IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • IRRITAÇÕES

    1. Parece-me que
    2. Eu parece-me que (pleonasmo)
    3. Eu a mim parece-me que (duplo pleonasmo)
    4. Eu, pessoalmente, parece-me a mim que (pleonasmos, redundâncias)

    Parece-me que só o nº 1 está certo. Mas a verdade é que o 2, o 3 e o 4, independentemente de outras versões mais “sofisticadas”, são os que “estão a dar”. Todos os dias, nas várias TVs, dos profissionais da coisa a jornalistas, convidados, professores doutores, filósofos, generais e outros que tais, misteres da bola e demais carolas, tudo minha gente usa o 2, o 3 e o 4.

    Não sei se os velhos professores de português já morreram todos, se as gerações vivas se esqueceram de coisas simples, se odeiam o português porque é difícil e o que é preciso é que os entendam, não sei. O que sei é que me irritam.

    Há muito mais, mas fica para depois.

     

     9.10.22

  • JUSTIÇA INFORMATIVA

    Anda o povo entretido com as alterações climáticas, culpa da negregada humanidade, mas ninguém faz seja o que for para as prevenir.

    Uma excepção a registar. O Moedas anunciou um plano monumental de drenagens e de conservação das águas pluviais para fins não alimentares, plano feito em 2004 por Carmona Rodrigues, conhecido bode expiatório do PS, e por este metido na gaveta.

    Como o plano não é iniciativa do PS, haverá que confiar que seja levado por diante, e que não seja como um dos anunciados pelo governo, com larga cobertura dos media e destinados a jamais ver a luz do dia.

    As mudanças no comportamento do planeta, se as há, são como milhares de outras que se têm dado ao longo de milénios e que têm tanto a ver com a humanidade como o trazeiro tem a ver com as calças. Mas a humanidade entretem-se com contrições idiotas em vez de fazer alguma coisa que, nalguma medida, possa prevenir as consequências de fenómenos naturais de raiz cósmica.

    Por isso que seja de saudar a iniciativa do Moedas, a que nenhum canal de notícias deu um segundo que fosse de tempo de antena.

     

    5.10.22   

  • SONDAGENS

    Os conhecedores destas sofisticadas matérias têm adiantado dezenas de explicações para o gigantesco falhanço das sondagens no Brasil.

    Das duas, três: ou as empresas de sondagens são umas aldrabonas (aprenderam com as  Portuguesas?), ou o Bolsonaro tramou e realizou uma monumental chapelada, restando saber onde e como, ou… qual é a terceira?

    5.10.22

  • ATRASO DE VIDA

    Anda o governo muito atarefado com os “leilões solares”. Porquê? Porque os tais leilões – julgo que compras de direitos de instalar painéis – estão caros, o que, diz-se, põe em causa a viabilibade dos investimentos.

    Não sei como se processam tais leilões. É que, se estão caros (entende-se, se estão caras as bases de licitação), basta não pôr lá os pés para que os preços baixem. A não ser que a regulamentação de tais leilões seja especial, como especiais têm sido os incentivos à produção de electricidade intermitente, a qual todos, de uma ou outra forma, pagamos com língua de palmo. E pagaremos ainda mais se se continuar nesta política. Não é só a guerra a causa do aumento dos preços, coisa que toda a gente sabe mas as “autoridades” escondem. O mesmo, ou parecido, poderá ser dito acerca das intermitentes eólicas.

    Hoje é já público e notório, provado e comprovado (até a UE já deu por isso!), que a energia nuclear é a mais constante, fiável, segura e barata forma de produzir electricidade. Mas, enquanto os países civilizados (à excepção da Alemanha, com consequências catastróficas para ela e para todos nós), e muitos que o não são, aceleram os investimentos nesta área, Portugal há décadas se recusa, sequer, a estudar o assunto. Não estaria aí uma boa forma de, com os olhos no futuro, usar os milhões da “bazuca”?

    É claro que, por cá, o atraso é endémico e parece não ter solução. O governo não tem a mais leve preocupação ou interesse no futuro, seja a médio ou a longo prazo. Só o imediato lhe interessa. A chusma de “ecologistas”, falsos como Judas, que por aí campeia (todos ou quase todos, assim ou assado, pendurados no orçamento), faria manifestações, artigos de jornal, campanhas nas redes sociais, etc.

