveis estão a ser julgados e, caso raro, a procissão ainda vai no adro mas já há condenações. Ao contrário da CGD, a quem bastou apresentar a factura, neste caso houve negociações, criou-se um fundo ao qual se atribuiu um balúrdio, a ser entregue em prestações. A certa altura, o BE&Cª desataram aos gritos, nem mais um tostão para o NB! A coisa fez o seu caminho e anda tudo à cacetada. O NB quer o que lhe foi prometido no contrato subscrito com o Estado. O Banco de Portugal, ao serviço do Estado, não quer que se pague.

    Eis a diferença. A um banco público o Estado paga, de mão beijada, e ninguém tem nada com isso. Aos privados, o Estado acha que não tem nada a pagar, depois de a tal se ter comprometido. É o esplendor da honestidade de esquerda.

    Post scriptum: o IRRITADO não percebe nada de bancos. Quer saber de factos, não dos pormenores que por aí campeiam. E está preparado para todos os nomes que lhe queiram chamar.

     

    7.6.22

  • PARAGRAFANDO

    “O meu futuro político é nenhum. Acabou aqui. Ponto final, parágrafo”, uma frase do tristemente célebre senhor Rio, citada pelos jornais. Podemos ficar descansados? Não! Se é ponto final, não é parágrafo. Portanto, ou o fulano não sabe português, ou está a aldrabar. Esperemos pelo parágrafo que se segue. Cuidado!

     

    7.6.22

  • DOMINGUINHICES

    Um senhor, muito conhecido lá em casa e no Largo do Rato, vai substituir o guru económico do PM Costa, Costa Silva, na gestão da bazuca. De seu nome Dominguinhos, parece que ficou célebre como presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, e o mesmo no que respeita ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Muito bem.

    Como parece evidente, o doutor Dominguinhos nunca esteve em contacto com actividades económicas, empresas, associações, sindicatos, indústrias, comércio, ou qualquer coisa de parecido, tudo matérias que não constam do currículo publicado pelo governo.

    Eu sei que, às vezes, o hábito faz o monge. É o evidente e exemplar caso do ministro dos transportes, pessoa que em relação à matéria só era conhecido pelo seu amor a Porsches e Maseratis.

    Pode ser que o Doutor Dominguinhos venha a vestir o hábito a a tornar-se um bom gestor das matérias que lhe vão ser confiadas, às quais, é de pensar, talvez se ocupasse aos dominguinhos à tarde.

    Como é hábito do IRRITADO, haverá que ir um pouco mais longe para encontrar uma explicação lógica para o tão estranho mistério do apareceimento do senhor no seu novo alto cargo. Se o fizermos, a coisa esclarecer-se-á. É que, rezam a crónicas, o senhor é um profundo e incondicional admirador do Partido Socialista e do seu incontestável líder. Parece que até escreveu textos laudatórios de tal personalidade e da sua magnificente obra.

    Como pode ver-se, tudo é, afinal, claro como a água da torneira.

     

     

    4.6.22    

  • DO PALOPISMO RUSSÓFILO

    Em amorosa comunhão de ideias e interesses, a dona Não-sei-quantas, “senadora” russa, elogiou ditirambicamente o camarada Nyusi, a quem chamou, por exemplo, “parceiro confiável”. Desvanecido, o tal Nyusi, ilustre presidente de Moçambique (membro de pleno direito dos PALOPS e da CPLP, e não de pleno direito do Comonwealth), declarou que a Rússia estava a proceder de modo a “defender a paz e acabar com a guerra”, como se não fosse a Rússia quem a começou e quem a tornou no mais hediondo, bárbaro e criminoso conflito dos nossos tempos. Aqui temos não só uma demonstração de alta inteligência, como de coerência política em relação aos valores das comunidades em que deixam o seu país integrar-se. Isto, sublinhe-se, depois de na AG da ONU não ter votado a condenação de tal guerra, em vergonhosa minoria.

    Pelos vistos, não é só o nosso PC que continua fiel ao “Sol do mundo”, agora na sua versão putínica. Mesmo depois dos mais de quarenta anos de guerra, guerrilha, insegurança, instabilidade e miséria que se seguiram à “descolonização exemplar”, provocados pela implantação do comunismo soviético, Moçambique ainda não percebeu, nem quer perceber. Por isso, não sairá da fossa em que se meteu.

    Andam almas correctas e modernas, por uma vez muito bem, a espernear contra a admissão da Guiné Equatorial na CPLP, não porque é de expressão castelhana –o que chegaria – mas porque não respeita os mais elementares critérios em que a organização se baseia. As mesmas almas, porém, acham muito bem que andemos aos beijos e aos abraços aos amigos do Putin.

     Não é caso único. Voltaremos.

