IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • MÁRIO FERREIRA

    Uma esquerdoida e uma esquerdófila, das do costume (C. Martins e A. Gomes), desataram aos gritos quando se soube o chamado Banco de Fomento “fomentou” um empréstimo de 40 milhões ao senhor Mário Ferreira.

    Para quem conhece as gritantes, é fácil explicar a coisa: quem quer que seja que tenha empresas ou que mexa em dinheiro a sério leva na cabeça, e pronto. Parece que o homem não é socialista, e as referidas senhoras mais não fizeram que aplicar ao caso a filosofia de Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República.

    Quanto ao banco, são desconhecidos os critérios que presidiram ao empréstimo mas que, ao que parece, respeitaram todos as normas da UE aplicacáveis.

    Foi dito, em abono do senhor Ferreira, que não se tratava de um bodo mas de um empréstimo que viria a render ao banco uns 29 milhões em juros. A ser verdade, as senhoras jamais terão isso em consideração: se o homem tem empresas e dinheiro, se cria emprego e empresas, se ganha com isso, é para defenestrar.

    O homem é que não esteve com mais aquelas: contra-atacou, isto é, mandou o empréstimo às urtigas e disse que ia arranjar o dinheiro de outra maneira. Não estava para aturar as senhoras, ainda menos os exércitos dos media que por aí se agigantam, sedentos de sangue. Publicou um comunicado, bem escrito e bem fundamentado, onde explica as suas razões. O banco calou-se, o governo também.

    Não sei se isto lhe valeu a pena. Calar a matilha não é fácil.

    E, ou muito me engano ou os quarenta milhões vão voltar direitinho aos cofres de Bruxelas. Será a “gestão” socialista no seu melhor.

     

    3.8.22

  • BANANISMO

    Voltando à questão levantada pelo presidente da Endesa Portugal, algumas observações serão pertinentes.

    – Prova-se que o IRRITADO tinha razão: deem a volta que derem, a energia vai aumentar. Sobre isto, aliás, toda a pobre gente está de acordo.  

    – O Estado não sabe o que há-de fazer, ou dizer. Limita-se a meter os pés pelas mãos.

    – A “entidade reguladora” não prestou, nem presta, qualquer esclarecimento.

    – Ninguém sabe quais as verdadeiras consequências do chamado acordo ibérico. O mistério mantem-se mistério ou , por outras palavras, ninguém tem noção do que lá estará escrito, ou como interpretá-lo, ou o que há a dizer ou a fazer.

    – O Primeiro-ministro vai fiscalizar as facturas da Endesa antes da sua emissão, atitude pelo menos espantosa do seu autor, o qual, como é evidente ignora o problema e outra  coisa não faz senão atirar areia para os olhos de cada um.

    Tudo isto é muito grave: as declarações do chefe da Endesa, as do incrível Galamba, a reacção do PM, o desrespeito pelo cidadão, a ignorância crassa das autoridades, o silêncio do “regulador”.

     É a república socialista das bananas a funcionar à Ia manière.

     

    3.8.22

  • O RESTO É CONVERSA

    Um senhor, salvo erro Silva de seu nome, chefe da empresa castelhana que dá pelo nome de Endesa, decretou, ontem, que o preço da electricidade, no mês que vem, vai levar um pontapé pela escada acima. Nada menos que 40%! É obra!”

    Vai daí, o insuportável Galamba veio a correr chamar-lhe mentiroso, aldrabão, etc. Mentira!, vociferou indignado.

    O IRRITADO não sabe quem tem razão. O mais provável é tenham os dois, isto é, a electricidade não vai aumentar 40%. Será só 35%, ou coisa que o valha.

    Mais engraçado é que o Silva diz que a culpa é de um acordo qualquer, celebrado ao nível da península. O Galamba diz que o tal acordo faz baixar o preço. Está a perceber?

    Em que ficamos? Em nada, como de costume. A única certeza, garante o IRRITADO, é que vamos pagar mais. O resto é conversa.  