    O governo ficaria nas encolhas como faz com tudo o que possa chatear.

    E nós, muito contentes, a pagar e a deixar o buracos para os netos dos netos.

     

    2.10.220

  • DO MAU AO PÉSSIMO

    No dia em que o Brasil vai a votos, o IRRITADO apresenta aos brasileiros as suas sentidas condolências. Vítimas de si próprios, os eleitores estão reduzidos a escolher entre o mau e o péssimo, ou entre o péssimo e o mau. Nem o diabo teria coragem para escolher qual deles é pior.

    Só há uma certeza. Ambos são adeptos do Putin e, portanto, amigos dos nossos inimigos.

     

    2.10.22

  • UMA TRISTEZA

    Durante longos e tristes anos, Costa dedicou-se à nobre tarefa pôr as culpas dos seus erros às costas do PSD. Nada de mau tinha outra origem. E, coerente, o homem dizia que jamais dialogaria com tal gente, jamais aceitaria qualquer proposta ou ideia dele proveniente. Durante anos, o PSD foi excomungado, maltratado, até nos tristíssimos tempos em que foi chefiado por um ajudante do PS chamado Rio, uma espécie de namorado, imagem clara do adágio “quanto mais me bates mais eu gosto de ti”. Costa até este punha de lado, com um esgar trocista.

    Eis senão quando, debatendo-se com a crise de inteligência, de coerência e de lealdade que grassa nas suas hostes, Costa deu em recorrer aos bons ofícios do PSD para resolver a monumental trapalhada do aeroporto de Lisboa. Tudo, é claro, a bem do “interesse público”, do “compromisso democrático” e, evidentemente, de (mais) uma desresponsabilização própria, de algo que comprometesse o novo PSD e o calasse sobre o assunto.

    Estranhamente, Montenegro aceitou dialogar, esquecendo que, para haver um gentlemen’s agreement, é preciso que haja pelo menos dois gentlemen. Manifestamente, não era o caso.

    Da “cimeira”, o que resultou? O costume. Duas “comissões” que, durante um ano(!), vão fazer mais uns “estudos”, a juntar à floresta de estudos que já andam por aí e, para aumentar a confusão, acrescentando a brilhante ideia do aeroporto de Santarém, a oitenta quilómetros de Lisboa, coisa que cheira que tresanda a negócio de terrenos.

    No fundo, nada foi decidido a não ser o prolongamento da trapalhada. O PS arranjou um bode espiatório para o que correr mal, a malta vai ficar mais uns anos a ouvir umas bocas e sem novo aeroporto. Daqui a um ano, as “comissões” pedem aumento do prazo, isto se já tiverem começado os trabalhos. O novo aeroporto de Lisboa é como o Brasil: é o aeroporto do futuro. E o futuro, esse, como se sabe, continuará a não existir.

    Uma nota de humor: as televisões transmitiram a reunião sem som. O que dava para ver, e gozar, eram as trombas do PNSantos: fartei-me de rir. Valeu a pena.

     

    24.9.22

  • CONFIANÇA

     

    Aqui há dias, o Governo que temos anunciou mais uma benesse para minorar os males do povo: comunicou que, quem quisesse energia mais barata se dirigisse aos fornecedores com tarifas reguladas.

    Ninguém sabia o que isso era, ou quem eram tais fornecedores. Até que começou a constar que era a GALP. A seguir, veio um tipo da GALP dizer que ia aumentar os preços.

    Dizem os jornais que dos 1.300.000 consumidores virtualmente candidadtos à benesse do governo, houve 18.000 que mudaram, ou seja, quase 1,4%!

    Boa notícia. Parece que o pessoal tem tanta confiança no governo quanta a que o governo merece.

     

    23.9.22

  • GEOGRAFIA

    O canto superior direito do “Expresso” de hoje reza assim: “O PR parte Sábado para uma visita à costa Leste dos EUA… Marcelo vai passar por Los Angeles, San Diego, Vale de San Joaquim, San José e São Francisco”.  Muito bem. Boa passeata é o que o IRRITADO deseja a SEXA. Divirta-se e fique por lá o tempo que lhe apetecer sem que lhe sintamos a falta. O problema é que os EUA estão ao contrário: a viagem não é à costa Leste mas à costa Oeste.