     

    3.6.22

  • POSTS DE DOMINGO

    UMA BOA NOTÍCIA

    Resistindo à monumental barragem que, à volta da sua candidatura, foi feita pela chamada informação (jornalistas, comentadores e outros esquerdistas mascarados de independentes), Montenegro arrasou o colega Moreira da Silva. Haja quem diga “ainda bem!”, e o IRRITADO está nessa.

    A escolha era simples: ou se votava na continuidade da submissão do partido às asneiras dos socialistas e na destruição sistemática e propositada do PSD levada a cabo pelo mais desgraçado líder da sua história, ou se recuperava o partido do estado comatoso e indigno em que por ele foi mergulhado, apostando num líder que se propunha pegar no que resta e projectar, sem complexos, um futuro decente. Ou o país passava a ter uma oposição lutadora, ou mergulhava em “causas” populares mas ruinosas. Ou o país tinha hipóteses de recriar uma alternativa nacional, ou metia-se em patacoadas universais do tipo “salvar o planeta”, com o aplauso e a cumplicidade do PS. Ou o partido se entregava a um tecnocrata inteligente mas afunilado, ou elegia um político com ideias pelo menos vigorosas.

    Não sei se o Montenegro vai triunfar, no partido e no país. Mas sei que, enfim, há uma hipótese…

    Declaração de interesse: o IRRITADO não é, nem nunca foi, filiado no PSD.

      

    UMA NOTÍCIA EXTRAORDINÁRIA

    Uma estimável organização, prenhe de altas figuras científicas, técnicas e políticas, INCF de seu nome, dedicou-se à meritótia tarefa de estudar a biodiversidade. Nada contra, acho bem.

    Dos objectivos, constatações, realizações e triunfos elencados, como referidos no “Expresso”, cumpre sublinhar este: sob a epígrafe “sequestro do carbono”, aparece a seguinte observação: Um dos papéis essenciais das flotrestas é a captação do carbono. Em Portugal, o pinheiro-bravo e o eucalipto são as espécies mais eficientes neste processo.                        

    E esta, hem! O negregado, odiado, acusado, condenado, eucalipto, lado a lado com o pinheiro, é o maior sequestrador de carbono do país!

    Deve ser por isso que andam a proibir os eucaliptos, ao ponto de os mandar (e aos milhões que para cá trazem) para a Galiza. Os espanhóis agradecem, e nós por cá todos mal.

     

    INCURSÃO FUTEBOLÍSTICA

    Vi ontem a final da Taça dos Canpeões. Uma demonstração de bom futebol, apesar da monumental injustiça do resultado. De tal maneira injusta que até os catedráticos da bola o reconhecem!

    O que me traz não é, porém, o jogo, ou a tal injustiça. É a abertura da “festa”. Iam defrontar-se uma equipa inglesa e uma espanhola. A abertura consistiu num num pavoroso “ballet” espanhol, inultrapassável demonstração de mau gosto, uma gajas a sacudir o físico, uma cantora, coitadinha, sem físico nenhum, aos gritos, num linguarejar ininteligível. Uma vergonha sem nome.

    Não sei onde foram buscar aquela gente, mas calculo, sem exprimir o cálculo.

     

    29.5.22

  • DO ÓDIO

    O pernicioso senhor Tavares seguiu as pisadas do PS na Câmara de lisboa, e até se lhe adiantou na obra de destruição democrática há longos anos nela praticada pelo partido dominante.

    Para quem se lembra do que foi o “trabalho” do PS na Assembleia Municipal e na vereação do tempo de Santana Lopes, dúvidas não restam de que, com Moedas, vai ser pior, já é pior. Naquele tempo, foi a tenebrosa perseguição ao túnel do marquês que havia de custar mais de cem milhões ao município, foi a destruição do projecto do Parque Mayer, com o fim do casino e da obra de Ghery, com a monumental vergonha que, vinte anos depois, ainda está patente em Entrecampos e no moribundo Parque, com a perseguição a Carmona Rodrigues, pobre dele, insultado, vilipendiado, perseguido criminalmemte, com mais centenas de milhões de prejuízo, foram as acusações de gestão todas com pés de barro mas capacidade de empatar e perseguir, foi a perseguição diária, diria tresloucada, contra tudo o que fosse iniciativa da maioria, num nunca acabar de ódio, de malquerença, da mais anti-democrática e ruinosa atitude.

    Agora, por iniciativa do pernicioso Tavares, aí temos os dez quilómetros à hora a menos e o fecho da Avenida aos fins de semana. Duas propostas malucas, mas capazes de levar atrás de si os ódios do PS (apesar de tudo, ainda há quem pense que o PS é um partido civilizado) e do resto da oposição, de quem nada de bom se pode esperar.

    Esta gente, na ânsia de boicotar o exercício legítimo do poder do Presidente, usou a maioria na vereação para se apoderar do poder executivo que não tem, ou não tinha, num alarde de ilegitimidade que só o ódio pode explicar.