     

    1.8.22

  • ASSIM, NÃO

    Caíu-me o queixo, ontem, quando vi reproduzidas as declarações do Moedas sobre uma estátua do Vasco Gonçalves, a erigir em Lisboa.

    Para quem já não se lembra, trata-se do antigo comandante do Agrupamento de Engenharia da Região Militar de Angola, onde tinha por hábito dizer, à gargalhada, que estava na ZIAC (zona de intervenção do ar condicionado), em contraposição e troça das ZINs, onde a malta dava o corpo ao manifesto, e, mais tarde, lider incontestado das tropas soviéticas que, durantre mais de um ano, ocuparam Portugal e a que o povo português resistiu heroicamente.

    Há um certo número de pessoas, vivas e mortas, a quem a democracia portuguesa – se é que, nas mãos do Costa, tal coisa ainda existe – poderia pensar em erigir estátuas, a começar em Mário Soares. Gonçalves jamais pertenceu a tal número, bem pelo contrário.

    Eu, sei que, dada a sua tenra idade, o Moedas, ainda que descendente de comunistas soviéticos, não se lembre do que (se) passou nos horrorosos tempos em que a tropa do Gonçalves “governava” o país. Mas, se considerarmos o seu percurso político, sua aceitação da proposta (de quem?) de o homenagear é, pelo menos, obscena.

    Pior ainda, é que, segundo li, o PS de Costa ainda não tenha reagiu a tal coisa, o que é, pelo menos, uma chapada na cara do cadáver de Mário Soares e do que ele foi e representou durante o gonçalvismo.

    E tão mau é ver o Presidente da Câmara de Lisboa aos abraços/elogios a uma criatura tão sinistra como o Pedro Nuno Santos, sócio honorário da extrema esquerda, com quem, que remédio, devia ter uma estrita relação institucional.

    Males a somar ao recuo no caso da Almirante Reis, à florestação da cidade com radares de calibre estúpido e, a todos os títulos, prejudicial, Moedas não é só uma desilusão autárquica, é uma desilusão política, e uma desilusão humana.

    Autarquicamente, deu em fabricante de multas e perseguições. Politicamente, anda aos abraços ao governo e cede a quem, desde aprimeira hora, não pensa noutra coisa que não seja apeá-lo. Humanamente, ofende a sua própria honra.

    Não sei se Moedas terá, ainda, tempo para recuperar a admiração de quem o apoiou e de quem o elegeu.

    Em Portugal, tudo é possível, sobretudo o que é mau.

     

    31.8.22

  • JÁ CHEGA O QUE CHEGA

    Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, figura conhecida pelo seu feroz ultramontanismo socialsocratista/costista resolveu usar o seu cargo para entrar nos debates parlamentares.

    A propósito de mais uns dislates do senhor Ventura, decidiu entrar em cena. Não digo que os tais dislates não passem disso mesmo, nem que, a tal propósito, o senhor Ventura não tenha calçado a chinela para mais uma das suas ameaçadoras tiradas populistas. Competia, como competiu, aos deputados, votar contra tais tiradas, discutindo-as ou não. Mas não competia ao senhor Santos Silva condená-las, metendo-se onde não era chamado.

    Julgo que não seria a primeira vez que o chefe do parlamento despia o casaco para intervir num debate. Estaria no seu direito, como deputado que é. Nessa altura, porém, desceria da tribuna e ocuparia o seu lugar de comum deputado. Mas não. Abusou dos seus privilégios para debater, condenando, uma iniciativa parlamentar. Será próprio do trauliteiro que sempre foi, desta feita em tom moralista, mas, manifestamente, não é camisa que lhe sirva. Parece que não havia quem se encarregasse de pôr o Ventura nos varais. Havia pelo menos todos os deputados não do Chega. O Presidente não precisava, nem tinha de se meter onde não era chamado.

    No fundo (isto não é teoria da conspiração), o que, evidentemente, resulta da intervenção do Santos Silva é mais um contributo para a propaganda do Chega, coisa em que a esquerda é fértil. Quanto mais o Chega crescer, menos hipóteses terá o PSD de acabar com a ditadura do PS.      