     

    23.9.22

  • QUEM COM FERRO MATA…

    No século XXI, no nosso mundo, tem-se assistido a uma espécie de revolução levada a cabo por uma “modernidade” de cariz totalitário. Não tem sido uma revolução com manifestações de rua, desordens, revoltas armadas, atentados. Nada disso. É mais profunda e feroz que isso. Não se destina a alterar, na sociedade, quem queira ser alterado, mas a condenar ao silêncio, ao opróbrio e à condenação moral, intelectual e social quem não quiser ser rinoceronte, como diria Ionesco, porco, na parábola do respectivo triunfo, ou súbdito fiel de novos bigbrothers. Quem não estiver com os revolucionários, não militar com eles, não comer da malga deles, é insultado, posto à margem, ostracisado, ou pior, publicamente rotulado de incapaz, indigno, falocrata, homofóbico, fascista, racista, enfim, um novo léxico consagrado à exclusão, ao ódio e ao anátema.

    Os prosélitos da revolução, geralmene chamados “activistas”, consideram-se intelectualmente superiores à miserável “plebe” sobre que despejam a sua fúria totalitária. São políticos, intelectuais, jornalistas, professores, seguidores acríticos, ou falhados em busca de razões. Mas são muitos e enxameiam toda e qualquer forma de comunicação.      

    Quem resistir é condenado, em vida, à exclusão, a um funeral destinado a novos cemitérios da inteligência, da moral e da sociedade. A nova sociedade excomunga a antiga e os seus vestígios, põe no lixo os seus mais persistentas e nobres costumes, vira a História de pernas para o ar, a nova inteligência não reconhece outras, a nova moral é a do politicamente correcto, com exclusão expressa e obrigatória de qualquer norma ou pessoa a ele se oponha.   

    Muita gente se queixa do surgimento, um pouco por toda aparte, de políticos radicais, de extrema direita ou não, com perigosas expressões públicas.

    A culpa é dos tempos e ideias que os radicais de esquerda criaram e querem impor. Para radicalismos, respostas radicais. Se os novos radicais querem alguma coisa honesta, moderem-se. Os outros moderar-se-ão com eles.

    Quem com ferro mata…

     

    23.9.22  

  • DOS SORRISOS DO COSTA

    Costa é todo sorrisos. Diz as maiores mentiras, asneiras e dislates sem qualquer pudor. Se se vir obrigado a retratar-se, usa o mesmo sorriso, como se falasse para bébés ou analfabetos.

    Às vezes, irrita-se.

    Irritou-se com o PNSantos quando este resolveu pôr-se com opiniões. Desmentiu-o com violência, mas teve medo de correr com ele. Afinal, disse, estava tudo bem, não havia problema.

    Desatou aos pontapés quando o homem da Endesa disse que a energia ia aumentar uns 40%. A energia vai aumentar isso, ou mais, mas Costa cuspiu o homem nos jornais, e nunca se retratou.

    O pacote de “ajuda às famílias” foi denunciado como truque, aldrabice, engano, por este mundo e o outro. Desmascarado, Costa meteu os pés pelas mãos, mas continuou sorridente.

    Fez um pacote para as empresas, o resultado foi o mesmo: tratava-se de empréstimos, não de ajudas, não houve quem não denunciasse. Costa sorriu.

    O fulano da economia acha que se deve dar uma machadada geral no IRC, coisa cuja utilidade e necessidade são de uma clareza indiscutível. Dizem as estatísticas que os países onde o IRC baixou a economia cresceu e o Estado acabou por arrecadar mais dinheiro. Mas o Costa ficou chateado e mandou o Medina e o irmão da outra (Mendes) dizer que o da economia é uma besta e que não vai ser assim. Costa sorri, que disparate, tal coisa tem que ir à concertação. Até lá, é um “desconcerto” pegado.

    Dizem os comentadores que o governo, mais que desconcertado, está desconjuntado, feito em papas, e que cada dia vai ser pior.