    Como o IRRITADO teve ocasião de dizer logo que foram conhecidos os resultados eleitorais de Lisboa, Moedas jamais conseguirá exercer o cargo para que foi eleito com a liberdade, e a responsabilidade, que lhe são próprias. Desta gente nada de bom, de legal, de legítimo, de sério, se pode esperar.

     

    26.5.22        

  • MAIS 20 MILHÕES

    20 milhões em 6 meses, ou seja, 40 milhões por ano. Pelo menos é o que consta no admirável orçamento do Estado. 40 milhões de baixa de impostos? Nem pensar. Mais 40 milhões/ano é o um novo e respeitável imposto. Trata-se, ao que é possível imaginar, de modesta contribuição para a descarbonização, o arrefecimento do planeta, as alterações climáticas, os problemas do CO2, outro generoso quão modesto contributo dos portugueses para honrar tão altos fins e resolver tão ingentes problemas. Os milhõezitos em causa provirão das caixas dos hamburgueres e de outras vitualhas que os portugueses (um bando de inconscientes) compram, embaladas em plástico.

    O Estado podia, se não fosse tão socialista e quisesse acabar com  tais caixinhas, proibi-las, dando aos canalhas que as fabricam ou utilizam um prazo para as substituir. Mas não, oportunidades de saque são coisas que o Estado que temos não perde. Por isso, há que taxá-las como já se taxa os sacos de plástico e, de caminho, os de papel que, mesmo miseráveis, até as farmácias já cobram. Tudo com língua de palmo, isto é, a taxa é cobrada antes da utilização, no fabrico, que a coisa não podia ficar por mãos alheias.

    Ainda havemos de pagar pelos esticadores para os colarinhos, pelos clips, pelos elásticos e pelas molas da roupa (sugestões que, graciosamente, como cidadão preocupado e cumpridor, o IRRITADO põe à disposição dos camaradas do governo).

    De assinalar ainda alguns pormenores: a ideia inicial veio da da fulana do PAN, com ressalva, é de calcular, para as toneladas de plástico dos túneis das framboesas; fica no ar, para 2023 – haja esperança -, mais uma taxa para as caixinhas de alumínio ou multimaterial com alumínio; e, antes que me esqueça, se a embalagem for de papel mas tiver alguma protecção plastificada para evitar o ensopamento com as gorduras dos hamburgeres, também paga.

    A vilanagem agradece, cheia de admiração pelas planetárias preocupações da fulana das framboesas, do Medina e do Costa. Haja respeito.

     

    23.5.22

  • CUIDADOS HUMANOS

    Correram já rios de tinta e de antena sobre o que aconteceu ao desgraçado senhor Rendeiro. Há, no entanto, um pormenor sobre o qual ainda nada ouvi ou li.

    O homem, condenado ou não, perseguido ou não, era um cidadão português sob autoridade de autoridades estrangeiras, que, segundo é voz corrente e aceite sem restrições nem desmentidos, estava encarcerado em condições infames, indignas de uma pessoa humana, criminosa ou não.

    Nestas circunstâncias, seria comum, curial e normal que as autoridades portuguesas, pelo menos as consulares acreditadas no local, se interessassem pelo assunto. A verdade, porém, é que, das notícias publicadas, nem uma se refere ao nosso cônsul, à nossa embaixada ou, evidentemente, às instâncias judiciais interessadas na sua extradição.

    O que acontece é que, agora, não há ninguém para extraditar. Pof!

    Ninguém se preocupou sobre o facto de o homam estar “alojado” numa prisão de conhecida e reconhecida má fama, numa cela com oitenta criminosos de delito comum, todos uns em cima dos outros, sem quaisquer facilidades sanitárias ou cuidados médicos. Além disso, é evidente que a “hospitalidade” dos “colegas” em relação a um tipo de gravata não era com certeza invejável.

    A nossa justiça borrifou no assunto, se calhar por achar que até era mais prático e poupava trabalho se desse ao condenado alguma providencial solipampa, coisa de que ele acabou por se encarregar sem dar satisfações.

    O nosso consulado, se é que existe, que se saiba ignorou o assunto. Quando o homem se queixou de problemas de saúde (ignoradas olimpicamente pelos carcereiros e pelos juízes sul-africanos), assobiou para o ar,  presume-se. Não tinha nada com isso.

    O homem era um criminoso condenado. Devia ser extraditado para cumprir sentenças judiciais para as quais já não havia recurso. Disso não há dúvida. Mas nada disso devia  fazer com que deixasse de ser um cidadão com passaporte português, por isso titular de algum interesse meramente humanitário (coisa que está na moda) por parte de quem nos representa no local.

    Mais uma vez, as nossas autoridades, tão incompetentes ao deixá-lo fugir, manifestaram a mesma qualidade ao não o assistir quando disso precisava.      