     

    22.7.22

  • NÃO FOI PARA ISTO

    De longa data, considero a Câmara de Lisboa um poderoso inimigo público, uma fábrica de entraves, uma monstruosidade burocrática geradora de corrupção, uma produtora de taxas e taxonas, um ninho de empatas. Os lisboetas viram algum alívio no tempo de Santana Lopes e Carmona Rodrigues, mas que, ferozmente perseguidos pelo visceral ódio da esquerda, foram sol de poca dura.

    A mais recente grande vitória da ditadura camarária – os radares – em menos de um mês gerou a bonita receita de cinco milhões de euros só em multas por “excesso de velocidade” nas ruas da cidade. Trinta e oito mil multas! Em violenta sanha persecutória, a CML quer obrigar os automobilistas a perder tempo, a gastar mais combustível, a chegar tarde onde querem chegar, tudo a pretexto de excessos de velocidade absolutamente ridículos, estúpidos e anquilosantes, mas geradores de dinheiro, que passa de privado a público. Não chegavam os abusos, devida e legalmente incentivados, dos esbirros da EMEL. Era preciso mais para satisfazer a sede camarária e perseguir os cidadãos.

    Desta humilde tribuna, digo ao Moedas que não foi para esta porcaria que lhe dei o meu voto.              

    22.7.22

  • LIBERTAR OS POVOS

    Seiscentos e tal esquerdófilos, cuja notoriedade é a de terem acesso aos jornais, resolveram colaborar na grande luta a favor da libertação dos dos habitantes do Saará Ocidental. A argumentação é interessante. Pletóricos pela “libertação dos povos”, a cáfila dedica-se a atacar Marrocos e Espanha, dois países com quem temos boas relações. Que temos nós com as pretensões dos marroquinos ou com as dos sarauis? Zero, não temos nada com isso. Quem tem razão? Sei lá quem a tem, ou se alguém a tem.

    O que sei é que temos, apesar de tudo, boas relações comos nossos mais próximos vizinhos. E que não devemos tomar partido, sejam qauis forem as razões de um ou outro. Facto é que a Espanha, que se comprometeu a devolver Olivença. Não o fez, nem faz, e tal não nos causa impressão de maior, nem é coisa que mereça uma luta, mesmo só diplomática. Facto é que Espanha tem possessões em Marrocos – Ceuta e Melila – que não devolve, nem consta que Marrocos lute por isso. Facto é que a Grã-Bretanha reina sobre Gibraltar, coisa que faz os espanhóis, de vez em quando, espernear, mas não passa daí. E nós? Nós, mais uma vez, não temos nada com isso.

    Então por que carga de água vêm os “nossos” esquerditas, gente de “causas” sem excepção atentatórias da nossa liberdade individual, chatear com tais causas, a somar ao que já chateiam com a sua nova “moral”, a sua “identidade de género”, e outras palermices que querem tornar obrigatórias com base em “direitos humanos” que inventam à la carte? Pouco falta para mandar prender quem não quer saber disso para nada. Para já, os insultos vão fazendo o seu caminho.

    Tudo, no fundo, serve para distarir o pagode do que lhe interessa ou devia interessar, se houvesse massa crítica, boa aplicação dos neurónios, consciência do que está mesmo em causa, que não é, com certeza, o domínio do saará ocidental ou o “género” de cada um.

     

    22.7.22

  • A POSIÇÃO ESPECIAL

    Aqui há dias, o senhor Pedroso, muito querido no PS sobretudo após o caso Casa Pia, veio dizer ao povo que o seu tristemente célebre camarada PNSantos tem, no partido e no governo, uma “posição especial”. Não duvido, o fulano é especialmente brutamontes, desbocado, canhestro, malcriado, etc., para além de consagrado agente do BE, admirador do PC e avô/tio da geringonça. Razões de monta para justificar a “posição especial”.

    Só faltou ao declarante dizer que o PNSantos devia fazer ao Costa o que o Costa fez ao Seguro.