    Há quem se lembre do Passos que tinha a mania de dizer a verdade, boa ou má. Era o que tinha que ser, depois das trafulhuices do Sócrates/PS. Maldito Passos, isso da verdade é uma chatice. Com Costa, a história do PS repete-se, tirando a corrupção do outro (ainda impune!). Parece que, num mar de enganos, o Costa vai durar anos.

    Aqui bate o ponto, o mais grave ponto. Parece que os portugueses não se fartam de enfiar barretes e se deixam ficar. Guardam a indignação para o aquecimento global e as alterações climáticas, culpa mais ou menos imaginária de uma humanidade sem juízo. Guardam os rancores para as corridas de touros, os caçadores, as ofensas ao politicamente correcto, o woke, a ideologia de género e outras martingalas feitas para os distrair, coisa que cai como mel na sopa do Costa. Por isso, sorri.

    Como sempre, quando acordarmos será tarde.

     

    22.9.22

  • FÓRMULAS SOCIALISTAS

    Uns anos depois de o ministro PS da segurança social ter estudado a sustentabilidade da coisa e ter inventado uma fórmula tão importante e definitiva que mereceu honras de lei, vem o governo dizer que está tudo suspenso, que já não interessa nada, e que o “pacote” é que é bom. Devemos estar gratos por mais esta exibição da sabedoria e do bom-senso governamentais. A lei é a lei, não se revoga, suspende-se. Respeite-se a ordem jurídica, somos um Estado de Direito! O próprio pai da célebre fórmula da actualização de pensões já veio dizer que ela pode adaptar-se às circunstâncias, isto é, não vale um caracol.

    Mas, atenção!, o governo já nomeou (mais) uma comissão para tratar do assunto. Haja esperança. A dita comissão tem um ano para “propor soluções que robusteçam o sistema”. É que a culpa é da demografia. Saúde-se, o culpado já não o Passos Coelho (como ainda ontem dizia a dona Catarina Mendes, seguindo sábias palavras da dona Marta Temido). É a demografia.

    Acrescente-se que o prazo dado à tal comissão, como sucede com todas comissões, poderá ser prolongado sine die, não vá a demografia fazer das suas.

    Esperemos sentados.

     

    9.9.22   

  • À PATA

    Anda o nosso tão estimável governo muito preocupado com a “mobilidade” dos peões. Assinale-se. Até agora, governo, câmaras, juntas, etc. andavam em acção para acabar com os automóveis, ou para privilegiar os que enfiam o barrete dos carros eléctricos, e ainda para promover as trotinetas, as bicicletas e outras martingalas que dão cabo da vida aos peões.

    Agora, são estes últimos quem preocupa as autoridades. Muito bem.

    Foi anunciado mais um “estudo” para tratar do assunto. Daqui a não se sabe quanto tempo, estima-se que muito, as autoridades parirão o tal estudo, o qual, em princípio, não servirá para nada. Se calhar, ainda bem. Presume-se que os peões possam vir a ser obrigados a pagar uma taxa para andar na rua, a receber um número de matrícula ou a passar a ter um seguro obrigatório para o caso de incomodarem alguma trotineta. Com esta gente tudo é possível.

    Como o IRRITADO se preocupa com estas coisas, aqui vão, muito a sério, umas sugestões: a) acabar com a calçada portuguesa, ou mantê-la só onde for significativa e onde houver condições para a sua manutenção em condicões decentes, assim acabando com milhares de pés torcidos, pernas partidas, velhotes a cair no meio do chão, proliferação de pedras soltas, perigosíssimas, b) passar a tratar das árvores sem esperar que, ao primeiro vendaval, um ramo dê cabo da vida a algum peão, c) proibir a plantação de plátanos, a árvore mais porca que existe, e, aos poucos, substituí-los por árvores bonitas e de bom comportamento cívico, d) dar permanente prioridade aos peões, mesmo nas ciclovias, acabando com as confusões e os insultos de ciclistas e trotineteiros.

    Aqui ficam algumas humildes sugestões, na certeza de que nenhuma delas fará parte do “estudo”, ou provocará alguma reacção das autoridades.

