IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O TEMPORA, O MORES!

Aqui há uns anos, ainda o BES vicejava, houve um projecto qualquer que implicaria um corte de sobreiros, julgo que para os lados do Ribatejo. A oposição entrou num frenesim contra a coisa. Os ecologistas de serviço desataram aos gritos. O ministro que, dizia-se, apoiava a coisa, foi crucificado no altar da incompetência e da corrupção. Os jornais não se calaram, o PS explorou o assunto de todas as formas possíveis. Tanto quanto me lembro, a coisa abortou.

De acordo. O montado de sobro e azinho deve ser preservado e até alargado.

Mas o mundo dá as suas voltas. Desta vez, o inacreditável ministro do ambiente e o ainda mais inacreditável secretário de Estado que o serve, aprovaram um projecto de um ror de hectares a ocupar com ruinosos projectos de intermitente e cara energia solar, implicando a coisa o abate de 1079 sobreiros e 4 azinheiras. O tonitruante ministro realça “a importância e elevada expressão económica do empreendimento”, bem como a sua “imprescindível utilidade pública”. E há, pelo menos, mais um projecto em vias de aprovação!

Mudam-se os tempos, mudam-se as “verdades”. Ou não. Não há nada de novo, a argumentação do ministro é a mesma de Sócrates, como nos tristemente célebres PIN, que passavam por cima de tudo e mais alguma coisa, e para quase nada de positivo serviram. Agora, ainda que a mentalidade ou os objectivos sejam de semelhante natureza, as conseqências são bem mais graves. Enfiados na trapaça da “descarbonização”, caminhamos a passos firmes para o disparar dos preços da energia (somos ricos, não é?) e para o recrudescimento das importações, mesmo que integralmente “carbonizadas”. Enfiar milhares de milhões em energias intermitentes, ocupar milhares de hectares com painéis solares, dar cabo do montado, “encher” de euros os que se aproveitam – fazem eles muito bem – das desgraçadas políticas energéticas da “modernidade” socialista, borrifar no ambiemte que se diz proteger, eis o que “orienta” o governo. E vêm aí mais quatro anos disto, sem remédio, precipitanto o país num inevitável abismo energético e económico.

Num momento em que a própria Comissão Europeia (finalmente!) classificou como limpa a energia nuclear, em que, por exemplo, a França (com quase cinquenta centrais em funções e a energia mais barata e eficaz de Europa) se prepara para construir novas centrais, o portugalito, orgulhosamente só, ou quase, restaura o mais primitivo e estúpido socratismo.

A matilha ecologista, com uma excepção, apoia.

Vivemos nisto, que é pior que o covide.

 

20.2.22



5 respostas a “O TEMPORA, O MORES!”

  1. Que chatice, cortar sobreiros e azinheiras sem ser para fazer campos de golfe.

  2. “Aqui há uns anos, ainda o BES vicejava, houve um projecto qualquer que implicaria um corte de sobreiros, julgo que para os lados do Ribatejo.” O Irritado fala, no tom vago e inocente com que fala de todas as trafulhices à direita, do caso PORTUCALE: um projecto turístico autorizado pelo governo de Santana Lopes a quatro dias das eleições – das eleições em que foi trucidado pelo 44. Foram abatidos 2500 sobreiros para fazer hotéis e campos de golfe. O despacho foi assinado pelos ministros Costa Neves (PSD), Nobre Guedes e Telmo Correia (CDS). E um milhão de euros foi parar à conta do CDS no BES. Foi acusada uma catrefada de gente do BES, do CDS e dirigentes do Estado. Foi ouvido Miguel Relvas, na altura secretário-geral do PSD, que admitiu ter “feito contactos” a favor do BES. Relvas foi também apanhado em escutas com Abel Pinheiro (ex-tesoureiro do CDS) sobre a necessidade de “acelerar aqueles processos”, quando o governo Santana estava já em gestão. O resultado? Tudo absolvido. Todos a rir-se. Como nos submarinos. Como na SLN. Como no GES. Como em tudo.

    1. V. tem uma memória dos diabos! Não sei se há lá golfes ou não. Não sou golfista (the best way to spoil a nice walk) , nem caçador, nem atirador, nem toureiro, nem fadista. Mas gosto de golfistas, caçadores, atiradores e corridas de toiros (2x por ano). O meu desporto é o poker sintético, com amigos e sem aleijar. Posto isto, o objectivo do post era a comparação de critérios. Arrancava-se sobreiros para o golf, o que era um crime. Arranca-se sobreiros para parque solares, o que é um inestimável serviço. Do meu ponto de vista é mais grave o inestimável serviço que o crime. Mas, uma vez “bem tratadas” as mentalidades de plebe, o país caminha para a mais inacreditável ruína energética da sua história, e até os chamados ecologistas estão de acordo!

      1. Cont. E estes não são perseguidos, nem acusados, nem condenados, nem absolvidos. São uns heróis.

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