     

    16.5.22

  • DA DESEUCALIPTIZAÇÃO

    Parece que o governo que temos se prepara para arrendar as propriedades particulares que, no seguimento dos incêndios, se encontram abandonadas. Muito bem. Como? O Estado, através de (mais) uma entidade, e seguindo os seus altos critérios, avaliará as rendas a pagar, assim introduzindo uma prática que consiste em ser o rendeiro a estabelecer o valor da renda. Será mais uma inenarrável trapalhada, como é de calcular. A intenção poderá ser boa mas, a avaliar por inúmeras experiências do passado, não é provável que passe daquilo mesmo: trapalhada.

    Diz o senhor secretário de Estado que o o dito Estado é mais competente que os privados na gestão das florestas, o que também carece de prova, não sendo abonatória a experiência do passado, como, por exemplo, ficou patente, e patente ainda está, no pinhal de Leiria.

    É claro que os proprietários que o queiram, terão seis meses para repor o ardido ou abandonado, não se fazendo ideia de quando começará tal prazo. Se for como de costume, daqui até à entrada em vigor do emaranhado de leis, portarias e regulamentos que será preciso estudar, propor e publicar, bem poderá o pagode esperar sentado.

    E, atenção! Que não lhes passe pela cabeça plantar eucaliptos, que o PC e o Bloco proibiram e o PS acha muito bem, por inextricáveis razões ecocientíficas. Por causa das moscas, há uns papeleiros que já se preveniram: vão para a Galiza, e passam a reforçar as exportações espanholas. Uma consequência da ecopatriótica política económica do governo e dos seus ex-sócios.

    Enfim a coisa vai ter que se lhe diga durante uns tempos, que o IRRITADO  estima em décadas. Como, entretanto, o assunto deixará de ocupar as páginas dos jornais, não se preocupem.

    Para que não se diga que o IRRITADO diz mal de tudo o que mete o PS, aqui fica que as intenções do senhor secretário de Estado podem, como acima disse, lá no fundo, ser boas. Mas de boas intenções estamos cheios.

     

    9.5.22

  • A MALDIÇÃO

    Durante os últimos anos generalizou-se a ideia de que o PSD, ao contrário de uma tradição de décadas, desistiu de ser alternativa ao PS, remetendo-se, sob a desgraçada batuta do senhor Rio, a não passar de bengala das opções “social-democratas” do adversário. Pisando todas as tradições, posturas e mensagens do partido, Rio transformou o PSD num partido de “esquerda moderada” – o mesmo de que o PS se reclama, mentindo – com os tremendos resultados, eleitorais e políticos, que estão à vista de todos. A alternativa liberalizante que, em palavras já hoje históricas, se apontavase para a “libertação da sociedade civil”, sossobrou num socialismo castrante cujas consequências são já indiscutíveis: atrazo, ruína económica, ausência de horizontes, governação à vista, irresponsabilidade galopante. De futuro, nada. Com a a colaboração do senhor Rio, as opções socialistas têm resultado no contrário de tal libertação: uma sociedade dependente, desmotivada, castrada, sem iniciativa social, política ou económica, um Estado poderosíssimo, sustentado por uma burocracia inultrapassável, pejado de “instituições” redundantes, limitador, serventuário de todas as demagogias e disparates da moda.

    Pior. O senhor Rio demitiu-se sem se demitir e tudo faz para prolongar a sua destruidora obra com nomeações destinadas a manter os “seus” no poder e a cortar as pernas ao seu sucessor. Ideias claras e mobilizadoras da sociedade, zero. Denúncias do ruinoso poder socialista, nada.

    Resultado: ausência de oposição, ora entregue à moribunda esquerda comunista. Mas Rio não pára. Deve achar que o partido e o país precisam dele, da maldição em que, com ele, o partido caiu. Uma espécie de loucura, solipsista e ditatorial.

    E agora? Agora, há duas hipóteses. Ou o PSD arranja forma de ressuscitar, ou continua tão mal ou pior do que estava. Ou elege um político com garra, imagem, estaleca, passado e futuro – Montenegro –, ou agarra-se a uma nova dose de Rioismo, desta vez ainda pior, com objectivos tão inquietantes e ruinosos como o de “salvar o planeta”, multiplicar os moinhos de vento, os parques solares e outras macaquices, transformar o país num lunático exemplo do respeito pelas modas e pelo aprofundar da miséria em que já vegeta – Moreira da Silva (leia-se o programa deste triste tecnocrata).

    Continuar com a maldição ou voltar à vida, eis a questão.

     

    8.5.22

  • AOS MEUS COMENTADORES, OU A ALGUNS DELES

    O meu post “Sacudir a água do capote” deu azo a uma série de comentários mais ou menos tresloucados e cheios de primaríssimo ódio ao nosso mundo. Nenhum comentador se debruçou sobre o assunto do texto. Quatro dias depois, no “Expresso”, dona Clara Ferreira Alves, fulana inteligente e conhecedora (apesar de pesporrente e nariguda), veio dizer o mesmo por palavras mais caras e com a palha necessária para encher a página.