     

    9.9.22

  • SÁBIAS PALAVRAS

    SÁBIAS PALAVRAS

    “As medidas de redução do consumo vão produzir um efeito muito positivo nas instituições todas, na medida em que passam a ter consumos mais baixos e, obviamente, passam a ter poupanças financeiras”

    Duarte Cordeiro, ministro do ambiente

    Eis o governo no seu melhor. Este fantástico ministro descobriu que reduzir o consumo de gás provoca consumos mais baixos. Formidável, não é? E se as “instituições” têm consumos mais baixos pagam menos metros cúbicos e gastam (?) menos dinheiro.

    Esta vai de braço dado com as outras, a da ministra que descobriu que os fogos na serra da estrela eram porreiros e a da secretária de Estado que acha que a serra ardeu 30% do que dizia o algoritmo.

    Vamos longe.

     

    9.9.22

  • UMA TEMPESTADE..

    … foi o que aconteceu ao meu post sobre o esquerdismo militante do jornal “Público”.

    Aqui vai uma resposta, o mais abreviada possível. Se eu digo que o “Público” é privado, é por piada sobre o nome, não que esteja a dizer que os outros não são privados. Quem lê e treslê, reage com raiva. Se eu digo que há jornais com cara, não estou a dizer que aldrabem nas notícias, estou a referir, por exemplo, os espanhóis “El Mundo” e El País”, os franceses “Figaro” e “Observateur”, os ingleses “Times” e “Guardian”, tudo generalistas respeitáveis, mas com diferentes “mentalidades”. Se digo cobras e lagartos da “Academia” do “Público” é porque nenhum dos jornais citados entregaria uma tal “academia” (histórica!) a representantes de um só partido, ainda menos a um só partido radical, de esquerda ou de direita. Para quem não percebeu, ou tresleu, aqui fica o esclarecimento.

    Só mais um exemplo: o “Público” de hoje dedica hoje 60% da primeira página e 100% das páginas 10 e 11 à rentrée do PC (festa do “Avante”). Comparem com o que aconteceu com as rentrées dos outros partidos, e talvez a raiva se lhes acalme e os argumentos absurdos baixem de intensidade.

    A título de piada sem graça nenhuma, leiam no “Público” de ontem um manual prático de como entregar o rabiosque às investidas de um pénis excitado. Está lá tudo: prevenções higiénicas por causa do mau cheiro, protecção contra contaminações, lubrificação do reto para facilitar e, sobretudo para senhoras, os produtos ideais para lubrificações que, na Natureza, não andam pelo local em apreço. E muito mais. Ficam a saber como utilizar canal de saída como porta de entrada. E, embevecidos, agradeçam tão úteis esclarecimentos numa carta ao Director, coisa que, ou muito me engano ou jamais será publicada.

     

    5.9.22

  • RIGOR E PLURALISMO

    Costumo comprar um jornal privado “de referência”. Um hábito de longa data que, salvadas algumas coisas, muito contribui para me irritar. Refiro-me, como é evidente, ao jornal “Público”, detido pelo grupo Sonae.

    Noticiosamente aceitável, o dito diário vem dando cada vez mais sinais de militante esquerdismo. Altas figuras da intelectualidade esquerdista tem lá lugar cativo, havendo um ou outro não pertencente à orquestra, talvez a título de raminho de salsa. O director é especialista em cravos e ferraduras, julga-se que para disfarçar.

    Ultimamente, a história da independência do Brasil tem sido pasto das habituais “investigações históricas” tendentes a instilar interpretações ideologicamente orientadas e a obliterar factos, certamente por falta de “interesse científico”.

    Agora, numa coisa chamada “Academia”, o “Público” propõe-se dar à malta lições de história. Muito bem. Com este nobre objectivo vai pôr à disposição dos interessados um leque de intelectuais e cientistas criteriosamente escolhidos. A quem queira ilustrar-se são oferecidos os estudos e opiniões da figuras tão gradas quanto as dos professores Fernando Rosas (fundador e dirigente do Bloco de esquerda), Francisco Louçã (grande líder do socialismo revolucionário e indiscutível pai do Bloco de Esquerda), João Teixeira Lopes (membro e ex-dirigente do Bloco de Esquerda), Miguel Cardina (membro do Bloco de Esquerda, investigador do Centro de Estudos Sociais – ramo intelectual da esquerda radical na Universidade de Coimbra), Luis Trindade (compagnon de route dos anteriores) e Andrea Peniche (feminista radical e activista do Bloco de Esquerda).