    Pobres de nós, que temos no poder um “especialista” deste calibre. Mas, no PS, tal calibre deve ser uma especialidade de grande valia: um requintado intelectual, um ideólogo excepcional, uma inteligência invejável, uma aposta no futuro.

    Xiça.

    6.7.22

  • DIVIRTAM-SE

    A galegada do senhor Bolsonaro em relação ao nosso PR diz bem sobre aquilo a que os brasileiros estão sujeitos. O pior é que a alternativa é o que é. Tão bom é o Bolsonaro como o Lula, cada um à sua maneira.

    O que nos interessa é a escolha de ambos (do Brasil?) em relação ao maior problema que hoje assola a humanidade. Estão unidos. Ambos afinam pelo mesmo diapasão no que se refere à guerra da Ucrânia, isto é, são ambos apoiantes do Putin. Iguaizinhos. O chefe da esquerda, como o da direita, não hesitam em “não ter opinião”, a não ser em favor da “paz”.

    Ficam, ficarão, os brasileiros entre a espada e a parede. De um lado, um demagogo de direita, do outro um de esquerda.

    Há quem diga que o Lula já aprendeu umas coisas. Wishful thinking?

    Enfim, que fiquem entretidos com o “nosso” coração do Dom Pedro. Se lá o deixarmos, não se perde nada. Divirtam-se.

     

    4.7.22

  • DESPEDIDA

    O senhor Rio, se tivesse dois dedos de testa –para não dizer de dignidade pessoal e política – ter-se-ia demitido a seguir às legislativas, perante a prova clara do resultado da idiotia que informou os seus intermináveis anos à cabeça do PSD. Não se demitiu. Adiou a questão, nomeou os seus para tudo o que é cargo institucional, e acabou, no congresso, a fazer um discurso laudatório de si próprio, como se tivesse a legar ao partido fosse o que fosse de positivo. A aparente estupidez disto tudo é mais um sinal de alguém que se acha acima de tudo, sem nada a ver com inteligência, responsabilidade, ideias, ou mero sentido das conveniências. Quando ontem, no congresso do PSD, se ouve tal e tão inacreditável arenga e se olha para a equipa política de Rio, fica-se com a noção do que foi dividir para reinar, pôr ao serviço do partido um bando de ignorantes de cabeça vazia onde as excepções só confirmam a regra, desistir de fazer oposição, colocar-se lado a lado com aqueles que lhe competia denunciar.

    Bom. Parece que o Rio acabou. Mas só parece. Já veio dizer que ficará mais uns tempos no parlamento, pensando depois no que irá fazer, o que indica que quererá continuar a sua “obra” por novos meios e velhos caminhos.

    Montenegro que se precate. Cesteiro que faz um cesto…  

    4.7.22

  • TEORIA DA CONSPIRAÇÃO?

    Ontem, um alto funcionário da Administração Pública surpreendeu-me com a seguinte informação: o drama do aeroporto, ou aeroportos, de Lisboa não passou de uma encenação gizada pelo Costa e o Pedro Nuno Santos, com o aval do Presidente da República.

    Fiquei de boca aberta. Como?, perguntei.

    É simples, disse o meu amigo. A administração do aeroporto de Barajas/ Madrid, ganharia (ou ganhou?) as obras dos aeroportos do Montijo e de Alcochete e, a prazo, a respectiva gestão. Seria impossível, ou inaceitável, ver os espanhóis a tomar conta da coisa. Mas, como em concursos desse tipo ganha a proposta mais barata, não havia volta a dar. A solução era dar cabo de tudo, por decisão política que pusesse de lado o concurso e abolindo, para já, o aeroporto da Alcochete – a deixar para outra altura. Para tal, construiram os conspiradores a história do despacho e da sua anulação, inventando uma crise política. Estavam todos de acordo. Voltava-se à estaca zero, por não haver outra solução. E pronto.

    Não acreditei. Mas… aqui fica para quem saiba mais disto do que eu.