    Aqui, porém, nem uma palavra, a não ser sobre o “sovietismo”, isto por um comentador que atribui a criação da EMEL a Cavaco! Para seu esclarecimento, aqui fica que a coisa é produto do consulado Sampaio na CML e que o seu fundador e primeiro presidente foi o vereador Bento Feliz, do PC.

    Os comentários, que, apesar de tudo, o IRRITADO agradece, foram quase integralmente dedicados a explosões de malquerença (não digo ódio porque a palavra, ainda que adequada, de tão na moda já quase nada quer dizer) ao Ocidente, aos EUA, à NATO, à Europa, ao capitalismo etc. e tal. Entre adeptos do PC, nefelibatas, utopistas e merecedores de outros adjectivos que me escuso de referir, havia um desejo comum: o de que o Putin saia vencedor desta “operação militar”. O resto é palha sem sentido, manifestação de frustração intelectual, ou de total desconhecimento de uma coisa que se chama razão.

    Tenho pena que o meu blog seja pasto de comentários destes. Mas, como sempre, não censuro. Digam o que lhes apetecer. Não sou nem salazarista nem putinista.

    Bom fim de semana.

     

    7.5.22   

     

     

  • APONTAMENTOS DE 6.5

    Um com piada. Atenção alfacinhas: hoje a EMEL está em greve. Comemoremos! Um dia sem os esbirros da caça à multa, dos critérios marados, dos abusos legais, das faltas de educação, do sovietismo primário com que a coisa nasceu e prosperou. Hossana! Viva a greve! Esperemos que os tipos da Câmara não aumentem os beleguins, a fim de termos mais greves.

    *

    Outro com piada. Os brasileiros, segundo o “Expresso”, querem apoderar-se do coração de Dom Pedro IV. Muito bem. Mandem-lhes um coração qualquer para os consolar. E, se for o do Dom Pedro, que lhes faça bom proveito, no forno, com batatinhas.

    *

    Outro, sem piada nenhuma: o Brasil ideologicamente entregue aos chacais. Em doce comunhão de ideias e interesses, os senhores Bolsonaro e Lula apoiam sem reservas o camarada Putin e presenteiam o senhor Zelenski com tremendos epítetos. Les bons esprits se rencontrent.

     

    6.5.22

  • SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE

    Vivemos num país de capotes encharcados. Mas, grande feito da “alma” portuguesa, somos mestres em sacudir as incómodas águas que o molham. Ao mais alto  nível da Pátria estão vários especialistas doutorados na matéria a dar um lindo exemplo de como a molha é gerida.

    Para a recepção “humanitária” de ucranianos, a Câmara de Setúbal contratou dois notórios adeptos do camarada Putin, os quais, prenhes de “solidariedade”, se dedicaram, ou dedicam, a investigar o paradeiro das famílias dos refugiados e a obter outras informações, certamente muito úteis para os seus amigos da embaixada russa.    

    Olhem agora as doutas palavras do Presidente: temos entidades que se dedicam a estes casos, não tenho nada com isso. Olhem os habituais dizeres do primeiro-ministro: há quem trate disso, não tenho nada com o assunto. Olhem a bailação do presidente da câmara, ilustre membro do PC, ou dos Verdes, o que é a mesmíssima coisa: vou fazer um inquérito, diz ele. Até o artista/ministro que se diz ser responsável, coitadinho, não deve ter nada com isso.

    Ninguém sabe ao certo (uns dizem uma coisa, outros outra) quais as entidades que tratam do assunto. O país é farto em entidades altamente competentes que sacodem o capote para cima umas das outras. É uma arte nacional.

    Não há jurista que não diga que, de um ponto de vista legal, administrativo, penal ou outro qualquer, ninguém fez nada de mal.

    Portanto, ou o assunto não é assunto, ou o assunto é político. Mas, como sempre, ou como é inveterado hábito da Nação, super aumentado desde que o Costa trepou para o poder, politicamente não há responsáveis, nem culpados, nem nada. Os assuntos chatos são para morrer na praia. O tempo trata disso.

    No parlamento, com a impante maioria Costa, mais paleio menos paleio, tudo ficará na mesma. Até que os jornais deixem de achar que o assunto vende. Quando deixar de vender, acabou.

    E pronto. Mais entidade menos entidade, as coisas vão acalmar. Ou muito me engano ou, daqui a dois anos, ainda andarão todas a discutir qual delas trata do assunto. Como, entretanto, o assunto deixou de existir, qual é o problema?

    Nota final: a putinesca senhora que assessorava o espião do Putin foi “dispensada”. Como bode espiatório, é pouco. Mas, para quem manda, bacalhau basta.

     

    2.5.22

  • A VITÓRIA DO MAL

    O nosso bem-amado Guterres fez uma visita ao carniceiro da Rússia. Para consolo das inúmeras almas sensíveis que por aí abundam, o mui-ilustre político foi mendigar uns corredores humanitários que a experiência demonstra estar em ignorados confins das preocupações do visitado, não passando de conversa destinada ao seu imperial caixote do lixo.