    Não contestando a valia intelectual de cada um dos escolhidos, que fique registado o pluralismo político, a independência ideológica e o rigor informativo do jornal da Sonae e do seu ilustre director.

    Veremos se há mais alguém, neste país escravo do socialismo, que denuncie este tipo de iniciativas.

    Aos que venham a alinhar na dita “Academia”, o IRRITADO deseja uma feliz lavagem ao cérebro.

     

    1.9.22     

  • HÁ GOVERNO?

    É já célebre a declaração da senhora vice-primeiro-ministro-ou-lá-o-que-é, segundo a qual, dados os incêndios, tudo está porreiro porque a Serra da Estrela vai ficar muito melhor do que estava. Assim como, salientou, se não fosse o terramoto, o Marquês não tinha reconstruído Lisboa. Genial.

    Também célebres são as doutas palavras da senhora da Protecção Civil (secretária de Estado!) segundo as quais a Serra da Estrela só ardeu 30% do previsto pelo algoritmo da organização. Tudo óptimo, assim como é óptimo que partir uma perna é muito melhor que partir as duas.

    Neste segundo caso agiganta-se, cheia de coerência com as declarações oficiais, a mui credível opinião da dita Protecção Civil, segundo a qual os ditos incêndios libertaram energia superior a 25 bombas de Hiroxima (766 terajoules). Feitas as contas, se se cumprissem os ditames do algoritmo, teríamos tido nada menos que Umas 2.500 bombas de Hiroxima a passear na Serra.

    Ou eu estou errado, ou o algorimo é treta, ou não temos governo nenhum. Ou as três. Pelo menos a  terceira está certa.

     

    29.8.22

  • UROLOGIA

     

    O IRRITADO tem andado sem inspiração que valha a pena. É tanta a desgraça, o calor, os incêndios, os mortos a mais, o governo a menos, estraçalhado, trapalhão, tanta pobreza, tanta tropelia, tanta aldrabice, tantas desculpas, e a guerra, meu Deus, e a guerra, mais futebol, mais guerra, o que vale é que o primeiro-ministro aproveitou os incêndios para ir de férias, senão tínhamos ainda mais trapalhices. Se fosse escrever sobre tudo não tinha descanso, o melhor é não ecrever sobre nada.

    Ou então… digamos qualquer coisa como graça, para quem achar graça. Venho falar de urologia (especialidade médica que estuda e trata o sistema urinário e o aparelho reprodutor masculino, segundo o dicionário). Porquê? Porque é uma das mais importantes causas dos incêndios. Verdade, verdadinha, era assim que dizia uma funcionária televisiva do exército de meninas, senhoras e cavalheiros que nos informam sobre os incêndios. Segundo ela, são causa do fogo, o vento, o fogo posto, a seca, a falta de meios, etc… e a urologia. A rapariga terá desculpa, isto da miséria em que está a educação justifica largamente tal referência. Ou não. É que há mais: ontem, a inigualável Ana Gomes queixou-se do mesmo: a urologia está na base da fúria dos incêndios. Aqui, já a porca começa a torcer o rabo. Dada a preparação universitária de senhora embaixadora, sou levado a achar que é capaz de ser verdade. A falar não é gaga, como é sabido. Ainda por cima, dado que sofro de hiperplasia benigna da próstata, pensei que seriam as dificuldades urinárias masculinas uma das causas dos incêndios, isto é, como os homens urinam menos do que deviam, aí temos a falta de meios para apagar o fogo, pelo menos na douta opinião de referida senhora.

    Trata-se de uma questão que, sob o ponto de vista científico e como é de calcular, tem a sua razão de ser. Outra coisa não seria de esperar de tão ilustre criatura.

    Há quem diga que foi um lapsus linguae, que ela queria dizer orografia. De qualquer maneira, inclino-me mais, não sei porquê, para urografia (radiografia das vias urinárias). Mas quem sou eu para duvidar, ou ter opiniões perante gente tão culta?

     

    22.8.22 (hoje é capicua, pode ser que dê sorte)

  • GRAVE PROBLEMA

    Era sabido que o Montenegro ia ter uma problema dos diabos. É que, por muito que faça para unir o partido, há uma área importantíssima em que tal é mais que duvidoso, garantidamente duvidoso, ou garantidamente “dividoso”. Como devem calcular, refiro-me ao grupo parlamenar.