     

    3.7.22

  • ALTOS VOOS 2

    Já lá vai uma carga de anos, o governo do Prof. Cavaco resolveu construir a ponte Vasco da Gama. Na altura, ribombaram por esse país fora as costumeiras organizações “sem fins lucrativos” – as mais delas dependentes de subsídios públicos -, todas eco-aterrorizadas. Argumentavam que a ponte ia destruir a avifauna habitante do estuário do Tejo ou nele de visita migratória. Houve quem, percebendo alguma coisa do assunto, defendesse o contrário.

    Não vale a pena elaborar sobre o assunto, ou contar histórias vividas ou ouvidas. A ponte construiu-se, presta os seus serviços (caros), e as aves continuam calmamente a habitar e a visitar, não tendo havido qualquer dano nas respectivas populações.

    Agora, os mesmos profetas batem-se ferozmente contra o aeroporto no Montijo pelas mesmas razões, a que acrescentam o perigo de intromissões voadoras nas turbinas dos aviões. A mesma retórica, com mais fumo. Facto é que lá aterram e levantam aviões há décadas, e nunca houve chatices.

    O IRRITADO não defende nem condena o aeroporto no Montijo, em Alcochete ou noutro sítio qualquer. Quando o inacreditável ministro “resolve” o problema com os pés, tudo voltou a estar em causa, sabe-se lá se por mais umas décadas. O fulano – padrinho da geringonça – outra credibilidade não merece que não seja a de dizer asneiras e a de fazer tudo para chegar ao galarim de patrono da esquerda radical. Desta vez fez asneira da grossa, mas uma asneira adjectiva, num alarde de um poder que não tinha mas queria ter. Depois, saíu da coisa com o rabo entre as pernas, um cãozinho cobarde a quem o dono deu uns berros.

    É claro que, como não podia deixar de ser, a solução do Santos dependia de mais um “estudo”, como se não houvesse já dúzias de estrudos, pareceres, opiniões, etc. Por isso, a sua grande decisão não passava de mais uma perna da rã encanada.

    Adiante. E agora? Agora, ou nada, ou o governo acaba por aceitar a decisão do abusador: Montijo para daqui a dois anos, Alcochete um dia, para os bisnetos do Costa.

    Tudo como dantes, ou pior.

     

    1.7.22  

  • ALTOS VOOS

    O espantoso ministro das infraestruturas, à espera de elogios do patrão, “legislou” sozinho sobre a peregrina questão do novo aeroporto de Lisboa. A coisa foi de tal maneira estúpida que até o tal patrão se indignou e veio a correr mandar a decisão para o caixote.

    Como tinha sido dito que o governo esperaria pela coroação do Montenegro no PSD, o caso tornava-se por demais notório. Como tinha dito que informaria o Presidente, ainda pior.

    Costa, que tem por hábito aguentar a incompetência dos seus ministros, desta feita teve um rebate de consciência. Foi demais: estava ele muito quentinho a cumprimentar colegas na cimeira da NATO, ou lá onde estava, quando, de repente, sem mais aquelas, se vê ultrapassado pelo seu bem amado challenger! Ainda por cima, o Presidente, seu estremoso apoiante, acusou o toque com toda a razão, o que piora as coisas. Assim, de uma penada, dá cabo do voluntarioso ministro e manda-o calar sem apelo nem agravo.

    No fundo, para o indignado Costa, o assunto é de mel. De uma penada, põe o Santos nos varais e, se não me engano, para o desgastar ainda mais, irá mantê-lo no governo, pelo memos até à próxima asneira. De mestre!

     

    30.6.22

  • GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E O RESTO

    Como é sabido, a taxa de natalidade tem vindo a descer ao longo dos anos, o que leva a crer que, ou os portugueses deixaram de querer ter filhos, ou que o planeamento familiar é demasiado restritivo, ou que a miséria em que tanta gente vive desincentiva a procriação, ou outras razões que deixo ao cuidado das multidões de intelectuais generalistas e especialistas, psicólogos, sociólogos, estatísticos e outros istas, ólogos e ísticos que por aí abundam, cheios de pareceres e dizeres.