    Por cá, o PC, a chusma de idiotas que o ouvem e estimam, a mesnada dos comentadeiros que comem na manjedora intelectual da esquerda radical (e não só), a cáfila dos que aproveitam para condenar a civilização que os faz livres, devem ter ficado satisfeitíssimos.

    E pronto. Em vez de reafirmar o parecer da esmagadora maioria dos países seus representados, que  condena uma guerra sem perdão, justificação ou limites, em vez de denunciar cara-a-cara a indignação e a mais radical incompreensão e condenação da esmagadora maioria de que se diz porta-voz, Guterres ouviu e “compreendeu” as “razões” do canalha. Em vez de recusar a mesa de seis metros que, simbolicamente, separa a civilização da barbárie, sentou-se, humilde e atencioso, lá longe, onde o tirano o pôs.

    Resultado? Nada. Ou pior. Nada que o déspota não tivesse planeado. Humilhou o visitante, obrigou-o a ouvir o que lhe quis dizer sem controvérsia que se visse, nada prometeu, e mandou-o embora com o rabo entre as pernas.

    Uma visita inútil e, como tal, perniciosa. A carnificina, a destruição e a morte ganharam.

     

    27.4.22

  • MUDE-SE PARA A LUA

    Com repeniado aplauso das hostes do Putin que, por interesse ou estupidez, por aí abundam, vieram o tirano e o calhordas de serviço anunciar a possibilidade, ou a proximidade, de ataques com armas nucleares, a perpetrar nos países que apoiam o “nazi” (valha-me São Crispim!) Zelenskyi.

    Quando o Presidente Biden dizia que a Rússia ia invadir a Ucrânia, ó tio ó tio, que o homem está velho e doido. Não estava, dizia a verdade. Não faltará, agora, quem diga que a ameaça do canalha e do calhordas não quer dizer pescoço. Mas, neste particular, ao contrário do costume, os tipos devem estar a dizer a verdade.

    Por isso, preparem-se, emigrem para a Lua, que não há outro sítio para onde fugir do novo Hitler e do novo Ribentrop. Helas, como na Lua a respiração é difícil e os transportes até lá não estão disponíveis, a fuga está prejudicada.

    Assim, os que forem crentes, rezem, façam uma boa preparação para o além. Os outros, divirtam-se. Nem precisam de reservar bilhetes para o crematório: os russos tratam disso.

     

    26.4.22

  • META-SE COM O PS

    Um senhor, industrial de grande prestígio nacional e internacional, queixava-se há dias nos media acerca da atribuição de verbas da bazuca à sua organização. É que, segundo diz, as suas candidaturas andam a passear por seis ou sete entidades, as quais, para mostrar serviço, fazem perguntas e mais perguntas sobre assuntos que conhecem mal, ou não conhecem de todo. A coisa anda há meses a passear nas secretárias da nacional-burocracia. O tal senhor, contas feitas, acha que, se tiver muita sorte, daqui a um ano terá respostas, positivas ou negativas. Entretanto vai gastando fortunas em “agências especializadas” nestas matérias. Alguém lhe perguntou se conhecia alguém bem colocado no PS, ao que o senhor respondeu que não. O IRRITADO  recomenda vivamente que não perca mais tempo com o assunto.

    Um jovem investigador informático que, para além de um pequeno negócio da especialidade, tem notáveis skills em ID e a tal se dedica com afinco e reconhecida competência, propôs às “entidades competentes” alguns projectos que tem em desenvolvimento ou quer desenvolver. Teve, como é indispensável, necessidade de contratar um especialisata em especiosas tarefas borocráticas. A coisa tem andado, como é de “direito”, de Herodes para Pilatos, e nada de bom pode o nosso homem esperar. O tal especialista não esteve com meias medidas. Aconselhou: as diligências ganhariam velocidade e melhores hipóteses de sucesso se o homem conhecesse algum poderoso do PS.

    É assim a vida, como sempre foi, mas hoje com muito mais vigor e eficácia. Nestes casos aplica-se, de pernas para o ar, a máxima de ódio do senhor Santos Silva, que reza assim “quem se mete com o PS, leva” – leia-se, “leva porrada”. No caso vertente dá-se o contrário: quem se meter com o PS ganha umas massas.

     

    26.4.22   

  • AQUI D’EL REI!

    O IRRITADO tem estado a hibernar, não sei se por causa excesso de irritações se de indignação com os putinistas que o frequentam, se por não ter palavras que cheguem para os horrores da Ucrânia, do orçamento do Estado, do programa do governo ou das manobras do Leão, para dar alguns exemplos.

    Hoje, porém, as notícias foram demais. Após dois anos em que dominaram o país, cuspindo na Constituição, nas leis, nos mais elementares direitos das pessoas, as autoridades socialistas, finalmente, vieram acabar com as máscaras. De todo o mal que se sobre nós se abateu sob chefia de duas tontas varridas, a dona Freitas e a dona Temido, restavam as insalubres e perniciosíssimas máscaras. Acabaram com elas? Sim, hossana, mas com excepções, as esperadas: nos transportes, nos hospitais e noutros sítios onde há quem as desculpe.

