Apóstolo da paz, feroz contestatário dos armamentos, retumbante escrevinhador, Miguel Sousa Tavares vem-se revelando como uma espécie de general dos exércitos de Putin. Contra a guerra, lado a lado com o Putin que, segundo declarou,também é contra a guerra, o Tavares insurge-se contra o Ocidente em geral e os EUA/UE em particular. Havendo guerra, o que excita os altos sentimentos do Tavares? Nada, a não ser o seu fim. Como? O Tavares não diz. Lidas as suas preclaras linhas e entrelinhas, para acabar com a guerra só há um remédio: a Ucrânia render-se, deixar de existir, entregar-se aos braços fortes e justos do Putin. Ouro sobre azul, como é evidente. Culpados? Os fabricantes de armas do Ocidente. Os que as fabricam na Rússia não contam. Os que se defendem são belicistas. Quem ataca, ataca pela “paz”. Tudo claro, não é? Nem o Putin sonharia com encontrar um tão fiel general.
Há mais, muitos mais, com poderosos exemplos: uma tal Afonso, nova ocupante de página nobre no “Público”, esperneia de esquerdismo balofo ou absurdo; aquele velhinho do BE, o Boaventura e tantos outros, tudo sargentos do Putin.
A mais tradicional esquerda, aí está ela, com os do PC a ocupar as fileiras dos conscritos às ordens da Rússia, preocupadíssima com os “nazis” ucranianos e, naturalmente, amantes da “paz” à moda soviética. Tudo soldados rasos a defender as mesnadas do sucessor dos bolchevistas, ultra nacionalista e imperialista como eles. A burrice no seu mais radical esplendor.
Tudo absurdo, ou idiota, esperando-se que inútil. A esquerda radical, no nacional-putinismo, ultrapassa o imaginável. Ao contrário do que acontece em países mais civilizados, por exemplo a França, onde o putinismo é quase só de extrema direita, sendo verdade que o Melanchon dá uma ajuda.
Ai de nós!
11.4.22

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