    Há qualquer coisa de contraditório em relação ao que se passa. É que não há memória de, sem mais nem menos, acorrerem tantas mulheres aos hospitais ansiosas por parir. Então não há natalidade mas os hospitais especializados na matéria não conseguem dar resposta?  Há um surto repentino de um desejo infrene de dar filhos a este mundo tão carente de novos cidadãos?

    Nada disso. O que há é uma carência de cuidados em geral. Como a urgência dos partos é, de facto, urgente, passa-se com ela o mesmo que se passa com tudo. O SNS, submetido à “gestão” deste governo, simplesmente deixou de funcionar. As parturientes têm os mesmos “cuidados” que os demais. Só que, no seu caso, nota-se mais, porque não podem mesmo esperar. Os outros que se lixem, que não se nota tanto.

    Deixo esta “análise” ao cuidado de quem a ler.  

     

    30.6.22

  • VALHA-NOS SÃO PANCRÁCIO

    O mui ilustre presidente Santos Silva deu pelo estranho caso – de que ninguém, até à data, tinha conhecimento – de não haver, nos círculos elitorais, um local onde os respectivos deputados recebam os eleitores. Então, seguindo os hábitos do socialismo-nacional, “pediu um estudo” sobre o assunto. Podia ter nomenado uma comissão, como a dona Temido, ou fundado uma “entidade”, ou coisa do género. Mais modestamente, pediu um estudo. Pediu, não mandou fazer. Fantástico.

    Nos países onde as eleições parlamentares se fazem por círculos uninominais, é natural que cada deputado tenha um escritório  para atender aqueles que representa. É evidente que, por cá, os deputados, que o são dos partidos, se quiserem receber eleitores, têm, ou devem/deviam ter as sedes locais dos repectivos partidos para o fazer.

    O que quer então o senhor presidente? Alugar 230 T-zero a multiplicar pelo número de círculos e por cada deputado por lá eleito, com casa de banho, mobília de escritório, televisão, internet, computadores, frigorífico e máquina de café? Talvez não seja bem assim, mas não será muito diferente. Enfim, é preciso esperar pelo “estudo”.

    Que “técnicos” se encarregarão do “estudo”? Com que especialidades? Com que caderno de encargos?

    Segundo o cabeçalho da página do jornal que se debruça sobre este ingente problema, trata-se de uma “situação que se prolonga há mais de dez anos”. Neste caso, ao contrário da esmagadora maioria dos casos, cheira-me a que a coisa vai ser rápida. Como os portugueses não deixarão de se indignar esta injustiça, haverá que lhe pôr cobro com a merecida urgência. Podem estar descansados. Agora é que é! Vem o “estudo” e, como se trata de quem se trata, arranjar-se-á com facilidade mais dinheiro e mais pessoal.

    Não terá Sua Excelência mais em que pensar? Não haverá deputados com juízo sufuciente para mandar a iniciativa à fava? Não terão os “técnicos do “estudo” outra coisa para fazer?

     

    27.6.22

  • UM BICHO

    Diz quem sabe, ou é suposto saber, que, de Janeiro a Maio de 2022, houve mais de dois milhões de baixas médicas. Um aumento de 82% em relação ao ano passado.

    Que pensar? Houve um surto nacional de febre amarela, de raiva, de varíola dos macacos, de covide, de doença do sono, de poliomielite ou de outra coisa qualquer, tudo ao mesmo tempo? Não houve.

    Então o que houve? Os médicos, que se dizem – e se calhar são – maltratados, decidiram vingar-se da ministra & companhia, e vai de dar baixas a torto e a direito? Houve um surto de preguiça? Os computadores da segurança social avariaram?

    Diz-se que, mais uma vez, a culpa é do covide, mas ninguém sabe ao certo, ou ao errado. O que se sabe é que a coisa custou mais 40% do que no ano passado, cifrando-se em 445 milhões de euros. Se se somar os dias de trabalho a menos, ou de descanso a mais, não sei onde a coisa vai parar. A prolongar-se esta tremenda crise sanitária, chegaremos ao fim do ano com 1.068 milhões gastos em baixas. Fora o resto.