    Falta falar das escolas. O decreto do autoritarismo em vigor há dois anos ressalva o mais ecandaloso de tudo: as crianças passam a ir às aulas sem máscara, mas, no recreio, continuam obrigadas a usá-las! Andam há dois anos a dizer que nos espaços fechados é que há perigo, mas a miudagem passa a ser obrigada a mascarar-se ao ar livre!

    Quem acode? Quem processa as tontas? Quem as mete na ordem? Ninguém. Elas são apoiadas, seguidas, obedecidas pelo conselho de ministros e pelo seu inigualável chefe Costa. Quem processa esta gente? Onde estão os tribunais?

    Qem acode?   

     

    22.4.22 (capicua, mas não dá sorte)

  • OS SOLDADOS DO PUTIN

    Apóstolo da paz, feroz contestatário dos armamentos, retumbante escrevinhador, Miguel Sousa Tavares vem-se revelando como uma espécie de general dos exércitos de Putin. Contra a guerra, lado a lado com o Putin que, segundo declarou,também é contra a guerra, o Tavares insurge-se contra o Ocidente em geral e os EUA/UE em particular. Havendo guerra, o que excita os altos sentimentos do Tavares? Nada, a não ser o seu fim. Como? O Tavares não diz. Lidas as suas preclaras linhas e entrelinhas, para acabar com a guerra só há um remédio: a Ucrânia render-se, deixar de existir, entregar-se aos braços fortes e justos do Putin. Ouro sobre azul, como é evidente. Culpados? Os fabricantes de armas do Ocidente. Os que as fabricam na Rússia não contam. Os que se defendem são belicistas. Quem ataca, ataca pela “paz”. Tudo claro, não é? Nem o Putin sonharia com encontrar um tão fiel general.

    Há mais, muitos mais, com poderosos exemplos: uma tal Afonso, nova ocupante de página nobre no “Público”, esperneia de esquerdismo balofo ou absurdo; aquele velhinho do BE, o Boaventura e tantos outros, tudo sargentos do Putin.

    A mais tradicional esquerda, aí está ela, com os do PC a ocupar as fileiras dos conscritos às ordens da Rússia, preocupadíssima com os “nazis” ucranianos e, naturalmente, amantes da “paz” à moda soviética. Tudo soldados rasos a defender as mesnadas do sucessor dos bolchevistas, ultra nacionalista e imperialista como eles. A burrice no seu mais radical esplendor.

    Tudo absurdo, ou idiota, esperando-se que inútil. A esquerda radical, no nacional-putinismo, ultrapassa o imaginável. Ao contrário do que acontece em países mais civilizados, por exemplo a França, onde o putinismo é quase só de extrema direita, sendo verdade que o Melanchon dá uma ajuda.

    Ai de nós!

     

    11.4.22

  • DO ECONOMIST

    International

    Atrocities against civilians
    How, if at all, might Russia be punished for its war crimes in Ukraine?

    It is worth trying, even if success is likely to be limited

     

    Russian troops retreating from Kyiv have left behind a landscape of atrocities. The mayor of Motyzhyn, a suburb of the capital, was found blindfolded and shot, apparently by Russian forces, along with her family. An eye witness told Human Rights Watch, a charity, that Russian soldiers threw a smoke grenade into a basement in Vorzel, near Irpin, then shot a woman and her child as they emerged into the light. Another saw soldiers round up five men in nearby Bucha, forced to kneel and pull their shirts over their heads, and shoot one in the head before 40 witnesses. In all, said Ukraine’s prosecutor-general on April 3rd, 410 civilians had been killed around Kyiv. Many more will be found.

    The renewed evidence of Russian atrocities has produced renewed condemnation. “Genocide”, Ukraine’s president and Poland’s prime minister called it. The American president, Joe Biden, said what had happened in Bucha was a war crime and that Vladimir Putin, Russia’s president, should face an international tribunal for it. The un secretary general asked for another investigation (several are already under way), and Ukraine said it would set one up with the eu. The former un chief prosecutor for war crimes in Yugoslavia and Rwanda demanded that an international arrest warrant be issued against Mr Putin. For its part, Russia said the whole thing was faked, then blamed the Ukrainians for it, demanding a un Security Council meeting to discuss the “heinous provocation of Ukrainian radicals in Bucha”. It is possible there were or will be atrocities by Ukrainian forces, though not on the same scale. But Ukraine will, presumably, investigate them, unlike Russia. In this particular case, the decomposition of the victims’ bodies shows they had been killed long before Ukrainian forces recaptured Bucha.he evidence from the battlefield confirms that Russians have committed at least three types of criminal offence in war. The first are war crimes. The Geneva Conventions, which Russia has signed, define war crimes to include wilful killing, wilfully causing great suffering, deliberately targeting civilians and destroying or appropriating property. Summary executions at Bucha would be war crimes. So would the bombing of the Mariupol theatre which was the city’s largest air-raid shelter and had the Russian word for children written in letters large enough to be seen from the sky. The Geneva Conventions determine what are international legal obligations in all military actions. It does not matter that Russia has not formally declared war in Ukraine.