    Foi este cuidadosamente formado pelo politicamente ominoso (abominável, detestável, execrável, horrendo, odioso, segundo o dicionário) senhor Rio, serventuário do PS, convencidão, incompetente, prejudicial, contraproducente, objectivamente traidor a quem o elegeu. O homem “demitiu-se”, mas ficou meses agarrado ao poder por via administrativa, a fim de ganhar tempo para deixar no poder os seus seguidores, maxime no grupo parlamentar, e assim assegurar a continuidade da sua devastadora obra. É com esta gente que Montenegro, queira ou não queira, terá que se haver.

    E, ó desgraça, começou por promover um dos áulicos do Rio a presidente do grupo. O homem parece sério, poderá ter boas ideias, mas não tem qualquer condição, enquanto parlamentar, para se bater com a alcateia socialista. Calculo que, na mesnada do Rio, não houvesse muito por onde escolher. Ou não houvesse nada. Mas, em política, tão importantes são as ideias como a forma de as defender.

    Portanto meus amigos, os tempos vão ser difícies para Montenegro. Se me enganar, fico feliz.

     

    15.8.22   

  • MORRER EM PAZ

    Pois é. Parece que anda para aí uma data de gente a morrer. Ninguém parece saber, ou dizer porquê.

    Há almas pouco crentes a clamar que são as consequências dos anos em que, por causa do terrorismo oficial, o SNS funcionava ainda pior do que de costume, as pessoas tinham medo de ir aos hospitais, quem ia, ou tinha covide ou era mandado passear, as urgências não eram frequentadas, não havia diagnósticos, ainda menos cirurgias, ou consultas. O panorama era a continuação do habitual mas em muito pior. É claro que as consequências haviam de vir, e aí estão.

    Outras almas, habitualmente rotuladas de criminosas (classificação introduzida pela Armada), negacionistas e fascistas encapotados, andam a dizer que a culpa é das vacinas do almirante, a morte súbita, os derrames cerebrais e outras maleitas são provenientes das vacinas que nunca foram vacinas, só discutíveis tratamentos com aparente ou real eficácia na moderação dos sintomas.

    Entretanto, tudo na maior. Os profissionais de saúde andam num virote corporativo (nunca, nem durante a ditadura corporativa, houve tanto corporativismo em Portugal), as “autoridades” metem os pés pelas mãos, a ministra vai dizendo uns disparates, a outra condena o bacalhau à Brás, o covide deixou de ser notícia, só aparece em letra pequena e em quantidades que há um ou dois anos seriam catastróficas mas agora já não, os testes caíram em desuso, a guerra da Ucrânia e os fogos é que é bom, o Presidente anda de automóvel a fazer a sua propagandazinha com uma senhora enjoativa, o PSD, e bem, zanga-se com ele, o primeiro-ministro diz que não há problemas, isto sem falar da ditadura da esquerda LGBTYFDSXCVB+-x:ETCETAL, que se apresta a condenar os “dissidentes” que dizem mal da nova antimoral instalada.

    É o que está a dar, os mortos são conversa para académicos de pacotilha, não fazem manchetes nem compram publicidade.

     Pois que morram para aí à vontade, a culpa é de nada e de ninguém como é costume e o SNS nada tem a ver com o assunto.

     

    13.8.22

  • ACÇÃO DE GRAÇAS

    Segundo um militar que anda por aí a comentar a guerra (major general Carlos Branco), os alvos civis dos russos (prédios de habitação, escolas, hospitais…) têm lá armas escondidas. São alvos legítimos, alvos militares, os bombardeamentos são tarefa legítima do Putin. Por exemplo, ontem, várias vezes instado pela chata da CNN, recusou dizer que a Rússia destrói as cidades. E por aí fora, num mar de justificações, toda elas “técnico-militares”. Só lhe falta dizer, para completar as “análises”, que a invasão da Ucrânia é mais do que legítima, admirável.

    Julga o IRRITADO que a embaixada da Rússia devia, para ser justa, fazer um comunicado de acção de graças pelas opiniões do ilustre militar.

     

    8.8.22