    Estará a Organização Mundial de Saúde a par desta situação? Não está. Se estivesse, o melhor seria mandar fechar o país para defender a saúde universal.

    É que, convenhamos, um aumento de 82% em doentes é caso para considerar anda por aí um bicho qualquer dos muito perigosos. Ai anda anda!

     

    26.3.22

  • OSTRACISMO

    É do conhecimento geral que, apesar da enorme “falta de médicos” de que a administração pública padece, as faculdades do Estado recusam sistematicamente a entrada de novos estudantes. Para entrar numa faculdade do Estado é preciso ser-se um estudante com notas altíssimas, sendo uma sorte que um aluno com menos de 18,9 valores em 20 trazidos do secundário lá consiga chegar. Por outro lado o Estado resiste heroicamente, ou à criação de novas faculdades públicas – por falta de dinheiro? – ou privadas – por coerência ideológica ou estupidez.

    No meio desta situação, lemos que todos os refugiados ucranianos têm as portas abertas para entrar de calçadeira nas faculdades de medicina do Estado.

    Não tenho qualquer preconceito contra os candidatos ucranianianos. Mas brada aos céus que passem à frente dos portugueses, para quem “não há vagas” ou não tem as astronómicas classificações exigidas.

    Acresce que há alunos que, por não terem sido aceites na sua terra, se sujeitaram a inscrições no estrangeiro e, querendo regressar com boas classificações por não “aguentarem” os custos ou outras razões atendíveis, não vejam aceites as equivalências das cadeiras já feitas.

    Haverá, neste país, ou no autoritarismo instalado, alguém que olhe para isto? A experiência diz-me que não.

     

    23.6.22

  • RUA!

    Ele há coisas que se diria extraordinárias num país civilizado mas que, por cá, passam como normais. Diria que Portugal é um país civilizado mas tem um governo que de civilizado tem pouco.

    Vejam esta: um senhor Carneiro, ministro não sei bem de quê, perante a bagunça na fronteira aeroportuária, vem dizer que, “ou se portam bem ou corro com o chefe”. Rua com ele.

    O que se sabe a este respeito é que o governo, para resolver os problemas em causa, decidiu há tempos acabar com o SEF, assim cortando o mal pela raiz. Formidável. Entrega-se aquilo a outros polícias, e pronto. Mas, como é costume, não acabou com SEF nenhum, não mexeu, que se visse, em nada de importante. O resultado é o que se sabe, os aeroportos passaram a ser uma geringonça dos diabos, a malta aos gritos, uma vergonha sem nome. Perante isto, o que diz o ministro? Demito o chefe.

    O IRRITADO, que é um mal dizente empedernido, acha que o Carneiro deve ter um aparatchique qualquer, devidamente diplomado na universidade do Rato, a precisar do lugar. Mas isto é teoria da conspiração. O que se passa é que o homem deu uma entrevista de duas páginas, a dizer que. De interessante ficou só a corajosa ameaça: se te portas mal vais para a rua. Não faço ideia se o homem (o chefe do SEF) se porta mal, bem , ou assim-assim. Certo é que se alguém se porta mal, erradamente, repetidamente, contumasmente, relapsamente, é o governo: faz asneiras, não prevê, não sabe que o Verão vem aí ou já cá está, anda há meses e meses num interminável blabla e, como sempre, não é responsável por coisa nenhuma: responsável é o chefe, vai à vida e acabou-se.  

    Eis o estado a que o Estado chegou.

     

    20.6.22

  • ADEUS AMARELEJA

    O IRRITADO, como sabe quem o lê,  não simpatiza com os exageros ecologistas, nem com pânicos climáticos, nem com limitações absurdas a certas actividades ditas indesejáveis, sobretudo quanto mais desejáveis forem, como o petrólio ou o lítio.