    Second, Russia’s invasion was itself a crime, regardless of the way in which it has been carried out. It is a crime of aggression. This is spelled out in the statutes of the International Criminal Court (icc), which tries individuals for actions under international law. The icc defines aggression to include invasion, military occupation, the annexation of land, bombardment, the blockade of ports and other actions that contradict the UN charter. Lastly, the scale of the Russian actions around Kyiv (and elsewhere) strongly suggests that Russia is guilty of crimes against humanity. The icc defines this as participation in and knowledge of “a widespread or systematic attack directed against any civilian population”. Thousands of Ukrainians have been killed and over 4m driven abroad.

    Proceedings have begun in several international courts to bring the perpetrators to justice. Two have made initial rulings in Ukraine’s favour. In the first, on March 16th, the International Court of Justice (icj), which adjudicates on inter-state disputes, ruled that Russia “shall immediately suspend the military operations that it commenced” on February 24th. The issue before the court seemed arcane: Ukraine said Russia’s argument that it had launched an invasion to prevent a Ukrainian genocide in Russian-speaking breakaway regions was bogus under the un’s genocide convention. The significance of the ruling was not just that the court agreed with Ukraine, but that it broadened its conclusion to demand Russia’s full withdrawal.The other ruling came at the European Court of Human Rights, which is part of the Council of Europe, a governmental human-rights body. On April 1st it confirmed an earlier ruling that Russia must “refrain from military attacks against civilians and civilian objects, including…schools and hospitals.” Ukraine had brought the case under European human-rights laws. The court added that Russia had acted wrongly when it forced refugees from Mariupol to flee to Russia, rather than to a place of their own choosing.

    But it is one thing to make rulings, another to bring to an international court any Russian, let alone its head of state. Russia was thrown out of the Council of Europe on March 16th because of the invasion and has stopped responding to the European court’s demands. Since 2016, the country has not recognised the authority of the icc, either. That does not rule out the icc prosecutor bringing a case or issuing arrest warrants against individual Russians. But if Russia ignores the warrant, the next step would be to refer the case to the UN Security Council – and Russia could then use its veto. Russia does accept the authority of the other international court, the icj, at least in theory. In practice, though, it did not show up at the court’s hearings and (obviously) has ignored its ruling. As with the icc, the only way of enforcing icj rulings is through the un Security Council. If Mr Putin remains in power, therefore, or even if he resigns but continues to be protected by successors, international justice will not be seen to be done.

    Legal proceedings will grind on and are likely to deal further setbacks to Russia’s legal case and diplomatic standing. Meanwhile, Ukraine’s allies will have to find other means of stepping up pressure on Mr Putin. These include more sanctions and more lethal weapons to Ukraine.

    Even before the horrors revealed by Russia’s retreat from Kyiv, nato allies had started to offer heavier weapons. The New York Times reported on April 1st that the Biden administration planned to transfer Soviet-made T-72 tanks to bolster Ukrainian forces in the Donbas region. These would be the first tanks provided to Ukraine by America, which had previously insisted its military aid was purely defensive. On March 16th Britain started to provide the Ukrainians with its advanced Starstreak anti-aircraft missile; on April 1st a video showed a Starstreak apparently bringing down a Russian helicopter. Other advanced weaponry seems likely to be on offer soon. So is another round of sanctions, the fifth in all.

    Charles Michel, the president of the European Council, made up of heads of government of eu countries, says more sanctions are “on their way”. They will include easy ones, such as closing loopholes, imposing more restrictions on individual oligarchs, banning Russian ships from eu ports and more fully isolating Russian banks cut off from the swift international payments system. But this time the eu could also include embargoes on energy supplies, something long demanded by Mr Zelensky but resisted by gas-importing eu states. The defence minister of Germany, Europe’s largest gas buyer, called for the eu to discuss banning imported Russian gas. France’s president, Emmanuel Macron, went further and said he would support banning all Russian oil and coal coming into the eu, a position also taken by the leader of a junior partner in the Italian government. Like Germany, Italy is dependent on Russian energy. Further energy restrictions are already coming into force: on April 3rd Lithuania became the first eu country to ban imports of Russian gas. Russia’s war crimes seem to have stiffened resolve among Ukraine’s Western allies. They seem to be saying, in the words of Antony Blinken, America’s secretary of state, “We can’t become numb to this. We can’t normalise this.”

    Editor’s note: This story was updated on April 5th to make clearer that Russia is unable to prevent war-crimes charges being brought by the ICC, though it could then stymie subsequent actions.