    Por outro lado, há intervenções que a “modernidade energética” exige mas que merecem algumas dúvidas. Na Amareleja há já 234 hectares ocupados com painéis solares e, segundo projectos já autorizados pelo governo, terá em breve mais uns 600, tudo isto em áreas classificadas como intocáveis, com sacrifício de milhares de árvores (só pinheiros mansos são 11.800 a sacrificar de um total de 19.300, mais dezenas de milhar de azinheiras, sobreiros, etc. Cerca de 600 hectares ficarão carecas, com o aplauso das “autoridades. E há mais, muito mais, que valeria a pena citar se para tal houvesse pachorra. Não há, como efeitos da intervenção quaisquer benefícios locais, mas há duvidosos efeitos nacionais na produção de uma energia intermitente de duvidoso futuro ou interesse económico. Ao mesmo tempo que a União europeia estabelece que a energia nuclear é limpa, os portugueses sacrificam território a bem da moda das renováveis.

    É claro que o “estudo de impacto” reconhece os efeitos catastróficos da coisa, mas dá-lhes luz verde! Outro de mais alto se alevanta, não é? Por um lado, enche-se páginas e páginas com a luta contra  os eucaliptos e a sua influência na balança comercial (que se oferece à Galiza) e a favor da floresta tradicional. Por outro, sacrifica-se a floresta tradicional sem qualquer escrúpulo, nega-se toda a teoria ecológica, que faz parangonas mas se sacrifica com duvidosas iniciativas.

    Onde está a lógica disto tudo, é coisa que não está, por certo, ao alcance de ignorantes como o IRRITADO. Manda quem pode, não quem merece.

     

    20.6.22

  • TUDO COMO DANTES

    De parabéns estamos todos, especialmente as mulheres grávidas. Foi com a maior alegria que ouvimos e vimos a senhora, dita ministra da saúde, anunciar que o problema das urgências de obstetrícia e ginecologia está resolvido. Como? É simples. Após horas e horas de labuta, de reuniões de alto nível, de profundo pensamento, a senhora ministra diz que vai criar uma comissão (grupo de trabalho, task force, ou outra coisa qualquer), a fim de resolver o problema. No seguimento de tão corajosa decisão, a senhora ministra vai, afanosamente, ocupar o seu tempo a nomear os membros da tal comissão. Daqui a umas semanas, no seguimento de trinta e duas reuniões, a comissão tomará posse. Depois, discutirá o valor  das senhas de presença a atribuir aos comissários da comissão, valor a propor ao ministro das finanças, a fim de libertar os necessários fundos. O ministro das finanças, seguindo decisão a tomar em conselho de ministros, se tudo correr bem aprovará a verba. Uma vez a decisão publicada no jornal oficial, a comissão reunirá pela primeira vez. Tudo como dantes.

    O que se pode, com inteira justiça e para já, pensar, é que as parturientes, se precisarem de assistência, deverão recorrer à comissão mediante preenchimento de formulário adequado e digitalizado. E o problema está resolvido.

    O que se sabe é que as chamadas autoridades confessam que o problema foi detectado há meses, nada tendo sido feito, certamente por falta de tempo ou por haver outras tarefas mais urgentes. E dizem-nos, repondo a verdade, que o SNS funciona maravilhosamente, como o prova o gigantesco triunfo das vacinas. O povo ignaro e mal informado julgava que quem tratou desse assunto foi a tropa. Engana-se, foi a senhora ministra, com o SNS à rédia curta.

    Mas o mais notável do dia foi o facto de a senhora ministra ter “admitido” recorrer aos privados. Tratar-se-á de uma decisão destinada a desmentir as verrinosas opiniões que por aí circulam a acusar o governo de ser ultra estatista, sacrificando o povo para provar a excelência do socialismo? Aplauda-se. Depois de ter acabado com a gestão privada dos hospitais públicos, dando largas às suas convicções ideológicas, a senhora ministra “admite” recorrer aos privados para pôr as portuguesas a dar à luz em paz e sossego. “Admite”, não recorre. Esperar-se-ia que a senhora ministra já conhecesse as possibilidades disponíveis dos privados, se é que as há, para resolver a questão. Mas isso seria confessar a estupidez institucionalizada a bem do todo poderoso Estado. Por isso que só seja de “admitir”, e em caso de desespero. Afinal, não há nada para aplaudir.   

    Tudo como dantes.

     

    16.6.22